All language subtitles for Sangue.Azul.2014.720p.AMZN.WEB-DL.DDP2.0.H.264.SDH.pt-BR

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic Download
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali Download
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French Download
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam Download
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil) Download
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian Download
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish Download
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish Download
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

[música bolero]

[música bolero continua]

[música termina]

[ondas batendo]

[vento soprando]

[conversa indistinta]

- [homem 1] Todo mundo! - [homem 2] Um, dois…

[homem 3] Vai!

Vai!

Vai!

Leva pra lá, ó.

- [Zolah] Vem comigo aqui! - [homem 4] Bora!

- [Teorema] Calma aí. - [Zolah] Calma aí.

[Zolah] Foi?

[Inox] Vamos?

[Zolah] Bora?

Aí, já foi.

[conversa indistinta]

[homens gritam] Vai!

[homens gritam]

[vento forte]

[Zolah] Por baixo.

[homens gritam]

[Zolah] Traz mais.

Para lá, Inox.

Inox, para lá.

[Zolah] Vai, vai, vai!

[Inox] Ei…

Eia.

[metal batendo]

[Zolah] Vai lá!

[ferragem estalando]

[homens gritam]

["Rapsodia Cubana", de Ernesto Lecuona, tocando]

[voz distorcida de Kaleb] Você, ouvinte incauto,

que nesse exato instante encontra-se sintonizado

nessa inusitada frequência radiofônica,

aproveite!

Eu…

convido a sua pessoa

a desvendar mistérios aparentemente

indecifráveis.

A penetrar labirintos e mundos

ao mesmo tempo vulgares

e silvestres.

Agora, feche os olhos.

Cruze essa última fronteira, meu camarada.

Ela te guiará pelos corredores distorcidos

do teu inconsciente,

e pela inércia de tuas vomitadas

vidas antepassadas,

para finalmente

te libertar dos teus temores mais recônditos,

de tua leviana mediocridade,

e, sobretudo,

de tua escancarada preguiça mental.

Porque, meu camarada,

ninguém nesse mundo é perfeito,

e a vida que a gente vive

é assim.

[plateia suspira]

[plateia aplaude]

[plateia grita]

[Teorema] Não, Zolah, agora não. Não! Você já está pra entrar.

[Zolah] É bom pros momentos que antecede o salto, Teorema.

[Teorema] Não quero, não. Me deixa.

[Zolah sussurra] Só você que sabe.

[Teorema] Olha aqui.

Vai estragar minha maquiagem.

[Zolah] Vem cá, aqui, ó.

Psiu!

[sussurra] Delícia!

[Kaleb] Respeitável público,

Senhoras…

e senhores.

Rapazes e, naturalmente, moças.

Crianças em geral.

É chegado o momento

tão esperado nessa noite estrelada.

- [Zolah] Vem… - [Kaleb] Eu vos peço um minuto…

[Zolah geme]

…da sua honrosa atenção.

[Zolah ofega]

O circo Netuno

tem o privilégio de devolver a vocês

um filho natural dessa paradisíaca ilha

e encravada nas profundezas

do Oceano Atlântico,

a meio caminho entre o Brasil e a África.

[Teorema geme]

[Kaleb] Eu, o ilusionista Kaleb,

tenho orgulho de apresentar

nessa memorável noite…

o retorno

do mais sublime…

[Zolah geme]

[Kaleb] …do mais corajoso,

[Zolah geme]

do mais belo…

[Zolah ofega]

Zolah!

O homem-bala!

[plateia aplaude]

[plateia aplaude]

[aplausos param]

[disparo de canhão]

[plateia aplaude]

Hey!

[plateia aplaude]

Pedro.

Pedro, meu filho.

Como tu cresceu!

[Zolah arfa]

Raquel.

Oxe!

Tá lembrado dele?

Tu não tem nome de peixe?

[Cangulo ri]

Tenho, meu velho.

[Zolah] Cangulo.

Qual foi o anzol que te fisgou?

A gente tá noivo.

