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Original subtitles

TRECHO DO DI�RIO DE CHRISTINE CHUBBUCK, QUANDO ELA TINHA 15 ANOS DE IDADE:

"Eu sonho em me tornar uma dama muito elegante..."

"uma dona de casa... M�e e amiga..."

"de todos que conhe�o."

"Mas o que quer que eu fa�a, devo atingir meu objetivo..."

"Porque se h� algo que deixa um gosto amargo na minha boca..."

"� o fracasso."

"Em Sarasota, Florida, hoje uma apresentadora de talk show de 29 anos..."

"deu um tiro na pr�pria cabe�a, ao vivo na TV."

"A mulher, Christine Chubbuck, foi levada ao hospital em estado grave..."

"A senhorita Chubbuck escrevia e estrelava o programa..."

"Suncoast Digest, no canal WXLT-TV".

Christine disse: 'mantendo-se fiel � pol�tica do canal de exibir sangue e v�sceras...'

"voc�s ver�o agora outra exclusividade:uma tentativa de suic�dio."

"Depois, ela tirou uma arma de sua mesa e atirou em si mesma."

"A tela ficou preta imediatamente e outros programas foram exibidos na sequ�ncia."

"Entre os conflitos que afligem os EUA hoje, um diz respeito �..."

"moralidade e a facilidade da nova moralidade..."

sincronia e tradu��o: diasdecinefilia facebook.com/diasdecinefilia

KATE PLAYS CHRISTINE (Kate Interpreta Christine, de Robert Greene)

Apreciem, enquanto nossa hist�ria se desenrola...

- Devo dizer meu nome de novo? - Claro.

Meu nome � Kate e estou fazendo teste para interpretar uma pessoa festeira.

- O nome dela � Anita. - � Anita!

- Faz tanto tempo que eu n�o piso numa festa... - Isso a�! Arrasa Kate.

Eu sempre quis ser uma atriz, eu acho, desde que eu tinha uns 9 anos...

Eu sempre me senti ignorada pelas pessoas quando eu era crian�a...

porque eu era muito t�mida pra oferecer bastante de mim.

Voc� est� me enlouquecendo.

Atuar se tornou essa plataforma para que eu fosse vista.

Eu desisti algumas vezes, mas eu continuei voltando.

Eu n�o consigo parar, acho que � um tipo de compuls�o a essa altura.

Eu me preocupo se esse impulso � prejudicial pra mim.

Esta manh�, a �ncora de um jornal�stico em Sarasota, na Fl�rida...

atirou em si mesma enquanto o programa estava no ar.

A fam�lia de Chubbuck diz que ela estava deprimida

e falou constantemente em suic�dio no �ltimo fim de semana.

Pra come�ar, vamos recriar o look que a gente tem dela.

Eu gosto da escala desse, parece estar bem na forma dela.

�, vamos tentar.

Eu acho que talvez os ombros sejam mais largos,

�, as pessoas costumavam destacar a postura dos ombros dela.

- N�o est� ruim.

- N�o, n�o � ruim... S� mais um.

Eu n�o sei quando voc� vai filmar isso.

Para ser justo, eu acho que o contexto em que a gente se acostumou a v�-la...

ela estava no �mbito profissional.

- Certo.

A primeira rea��o que eu tive foi de "eu TENHO que ver o v�deo dela."

E depois "eu n�o quero ver esse v�deo"...

E a� me contaram que eu nunca ia poder ver, o que me fez querer ver ainda mais.

Eu tenho alguns amigos em Sarasota e tipo... nenhum deles sabe sobre ela.

Isso � fascinante pra mim.

Eu sei que n�s n�o temos imagens o suficiente dela pra ter certeza...

mas ela parecia acostumada a usar cal�as,

ela adotou um estilo mais masculino...

Ent�o usar um vestido... no dia da morte... foi um ato muito intencional.

"Ela era bronzeada, seu cabelo que ia at� a cintura estava brilhando..."

"e seu longo vestido preto e branco complementava sua silhueta magra."

Sabe, como figurinista eu tenho que escolher, �s vezes, as roupas com que as pessoas morrem...

mas eu n�o paro pra pensar nas roupas que as pessoas...

- escolheram pra morrer? - Isso. Que elas escolheram para morrer.

Oi, pai. Como vai?

Ah, n�o... Eu vou para Sarasota amanh�, trabalhar em um filme.

�.

� um filme sobre Christine Chubbuck.

�, eu sei, a do "sangue e v�sceras na TV".

Sim, o filme Rede de Intrigas foi baseado na hist�ria dela.

�, mas o curioso � que o roteiro de Rede de Intrigas...

transformou uma mulher depressiva em um homem zangado.

Pois �, eu sei que ela tinha frustra��es por ser uma mulher na televis�o...

ent�o ver um homem fazendo esse filme � meio esquisito...

mas a minha responsabilidade como atriz � represent�-la de alguma forma.

Eles querem fazer a hist�ria com o estilo de um novel�o, sabe?

O que � bem intrigante pra mim.

Especialmente porque n�o � algo que me pedem o tempo todo.

Estudo de personagem.

Se eu for chamada de 'sutil' mais uma vez pela cr�tica...

eu acho que eu vou enlouquecer.

Mas eu acho que vai ser dif�cil encontrar o tom certo...

porque ela � uma pessoa real.

Mas eu acho que consigo.

O que me interessou primeiro nela era algo bem superficial...

Ela � a primeira pessoa a se matar na TV e isso � um marco.

Mas a hist�ria toda parece ter sido esquecida.

Quero dizer, em termos de material dispon�vel...

Tem pouca coisa, � bem frustrante, sabe, � bem triste.

Ent�o eu tive que ler o m�ximo poss�vel sobre Christine em particular...

mas tamb�m tentar entender...

o que se passa na mente de algu�m que se mata.

Oi! Meu nome � Kate, eu sou uma atriz, me preparando...

para fazer um filme sobre Christine Chubbuck, jornalista do canal 40 nos anos 70...

Eu sei que o canal 40 se fundiu � ABC, mas voc� teria alguma imagem dela nos arquivos?

Sim, eu j� vi o que tem dispon�vel na internet.

Interessante, eu j� ouvi essa hist�ria, mas sem saber se era uma lenda urbana...

e mesmo vivendo em Sarasota por 10 anos nunca me toquei que isso aconteceu aqui

ent�o eu fiquei chocado com o seu artigo, vou ficar feliz em te ajudar.

APRESENTADORA DE TALK SHOW MORRE AP�S ATIRAR EM SI MESMA NA TV

PERSONALIDADE DE TV EM SARASOTA ATIRA NELA PR�PRIA AO VIVO

Ent�o esse � o artigo original do Washington Post, escrito por Sally Quinn:

"Christine Chubbuck, 29: Bonita, graduada, personalidade da TV. Morta. Ao vivo e a cores."

"Christine Chubbuck afastou o longo cabelo escuro de seu rosto, engoliu seco..."

"mexeu os l�bios apenas levemente e levantou a m�o esquerda para virar a p�gina no script."

"Olhando para baixo na mesa de �ncora, come�ou a ler:"

"Mantendo-me fiel � pol�tica do canal 40 de trazer as novidades em mat�ria de..."

"ela se afastou do script, olhou direto para a c�mera e esbo�ou um sorriso."

Ent�o ela sorriu?

"Sua voz assumiu um tom sarc�stico quando ela enfatizou..."

"em mat�ria de... 'sangue e v�sceras' ao vivo e a cores."

"Ela olhou novamente para o script e sua m�o se movimentou quase impercept�vel."

Impercept�vel, n�o tinha visto essa palavra da primeira vez.

Achei que era percept�vel.

"Seu bra�o direito se enrijeceu."

"Christine disse: 'te trazemos mais uma exclusividade'."

"Sua voz era firme. Ela olhou para a c�mera."

