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"CARAVAGGIO"
N�o vai dizer a ningu�m que me viu chorar.
-Promete? -Prometo.
Por que est� chorando, marquesa Colonna?
N�o quero casar.
Me mandaram aqui para casar com esse Sforza.
Preferiria morrer a casar com um sapo.
Ent�o eu caso com voc�.
Mas n�s n�o podemos nos casar.
Eu sou seis anos mais velha...
e voc� n�o � nem bar�o.
E se me tornasse um cavaleiro?
Mas voc� j� � meu cavaleiro.
E ser� sempre.
Michele, tem que ir para casa.
Sua m�e est� procurando voc�.
Michele, eu te acompanho. Espere!
Michele! Michele!
Temos que queimar tudo!
Tudo mesmo!
O que est� fazendo aqui? Volte para casa!
-N�o h� nada a fazer! -Ele tem que ser levado daqui!
V� embora! Embora! � a peste!
Oh! Deus!
-Largue isso! -� meu!
Michele, aonde vai? N�o, amor. N�o, te pe�o.
-Deixe-me! Deixe-me! -N�o! N�o!
V� embora, Michele. V� embora.
� a peste. N�o o deixe ficar aqui, Lucia.
Leve-o para longe, ou ficar� doente.
CARAVAGGlO, OUTUBRO 1577
Que vivam na luz eterna e descansem em paz.
-Amem. -Amem.
N�o comeu nada.
Michele, por que n�o quer falar comigo?
Na oficina de Simone Peterzano...
far� o que sempre gostou de fazer.
Aprender� um of�cio.
Ser� um grande artista, Michele. Um grande artista.
Eu n�o vou para Mil�o.
Michele!
Por que n�o manda o Giovambattista?
Ele vai para o semin�rio, para se tornar padre.
E sua irm� fica para me ajudar no trabalho de casa.
Ningu�m pode nos ajudar.
N�o tenho alternativas.
Mam�e, n�o me mande embora.
Fa�o isso por voc�.
Tem que acreditar em mim.
Tenho certeza de que mais tarde ficar� contente.
Voc� n�o gosta de mim. N�o me quer.
N�o � verdade. N�o � verdade.
Mam�e, te pe�o!
Mam�e!
MlL�O
Voc� deve ser o jovem Merisi!
Menor do que imaginava.
Des�a.
Venha comigo.
Sente-se.
Coma. Deve estar com forme.
Antes de comer, persigne-se!
Para aprender a pintar, tem que conhecer duas coisas...
as cores e as Escrituras Sagradas!
Agora, coma e durma.
De manh� nos levantamos cedo.
Acrescente mais �leo.
Deixe ver.
V� como � viva?
Lembre-se, a cor tem que ser sempre a mesma!
-Como se chama? -L�pis-laz�li.
� a mais preciosa.
E aquela?
Co... Cochinilha.
Tem boa mem�ria. Ser� de grande ajuda...
mas falta concentra��o. � o que te ensinarei.
N�o! N�o v� que est� sujo? Tem que se concentrar! Sempre!
Isso � para limpar os pinc�is! Concentre-se! Para onde vai?
N�o! Muita pressa! Muita pressa!
Assim vai misturar tudo! Tem que ouvir quando eu falo!
Mestre.
-Onde o encontrou? -Eu fiz.
� imposs�vel!
Ainda n�o te ensinei nada...
sobre perspectiva, volume, sombras.
N�o me ensinou o qu�?
Como criou este efeito?
Observei o senhor.
Observou-me?
Observou-me. Observou-me.
Mestre Simone.
Conde Martelli! O senhor aqui?
� uma honra para minha pobre oficina.
-Em que posso ser �til? -Ainda n�o sei.
Dou uma olhada.
N�o... Cavaleiro...
Gosto deste.
-Esse? -Sim, muito.
Uma frivolidade dessas para um Cavaleiro de Malta!
N�o, se me posso permitir, n�o me parece pr�prio.
� melhor um pequeno S. Jo�o Batista...
em honra � sua Ordem.
Se quiser me seguir.
Suma daqui!
Suba! Suba!
Como se chama?
Michelangelo. Michele.
� o nome do Arcanjo.
-Sim, o que matou o drag�o. -N�o!
N�o, n�o. Os dem�nios.
-E voc�, j� matou um drag�o? -Eu?
Ainda n�o, mas...
qualquer dia...
Pegue.
-� para voc�. -Para mim?
� um presente. Eu o fiz.
� muito bom.
Aceito.
Mas, s� se voc� aceitar algo em troca.
Gostaria de ter uma espada.
Bravo. Est� certo.
E voc�?
N�o se preocupe.
-Mandei forjar algumas novas. -Por qu�?
A Igreja de Roma est� em perigo.
De um lado os Protestantes e do outro os turcos.
E cabe a n�s, Cavaleiros de Malta...
impedir seus avan�os.
Eu tamb�m, quero me tornar cavaleiro.
