All language subtitles for Fabian.and.the.Deadly.Wedding.2026(1)

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Original subtitles

VILNIUS LITUÂNIA

Está bem?

Sente-se bem?

Vire-se.

Clorofórmio

Feche os olhos, por favor.

E inspire.

Expire.

Inspire.

UDO/SCHNABEL AGENTE IMOBILIÁRIO INTERNACIONAL

Sr. Kozlov.

Bem-vindo à Lituânia.

Gosto em vê-lo. Como foi o seu voo?

Muito bom, Sr. Schnabel.

O voo foi bom. Podemos falar alemão.

- Ótimo. É um gosto conhecê-lo. Entre. - Obrigado.

Este é o Dimitrij.

O meu…

… assistente.

Claro. Sou o Udo Schnabel.

Bem-vindo.

Por favor, entrem.

Desejam…

Uma bebida? Adoraria.

É para já.

Maravilhoso.

Sim.

Boa história, certo?

Sr. Kozlov, o meu voo parte em breve. Tenho de ir a Genebra.

Certamente.

O acordo de compra, como discutido.

Pela casa e pelo terreno.

Aqui tem. Duas assinaturas.

Que foi aquilo?

O gato.

O gato?

Sei uma boa história acerca de um gato.

Mas vai para o aeroporto, certo?

Sim, infelizmente.

Já está.

Obrigado.

Muito bem. Está tudo tratado.

Dez por cento de entrada, certo?

Sim. Em nome do Sr. Jankauskas, obrigado.

Ele manda cumprimentos do Rio.

Ótimo.

Não vai contar?

Por favor, Sr. Kozlov.

Visitas?

Que fazem na minha casa?

Sr. Jankauskas!

Estávamos a terminar. Já de volta do Rio?

Atrás dele! Apanha-o! Vai!

Foda-se!

Foda-se!

Merda!

Foda-se!

Foda-se!

Afaste-se, por favor!

Pare. Pare o carro.

Senhor, pode vigiar as minhas malas?

Sim.

Pare! O meu telemóvel!

Onde esteve?

Desculpe?

Tive de usar o telemóvel para tirar fotos da cerimónia.

Eu…

Desculpe, deixei algo no táxi.

Prepare-se para tirar uma foto em frente ao cartório.

Pessoal, foto de grupo.

- O fotógrafo chegou. - O quê? Só agora?

Não, está frio.

Vamos. Depressa. O autocarro do casamento vai partir.

Não foi isso que combinámos. Vá, fotografe!

Depressa, entrem. Parece que está prestes a nevar.

- Não era este o plano. - Típico.

Fantástico…

Todos para dentro.

Foda-se!

Dá-me uma mãozinha? Obrigado.

- Vamos. - Quero tocar-lhe.

Eu sei, mas estamos com pressa. Sabem os vossos lugares?

Cuidado ao entrar, sim?

- Olá. Sou o Jens. E o senhor? - Eu sou…

Vá, vamos entrar. Está frio.

Pai, podes arrancar.

Está bem.

FABIAN UND DIE MÖRERISCHE HOCHZEIT

Querida família e convidados,

temos cerca de 90 minutos de viagem até à vivenda da tia Nikola.

Quando chegarmos, vamos tirar a foto de grupo, sim?

É importante.

BÉLGICA

Depois, teremos todos um momento para nos refrescarmos, sim?

Desfrutem da viagem.

- Olá. Tudo bem? - Olá.

Pode tirar algumas fotos? Senão, a minha irmã vai passar-se.

Philippe Gerand, fotógrafo.

Milva, noiva.

Venha, vou apresentá-lo.

Pai, mãe, este é o Philippe, o nosso fotógrafo.

- A tua mãe está ao telefone. - Volto na terça. Espera.

O fotógrafo do casamento.

Sorriam, por favor.

Fantástico.

E este é o meu irmão preferido, Lukas. Astrofísico em formação.

E a sua cuidadora.

Para já, não sou astrofísico. Sou assistente de investigação.

E, além disso, a Ewwa é minha companheira e tem nome.

Desculpa.

E estes são os nossos amigos e parceiros de negócios de Berlim.

- Parceiros de negócios em quê? - Temos um bar juntos.

Isso explica o seu estado.

E…

Espero que seja o noivo.

Boa!

Está tudo bem.

Papá, que foi aquilo?

Pessoal, más notícias. A estrada está bloqueada.

Mas não vamos deixar isso estragar o ambiente.

Não é a playlist do casamento.

Não. É a minha playlist.

Tia Nicki!

Milvi! Como estás bonita.

Você também. Onde arranjou isso?

Foi um presente do Emilio.

- O Emilio? - Que Deus o tenha.

- Olá. Sou o Clemens. - Olá.

Sra. Wankdorff, quero agradecer-lhe do fundo do coração

por nos deixar celebrar aqui, na sua bela vivenda…

Tudo bem, meu jovem. Agora, entrem.

Queres ajuda?

Que trazes aqui?

Bem-vinda.

- Katja Nager. - Por certo.

Podem deixar as vossas malas. Serão levadas para dentro mais tarde.

Venha.

- Papá, leva-nos ao colo pela porta. - Sim, papá, por favor.

Claro.

- Sim, papá. - Jens, tem cuidado com os sapatos.

Chiça! Desculpa.

Quanta arte!

Quantos empregados são precisos para manter um lugar destes a funcionar?

Vinte. Mantemo-los acorrentados na cave.

Querida, obrigada por teres vindo tão rapidamente.

- Não há problema. - É por isso que te adoro.

Dizes ao Albertas que traga as malas depois?

Já o fiz.

Querida irmã.