"Seus olhos eram escuros, diretos e desafiadores."

"Christine disse: 'uma tentativa de suic�dio'"

"Sua m�o direita surgiu debaixo da mesa de �ncora."

"Nela, um rev�lver 38."

"Ela apontou para a parte inferior da nuca e apertou o gatilho."

"Um estouro foi ouvido."

"Uma nuvem de fuma�a saiu da arma e seu cabelo parecia arrasado por um vento."

"Sua boca contorceu-se para baixo. A cabe�a sacudiu."

"Ent�o seu corpo caiu para tr�s e lentamente saiu de vista."

"Na mesa, depois que Christine foi levada para o hospital..."

"o script de um boletim foi encontrado, encharcado em sangue..."

"era a pr�pria hist�ria do suic�dio dela, escrita � m�o."

Ok, ent�o ela mesma digitou a not�cia que ela ia anunciar...

e digitou o que ela queria que eles lessem depois que ela saisse.

"A nota dizia que Christine foi enviada para o hospital em estado grave."

"Christine faria 30 anos em agosto e ainda era virgem. Isso a incomodava profundamente."

Se voc� ler no jornal, a m�e da Christine dizia que ela se suicidou... porque sentia que sua vida pessoal n�o era o bastante.

"Existia uma melodia assustadora em Christine', disse a senhora Chubbuck."

"Era como se a vida dela funcionasse diferente das outras pessoas."

"No ver�o passado, ela teve um ov�rio removido."

"O m�dico disse que ela tinha 2 anos no m�ximo, para engravidar."

E � claro que ela n�o tinha nenhuma perspectiva disso.

Ela flertou por um ano com George Peter Ryan, um jovem...

alto, bonit�o, loiro que trabalhava como rep�rter na TV local.

George, o "George garanh�o" para seus amigos...

era divorciado e tinha alguns problemas pessoais.

Chris desenvolveu uma paixonite por ele e, na verdade, disse a uma amiga...

que ele era a pessoa perfeita para resolver todos os problemas dela.

Ela foi at� George no anivers�rio dele de 30 anos com um bolo...

e mais tarde, em uma festa da imprensa, insinuou para ele que estava solteira.

Ele a rejeitou.

Ela dizia, 'eu estou aqui, n�o s� em Sarasota, mas nesse mundo...'

Ela cometeu um ato repulsivo em p�blico...

um que reverberou ao redor do mundo e fdz as pessoas pensarem no porqu�.

Oi, posso falar com o senhor Lahurd, por favor?

Desculpa, estou ligando porque achei o seu n�mero na internet...

Eu pensei que como o mais proeminente historiador de Sarasota, talvez...

Eu estou aqui pesquisando pra um papel.

- Oi, ol�. - Prazer em conhecer.

-Voc� acha que as pessoas ainda falam sobre Christine Chubbuck?

N�o falam jamais.

- N�o? - N�o.

Ela � a defini��o de que passa um tempo e as pessoas esquecem das coisas.

As pessoas esquecem qualquer coisa.

Eu realmente amo hist�ria, amo a hist�ria de Sarasota em particular...

mas eu me lembro do que algu�m me disse uma vez.

"Voc� morre duas vezes. A primeira � quando seu corpo morre."

"A segunda � quando citam seu nome pela �ltima vez."

Oi, Monica, aqui � Kate. Peguei seu contato com Jeff Lahurd.

Estou pesquisando sobre Christine Chubbuck, que era jornalista daqui nos anos 70...

e n�s ouvimos que ela costumava frequentar o Crescent Club...

e eu queria saber se voc� tem alguma mem�ria dela.

S�rio? N�o conhecia Christine? Obrigada.

- Voc� j� veio a esse bar antes? - 35 anos atr�s.

Meu Deus... Eu te juro...

que se esse bar estiver de p� em 30 anos, eu volto aqui. Te juro.

SUIC�DIO

Como saber se voc� � um suicida em potencial?

Se baseando nas estat�sticas, podemos afirmar que...

o suic�dio est� entre as dez maiores causas de morte entre adultos.

Eu tenho muito medo do suic�dio.

Quando eu come�o a pensar nisso, me assusta.

Quando eu tento me colocar no lugar de algu�m que pensa nessa possibilidade...

me deixa muito apavorada.

A VIDA � MELHOR NO VER�O.

- Oi. - Oi! Voc� j� est� pronta, vamos.

Eu te mostro como usar a cama.

- Eu aperto o bot�o depois que deitar. - Isso.

- E depois de fechar. - A� est� pronto. Isso.

- Desculpa, eu sou t�o p�lida. - N�o se preocupe.

- � por isso que as pessoas vem aqui. - Isso vai te dar um trabalh�o.

- �, vamos um passo de cada vez. - Trabalharemos juntas.

Voc� pega isso, coloca debaixo do seu pesco�o e segura essa parte.

- A quanto tempo voc� faz perucas? - Tempo demais.

- Tempo demais? - Eu consegui a licen�a em 1963.

Relaxe, vamos come�ar.

Desculpa.

- Voc� quer se ver com a peruca? - Quero.

Se mantenha nessa posi��o.

Voc� vai ter dois clipes de cada lado, para segurar a peruca.

Eles v�o seguir o contorno do seu cabelo.

Essa parte na frente, essa atr�s...

Ela � t�o sombria.

Tem uma apar�ncia triste, � devastadora.

Voc� � mais bonita que ela.

- Meu Deus... � gentileza sua. - Eu falo de cora��o.

Se voc� se sentisse no fundo do po�o, seria t�o triste... Como se o mundo caisse em cima de voc�.

Eu n�o sei se conseguiria ser triste assim.

Aos 29 anos e n�o ter amigos nem namorado...

Quer dizer, eu n�o tinha namorado aos 29...

Coloca dentro da peruca pra voc� saber onde deixou.

Tente pensar em algo m�rbido para se parecer com ela.

Eu acho que n�o vai ser f�cil pra voc�.

Eu acho que tenho que ser grata pelo meu marido...

Tenho que ser grata por n�o ter motivos para chorar.

Ent�o, a quanto tempo voc� trabalha aqui?

De acordo com os calend�rios, eu estou aqui a 40 anos...

eu entrei no Sarasota Journal em junho de 1974 como estagi�rio.

- Um m�s e meio antes do suic�dio... - Isso.

Qual � a sua mem�ria daquele dia?

A palavra se espalhou como um grande inc�ndio...

ela n�o foi tweetada ou compartilhada, eram telefonemas, 'ei voc� viu o canal 40?'...

e as pessoas nos restaurantes traziam o assunto � tona, � moda antiga.

Eu me lembro das pessoas comentando "oh, talvez ela tenha problemas com namorado"

mas ela sofria muita press�o pra dar certo numa emissora que tava s� come�ando.

Eu a achava meio tensa, sabe?

Eu me lembro dela sendo imponente de um jeito que voc� n�o �, voc� � tranquila...

E � apresent�vel, ela era mais durona.

Ela parecia durona pra mim.

Ent�o se voc� quer fazer esse papel...

eu te recomendo que pense em algum ressentimento...

algo pessoal, e canalize essa intensidade.

N�o h� nada pl�cido sobre Christine, sabe? Ela provou isso.

O fato de que ela pediu para que o programa fosse gravado em fita naquele dia...

indica premedita��o.

Ela estava armando alguma coisa.

Que haveria uma v�tima e as coisas seriam ruins pra essa v�tima.

Eu sou atraida por intepretar...

papeis de mulheres � beira de um ataque de nervos...

mas eu me interessava por elas porque sentia raiva...

e hoje eu sinto uma enorme responsabilidade em n�o fetichizar a doen�a de algu�m.

Eu quero mostrar respeito por Christine e ter empatia por ela, o que j� tenho...

mas n�o quero sexualizar ou glorificar...

o fato de que algu�m tirou sua vida, porque � triste.

