All language subtitles for Lake.Mungo.2009.1080p.BluRay.x264-OFT

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Original subtitles

Sinto como... algo horr�vel acontecer� comigo.

Como se algo ruim tivesse acontecido.

Ainda n�o me atingiu, mas est� perto.

N�o sei por que � importante, mas ajuda as pessoas

a lidarem com suas perdas, inventando hist�rias de fantasmas.

Alice tinha segredos.

Ela guardou em segredo o fato, de ter segredos.

� dif�cil para alguns entenderem, mas...

voc� deve achar algum culpado, sen�o, n�o ter� mais em que se apoiar.

Em Dezembro de 2005 um tr�gico acidente desencadeou...

uma s�rie de eventos extraordin�rios, o que levou uma fam�lia em luto...

e a cidade vitoriana de Ararat,

a se tornarem o centro das aten��es da m�dia.

Este filme � um document�rio desses eventos.

- Emerg�ncia da Pol�cia. - Minha filha Alice sumiu indo para...

LIGA��O DE JUNE PARA A POL�CIA 21 DE DEZEMBRO DE 2005

Voc� sabe onde...

HELLSUBS apresenta: Lake Mungo

Tradu��o: Nininha, Naty e Moicano Revis�o: Guga-Asa

A imagem tranquila que Ararat sempre reserva foi abalada ontem,

com o desaparecimento de Alice Palmer, de 16 anos

durante um piquenique com sua fam�lia.

Recebemos uma liga��o �s 18h sobre uma garota desaparecida,

e ao saber da natureza da situa��o, chamamos os mergulhadores.

Os mergulhadores entraram na �gua por volta das 22h, junto com volunt�rios

em uma busca sem sucesso...

Matt e Ali foram nadar na represa, no meio do dia.

Eu conseguia v�-los, de onde estava, na �rea de piquenique.

Acho que fiquei na �gua por 15 minutos,

disse que ia sair, pois estava com frio.

Ent�o nadei de volta, e como ela n�o veio, achei que queria ficar por l�.

Eu me lembro de Matt saindo,

e alguns minutos depois, o ouvi perguntando por Alice.

Ent�o me levantei e olhei para a represa,

e a �gua estava calma.

Ent�o chamei por Alice.

Eu procurei pela �gua, tentando encontr�-la,

e os garotos, procuraram...

pela mata ao redor.

Eu me lembro de ver a toalha de Alice, ela a deixou no ch�o.

Ela com certeza n�o tinha sa�do, porque teria pego sua toalha.

Ent�o, essa foi a �ltima vez que a vi.

A pol�cia ainda lamenta por Alice Palmer de 16 anos,

que desapareceu durante um piquenique com a sua fam�lia.

- Os mergulhadores... - Nos disseram para voltar para casa...

e que se os mergulhadores achassem algo, nos diriam imediatamente.

Me senti estranha no carro, a caminho de casa, pois havia um lugar vago.

Uma hora ela estava l� e na outra...

se foi.

Ficamos aquela noite com os Palmers,

na verdade, esperando por not�cias.

Por not�cias ruins, essa era a expectativa.

Recebemos a liga��o de Russell, do celular, �s 21h.

Ele disse que houve um acidente na represa,

e que Alice desapareceu.

Ent�o, achamos melhor irmos at� l�.

Eu lembro que June se sentiu estranha com...

Iris estando l�, algo estranho entre elas.

Me senti estranha, tendo minha m�e l�...

Eu e minha m�e l�, por Alice.

N�o parecia certo, a ordem certa.

Foi uma noite terr�vel.

A pior noite de nossas vidas.

Eu fui ao quarto de Alice naquela noite,

seu telefone tocou algumas vezes, mas eu...

eu n�o atendi.

Eu lembro que a cama estava arrumada.

Eu lembro, que pensei em como tudo estava t�o perfeito.

Recebi um telefone da m�e de Alice, June.

Ela disse que...

Alice estava desaparecida, que provavelmente se afogou e...

eu n�o, eu acreditei nela, mas...

N�o sei, � dif�cil aceitar, ent�o...

eu liguei para o celular de Alice.

� dif�cil dizer, esperava que fosse brincadeira.

Foi, um verdadeiro choque,

n�o parecia real.

Tudo estava como sempre, mas todos dizendo que Alice se afogou.

Algumas lembran�as daquela noite que se sobressaem?

Lembro, que deixamos a luz da varanda acessa,

esperando, no caso de...

E por que isso?

No caso dela voltar para casa, eu acho.

Os mergulhadores acharam o corpo de Alice �s 21h25m.

Usaram um sonar para localiz�-la.

Ela se afogou e...

foi sugada para o sistema de coleta de �guas pluviais.

E, imediatamente, ligamos pra sua fam�lia.

Assim que fomos avisados que acharam seu corpo,

June e eu fomos � represa. Georgie fez companhia a Matt.

Foi tudo muito oficial e formal, pediram que assinasse a identifica��o.

June permaneceu no carro.

E pensando bem, acho que foi um erro, pois

ela nunca conseguiu encarar esse fato.

Eu n�o consegui ir e reconhecer o corpo de Alice.

Ela ficou submersa tanto tempo,

e eu n�o queria lembrar dela desse jeito.

Acho que era minha responsabilidade, como seu pai, sabe...

� o que um pai faz.

