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-Tenho de me ir embora. -Não, espera.
VINTE ANOS ANTES
Quem me dera que não amanhecesse.
-Amo-te. -Amo-te.
HERDADE LAS PALOMAS
-Estiveste fora a noite inteira. -Não, mamã.
Só saí um pouco, não consigo dormir.
Não me mintas, Elenita. sei muito bem de onde vens.
Deixa de ver esse esfaimado duma vez por todas.
Em breve, serás uma mulher casada.
-Não quero. -Mas vais fazê-lo.
O Fidel de la Garza pediu a tua mão.
Não. Se não puder casar com o José, prefiro morrer.
Vais casar com o Fidel de la Garza.
Mamã.
Mamã?
O Dr. Brown já está com a Rosaura.
O que tem? Sente-se bem?
No batizado, vamos servir mole com peru.
Como no batizado da Rosaura.
Dá-me a lista de tudo o que precisas.
COMO ÁGUA PARA CHOCOLATE
Tinhas fome, não era?
Vou cuidar de ti como a Nacha cuidou de mim.
Não deixarei que te aconteça nada.
Não podes estar aqui.
-Como? -Não sei.
Quando o Robertito nasceu, o peito encheu-se-me de leite.
Nesse dia, Pedro não resistiu à tentação
de provar Tita.
Não acredito.
Nem eu. É um milagre.
Fisicamente, está tudo bem.
É surpreendente, após um parto tão complicado,
ela ter recuperado tão depressa.
No entanto, preocupa-me o seu ânimo.
E o leite, doutor? Não conseguiu amamentar o bebé.
-Há algum remédio? -Sim
Dê-lhe emulsão de Scott diariamente, para ganhar forças,
mas o mais importante: tem que fazer a sua vida normal.
Comer bem, beber muita água, é o que a fará melhorar.
Muito bem.
Rosaura!
Vejo-a no batizado?
-Se me sentir melhor, irei. -Certo.
-Obrigada, doutor. -Até à próxima.
Ouviste o doutor.
Quanto mais tarde te levantares, pior.
Não tenho forças, mamã.
As tias chegam logo à noite, não quero que te vejam prostrada.
Parece que não se lembra de como isto é difícil.
-O meu parto não foi muito duro? -Claro que me lembro, Rosaura.
Não és a primeira mulher a dar à luz.
De certeza que o meu pai esteve sempre ao seu lado e cuidou de si.
Quem me dera que ele estivesse aqui.
Eras muito pequena quando ele morreu, não podes ter saudades.
Mas tenho. A mãe não tem?
Basta de lamentos, levanta-te!
-Mais um dia, por favor! -Foi o que disseste ontem!
-Só uma noite... -Tens de cuidar da tua família!
O teu filho precisa de ti, não vês?
O Roberto não me ama!
É por isso que não tenho leite, não percebe?
O Robertito só ama a Tita.
A família pediu-me para reconhecer o corpo.
O seu amigo foi torturado durante horas.
-E... -Mataram-no com um tiro na nuca.
Como se pode matar um homem assim? Sem acusação, nem julgamento!
Tenha cuidado.
Não sabemos o que ele disse quando o torturaram.
Não. Ele jamais denunciaria os camaradas.
Claro.
Há... outra coisa.
-O quê? -São boatos,
mas dizem que quem matou o Santiago foi...
o seu tio, o Coronel Felipe Muzquiz.
É muito pesada, pai! É pesada!
Levanta bem a arma, filho! E dispara!
-De qual destes gostas mais? -Para que são?
Aponta!
-Penso estreá-lo no batizado. -Nós não vamos.
Mas fomos convidados.
Temos de estar bem com o Pedro,
se queremos um lugar para o Julito.
Já te disse que não vamos.
Porque não? O que aconteceu?
-Nada. -Como assim?
Olha, meu filho.
Olha, levanta bem a arma.
E aponta.
E, como se fosses matar um homem, disparas!
Viste? Como um homem.
Fina, leva o Roberto à Rosaura.
Despacha-te, o Delfino espera-nos na carruagem.
Sim, senhora.
-Mas ele está a dormir. -Não pode estar tanto na cozinha.