E � muito dif�cil, porque eu nunca vi uma fita dela.

� dif�cil de medir quando eu nunca nem ouvi sua voz.

N�o sei como ela se movimenta.

Eu tenho que adivinhar como ela era.

Bom dia... Desculpe, boa tarde.

J� s�o duas horas...

Vamos l�, em 3, 2, 1...

Boa tarde, � mais um dia quente na costa e mais um dia para ficar de olho na...

- Oi, eu sou Kate. - Kate, sou John Hill.

- Prazer em conhecer e bem vinda a Sarasota, Fl�rida.

- Voc� � o �ncora aqui na SNN?

Sim, eu estive aqui na SNN, uma companhia de 24h na TV a cabo...

que meio que compete com a CNN, ou quase... com not�cias locais. � o que fa�o.

Estive aqui por 10 anos. E estive no Canal 40 por 10 anos antes disso.

Oi, eu sou o Tony. Engenheiro chefe na WSNN...

que antes era o Canal 40, onde aconteceu tudo isso.

Voc� tem alguma lembran�a de Christine Chubbuck?

Eu s� ouvi hist�rias, n�o tenho nenhum insight de Christine ou o que ela fazia, mas...

quando as coisas d�o errado na emissora...

n�s dizemos que "o fantasma da Christine est� agindo de novo".

- Jura? - �, a culpa cai na Christine.

Eu tive alguns amigos engenheiros que diziam que enquanto trabalhavam...

e �s vezes podiam sentir um vento frio vindo de tr�s...

ou ouviam vozes no fundo quando o est�dio estava vazio.

Quando eu ouvi que Christine morreu naquela tarde...

eu achei um desperd�cio de tempo, um desperd�cio de uma boa bala...

e um desperd�cio das pessoas que continuaram a falar sobre isso.

Porque n�o ajudou em nada.

N�o a ajudou com sua depress�o.

N�o ajudou em nada para as outras mulheres tentando essa profiss�o.

N�o ajudou em nada, s� propagou uma mensagem sensacionalista esquecida...

por que quem lembra das manchetes de ontem?

� bem raro algu�m falar sobre isso na cidade... porque � algo que a maioria das pessoas nem viu.

Eu ouvi que existe a fita, alguns dizem que est� nas m�os da ABC...

existe um cofre na sala de controles, mas eu n�o sei se existe uma fita l�.

Quando eu estava na WWSP, as pessoas afirmavam que a fita existe.

Eu nunca soube pessoalmente, pra mim � rumor, mas eu ouvi que ela existe.

Basicamente, esse novo pr�dio nem menciona o antigo...

Eu comecei a trabalhar aqui quando vieram para esse pr�dio em 2000...

O outro pr�dio ainda existe na Clark Road, acho que � um est�dio de dan�a agora.

- � ali onde est�o as pessoas? - Aham.

Eles venderam a esta��o em 1900 e pouco e foram pro centro com a ABC.

Depois teve uma r�dio aqui, depois fecharam e a� ficou dispon�vel por anos e anos...

ent�o recentemente algu�m comprou e criou essa empresa no lugar.

Eu estou tentando encontrar uma fita de Christine Chubbuck...

N�o, n�o a fita do suic�dio, mas qualquer coisa que voc� tenha dela.

Claro.

Eu vou � Bullet Home... que � o novo endere�o da empresa...

onde a Christine comprou a arma.

Eu me sinto frustrada em quantas pessoas t�m opini�es sobre ela...

e poucas pessoas lembram a hist�ria dela.

Ningu�m tem um insight em particular.

As pessoas continuam tendo opini�es sobre o que ela devia sentir.

Sei l�, � um tiro no escuro.

- Oi, eu sou Kate, como vai? - Ol�, no que posso ajudar?

Eu queria te fazer umas perguntas.

A quanto tempo voc� est� aqui?

Nesse local, 2 anos e uma semana.

A loja esteve na rua principal por 67 anos.

Existem hist�rias sobre n�s nas revistas.

- Olha voc� aqui! - Eu mesmo.

Eu recomendaria a voc� como iniciante... um rev�lver.

O rev�lver � a arma mais segura que voc� pode ter. Aponte e atire.

Um dos mais populares � esse...

Voc� se importa se eu perguntar...

como era o processo de comprar uma arma... nos anos 70?

At� anos atr�s era apenas um formul�rio com nome, endere�o, telefone...

o porque da compra e o n�mero da sua identidade.

A� voc� respondia perguntas como as que est�o aqui, de 'sim' ou 'n�o'.

Se voc� responder o sim ou n�o errado, eu n�o vendo a arma.

Acho que voc� vai gostar dessa. Sempre olhe a frente dela.

Ent�o, se uma pessoa tiver um hist�rico de instabilidade mental...

naquela �poca ele seria checado?

N�o, eles n�o checavam precedentes naquela �poca e n�o teria como saber.

Seria uma situa��o complicada.

Era como ir a uma feira de armas, voc� olha a arma, pega e ningu�m te conhece.

N�o teria como eles saberem, voc� podia ser a pessoa mais louca do mundo...

e entrasse como voc� entrou, pedindo uma arma...

eu n�o sou graduado em psicologia, ent�o n�o consigo ler o que seus olhos dizem...

se voc� est� aparentemente bem e respondeu bem as perguntas,

voc� tem o direito de comprar essa arma.

Sabe, o que eu estou pesquisando especificamente...

� sobre uma jornalista que vivia aqui nos anos 70, Christine Chubbuck.

- Qual o nome? - Christine Chubbuck.

- N�o a conheci. - Ela era uma rep�rter que se suicidou ao vivo em 1974.

Isso � bem antes de eu vir pra c� em 82.

Aparentemente, ela entrou numa loja dessa empresa e comprou a arma.

- Ela o que? - Foi onde ela comprou a arma... para se matar.

- Na Bullet Home? - Isso, na Bullet Home.

�, est� aberta desde 1947.

Mesmo que eu fa�a tudo ao meu alcance...

eu me sinto mal pela vida perdida mas n�o me sinto respons�vel por isso.

O que mais posso fazer por voc� hoje?

- Oi. - Oi, como posso te ajudar hoje?

Eu estou procurando por uma arma pequena.

Uma arma.. Certo...

Alguma experi�ncia em tiro?

- N�o, n�o... - Imaginei.

- Estou aprendendo. - Eu te recomendaria um rev�lver.

� simples e � a arma mais segura que se pode ter...

Obrigada.

- Qual o motivo da compra? Ca�a? Prote��o do lar? - Prote��o dom�stica.

Parece boa.

Houve um aumento do n�mero de vendas para mulheres nessa regi�o.

- S�rio? - �, mulheres come�aram a comprar mais.

- Meu Deus... - Oi, desculpa... Tudo bem.

Voc� estava t�o parada que eu achei que era um manequim.

Desculpa te assustar.

Seu microfone t� ligado?

- Ai meu Deus... ela � t�o fofa. - Ela � incr�vel.

Ela � incr�vel.

Ela est� fazendo o papel.

- E de onde voc� �? - Nova York.

- � quente, super quente.

- � que n�s estamos fazendo um filme...

Ela est� interpretando, Kate interpreta Christine.

-- Eu j� to me acabando, tenho 33. - Eu tenho 31.

31? Ningu�m vai te querer com 31.

Eles j� n�o querem.

Eu tamb�m sou.

N�s entendemos, entendemos.

Calma, querida. Calma.

- Bom disparo. - Obrigada.

Foi muito bom.

- Voc� realmente foi bem. - Obrigada.

- Alguma pergunta? - Ah, n�o... Nenhuma por agora.

- Foi bem espont�neo. - Obrigada.

Esse � um trecho da autobiografia que ela escreveu aos 15 anos:

"Eu espero me tornar uma mo�a elegante, uma m�e, boa amiga para todos os meus contatos..."