[Raquel] Tu é o padrinho.

Vocês vão ficar bastante tempo por aqui, meu filho?

Depende de vocês, quer dizer…

O circo depende do público, né?

Se depender da gente, vocês vão ficar aqui pra sempre.

["Rapaz do Táxi", de Carlos Fernando, tocando]

- Meu irmão, muita história. - [Teorema] Obrigada.

[conversa indistinta]

[todos riem]

- Oi. - E aí!

- Teorema. - Prazer.

- [Teorema] Prazer. - Quer um copo?

- [Cangulo] Aí, Pedro, um golinho. - Não bebo.

Tá bebendo não, rapaz?

- Meu nome agora é Zolah. - É Zolah!

Me dê licença. Ele não bebe, mas eu aprecio a danada. Bote aí.

Boa.

[Inox] Agradecido. Prazer, meu nome é Inox.

Inox.

O homem mais forte desse mundo.

E você? Qual é sua graça?

É Cangulo.

Para! Esse é o peixe que eu mais gosto.

Tem muito peixe nessa ilha.

[todos riem]

[Teorema] Eu não entendi.

Ele falou que é cangulo, um peixe muito comum na ilha.

Reza a lenda nessa ilha que pra cada sete sereias,

existem 51 tubarões.

Interessante…

Poxa…

♪ Cirandeiro, ó cirandeiro, ó ♪

♪ A pedra do seu anel Brilha mais de que o sol ♪

♪ Cirandeiro, ó cirandeiro, ó ♪

♪ A pedra do seu anel Brilha mais de que o sol ♪

♪ Quando eu pego Na minha caixa de guerra ♪

♪ A cirandeira já tá toda empolgada ♪

♪ Quando eu pego Na minha caixa de guerra ♪

♪ A cirandeira já tá toda empolgada ♪

♪ Ô cirandeira do meu coração ♪

♪ Meu avião vai pousar em outras terras ♪

♪ Cirandeira do meu coração ♪

♪ Meu avião vai pousar em outras terras ♪

♪ Cirandeiro, ó cirandeiro, ó ♪

♪ A pedra do seu anel Brilha mais de que o sol ♪

♪ Cirandeiro, ó cirandeiro, ó ♪

♪ A pedra do seu anel Brilha mais de que o sol ♪

♪ Quando eu pego Na minha caixa de guerra ♪

♪ A cirandeira já tá toda empolgada ♪

♪ Quando eu pego Na minha caixa de guerra ♪

♪ A cirandeira já tá toda empolgada ♪

♪ Ô cirandeira do meu coração ♪

♪ Meu avião vai pousar em outras terras ♪

♪ Ô cirandeira do meu coração ♪

♪ Meu avião vai pousar em outras terras ♪

♪ Cirandeiro, ó cirandeiro, ó ♪

♪ A pedra do seu anel Brilha mais de que o sol ♪

♪ Cirandeiro, ó cirandeiro, ó ♪

♪ A pedra do seu anel Brilha mais de que o sol ♪

[ofegantes]

[mulher geme]

[mulher geme]

[Zolah geme]

[mulher grunhe]

[Zolah grasna]

Se não tem ninguém pra dar

sardinhas pra elas,

como é que elas se viram pra comer?

Aí, Kaleb,

reside a grande metáfora da história da humanidade.

As fragatas

ficam espreitando o mumbebo subir com a pesca.

Na força bruta,

surripiam o peixe do bico deles.

Kaleb, tu sabe

como é que um mumbebo morre?

[Kaleb] Não faço a menor ideia.

[Mumbebo] De tanto mergulhar

atrás de peixe,

o sol e o mar cegam ele.

Como pode ver,

morre de fome.

Ô, Kaleb!

Venha cá comer um peixinho comigo, venha.

Aí se Mumbebo quiser, traz ele também.

Vamos lá, Mumbebo, traçar um peixinho.

Kaleb, não sou fragata, sou mumbebo.

Não gosto de nada que me é oferecido.

Só como peixe que eu mesmo pesco.

- Oi, Kaleb. - [Kaleb] Oi, Rosa.

[Rosa] Sente aqui.

Guardei uma cachacinha especial pra tu, visse?

Elegante o teu estabelecimento.

Tu mesma que construíste tudo?

Eu faço umas coisinhas, mas o verdadeiro artesão é Cangulo.

Olha lá. Tá vendo aquelas esculturas de ferro ali, imitando vários peixes?

- Foi Cangulo que fez. - É bonito.

Se não fosse Cangulo, eu já tinha desistido dessa bodega.

Não para de entrar sujeito indisposto aqui.

Eu não tenho mais idade, nem paciência, pra aguentar gente bêbada.

Mas difícil, difícil mesmo,

é encontrar alguém sóbrio nessa ilha pra contar história.

É por isso que eu prefiro conversar com as minhas galinhas, e pronto.

Um arrozinho.

- Cangulo. Vá chamar Pedro pra comer. - Oi?

Zolah, dona Rosa. O menino só quer ser chamado de Zolah agora.

Zolah…

[Rosa] Por que tu trouxe o menino?

[Kaleb] Não foi o circo?

[Rosa] Sei. Quem não te conhece, que te compre.

Tu, Kaleb, é capaz até de acertar a hora do relógio no escuro.

E diz tua bronca safada pra cima de mim?

Eu, Kaleb, o ilusionista,

que novamente aporta essa paradisíaca ilha, vindo diretamente

do vale sagrado do rio Jordão.

Mas tu não tá feliz, não?

Claro que eu tô!

Qual é o problema?

Fico agoniada.

O passado tem mania de cobrar fiado.

Fica não, Rosa.

Já faz muito tempo.

E o tempo sabe muito bem o que faz.

[música de rock agitada]

[plateia aplaude]

[plateia aplaude]

[plateia aplaude]

[motoqueiro] Ê!

[plateia celebra]

Respeitável público,

é com imenso orgulho

que o grande circo…

que o grande circo

Netuno…

vai…

apresentar finalmente ele,

o incrível…

ele, o máximo,

ele… [microfonia]

[fala baixo] Porra, essa chapeleta.

[plateia ri]

O inimitável,

ele que é indiscutivelmente o…

O que é que é agora mesmo, porra?

[música alegre]

- [Cuscuz] Vamos dançar. - [Zanoia] Bora!

Cuscuz!

[plateia ri]

Me segura, Cuscuz.

[Zanoia grita]

Cuscuz, me segura.

[plateia ri]

[Cuscuz] Ai, meu Deus! Me desculpe.

[plateia ri]

Vai lá, meu bem.

Arrebenta com eles.

[Cuscuz] Senhoras e senhores, senhoritos e senhoritas.

[Zanoia] Criancinhas desse tamaninho.

O circo Netuno tem o prazer de apresentar…

[Cuscuz] Inox!

[Zanoia] O homem mais forte do mundo!

[gongo bate]

[plateia aplaude]

[música de tensão]

[música de tensão continua]

[tambores rufam]

[Inox grunhe]

[Inox grita]

[plateia aplaude]

[plateia aplaude]

Hey!

[plateia aplaude]

[Kaleb] Johnny Strabler

era um deus, né, Zolah?

Um deus!

Às vezes…

parece que…

aquela gangue de motoqueiro,

que invade aquela pacata cidade da Califórnia,

tem muita semelhança…

com a nossa presença aqui.

Parece muito

com nós.

Como assim, Kaleb?

Nós quem?

O circo, porra.

Isso é verdade.

Tem uma coisinha parecida mesmo.

Você tá certo.

Vamos tirar essa roupa.

O cinema,

Zolah…

nasceu no circo.

Naquela época, era aberração.

A mulher barbada,

o homem-elefante,

o mágico de Oz…

A natureza do cinema era o sonho.

Mas também havia a aberração

e a barbárie.

Conheço muito bem.

Bora deitar.

Você sabe, Zolah,

como é que um mumbebo morre?

Sabe ou não sabe?

[Zolah] Sei, Kaleb.

Tô ficando cego.

[Kaleb] Que nem um mumbebo.

Não enxergo mais nada.

Você…

nunca vai ficar cego, Zolah.

Você não mergulha.

Você não vai ficar cego.

Você não mergulha.

[criança] Larga de ser mole. Vai, Pedro, pula!

Vai, Pedro! Bunda-mole, pula!

[criança] Vai, vai, pula! Pula!

Vai, Pedro, vai! Pula!

Pula, pula!

Pula, pula, pula!

[crianças cantam] Pedro e Raquel tão namorando.

Tão namorando.

Tão namorando, namorando!

Que foi? Sonho ruim de novo?

[Zolah assobia]

[Zolah grita] Kaleb!

- [Inox grita] Kaleb! - [homem grita] Kaleb!

[Teorema geme]

[ambos gemem]

Tu é profissa mesmo, hein?

Fumo essa porra todo dia e nunca me viciei.

[Zolah ri]

[Rosa] Ô, minhas bichinhas, minhas bichinhas bonitinhas.

Meu galinho lindo, Vicentinho.

Olha que milho lindo aqui que eu trouxe pra vocês.

Ai, mas vocês tinham que ver

o circo, que coisa mais linda do mundo!

Meu filho, Pedro, é o Homem-Bala!

O Homem-Bala!

Me diz uma coisa.

E o Rio? É bonito mesmo, é?

Meu irmão, o Rio de Janeiro é massa!

Rio de Janeiro é foda, é pra se foder!

- É mesmo, é? - Mulherada dando na canela.

Tudo ó…

É tome, receba, tome, receba. [ri]

E São Paulo, já fosse também?

Mas menino! Pense.

Meu dentista é de lá.

[Rosa] Me deu um medo danado.

Meu coração ficou disparado, assim ó…

É, Soninha, disparado. Pensei que ia ter um troço.

Mas quando ele saiu lá, que ele virou, assim,

saiu com o braço assim, Vicente, que nem você de manhã…

[cacareja]

Eu ia ficar maluco se saísse dessa ilha, tá ligado?

Uma vez só fui no Recife, rapaz.

Mal consegui sair do barco, pisar na cidade. Saindo do porto,

já fui topando com os carros.

Aqui é carro pra caralho, meu irmão! Carro pra tudo que é lado.

[imita buzina] A porra toda. Me tire daqui, pelo amor de Deus!

Foda.

- Recife é a cidade que mais tem carro… - [Zolah ri]

Foda-se. Tá rindo de quê?

De nada, não…

Toma aí, fuma aí.

- Não, tô legal. - Estás neném, é?

Perdeu a tartaruga.

Nossa senhora!

Me dá uns ovos bem bonitos, hein?

Que eu quero fazer um bolo bem lindo pro meu filho.

E Raquel?

O que tem Raquel?

Eu fiquei remoendo o pensamento com essas coisas,

passei a noite inteirinha em claro, e posso lhe afirmar.

Eu vi, Gaetan! Eu vi mesmo, era ele, sim!

Ei, Inox. Você não viu, tá enxergando mais que um cego, agora.

[Inox] Era ele, sim, velho!

Na estrada da Alamoa, de moto. Tô falando!

[Benigno] À rainha do circo! À beleza dela!

- Posso ir agora? - [Inox] Não sei.

[conversa ao fundo]

[Gaetan fala em francês]

[Teorema] Olha, peraí!

[Gaetan fala em francês]

O que o moço falou?

Ele disse

que nosso circo é uma ilha

dentro de uma ilha.

- Que bonito! - Gostou?

Vamos fazer outro brinde.

[todos comemoram]

[em francês] Pessoal.

[em francês] Tenho uma proposta.

[em português] Uma proposta.

Uma quebra de braço

entre o homem do circo

e o homem da ilha. Hã?

- [Gaetan ri] Mas… - Acho justo.

Um detalhe.

A dinheiro.

- Só se for agora! - [Teorema] Grana!

- [todos falam agitadamente] - Aqui, o dinheiro.

- Aqui o dinheiro. - Dinheiro e satisfação garantida.

- Vou vencer! - Aqui, mais, mais.

- Vou vencer pra você. - [Teorema] Eita!

[homem] Vamos!

Cara feia pra mim é fome.

Bora, Benigno, bota pra foder.

[Gaetan] Ok?

[Gaetan] Valendo!

[todos gritam]

[música animada]

- [todos gritam] - Aí, seu frango!

[Gaetan] Vai, homem!

[Cuscuz] Vai, Inox!

Força!

[homem 2] Vai, bonito!

[gritos de incentivo]

[gritos de comemoração]

[gritos de celebração]

[conversa indistinta]

- De quem é esse? - Pra você.

[Teorema] Triste, triste.

Dinheiro, é? Todo mundo estribado.

E aí, acharam o homem?

Inox fala que viu Kaleb.

É, Zolah, ontem à noite eu vi um homem de moto, de preto, na Alamoa.

[Zanoia] E depois ele saiu voando.

Zolah, se não for ele, eu xoxe, velho!

Vocês tão vendo coisa demais!

E bebendo demais também, né?

Inox, tu escute:

você, pra mim,

- é problema seu. - Oxente.

- Cangulo, feche a conta dele. - Não, meu pirralho.

Fecha a conta de todo mundo, que hoje à noite tem espetáculo.

- [Zanoia] Que fofo! - Pode espalhar pra todo mundo nessa ilha.

Hoje vai ter função!

Procurando alguém?

E aí, Pedro? Acharam o Kaleb?

Achamos nada.

Batemos essa ilha todinha, e nem sinal dele.

Estranho, né?

[caminhão buzina]

Pessoal da ilha tá até dizendo que ele virou assombração e tudo.

Ai, liga não. Daqui a pouco vocês encontram ele.

É.

Mas que é estranho, é. Né?

A única coisa que achamos dele foram esses óculos aqui.

Tu fica bem com eles.

Eu tô usando porque vai que o danado lembra e volta pra buscar.

Vamos descer?

Por quê?

Vamos mergulhar!

Oxe!

Mas nem se chovesse canivete na ilha, eu ia.

- [Zolah] Vou não. - É de graça pra você.

- [Zolah ri] Nem se tu me pagar. - Meu irmão.

Oi, oi.

Cuidado aí.

Tu não perdesse esse medo ainda não, Pedro?

[música suave]

[plateia aplaude]

[apresentador] Senhoras e senhores, com vocês,

a pontaria infalível do grande Gaetan!

[em francês] Allez!

[plateia aplaude]

[aplausos param]

[burburinho da plateia]

[em francês] Allez!

[plateia aplaude]

["A Desconhecida", de Fernando Mendes, tocando]

[Gaetan] Uma dança.

Mademoiselle.

Dá porrada nesse francês, porra!

[Cangulo] Me dê duas.

Duas cervejinhas, por favor.

Vamos dançar, Pedro?

Vamos.

[Cangulo] E aí?

Vou tomar uma cerveja.

Tu visse?

O quê?

Rapaz! O francês tá pegando, é?

- Tu é dessa ilha? - Tu tá na pilha.

- Tá de que lado? - Ela tava aqui.

[Cangulo] Tava aqui porque é nossa amiga, não?

- Amiga? Ele tá comendo. - Cala a boca!

Tá comendo. Tem que bater nesse francês.

[Cangulo] Você tá comendo, todo mundo come ela?

Eu já comi, mas agora é a vez dele,

esse francês tem vez aqui, não.

- [Cangulo] É brother, amigo de infância. - Brother uma porra.

- De infância é Zolah. - Hã?

[Inox] Se aquiete aí, porque o que não falta na ilha é homem.

- Dá uma porrada… - É a figura de quê?

[Zolah] Peraí, porra!

[gritos]

- Eu lhe quebro! - Acabou!

[Benigno] