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Pode ser coisa importante. Atende.
Peraí, Pia. Calma.
[Alex] Ele vai sair daqui direto pra uma clínica de desintoxicação.
[Bruno] É por tua culpa que eu tô passando por isso.
[Emanoel] Cê gosta daqui?
[Visky] Divanilda, cê quer mesmo faxinar?
[Divanilda] A Larissa se perdeu no crack.
[Carol] Dizem que amor de mãe é cego.
Será que eu te enxergo, Lete?
[Angel] Por que cê tá falando isso?
[Alex] Angel vai desfilar pro Maurice Argent!
Até pensei em dar um presentinho pra ela.
Outro?
[Maurice] Non, non, non! eu dar entrevista coletiva à tarde...
[Maurice] E não falar mais com jornalista.
Eu não querro essa mulher no meu desfile!
[Fanny] Tô tensa, mas tô tensa, tensa com esse desfile!
[Fanny] Não pode dar nada, nada, errado.
[Anthony] Bons sonhos.
[Visky] Absoluta, sou eu, pela milionésima vez.
[Visky] Cadê você!? Sua noite de glória vai começar e você não aparece!
[Visky] Foi sequestrada. Só pode ser.
[homem] Eu queria te convidar pra jantar, quem sabe esticar a noite. O que acha?
Eu agradeço, mas não posso.
Que história é essa? Tá fazendo book rosa, Lyris?
Eu te prometo.
[Gui] Eu vou te libertar.
[Alex] Se eu puder fazer alguma coisa... qualquer coisa.
[Alex] Se quiserem, eu fico no quarto com vocês.
[Giovanna] A gente vai desmascarar meu pai e a Angel.
[♪ Abertura: Angel - Massive Attack ♪]
♪♪♪
[♪ música reflexiva com sintetizador ♪]
♪♪♪
[Giovanna] Acordada, mãe?
[Giovanna] O personal não veio te colocar pra nanar?
[Pia] Veio. Tá lá no quarto dormindo.
[Pia] Eu é que tive insônia.
[Pia] Fiquei aqui, revirando na cama, pensando no Bruno.
[Pia] Pensando no meu filho internado.
Até agora não sei o que aconteceu.
É.
Até pra mim foi brabeira, mãe.
Mas agora o Bruno tá no lugar certo.
[Giovanna] Ele vai se tratar, vai ficar mais perto.
Relaxa. Ele vai ficar bem, tá?
Tomara.
Me fala de você.
Como foi o desfile?
[Giovanna] Ah...
[Giovanna] Pra mim, foi ótimo. Brilhei. Foi incrível.
[Giovanna] Mas aí...
[Giovanna] Um maluco matou uma modelo à facada, lá.
[Pia] Como é que é?
[Pia] Como assim? Você estava lá? Cê viu?
[Giovanna] Estava.
[Giovanna] Esfaqueou ela na frente de todo mundo.
[Giovanna] Eu prefiro nem falar. Era uma conhecida minha.
[Giovanna] Tadinha.
[Giovanna] Mó desespero. A gente foi pronto-socorro, mas ela não aguentou. Morreu.
[Pia] Ai, que horror.
[Giovanna] A gente queria comemorar mas não deu, né. Uma lástima.
[Pia] Giovanna, que história horrível que você tá me contando.
Que horror.
[♪ música calma com teclado ♪]
♪♪♪
Sabe...
Às vezes eu fico pensando...
Onde foi que eu errei na educação de vocês.
♪♪♪
Me ponha fora dessa, tá?
Eu sou boa.
Sei. Cê é muito boa.
♪♪♪
É, mãe.
Remorso é duro de aguentar.
♪♪♪
Vou deitar, tá?
♪♪♪
[Giovanna] Boa noite.
♪♪♪
♪♪♪ [chora]
♪♪♪
[Emanoel] Vamos, que você vai sair dessa, tá? Coragem.
[Emanoel] A van tá ali do lado.
[Larissa] Tem polícia? [Emanoel] Não. Não tem polícia.
[Emanoel] Você tá indo pra um lugar se curar. O vício é doença. Tem como sair dessa, Larissa.
[Emanoel] Mas pra sair tem que ter vontade no fundo do coração.
[Emanoel] Vamos. [Larissa] Peraí, peraí...
[Emanoel] Não, Larissa... [Larissa] Peraí, peraí...
♪♪♪
[Larissa] Eu tô indo, tá, Roy?
[Larissa] Eu vou, tá bom?
♪♪♪
[Emanoel] Vamos, vamos, Larissa. Vem.
[Emanoel] Vamos. Cê já decidiu. Vem.