O carro quebrou na represa.

A �nica marcha que funcionava era a r�.

Ent�o voltamos de r�, at� a cidade.

Era isso, ou voltar a p�, e dado ao momento,

era a �nica op��o.

A aut�psia foi feita na segunda, dia 27.

O legista liberou o corpo na ter�a, dia 28.

Foi muito estranho passar o Natal com a fam�lia,

tendo Alice no necrot�rio.

N�o sei, parecia que n�o a via por uma semana.

N�o parecia real.

A morte nos leva tudo, no final das contas.

� a coisa mais rid�cula que h�, continuar� sendo, n�o importa.

N�o h� mais nada a saber sobre ela.

� um dia de luto para a fam�lia e amigos de Alice Palmer,

que prestam a �ltima homenagem a uma garota que morreu muito jovem.

Era uma pessoa maravilhosa, popular, esperta, am�vel,

n�o sei...

Alice � lembrada como uma garota feliz, ador�vel,

com grande vitalidade descrita, como sempre...

Os Palmers foram realmente fortes naquele momento,

se pensarmos no quanto isso foi ruim para eles at� ent�o...

fica dif�cil de imaginar qu�o pior se tornaria.

Dez dias depois do funeral de Alice, em 15 de Janeiro,

coisas estranhas come�aram a acontecer na casa.

Barulhos no telhado, e...

sons que vinham das janelas...

e outros sons, que pareciam vir do quarto de Alice.

Ent�o, realinhamos a porta do quarto de Alice,

e chamamos uma dedetizadora, para procurar por insetos.

E nada adiantou,

a porta continuou a bater, e continuamos a ouvir sons estranhos no quarto.

Tinha algo estranho com a casa.

Tive uma sensa��o estranha,

n�o consigo explicar o qu�,

mas � s� entrar, que voc� tem uma sensa��o ruim.

Comecei a ter pesadelos,

o que me trouxe muito estresse.

�s vezes n�o queria abrir os olhos.

Estava acordada, mas n�o queria abrir os olhos.

Tinha um, que era bem real, e repetitivo.

Alice vinha pelo corredor, ainda molhada da represa.

e ficava parada ao p� da cama, olhando para n�s.

Era t�o assustador, que n�o queria abrir os olhos.

Em meados de Fevereiro, os pesadelos pioraram,

que sa�a para caminhar � noite, �s vezes por 3 horas,

s� para n�o dormir � noite, e fechar meus olhos.

�s vezes ia para a casa de outras pessoas.

Achava que n�o estava fazendo nada de errado.

Acho, que queria partilhar da vida de outras pessoas por um tempo.

Georgie, voc� se lembra como Russell estava, na �poca?

Russell estava trabalhando muito,

acho que isso ajudava a lidar com a perda.

Russell e eu nos conhecemos no projeto Gibsland Castman, em 98.

Trabalhamos junto no projeto.

- Ent�o se conhecem h� alguns anos? - Sim, h� muitos anos.

Lembra-se como ele estava quando Alice morreu, houve alguma mudan�a?

Ele trabalhou normalmente,

foi muito dif�cil, n�o sabia o que dizer a ele, sobre isso.

Voc� n�o falava sobre isso?

Na verdade n�o, todos sentem de um jeito,

e n�o era eu que deveria dizer-lhe como se sentir.

Mas, com certeza estava preocupado.

Eu, realmente estava grato de ter meu trabalho,

me senti muito culpado por isso na �poca,

mas, precisava suportar tudo isso.

E uma noite, em Fevereiro,

cheguei tarde do trabalho, e estava sentado na cozinha,

e ouvi um som vindo do quarto de Ali.

Ent�o, fui ao quarto de Ali n�o sei bem por que,

pensei em sentar na poltrona em frente ao closet,

talvez, porque estava muito cansado,

ent�o, Ali entrou, foi at� a sua mesa, apontou um l�pis,

e parecia que estava vendo as mensagens do seu celular.

Fiquei assustado.

Ela estava completamente alheia � minha presen�a.

E a�, n�o sei o que aconteceu, devo ter mexido na cama,

movido os p�s, ou algo, e ela ficou parada,

e ent�o percebi, que ela sabia que eu estava l�.

Ent�o, ela se virou lentamente, me olhou nos olhos,

completamente presente, parecia... parecia uma eternidade.

Ent�o ela veio at� mim, e disse: saia, saia.

E eu apenas sa� o mais r�pido poss�vel.

Eu ouvi Russell chorando, ele estava na cozinha, Mathew e eu o achamos aqui.

Ele estava choramingando, totalmente inconsol�vel.

Voc� acreditou em Russell, quando ele disse que viu um fantasma?

Sim, acreditei, acho que ele viu o que viu,

ele n�o � do tipo que inventa coisas.

Ent�o acredito que ele viu algo.

Se era um fantasma, ou n�o, isso eu n�o sei.

Mas, tenho certeza, que ele viu algo.

Lembro que conversei com os membros da igreja,

para que ajudassem June e os Palmers.

Mas eles achavam que n�o havia mais nada a fazer...

mas, em parte era porque eles n�o eram praticantes.

E eles n�o tinham como confort�-los.

Eu nem sei em que June acredita.

Me preocupava mesmo com o Mathew.

Acho que � porque eles eram t�o pr�ximos.

Estava preocupada em como ele iria superar isso.