Olá, Armin.

- Um copo de champanhe? - Sim.

Pare!

Não tem direito a pausa. Tire já a foto de grupo.

Todos, juntem-se para as fotos.

Sim, boa.

Segura as flores um pouco mais… Isso mesmo.

- Exatamente. - Muito bem.

- Aqui, por favor. - Olhem os sorrisos.

- Posso só… - Fui mais rápido.

Esta ficou bem.

Essa pose, de novo. Três, dois, um.

- Já estão todos? - Sim.

Não.

- Credo! - Esqueci-me dele.

A Annalena ia agora buscar-te.

Qual era mesmo o slogan da mãe? "A inclusão começa na família."

Nada mal.

E três, dois, um.

Perfeito.

Está bem.

Tenho de ir mudar de roupa.

Pode ir instalar-se no salão. Para a cerimónia de Vénus.

Certamente.

Aqui tem. Mereceu.

Obrigado. É muito gentil.

- Certo, vamos lá. - Sim.

O seu quarto é em cima.

Siga-me, Sr. Jargon.

Jambon. Gerand.

Estes sapatos estão a matar-me.

Fora isso, está a correr bem, certo?

Se a Milva pode casar-se com aquele folião de Kreuzberg,

posso andar por aí de t-shirt.

Não, não vamos descer àquele nível.

Que nível?

Graças ao Gerhard, consigo cantar todos os hits do momento.

E é precisamente por isso que vamos manter a compostura.

Não me vou expor às críticas da minha irmã.

Queres ver o céu?

Sim. As Perseidas serão visíveis esta noite.

Tinhas razão.

A tua família não te queria na foto.

Obrigado, Ewwa.

Eu durmo aqui.

Não, aí é o Thorne.

Não, eu durmo aqui.

Podemos juntá-las.

O ambiente aqui está mesmo pesado agora.

Disparate. A tua mãe está cansada.

Quando ficar com os pés frios, virá para a minha cama.

Nossa cama.

Acho que a tia é incrível.

Claro, tu também és fria como o gelo.

Indiferente é o novo rico, fofo.

Mas a indiferença não paga as contas.

É um lugar impressionante.

É aqui.

É muito acolhedor.

Trouxe o seu fraque?

Claro.

Só há uma estrada para chegar cá?

Sim, infelizmente. Estão todas cortadas.

O catering não trará a comida, mas o Albertas está a fazer sopa.

Porquê celebrar aqui?

Não havia vagas no cartório em Berlim.

Queriam casar-se o mais depressa possível.

E a Nikola não queria viajar com a Vénus.

Aliás, ela nunca a tira do cofre.

Quem é Vénus?

Uma estatueta gordinha.

Valiosa?

A Vénus de Wildenfeld vale tanto como uma vivenda no Lago de Como.

Que devo saber sobre a cerimónia?

A Annalena não explicou tudo?

Sim, mas as coisas mudam.

Desculpe. Conhecemo-nos de algum lado?

Que eu saiba, não.

Talvez do Dubai?

Quiçá de uma outra vida?

PESQUISA

Vénus de Wildenfeld.

"Vénus de Wildenfeld…

Feita de marfim e com 40 mil anos."

VALOR: 6 MILHÕES DE EUROS

"Seis milhões de euros."

Boa noite.

Et voilà.

Espero que se sintam confortáveis aqui, no meio de tanta arte.

Nunca nos entendemos sobre onde a arte acaba e a vulgaridade começa.

Este é um Tara Carson.

Não faço ideia de quem seja, Nikola.

Pois, eu sei, Armin.

E onde está a Vénus?

Tudo a seu tempo.

Uma foto?

Fantástico.

Caros amigos wiccanos, esta sala vibra literalmente com energia ancestral.

Estão a ver esta escultura de cristal?

Foca perfeitamente a energia lunar.

Meus caros, há mais para vir.

Abençoado seja o vosso espírito.

Thorne.

Que tal? É bom?

Sabe a merda.

- Queres outro? - Sim, claro.

Com licença.

Olá a todos.

Agora que estamos todos aqui,

gostaria de ler um poema…

Meus queridos, por favor, sentem-se para o segundo ato da noite.

Até que enfim. Podia comer um boi.

Querida Milva, querido Clemens,

nem um apocalipse vos poderia separar.

Já o provaram no primeiro dia do vosso casamento.

E, por isso, minha estimada Milva,

vais receber algo muito especial da tua tia maluca.

A Vénus de Wildenfeld.

A minha relíquia sagrada, a voluptuosa fonte da minha inspiração.

Quarenta mil anos.

Ela tem estado à tua espera, querida Milva.

Tal como esperou por Augusta, a nossa mais venerável antepassada,

que a achou na Floresta Negra.

Desde então, a Vénus tem sido passada de geração em geração.

Sempre para a filha mais nova.

Para grande desgosto das filhas mais velhas.

Só a mais nova tem o poder rebelde das mulheres Wankdorff.

É indomável, um espírito livre.

Eu era exatamente igual no meu primeiro casamento.

E no segundo.

E tu és assim, querida Milvi.

Eu e tu temos a mesma força e a mesma vontade.

Esta noite tornar-te-ás a nova guardiã da Vénus.

Mas tem cuidado.

Se traíres a Vénus

ou a venderes…

… ela tirar-te-á tudo o que tens.

Deves estar a perguntar se chegou o momento.

O momento em que vais segurar a Vénus nas tuas mãos pela primeira vez,

mas ainda não.

A Vénus de Wildenfeld é uma diva.

Ela é que decide quando entrarás no seu círculo mágico.

Ela é louca.

E esse momento é um segredo entre mim, ti e ela.