[Emanoel] Não fraqueja, não fraqueja. Olha a recaída. Vem.
[Emanoel] Só Jesus cura, limpa, purifica. Acredita, acredita. Coragem.
[Emanoel] Vem, vem, vem, Larissa. Cê já decidiu.
[Emanoel] Confia. Confia, que eu sou teu amigo. Vem.
[Emanoel] Vamos, vamos.
[Emanoel] Vamos, vamos.
[Emanoel] Vai dar tudo certo. Cê vai chegar lá, tomar um banho,
[Emanoel] vai comer, vai descansar...
[Emanoel] Obrigado, meu Senhor. Só tu cura...
[Larissa] Cê pode me dar uma água?
[Emanoel] Você vai beber água. Água aqui, por favor.
[Emanoel] Um pano, uma toalha, por favor.
[Emanoel] Cuidado, que ela tá machucada.
[Emanoel] Toma aqui. Não, não...
[Emanoel] Calma, não fraqueja.
[Emanoel] Toma uma água. Me dá uma toalha, por favor.
[Emanoel] Segura o copo, por favor.
[Emanoel] Calma, calma, calma...
[Emanoel] Vamos, vamos. Coragem.
[Emanoel] Alguém me ajuda aqui, por favor.
[Emanoel] Vamos, vamos... Isso...
[Emanoel] Isso, isso... Cuidado com o bracinho dela...
[Larissa tosse]
[Emanoel] Obrigado, meu Senhor.
[Emanoel] O Senhor é meu pastor e nada me faltará...
[Emanoel] O Senhor é meu pastor e nada me faltará...
[Emanoel] Ricardo!
[Emanoel ofega]
[Emanoel] Estamos aqui, ó. Deixa eu pegar você.. aqui...
[Emanoel] Isso, isso, ajuda aqui...
[Emanoel] Fecha a porta, por favor.
[Emanoel] Fecha a porta.
[Emanoel] Vai dar tudo certo...
[♪ orquestra emocionante ♪]
♪♪♪
[Emanoel] Boa noite, Pastor.
[Emanoel] Boa noite, Pedro. Boa noite, João. [pastor] Boa noite, Emanuel.
[pastor] Sejam bem-vindos, irmãos.
[pastor] Sejam muito bem-vindos. Por favor, sentem-se.
[Emanoel] Aqui a gente vai fazer uma oração pra receber vocês, mas a clínica mesmo é onde vão se tratar.
[Emanoel] Fica aqui perto, tá? Confia.
[pastor] Meus irmãos...
[pastor] Hoje vocês deram um grande passo em direção à salvação.
[pastor] Eu sou um simples homem, mas em nome de Cristo que os recebo.
[pastor] Eu sei que vocês tiveram uma vida difícil e sofreram muito pra chegar até aqui.
[pastor] Mas eu quero pedir junto com vocês...
[pastor] ...que Cristo nos dê a força necessária pra que vocês abandonem o vício.
[pastor] Vocês vão sofrer...
[pastor] ...em alguns momentos vão querer voltar a fumar o crack,
[pastor] mas se o corpo vai sofrer pela falta do vício, a alma...
[pastor] ...a alma vai regozijar.
[pastor] Então vamos pedir juntos que Cristo venha a nós.
[pastor] Que Cristo nos ampare nessa jornada difícil, mas vitoriosa.
Repitam comigo.
Cristo, vinde a mim!
[repetem]
[pastor] Cristo, vinde a mim!
[repetem]
[pastor] Aleluia! [repetem]
[homem] Glória a Deus, Senhor!
[pastor] Se vocês tiverem alguma coisa pra dizer...
[pastor] Nós estamos aqui de braços abertos para acolhê-los.
[pastor] Por favor.
[pastor] Minha irmã?
♪♪♪
Diz.
♪♪♪
[pastor] Por favor.
♪♪♪
[Emanoel] Coragem...
♪♪♪
Cristo, vinde a mim.
♪♪♪
Eu vou mudar de vida.
♪♪♪
Eu quero mudar de vida.
♪♪♪
[pastor] Glória a Deus, Senhor. Que o espírito de Deus te abençoe.
[pastor] Renove essas forças, habite sua vida. Em nome de Jesus!
[pastor] Vamos bater palmas, em nome de Jesus!
[palmas] [pastor] Bem-vinda, minha irmã. Bem-vinda.
♪♪♪ [palmas]
[pastor ao fundo] Em nome de Jesus, vamos bater palmas pra Jesus!
♪♪♪
[Leidiana] Aqui, prontinho. [Igor] Humm, brigado!
[Giovanna] O que cê tá tomando, personal?
[Igor] Suco verde da Leidiana!
[Giovanna] Ah, vou querer um.
[Giovanna] Quer dizer então, Leidi, que você voltou.
[Giovanna] Olha, pobre sofre, viu?
[Giovanna] É acusado, injustiçado, humilhado, e ainda volta pra servir o café.
[Leidi e Igor riem] [Pia] Giovanna, não fala assim...
[Pia] Eu pedi desculpas pra Leidi. Quase me ajoelhei.
[Giovanna] Ah, ajoelhou...
[Leidiana] Nem deu baixa na carteira!
[Leidiana] Gente, eu tô feliz aqui.
[Leidiana] Eu sou mãe. Sei como é.
Como a gente ia imaginar que o Bruno ia roubar.
[Pia] Não vamos falar desse assunto, não.
[Pia] Só de lembrar de tudo que aconteceu, me dá um nó na garganta...
[Pia] Vendo a gente sentado nessa mesa, sem o Bruno, me dá uma tristeza.
[Igor] Eu tô aqui com você pra te dar apoio.
Boa, personal. Bofe bom é bofe aliado.
[Pia] Giovanna, eu vou ligar pra Carolina e desmarcar esse cabelereiro.
O-o quê? De jeito nenhum!
[Pia] Acha que tô com cabeça pra ir ao cabelereiro com meu filho internado?
Mãe, cabeça a gente tem pra cabelo.
Eu vou ligar. Não tô em condição!
Cabeça pra comprar um celular novo, você teve.
Não liga. Olha só, eu vou no teu lugar.
Você? Vai fazer o que lá?
Tô precisando dar um trato.
Deixa que eu vou lá, faço companhia pra Carolina. Convido até pro café, tá?
Preciso falar com ela.
Você precisa falar o que com a Carolina, Giovanna?
Ué. Ela é mulher do meu pai. Vou bater um papo.
Deixa. Seu horário no cabelereiro fica pra mim. Não precisa avisar ninguém. Fechou?
[grunhe]
O desfile...
[Anthony] Cê perdeu. [Fanny] Ãhn?
Perdi o desfile?
Meu Deus...
Como assim? O que aconteceu? Como que eu p-...
Eu perdi o desf-...
Foi ontem. Pode tirar essa roupa. E lava o rosto. Dormir com maquiagem estraga a pele.
Não pode ser...
Meu Deus, eu perdi, eu perdi... Eu perdi...
O meu desfile, a noite..
A noite mais importante da minha agência...
...da minha vida. Não é possível.
Eu perdi. Meu Deus, que tragédia.
[Anthony] Tragédia foi o que aconteceu depois.
[Anthony] A Lyris morreu. [Fanny] Ãhn!?
[Anthony] Esfaqueada pelo noivo. Ex-noivo.
A Lyris!? Esfaq-...
Meu Deus do céu...
Ele denunciou alguma coisa do book rosa?
Não. Aquele não sabe nem falar o nome dele. Tá em surto.
Ainda bem.
Ainda bem coisa nenhuma.
Que capacidade que você tem de mudar o assunto...
...quando o assunto aqui...
...o mais importante, é o meu desfile.
Aliás...
...é o motivo pelo qual eu perdi a minha noite de glória.
Cê dormiu.
Eu dormi?
Não...eu lembro.
Eu lembro, eu lembro.
Eu estava praticamente pronta. Faltava uma...
Faltava uma coisa ali, uma coisa aqui...
Aí você estourou o champanhe...
Aí você me deu...
Cê me deu uma taça de champanhe...
...e eu caí derrubada.
Foi você.
[Fanny] Anthony!
[Fanny] Você botou alguma coisa no meu champanhe.
É... botei.
Ah!
Você diz isso assim, na cara dura!?
[Fanny] Você me faz perder a minha noite de glória!
Você me faz passar por incapaz, por irresponsável junto do mundo da moda!
Você me faz perder minha chance de subir numa passarela num gran finale,
E você diz "botei"!? Botei!?
Fanny, vamos botar as cartas na mesa? O Maurice não te queria no desfile.
Não!?
[Anthony] Ele não queria você no desfile, porque ia roubar a glória dele.
Eu ia roubar mesmo! E você me derrubou!
Eu fiz isso por você.
Ia ser o pior dos piores você brigar com ele lá.
Ia dizer coisas horríveis pra você na frente de todo mundo da moda, da imprensa, dos clientes...
Eu dava uns tapas na cara daquela bicha insuportável!
Exatamente isso que eu quis evitar. Um escândalo em dose dupla.
[Anthony] Cê não perdeu nada. Todo mundo só tinha olhos pra bicha.
[Anthony] Ele mal falou comigo quando acabou o desfile. Se mandou.
[Anthony] Deu uma de estrela, como disse que ia fazer.
[Anthony] O Visky, por mais que eu fale mal dele às vezes, se desdobrou.
O desfile saiu perfeito.
No Visky eu posso confiar.
Posso confiar nele dormindo.
Só nele.
Vim te acordar mais cedo, mas passei a noite dando depoimento na delegacia.
Explicando que o cara é maluco, que ele esfaqueou a namorada porque é louco mesmo.
[Anthony] Fiz tudo pra te livrar dessa. Não deixei ninguém falar do book rosa.
Inclusive, não saiu nenhuma foto nas páginas policiais.
Graças a Deus.
Tá vendo? Acabou sendo melhor não ter ido. Devia me agradecer.
Ah, te agradecer? [ri sarcática]
Agradecer, sim. [Fanny] Agradecer porque me dopou? É isso?
Teu ponto de vista é maravilhoso. Tem capacidade de mudar tudo.
[Fanny] Mas eu vou.
Eu vou engolir mais essa. Porque eu te amo, né.
[Fanny] Mas agradecer, não vou nunca.
Mas agora...
...Anthony, meu querido...
As coisas aqui vão ser diferentes.
Diferentes como?
Maurice Argent vai embora pra Paris.
[Fanny] Graças a Deus!
Se o avião dele cair, vou adorar ir na missa de sétimo dia dele.
Mas agora...
...aqui...
...entre nós dois...
...as coisas vão ser diferentes.
Tá. Diz o que tá exatamente na sua cabeça, Fanny.
Maurice Argent vai embora, acabou Maurice Argent.
Sim. Não tem mais Maurice.
Acabou também a Giovanna.
[Fanny] Não tem mais ninguém.
Agora você é meu. Só meu.
Como assim?
[Fanny] Eu paguei três meses adiantado da clínica da sua mãe.
Três meses passam rápido.
[Fanny] Mas eu vou continuar pagando. Mês a mês.
Só que agora vai ser do jeito que eu quero.
Ou então...
Eu boto a tua mãe na rua.
Você me pegou.
Pois é.
Você não tem dinheiro pra pagar a clínica de repouso da tua mãe.
[Fanny] Os caprichos dela.
[Fanny] Aliás você não tem dinheiro nem pra você mesmo.
[Fanny] Você pode ter algumas economias do dinheiro que extorquiu do Alex.
Mas elas vão acabar logo.
Aquela clínica é uma fortuna.
[Fanny] Ainda tem os remédios, uma coisa aqui, uma coisa lá.
Você tá nas minhas mãos, Anthony.
[Fanny] Uhum. É um trato.
Se você disser que não...
...eu te boto na rua agora...
[Fanny] ...e eu não vou mais lutar por você.
Cê pode dizer que sim, pode dizer que não.
Nós temos um acordo?
Cê ganhou, Fanny.
Temos um acordo.
[♪ piano emocionante ♪]
♪♪♪
[Visky] Divanilda! [Divanilda] Oi...
[Visky] Arrasou aí? [Divanilda] Já. Já dei um capricho...
[Visky] Agora dá um jeitinho aqui na antesala. Não quero ver uma poeira.
[Fanny] Você aqui, Divanilda?
[Divanilda] Oi, Dona Fanny. Como vai?
[Fanny] Podia estar melhor. Falar com você, Visky.
[Lourdeca] Agora você vai ver o que é bom pra tosse, rãzinha.
[Visky] Eu penso anos-luz na sua frente, Baleia.
[Visky] E odeio que me chamem de rã.
[Lourdeca] Rã, rãzinha, rãzona.
[Visky] Baleia, paquidérmica, dinossaura.
[Lourdeca faz beijo] [Visky] Hum!
[Visky] O desfile foi uma glória, Absoluta. Uma glória.
[Visky] Estamos em todas as redes, em todos os sites...
[Visky] Os flashes estouravam. Até eu me senti uma mega-star.
[Fanny] Menos, Visky. Muito menos.
[Visky] Morri de preocupação porque você não foi.
[Visky] Quase abandonei o desfile pra ir no teu apê.
[Visky] Porque só morta, ou... sequestrada você não ia no desfile.
[Visky] Aí eu pensei... [Fanny] Pensou?
[Visky] Sim, pensei.
[Visky] Que mesmo que...
[Visky] ...você estivesse esticada, como um bicho empalhado,
[Visky] ...você ia preferir que eu não fugisse da luta. Que eu fosse até o fim.
