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Pronto, tens munições.
Precisas de mais alguma coisa?
- De pessoas. - É?
Hoje, tive de me livrar de um bêbedo, mas isso não é problema teu.
- Não. - Mas podes ter outro problema.
Qual?
Diz-se que o tipo dos Dearpmis que está no hospital
tem falado com a polícia.
Estou a ver.
Isso não é bom.
Obrigado pela conversa. Até logo.
- Sim? - Sim, sou eu.
Podemos ter um problema.
O típico assassino em série é homem.
É branco.
Tem entre 24 e 40 anos.
Ele prefere trabalhar sozinho.
Também pode estar a trabalhar com outros,
por exemplo, em pares,
mas se houver mutilações, como aqui,
é um sinal claro de que está a trabalhar sozinho.
A primeira vítima
é escolhida pelo assassino num ambiente que lhe é familiar.
Quinto andar.
A típica vítima seria a sua própria mãe.
Os rituais são algo que as pessoas acham estar sempre
ligados a homicídios em série, mas não é verdade.
Porém, se houver rituais,
há quase sempre um assassino em série.
Há dois tipos de assassinos em série,
o psicopata e o sociopata.
O psicopata não tem emprego, não tem educação,
tem um cadastro longo
e é um suspeito fácil.
O sociopata parece funcionar bem,
é inteligente, equilibrado.
Primeiro, temos de o apanhar.
Tem alguma coisa que possamos usar na prática?
Já lá vamos, Waaler.
O ato de matar uma pessoa leva tempo.
Por isso, tem importância se acontecer durante a semana
ou durante um fim de semana, ou um feriado,
pois estes últimos podem sugerir
que o assassino tem um emprego,
o que sugere, por sua vez, que estamos a lidar com um sociopata.
Se matar durante as férias de verão,
sugere que ele tem um emprego e é um sociopata?
Talvez.
É suficientemente prático, Waaler?
Sim. Acho que seria bom se pudesse falar
especificamente sobre este caso.
Ora, temos três homicídios.
Dois. A Lisbeth Barli só está desaparecida.
Lamento, são três. Sem dúvida.
E foram cometidos no mesmo espaço de dias.
O ritual da mutilação e de decoração do cadáver
foi seguido três vezes.
Isso sugere que estamos numa fase inicial com controlo.
Escolha da vítima e do local do crime?
Pois, talvez tenhas razão.
Razão em quê?
Que a escolha da vítima e do local do crime,
na verdade, sugere o contrário.
Como assim?
O primeiro homicídio, o da Camilla Loen, foi no apartamento onde vivia sozinha.
Ele consegue entrar e sair,
sem risco de ser apanhado ou identificado.
No segundo homicídio,
rapta a Lisbeth Barli num bairro residencial,
durante o dia, provavelmente num carro, que terá uma matrícula.
Ele começa a correr riscos. O terceiro homicídio é puro acaso.
Na casa de banho das senhoras, num edifício de escritórios.
Foi uma sorte não ter sido apanhado ou identificado.
Então, qual é a conclusão?
Achamos estar a lidar com um sociopata equilibrado,
mas não sabemos se está prestes a enlouquecer
ou se ainda tem o controlo total.
O que devemos esperar?
No primeiro caso, enfrentamos um massacre,
mas com a hipótese de o apanhar.
No segundo caso, há pausas longas entre homicídios,
mas, se calhar, nunca o apanharemos.
É estar entre a espada e a parede. Qual delas preferes?
Está bem. Obrigado, Ståle.
Sugiro que comecemos
por chamar todos com quem já falámos para uma nova ronda de interrogatórios.
Vamos ter muita gente de olho em nós, até do estrangeiro.
Então, estava na Cobranças de Dívidas ABC para falar sobre aparelhos auditivos?
O meu advogado está a ficar velho. Preciso de um novo
para fazer uma avaliação legal a um contrato.
Então, contactou advogados especialistas em cobrança de dívidas?
Sim, mas não percebi isso até à reunião.
Bem, até ao breve minuto de reunião, antes de toda a confusão começar.
Presumo que tenha marcado reuniões com vários advogados.
Pode dizer-me com quem?
Só conseguia reuniões para depois das férias de verão.
A Cobranças de Dívidas ABC foi mais obsequiosa.
Sou suspeito de alguma coisa?
Sim, todos são suspeitos.
É justo.
Ouço aí um sotaque?
Sim, é possível. Viajo muito para o estrangeiro.
Pode ser disso.
Para onde viaja?
Tenho uma pequena casa na Tailândia.
Vou à Suíça para visitar o fabricante dos aparelhos auditivos,
mas viajo mais pela Noruega,
hospitais, instituições e coisas assim.
É casado? Tem família?
Se o meu caro senhor vir a folha na qual o Skarre tomou notas,
verá que não.
Vivo com o Truls.
O Truls é um Shar Pei.
Um cão.
Certo. Pode só dizer-me o que aconteceu?
Acho que o seu colega Skarre…
Ele tomou nota, eu percebo, mas pode dizer-me o que aconteceu?
- Olá. - Posso ajudá-lo?
Tenho uma reunião com o Halle daqui a minutos,
mas os cinco andares acabaram comigo.
Pedi à rececionista…
A Barbara Svendsen.
Pedi-lhe um copo com água,
e ela foi ao fundo do corredor.
- Sim. - Sim.
Mas ela não voltou, por isso, fui à procura do Halle,
com quem ia reunir.
- Olá. - Olá?
- Sou o Clausen. - Clausen! Sim.
Viu alguém entrar ou sair da casa de banho das senhoras?
Não, não vi ninguém, além dos que trabalhavam lá.
Sabe que mais? Já disse isto muitas vezes.
Eu percebo, mas não há nada sobre que funcionários viu.
Todos são suspeitos, certo.
Sim, preciso da sala.
Podes ir.
- Obrigado. - Não.
Tu podes ir. O senhor fica.
Vamos ficar aqui.
Continue.
Vi a empregada de limpeza,
que foi mais para o fundo do corredor.
Falámos com ela.
Sim. E depois vi
um tipo de fato
a servir café junto à máquina,
mas depois entrou para o que presumi ser o gabinete dele.
- O estafeta de bicicleta, claro. - O estafeta de bicicleta?
Sim.
O estafeta saiu antes de eu ir procurar o Halle.
Tecnicamente, acho que não é um funcionário,
mas estava lá em trabalho, digamos.
Que olhar é esse?
- Como é que ele era? Alto? Magro? - Sei lá!
Como havia de saber isso? Ele estava de saída.
- Como eu, talvez, normal… - Gordo?
Gordo? Não pode dizer…
Fique aqui.
Em quanto tempo me arranjas uma lista de encomendas feitas a estafetas
no dia do homicídio?
- É rápido, acho eu. - Mas, primeiro, tenho de…
Liga a todas as empresas de estafetas.
Procura uma entrega ou recolha na ABC.
- Não és tu que lideras… - Faz isso.
Esse Clausen fez-te uma descrição?
Sim, tinha uma t-shirt preta, calções,
calçado de ciclismo que fazia barulho.
Não garante a altura dele. A cara estava tapada.
Tinha óculos de sol, um capacete e, curiosamente, máscara facial.
Por isso, a Camilla Loen deixou-o entrar.
Pois, ele só tocou à campainha.
Eles mantêm as máscaras diante da câmara.
Ele diz levar um ramo de flores ou uma encomenda.
O Clausen chegou e só viu o estafeta a sair,
após mais de quatro minutos.
Um estafeta de bicicleta entraria, faria a entrega e sairia outra vez.
Não estaria quatro minutos a vaguear.
Vou pedir que se verifique se houve estafetas nos locais dos crimes.
Sim. Há mais uma coisa em que temos de pensar.
Se lançamos um aviso sobre estafetas desconhecidos.
- Certo. Eu falo com o Møller. - Está bem.
Olha, Harry.
Excelente trabalho.
Uma pessoa morreu
após o ataque de ontem ao moto clube do Korps.
Agnes Sjølid, da Polícia de Oslo, diz que vão continuar a trabalhar…
Olá?
Olá?
Posso ajudá-lo?
Ouça, sou da polícia.
Aquele símbolo de estrela naquela porta ali…
O pentagrama?
É…
Tem algum problema?
Não, só queria saber o que significa.
O pentagrama é um símbolo religioso antigo.
Foi encontrado em lápides com mais de mil anos.
Então, é um símbolo do bem?
Sim, o nosso é.
Mas…
Quando o pentagrama está de cabeça para baixo, ou seja,
com dois vértices a apontar para cima,
isso já é entrar no campo da demonologia.
Ou seja?
Dos ensinamentos do mal.
A pista do estafeta não deu em nada?
Lançámos alertas nas redes sociais, nas rádios, televisões.
Houve 24 denúncias, até agora.
Confirmam o que já sabemos.
Contacta a imprensa que tinha fotógrafos na Carl Berner
e vê se há fotos de quem lá estava.
A sério? Esse mito de regressar ao local do crime?
Se for um assassino em série sociopata,
ele vê a investigação como um jogo emocionante
que está a fazer com a polícia.
Sigam-me.
E o que diz a equipa forense?
Que estamos atrasados e com falta de pessoal,
mas que também priorizámos estes cadáveres face a outros.
Não há sémen, nem pele, nem cabelos ou sangue.
E não há sinais de abuso sexual.
A única prova física de um crime
são os buracos de bala.
- É interessante. - O quê?
Que não haja sinais de abuso sexual.
Então, não tem um motivo sexual.
Não, os homicídios em série têm sempre um motivo sexual. Sempre.
Talvez tenhamos um Mr. Chance.
"Gosto de ver."
Ele pode não precisar de lhe tocar para ter satisfação sexual.
Talvez o homicídio em si ou só ver o cadáver sejam suficientes.
E a Lisbeth Barli?
Examinámos o dedo dela e o que vos podemos dizer
é que a superfície dos cortes sugere que a mesma faca ou ferramenta
foi usada nos três casos.
E as armas nos locais dos crimes?
Os testes confirmam que foram usadas nos homicídios,
mas os números de série foram arquivados.
Têm as mesmas marcas da maioria das armas confiscadas.
A cidade está cheia de armas. Isto já quase parece o Montana.
Maya, o caso Barli?
A Toya Harang vai substituir a irmã na peça Pigmalião.
A cópia estará pronta antes do almoço.
Está bem. Há citações?
Do Willy Barli.
"'O espetáculo tem de continuar' não é um mero chavão.
A nossa indústria é séria e sei que a Lisbeth está sempre connosco.
A situação afetou-nos profundamente.
Ainda assim, tentamos ser positivos.
A peça será uma homenagem à Lisbeth."
Gosto desse sentimento positivo, também precisamos disso.
Agora, só se fala do assassino estafeta,
então, priorizem esta notícia.
- Olá. - Olá.
Estás bem?
- Sim, estou no trabalho. - Eu também.
Ou…
Então…
Era para te lembrar de levares o Oleg às Piscinas de Frogner, amanhã.
Sim, claro. Tenho os calções de banho prontos.
Acho que nunca te vi com eles.
Como são?
São pretos, com o símbolo de uma marca de moda estampado.
Pois, os boxers que te comprei. Estou a ver.
Também dão para nadar. O que é?
Enviei-te um e-mail.
Vou ter de desligar.
Está bem.
Está bem. Adeus.
Viste o e-mail que te enviei?
Sim, do exterior dos locais do crime.
São da Maya Ek, do Aftenposten.
Em troca, eu faço
uma entrevista ou traço um perfil.
Pode ser bom para o departamento, para melhorar a imagem.
Mas… Aí tens.
Obrigado.
APARTAMENTO
Ainda temos as chaves do apartamento da Camilla Loen?
O Bjørn Holm tem-nas.
Obrigado por teres vindo logo.
O que queres?
Eu queria avisar-te.
O Odin e o Dearpmis dizem não conseguir pagar
pelas armas que encomendaram,
porque te apoderaste do mercado deles.
Então…
Estão a planear matar-te.
Porque me dizes isso?
Porque pagas.
Prefiro clientes que pagam.
Disseram algo sobre onde, quando?
Pode ser a qualquer momento.
O Odin e o Loke estão no Hospital Aker.
Toca.
Está tudo bem.
O que faz aqui?
Estou a trabalhar.
A trabalhar?
Sim, pensei mesmo que tinha trancado a porta.
Sim, trancou.
Tenho a chave do porteiro, por precaução.
Olá.
Não tomaste a pastilha para dormir?
Sim, o seu marido ouviu um chinfrim lá em cima
e pensou que tinham entrado no apartamento da Camilla Loen.
Não.
Não podes voltar para a cama?
Boa noite.
- O que foi? - Não… O que é isso?
Porque estás com isso?
Vai dormir.
Peço desculpa. Quer café?
Sim, por favor.
Qual é a medicação que ela toma?
Heroína. Não. Zolpidem. É…
Compro-o no estrangeiro.
Mato dois coelhos com uma cajadada só, pois acalma a ansiedade.
Também os toma?
Eu? Não.
Não, a ansiedade nasce da liberdade e gostaria de manter essa liberdade.
Se saciarmos a ansiedade,
dominamos a nossa própria vida.
Devia ler Heidegger. Iria gostar.
Mas não tem ansiedade?
Tenho ansiedade.
- Tem ansiedade? - Sim.
O senhor também.
Sim.
Mas este assassino não tem.
Não? Porquê?
A liberdade mantém-nos acordados.
As escolhas.
O assassino não tem escolha.
E porque não?
Porque é um instrumento.
Porque a vida dele tem um propósito.
Não está confuso como nós. Ele…
Ele sabe o que faz. É por isso que dorme bem à noite.
E que propósito tem?
Não é óbvio?
As mulheres eram
promíscuas.
Acha que sim?
A Barbara Svendsen ia de namorado em namorado.
A Lisbeth Barli, antes de ser casada,
pavoneava-se como uma…
… cigana.
E, então,
a Camilla Loen?
Também não estava livre de pecado.
O propósito deste assassino é…
Ser um instrumento de Deus.
Hebreus, capítulo 13, versículo 4.
"Deus julgará os sexualmente imorais."
Certo.
Já ouvi essa.
Vou lembrar-me dessa. Hebreus.
E vou lembrar-me do Heidegger.
Obrigado pelo café.
Já agora,
como vendedor de material religioso…
O que pode significar quando alguém esculpe um pentagrama em madeira?
Onde o encontrou?
Na viga por cima da cama dela, lá em cima.
- Da cama? - Sim.
Bem, pode ser uma estrela do diabo.
Os pagãos pintavam-na sobre as suas camas e entradas
para afastar as mares.
Mares?
Como um pesadelo.
Um espírito feminino que se senta em cima do peito de uma pessoa adormecida
e monta essa pessoa para que tenha pesadelos.
Do indo-germânico, mer.
O meu indo-germânico está um pouco destreinado.
Pois. Significa morte.
Ou homicídio.
Deixem que me apresente.
Sou a criatura que esperavam que não existisse.
Sou eu que saio de debaixo da cama quando estão a dormir.
Sou eu que me sento sobre o vosso peito,
que vos põe o freio na boca
e vos monta.
Monto-vos até ao Inferno.
Sou a criatura que esperavam que não existisse.
Sou eu que…
Isto é para nós.
Ele quer que saibamos, quer ser admirado.
Ao mesmo tempo, não nos dá nada em concreto.
O que podes fazer quanto ao som?
Normalmente, usaria apenas IA para remover toda a distorção,
mas, neste caso,
usaram IA com adversarial audio.
- Tens noção da loucura que isso é? - Dá para remover?
Nem pensar, meu. É impossível, mano.
Está bem. Holm, o que tens?
Compram-se destas cassetes em todo o lado online, por isso…
Mas o perito linguístico diz-nos
que este tipo fala uma espécie de sueco arcaico
com norueguês misturado, ou seja, já não vive na Suécia há algum tempo.
Impressões digitais?
Sim, é isto, mas são tuas, por isso…
Sim, está bem.
O vizinho do piso de baixo,
encontraste impressões digitais dele?
Sim. Dentro da porta, mas ele foi lá com o porteiro,
portanto, não é estranho, então…
Sim, tudo bem.
Comunicas isso à equipa? Tenho uma reunião importante.
Como percebeste que podia haver algo nesta cassete?
Uma cassete dessas em casa de uma miúda que nasceu nos anos 2000?
Se eu tivesse estado sóbrio, tê-la-ia visto logo.
Deviam despedir-me.
As escadas são aqui, cobardolas.
A polícia e outras autoridades públicas estão sob crescente pressão
de uma população que se sente cada vez mais insegura.
Segundo uma sondagem da Norsk Gallup, quatro em cada cinco pessoas…
Pode desligar esta?
Após esta semana…
Disse que não entrou ninguém no dia em que a Mna. Svendsen foi morta.
Tem a certeza disso?
Um estafeta de bicicleta, por exemplo?
Olhe, eu disse que não tinha tido clientes.
- Certo. - Um estafeta de bicicleta?