Então, até lá…

Ao amor.

Às mulheres indomáveis e a uma noite extravagante.

Aos noivos.

- Saúde. - Saúde.

À nossa!

- Saúde. - Saúde.

Aquilo vale seis milhões.

Devia ter sido a nossa prenda de casamento, em vez de três fondues.

Até que enfim.

Notícias importantes?

O quê? Eu… só queria fotografar a comida.

Olha o passarinho!

Obrigado.

Está fria.

É šaltibarščiai, uma sopa fria de beterraba.

Não há sopas quentes na Lituânia?

Sorriam!

Obrigado.

Então? Estás triste por não teres ficado com a Vénus?

Porquê? Tenho tudo o que quero.

Sopa deliciosa.

Se me dás licença…

Desculpe, onde será a entrega? Preciso de preparar tudo.

Não ouviu a minha tia?

A Vénus decidirá quando fazer a sua grande entrada.

Sr. Gerand, aqui.

Sim.

AGENTE FUNERÁRIO

BIBLIOTECA HISTÓRICA

PARAMÉDICO

POLÍCIA FEDERAL FABIAN KURTZ

Só a mais nova pode deter a Vénus de Wildenfeld.

A Vénus só pode ser herdada. Quem a roubar ou vender será amaldiçoado.

A alma definhará. É bruxaria muito, muito antiga.

Que emocionante.

Ouve, a maldição é real?

Nada disso, a minha tia gosta de adornar as histórias.

O Clemens tem medo.

- Ele viu A Múmia vezes de mais. - É o meu filme favorito.

Alberto, ainda há limões?

Sim, senhor.

"Senhor."

Atenção a todos.

Olá. Podem prestar atenção um momento?

Obrigada.

Bem, querida Milva, querido Clemens… Obrigada.

A Mia e o Leo prepararam algo muito especial para vocês.

E trata-se de…

Caramba, o que se passa?

É o rapto da noiva!

CIFRAGEM REDE ONLINE

REDE OFFLINE

Hora do espetáculo.

Está a ocorrer aqui um ritual de casamento antigo.

Os amigos da noiva raptam-na e escondem-na.

O noivo deve encontrar a esposa e pagar um resgate com oferendas,

caso contrário, não a recuperará.

Sinto-me muito honrado por estar aqui…

SEM REDE

Foda-se!

Milva!

Ouça, viu a noiva?

Não. Viu a Sra. Wankdorff?

Não.

Vamos.

Sra. Wankdorff?

Sra. Wankdorff?

Diverte-te.

Milva?

Milva?

Milva, onde estás?

Leo, vamos. É hora de dormir.

Não.

Leo, isso não é um brinquedo.

- É, sim. - Filhote, dá-me isso.

- Não. - Sim.

- Não. - Sim.

- Não. - Sim.

- Não. - Você.

- Viu a Sra. Wankdorff? - Não.

- Dá-me a máscara! - Não.

- Sim. - Não.

- Sim. - Não.

- Sim. - Não.

- Sim. - Não…

Obrigado.

Assustou-me.

Sabe da Sra. Wankdorff?

Acho mesmo que já nos conhecemos.

Não mude de assunto. A Sra. Wankdorff?

Que tom é esse?

Inspetor Kurtz, polícia. Preciso de ver a Sra. Wankdorff.

- Polícia Federal? - Sim. Sabe porque estou aqui?

Eu? Como? Porquê?

A Vénus de Wildenfeld é arte roubada.

- Arte roubada? - Isso dá até cinco anos de prisão,

por isso, é melhor colaborar. É do seu interesse, Mna.…

- Mna.…? - Orkin.

Mna. Orkin!

Qual é o seu plano?

Confiscar a estatueta.

A entrega é hoje e a menina sabe onde.

- Que o leva a crer… - Onde será a entrega?

No salão. É também onde a noiva se esconde.

Ótimo. Venha.

Espere aqui.

Porra!

Não.

Já te encontrámos.

Meu Deus!

Onde está a Milva?

Milva?

- Milva? - Milva?

Vamos, por ali.

- Milva? - Milva?

- Milva? - Milva?

Milva!

Que se passa lá fora?

- Milva? - Milva? Vê-la?

- Milva? - Milva?

Que aconteceu aqui?

Meu Deus, Nikola.

Não pode ser verdade.

A minha filha? Não devemos tocar em nada aqui.

Ele é da polícia.

O quê?

Ele é da polícia.

É da polícia?

Chamo-me Kurtz. Não sou fotógrafo. Estou aqui por causa da Vénus.

Este é o local de um crime. Por favor, saiam.

Polícia Federal? Que divisão?

Crimes ligados à arte, Wiesbaden.

A Vénus de Wildenfeld é arte roubada.

A família da sua esposa está em apuros. Saiam, por favor.

Crimes ligados à arte?

Correto.

Não existe essa divisão em Wiesbaden.

Senhores, não se mexe em nada até a equipa forense chegar.

E quem vem? Ninguém consegue chegar cá.

Não há rede. O telefone fixo também não dá.

- A Milva? - Acalme-se, por favor.

Ele é da polícia. Pode proteger as provas, certo?

Vamos aguardar até obter ajuda.

Até lá, ninguém pode ficar aqui. Saiam, por favor.

- Pode cuidar dela? - Sim.

Obrigado.

Anda.

Isto é um caos.

Porra!

Tenho de sair daqui.

Como é que entrou aqui?

- Inspetor. - Alto!

Calma, o senhor é polícia.

Tenho licença de arma.

Ando sempre com ela. Posso mostrar. Deixe ver…

Sim.

Aqui está.

