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ALFRED HITCHCOCK APRESENTA: S�RIE I
Boa noite. N�o, n�o estou a beber no trabalho.
E tamb�m n�o bebo por prazer. Sou um provador de vinhos amador.
Um amigo suspeita que algu�m andou a mexer no seu vinho.
Claro que n�o vale a pena mandar amostras para um laborat�rio,
quando qualquergourmet de respeito consegue detectar impurezas.
Nada errado com este.
Diria que um Burgundy muito bom.
Este � um moscatel. Caseiro, suponho.
A mania de "fazer tudo em casa" nunca d� bom resultado.
Alguma subst�ncia estranha foi adicionada.
Em grande quantidade. Qualquer um t�-la-ia detectado.
Mas o qu�, exactamente?
J� percebi! Ars�nico!
Gostaria de poder beber mais. � muito bom, na verdade.
Isso, claro, se gostar de vinhos muito secos.
Enquanto observa que efeito isto possivelmente ter� sobre mim,
pode ver a dramatiza��o de um conto de Dorothy L. Sayers.
A CULPA � DA COZINHEIRA
Bom dia, Sra. Sutton.
A Sra. Montgomery n�o se sente bem hoje.
Ela nunca p�ra, � esse o problema. Se aprendesse a descansar...
Ela tem demasiada energia.
Pode levar-lhe uma ch�vena de chocolate mais tarde.
Ela perde a cabe�a, se fizer isso. � caf� ou nada.
Quais s�o os �ltimos desenvolvimentos no programa de ajuda externa?
Desculpe?
A bolsa de valores est� firme? Ou s�o os resultados das corridas?
Se n�o quer que d� uma vista de olhos no seu jornal, Sr. Montgomery...
Dar uma vista de olhos, l�-lo, memoriz�-lo...
N�o quero que o deixe assim, como embrulho de peixe!
Tenho a certeza de que as not�cias n�o mudam por causa de um vinco!
Mas o meu humor, sim!
N�o sei por que as mulheres n�o entendem
que os homens gostam dos jornais intocados.
- Aqui est� o seu chocolate quente. - N�o pense que me faz esquecer
s� por fazer o melhor chocolate a Leste do Mississipi!
Quer caril de borrego comchutney para o jantar?
Sra. Sutton, vendeu a sua alma ao diabo!
Como sabia que n�o resisto a um bom caril de borrego?
S� por ser nova aqui, n�o quer dizer que n�o sei como s�o as coisas.
- Que coisas? - Querida!
Tinha-te dito para ficares na cama hoje!
Tens de cuidar melhor de ti. N�o � verdade, Sra. Sutton?
N�o ralhes comigo hoje, querido. Fez caf�, Sra. Sutton?
- Estar� pronto num instante. - Espero n�o morrer at� l�.
Ralph, n�o te esque�as de que hoje tenho aula de teatro.
J� andas nisso outra vez?
H� uma semana que te falo nisso! Se prestasses aten��o, Ralph...
� "Summer and Smoke", e vais protagoniz�-la com o Don Welbeck.
Ser�s t�o fant�stica quanto no ano passado. N�o �?
Est�s sempre no gozo!
Santo Deus, atrasado outra vez!
Adeus, querida. Fica bem.
Diz ao Don Welbeck para n�o te virar de costas para o p�blico!
O seu marido � um bom homem.
Por isso casei com ele.
Tens a� um cotovelo agitado.
� este cotovelo que te impede de perder o comboio das 08h13.
Quais s�o os t�tulos?
Se acordasses mais cedo, lias o teu pr�prio jornal.
A Sra. Sutton chega a ele antes de mim.
O tempo que devia passar a l�-lo, passo a p�-lo em ordem.
Earl Kramer apresenta as not�cias. Crise no Governo franc�s...
Conhecidojockey suspenso... Motim em cadeia do Illinois...
A Pol�cia tem novas pistas da Sr. Andrews.
Quem � a Sra. Andrews?
� a empregada dom�stica que anda a envenenar mulheres.
Essa...
J� tem uma marca impressionante. Matou tr�s mulheres seguidas.
Coisa de amadores... ela deve ter confundido o ars�nico com sal.
Muito bem, Ralph. Se ficar com este caso, essa ser� a minha defesa.
Mas lembra-me de nunca comprar nenhum im�vel a ti.
No fundo, �s um trapaceiro, amigo.
Vamos embora, n�o queremos perder o comboio.
"Em resposta � sua pergunta sobre o pr�dio de escrit�rios na... "
- Onde ia? - "O pr�dio de escrit�rios... "
"O pr�dio Harbin... " ponha a morada...
"Informamo-lo de que o valor � de 225 mil d�lares... "
Ponto.
- Algum problema, Sr. Montgomery? - N�o, apenas uma indigest�o.
"Esta ag�ncia compromete-se a...
"... ao empr�stimo da primeira hipoteca... "
Sr. Montgomery!
N�o � nada, eu fico bem.
Deixe-me ajud�-lo. Deite-se por um instante.
Sr. Brooks!
Sr. Brooks, pode vir at� aqui? O Sr. Montgomery sente-se mal...
- Ralph, o que se passa? - Tenho uma c�ibra.
V� chamar o Dr. Griffith.
N�o � nada, � apenas uma indigest�o. Daqui a bocado passa-me.
- N�o ser� o cora��o? - O meu cora��o est� bem.
� apenas uma c�ibra.
N�o custa nada seres visto por um m�dico.
Sentir-me-ia um parvo se chamasse o m�dico por causa de m� digest�o.
Eu fico bem.
Pronto, j� estou melhor.
Est�s melhor, querido?
Estou bem. N�o est� na hora das tuas aulas de teatro?
- N�o irei, hoje. - Por minha causa?
- Claro! Vou ficar a cuidar de ti. - N�o h� nada de errado comigo!
Tu e o George Brooks tratam-me como se fosse inv�lido!
O George ligou enquanto dormias. Est� ralad�ssimo, Ralph.
Disparate! Tu sabes que o George � um exagerado.
Mesmo assim, prefiro ficar contigo.
E o que vai o Don Welbeck fazer? Ensaiar com uma cadeira?
N�o discutas com o teu marido, minha linda.
A Sra. Sutton cuidar� de mim. Vai. Tenho energia para jogar 18 buracos!
N�o te atrevas!
Est� bem... vai andando, eu fico bem. Vou trabalhar na oficina.
ARS�NICO - VENENO
Ralph? Vou sair.
Querida, compraste algum pesticida ultimamente?
Ouspray para as roseiras?
N�o. Estamos a precisar? Posso encomendar.
N�o, n�o, encontrei uma embalagem que n�o me lembro de ter comprado.
Naquelas prateleiras? Est� cheia de lixo h� anos!
Queria muito que a limpasses um dia destes.
Nem imagino as surpresas que posso encontrar l�.
E n�o deixes que o Welbeck vire as tuas costas ao p�blico.
Tonto! Eu trato do Don desta vez!
Ol�, querida. Chegaste cedo.
Esta preocupada contigo. Como est�s a sentir-te?
Como novo. Como correu o ensaio?
Correu bem. Continuas p�lido, Ralph.
- O jantar n�o deve ter ca�do bem. - Tiveste outro ataque?
N�o, n�o... tive de comer o caril da Sra. Sutton para ter alguma paz!
Estava um bocado picante para mim. Estou bem...
- Importas-te que veja o "Late Show"? - N�o, querida.
- N�o esperes por mim. - Est� bem.
Querida, estava a pensar...
A Sra. Sutton completa um m�s de casa amanh�.
A s�rio? Parece mais tempo.
Ser� que estamos inteiramente satisfeitos com ela?
N�o imagino melhor cozinheira. � um verdadeiro achado.
� uma cozinheira excelente, mas...
Pensei que gostasses dela. Ela gosta muito de ti.
N�s damo-nos bem. � s� porque...
N�o sei...
Ainda est�s amuado por causa dos vincos no jornal?
� irritante!
Ralph! N�o tens vergonha? Est�s a ficar rabugento!
Est� bem, est� bem... tens de ver isso?
N�o.
- Ele s� tem garganta... - V� e chora.
O " pato" faz as bebidas.
Ainda bem. N�o me apetece ouvir as tuas gabarolices.
- De onde saiu a primeira carta? - Do desespero, acho eu.
N�o tens o rei, pois n�o, George?
- Isso � apenas sorte... - Prefiro ter sorte a ser bom.
Hora de mostrar as cartas, senhores.
Vamos l� ver as espadas... os ouros...
Esta n�o � a minha semana.
SRA. ANDREWS AINDA A MONTE
Empregado! Onde est�o as bebidas?
A sair!
J� est�, n�o �?
- Voc�s safam-se com homic�dio! - Jogo superior.
Por falar em homic�dio, vi que ainda n�o apanharam a Sra. Andrews.
O Ralph tem uma teoria. Ele diz que os envenenamentos s�o acidentais.
Claro que s�o! A mulher � uma louca, n�o �, doutor?
Sou cl�nico, n�o psiquiatra.
N�o havia nenhum dos motivos cl�ssicos:
gan�ncia, vingan�a, motivo passional.
- Qual � a tua opini�o, doutor? - S� sei o que leio.
Mas a rapariga realmente parece desequilibrada.
As suas v�timas s�o sempre mulheres, todas jovens e bonitas.
� �ltima, envenenou-lhe o marido tamb�m,
embora n�o o tenha morto.
O que n�o percebo � porque ainda n�o a encontraram.
J� se passou um m�s!
Isto j� � um padr�o. Ela deve ter arranjado outro emprego de empregada
e est� a tentar n�o dar nas vistas.
Mas esperemos at� � pr�xima lua cheia, ou o que quer que a atice.
Quem d� as cartas?
N�o h� fotografias dela?
Sim, saiu uma no jornal na altura do �ltimo crime.
Deve ter sido no dia 4 ou 5 do m�s passado.
Vamos jogarbridge ou aos detectives amadores?
Acho que vou ficar por aqui.
Desculpem, a minha mulher n�o est� bem.
� melhor ir para casa.
Mais um partidinha!
N�o d�s ouvidos a este solteir�o, Ralph...
Tens uma mulher jovem e bonita, claro que queres voltar para casa.
N�o sabes a sorte que tens...
Mas posso terminar a minha bebida, n�o posso?
- D� lembran�as � Ethel. - Com certeza.
- Boa noite, senhores. - Boa noite, Ralph.
- Ethel? - Sim, querido?
Est�s bem?
Claro! Apenas n�o consigo adormecer, mais nada.
Vou beber chocolate. N�o queres uma ch�vena?
N�o, obrigada.
Uma bebida quente pode ajudar-te com a ins�nia.
Gostaria de saber se pode fazer um teste r�pido.
N�o posso dizer-lhe quanto tempo demorar�. O que �?
- � apenas chocolate quente. - Chocolate quente?
Sim... fez-se umas misturas, e... penso que pode estar envenenado.
Ganhar�amos tempo se me dissesse de que veneno desconfia.
- Ars�nico. - � s� um minuto.
Ent�o?
N�o acusa nada.
- Ent�o n�o tem ars�nico? - N�o dou essa certeza.
O reagente n�o acusa doses sub-letais.
Vamos ver se percebo... pode conter ars�nico,
mas n�o o suficiente para ser letal? - � uma possibilidade.
Mas, claro, � cumulativo se ingerido por um certo per�odo.
N�o sabia. Quanto tempo demora um teste completo?
N�o mais do que uma hora. Mas n�o consigo faz�-lo j�.
Por favor, fa�a-o logo que possa. Aqui est� o meu cart�o.
Agrade�o que me ligue logo que saiba.
Muito bem... Sr. Montgomery.
Ol�, querida. Queria saber como est�s.
Que bom.
Porque n�o liga a uma das tuas amigas e v�o almo�ar?
Sim, uma mudan�a de ares far-te-� bem.
Muito bem, ent�o diz � Sra. Sutton para te preparar alguma coisa.
Est� bem, adeus, querida.
Aqui est�o os jornais antigos que pediu.
POL�CIA INTENSIFICA BUSCAS POR SRA. ANDREWS
� a mulher que anda a envenenar as pessoas!
Sim, eu queria ver a cara dela.
Curiosidade m�rbida. Pensava que fosse muito mais velha.
- Imagino que seja. - O qu�?
- � uma fotografia antiga. - Porque diz isso?
Veja o chap�u grande com flores. E o vestido.
Ningu�m se veste assim hoje em dia.
- Quanto tempo tem esta fotografia? - Uns 15 anos, talvez mais.
Juntando 15 anos... 15 quilos...
Reconhece-a, Sr. Montgomery?
N�o. Pensei que j� a tinha visto, mas, claro, � um pensamento rid�culo.
Ela assusta-me. O Sr. Brooks diz que envenena mulheres jovens...
Estou?
- Sr. Montgomery? - Sim.
� tudo, para j�. Obrigado pelos jornais.
Estou? Sim, sou eu. V� directo ao assunto.
Estava envenenado?
N�o continha ars�nico em doses fatais. Mas, como lhe disse antes,
o ars�nico � cumulativo.
Diria que, se bebesse aquela quantidade todos os dias,
morreria.
Sim...
Sim? Sim, Sra. Sutton? Quero falar com a minha mulher.
- N�o � poss�vel. - Como, n�o � poss�vel?
Ela n�o est�, Sr. Montgomery. N�o sei onde foi.
Ela saiu logo depois de o senhor ter ligado.
N�o, n�o sei onde foi.
N�o me cabe a mim perguntar!
Sim, Sr. Montgomery?
Diga ao Brooks que tive de sair mais cedo.
Sente-se mal outra vez?
N�o, � a minha mulher. Receio ter-lhe acontecido alguma coisa.
Espero que n�o seja nada s�rio.
Ethel! Ethel!
- Sim, querido? - Est�s bem?
Estou! Des�o j�, estou no duche.
Sra. Sutton, quero que se v� embora.
Mas ia agora fazer o jantar!
N�o quero jantar nenhum! Nem hoje nem nunca! Est� despedida.
Por que motivo? O que fiz de mal?
Acho que sabe melhor do que ningu�m.
Mas n�o � justo! Nem sequer me deu aviso pr�vio!
Vai receber um m�s de ordenado pelo aviso pr�vio.
S� fiz o meu trabalho. N�o pode dizer que n�o cuidei bem de si!
E teria " cuidado" da minha mulher tamb�m, se n�o tivesse descoberto!
Estou a dar-lhe a oportunidade de sair, mas, depois de se ir embora,
n�o garanto que medidas posso tomar.
� a sua mulher... soube no momento em que lhe pus a vista em cima.
Conhe�o o tipo. N�o podemos confiar nelas.
Quero que saia desta casa nos pr�ximos 20 minutos.
N�o quero ficar aqui nem mais um minuto!
- Ethel? - Sim, querido?
O que fazes em casa t�o cedo? N�o te ouvi a entrar.
Querida, est�s bem?
Claro que sim. Decidi dormir a sesta em vez de sair para almo�ar.
Mas o que se passa com a Sra. Sutton?
Ela passou por mim como um furac�o!
- Despedi-a. - Despediste-a? Porqu�?
N�o estava a resultar. Ela n�o � de confian�a.
N�o percebo. O que fez ela?
Para j�, mentiu-me. Disse que tinhas sa�do para almo�ar,
e, afinal, estiveste sempre em casa. - Deve ter entendido mal.
Disse-lhe para n�o fazer o almo�o porque iria sair.
Depois, mudei de ideias. Querido, andas muito nervoso!
Pois estou. Ando com os nervos � flor da pele.
� aquela mulher. Mal posso esperar que se v� embora.
Mas � dif�cil encontrar uma boa empregada.
N�o, mas ela vai sair. O quanto antes, melhor.
SRA. ANDREWS PRESA EM QUEENS
Estou de sa�da.
Lamento, Sra. Sutton. Por favor, acredite em mim.
Tenho andado muito nervoso.
- Pode pagar-me, por favor? - Claro.
Quero pedir-lhe desculpa. Talvez possa considerar continuar c�.
N�o fico onde n�o me querem.
Mas foi um mal entendido. Pensei que fosse...
Agora que falei com a minha mulher, sei que esteve sempre em casa.
Esteve? N�o me cabe a mim dizer-lhe o que se passar nas suas costas.
Como assim, Sra. Sutton?
A sua mulher e aquele jovem amigo com quem entra na pe�a.
Quando me obrigam a mentir por eles... n�o � para isso que c� estou.
Adeus.
Welbeck...
Ethel? Ethel?
Querido, o que � que se passa? Est�s doente outra vez?
N�o, n�o estou doente.
Querido, tens de resolver o teu problema de nervos.
Fiz-te uma boa ch�vena de chocolate quente.
Vai acalmar-te.
Foi um belo toque feminino, n�o acham?
� o tipo de hist�ria que nos atinge... c� dentro.
Sobre a minha prova de vinhos...
Estava completamente enganado sobre a marca Z.
V�o gostar de saber que n�o havia nada de errado com ele.
Nada foi adicionado. Na verdade, n�o era vinho.
Eraspray para mosquitos. O ars�nico entra na sua composi��o.
Aparentemente, os mosquitos gostam dospray muito seco.
Na pr�xima semana, � mesma hora, voltarei a invadir as vossas salas...
...desde que a televis�o esteja inteira. Boa noite.
Tradu��o e Legendagem Maria Carvalho / CRISTBET, Lda.
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