Ent�o dever� se tornar bom com a espada...
como j� � com os pinc�is.
Michelino.
Pequeno Michele.
Davide.
O que foi?
Vamos. N�o � nada.
Caiu?
E se machucou.
O que �?
Bateu em voc�?
Foi ele? Davide, diga-me. Foi ele?
Tocou em voc�?
Tocou em voc�, n�o �?
C�o bastardo!
Eu avisei que n�o tocasse nele!
-Eu acabo com voc�, seu porco! -Eu te pe�o!
Nunca mais vai p�r essas m�os nojentas...
em outro inocente, eu juro!
Michele! Michele!
Tem que partir j�! Para Caravaggio!
Sua m�e.
Michele, eu te pe�o.
Sua m�e.
CARAVAGGlO
Corra! Corra!
Lamento muito por sua m�e.
Para voc� os anos n�o passam.
Est� mais bonita.
Voc� tamb�m n�o mudou. O descarado de sempre.
Voc� me prop�s casamento quando eu tinha seis anos.
E o faria outra vez.
Penso que achar� coisa melhor que uma vi�va, m�e de fam�lia.
-Ent�o, quer ir para Roma? -Sim.
Roma � o centro do universo para um artista.
Finalmente, mostrarei a todos o que sou capaz de fazer.
Sim, l� est�o os maiores mas...
voc� � ainda t�o jovem! Espere.
O qu�?
Nada mais me resta aqui no norte.
E j� vi tudo o que havia para ver.
Eu tamb�m amo Roma, � a minha cidade, mas...
se tornou t�o perigosa, cheia de vagabundos, desajustados!
E de noite vira um campo de batalha!
E Mil�o? Mil�o, agora � uma cidade fantasma.
E sei que posso me dar bem por l�! Eu sei!
Quando voc� tem uma ideia...
E assim meu pequeno cavaleiro se fez homem...
e tem que ir para a guerra.
Porque � a guerra o que encontrar�.
Franceses contra espanh�is e o Papa no meio.
Mas lembre-se que...
poder� sempre contar comigo...
e com a minha fam�lia.
E me prometa uma coisa.
Que estar� sempre alerta...
e cuidar� de voc�.
Quer saber que recorda��o terei sempre presente?
Qual?
Seu rosto com essa luz.
ROMA
Afastem-se, mendigos!
Deixem passar Sua Excel�ncia o Cardeal del Monte!
Caridade!
Caridade!
-Temos fome. -Caridade!
Desculpem. A oficina de Lorenzo Carlo?
� aquela ali.
-Obrigado. -De nada.
Ma��s! Ma��s! Levem ma��s!
Mestre.
Bom dia.
Gostaria de mostrar um de meus trabalhos.
Eu sou Lorenzo Carlo. N�o um pinta-monos...
que pega, para a sua oficina, o primeiro que passa.
V�!
-Mestre Zuccari? -Sim.
-Bom dia. -Bom dia.
Ouvi muito falar do senhor, pelo meu mestre Peterzano.
Eu fui aluno dele em Mil�o.
Peterzano, sim. que se estou certo...
diz ter sido aluno de Ticiano, n�o �?
Isso mesmo.
Para mim, seria uma honra...
poder trabalhar na sua oficina.
Se pudesse voltar, porque agora...
S� um instante, gostaria que visse isto.
Peterzano.
Mas esta folha est� seca.
Sim, esta tamb�m.
E a ma�� tem bicho.
Como a pera.
� o que acontece na natureza, n�o?
� claro.
Mo�os, venham ver isto.
Ent�o, aqui temos um pintor...
como v�m, que desenha folhas secas...
e fruta podre. � isso.
Peterzano.
Vamos! Vamos, mo�os.
Traga mais vinho!
Corte! Corte! Corte!
-J� a conhecemos? -Sim.
Deixe ver!
Aqui est� o vinho!
Est� doente?
Tem febre?
Ah! � pintor!
De onde �?
De uma vila...
perto de Mil�o.
Como o padre que rezava missa perto da minha casa.
Em Siracusa. J� l� esteve?
N�o.
Sol...
Mar...
e mulheres!
� isso, mas eu n�o posso voltar l�.
Dizem que matei algu�m...
mas eu n�o me lembro.
Tinha bebido muito.
Talvez voc� tenha fome.
Espere. Aqui est�.
Coma isto, que vai lhe fazer bem.
Boa, n�o �?
Eu me chamo Mario.
Mario Minniti.
Tamb�m sou pintor.
Merisi.
Michelangelo.
Mas a fruta...
como consegue pint�-la assim?
Se me disser, juro que n�o contarei a ningu�m.
Melhor, se me permitir, vou levar isto � oficina do mestre Lorenzo Carlo.
Eu o conhe�o, � da minha cidade.
Aquele verme!
Nem sequer quis ver os meus trabalhos!
Ah! E a voz voltou.
� um sinal positivo.
Mas o que tem, febre? Espere. Fique quieto.
Est� quent�ssimo!