[Visky] Morresse, se preciso, pelo desfile.
E eu morri, Absoluta. Morri.
Mas o desfile saiu perfeito!
Cê fez muito bem, Visky.
Melhor me deixar morta, pendurada numa corda...
...do que prejudicar o desfile.
[Visky] Agora me diga, Absoluta. Quase morri. Por que você não foi no desfile?
[Visky] Você teve um orgasmo múltiplo seguido de um AVC? Ui, abafa...
O dia que eu conseguir digerir o que aconteceu... eu te conto.
Mas e aí?
A Divanilda tá fazendo promessa ou você deu trabalho de faxina pra ela?
Dei.
Sem a minha autorização?
Essa mulher explora a filha, a filha vai parar no crack,
e ela vem se pendurar aqui na minha agência? Bota ela pra fora.
[Visky] Pelo contrário. Eu vou dizer a ela que você vai dar um aumento.
Cê quer fazer bondade? Faz com o teu dinheiro, não com o meu.
Absoluta, todo mundo aqui tem um rabo preso.
A Divanilda sabe do book rosa. Ela sabe tudo sobre o book rosa.
Clientes, hotéis, etc e tal.
Se ela abrir o bico, é o caos.
Ainda mais agora, que o maluco do Edgard matou a pobrezinha da Lyris.
Eu vou sair mais cedo pra ir no funeral, tá? O corpo ainda tá no IML.
Manda uma coroa no meu nome. Pequena.
Gastar dinheiro com morto pobre é jogar dinheiro fora.
[Visky] Tá bom.
O caso é que a polícia vai farejar.
[Visky] Vai perguntar.
O maluco do Edgard surtou não vai falar nada. Aqui na agência ninguém vai abrir o bico.
Agora, a... a Divanilda depende da gente.
[Visky] Ela tá nas nossas mãos.
Pode não parecer mas ó... eu tenho cérebro.
Dá um aumento pra ela. O dobro.
Eu sabia que você ia entender.
Visky...
Obrigada.
Obrigada pelo desfile.
Ai, Absoluta. Assim, eu choro.
Deixa eu ir pra minha mesa, porque o telefone não para de tocar, querem te entrevistar...
[Visky] Propostas de editoriais, novos clientes, desfiles e mais desfiles...
Absoluta...
A agência chegou no topo.
No topo!
No topo!
É isso que vale a pena.
[Giovanna] Parece mentira, mas a revista que eu fiz faz tanto tempo saiu justo no dia do desfile.
[Giovanna] Olha, eu não sei. É o Sol, a Lua, o horóscopo inteiro dançando funk...
[Giovanna] Mas hoje é o meu dia. Olha aqui...
[Angel] Eu já saí nessa revista.
[Giovanna] Eu sei. Cê mostrou pra todo mundo. Adora aparecer.
[Angel] Não quis me comparar, Giovanna.
[Pati] Mas vamos reconhecer. Tô vendo o vídeo e a Angel realmente desfila bem.
[Angel] Obrigada.
[Giovanna] Você é boa agora? Igual seus pais evangélicos?
[Pati] Conheci um gato na igreja, tá?
[Pati] Quer ser pastor, missionário na África...
[Giovanna] Se prepara pra vida de pobre! África? Vai ter que cuidar de creche, limpar bundinha de bebê...
[Pati] Eu adoro criança. Pensei até em fazer Pedagogia.
[Giovanna] Eu vou ser modelo. Brilhar nas passarelas!
[Nina] Já tá brilhando.
[Dudu] E pensar que um dia essa piriquita foi toda minha...
[risadas] [Giovanna] Esquece! Pré-história!
[Caco ri] Cê acha que eu não vou me mostrar quando você for modelo internacional?
[Caco] Vou chegar e dizer assim: "essa aí ó..." [estala a língua]
[Caco] "Se ajoelhava aos meus pés!" [risadas]
[Giovanna] Eu, me ajoelhar? Ha, ha, ha...
[Giovanna] Tá. É verdade. Mas não precisa me lembrar desses detalhes sórdidos.
[Pati] Ó, Gui. Cê viu?
[Gui] Vi de perto ontem.
Estava mó gata, Angel.
[Angel] Obrigada. [Nina] Peraí, vocês voltaram?
Não...
Mas é como a Gi disse: coisas da pré-história.
[Angel] Eu tenho que ir. Minha mãe tá me esperando pra almoçar. Tenho muita coisa pra fazer hoje.
[Giovanna] Aproveita. [Angel] O quê?
[Giovanna] O que cê tiver pra fazer. Eu também tenho muita coisa pra fazer hoje.
[♪ Abertura: Angel- Massive Attack ♪]
♪♪♪
[Gui] Tô com a chave do carro do Caco.
[Giovanna] Vai lá e fica de plantão.
[Giovanna] Me avisa quando meu pai chegar e a burra sair.
♪♪♪
Teu pai chegou.
Legal.
Eu vou indo pro cabeleireiro, esperar a Carolina.
Hoje não tem cabelo nem erro.
Vou dizer logo a verdade pra burra.
♪♪♪
♪ You are my angel ♪
♪♪♪
♪ Come from way above ♪
♪ To bring me love ♪
♪♪♪
♪ Love you, love you, love you, love you, love you, love you... ♪
♪♪♪
♪♪♪
[Anthony] Vou ficar um bom tempo longe, mãe.
[Anthony] Não sei quando eu venho te visitar outra vez.
[Fábia] Você vem me visitar, sim...
[Fábia] Quando for pra você me levar embora daqui.
[Fábia] Sabe o que eles servem de sobremesa aqui no almoço?
[Fábia] Gelatina vermelha. No jantar? Gelatina verde.
[Anthony] Eu trouxe esse dinheiro pra você usar como quiser.
[Anthony] Eu também vou fazer depósitos mensalmente na sua conta.
[Anthony] Eu envio lá do exterior.
[Fábia] Devia ter me trazido um bom uísque.
Uísque aqui, nesse lugar, é proibido, Dona Fábia.
É por isso que eu te botei aqui.
Pra você parar de beber, mãe.
Eu sei. Pra ter uma vida saudável.
[♪ notas de piano ♪]
Bom, então...
Eu vou indo.
♪♪♪
E vou sentir saudade.
Eu também, filho.
Muita saudade.
Eu te amo, meu filho. E-eu...
[Fábia chora]
♪♪♪
Mãe...
Eu também te amo.
♪♪♪
[Fábia] Vai embora, agora. Pra você não perder a hora.
♪♪♪
[Aline] Teu filho é bonitão!
[Fábia] Ai! Que susto, desculpa.
[Fábia] Bonitão nada. Ele é lindo! Lindo mesmo.
[Fábia] O problema é que...
[Fábia] O pior é que ele acha que tá fazendo o melhor pra mim, me botando aqui nesse lugar.
[Fábia] Quem foi que disse que eu quero uma vida saudável?
[Aline] Querida, você pode ser muito feliz aqui.
[Fábia] É? nunca!
[Fábia] Aqui tudo que eu gosto é proibido.
[Fábia] Ou melhor: a única coisa que eu gosto mesmo é proibida.
[Fábia] Um uísque do bom! [Aline ri]
[Aline] Querida! Aqui nesse lugar nada é proibido.
[Fábia] Como?
[Aline] Se você tiver dinheiro.
[Fábia] Eu tenho. Me explica.
[Aline] Eu sou diabética. Não me deixam comer nem um docinho.
[Aline] Mas aquele lá...
[Aline] ...com uma boa gorjeta arruma.
[Aline] É! Vá.
[Aline] Vá lá falar com ele. Mas com discrição, viu?
[Fábia] Menina! Minha amiga, como você é inteligente.
[Fábia] Espere, eu já vou. Um momentinho.
[Fábia] Desculpe, com licença...
[homem] Pois não?
[Fábia] Podemos ter uma conversinha em particular?
[Fábia] Sendo objetiva: eu digo o que eu preciso e você me consegue.
[homem] Tranquilo. Diz aí o que é que eu consigo.
[Fábia] Olá, tudo bem? [homem] Opa...
[homem] Tá aqui o que você pediu.
[Fábia] Ótimo, ótimo! O troco é seu.
[homem] Obrigada!
♪♪♪
[Fábia] Ahh!
[Fábia ri] Ah...
[Fábia] Enfim, sós.
Você e eu.
Meu namorado escocês.
♪♪♪
[Nina] Eu vi que você ficou afastado quando a Gi mostrou o vídeo e a foto.
[Eziel] Essa turma não tem nada a ver comigo. Só você.
[Nina] Mas o nosso trabalho vai ser o melhor da classe, eu te garanto.
[Nina] A gente já começou a pesquisar nas colunas sobre comida mais natureba, né.
[Eziel] É, já estudamos os livros, os estilos,
[Eziel] Olha o prato que a gente vai mostrar pra sala.
[Eziel] Saladinha verde...
[Eziel] Fiz pra você. Com leite de amêndoa, tofu...
[Eziel] ...com um azeitinho aqui... hummm...
[Eziel] A gente vai provar que comida saudável tem gosto, é gostosa, tem sabor...
[Nina] Que bom que cê pensa assim.
[Nina] Quem sabe agora cê também começa a comer comida menos gordurosa, né?
Sou gordo. É isso o que cê quer dizer?
Que eu sou um gordo feio...
[Nina] Eziel, Eziel... Quis dizer que é melhor pra sua saúde.
[Nina] Obesidade é doença.
[Nina] Andei lendo e... estava pensando em você.
[Eziel] Pensando em mim?
[Eziel] Nina, cê pensa em mim?
Eu penso muito em você, Eziel. Ainda não se tocou?
[Nina] Ou você ainda tá ligado na Angel?
Não, não...
Eu gosto de você.
Só que não tinha coragem de dizer.
Me diz.
[riem baixo]
Eu gosto de você, Nina.
Acho que te amo.
[♪ guitarra lenta ♪]
♪♪♪
Eu também gosto muito de você, Eziel.
Muito.
[Nina] Muito, muito...
♪♪♪
[Carol] Tá quase na minha hora.
[Alex] Cabelereiro virou sagrado? [Carol] É.
[Carol] Quero ficar bonita pra você. Sei que cê gosta.
[Carol] Vamos comigo? [Angel] Não.
[Angel] Tô muito cansada de ontem. Tô com dor no pé, também.
[Carol] Promete que vai ser o último desfile? Por um bom tempo?
[Angel] Acho que sim.
[♪ música tenebrosa ♪]
[Carol] Tenho medo que atrapalhe seus estudos.
[Alex] Por mim, nem desfilava.
[Carol] Foi pedido da Fanny, né? Não podia negar.
[Fanny] Aquela mulher é uma santa.
[Carol suspira]
[Alex] Vai na sua mãe?
[Carol] Vou, sim. Mas antes vou sair com a Pia.
[Carol] Tá sendo bom ser amiga dela.
[Carol] Depois eu vou passar na minha mãe, sim.
[Carol] Principalmente agora que teve piripaque é bom estar perto, dar assistência.
♪♪♪
[Carol] Minha mãe tá envelhecendo. Essa é a realidade.
[Carol] Não se preocupem.
[Carol] Eu volto pra servir o jantar de vocês.
[Angel] Posso pedir comida chinesa.
[Carol] Não serve na caixinha, tá?
♪♪♪
[Carol] Me ajuda a botar a louça aqui na lavadora.
[Angel] Claro.
♪♪♪
[Carol] Ai, tô tão orgulhosa de você, filha.
[Carol] Tão orgulhosa. Tão linda você na passarela.
♪♪♪
[Carol sussurra] Meu anjo.
Já vi e revi mil vezes no celular.
♪♪♪
Você é meu orgulho.
♪♪♪
Você é o meu amor.
Eu e o Alex, né?
O Alex também.
♪♪♪
[Carol] Mas o grande amor da vida de toda mãe, o maior...
[Carol] ...é sempre a filha.
♪♪♪
Ainda mais uma filha como você.
♪♪♪
Te amo demais.
♪♪♪
[Carol] Qualquer coisa, você me liga.
[Alex] Vai precisar do motorista? [Carol] Imagina.
[Carol] É uma delícia dirigir aquele carrão que cê me deu. Adoro.
[Carol] Beijos. [Angel] Tchau, mãe.
[♪ música tenebrosa com cordas ♪]
♪♪♪
♪♪♪ [beijos e amassos]
[Angel] Não...
[Angel] Não, Alex...
♪♪♪
Carolina! Estava te esperando.
[Carol] Se eu soubesse que você vinha, eu trazia a Arletinha. Cadê sua mãe?
[Giovanna] A minha mãe não vem. Vim no lugar dela.
[Giovanna] Mas hoje não vai ter cabelo.
[Carol] Como assim?
[Giovanna] Vamos tomar um café. A gente precisa conversar.
[Giovanna] É muito, muito importante. Sério.
♪♪♪
[♪ Abertura: Angel - Massive Attack ♪]
♪♪♪
[Carol] Então...
[Carol] Cê disse que tinha uma coisa importante pra me contar.
[Giovanna] Carolina, você é burra.
[Carol] O que é?
[Carol] Que mal que eu te fiz, garota?
[Giovanna] Você, nenhum. Mas você é burra.
[Carol] Dá licença que eu não vou ficar aqui ouvindo você me ofendendo.
Imagina...
[Giovanna] Carolina, me diz...
[Giovanna] Me diz como você foi cair nessa história de gravata?
[Carol] Quê?
Vocês não têm um trabalho pra apresentar pra escola?
[Giovanna] Não existe trabalho nenhum com gravata, Carolina.