Desculpe, só queria…

Não fui eu. Caso ache isso, por causa da arma.

Ela foi esfaqueada, homem.

Pois.

Vá para a casa e guarde a pistola.

- E você? - Eu estarei aqui.

Já se reuniram todos. Aguardamos as suas instruções.

Ótimo.

Eu topei-o logo, sabe?

Topou-me?

Sempre fui bom nestas coisas.

Queria ser polícia, quando era miúdo.

Era sempre o cowboy.

- Isso não é polícia. - Mas é o bom da fita.

Sr. Ohlfeld, pode ajudar-me na investigação?

Até os reforços chegarem.

- Claro. Com gosto. - Ótimo.

A primeira tarefa é irmos até ali juntos. Eu falo e o senhor, preste atenção…

O senhor fica calado.

Ótimo.

Agora, também sinto a má energia.

Queres um chá?

Que disse ele?

Não sabemos de nada.

Desculpem.

Senhoras e senhores, sou Fabian Kurtz, da Polícia Federal.

Como é do conhecimento de alguns, vim aqui disfarçado

para apreender a Vénus.

As nossas investigações internacionais revelaram

que a estatueta é arte roubada.

Isso é absurdo.

A apreensão iria ocorrer na entrega desta noite.

Em vez disso, houve um homicídio.

Nikola Wankdorff foi esfaqueada.

Meu Deus. Esfaqueada.

Além disso, a noiva desapareceu, tal como a Vénus.

Encontrá-la é a prioridade máxima.

Encontrar a noiva, digo.

O problema é que estamos isolados do mundo.

O assassino não pode escapar, ou seja, está aqui.

O quê?

Aqui?

Quer dizer que foi um de nós?

Sim, não me apraz dizê-lo, mas é um facto.

Quem tem a Vénus é o assassino.

Então, fiquem de olho em mim.

Bem, uns nos outros.

Um momento, Sr. Kurtz.

Sou o presidente do Tribunal de Hamburgo.

A suspeita de arte roubada não tem fundamento.

- É de Wiesbaden? - Isso não vem ao caso, Armin!

A minha irmã foi esfaqueada.

E a Milva desapareceu.

Mãe.

Céus, que é aquilo?

Está mesmo morta?

Sim.

E o senhor…

Não sou fotógrafo.

Não me consigo lembrar de nada.

Foi ela, não foi?

Vigia a porta. Não deixes ninguém entrar.

Precisamos de mais pistas.

Só assim encontraremos o assassino da sua tia e quem roubou a Vénus.

Não se recorda mesmo de nada?

Não.

- Que estás a fazer? - A vigiar a porta.

- Do lado de fora, homem. - Pois.

Muito bem.

Vamos tentar outra coisa.

Que aconteceu antes de desmaiar?

A Ash levou-me até ao salão.

E a tia Nicki estava lá à minha espera.

E a Vénus ainda lá estava?

Sim.

Finalmente, chegaste, minha querida Milvi.

Sim, estava em cima de um pedestal e depois…

E depois… E…

Não, pai.

Sim?

Não vamos incomodar o inspetor…

Não.

Não.

Deixa já o meu filho ver a mulher, seu palhaço.

- Não, ela está a ser interrogada. - Esperamos, pai.

Não, tu és o marido. Vais entrar ali.

Se alguém vai ver a minha filha, sou eu.

A família Piel. Acalmem os cavalinhos.

Já fizeram mal que chegue com a arte roubada.

Pai, já chega!

Cala-te, seu imbecil ridículo.

Pai, não. Para! Não estás a ajudar.

Jens, deixas-me passar?

Não.

Então, vou buscar a tua mulher.

- Falhado! - Seu inútil!

Não me recordo de nada.

Desmaiei e depois acordei algures na neve.

E não sei como fui lá parar.

Mas a minha tia, eu jamais… Tem de acreditar em mim, por favor.

Também não sei onde está a Vénus.

Eu vou encontrá-la.

"Encontrá-la?"

A assassina.

O assassino, digo.

Não vão longe. Prometo, Sra. Nager.

Sra. Nager?

Soa mal como a merda, não é?

Nager.

- Por amor de Deus! - Larguem-se.

Podem estar calados?

A noiva está bem, dadas as circunstâncias.

O noivo pode entrar. Quanto a vocês, saiam, por favor.

Por favor.

Agora.

Armin…

- A Nikola reparou que nós… - Não.

Acho que não.

Aquela maldita Vénus…

Não o devíamos ter feito.

Mas, assim, nunca te teria.

O quê? Ter-me?

Nada. Eu…

A maldição… E se for real?

Tens um lenço?

Prossigam.

Mas, Sr. Kurtz, volto a dizer, a acusação de arte roubada é absurda.

A Vénus está na nossa família há quatro gerações.

- E antes disso? - Estava enterrada na Floresta Negra.

Um antepassado da minha esposa encontrou-a.

E acredita nesse conto de fadas?

- Claro. Bem, não sei. - "Claro. Bem, não sei."

Exatamente. Acha que em Wiesbaden não sabemos investigar a proveniência?

E parece que a Vénus lhe importa mais do que o homicídio.

Não, nada disso. Só quero ajudar.

Desculpe, isto é trabalho policial.

Sr. Kurtz, investigue o Nager.

Tem muitas dívidas. Eu investiguei.

- A Vénus seria uma bênção. - Interessante.

E as suas finanças?

- Olá. - Olá.

Bem, queria estar sozinha um bocado.

É compreensível.

Era o seu domínio.

Onde ela criava arte.

Acerca do salão…

Existe outra maneira de entrar? Uma entrada menos óbvia?

Só pelo parque.

Então, só pelo exterior.