Eu criei-me aqui.
Aqui tem a lista.
Fazeres-lhe chás e xaropes, tudo bem,
mas quando acabares de lhe dar de comer, leva-o à Rosaura.
-Sim, mamã. -E tira o berço do teu quarto.
Põe-no no da Gertrudes, tem de estar perto da mãe.
-E se acordar com fome? -Vais ouvi-lo chorar, acredita.
Sésamo, chili seco,
chili mulato, chili negro, cravo...
Amêndoas, senhora. Amêndoas também.
...chili ancho, amendoins, cravo,
açúcar, canela, pimenta,
dentes de alho, sementes secas.
-É esta a loja nova? -Sim, acabou de abrir.
Dizem que tem um chocolate muito bom, vem de Oaxaca.
Acho que podemos encontrar aqui tudo o que precisamos.
Então, vamos entrar.
LA CIMA CHOCOLATES E DELÍCIAS IMPORTADAS
Vou já! Já vou.
Bom dia. Digam-me, como posso ajudar-vos?
-Conhece aquele lugar? -Não.
-E o cavalheiro? -Não, nunca lá estive.
Chama-se Ninho de Gatos. Fica muito perto daqui, vou lá muito.
Não há outro local onde a luz do amanhecer seja tão bela.
-Quero falar com o teu patrão. -Eu sou o patrão, a loja é minha.
Foi difícil, mas consegui, por fim.
-Parabéns, nesse caso. -Obrigado.
Que se passa, Elena?
Não sei. Devem ser estes cheiros.
-Ou o calor. -Ofereço-lhe um copo de água.
-Ou um chá de canela. -Não.
Trata de tudo, Nacha. Esperamos lá fora.
-Sim, senhora. -Vamos.
Vejamos se tem tudo, da lista.
Precisava de apanhar ar.
De onde conheces aquele mulato?
Não o conheço. De onde poderia conhecê-lo?
Sim, dá-me a menina. Vamos, Rosaura.
Elena!
Partiste sem te despedires.
Os meus pais levaram-me para longe.
Mas aqui estou eu. Vim buscar-te.
Nunca te esqueci.
Nem eu.
Senhora.
Senhora? Senhora, tem que pagar.
Claro.
Tem de haver uma razão para não quereres ir ao batizado.
É importante para o Julito ser aceite pela família.
O meu sobrinho é um traidor.
Um traidor? Não percebo. Queres dizer, um rebelde?
Estava com o grupo que nos atacou há uns dias.
Não posso crer, Felipe. Tu sabias e não o prendeste?
-Onde tens a cabeça? -É meu sobrinho.
O que queres que faça? Prendo-o e fuzilo-o?
Não faço isso ao meu irmão.
Fazes, sim! É a tua obrigação!
Vais deixar que a herdade fique nas mãos de um criminoso?
É mesmo o respeito pelo teu irmão que te detém?
Ou tornaste-te um fracote?
Valentina.
Que disseste ao Julito quando estava a disparar?
Lembras-te?
"Como um homem." Ouvi o que lhe disseste.
Se queres que o Julio seja um homem forte,
tens de dar lhe o exemplo.
Chegou a hora de ergueres a voz e reclamares a tua parte da herdade.
Está em causa o futuro do Julio.
Tens de escolher entre o teu sobrinho ou o teu filho.
Casei-me contigo pensando que tinhas mais disto.
Enganei-me? Diz-me lá.
É que não quero partilhar a minha vida com um cobarde.
Fico contente por teres vindo jantar.
Vais sentir-te melhor aos poucos, vais ver.
Porque está o Roberto a dormir no quarto da Gertrudes?
-Vai sentir-se muito sozinho. -Foi ideia da minha mãe.
Boa noite.
Espero que amanhã estejas melhor.
Cheiras ao mesmo que o Robertito.
Ambos cheiram à Tita.
-Tens o cheiro dela na pele. -Que tolice.
-Assim, vais dormir melhor. -Na sala?
Não finjas que queres dormir comigo.
Que se passa contigo?
A Tita contou-te que roubei as tuas cartas, não foi?
-Andam a dormir juntos? -Não. Não há nada disso entre nós.
Nada?
Até um tolo perceberia que a amas só pela maneira como a olhas!
-Faz-me o favor de me ouvir! -Faz-me tu o favor de ser sincero!
Mesmo que não lhe toques e quase não se falem,
que não te metas na cama dela, tu ama-la.
Eu sei que a amas.
Sim.
Sim, o quê?
-Não ousas dizê-lo? -Sim.
Eu amo-a. Amo a Tita,
mas nunca dormi com ela, juro-te.
Disseste-o, finalmente.
E agora, o que é suposto eu fazer?
O mesmo que eu.
Criar o nosso filho.
Gertrudes!
Não aguentava a vontade de conhecer o meu sobrinho!
-Onde está ele? -Anda.
Que lindo! É tão lindo!
É um anjinho!
-Que vontade de o abraçar. -Não, se o acordares, mato-te.
Está bem, pronto.
Gertrudes?
Olá, mamã.
Não se preocupe, mãe. Não terá de me ver mais.
Anda cá!
Tive tantas saudades tuas!
Tita não conseguiu evitar sentir ciúmes de Gertrudes.
Porque a mãe nunca a abraçara?
De onde nascera esse repúdio que lhe tinha desde pequena?
-José! José! -Elena! Que se passa?
-Ele vai matar-me! -Quem?
-Que aconteceu? -Estou grávida.
Meu amor! É por isso que choras?
Perceberá que não é dele. O que vamos fazer?
Estou disposto a deixar tudo por ti.
Por nós. Não queres ficar comigo?
Claro que quero! É tudo o que quero, mas como?
Vamos embora. Vamos fugir, Elena.
A vida dá-nos outra oportunidade. Não a desperdicemos de novo!
Rosaura. Perdoa-me, meu amor.
José! Não!
José! José! José, não!
José, não. Não!
Com o passar dos meses,
Tita decidiu desfrutar dos instantes que ainda lhe davam felicidade.
Ao cozinhar, deixava brotar as suas emoções,
derramando os sabores nos cozinhados.
Todos os ingredientes em que tocava
ficavam impregnados pela euforia e amor
que Tita sentia ao cuidar de Pedro e de Roberto,
essa família que tanto desejava que fosse a sua.
PERU COM MOLE
Já agora, como vão as coisas com o seu pai?
Estão a melhorar?
Até agora, não quis conhecer o neto.
Só veio ao batizado para evitar as más-línguas.
Duvido muito que volte a tratar-me como dantes.
Bem, o tempo cura tudo.
Nem tudo, doutor.
-Ele não para de chorar! -Toma.
Posso confessar uma coisa?
Emocionei-me muito quando vi a Tita levar o menino na cerimónia.
É um prazer ver como ela cuida dele.
Sim, a Tita foi uma grande ajuda para a Rosaura.
Bom, para todos nós.
Curou-me a ferida, ajudou no parto
e agora ajuda com o Roberto.
Sabe se ela tem algum pretendente?
-Está interessado nela? -Sim, estou.
Acho que voltei a apaixonar-me.
Lamento por si, doutor. A D. Elena proibiu-a.
-Como? Não acredito nisso. -Pois, acredite.
Nesta casa, é assim.
-Com licença, até logo. -Sim, claro.
Come, por favor! Come!
Mais para cima.
-Por favor. -Levanta-o mais.
Ele não quer comer. Não quer, toma.
-Aonde vais? -Não me sinto bem.
Vou dar-lhe de comer lá dentro.
-Há muito barulho, por isso chora. -Então, toma lá.
Pai. Agradeço-lhe muito.
Depois do que aconteceu, pensei que não viria.
É minha obrigação estar aqui.
-Não convidaste o teu tio? -Sim, sim.
-Ainda não chegou? -Não sei.
Não confirmou, nem recusou. Não lhe disse nada?
Não. Há anos que não via as irmãs de la Garza.
Já lhe disseram todos como o Robertito se parece consigo?
-Comigo? -Sim, e muito.
Não pense que a D. Elena gosta de ouvir isso.
Disparates. Não se parece nada comigo.
-Tita. -Sim, doutor?