[sussurra] Mas o que...
[Carol] O que a gravata do teu pai estava fazendo no quarto da minha filha?
[Giovanna] Exatamente. Como?
[Giovanna] Como você ainda não descobriu?
Carolina, o teu marido...
...teu marido, meu pai...
...ele tem um caso com a sua filha.
[♪ música obscura com bateria ♪]
♪♪♪
[Carol murmura]
[Giovanna] Os dois têm um caso.
[Giovanna] Eles estão lá juntos, agora, na sua casa.
[Giovanna] Vai lá. Vai lá agora.
[Giovanna] Vai agora, que você pega os dois juntinhos na cama. Vai!
[Carol murmura] [Giovanna] Vai!
♪♪♪
[murmura] O que cê tá falando?
O que cê tá falando?
♪♪♪
[murmura] Não acredito, não acredito...
Não acredito...
Não acredito...
♪♪♪
Não acredito...
[♪ violinos tenebrosos ♪]
♪♪♪
[silêncio]
[♪ música assustadora ♪]
♪♪♪
♪♪♪ [batimentos cardíacos]
♪♪♪
♪♪♪ [Angel ofega] Ai, Alex...
♪♪♪ [Angel ri] Para, Alex...
♪♪♪ [Alex suspira]
♪♪♪
♪♪♪ [grunhidos e gemidos]
♪♪♪
[Alex ofegante] Eu amo você.
[Alex] Eu amo você demais.
♪♪♪ [Alex geme]
♪♪♪ [ambos suspiram]
♪♪♪
♪♪♪ [Carol geme]
♪♪♪
Ah...
♪♪♪ [suspira de choro]
♪♪♪
♪♪♪ [soluça chorando]
♪♪♪
♪♪♪ [chora]
♪♪♪
♪♪♪ [chora]
♪♪♪ [respira rápido]
♪♪♪
[♪ tambor de guerra ♪]
♪♪♪
[♪ música tenebrosa com contrabaixo ♪]
♪♪♪
[♪ tambor de guerra ♪]
♪♪♪
[gatilho]
Aaah...
[Angel] Mãe...
[Alex] Que é isso? Onde cê conseguiu esse negócio!?
[Alex] Abaixa essa arma, Carolina.
[Alex] Abaixa...essa arma.
[Alex] Vamos conversar.
Conversar o quê? O que a gente vai conversar?
O que estava o tempo todo aqui na minha frente?
[Carol] Vocês dois, tudo...
[Carol] Tudo...
Eu olhava mas não queria enxergar.
Os teus olhares pra ela...
[Carol] Os olhares dela pra você...
[Carol] As vezes que eu saía e encontrava os dois sozinhos...
Tinha um clima. Eu sentia o clima.
[Carol] Eu sentia o clima.
Pode dizer que eu sou burra. Que loucura...
Ai... eu não sou burra? Eu não sou burra?
[Carol] Eu não queria acreditar naquilo que no íntimo...
[Carol] ...no íntimo eu já sabia.
Mas eu não queria dizer pra mim mesma.
Eu não queria saber. Eu não queria saber.
[Carol] Não queria acreditar...
[Carol] Viu, eu não sou burra? Eu não sou burra?
Eu queria acreditar...
[Carol] ...que uma coisa horrorosa dessas...
...era impossível de acontecer.
Isso não existe. Isso não existe.
[Carol] Isso não existe.
Eu queria acreditar...
...nas pessoas que eu amo...
[Carol] ...na bondade das pessoas...
E se eu não posso acreditar...
...nas pessoas que eu amo...
...que mais me resta nessa vida?
[Alex] Abaixa essa arma.
[Carol] Minha filha linda! Linda...
[Angel] Mãe, mãe, não atira. Por favor...
Não quero ouvir mais uma palavra, mais um som.
Não quero ouvir tua voz, Alex.
Não quero ouvir as tuas palavras, Letinha...
Letinha?...
Angel!
[Carol] Aaangeeeel!
[Carol] Eu não sei mais o teu nome!
Eu não sei quem você é.
[Carol] Aqui... aqui, nesse quarto.
[Carol] Quem é... você?
Que mais a gente tem pra dizer...
...se a verdade tá aqui nesse quarto?
Nós três juntos, aqui...
O que mais?
Eu...
...diante de vocês dois...
[Carol] ...na cama...
Você, Alex...
...seduziu a minha filha...
[Carol] Você...
...minha filha...
Traiu a sua mãe.
[Carol chora]
[chora]
[♪ violinos dissonantes ♪]
♪♪♪
[tiro]
♪ You are my angel ♪
♪♪♪
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