Não devia ficar aqui sozinha.

Quem mata uma vez mata de novo.

Que fizeste?

Larga-me.

- Porque não falas comigo? - Não podemos falar aqui.

Qual é o teu plano agora? Fala comigo.

Como é que entraste aqui?

Pois claro.

Cá estamos.

- Que faz aqui? - Desculpe? Que faz o senhor aqui?

Queria comer qualquer coisa.

- Está a sangrar. - Disparate!

Não.

Alguém lhe partiu uma garrafa na cabeça.

Não se passou nada aqui.

Caramba, que faço eu aqui?

Que faço eu aqui? Porra!

Inspetor!

Sr. Ohlfeld.

Estava a pensar porque não apanhava rede. Veja isto.

Os cabos foram cortados. Isto é trabalho de profissional.

O assassino sabe exatamente o que faz.

Quem é esse?

O Nager. Está inconsciente.

- Foi você quem fez isso? - Há algum médico na tua família?

Sim, o Thorne trabalha para um naturopata.

Ótimo. Ele que venha tratar dele.

Sim, inspetor.

É ele o assassino?

É hora de sermos duros com eles.

Prepara uma sala de interrogatório e, depois, manda entrar os suspeitos.

Primeiro, o teu sogro.

Sim.

Sr. Piel…

Vocês?

Disse que quem tiver a Vénus é o assassino, inspetor.

A Milva tem-na.

Mas ela não matou a Nikola. Nem pensar.

Façam o favor.

Está no nosso quarto.

Ótimo.

Ela foi tão dócil comigo no salão.

Finalmente, chegaste, minha querida Milvi.

Desculpem, mas devo recolher a prova.

Depois, podemos falar do homicídio.

Mas, de repente, ela começou a dizer coisas estranhas.

É tudo mentira.

É tudo falso.

Não posso confiar em ninguém.

Não confio em ninguém.

Ela disse "falso"?

Estaria a referir-se a si?

Não faço ideia.

Viu quem estava por trás da máscara?

Não.

Depois disso, só me lembro de correr pela floresta.

Venham, vamos buscar a Vénus.

Desapareceu.

Estive sempre com a Milva. Pode revistar-me.

Havia mais alguém quando a encontraram?

O meu pai.

Claro.

Primeiro, o Nager rouba-vos a Vénus e depois é ele a ser roubado.

Que fazem aqui?

Veem-se melhor as Perseidas do teu quarto.

Está bem.

Bebes de mais.

E ela fuma de mais. Ainda por cima, no nosso quarto.

Não fume quando está com o meu filho.

A Ewwa está sempre comigo. Esqueceste-te disso?

Tome conta do meu filho.

Há um assassino à solta.

- Sua vaca idiota! - Mãe!

Isto é da minha irmã.

Eu lamentar muito. Eu lamentar.

Eu é que lamento tê-la contratado.

Mãe, já chega.

Deve olhar por ele. Sabe sequer como fazer isso?

Não ajuda mesmo nada.

Boa noite. Procuro o seu marido.

Então, encontre-o.

Sim, voltei a ter rede!

Vá lá.

Eu também, um tracinho!

- Já desapareceu outra vez! - Aqui também.

Que estás a fazer?

Acho que devíamos rever o nosso francês.

Armin!

A minha irmã está morta. E há um assassino à solta.

Esqueçamos isso por um momento.

- O quê? - Carpe diem, querida.

L'amour toujours, toujours l'amour

Que te deu?

Porque estás tão bem-disposto?

Tens a Vénus?

Sim.

Que foste fazer?

- O quê? - Perdeste completamente o juízo?

O quê?

Tu…

Eu?

Quem tiver a Vénus…

Não estás a falar a sério.

Não acreditas que fui eu quem atacou a Nikola?

Achas que eu faria isso?

Sinto-me mal.

Querida, por favor.

Posso explicar!

Nem mais um passo…

Não percebo. Em que estavas a pensar?

Chiu! Fala baixo.

Depois de tudo o que ocorreu…

Este foi o pior dia da minha vida.

- Devia ter sido o melhor. - Sim. Sim?

Digam-nos o que pensam fazer.

Eu e a Milva queremos dizer a verdade…

Vocês são parvos?

- Então, foi tudo em vão. - Cala-te. Deixa-a acabar.

O bar estará acabado. Têm noção disso?

- Credo! Então, abrimos outro. - "Outro"?

Ou podemos tirar umas férias.

Não sejas sempre tão fria.

Mostra alguma emoção.

Sem o bar, serias a pessoa mais solitária do mundo.

Chega de emoção?

Parem com isso. Temos outros problemas.

Exatamente. Temos de contar tudo ao polícia.

Se ele descobrir, pode pensar…

Pensar o quê?

Que acabámos de…

Acabaram de quê? De se casar? De mentir?

- Como soube? - Que o casamento não foi a sério?

Precisávamos de dinheiro para o bar. Só se recebe a Vénus se se for casado.

Estávamos bêbados a jogar dardos e eu disse que me casaria com o vencedor.

A sua tia sabia que era falso?

Não era falso para mim.

Eu…

Talvez ela tenha percebido, sim.

E talvez eu tenha perdido a cabeça. E talvez eu realmente…

… mas não intencionalmente.

Nem pensar, Milva. Nunca farias uma coisa dessas.

Obrigada.

Merda!

Sua cabra!

Vou contar aos pais!

Foda-se!

Não acredito nisto!

Mãe?

Pai?

A Vénus pertence à minha família. Eu decido o que lhe acontece.

Ouve-me com atenção. Vou contar-te o que ia fazer.

- Devias tê-lo feito antes. - Antes? Antes de quê?

Vou doar a Vénus a um museu para pôr fim a esta disputa familiar.

- E é a minha decisão final. - O nobre juiz.

Mas talvez eu também tivesse um plano.

Aí está algo que o cavalheiro não concebe.

Simplesmente, decides e, pronto, a sessão acabou.

Muito bem, e qual é o teu plano?

Não te vou contar. Mas a Vénus pertence-me.

Não!

Querida.

- Assassino! - O quê?

Foi assim que mataste a Nikola?

Não!

Estás finalmente a mostrar quem és.

Estás louca?

Vou dizer a toda a gente.

Eu não lhe toquei. O Gerhard é o assassino.

Ele tinha a Vénus. Eu só lha tirei.

Gandhi por fora, Estaline por dentro.

Pai?

Que fizeste à mãe?

- Estamos só a falar. - Sim.

Ele bateu-te?

Que disparate! Que queres?

Quero… A Milva estava… Ela tem… Mas que se passa aqui?

- Nada! - Nada!

Deem-me a Vénus, por favor.

A Milva só se casou para obter a Vénus. Ela não ama o Clemens.

Bateste na mãe?

Annalena, cala-te!

Não, não bateu. Não digas disparates.

Onde está a Vénus?

Abra-a.

Não sem uma ordem judicial.

E eu certamente não lhe darei uma.

Que é isto?

Estava aí há um minuto.

Isto está a ser de mais para mim.

Inspetor, gostaria de fazer uma confissão.

Eu…

Sou má mãe.

Tento ser boa mãe. Para o Lukas, para a Milva, para…

- Mas não sou. - Sra. Piel…

- É o que é! - Que deseja confessar?

Eu queria-a.

A Vénus.

A Milva é demasiado nova para a ter.

Sabes onde está a Vénus agora?

Não!

Mas a Vénus é minha.

Sempre foi minha.

Quem inventou que só devia ir para a mais nova… Que absurdo.

A minha mãe nem irmãs tinha.

Então, queria roubar a Vénus? E depois? Vendê-la?

Não. Queria-a para mim. Só para mim.

A minha irmã já a tivera tempo de mais.

E agora está tudo às claras.

Mas eu não matei a Nikola.

Sim, isso é o que mais tenho ouvido.

Estive sempre em casa. Pergunte a quem quiser.

O seu marido pode ser assassino?

Acho que a família do Clemens pode ser.

Os Nagers.

São todos doidos.

Olhe.

Veja isto.

A Vénus envia as suas energias ancestrais diretamente para os meus chacras.

Ela quer juntar-se a nós no círculo sagrado e eu vou trazê-la até nós.

Meu Deus.

Com quem é que a Milva nos misturou?

Obrigado.

Não lhe disse que não andasse sozinha pela casa?

Não suporto as pessoas ali em cima. Uma delas matou a Nikola.

Venha comigo.

Vamos.

Não pode ser.

Não sabia?

Não.

Faça favor.

Quem são estes?

Os ex-amantes da Nikola.

Os ex dela.

- Por aqui. - Está bem.

Fique aqui. Não se mexa.

Faz sentido…

O assassino entrou pelo túnel secreto.

Correto.

"Agência de Detetives Argus. Agência…"

Talvez o Gerhard tenha descoberto o túnel. Estava na adega.

É possível.

Ou o filho tolinho. Aquele da seita das bruxas.

Não está mal pensado.

"O nome do suspeito é G. Pelzer."

Tudo devido àquela maldita estatueta.

- Pedi que não tocasse. - Disse: "Não se mexa."

É verdade. Que está a fazer?

Nada.

Aposto em comprimidos para dormir.

Isso explicaria o apagão da Milva.

Sim.

Então, vamos.

E nem uma palavra sobre o túnel.

- Está bem. - Ótimo.

Todos aqui mentem

E a estúpida sou eu

Que cumpre as regras

És tu, Leo.

Mia!

Vou apanhar-te.

Não.

- És muito lento. - Tu é que és.

- Não me apanhas. - Meninos.

Chega de barulho.

Que é isto?

Encontrei no quarto do inspetor.

A sério? Primeiro, a minha mãe e agora os meus filhos?

Não pode ser.

"Cara Sra. Wankdorff, obrigado pelo seu interesse na Argus."

Pesquisa, vigilância, investigação.

Deixa-me passar.

Nem pensar! Tenho ordens claras.

O quarto do inspetor é interdito.

Não te armes em durão. Não te fica bem.

Bater-me pelas costas? Foste tu? Seu cobarde!

- Para trás! Ou eu… - Acalmem-se.

Não percebem? Fomos enganados.

Todos.

"Christian de la Bea… ute."

Christian de la Beauté.

"Especialista em cirurgia plástica e estética."

O quê?

Não é da Polícia Federal?

Não.

É um vigarista.

Não é possível.

Já percebi.

Pois claro.

Quem vai ser hoje?

Beauté, o cirurgião plástico?

O embaixador do Brunei?

Ou quiçá o presidente da Cruz Vermelha? Caso haja vítimas.

Que te parece, Jens?

Polícia federal ou vigarista?

Vigarista.

- E assassino. - Isto é um mal-entendido.

Estou infiltrado.

A história da arte roubada foi boa.

Quase acreditei em si.

- Tenho um tracinho. - Boa. Chama a polícia.

Onde está a Vénus?

Aquela estatueta pré-histórica envenena-nos há demasiado tempo.

Aquela gorda só semeia ódio. Tem de desaparecer para vivermos em paz.

- Eu… - Sim, você…

Matou a Nikola, porque queria a Vénus.

Isso é um absurdo.

É a sua última hipótese.

Ou começa a falar, ou a polícia vai encontrar um ladrão baleado.

E é legítima defesa, segundo o Código Penal.

Eu sei quem é o assassino.

- Também eu. És tu! - E sei onde está a Vénus.

- Onde está? - Não a tive, ao contrário de si.

Onde está?

Temos rede de novo e as estradas estão desimpedidas.

A polícia chegará o mais depressa possível.

Levo-vos ao assassino e à Vénus se me desatarem.

Ele é o assassino.

Sr. Kurtz?

Bom dia.

Obviamente, devem ter perguntas.

O meu disfarce foi comprometido.

Não sou da Polícia Federal.

Pois, ele é exatamente o oposto.

É verdade, sou um vigarista.

Ganho a vida a burlar as pessoas.

Pessoas avarentas, que não sabem o que fazer ao dinheiro.

Se quiserem condenar-me por isso, força.

Porquê tanta conversa? Que se passa aqui?

Vá direto ao assunto. A Vénus?

Sim, onde está ela?

Acho que todos concordamos

que a Vénus teve uma noite bastante atribulada.

Primeiro, os encantadores noivos tiveram-na.

Depois, o Sr. Nager levou a estatueta.

Isso não agradou ao Sr. Piel,

por isso, espetou uma garrafa na cabeça do Sr. Nager…

… e escondeu a Vénus no seu quarto.

- Seu canalha. - Cala-te, Gerhard.

Mas quem?

Quem começou tudo isto?

Que aconteceu realmente?

Quem roubou a Vénus do salão?

Quem matou a minha irmã à facada?

Uma coisa de cada vez.

Quer contar a história…

… ou conto eu…

… Mna. Orkin?

- Eu? - Sim, a menina.

Soube sempre onde estava a Vénus.

Eu e a Nikola amávamo-nos. Não precisa de compreender isso.

Mas estava prestes a ser despachada.

A sua imagem já estava na galeria de ex-amantes e sabia disso.

- Sabia do túnel secreto. - Que túnel secreto?

É uma interesseira, Mna. Orkin.

E caça nos redutos dos ricos: Ibiza, Nova Iorque, Marbella.

Conhecemo-nos numa festa no Dubai.

Este casamento era a sua última hipótese de chegar à Vénus, então, que fez?

Bem, já tinha adulterado a garrafa de champanhe antes.

Porque tinha de drogar a Sra. Wankdorff e a noiva.

E sabia o que fazer.

Sabia como e quando a noiva iria ser raptada.

Então, desapareceu discretamente, arranjou um disfarce

e foi para o salão pelo túnel secreto.

Isso é um completo disparate. Não tem provas disso.

Sra. Ohlfeld-Piel, pode pôr a mão no bolso das minhas calças?

Um lenço mágico?

Outra vez, por favor.

Este pedaço não é mais do que borracha azul.

Das luvas de borracha que usa na cozinha.

Assustou-me.

Encontrei o pedaço junto ao túnel secreto que, alegadamente, não conhecia.

O mecanismo é complicado. É fácil magoar o dedo.

Não faço a mínima ideia. Estive sempre na cozinha.

- Lukas, diz-lhe. Estavas comigo. - Sim, ele vai confirmar.

Exatamente.

Porque planearam tudo juntos.

Lukas?

Uma boa combinação, a amante gananciosa…

… e o filho que queria punir a família.

Sabia o que a Mna. Orkin queria, logo, fez-lhe uma oferta.

Ela ficava com a Vénus e o Lukas

vingava-se dos familiares odiados.

Lukas, isto é verdade?

Sabem o que faço na universidade?

Que ajudo a mapear galáxias?

Não, claro que não.

Tudo o que veem é a cadeira de rodas, a mancha na família perfeita.

O mundo acha que defendem a inclusão, mas em casa…

Em casa, relegam-me para os outros.

Metem-me num colégio interno. Contratam cuidadores para mim.

E tu? Estavas sempre presente para mim.

Desde que foste para Berlim, ignoraste-me.

Todos acham que seria melhor eu não estar lá.

Ela é a única que se importa comigo.

Então, recapitulemos.

A Mna. Orkin rouba a Vénus.

O Lukas sabe disso.

Mas, então, algo completamente inesperado acontece.

Algo que não estava nos vossos planos.

A Nikola Wankdorff morre.

Tu, Lukas, ficas, claro, atónito e acreditas que foi a Mna. Orkin.

- Eu não matei ninguém. - Por favor.

- Ela só devia levar a Vénus. - E é verdade.

A Mna. Orkin não matou a tua tia.

Mas, então, quem foi?

Para isso, precisarei da vossa ajuda.

De todos vós.

Mas primeiro…

A Vénus, por favor.

Como soube?

O tapete do quarto denunciou-o.

Que é isto?

Estava aí há um minuto.

Vi as marcas da sua cadeira de rodas.

Lukas.

Uma estatueta pré-histórica que teve mais donos numa noite

do que em todos os séculos anteriores.

Querida, por favor!

Posso explicar!

Nem mais um passo…

Continuo a não entender.

Como é que a Vénus foi parar à minha mala?

É muito simples. Vamos recuar mais uma vez.

A Milva e a Sra. Wankdorff estão drogadas.

A Mna. Orkin pega na Vénus e coloca-a na mala de noiva da Milva.

O esconderijo perfeito.

A noiva encontraria a Vénus e encobriria o rasto da Mna. Orkin.

Porque é que a Kim fez isso? Porque não levar a Vénus consigo?

Por causa disto.

- Não, por favor. - Meu Deus.

Está louco?

Vejam bem.

A verdadeira Vénus de Wildenfeld é feita de marfim com 40 mil anos.

E isto é…

É gesso!

- Como? - Gesso?

- Não pode ser! - Então, onde está a verdadeira?

Vocês só pensaram nos milhões

e perseguiram uma falsificação sem valor.

Eu não.

Não, tu não.

- É verdade. - Sim.

Esse era o plano original da Sra. Wankdorff.

Queria manter a tradição, mas sem ceder o original,

então, imprimiu um molde e produziu uma cópia de gesso.

Uma Vénus falsa num casamento falso.

Preciso de uma bebida.

Obrigado.

A tia enganou-nos a todos, mas onde está a verdadeira Vénus?

Por assim dizer, estão mesmo no meio dela.

A Sra. Wankdorff estava muito endividada.

As contas dela estão todas a descoberto.

Vendeu a verdadeira Vénus há muito para sustentar o seu estilo de vida.

Eu sabia.

E quem a matou?

Importa-se?

Obrigado.

Milva?

Sim?

Podem tê-la drogado, mas lembra-se de algo.

Por favor, conte novamente.

- Quer dizer… - Sim.

É tudo mentira.

É tudo falso.

Não posso confiar em ninguém.

Não confio em ninguém.

A tia Nicki, afinal, não falava do casamento.

- Referia-se à Vénus. - Correto.

A sua tia foi drogada, mas assistiu ao roubo.

Viu uma figura mascarada, a Mna. Orkin,

e revelou-lhe que a Vénus era uma falsificação.

Que diabos? Isto é falso.

Sim, é verdade.

É tudo mentira.

É tudo falso.

Tal arruinou o plano da Mna. Orkin.

Ela colocou a réplica na sua mala de noiva e saiu.

Milva?

Viu a máscara mais de uma vez, certo?

É tudo mentira.

É tudo falso.

Não posso confiar em ninguém.

Não confio em ninguém.

Mas, da segunda vez, a máscara era diferente.

Pois era.

Havia duas máscaras.

Havia outra pessoa no salão.

E essa pessoa também estava a usar máscara.

Alguém chamado G. Pelzer.

G. Pelzer?

G. Pelzer?

- Como? - Pelzer.

- Quem é? - É…

Não me é familiar.

Antes de morrer, a Sra. Wankdorff recebeu um e-mail de uns detetives

que havia contratado. Sentia-se ameaçada.

Por um G. Pelzer.

Quem se supõe que seja?

O enteado da sua irmã.

O segundo marido da Sra. Wankdorff, Asmus Pelzer, já tinha um filho.

Quando a Sra. Wankdorff se separou de Asmus, o desgosto arrasou-o.

- Sabias disso? - Não.

O enteado contactou-a, encontrou-se com ela. Talvez houvesse exigências.

A Sra. Wankdorff ignorou.

O enteado, então, planeou vingança.

E esse tal G. Pelzer está aqui?

Sim.

Mas não é um ele.

O G é de Genoveva.

Genoveva Pelzer.

Ewwa, para abreviar.

Quem é a Ewwa?

É ela.

Ninguém se mexa.

Ou disparo.

Ewwa.

Na galeria da Sra. Wankdorff, um quadro chamou-me a atenção.

Mostrava um homem com olhos de cores diferentes.

Asmus Pelzer.

Tirei-te uma foto no jantar depois de uma das tuas lentes de contacto cair.

Depois, vi na câmara que também tens olhos de cores diferentes.

É hereditário. As lentes eram o teu disfarce.

Fizeste-te passar por cuidadora, conseguiste que os Piels te contratassem

e esperaste a oportunidade.

Ewwa, não é verdade, pois não?

Sim. A Ewwa, ou melhor, Genoveva, também sabia do seu plano com a Mna. Orkin.

Era um mistério.

Primeiro, descobri que havia duas máscaras.

Sabias que a Mna. Orkin levaria uma máscara, então, também pegaste numa

e seguiste-a até ao salão.

Ela abandonou o meu pai.

Não quis saber se tal o destroçaria.

Tive de o ver afogar-se no álcool.

E talvez possa suportar os custos.

Por favor.

Não tenho culpa de que o teu pai bebesse.

Isso afetou a Nikola mais do que ela podia demonstrar.

Quando o meu pai morreu, pedi-lhe dinheiro para o funeral.

"Não tenho culpa de que o teu pai bebesse." Foi o que respondeu.

Ewwa.

Tu compreendes, certo?

Sabes o que é não importar a ninguém.

Eu entendo o ódio que tens à tua família.

As estrelas, as histórias, nós… Lukas, foi real, mas…

A tua família.

Só se importam convosco.

Não querem saber dos outros.

Muito menos de uma cuidadora da Ucrânia.

"Eu lamentar. Eu lamentar."

Era o disfarce perfeito.

Querias tirar a Vénus ao Lukas, não querias?

Não.

Não!

Queria justiça para o meu pai.

Não quero saber de dinheiro!

Tenho licença de arma.

Ando sempre com ela. Posso mostrar.

Aqui está.

Ainda bem que tenho as balas.

Não é verdade, Sr. Ohlfeld?

Sim.

Olha.

- Neve! - Neve!

- Pai, faz-nos um boneco de neve! - Ou um iglu.

A conta não está nada a descoberto.

Ela contraiu empréstimos. E como garantia?

A Vénus.

Querida, ouviste isto?

Ela ainda a tinha. A Vénus deve estar algures por aqui.

Não é possível.

ABRIR

Já percebi.

Eu sabia.

- Ouviste isto? - Olá.

Merda!

Legendas: Pedro Silva Mota

Supervisão Criativa Mariana Vieira

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