"mas o que quer que eu tente, que eu consiga..."

"porque se tem algo que deixa um gosto amargo na minha boca � o fracasso."

Eu nunca quis ser dona de casa.

Eu nunca quis crian�as at� recentemente.

No colegial, ela come�ou um clube chamado As Maravilhas sem Namorados...

eu nunca namorei algu�m at� meus 21 anos.

Porra! Ah...

A parte do artigo do Post que a descreve como "masculinizada"...

me parece uma coisa dos anos 70, mas eu tamb�m j� fui comparada...

por ter atributos masculinos.

Ela s� queria um relacionamento, qualquer relacionamento...

independente da forma que os homens a tratassem.

Eu me lembro de ter dito algo assim, quando jovem, a uma amiga...

em um cinema, eu me lembro bem disso.

O jeito que eu faria essa cena, como atriz...

seria sentar numa mesa e internalizar esses sentimentos,

em vez de verbaliz�-los pra voc� como um mon�logo.

At� que eu fizesse esse exterior, maquiagem, figurino, ficar o mais natural poss�vel...

porque eu sinto que estou fazendo cosplay.

E isso � muito desconfort�vel.

- Oi. - Oi, como vai?

Voc� tem algum motivo especial para essa consulta?

Eu estou procurando lentes de contato, estou tentando ter olhos castanhos ou algo assim.

- Perfeito. - Obrigada.

Eu me lembro de um cara mais velho me falando de quando eles n�o tinham nem r�dio...

se tempestades estivessem a caminho, eles viam esses p�ssaros se aglomerando no ar,

ent�o deve ser o que est�o fazendo agora.

Porque, naturalmente, � o que eles fazem.

Eles pegam essa mudan�a no ar e tiram vantagem disso.

Se tem uma tempestade chegando, eles usam a for�a dela para viajar. Eles pegam essa mudan�a no ar e tiram vantagem disso.

Se tem uma tempestade chegando, eles usam a for�a dela para viajar.

Olhe para cima... Perfeito.

- Est� bom? - �, muito bom. Parece natural.

Perfeito, nem parece que voc� tinha olhos azuis.

Me sinto bem estranha.

Isso � bom.

Ent�o essa � a sua primeira vez usando spray de bronzeamento?

Voc� vai gostar. � frio e � barulhento.

- Desculpa por isso. - Tudo bem!

O outro lado.

Ol�, eu sou Christine Chubbuck, sejam bem vindos ao Suncoast Digest.

Hoje n�s vamos conversar com Melissa Malloy, da loja Creative Joy.

- Obrigada por estar aqui conosco. - O prazer � todo meu.

- Pode me falar um pouco do seu neg�cio? - Claro... Ele � bem novo.

Eu peguei um est�dio aberto, adicionei um ambiente novo, fizemos um brainstorming...

e muitas pessoas sentem que � um lugar bem zen de se estar.

Eu ouvi falar que n�s temos um interesse em comum.

- Bonecos de pano. - � verdade.

Eu fiz teatro de bonecos por 4 anos... nas escolas de Sarasota.

eu pegava um palco e fazia shows, �s vezes, com uns seis bonecos.

Primeiro de tudo, o que voc� achou de fazer a cena?

Pra mim... Muito ruim. Porque n�o estou preparada.

Uma das coisas que sabemos sobre ela � que ela...

se importava muito com o trabalho e se esfor�ava muito, muito mesmo.

E era uma das coisas mais importantes pra ela.

Pra mim tentar improvisar, n�o s� coisas pessoais ou privadas...

mas improvisar em cima do trabalho dela � realmente frustrante...

porque eu n�o fui bem.

O papel que eu tenho que fazer nesse filme � dif�cil,

ent�o eu tenho que olhar essas cenas como 'eu interpretando Christine'...

e hoje eu falhei nisso.

Eu odiei. Odiei que ficou assim.

- Boa tarde, como vai? - Oi, como vai?

Bem... Procurando algo especial para hoje?

Estou s� olhando, obrigada.

Essa mulher que eu vou interpretar...

ela tem 29 anos mas gosta muito desses bonecos, essas figuras infantis...

animais estufados e tal.

- E voc� pensa em replicar? - Recriar, algo assim.

Parece interessante. Voc� vai filmar em Sarasota?

- Sim, estou hospedada em Sarasota. - �timo!

Bem vinda a Sarasota.

Voc� esteve pensando dessa maneira faz um bom tempo...

E n�o � que n�s n�o te ouvimos, � s� que acabaram nossas ideias.

Eu fiquei sem ideias tamb�m.

Eu queria que voc� tirasse um tempo, sabe.

Tirar um tempinho pra se acalmar.

A vida � dif�cil e tudo bem se voc�...

N�o, eu sei que a vida � dif�cil. Ela me enlouquece, mas tudo bem.

Se a vida ficar muito dif�cil, eu vou embora.

Eu posso aguentar isso. Eu posso ir embora.

Christine deixou a cidade em Ohio...

para tirar f�rias numa casa de ver�o da fam�lia...

anos mais tarde seus pais se divorciaram e a m�e de Christine foi morar com ela.

O irm�o de Christine, Timothy, era um artista criativo... e ele decorou a casa onde a fam�lia vivia.

Tudo bem requintado, com jardim e estampas de flores...

Ele ajudou Christine com o quarto, um quarto amarelo e branco com uma cama...

com cortinas ao redor... Parecia mais o quarto de uma crian�a de 9 anos de idade...

que o de uma mulher alta beirando os 30.

- Gostei dos �culos. - Jura? Quer testar?

Ficaram bons.

[cena de Rede de Intrigas]

"Eu quero que cada um de voc�s se levante de suas poltronas..."

"quero que se levantem agora mesmo..."

"abram a janela, botem a cabe�a pra fora e gritem:"

"Eu estou louco como o inferno e n�o vou mais aguentar isso!"

Eu acho que os papeis que eu fa�o me afetam profundamente...

mais do que eu achava que afetam.

Que essa tristeza e essa ang�stia eram inexplic�veis at� eu perceber o �bvio...

que eu passei muito tempo mergulhada nos meus pr�prios problemas...

tentando encontrar uma conex�o com a tristeza da personagem.

�s vezes, atuar me deixa muito feliz, �s vezes...

eu me sinto descobrindo algo...

mas �s vezes � frustrante tentar capturar algo e mostrar.

Mas tamb�m � dif�cil pra mim falar o quanto � dif�cil...

Porque quem se importa? Mas �. � dif�cil.

E se voc� escolheu fazer isso, voc� tenta fazer o melhor que pode,

e existe uma grande chance de errar.

Eu sou Marty Stonerock e venho da Fl�rida...

Meu marido est� muito doente, ent�o parei de procurar papeis.

Ou pelo menos parei de tentar trabalhos fora de Orlando.

Comecei a fazer teatro pra ficar perto e cuidar do Bob...

E quando voc�s me ligaram, minha filha me disse...

"V�, m�e, fa�a o teste, ao menos se divirta fazendo."

E eu consegui o papel!

Minha filha me apoiou...

E foi muito legal ter esse dia para aprimorar minha atua��o...

contar uma hist�ria e poder sair de casa.

Eu acho que eu estava t�o incrivelmente triste...

e focada do lado dela que eu n�o conseguia ser otimista.

Eu acho que a gente procura essas respostas, porque...

Vai contra a nossa compreens�o, querer tirar a nossa vida.

Eu gosto de pensar que n�s todos temos esperan�a...

Sabe, meu marido est� lutando por sua vida...

e eu prefiro ter um dia de merda do que ter dia nenhum.

Sabe?

Talvez apenas viver o dia seguinte, talvez ele seja melhor.

Meu nome � Rick Ver Helst, sou psic�logo...

e chefe do escrit�rio de sa�de mental aqui de Sarasota.