-Precisa de alguma coisa? -Não, não.
-Só queria dar-lhe os parabéns. -A mim?
- Sim - Porquê?
Bom, para começar, porque aquele peru cheira tão bem.
Obrigada, doutor.
Posso perguntar-lhe uma coisa? O que usou para curar o Pedro?
Jurema preta, polpa de agave e seiva de nopal.
Sabe, as jovens como a Tita não conhecem bem esses remédios.
Eu aprendi com a minha avó. Ela era Kickapoo.
-E a Tita, com quem aprendeu? -Com a Nacha, a minha ama.
-Claro, a velha Nacha. -Sim, ensinou-me muitas coisas.
Tita, eu sei que não deveria falar destes assuntos consigo,
mas não consigo evitar dizer-lhe o que penso.
Sobre quê?
Disseram-me que não se pode casar.
-Hoje, é dia de festa. -Sim, mas ouça-me.
Ninguém tem o direito de decidir sobre a vida das mulheres.
Ninguém. Vocês deveriam decidir sobre a vossa vida.
Sim. Aqui, as pessoas não pensam assim.
Eu sei, por isso lho digo.
-Aliás, eu queria falar consigo... -Menina!
Menina Tita! A sua mãe mandou-nos cá.
-Estão todos muito impacientes. -Estão aí as panelas. Vamos lá.
Tita de la Garza.
Há quanto tempo te peço receitas.
E nunca mas dás, mas desta não te livras,
o que puseste no mole, que está tão bom?
Muito obrigada, D. Lobo, na cozinha, há só um segredo.
E pode-se saber qual é?
Pôr o coração em todos os cozinhados.
Bravo, bravo e bravo!
Um brinde.
Brindo à nossa saudosa terra, da qual temos tanta saudade no Texas.
-A Piedras Negras! -A Piedras Negras!
-Saúde. -Saúde.
Não prova?
Não tenho apetite, padre.
-Mas coma só um pouco. -Coma, padre, vá.
D. Pedro, prove. Não se acanhe.
Vamos lá provar.
Sem aviso,
tal como o sabor doce do mole apanha o paladar de surpresa,
os convidados viram-se envoltos numa felicidade desmedida.
O nascimento de Robertito, o milagre de conseguir alimentá-lo
e a possibilidade de ter uma família com Pedro
causaram tanta felicidade em Tita que ela transbordou para o seu cozinhado.
Tita!
Não quero ofender a minha mulher, mas é o melhor mole que já comi!
Obrigada, D. Pedro.
-Gostaria de ver o meu neto. -Claro, venha comigo.
Com licença.
-Parece-me mesmo comigo. -Eu acho que sim.
Tem o narizinho dos Muzquiz.
Se a minha mulher pudesse vê-lo.
-Ele tem o meu nariz! -Eu disse-lhe.
Espero que não tenha herdado também o meu feitio.
Tita.
Filho, disse-te coisas muito graves.
Devia ter lidado com os Alejandrez doutra maneira.
-Não, pai, não é preciso... -Não partilho as tuas ideias,
mas tentarei respeitá-las.
Aprende com os meus erros, para seres melhor com o Robertito.
Que se passa aqui? Porque entram assim em minha casa?
Procuro o Pedro.
Procuram-me. Vão matar-me como ao Santiago.
Não. Filho, vai-te já embora!
-Eu conheço um sítio. -Pai.
Preciso deste escândalo para falar com ele?
Vim para o prender.
Vocês! Vão aos celeiros e estábulos. Revistem tudo!
Porque o leva? O que fez ele?
Estou a perguntar-lhe o que ele fez!
-Felipe. -Não imaginas quem é o teu filho.
Não o conheces? É um rebelde, traficante de armas!
Isso é verdade, D. Pedro?
Entrem e busquem todos os cantos!
Revistem tudo! Vamos!
Devias ter-me avisado.
Se tivesses falado comigo, podia convencê-lo a entregar-se!
Porque me fazes isto?
-Que se passa, mamã? -O teu marido é um rebelde.
Não, isso é impossível. Aonde vão?
Espera. Vem para a sala, vamos.
Vamos, aqui não há nada.