Sim, esteve ali um tipo todo equipado. Sim.
Mas foi-se logo embora.
Presumi que percebeu que estava na morada errada.
- Sim. Não toques em nada. Afasta-te. - Claro.
Beate?
- Olá. - É aqui.
- Olá. - Olá.
Parece estar ali uma impressão digital.
Cinco minutos.
Pode descrever o estafeta?
Nunca se vê a cara desses tipos, pois não?
Tente.
Quero dizer, ele esteve aqui por pouco tempo.
Eu estava aqui atrás do balcão.
Se precisarem, as pessoas que peçam ajuda.
Harry, temos de ir.
- Sim, mas nós… - A hora.
Pois. Merda!
- Beate, liga-me se descobrires algo. - Sim.
Xeque-mate.
Não…
Sim, estou?
Está aqui um tipo que foi expulso do Korps.
Ele diz que a Attila está a caminho do hospital,
para se vingar com um lança-chamas.
Precisamos de mais pessoas.
Estão todos no evento, em Gotemburgo.
É por isso que eles estão aqui, sabem disso.
Diz-me.
Estou a falar com o Hole?
Quer vender-me alguma coisa?
Sim, quero.
Vou desligar.
Posso vender-lhe o nome do tipo que vende armas aos gangues de droga.
Sim, sou eu. Vieste ver-me ao hospital.
Vem cá e traz colegas armados.
O que se passa?
Sou eu, outra vez.
O Korps inteiro vem a caminho.
Alguém lhes disse onde estamos.
E como sei que isto não é uma emboscada?
É só um risco que terá de assumir,
se quiser o nome.
Se morrermos, essa informação morre connosco.
Sim, Hole?
Olá, Wulf. Tenho de me despachar. Contacta a Delta.
O Korps está a caminho do Hospital Aker. Quarto 505.
- Entendido? - Entendido.
- Vais alvejar alguém? - Não, é tentador,
mas não tenho com que disparar. - Porque não?
Isto não é um filme americano, é a Noruega,
onde a polícia tranca as armas no carro-patrulha,
sendo que este não o é.
Então, não haverá ação?
A Unidade Especial tem muitas.
- Então, acelera. - É o que vou fazer.
Boa!
Olá.
Olá. Chegaste.
Quase pensei que não vinhas jantar.
- Foi divertido? - Podia ter sido mais divertido.
Não é aquele o hospital?
Este é o Aker. Vamos para o Ullevål.
Temos de ir.
Saiam!
Porra!
Saiam!
Merda!
- O que está a fazer? - Cala-te!
Foda-se!
Um morreu.
O outro está em coma, mas o médico diz que ele também vai morrer.
O Wulf diz que disseste Ullevål.
Sim?
Se calhar, nem chegaríamos a tempo.
Qual foi a sensação?
De seres um agente da polícia desarmado
e teres de os deixar passar?
E se eu aceitar juntar-me a esse vosso projeto?
Cumpres uma missão, sozinho, sem fazer perguntas.
Terás de queimar algumas pontes.
Estou a ver.
Terei de infringir leis norueguesas para teres algo contra mim?
Quanto…
Quanto tempo me podes dar?
Tens 48 horas.
- Sim, diz-me. - A impressão digital do televisor.
Não está na nossa base de dados, mas há uma correspondência.
Do vizinho da Camilla Loen?
Não, não é dele.
É igual a outra impressão no apartamento.
Sim.
Era a Beate Lønn.
Há uma impressão digital do assassino.
Certo. Vamos lá!
Estou a ir, mãe.
Estou a voltar.
A voltar para o meu útero.
Irei empunhar a faca e abrir caminho.
- Ontem, lá consegui pagar a renda. - Não te preocupes com isso, amor.
Já arranjei ajuda.
Sim, reparei que tem havido alguém a entrar e a sair.
- Reparei que tem um cão. - Sim. Vais poder conhecê-lo.
Mas aviso-te já que ele é diferente.
É antiquado.
Ele não quer que nós…
Tu sabes…
Sim, é sério.
Ele deu-me uma coisa.
Disse que não a podia abrir até ficarmos noivos.
Depois, disse que é algo que dura para sempre.
POLÍCIA
O Príncipe.
Um dos gangues desapareceu e acho que temos um novo membro.
Ótimo!
BASEADA NA OBRA A ESTRELA DO DIABO DE JO NESBØ
Legendas: João Braga
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