Lembro que ele passava muito tempo sozinho.

Fiquei preocupada com ele.

Mathew apareceu com alguns machucados estranhos pelo corpo.

Eram estranhos em termos de localiza��o e profundidade.

Obviamente, olhamos...

seu hist�rico para excluir traumas, mas n�o havia nada.

N�s o examinamos para achar inflama��es, e exclu�mos qualquer intoxica��o.

N�o pudemos concluir nada,

e ap�s algumas semanas, os machucados desapareceram espontaneamente.

E nunca pudemos estabelecer uma causa para eles.

Eu sou Steve Wilkie, o melhor amigo de Mathew.

Geralmente vou a sua casa umas duas, ou tr�s vezes na semana.

Come�amos uma banda, e geralmente tocamos na minha casa.

Mathew est� muito calado, mas ele sempre foi muito calado,

ent�o, n�o me parece haver nada errado.

Eu ouvi falar de June indo � casa de outros.

Mathew nunca falou sobre isso e eu tamb�m nunca perguntei.

Matthew nunca foi muito interessado em fotografia,

e na �poca, parecia estar mais aficionado.

Mathew veio at� a mim, muito interessado em aprender sobre fotografia,

ent�o, fiquei feliz em poder ensinar, � o que fa�o.

Ele me questionou sobre tudo,

desde equipamento, t�cnicas, exposi��o.

Ele levava jeito, ent�o o contratei.

Mathew, voc� pode me dizer algo sobre as fotos do quintal que voc� tirou?

Sim, na verdade tenho fotografado a mesma coisa,

com a mesma composi��o, durante quatro anos.

� s� uma foto do quintal com as colinas ao longe,

� um projeto que comecei, quando voltamos para c�.

E o que havia de diferente na foto, no dia 28 de Abril?

Bem, era a mesma foto,

mas...

parecia que Alice estava encostada, na cerca.

Voc� lembra qual foi a rea��o em casa, na �poca?

N�o vou dizer que o ambiente estava bom, mas...

estava melhor do que antes.

Era algo, como...

como se isso tivesse nos dado algo para nos focarmos.

As fotos foram tiradas no dia 3 de Abril, e a revelamos no dia 4,

e eu as vi no dia 5, eu acho.

Vi a represa, o n�vel da �gua, e fiquei satisfeito mas...

havia algo l� atr�s que minha esposa percebeu.

Tinha algo no fundo, foi quando ela apareceu.

Quando vi a foto pela primeira vez, n�o sabia o que procurar.

A imagem era bastante perturbadora, porque realmente se parecia com Alice.

Era uma foto muito perturbadora,

e fiquei convencida que Alice ainda estava viva.

Eu n�o tinha uma explica��o racional para o que havia nessas fotos.

Mas eu sabia algo sobre Alice que June n�o sabia.

Eu vi o corpo de Alice.

N�o achava que ela estava viva.

Sabia que n�o.

Eu fiquei convencida que Russel cometeu um erro.

Ele mesmo disse que o corpo se parecia com o de qualquer um.

June estava certa que eu tinha cometido um erro, e comecei a duvidar disso.

Talvez j� tivesse certeza...

que era o corpo de Alice, mesmo antes de v�-la.

As circunst�ncias eram t�o convincentes,

que decidi que era mesmo ela.

Depois de tr�s meses do funeral de Alice Palmer, em Ararat,

seus pais pediram que seu corpo fosse exumado,

do cemit�rio municipal.

Os Palmers tinham d�vidas quanto a veracidade da identifica��o do corpo.

June e Russell Palmer pediram por um exame de DNA.

Eles n�o tinham mais certeza que o corpo identificado era mesmo de Alice.

O corpo de Alice foi exumado, na presen�a do agente funer�rio,

Dr. Slatter e um representante legista.

Ent�o, foi levado para o hospital de Ararat,

onde tiraram amostras do DNA.

E ela ficou l�, at� os resultados sa�rem.

Alguns dias depois, recebemos a c�pia do relat�rio preliminar do legista,

e a identifica��o de Alice foi confirmada pelo DNA.

S� mesmo depois da identifica��o, do corpo de Alice

que percebi como acreditava que podia n�o ser ela.

N�o sei dizer como queria que fosse um erro terr�vel,

mesmo sendo meu.

Queria muito, que fosse outra crian�a na represa,

uma fugitiva, uma v�tima de assassinato,

a filha de qualquer outro, desde que n�o fosse a minha.

Desde que n�o fosse Alice.

Alice foi enterrada, tr�s dias depois em 7 de Junho.

Mas as perguntas continuavam, quem ou o qu�, aparecia nas fotos.

- Bem, eu continuei a ouvir coisas... - O que voc� ouvia?

Eu ainda ouvia sons. Sons estranhos pelo corredor.

Ent�o preparei a c�mera, para ver se...

se via alguma coisa.

Cena do V�deo do Mathew 13 de Junho de 2006

Na primeira noite...

olhei a grava��o e havia algu�m,

se movendo, do quarto...

para a porta, no corredor.

Voc� est� ouvindo a r�dio Boyd, s�o 20h02m.

Sou Helen Bath e estamos aqui com...

Temos Margie na linha, certo?

Ol� Margie, como est�? Em que podemos ajud�-la?.

Foi nessa �poca, que resolvi procurar Ray, para conselhos.

Sempre ouvi Ray no r�dio, durante anos.

As opini�es sempre foram divididas, alguns acreditavam,

outros nem tanto.

- Temos Annie na linha. - Ol� Annie, como est�?

- N�o t�o bem Ray, obrigada por atender, - Sem problemas, em que posso ajudar?

Gostaria de um conselho comum.

Comum, e n�o m�dico?

Sou de origem h�ngara, meus pais vieram para c� quando era novo.

Tenho uma filha de 15 anos que mora com a m�e, no sul da Austr�lia.

Meu nome de batismo � Zsolt, mas mudei para Ray.

Acho que � um nome mais confi�vel para um m�dium.

O m�dium mais procurado da Austr�lia.

O que fa�o � lidar com os doentes,

ou os que est�o para morrer, � 1/3 dos pacientes.

Eles n�o se conformam que a morte � simplesmente o fim,

que � o grande final. E � o consolo, que fico feliz em lhes dar,

considerando que o que acontece ap�s a morte, acontecer� de qualquer jeito.

Tem algu�m, pr�ximo, que j� n�o v� h� algum tempo.

Algu�m que voltar� para sua vida, algu�m que lhe trar� conforto.

- Algu�m parecido? - Sim, consigo pensar em algu�m assim.

Olhe, n�o quero que veja problemas,

acredito que essa pessoa que est� voltando para voc�

far� muitas diferen�as, e ser� de grande apoio para voc�.

Obrigada Ray.

Tchau, Annie.

De onde venho, quando algu�m morre, cobrimos os espelhos da casa,

para que os mortos n�o consigam voltar.

Coisas assim, n�o fazem diferen�a.

Ol� Annie, eu sou Ray.

Est� bem?

Voc� n�o vai morrer Annie.

� apenas o in�cio de algo novo.

Obrigada.

Gostei do Ray imediatamente. Ele n�o � o que eu esperava,

n�o sei o que eu realmente esperava...

mas n�o tinha nada de assustador ou falso nele.

Voc� est� pronta?

Normalmente gravo minhas sess�es,

assim elas podem ser revistas pelos clientes.

Especialmente as que t�m transes ou hipnoses envolvidos.

Tenho uma c�pia para mim e uma c�pia para eles.

Melhor prevenir do que remediar.

Voc� est� fora da sua casa. Me diga o que voc� v�.

Minha casa � uma casa branca.

Estou do lado da porta da frente.

Quero que voc� v� para dentro da casa, andando calmamente por ela.

Quero que voc� descreva o que v�.

E me diga onde voc� est�. Me d� uma ideia de onde est�.

Certo... eu ando pelo corredor, em dire��o ao quarto de Alice.

O que voc� v�?

Vejo os sapatos da Alice fora do quarto.

E o que isso lhe diz, June?

Ela sempre deixava seus sapatos fora do quarto.

Ent�o, quero que voc� v� at� o quarto dela, agora.

Abra a porta e v� para dentro.

Voc� se sente segura suficiente para entrar no quarto da Alice.

Abra a porta.

Estou entrando no quarto dela.

Voc� est� vendo algo, n�o est�?

Me diga o que voc� v�, June.

Alice esta sentada na cadeira no final da sua cama.

Ela parece triste.

Conheci Ray na noite que June o trouxe para jantar

depois da sua primeira consulta.

Eu era completamente indiferente a mediunidade. N�o tinha uma posi��o certa.

N�o queria participar muito do jantar. Mas n�o queria deixar June chateada.

Ele foi gentil, nem um pouco assustador e eu me comportei muito bem.

Uns dias depois, talvez uma semana,

sugeri � fam�lia, fazer uma sess�o esp�rita.

June queria muito, mas me lembro que Russell se recusou.

Acho que Mathew o fez mudar de ideia.

Mathew, como voc� se sentiu em fazer uma sess�o esp�rita na sua casa?

Na �poca, estava interessado...

um pouco curioso. Meu pai n�o estava gostando da ideia.

Mas achei que seria interessante.

E eu sugeri que nos film�ssemos...

e eu filmei com a minha c�mera, uma PT9.

Sinto uma estranha presen�a na casa...

Eu acho que todos n�s pens�vamos que a sess�o era v�lida.

Ray realmente n�o conseguiu nada, nenhum sinal ou nada.

Ent�o, depois de uma hora resolvemos parar.

At� o dia seguinte...

quando Mathew estava revendo a filmagem...

e tinha uma imagem da Alice.

Essa filmagem era completamente diferente das outras filmagens.

Primeiro, era muito mais detalhada e por isso menos amb�gua.

E era imposs�vel considerar aquilo...

uma coincid�ncia, um jogo de sombras, interfer�ncia digital...

Havia algo inexplic�vel em nossa casa. Sem d�vidas.

Eu estava preocupado.

Esse era um territ�rio novo para mim...

mas j� tinha visto isso antes.

Ray pediu para o Mathew instalar 3 c�meras dentro da casa...

e configur�-las para gravar 24 horas por dia.

Havia muita especula��o sobre Ray e o que ele estava fazendo l�.

Claro que em tudo o que as pessoas n�o sabem gira muito falat�rio e especula��o.

Ouvi rumores em Julho, de grava��es de v�deos,

que eram de "opera��es" de dentro da casa.

Mas eu mesma era c�tica quanto � legitimidade.

- E sua ideia quanto a Ray? - Tamb�m muito c�tica.

Achavam que eu era um tipo de m�stico,

que hipnotizava os Palmers para roubar dinheiro,

inventando qualquer coisa sobre a Alice.

Mathew, particularmente, parecia se esfor�ar muito.

Achava que eu podia ajudar esse jovem, estando presente.

Mas minha maior motiva��o era profissional.

Havia algo acontecendo dentro da casa e eu queria descobrir o que era.

Qual foi sua rea��o a essa imagens?

Me deixaram completamente chocado.

Mas antes que tiv�ssemos tempo para saber o que significavam,

esse v�deo apareceu.

- � boa? - Sim, � �tima.

Posso ver?

Cathy e Doug Withers estavam na reserva...

no mesmo dia que a foto do Bob Smeet foi tirada.

Foram uns meses depois, no final de Julho,

quando est�vamos...

vendo a grava��o daquele dia...

e meio que atravessou...

uma figura na parte de tr�s que identificamos como Bob Smeet.

O que foi interessante porque foi no mesmo dia que ele estava l�...

quando ele capturou a imagem que todo mundo estava falando.

Ent�o, come�amos a olhar toda a filmagem

para ver se t�nhamos pego a figura tamb�m.

Talvez nossa c�mera tenha visto a mesma figura que a dele viu.

E a gente achou uma figura no fundo,

como a imagem que ele tinha descrito.

E n�s olhamos mais de perto e Doug aumentou o zoom.

Eu a aumentei no computador e...

vimos o que parecia com uma mulher � dist�ncia.

Mais de perto podemos ver que n�o � mulher e nem Alice.

Era o Mathew.

- Voc�s acreditam em fantasmas? - N�o... n�o...

Aqui era onde eu estava quando a foto do Bob Smeet foi tirada.

Estava vestindo o casaco da Alice...

e vi um cara em cima do morro que no final era Bob Smeet.

E eu n�o queria estar na foto.

Ent�o, andei por entre os arbustos.

Eu n�o vi o casal que estava ali filmando, que eram os Withers.

Quando isso veio � tona, meu pai veio at� a mim e...

perguntou se eu estava envolvido nas outras coisas.

E eu n�o mentiria para ele. Ent�o, contei tudo.

Expliquei para meu pai que eu era o respons�vel

pela imagem da Alice no corredor e no quarto.

E que criei a foto de 28 de abril com uma foto de Alice.

Contei a ele como que eu fiz.

Peguei duas fotos, uma da Alice e uma do quintal...

e sobrepus as imagens.

Essa � a foto que tinha da Alice.

Minha m�e sempre falou em exumar o corpo da Alice.

Ela sempre teve essa ideia que meu pai n�o identificou o corpo corretamente.

E eu sabia que com mais evid�ncias isso n�o iria acontecer. Ent�o eu...

fiz a foto.

Usei um v�deo antigo da Alice.

E coloquei para passar com a TV na estante...

e estava simplesmente refletindo no espelho.

E o reflexo apareceu no espelho, que era menor.

Ent�o, cortei as beiradas da TV e foi isso que filmei.

Mesma coisa na cozinha e no quarto.

Ent�o, basicamente o que voc� v� � o reflexo da imagem da TV no espelho.

N�o fiz isso para enganar as pessoas.

Pensei que alguma coisa era melhor do que nada.

Voc� acha que o que fez foi pior para June?

Acho que...

sim, provavelmente foi mais duro para ela,

mas essa n�o era a minha inten��o.

N�o estou certa sobre as raz�es dele.

Eu n�o sei se eu...

totalmente...

N�o quero dizer que n�o acredito totalmente no que ele diz...

mas n�o estou convencida...

de que ele realmente saiba por que fez isso.

Quando tudo apareceu, pessoas queriam a hist�ria em livros, revistas,

em todos os lugares.

N�s n�o sab�amos como lidar com isso.

T�nhamos que proteger Matt, proteger n�s mesmos, a mem�ria de Alice.

N�o t�nhamos experi�ncia em lidar

com esse tipo de interesse, em coisas t�o pessoais

e que eles queriam tornar incrivelmente p�blico.

Os Palmers n�o estavam muito bem nesse momento.

Acho que foi muito ruim, muito dif�cil.

Esse foi o fim da esperan�a, para todos n�s, especialmente para June.

Ela n�o estava pronta para deixar Alice ir.

Ela queria se segurar nela um pouco mais.

E n�o acho que ela admitiria, mas ela estava devastada.

Ela era uma garota interessante. Parecia n�o se dar t�o bem com June.

Acho isso um tanto quanto errado.

Era interessante o fato das duas n�o se darem t�o bem.

Elas sempre foram muito semelhantes e voc� poderia ver que Alice puxou...

puxou muito a June, mas...

outras coisas ficaram claras depois da morte da Alice,

como a vontade de privacidade que as duas dividiam.

June sempre guardou muita coisa para si mesma...

e parecia claro que isso acontecia com Alice tamb�m.

Elas tinham um sentido de privacidade,

um sentido de que possu�am a pr�pria vida particular delas que...

que elas escolhiam dividir ou n�o dividir, eu acho.

� maravilhoso quando uma crian�a vem e voc� tem novas experi�ncias,

mas voc� sempre tem d�vidas se est�...

fazendo o suficiente ou a coisa certa.

E eu fui cega, achando que isso vinha de mim.

Talvez viesse da minha m�e.

Nunca fui capaz de...

nunca fui capaz de me dar inteiramente...

para June.

Acho que June � um pouco assim tamb�m.

Ela n�o p�de se dar inteiramente para Alice.

Espero que Alice saiba o quanto eu a amava.

Acho que eu recuei um pouco quando ela cresceu.

Essa seria a coisa mais triste. Se ela n�o soubesse.

Ray sugeriu que Mathew acompanhasse ele

em umas das suas viagens,

enquanto fazia algumas consultas e achamos que seria bom para ele.

Acho que me dei conta, quando estava longe, de quanto sentia falta da Alice.

E de que nunca poderei falar com ela de novo.

Acredito que � isso o que os clientes do Ray procuram.

Eles querem falar com algu�m ou fazer contato

com algu�m que perderam, assim como eu.

Ent�o, eu realmente era um cliente do Ray.

Ser� que te acerto? Vamos ver o que acontece.

O que voc� acha que vai acontecer? Vai me acertar,

e vou ficar com raiva. Isso que ir� acontecer. N�o!

Cuidado.

- O que est� fazendo no meu quarto? - N�o sei.

Quando Ray e eu viajamos, deixamos as 2 c�meras alugadas no corredor.

Eu estava certo que ainda havia algo na casa.

E, obviamente, como ficamos 3 dias longe, n�o pudemos mudar as fitas,

ent�o poder�amos fazer 1 dia e meio de filmagens,

mas n�s as deixamos correndo e voltamos em 22 de agosto.

E nesse ponto n�s checamos as fitas.

Somente Russell e eu est�vamos em casa quando essas imagens foram gravadas.

Matthew n�o podia ter nada a ver com elas.

Elas pareciam provar que tinha um fantasma na nossa casa.

O fantasma de Alice.

Voc� acredita em fantasmas?

N�o acreditava, mas...

� dif�cil comprovar ou n�o.

Eu acho... �, �s vezes acho que eles podem existir.

Tem fantasmas em todos os lugares. � um mundo assustador.

N�o sei como pode ser importante para as pessoas

lidar com as suas perdas inventando hist�rias sobre fantasmas ou outra coisa.

Estava na d�vida sobre tudo. Ent�o, revi todas as filmagens que vieram antes,

todo material feito na casa, envolvendo a morte da Alice.

Ent�o quando estava revendo o material de Alice no corredor feito por Matthew,

notei algo na imagem.

Tinha uma segunda pessoa. N�o era Mathew no corredor, mas outra pessoa...

que estava no escuro, no quarto da Alice.

No come�o achei que era Alice,

mas ent�o percebi que era nosso vizinho, Brett Toohey.

O Cofre de Alice Setembro de 2006

O que esse homem estava fazendo na minha casa, no quarto da minha filha,

depois de 6 meses da sua morte?

Quando descobri o cofre da Alice, sabia exatamente por que ele esteve ali.

Ele estava procurando pela fita.

� isso.

O V�deo dos Toohey

- Eles s�o os nossos �nicos amigos. - � nos domingos.

Eram t�o, t�o... N�o foram dias maravilhosos?

Sim.

- �, foram dias legais. - Sim, foram.

Voc�s trouxeram alguma coisa para mim?

Alice come�ou a trabalhar de bab� para os Toohey em 2002.

E ela continuou durante os 2 anos e meio seguintes.

Os filhos deles tinham 5 e 9 anos de idade.

Eu, literalmente, n�o podia acreditar nos meus olhos.

Me fez sentir t�o triste.

Para mim, os Tooheys foram c�mplices na morte de Alice.

Acho que se ela n�o estivesse com eles, ela viria direto a n�s,

e ela n�o sentiria culpa.

Ela n�o sentiria o peso desse segredo.

Ela n�o ficaria isolada.

O que voc� sente pelo Brett agora?

Se ele estivesse na esquina, provavelmente estrangularia ele.

Ele parecia ser um cara legal. Sabe?

Ele era legal.

Sempre conversava com a gente. N�o era carente nem nada disso.

Ele tinha uma piscina e costum�vamos nadar l� no ver�o.

Ent�o, costum�vamos ir at� l� para nadar.

Fiquei realmente chocada com o que aconteceu.

� dif�cil de imaginar, porque...

- n�o tinha a menor id�ia que Alice... - Estivesse vendo algu�m...

Ficamos surpresas porque n�o esper�vamos que ela fizesse algo assim.

Por que voc� acha que Alice tinha essa fita?

Porque ela n�o queria que eles tivessem.

- E por qu�? - N�o confiava mais neles, eu acho.

Deviam estar bem desesperados para ter essa fita.

Desde o momento que eles ouviram sobre a morte de Alice,

viviam nesse medo constante de que algu�m descobrisse.

Estou contente que ele n�o encontrou. Contente de ele saber que n�o acabou.

Eu tive uma estreita rela��o pessoal com os Palmers durante esse tempo,

pois fiz parte da equipe de investiga��o que tentou localizar...

Brett, Marissa Toohey e sua fam�lia.

Inicialmente, fomos a uma cidade onde eles seriam encontrados...

e acusados mas infelizmente as pistas foram acabando.

E a investiga��o parou.

A pol�cia nos disse que mesmo que os Tooheys fossem pegos,

eles ficariam livres da senten�a, alegando que o sexo foi consentido,

sustentado pelas evid�ncias vistas no v�deo.

Jason voc� sabe alguma coisa sobre o relacionamento entre Alice e Brett?

N�o. N�o sabia.

Claro que n�o. N�o estar�amos saindo juntos se eu soubesse.

Pensei que estiv�ssemos muito bem.

Deixou tantas quest�es n�o respondidas.

Por que ela estava envolvida com ele? Quando o relacionamento come�ou?

Ela estava apaixonada?

Simplesmente n�o sabemos.

Os Tooheys venderam sua casa e se mudaram 6 meses ap�s a morte de Alice.

Alice mantinha segredos.

Ela mantinha o fato de manter segredos em segredo.

Isso muda o jeito de se olhar para algu�m, eu acho.

Quando voc� descobre que ela esconde coisas de voc�.

Acho que eu conhecia uma Alice e sua m�e conhecia outra,

e que, talvez, tinha outra que ningu�m conhecia. Talvez.

Achei o cart�o de Ray colado no di�rio dela

na p�gina com a data 12 de julho de 2005.

- Por que veio me ver, Alice? - Voc� interpreta sonhos?

�s vezes. Como se sente quando acorda depois desses sonhos?

Eles me assustam um pouco.

Alice veio me ver 5 meses antes de morrer.

Ela disse que me ouviu na r�dio algumas vezes e resolveu marcar uma consulta.

Respire fundo e feche seus olhos.

Quero que voc� se imagine do lado de fora da sua casa.

Quando estiver visualizando me avise.

- Pronto? - Sim.

Agora quero que v� para a porta da frente, entre na casa.

Me diga o que voc� v� e onde voc� est�.

Ray, por que voc� n�o disse a June que tinha conhecido Alice antes?

Eu n�o queria esconder nada dela,

mas precisava atender ao pedido de Alice em manter o encontro em sigilo.

Maldito se fizer, maldito se n�o fizer.

A sala � bem em frente e se vira � direita,

e meu quarto � na parte de tr�s da casa diante da cozinha.

Voc� v� uma coisa diferente, anormal?

N�o.

N�o, n�s n�o poder�amos confiar mais no Ray.

Por alguma raz�o ele...

manteve essa informa��o para ele mesmo mas senti como trai��o.

Queria ajudar June e a fam�lia e acho que eles queriam que eu ajudasse eles.

N�o poderia fazer isso se eles soubessem.

Eles ficaram ressentidos. Mathew nem falava comigo.

Acho que o que machucou mais foi que

n�o percebi a morte de Alice vindo.

Olhando para tr�s, � meio estranho...

algu�m t�o pr�ximo de n�s, como ele foi.

Acho que talvez ele precisasse de n�s assim como precisamos dele.

Alice veio me ver porque ela estava brava.

Ela era uma pessoa com problemas.

Tive um sonho ontem � noite.

Estava com frio e molhada. Me senti pesada como se estivesse drogada.

E quando eu acordei as sensa��es n�o foram embora.

Estava me sentindo doente e confusa, e comecei a ficar com medo.

Precisava ver minha m�e para falar com ela.

Fui para seu quarto e enquanto fiquei em p� olhando para eles...

fui tomada por essa tristeza intensa.

E a tristeza se transformou em medo. Fiquei l�, paralisada pelo medo.

E me dei conta de que n�o tinha nada que eles podiam fazer por mim.

Nunca me senti t�o sozinha.

Tudo parecia t�o errado... Meu corpo,

o modo como as coisas pareciam. Ent�o me dei conta

que havia algo de errado comigo.

Comecei a chorar em p�, ao lado da cama.

O Lago Mungo est� a sudoeste de New South Wales,

e � o local do acampamento da escola que Alice foi...

de 2 a 5 de agosto de 2005.

Quando ela voltou para casa disse que tinha se divertido.

Eu me lembro bem porque ela chegou em casa sem seu celular

que t�nhamos comprado meses antes e sua pulseira e rel�gio favoritos.

E exceto isso, ela n�o falou muito a respeito.

Kim s� falou disso um ano depois do acampamento.

Que tinha gravado no celular.

Por que decidiu contar para June?

Se n�o cont�ssemos para June, pareceria que est�vamos escondendo algo, ent�o...

n�o sei por que...

n�o sei por que mas...

por que n�o?

Jason nos contou sobre a filmagem que as garotas fizeram no lago Mungo.

As garotas pareciam t�o...

felizes e ela parecia t�o perdida.

Fiquei preocupada e convencida de que algo havia acontecido com ela.

As fotos da Kate no seu celular, foram tiradas depois,

quando as garotas haviam se separado.

Havia uma imagem da Alice, muito dif�cil de identificar,

na parte inferior da foto, ajoelhada debaixo de uma �rvore.

S� depois de ver repetidamente o filme, entendemos o que ela estava fazendo.

Ela enterrou alguma coisa.

Voc� sabe o que Alice pode ter feito naquela noite?

N�o, eu sabia que ela perdeu o celular...

sabia que ela estava brava.

Pois isso era bem �bvio. Mas n�o sabia o real motivo de ela estar brava.

Ela n�o disse que eles viram algo, ela n�o me disse nada mesmo.

Eu n�o levei isso muito a s�rio naquela hora.

Estava convencida que est�vamos nos divertindo

e do nada ela ficou chateada.

Come�ou inocentemente, Alice deixou o grupo

e andou por a� sozinha.

Mas era �bvio que alguma coisa estava angustiando ela.

E est�vamos tentando descobrir o que era.

Lago Mungo Fevereiro de 2007

Entendemos pelo telefone, que ela havia enterrado algo.

N�o t�nhamos ideia onde era a �rvore, por causa da qualidade ruim do v�deo.

N�o fomos durante o dia, porque

n�o quer�amos ir onde os turistas estavam.

Ent�o decidimos ir � noite.

June e eu come�amos a cavar, e...

depois de um tempo ela encontrou algo,

e colocou em um saco pl�stico.

E naquele saco pl�stico estava a pulseira da Alice,

o anel, o rel�gio e o celular.

Suas coisas mais preciosas, enterradas aqui em um acampamento escolar.

E n�o sab�amos por que ela fez aquilo.

Sab�amos pelo v�deo que ela enterrou algo mas n�o o que era.

Sem bateria.

Grava��o do Celular de Alice Lago Mungo, 05 de Agosto de 2005

Tem medo de morrer?

Sim, claro que tenho medo de morrer.

Quem n�o tem medo de morrer?

Gostaria de me dizer o que acontece naqueles sonhos?

Sinto como se algo ruim fosse acontecer comigo.

Sinto como se algo ruim j� tivesse acontecido.

Ainda n�o me atingiu, mas est� vindo.

E est� mais perto.

E eu n�o estou pronta, parece que n�o posso fazer nada.

Num certo ponto essa figura veio das trevas at� ela.

Eu reconheci aquele rosto assim que vi o v�deo.

Era o mesmo rosto do corpo que eu identifiquei naquele dia.

Era o corpo da Alice e o rosto da Alice.

N�o existe absolutamente nenhuma explica��o racional,

para o que ela viu naquela fazenda.

Estou convencida que a Alice sabia que iria morrer.

Estou convencida disso.

Acho que aquela foto no Lago Mungo foi um mau press�gio para ela.

O enterro de suas coisas foi simb�lico, foi um ritual.

N�o estava convencido que Alice acreditava que iria morrer.

Ela tinha pensamentos m�rbidos, claro, mas quem n�o tem?

Ela tinha pesadelos que a deixavam perturbada e a fizeram consultar Ray.

N�o sei se algu�m pode estar convencido de que ir� morrer.

E quanto �s imagens do Lago Mungo, como Alice poderia explic�-las?

Como ela poderia explic�-las?

Eu acho que Ali viu um fantasma.

Mas ela n�o notou que era ela mesma.

Acredito que ela filmou um fantasma.

Acredito que ela filmou o futuro que iria lhe acontecer.

Descobrimos sobre os Tooheys,

Ray e o que aconteceu no Lago Mungo.

E quando voltamos para casa...

a casa parecia diferente, estava tranquila.

Eu acho que Alice queria que n�s soub�ssemos mais sobre ela.

Ela queria que soub�ssemos quem ela realmente era.

Antes dela poder partir.

Nas semanas e meses depois do Lago Mungo, voltamos a...

nos sentir como uma fam�lia novamente.

Era dif�cil mas era o melhor a fazer...

e apesar de tudo �ramos uma fam�lia.

- Bom te ver. - Voc� tamb�m, entre.

Ray ligou de repente e disse que passaria na cidade...

e perguntou se haveria algum problema se ele viesse nos visitar.

Seis meses se passaram e...

dadas as circunst�ncias, achei que isso n�o poderia fazer mal algum.

Todos sentimos que, depois do Lago Mungo,

era melhor estarmos o mais pr�ximo poss�vel das pessoas.

Para o Ray era diferente, ele tinha o pr�prio jeito de encontrar a paz.

Achei estranho, Alice foi retirada t�o abruptamente,

e n�o pudemos ajud�-la, nem tivemos uma chance.

Acho que coletivamente tomamos a decis�o de continuar.

E a mudan�a era parte disso, a decis�o de mudar.

Ser� dif�cil deixar a casa.

�s vezes eu simplesmente esque�o que...

ela... ela n�o voltar�.

Eu esque�o.

�ltima Consulta de June com Ray

Feche os olhos.

Agora imagine voc� voltando para a casa.

Consegue ver?

Entre na casa.

Estou indo at� a porta da frente.

E...

Caminho pelo corredor at� o quarto da Alice.

Algu�m est� l�.

Acho que algu�m estava correndo pelo corredor.

A porta est� aberta.

Sabe quem �?

Voc� quer entrar?

O que voc� v�?

� a minha m�e.

O que ela disse?

N�o est� dizendo nada.

Acho que ela n�o sabe que eu estou l�.

Alice n�o est� aqui.

Ela n�o est� aqui.

O que mais est� acontecendo?

- Fale com ela, ela falou com voc�? - Ela est� indo agora.

Ela saiu do quarto.

Ela se foi.

Abra os olhos.

Ela est� indo agora.

Ela est� saindo do quarto.

Ela se foi.

HELLSUBS: Subs from the Hell

Tradu��o: Nininha, Naty e Moicano Revis�o: Guga-Asa

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