Mas que fedor � este?
O que est� fazendo? Que � isso! Volte aqui!
Que nojo! Que mau cheiro!
Se tiver que pintar a morte terei que me lembrar de como �.
Gosta dos mortos bonitos que pintam hoje em dia? Eu n�o.
A morte n�o � bonita para ningu�m.
A verdadeira morte � a cor desta pele.
Sim, � isso, mas agora vamos!
Se as mil�cias passarem, podem nos deter!
Voc� n�o � normal, sabe disso?
E n�o tem um bom aspecto. Parece esse morto!
Oh!
Oh!
Oh!
Bem vindo entre os vivos.
-Onde estou? -Na Consolazione.
Seu irm�o o trouxe.
N�o � meu irm�o.
Por�m ficou com voc� tr�s dias e tr�s noites...
e agora est� descansando.
-O senhor quem �? -O prior que tratou de voc�.
-O que est� fazendo? -Tenho que ir. Tenho que ir.
Fa�a como quiser. N�o conseguir� chegar � porta.
O prior disse que voc� tem que ficar na cama.
-N�o preciso de enfermeira. -N�o est� bom da cabe�a!
Morro de t�dio.
Em vez de se lamentar, por que n�o trabalha?
Onde, aqui?
Onde quiser. A arte vem de dentro.
A verdadeira arte vem do que se v�...
n�o da imagina��o.
Seu irm�o diz que consegue ressuscitar...
-at� as naturezas mortas. -N�o � meu irm�o.
Pinte uma para mim.
Ser� a recompensa por ter lhe salvado a vida.
-Eu pinto somente figuras. -Ent�o, retrate-me.
Isso!
Malditos espanh�is! Espanh�is sacanas!
Vou mat�-los todos!
N�o consigo respirar! Malditos porcos!
-Queremos dormir! -Pare de gritar!
V� se danar!
V� se danar! Voc� e sua irm�!
O que � isso?
Eu o fiz.
Quem � a mocinha?
Um amigo.
Melhor um pederasta que um espanhol.
Como se chama?
Michelangelo Merisi...
de Caravaggio.
Bem, um lombardo. Eu tamb�m.
Onorio Longhi.
H� 70 anos que os espanh�is nos governam.
Nos mandam seus papas...
e infestam Roma com a mediocridade deles.
Olhe o que fizeram em Mil�o!
Se n�o tivesse sido o Cardeal Borromeo...
n�o teria sobrado nada.
-Uma noite destas, mato um. -E eu tamb�m.
Antes, temos de acomodar o Michele.
-Levo-o at� o Cesare d'A rpino. -O protegido do Papa Clemente?
� meu amigo. Tem uma oficina com vinte assistentes...
e precisa de mais.
Acho que gostar� de voc�.
Senhora...
D'A rpino, logo ser� cavaleiro...
e tem s� alguns anos mais que voc�.
Ele nunca conseguir� capturar a verdade da natureza.
Nunca.
Sim, mas n�o lhe diga isso.
-Ent�o, o que me diz? -S�o tempos dif�ceis.
Comida, alojamento e remunera��o...
conforme a quantidade de trabalho.
Bernardino!
Meu irm�o Bernardino.
Leve o Merisi para dentro. Vai fazer as guirlandas.
Eu prefiro fazer as figuras.
A guirlanda de Rafael �, por tradi��o, a assinatura da oficina.
Deveria se sentir honrado por trabalhar nela.
Obrigado.
Venha aqui.
Vamos embora!
-Esque�a-a. -Quem �?
-N�o tem dinheiro suficiente. -Quem �?
Fillide Melandroni, cortes� de luxo.
Tem um grupo de mo�as de primeira qualidade.
Mas por que est�o vestidas como homens?
-Por qu�? -Mas � excitante, n�o?
Sim.
O Papa proibiu as mulheres de sa�rem de noite.
Muitas prostitutas.
-E ele quem �? -Ranuccio Tommasoni.
Soldado, at� pouco tempo atr�s.
Agora vive dos clientes...
que arruma para a Fillide e suas mo�as.
Desta vez acabou bem.
Fez um bom trabalho.
� nosso dia de sorte, meus amigos.
Esse garoto tem m�os de ouro!
Olhem quem est� aqui!
O bastardo espanhol que me apunhalou pelas costas.
-Filho da puta! -Seu corno!
E eu comi sua m�e.
Sabem qual � meu prato preferido?
Espanh�is covardes fritos.
Fritos ou no espeto!
Est� louco!
Como �, deixaram de rir?
A mil�cia! Fujam, a mil�cia vem a�!
Not�vel!
Obrigado, senhor.
Foi voc� que o fez?
Sim, acabei agora.
-Ah! Bar�o Cenci! -Bom dia, cavaleiro.
Hoje est� calor aqui fora, n�o acha?
Quer entrar?
-Quem � esse aprendiz? -� um louco! Venha.
Usa as cores fortes dos v�netos.
N�o � nada mau o que faz.
Numa natureza morta se ajeita, mas...
com figuras � diferente.
Eu digo que � bom.
Tenho algo para o senhor.
L� dentro.
Desculpe, senhor!
Senhor!
Estou aqui, na carruagem!
� com voc�!
Bom dia.
Bom dia para voc�.
Uma gra�a seu chap�u.
Foi presente de um campon�s.
Bem, com um sol t�o forte, um desses vai bem.
A oficina � mais fresca. N�o quer entrar?
N�o. Meu pai n�o vai demorar.
Voc�! O bar�o n�o gosta...
que as pessoas da rua falem com a filha dele.
Volte para o seu ninho, se n�o quer que lhe quebre as asas!
Pobre Pietro! � bom homem!
� do norte, n�o �?
Sim, de uma vila perto de Mil�o.
-Qual? -Caravaggio.
-Onde mora a marquesa Sforza? -Sim! Voc� a conhece?
N�o. Mas dizem que � lind�ssima.
� isso. Lind�ssima.
Sabe que � um verdadeiro trapalh�o?
Sou pintor. Um artista.
Por que n�o desce? O dia, hoje, est� lindo.
For�a.
E isso, o que �?
Nada.
Pode me trazer um pouco de �gua, por favor?
Claro.
-Mas por que est� presa? -Por favor, n�o pergunte.
Deixei o melhor para o fim.
Estou certo que ser� do seu agrado.
-Donzelas tenras. -Assim, como Deus as fez.
Puras e c�ndidas como a neve.
-Aqui est�. -Obrigada.
Este � um dos meus trabalhos.
� maravilhoso!
Estas gotas de �gua s�o t�o perfeitas...
que parecem molhar meus dedos.
Fique com ele. � para voc�.
N�o posso. � um trabalho seu.
Farei outro. E eu fico feliz que tenha gostado.
Obrigada.
Sim, mas eu n�o consigo ver uma mo�a acorrentada.
Michele! Est�o voltando! Saia da�!
N�o sei sequer seu nome.
-Michele. Michelangelo Merisi. -Beatrice Cenci.
Agora v�! Depressa!
Abra!
Senhor! Senhora!
Pe�o desculpa pela intromiss�o.
Vim atr�s do sol desde que entrou nesta carruagem.
N�o pode! Saia daqui!
� lind�ssima! Seus olhos me enfeiti�aram!
-Como viver sem t�-los? -Levem-no daqui!
N�o posso viver sem seus olhos!
� luz do sol � muito mais linda!
-Levem-no daqui! -Lind�ssima!
Eu a adoro!
Devagar!
-Devagar. -Quem diria.
Isto � pesado!
Espere! Espere um momento.
� uma maravilha!
-De onde vem? -Da moradia de um cardeal...
que certamente n�o merece t�-lo.
O que est�o olhando? Cubram isso!
A mil�cia! Ande! V�! V�! V�!
N�o podemos deix�-lo!
-Temos que ajud�-lo! -N�o consigo me mover!
D'A rpino!
Eu o levanto.
Deem-lhe uma bebida.
-Bastardos! -Segure-o!
-N�o! -Fique deitado.
-Me deixaram sozinho. -Beba! Beba!
Engula!
Esta � uma ferida a cauterizar.
O braseiro, r�pido!
-Quieto! -Fique quieto.
Segure a perna dele.
N�o se mexa! Ponha isso na boca dele.
Abra a boca e morda com for�a.
Morda!
Assim mesmo.
� muito lindo.
E ent�o, meu caro Prosperino?
O que acha?
N�o tem, por acaso, talento?
� bonito.
Parece verdadeiro.
A pele...
a luz...
n�o vejo sequer muitas corre��es.
Talvez possa encontrar um comprador.
Sim, mas n�o este. Este � do prior.
-Pode me fazer outro. -N�o posso.
Eu te prometi. Este � do senhor.
Michele, eu disse que far� outro para mim.
-Portanto? -Qual � sua parte?
-20, de 50 escudos. -Minha nossa!
Est� bem... 10 ?
-N�o. -N�o.
Est� bem, mas n�o aceito menos de cinco.
Neg�cio fechado.
Certeza que n�o quer voltar � oficina do Arpino?
Posso falar com ele, se quiser.
Nem morto! Nunca mais quero ver esse bastardo!
E agora quero trabalhar do meu jeito. Por minha conta.
Aquele ladr�o nojento!
O que o Michele pode ainda aprender com ele?
Olhe, o Michele avan�ou muito mais, tecnicamente falando.
Talvez eu consiga achar uma sala para voc�.
� pequena. mas os mercadores importantes...
est�o todos nas redondezas, e eu moro na esquina.
Est� bom. � melhor que ficar debaixo da ponte.
Sim.
Como � escuro, aqui.
Tem umidade.
Quieto.
-Quieto! -O qu� isso?
-Quieto! -Para qu�?
Me d� suas m�os.
Feche os olhos.
Fechados.