Onde está o meu sobrinho?
A última vez que o vi, estava no pátio com os convidados.
O Robertito adormeceu. Podemos deixá-lo sossegado?
Os seus homens viram que o Pedro não está aqui.
Vou vigiar muito de perto esta casa.
E as suas filhas.
Lembrem-se, esconder um rebelde é um ato de traição.
-Que sabes tu sobre isto? -Não sei nada, mamã.
Vai-te embora assim? Sem te despedires?
-Só cumpro o meu dever. -Não. O teu dever?
Apareces aqui numa celebração para levar o meu filho perante todos.
-É esse o teu dever? -Ele é um revolucionário.
E que vais fazer quando o achares?
A família já não tem significado para ti?
Achas que eu magoaria o teu filho?
Pedro? Já podes sair.
-Tens de partir quanto antes. -O Robertito? O meu pai?
-Vai para a herdade? -Não te rales com isso. Salva-te.
Vim para estar contigo. Se for, não sei se voltarei a ver-te.
-Se ficares, prendem-te. -Não quero despedir-me.
-Vem comigo. -Fico com o Robertito.
Cuido dele, amo-o e falo-lhe de ti.
E esperamos que regresses. Agora, vai, salva-te.
Não me odeias, certo? Diz-me que não me odeias.
Talvez um dia possamos estar juntos.
Talvez um dia possamos ter a vida que queremos.
Talvez. Sim.
Tu sabias, não é? Sabias em que estava metido o Pedro?
-Onde está a mamã? -Estás pronta?
-Que se passa, mamã? -Diz-me onde ele está!
-Não sei! Por favor! -Vais com ele, não é?
-Não vou a lado nenhum, Rosaura! -Para de gritar.
-Porque têm de partir, mamã? -Tenho de proteger a tua irmã.
Os militares podem voltar e retaliar.
Não! A Rosaura não tem leite e o Robertito precisa dos chás!
Os chás não alimentam. Eles vão viver connosco.
Arranjamos-lhe uma ama.
-Vamos embora, Rosaura. -Vão lá.
-Deixe-me ir com ele. -Não és a mãe dele.
Se me tirar o Robertito, eu morro.
Não digas disparates, Tita. Ninguém morre de amor.
Tens os olhos do teu pai, Gertrudes.
Nacha, leva as meninas.
Sim, senhor.
Não me sinto bem, Fidel.
Fidel, não. Já disse que não quero. Estás bêbedo.
-Vais dar-me um varão, duma vez. -Fidel. Não.
Embora isto fosse normal nos casamentos daquela época...
a partir daquele dia, Mamã Elena nunca mais voltou a ser a mesma.
Todo o ódio e repulsa reprimidos nesse momento
voltaram-se para o fruto dessa violação.
A minha tia-trisavó Tita.
Devias estar deitada. O doutor aconselhou repouso.
-Quero lá saber o que ele diz. -Quero eu, e basta!
Quero o meu filho saudável.
Mandamos outra pessoa apanhar os cogumelos.
Elena! Ajuda-me, por favor!
Elena! Ajuda-me!
Elena!
Elena!
Ao menos, deixe-me despedir dele! Por favor!
Olá, Robertito! Olá!
O que foi? Pois, pois. Meu lindo menino!
Vê, mamã? Comigo, ele não chora.
Deixe-me ir com ele.
-Dá-o à tua irmã. -Dá-mo, Tita.
-Rosaura, não! -Dá-me o meu filho! Já! Já!
-Mamã! Deixe-me ir com ele! -Não comeces.
-Sem mim, ele não comerá! -Basta, Tita!
-Por favor! -Basta de lamentações!
-Por favor! -Basta!
-Não! Não! -Tita de la Garza! Deixa-a!
-Não! -Basta! Basta!
-Não! -Entra em casa!
Não vês que pertences a esta casa?
Basta de lamentações! Basta!
Estou farta de ti, Tita de la Garza!
Tita sentiu que o seu mundo acabava.
Nem sequer imaginava que o pior ainda estava para vir.
BASEADO NO ROMANCE DE LAURA ESQUIVEL
Tradução: Cândida Matos
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