Depress�o pode ir e vir, mas esse caso parece de uma pessoa...

que esteve deprimida por tempo cont�nuo.

Esse tipo de coisa n�o se falava naquela �poca.

Mesmo o termo 'depress�o' n�o seria t�o usado nos anos 70.

Diriam que voc� teve um 'ataque de nervos'.

E quanto � natureza p�blica do suic�dio dela? Foi incomum.

Essa � uma quest�o interessante.

Se eu tivesse que dar um palpite, provavelmente tem a ver...

com a escolha dela pelo jornalismo como profiss�o.

O jornalismo tem a ver com dar informa��es ao p�blico...

e talvez essa foi a maneira dela, distorcida, de passar a mensagem...

ao p�blico sobre o que ela passou, da forma que ela sabia.

- Hey. - Oi.

- Eu tenho uma hist�ria pra voc�, Bob. - Ok.

Eu quero fazer uma mat�ria sobre suic�dio.

O que voc� quer fazer voc� acaba fazendo de qualquer jeito...

Obrigada, Bob.

[trecho do Washington Post]

"Algumas semanas antes de morrer, Christine foi at� a pol�cia..."

"e discutiu maneiras de se suicidar com um dos oficiais."

"Quando Christine se suicidou, ela seguia essas instru��es."

"A express�o "tentativa de suic�dio' no discurso dela pareceu confusa..."

"Mas pessoas que trabalhavam com ela afirmaram que"

"Christine era boa demais para garantir um suic�dio, quando ele podia dar errado."

Qual o m�todo que voc� acha mais eficaz para cometer suic�dio?

Voc� n�o quer dar trabalho, n�o �?

Cortar os pulsos, se enforcar, tomar rem�dios s�o coisas frequentes...

especialmente com as mulheres.

Os homens preferem os tiros.

Voc� n�o pode 'engolir a arma', voc� tem que ir at�...

At� essa regi�o aqui. Assim a bala n�o sai do cr�nio.

E pronto.

Tudo bem, essas foram as perguntas por hoje. Obrigada por falar conosco.

"A amiga mais pr�xima de Chris, se ela tinha alguma, era Andrea Kirby."

"Foi para Andrea que Christine disse que faria uma proposta para George..."

"Andrea n�o tinha paci�ncia para a tend�ncia de Christine..."

"de sentir pena de si mesma."

"Ocasionalmente, ela dizia 'isso mesmo, Chris, d� um chute em voc� mesma'."

"O que Andrea n�o dizia era que ela e George estavam se encontrando."

Eu s� desejava que por uma semana ele pudesse me amar e eu am�-lo de volta.

Isso mesmo, Christine, d� um chute em voc� mesma.

Olhem para mim, sou Chris Chubbuck, o mundo todo est� nos meus ombros.

Querida, voc� realmente precisa se recompor... e acabar com esse showzinho.

Sabe, 4 anos atr�s eu tentei me matar com p�lulas...

porque eu estava t�o desesperadamente sozinha e infeliz.

N�o ache que eu estou exagerando, mas obrigada por ouvir.

Sabe, eu acho que sou apaixonada pelo George.

Vou fazer um bolo pra ele e aparecer no anivers�rio dele.

Abrir um sorriso, deixar as coisas mais interessantes...

O que acha?

Chris, eu n�o fazia ideia.

Olha, a miss Florida � a nova garota do tempo.

Ela provavelmente quer o meu emprego. Ela provavelmente vai conseguir.

Meu nome � Stephanie Coatney, da Florida...

Atuar tem sido uma maneira interessante de lidar...

com todas essas personalidades que eu tenho na mente.

� o jeito que eu posso lidar e simular uma vida perfeita,

e eu acho que muita gente cresceu pensando assim, ent�o...

Eu acho que foi realmente corajoso o que ela fez.

Eu sinto que a m�dia nos mostra o que queremos ver...

e isso d� audi�ncia, � pra isso que eles fazem esses horrores,

mas a que custo?

O que ela fez foi perguntar, "voc�s querem ver isso? � assim que �."

"Voc�s querem ver o qu�o doente a Am�rica est�? L� vamos n�s."

"Eu sou uma mulher bonita e bem sucedida e mesmo assim n�o sou feliz."

Chris, voc� � uma boa jornalista.

Mas voc� tem que se lembrar que esse � o meu canal.

Voc� n�o pode continuar atropelando as minhas hist�rias...

pra colocar coisas como um pr�mio de designers...

voc� quer mesmo comandar um canal de not�cias?

Quantas vezes eu vou ter que ouvir voc� vindo aqui?

Quantas vezes eu vou ter que ver voc� gritar comigo...

enquanto fa�o o meu melhor para manter isso aqui funcionando?

Ent�o v� adiante, grite e bata o p�, mas...

N�o fa�a isso comigo, n�o tente me dimi...

N�o fa�a isso comigo, Bob.

Voc� sabe que eu sei o que estou fazendo.

Voc� sabe o quanto eu me esfor�o... N�o fa�a isso...

- Eu j� te disse que... - N�o fale assim comigo!

Meu nome � Michael Ray Davis, eu vivo em Orlando, Florida,

eu sou ator a 25 anos.

Eu nunca ouvi falar de Christine Chubbuck...

antes de ler esse projeto.

Eu fiquei comovido porque eu entendo, acho...

o quanto algu�m pode ficar t�o profundamente deprimido.

Se voc� est� num neg�cio como esse, a rejei��o...

� algo muito deprimente.

E, para ser honesto, se algu�m nunca considerou suic�dio...

� porque n�o presta aten��o o suficiente.

N�s n�o pensamos a respeito e depois desabamos.

Porque � uma das coisas da vida...

Voc� vai a 5 entrevistas de emprego, e em todas te dizem que voc� � um monte de merda.

e a� voc� tem que lidar com essa rejei��o, como n�s atores lidamos.

Ela estava exausta de tudo e queria dizer...

ao dono do canal, o quanto ela sabia como conseguir audi�ncia.

Eu odeio usar uma frase clich�, mas...

Ela estava "louca como o inferno e n�o ia mais aguentar isso".

"Antes de atirar em si mesma, ela disse aos espectadores do Canal 40..."

"mantendo-me fiel � tradi��o de trazer as novidades em sangue e v�sceras..."

"voc�s ver�o uma exclusividade: uma tentativa de suic�dio."

Existe um bom n�mero de raz�es para entrar numa carreira...

em que voc� tem que ficar na frente de uma c�mera...

mas o desejo de ser vista e reconhecida...

� certamente o que as pessoas mais se identificam.

Ela provavelmente era vista e notada...

Mas ela tinha uma inabilidade em sentir isso.

Suas tend�ncias suicidas eram genuinas... e resultado de uma depress�o agravante.

Mas eu tamb�m acho que ela queria iniciar uma conversa sobre depress�o e suic�dio.

- Oi, eu sou Craig. - Eu sou Kate.

- Kate do qu�? - Shield.

- Voc� faz o que? - Sou atriz.

Muito legal.

Certamente eu conhe�o o filme Rede de Intrigas, mas...

n�o sei nada sobre ela al�m do que ouvi falar de quem era daqui.

� fascinante, �.

Antes de se matar, a Christine fez um pequeno discurso...

se voltando contra a pol�tica da emissora em investir em "sangue e v�sceras".

Queria saber se voc� pensa algo a respeito.

N�s somos... �s vezes uma sociedade de voyeurs...

N�s queremos ver o acidente de trem, n�s queremos ver as chamas da explos�o...

Ent�o eu acho que �s vezes eu tenho problema com essa ideia...

de que televis�o � s� sangue e v�scera.

Televis�es v�o fazer o que os espectadores querem que elas fazem.

�s vezes n�s refletimos sobre o que fazer ou n�o.

N�s n�o fazemos mat�rias sobre suic�dios... Porque � algo pessoal demais.

Se algu�m decidiu fazer isso, por algum motivo...

� algo que as emissoras de TV simplesmente n�o v�o cobrir.

-Oi, Chris, eu estou sem tempo. -Apenas me ou�a, ok?

Semana passada um avi�o caiu em Paris e matou 400 pessoas...

enquanto minhas hist�rias s�o substituidas por imagens de tiroteios.

Eu sei que voc� est� tentando fazer seu trabalho...

Chris, n�o venha me dizer que tiroteios n�o s�o not�cias.

Sim, eu sei, uma pessoa no lugar errado n�o � not�cia...

n�o h� nada a ensinar fazendo uma mat�ria sobre isso...

enquanto isso, avi�es caem do c�u e ningu�m sabe o porque.

Conhece 'gravidade?'

Tiroteios s�o not�cias. Sarasota ouve falar e quer ver as imagens.

Eu queria hist�rias melhores, mas � o que acontece.

Meu nome � Holland Hayze, de Orlando, Fl�rida.

Isso � totalmente inaceit�vel.

Eu procurei Christine no Google e achei que devia ter o v�deo por a�.

E eu continuei procurando e n�o existe esse v�deo...

Ela queria que n�s v�ssemos o v�deo e ele n�o existe pra ver...

enquanto existe tanta coisa exposta para n�s...

que os envolvidos talvez n�o quisessem que a gente visse.

Vamos s� falar do jeito que voc� corta as unhas, da sua carreira no circo, do quanto...

- O que � isso? - Flores.

Eu n�o quero essas porcarias no meu est�dio.

Eu n�o quero essas porcarias no meu est�dio.

Eu n�o quero essas porcarias no meu est�dio.

"Na semana anterior ao suic�dio, ela teve uma briga com o diretor de not�cias..."

"ela ficou zangada de ter sua hist�ria substituida por um tiroteio."

"Ela costumava ficar emotiva e irritada com essas situa��es."

"Uma semana antes, ela deu um piti"...

A linguagem desse texto do Post � meio enfurecedora...

embora talvez seja fiel aos fatos.

Ou talvez ela estivesse apenas expressando sua decep��o.

� dif�cil porque eu nunca nem ouvi a voz dessa mulher.

Eu n�o sei. Eu s� consigo imaginar pelas descri��es.

Cada um com quem eu converso tenta racionalizar o suic�dio dela...

e fala dela de maneiras que n�o tem a ver com quem ela era como pessoa.

Eles apenas a simplificam.

Interessante, depois que voc� e eu conversamos...

Eu comecei a pensar no porque de fazer isso na televis�o.

E me ocorreu no meio da noite, algo que eu n�o pensei...

Algumas vezes, em pessoas com depress�o, h� uma grande raiva acontecendo.

Se voc� sente uma dor

e encontra pessoas que voc� sente que s�o respons�veis por essa dor,

se voc� vai pra casa e se suicida, isso n�o afeta essas pessoas...

da forma que voc� queria que afetasse.

Ent�o, pode ser que fazer isso na televis�o, o suic�dio

era uma maneira de dizer que � mais f�cil cometer suic�dio

do que conviver com a dor que voc�s me causam.

� assim que funciona.

Suic�dio � uma coisa t�o horr�vel e destrutiva.

� uma perda total.

Ent�o a menos que n�s consigamos chegar ao centro disso no filme,

eu acho que n�s falhamos.

Tente passar isso pelo pesco�o.

Veja se est� certo o buraco por onde tem que passar.

Eu vou ficar bem.

Eu acho que consigo.

Ok. N�o queremos fazer se voc� n�o quiser.

Como voc� conheceu Timothy Chubbuck?

Tim era um colega, eu era uma jovem estudante trabalhando no est�dio dele...

Eu era impression�vel e o achava brilhante, bonito, alto...

E Christine era como ele...

As poucas vezes em que a vi, ela era atraente, sofisticada, se portava com eleg�ncia.

Eles tinham uma fam�lia incr�vel. Pode ser exagero, n�o sei...

Mas Tim dizia que eles passavam o ver�o na Pickfair...

que era a casa de Douglas Fairbanks e Mary Prickford, do cinema mudo...

que eram tatarav�s deles, bisav�s, n�o sei.

E eu nunca conheci ningu�m que era bisneto de uma estrela de cinema...

quando voc� tem 17 anos e conhece pessoas t�o elegantes e espertas...

e voc� pensa em todas as coisas que elas s�o e voc� n�o �.

E voc� n�o percebe que eles t�m problemas tamb�m.

- Desculpe te deixar assim. - Desculpe, � que faz tanto tempo.

- Quer fazer uma pausa? - N�o, estou bem. S� n�o esperava...

Eu n�o me lembro da m�e deles sendo alta e elegante como eles eram.

Eles eram bem pr�ximos, quando Tim morreu a fam�lia passou por horrores.

Eu n�o sei pra onde a m�e dela e o irm�o deles, Greg, foi...

mas � algo que eles nunca devem ter superado.

Olha, eu estou terrivelmente deprimida e pensando em me suicidar.

- Quer falar sobre isso? - N�o. Deixa pra amanh�.

Apesar de ser uma hist�ria horr�vel, eu me identifico com ela.

Em querer deixar uma marca em um lugar em que n�o te deixaram usar sua voz...

Al�m de ter visto isso, � algo que eu vi em mim mesmo.

E � uma hist�ria interessante pra uma cidade em que as pessoas s� vem para f�rias...

elas vem pra relaxar. � uma imagem de problemas no para�so.

- Voc� se sente mais pr�xima a Christine agora? - Sim.

Eu me sinto mais pr�xima.

Eu tenho a frustra��o de querer me sentir ainda mais pr�xima, mas sim.

"Al�m do choque com o fato de que Christine decidiu se suicidar..."

"muitos, como a m�e dela, se surpreenderam com o m�todo usado."

"Eu achei que ela gostaria de entrar no oceano e ir o mais longe poss�vel."

"Ela era uma nadadora extraordinariamente boa."

Ela era uma nadadora extraordin�ria. Nadava 4, 6 quil�metros.

A �gua era amiga dela e podia ser mais f�cil para ela descansar.

Eu sou uma p�ssima nadadora, nunca tive aula.

Eu costumava ir � praia, mas nunca para nadar.

Eu acho que voc� precisa expressar um pouco de raiva juvenil.

Porra.

Eu tento. Eu tento fazer as pessoas...

Sabe, querida, se voc� quer um mar de rosas...

Eu n�o quero um mar de rosas, n�o quero.

- Se quer um namorado que te leve pra jantar... - Eu n�o...

Eu quero que voc� me ou�a.

E entenda que a realidade dessa situa��o � que ningu�m me quer.

� a verdade.

Isso n�o est�... Eu n�o sei o que fazer, Robert. Eu n�o sei.

Eu n�o sei o por que dessa cena. N�o sei. Vamos de novo.

Vai, por favor.

Eu tento, ok? Eu tento.

Eu n�o quero um mar de rosas, m�e, � que...

O amor est� � sua espera, querida...

� minha espera porra nenhuma, m�e! O que voc� quer dizer?!

N�o d� certo e ningu�m me quer.

E est� tudo bem... Est� �timo.

- N�o pode desistir da esperan�a. - Eu posso fazer a porra que eu quiser.

Elas eram, sabe, melhores amigas, elas falavam assim.

Eu acabei gritando com todo mundo.

- Gritou? - �, gritei com aquela mulher.

Por que?

Pelo que o Robert me pede pra fazer, gravar esses takes dela gritando.

"Eu n�o sei por que essa cena � assim, eu n�o sei o que voc� est� fazendo."

Eu me sinto mal.

Voc� fez a coisa certa.

Voc� est� se protegendo.

Christine, depois desse procedimento, como voc� j� sabe...

Vai ser dif�cil para voc� formar fam�lia no futuro.

Ent�o se voc� quer ter filhos, tem que fazer nos pr�ximos anos.

Mas n�o � imposs�vel. Vai ficar legal. Isso j� foi feito antes.

Mas n�o � imposs�vel. J� foi feito antes. Voc� vai ficar bem.

Chris!

Chris! Chris, o que houve?

Vamos de novo. Sei l�, desculpa.

Chris! Chris, o que houve?

Ele me rejeitou.

Eu n�o sei... As pessoas n�o fazem...

Desculpa, desculpa. As pessoas gostaram do bolo pelo menos.

As pessoas gostaram do bolo, pelo menos.

Merda! Merda!

Chris, o que houve?

Ele me rejeitou.

Chris, me desculpa.

As pessoas gostaram do bolo, pelo menos.

N�s estamos todos nos identificando com algo que foi terr�vel...

Eu acho que ela estava apenas cansada.

Ela foi completamente engolida por isso.

N�o � f�cil entrar e sair de uma interpreta��o.

Eu tenho que parabenizar Kate.

Deve ser muito desafiador para ela, em especial.

- Que homem forte. - �.

Estive pensando sobre ontem.

- Est� tudo bem? - Sim.

Voc� pode ceder para a depress�o, voc� pode entrar nesses pensamentos.

Eu acho que qualquer pessoa que diz que n�o considerou suic�dio est� mentindo.

Me ocorreu recentemente essa ideia...

Eu me lembrei de quando eu pensei nisso, pensei em como fazer e parecer que foi acidente.

Eu queria fazer de um jeito que ningu�m soubesse que foi suic�dio...

porque eu n�o queria que soubessem que eu estava daquele jeito

e eu n�o queria que ficassem ainda mais machucados com isso.

Se foi um acidente de carro, foi um acidente de carro.

Se foi um suic�dio, �...

Isso faz cada pessoa conectada com essa pessoa pensar...

"Ser� que eu fiz algo errado? Ser� que eu falei algo errado?"

E n�o tem a ver com essas coisas externas. � interno.

Hoje � o anivers�rio de 41 anos da morte dela.

A essa hora ela estava se dirigindo para o canal...

onde ela disparou para a morte.

O que voc� acha de n�s tentarmos...

- O que?

- O que acha de estarmos tentando reencenar isso?

Eu me sinto esquisita. Me sinto muito esquisita.

Eu sei que estamos fazendo o melhor que podemos,

mas me sinto esquisita reencenando um suic�dio.

Eu n�o sei o que dizer, eu estou tentando me aproximar...

tentando n�o me sentir irrespons�vel por fazer isso...

Ok, em frente.

- Oi, Mike. - Chris.

Eu comprei uma arma.

Por que?

Bem... Eu achei que seria interessante se eu me matasse ao vivo.

Quando vai sair aquela sua mat�ria?

Est� indo bem.

Bom. Ok. Bem...

At� mais, Mike.

Oi, Kate, eu sou Steven, prazer em conhecer.

Eu trabalhei com Christine nos anos 70, canal 40.

Kate, gostaria de te apresentar ao Gordon... que estava l� naquele dia.

Gordon era rep�rter e estava na sala quando tudo aconteceu...

Ele era trabalhava bem da Christine e acho que tem alguns insights.

Naquela manh�, ela chegou com uma bolsa que eu soube depois que tinha bonecos e uma arma.

E... Me pediu para exibir o v�deo de uma briga da noite anterior.

O que eu fiz, entreguei a ela e ela levou at� a sala de controles.

E algo que me assombra at� hoje, que esse v�deo que ela introduziu...

"Aqui � canal 40, Bob Peterson nos trouxe essa hist�ria..." e o v�deo n�o rodou...

Eu pensei uh-oh, ser� que fui eu que causei isso?

E eu olhei pelo monitor, eu tinha um monitor que mostrava o est�dio...

e ela apenas olhou meio perplexa e zangada, e naquele segundo...

algo que eles n�o falam nas not�cias, � que foi naquele segundo...

que ela come�ou a dizer "Bem, me mantendo fiel � pol�tica do canal 40..."

"de trazer as novidades em mat�ria de sangue e v�sceras"

"n�s vamos te trazer outra exclusividade: um suic�dio ao vivo".

E assim como o diretor, como o c�mera, eu disse "n�o, n�o faz isso"...

e de repente, pelo jeito que o cabelo dela mexeu, soubemos que n�o era uma piada.

E aquele programa nunca era armazenado em v�deo...

mas naquele dia em espec�fico ela pediu que fosse gravado.

Eu n�o sabia exatamente o porque, mas n�o era grande coisa naquele canal...

pedir para gravar o programa numa fita de v�deo.

A maior discuss�o foi o que fazer com a fita.

Finalmente, o dono do canal ligou e disse que os advogados,

que vieram de Washington, disseram para n�o mostrar a fita de jeito algum.

S� existe uma c�pia restante daquele videotape, ningu�m copiou.

O filho de Bob Nelson, que era o dono da emissora, tentou vender a fita pela internet...

O pai dele entrou e arrancou das m�os dele, e disse "n�o, isso n�o vai a lugar algum."

Bob ficou com a fita at� o fim.

Eu sei que � verdade porque ouvi dele e de sua esposa.

Nenhuma c�pia foi feita, voc� n�o vai achar com a ABC,

nem em Nova York, em lugar algum,

essa c�pia �nica provavelmente est� oxidada e se n�o fizerem uma c�pia dela logo...

ningu�m nunca ver� as imagens, porque se desintegraram.

Eu sei porque no anivers�rio dos 40 anos do canal 40,

esse � Bob Nelson, sua esposa e um presente que dei para eles, isso foi em 2011...

Bob me disse que tinha a fita...

depois foi para Molly, que me disse ano passado que queria jogar a fita no oceano.

Eu disse "n�o fa�a isso, d� para um museu, uma universidade que a mantenha segura..."

porque isso � hist�ria. Infelizmente, � hist�ria.

Mas eu acho in�til continuar procurando por essa fita.

- Voc� j� a viu em v�deo. - N�o... Eu j� vi em fotos...

mas nunca tive acesso a uma filmagem com ela, a voz dela.

Eu n�o sei qual a fita que voc� ver� aqui, mas imagino que seja entre 72 e 73...

O que acontece � que ela n�o era a maior entrevistadora do mundo.

Ela fazia a pergunta e a pessoa respondia.

E ela faria uma segunda pergunta e assim em diante...

Ent�o s�o minutos e minutos de pessoas falando e depois ela volta a falar.

� meio dif�cil de capturar o esp�rito, mas...

N�o, eu fico feliz em ver. Obrigada.

"Esse � o boletim de not�cias do canal 40..."

"com Bob Keith, Leslie Greene e o comentarista de esportes, Ron Jackson."

A velha Sarasota, onde eu cresci.

A qualidade n�o � das melhores mas d� pra enxergar.

"O hospital memorial de Sarasota tem sobrevivido a muito ao longo dos anos..."

"Ele n�o � o suficiente?"

"� realmente necess�rio construir outro hospital?"

"Pelo tempo que passou, pelo menos at� hoje..."

"Falando direto do fim da linha do condato de Sarasota..."

"quais s�o as necessidades da sua comunidade hoje?"

"N�o daqui a dois anos. Hoje."

As pessoas tem me procurado muito para ver esse v�deo de Christine...

porque eu tenho um canal no Youtube com filmagens antigas...

"Voc� era do canal 40, voc� deve ter algo da Christine."

E eu sinto que elas n�o querem ver Christine por causa da vida dela.

E sim por causa da morte.

- E eu n�o posso fazer isso. - Certo.

Eu n�o vou tentar romantizar isso...

Mas mesmo assim, n�s n�o estariamos conversando hoje...

se ela n�o tivesse morrido daquela forma.

Ela n�o teve uma carreira extraordin�ria, n�o foi uma pessoa extraordin�ria...

Ela era muito bacana, eu a amava...

mas foi por causa do sangue e v�sceras, da viol�ncia da morte dela,

que � o gancho para estarmos aqui hoje.

E hoje � Hist�ria.

E a briga de Christine com o canal era por causa de sangue e v�sceras...

ent�o tudo o que ela mais odiava � o que hoje motiva a ressuscitarem a vida dela.

E eu entendo isso, mas n�o gosto disso.

� uma observa��o justa, mas � chocante poder v�-la se movimentando.

- Isso a traz � vida pra voc�? - Traz.

Eu tinha 19 anos quando trabalhei com ela.

Isso realmente me devastou, como a qualquer outro, quando morreu.

E eu acho que ela n�o pensou se tinham crian�as vendo TV...

pessoas com problemas emocionais que podem ter se abalado por isso.

Um suic�dio � um ato egoista, para mim, se voc� quer fazer isso, voc� vai fazer isso.

N�o havia algo que eu pudesse fazer.

De acordo com psic�logos, o fato de que ela estava mais feliz naquela manh�...

indicava que ela estava completamente decidida.

Ter estado com ela cinco minutos antes,

e ela fazendo piadas comigo, provavelmente vai me assombrar pra sempre.

Ela era o tipo de pessoa pra quem voc� podia contar qualquer coisa.

Quando eu me assumi para ela, ela disse "Nada demais, meu irm�o tamb�m � gay".

Eu a tinha como confidente.

Esse era o nosso est�dio de not�cias.

Sou eu atr�s das c�meras antes de ficar na frente das c�meras.

Ali apertando os bot�es.

Ver esse v�deo onde ela fala e se movimenta, n�o � s� uma imagem...

isso realmente muda tudo.

Faz ela se tornar muito mais real pra mim.

E eu n�o posso dizer o quanto agrade�o por isso.

Como voc� se sente sobre filmar a �ltima cena?

Voc� vai conseguir apertar o gatilho?

Eu n�o sei.

� claro que eu sinto vontade de proteg�-la.

Ela era triste, ela se matou. � claro que tenho que proteg�-la.

Esse � o jeito que voc� costuma se sentir atuando ou agora � diferente?

�, a gente tem que se sentir assim, mas agora � diferente porque ela � real.

Se ela n�o fosse t�o real para mim eu n�o estaria t�o abalada pra fazer.

7402. Ok. Peterson.

Estamos indo at� a casa dela.

Ent�o foi aqui que aconteceu o funeral dela.

O reverendo ficou aqui, olhando para aquela dire��o.

Durou uma meia hora. Os pais dela � direita, aqui.

E os dois irm�os...

[trecho do discurso no funeral]

"N�s sofremos o sentimento da perda..."

"Ficamos assustados por sua raiva..."

"Sentimos culpa por sua rejei��o..."

"Machucados por sua escolha pelo isolamento..."

"E estamos confusos com a sua mensagem."

Voc�s n�o podem se molhar, est� prestes a chover.

[Discurso de "Rede de Intrigas"]

"N�s todos sabemos que as coisas est�o ruins."

"Piores que ruins, elas est�o loucas."

"� como se tudo tivesse enlouquecendo."

"Ent�o n�s n�o sa�mos mais."

"Nos trancamos em casa e o mundo em que vivemos diminui."

"E tudo o que dizemos �, por favor... nos deixe sozinhos em nossas salas de estar."

"Mas eu n�o vou deix�-los sozinhos."

"Eu quero que voc� enlouque�a."

"Eu n�o quero que voc� proteste, que quebre tudo..."

"n�o quero que escreva para o congresso porque n�o sei o que escrever."

"Eu n�o sei o que fazer com a Depress�o, a infla��o, os russos, os crimes nas ruas..."

"tudo o que eu sei � que voc� precisa enlouquecer."

"Voc� tem que dizer: eu sou um ser humano, droga! Minha vida tem valor!"

Pode levar o cachorro pra fora?

Volto �s 10h45.

"tantos tipos de seguran�a, armados e desarmados, tanta prote��o..."

- Bom dia. - Oi!

Prazer em conhecer. Christine. Obrigada por vir.

Hey, vou come�ar com um boletim hoje.

Ok, Chris.

- Oi! - Ol�.

- Eu vou come�ar com uma not�cia antes da entrevista. - Ok. Valeu.

- Teve um bom final de semana? - Tive, e voc�?

Certo. Em 3, 2...

Bem vindos ao Suncoast Digest. Eu sou Christine Chubbuck.

Em Washington D.C., senadores democratas come�am a preparar artigos...

pedindo o impeachment do presidente Richard Nixon.

Ainda em Washington, dois criminosos armados com ref�ns num tribunal...

A quest�o � que os testes parecem menores agora, se comparados...

� possibilidade de ataque nuclear vindo de um outro pa�s.

Em Sarasota, ontem, um homem foi baleado e morto depois de um assalto.

Bob Peterson, do canal 40, estava ao vivo na cena.

Chris, o v�deo n�o vai rodar.

N�o vai rodar?

Mantendo-me fiel � pol�tica do canal 40 de trazer as novidades em mat�ria de...

sangue e v�sceras, ao vivo e a cores...

voc�s ver�o outra exclusividade.

Uma tentativa... Desculpe, vamos de novo.

Vamos de novo?

...ataque nuclear vindo de um outro pa�s.

Em Sarasota, ontem, um homem foi baleado e morto depois de um assalto.

Bob Peterson, do canal 40, estava ao vivo na cena.

Chris, o v�deo n�o vai rodar.

N�o vai rodar?

Mantendo-me fiel � pol�tica do canal 40 de trazer as novidades em mat�ria de...

sangue e v�sceras, ao vivo e a cores...

voc�s ver�o outra exclusividade.

Uma tentativa de suic�dio.

Acho que n�o vou conseguir.

Eu n�o consigo, porra...

Podemos voltar do come�o?

Ainda gravando.

...ataque nuclear vindo de um outro pa�s.

Em Sarasota, ontem, um homem foi baleado e morto depois de um assalto.

Bob Peterson, do canal 40, estava ao vivo na cena.

Chris, o v�deo n�o vai rodar.

N�o vai rodar?

Mantendo-me fiel � pol�tica do canal 40 de trazer as novidades em mat�ria de...

sangue e v�sceras, ao vivo e a cores...

voc�s ver�o outra exclusividade.

Uma tentativa de suic�dio.

Eu n�o consigo.

Eu n�o consigo. Desculpa.

Voc� tem que me dizer por que quer ver isso.

Se voc� quer que eu fa�a, me diga por que quer ver.

Porque eu fico procurando uma raz�o...

Eu procuro um motivo para que isso valha a pena e n�o consigo.

Eu tentei a transformar numa heroina, mas ela n�o era.

Ela era apenas uma pessoa sozinha, triste, pat�tica...

E eu tamb�m sou tudo isso, mas ao menos estou viva.

Ent�o se voc� quer ver isso, voc� tem que me dizer...

Por que voc� quer ver isso??

Eu tento fazer com que a morte dela valha mais que a vida dela, mas isso n�o existe. N�o existe.

Ent�o, se voc� quer me ver fazer isso, tem que me dizer o por qu�.

Me d� uma raz�o, caralho!

Foda-se, isso � tudo besteira mesmo.

Est�o felizes agora?

Seus s�dicos do caralho.

KATE PLAYS CHRISTINE (tem mais uma cena nos cr�ditos)

sincronia e tradu��o: diasdecinefilia facebook.com/diasdecinefilia

assista tamb�m: CHRISTINE (2016), de Antonio Campos.

fim :)

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