N�o o deixe fugir! Segure-o!
Mantenha essa express�o!
N�o, n�o! Mantenha a express�o! Assim mesmo!
Segure-o um pouco mais.
N�o perca a express�o.
Ent�o, ou�a. Eu pe�o 100 escudos...
assim podemos descer at� 70.
-Sim. O que acha, Mario? -Oxal� consigamos!
Sabe o que vou fazer com a minha parte?
Vou comprar roupa nova.
-E voc�, Michele? -Eu vou lev�-los ao Turco.
Cordeiro, estufado de carneiro e vinho at� explodir.
Eu, com minha parte, vou comprar um quadro seu.
-Por qu�? -Porque um dia ser� valioso.
-Esperemos. -Eu sei.
No m�ximo, 10 escudos.
-O que est� dizendo? -O qu�?
Esse � meu pre�o. � pegar ou largar.
S� as cores custam mais que isso!
Michele, se acalme.
Meus clientes n�o compram estes motivos.
Como pode dizer isso? Nunca ningu�m fez algo assim.
Olhe o rosto! A express�o enquanto est� mordendo!
As pessoas n�o querem retratos de ilustres desconhecidos...
com uma lagartixa na m�o.
Lamento, mas n�o consigo vend�-lo.
Pretendia compr�-lo para mim.
E voc� se diz um mercador de arte?
-Deixe, eu tratar. -Mas n�o est� ouvindo?
Chega! Eu sei o que se vende em Roma!
Tenho este trabalho h� 40 anos!
N�o o venderia a este sovina nem por 600 escudos!
Michele!
-Olhem s� que bastardo! -Seu tratante!
Gosta? 50 escudos.
-Est� bem. 25. -N�o, n�o! Como, 25?
-15 . -Ent�o, 15 !
Sumam! Abro suas cabe�as! Fora daqui!
-Comprou? -Sim.
Eu n�o sou uma prostituta!
A marquesa est� chegando!
Marquesa Sforza!
-Marquesa! -Para tr�s!
-Marquesa Sforza! -Para tr�s, pedintes!
Para tr�s!
O que est� fazendo?
Disse-lhe que minha mulher quer as flores amarelas.
As margaridas n�o s�o amarelas.
N�o entendeu. Se esta noite quer comer, s�o amarelas.
Pinte-as de amarelo, que n�o comemos h� dois dias!
Ganhei outra vez!
Que sorte!
Pintor, o que h� para ver? Por que est� olhando?
Por que � bonito!
Ficou fascinado? Ficou fascinado.
-Bico sujo! -Deixe para l�! N�o responda!
Sabe o que dizem?
Que o piolho, usa a espada t�o bem quanto o pincel.
Turco, leve-lhe uma bebida. � por minha conta!
E tamb�m um prato de sopa.
-Vamos a outro jogo? -N�o quero, agora.
Vamos! Est� com medo? -Que � isso!
Deixou de perseguir o sol?
N�o.
Sabe do que me lembro, de vez em quando?
Do seu rosto...
quando apareceu dentro da carruagem.
Coma! Est� pele e ossos!
Largue isso! J� disse: largue isso!
-N�o quero caridade. -Ent�o deixe-a.
Ou fa�a um quadro para mim.
Por que n�o come, pintor?
Fa�a um esfor�o.
Coma! Ou quer ofender minha mulher?
N�o tem vontade? Est� bom.
E nem hoje vamos comer!
Nada mal, n�o �?
Tenho muita coisa bonita, D'A rpino.
-E isso? -� de um certo Michelangelo Merisi.
-Conhece-o? -Merisi?
-Sim. -Merisi?
N�o.
� um pobre coitado que passa �s vezes por aqui...
para vender seus quadros.
Espl�ndida m�o, grande t�cnica.
N�o d� sequer para notar as passadas do pincel.
-Gosta? -Gosto da moldura.
Ah! Sim?
-E quanto quer por ela? -Dois escudos.
N�o, n�o. Pode deixar a tela. Posso sempre reutiliz�-la.
Ent�o ter� que acrescentar cem escudos.
Voc� est� maluco!
Ent�o, estou como o Cardeal del Monte.
Acabou de comprar dois quadros do Merisi.
-E est� procurando por ele. -O Cardeal del Monte?
Mas mandaram-no embora de casa e n�o se sabe onde possa estar.
Bem, ent�o...
pegue sua moldura.
Quieto!
Quieto! Para n�o ser degolado como um porco.
Fique tranquilo.
N�o estou aqui para te fazer mal.
Quem � voc�?
Francesco Maria del Monte...
Cardeal da Santa Igreja Romana.
Foram seus amigos Minniti e Prosperino Orsi...
que me indicaram sua morada.
O que quer de mim?
Mas como p�de se desvalorizar tanto?
D� a ganhar aos mercadores e continua na mis�ria?
-Venha, doutor. Por aqui. -Mario...
Oh! Que est� fazendo com essa faca na m�o?
D� aqui! D� aqui!
Como se sente?
Sua Excel�ncia est� aqui.
Mandou vir o m�dico pessoal dele.
Vai ver que ficar� curado da mal�ria.
E j� te disse? Comprou dois quadros seus por 200 escudos.
E te ofereceu tamb�m alojamento no pal�cio.
O Pal�cio Firenze, entendeu?
Olhe, � a resid�ncia dos M�dici!
Agora, tem que se curar.
Vejo que vestiu a roupa que te mandei. Estou contente.
Te cai bem.
Obrigado, Emin�ncia.
N�o! N�o.
Anda sempre na rua...
com ela?
Esta...
� uma recorda��o.
Quero apresent�-lo.
Pedro de Montoya, canta no coro da Sistina...
e est� nos dando muitas satisfa��es, n�o � mesmo?
Muito honrado, Excel�ncia.
Ele, por sua vez, � Giovan Battista Marino...
um verdadeiro tratante, mas escreve poesias divinas.
-Bem vindo. -Obrigado.
Vamos ver seus aposentos?
O alfaiate vir� tomar suas medidas...
amanh� �s 10h.
O alfaiate?
Este � um dos aposentos mais frescos e mais claros.
-A luz n�o te agrada? -Ao contr�rio!
Ao contr�rio, Emin�ncia.
� perfeita.
Mas em troca desta sua generosidade...
o que terei de fazer?
Exercer o melhor poss�vel o imenso talento...
que Deus lhe concedeu. Nada mais.
Voc� tem algu�m que o estima e protege.
-E quem seria? -Eu, naturalmente.
E uma nobre senhora, cuja fam�lia...
� muita influente na sua terra, Caravaggio...
e aqui em Roma.
A marquesa Costanza Colonna?
J� lhe comuniquei...
que ficar� aqui...
no pal�cio.
E garanti que, apesar de voc� ser meio avoado...
saberei como reconduzi-lo ao caminho.
Nenhum de n�s a desiludir�, n�o �?
� claro que n�o.
E agora, comece a trabalhar.
Aguardo ansioso, suas obras.
Aquele maldito n�o faltar� para com ningu�m.
Pode estar certo.
Mas como � poss�vel cair de uma janela do castelo?
Esse n�o pretendia se suicidar.
Cenci n�o tinha a coragem nem o orgulho para o fazer.
Tanto que se suspeita que tenha sido obra da mulher e da filha, Beatrice.
A� est� seu novo protegido.
O amor conquista sempre a alma...
mas voc�s senhoras, a carne tamb�m.
-Bem vindo. -Obrigado.
Michele, queria te perguntar...
qual � o poeta que prefere, Ariosto ou Tasso?
Leonardo.
Leonardo. Mas este senhor, por sua vez, diz que a escultura...
� mais poderosa que a pintura. O que acha?
-J� viu "A �ltima Ceia"? -Ainda n�o.
A escultura n�o pode capturar a alma no rosto humano.
-A pintura, sim. -O que havia lhe dito?
Apresento-lhe Jan Bruegel.
Bruegel?
Num s�culo de carestia art�stica...
seu pai foi um raio de luz.
Fico muito honrado.
Mas est�o falando do s�culo do grande Rafael.
-Isso mesmo. -Entre Rafael e Ticiano, qual...
-Ele gosta de provocar? -Diz o que pensa.
-N�o � capaz de mentir. -Eu escolheria Giorgione.
E D�rer?
-D�rer, dizem que � um g�nio. -Sim, � verdade.
Michele! Michele!
O Marqu�s Giustiniani � o mais importante...
colecionador de arte da Europa.
Felicita��es, Merisi. O seu quadro � magn�fico!
D� vontade de jogar baralho.
Agrade�o.
O motivo � deveras original. Como surgiu a ideia?
Jogando baralho.
Portanto, reproduziu uma...
uma cena real?
N�o. Nunca no trabalho. Uso modelos.
Mas ningu�m mais os usa. Nem Zuccari, nem D'A rpino.
Para mim, tudo se torna trivial...
se n�o vier da natureza, do movimento.
-Senhores... -Mestre Zuccari...
fal�vamos justamente de voc�.
E coment�vamos a pintura de Merisi.
Ele usa modelos.
Est� � frente, Michele...
do fundador da Academia de S�o Lucas.
-J� nos conhecemos. -� mesmo?
N�o me lembro de voc�.
Inspira-se em tabernas?
Diria, mais nas Escrituras Sagradas.
Lembra-se do "Filho pr�digo"?
Continuam sendo cores de taberna.
O Pr�ncipe da Academia...
est� lhe sugerindo como melhorar no futuro.
-Voc� quem �? -Desculpem n�o os apresentei.
Giovanni Baglione, uma promessa que � j� uma realidade.
Poder� admirar o ret�bulo que ele pintou na Igreja de Jesus.
Bem...
espero que fa�a algo para mim tamb�m.
Quando ter� tempo. Sei que o cardeal o mant�m muito ocupado.
Ficarei muito honrado.
O amor, o amor
Para sempre o amor
Para sempre o amor
Para sempre o amor
Vamos?
Gosta desta? Vamos festejar?
Sim... por que n�o?
A mais bonita, esta noite.
O que � esse fedor?
De onde vem? Do esgoto?
Talvez venham daqueles bastardos a�!
Daqueles espanh�is bajuladores?
N�o! N�o com esses.
Ent�o?
Ent�o!
Belas garotas espanholas.
Olhem!
O pintor!
Limpo e bem vestido. O que aconteceu?
Mas como, n�o sabe? Agora mora no Palazzo Firenze!
Com os Cardeal del Monte e seus castrados.
Tenha cuidado, pintor...
com as festas que o Cardeal organiza!
Preciso ver voc�.
-� mesmo? -Sim.
-Fillide! -Deixe-me em paz!
Para que ele n�o acabe com voc�!
-Ou eu acabarei com ele! -Michele, v� embora.
-Fillide! -Estou at� disposto a pagar.
� ele que cobra por voc�, n�o �?
Ent�o, qual � a diferen�a entre mim e outro?
Qual � a diferen�a?
Ranuccio! Desafio-o!
-Est� me desafiando? -Sim.
Em duelo?
N�o. No "Jogo da bola" Dizem que � muito bom!
Mas se eu vencer...
vai ter que me ceder sua mulher.
Para lhe fazer o retrato, � claro.
Aceito o desafio.
Ele aceitou!
Ranuccio!
Vamos! Vamos!
Bravo! Bem!
Que energia!
O que acha? Estar� apaixonado?
Bravo! Bravo!
-Perdeu a aposta? -M� sorte. Nada mais.
Quero a minha modelo.
Leve-a. Que fique bonita. Se conseguir.
Bonita? Ficar� maravilhosa!
Ele � Caravaggio!
Caravaggio?
� esse seu nome, agora? Caravaggio.
Ser� tamb�m o pintor mais rico, muito em breve.
Ouvi que Montalto...
pagou 200 escudos por um quadro seu.
200 escudos por um quadro de Caravaggio!
Bem, se agora ele � o melhor...
quero revanche.
Desculpe.
E ent�o, como me quer?
Assim?
Ou�a, n�o tenho o dia todo � sua disposi��o!
Este. Vista isso.
E esta. Sim.
-Onde? -Onde quiser.
N�o se preocupe. N�o vou olhar.
Coloque-o voc�.
Quieta.
Quer parar?
Disse que estivesse quieta!
Onde � sua terra, Caravaggio?
Perto de Mil�o.
Eu sou de Siena.
Minha m�e me trouxe aqui com 12 anos.
Meu pai tinha morrido.
Sabe que o pre�o pago por uma jovem virgem...
pode ser o sustento de uma fam�lia inteira por um ano?
� verdade.
� verdade.
Com 13 anos me encarceraram.
As menos bonitas me invejavam.
Uma tentou esfaquear meu rosto.
Precisava de algu�m que me protegesse.
Conheci o Ranuccio.
Olhe para mim, Michele.
Por favor.
Olhe para mim, por favor.
Nunca fiz amor assim.
Foi muito bom! Um presente lindo!
Se o Ranuccio soubesse, nos mataria.
N�o, espere. Antes quero fazer outro quadro.
Estou cansada! Tenho de voltar para o Ranuccio!
O �ltimo. S� um.
N�o! N�o!
Mas jure que nunca mais faremos amor.
-Jure. -Juro.
-Jure. -Juro.
-Outra vez. -Juro.
Jura...
Calados! Todos calados!
O advogado Strozzi tem as �ltimas not�cias...
sobre a pobre Beatrice Cenci.
Pobre? Pobre, uma que � presa por parric�dio?
-Mas n�o matou o pai? -Claro. Quer dizer parric�dio.
Por que n�o disseram antes?
As testemunhas dizem que o Bar�o...
trancou Beatrice e a mulher, Lucrezia, numa torre.
� por isso que as duas mulheres...
e os filhos decidiram elimin�-lo...
com um forte veneno.
-Ent�o morreu envenenado? -N�o.
O Bar�o tinha suspeitas...
e dava a comida para a mulher provar antes de ele comer.
Ent�o tiveram de o adormecer com �pio.
Depois chamaram dois assassinos...
que o jogaram pela janela.
E a hist�ria do amante?
Foi durante a pesquisa exigida pelo Papa...
que cobi�ava as riquezas do Bar�o.
Foi preso um dos assassinos...
que confessou a conspira��o.
Disse que o outro, seu c�mplice...
era o amante de Beatrice.
Assim, a jovem devassa...
destruiu uma das fam�lias mais importantes...
do Estado Pontif�cio.
Ela s� queria viver. Por isso o fez, se o fez.
Ela o fez, sim.
O Bar�o tinha seus motivos para trancar as duas mulheres na torre.
Eram duas prostitutas.
Roma est� cheia de prostitutas.
Nem todas t�m a cabe�a cortada.
Como podia ter um amante estando trancada numa torre?
Seu pintor ficou ofendido.
Como podia, segundo voc�s?
Michele!
Aquele bar�o era uma besta!
Mantinha a filha acorrentada, como um animal.
-E era apenas uma crian�a! -Michele.
Prostituta desde crian�a.
Ele era uma besta como voc�. Vamos l� para fora n�s dois!
Vamos agora!
Michele, como ousa, em minha casa!
Estou esperando aqui fora!
Vamos ver que esp�cie de homem �!
Enlouqueceu? Deixe-o ir!
Se o Ranuccio estivesse aqui, n�o teria ousado!
Michele!
-Defenda-se! -N�o estou armado.
-D�-lhe sua espada! -D� a ele!
-N�o! -N�o!
Onorio!
Pe�o-lhe.
Por que est� rindo?
Por que est� rindo?
Michele, espere.
Larguem-me!
N�o podem! J� disse que...
J� disse que moro...
com o Cardeal del Monte!
Moro com ele no Pal�cio Firenze!
Libertem-me!
Trabalha para o Cardeal del Monte?
E ent�o?
Ent�o est� na pris�o errada.
Franc�s maldito!
Me deixou apodrecer l� dentro por tr�s dias.
Esperava que aprendesse a li��o.
Acha que n�o sei o que faz quando n�o est� aqui?
As pessoas que frequenta! Quem s�o seus amigos!
Quantas vezes lhe disse que n�o deve andar por a� armado!
Tenho de me cuidar.
Eu reparei, que n�o sabe distinguir a ral� de um Strozzi!
Mas sabe dos esfor�os que fiz...
para o trazer para fora?
Michele!
Est� em Roma?
Se n�o fosse por sua Excel�ncia...
a �nsia de o saber nesta cidade seria absolutamente insuport�vel!
N�o deve se preocupar.
Mas voc� � muito imprudente!
Tudo o que o cardeal lhe diz, � para seu bem.
� como seu eu o dissesse.
N�o se lembra da promessa que havia me feito?
N�o esqueci.
E quero agradecer por tudo o que est� fazendo por mim.
Michele, soube que introduziu...
uma prostituta no pal�cio.
� verdade. la me esquecendo.
Queria lhe fazer uma surpresa.
Santa Catarina.
Agrada-lhe?
Mas, mas... � lind�ssima!
� a prostituta de que falava antes.
Deu � santa, o rosto de uma cortes�?
Suas acusa��es n�o s�o verdadeiras!
Voc�s n�o sabem o que ele me fazia!
Meu pai me acorrentava!
Meu pai n�o me dava de comer!
Meu pai me torturava!
Meu pai tentou v�rias vezes me estuprar!
Mas eu resisti porque Deus estava comigo!
Mesmo que o homem que o representa se recuse a ouvir!
Sil�ncio! Sil�ncio!
Mas como ousa ofender Sua santidade?
� blasf�mia o que est� dizendo!
E cobi�ar as riquezas de minha fam�lia...
n�o � blasf�mia?
Tem raz�o!
Eu a vi acorrentada! Posso testemunhar!
Sil�ncio!
Sil�ncio!
Em nome de Sua Santidade Clemente VIII...
esta corte estabelece que os acusados fiquem presos...
at� ao fim do processo. Levem-nos!
As pessoas n�o aguentam mais a Inquisi��o.
Os ju�zes est�o procurando outras confiss�es.
J� pediram permiss�o para os torturar, at� as mulheres.
-At� Beatrice! -S�o nobres! � proibido tortur�-los!
Clemente est� pronto para eliminar toda a fam�lia...
para se apoderar do patrim�nio dos Cenci.
Eu a conheci, um dia.
Aquela mo�a n�o matou ningu�m.
Sim, eu sei. S�o poucos os que acreditam nas acusa��es...
mas n�o podemos fazer nada!
Nem voc�, nem eu.
Beatrice vai morrer.
Agora est� nas m�os de Deus.
De que Deus? Certamente n�o o meu!
E qual � seu Deus, Michele?
O Deus do perd�o...
e que despreza os horrores da Igreja cometidos em Seu nome!
Ou�a, Michele! Ou�a.
Essas coisas, pode diz�-las a mim...
mas que ningu�m o ou�a nunca falar assim!
Fa�a-o por mim.
Confessa?
N�o!
Dona Beatrice, em �ltima inst�ncia...
quer confessar?
V� para o inferno!
N�o rezem pelas nossas almas...
mas pela de Clemente!
Suja de sangue dos inocentes!
-N�o! N�o! -M�e!
M�e!
Deixem-me!
Deus saber� o que fazer com aquele servo do diabo!
Michele.
Michele.
Agora chega. Vamos embora.
Michele, vamos embora. Venha!
Michele!
Michele, vamos!
-Michele! -Michele!
FIM DA PRIMEIRA PARTE
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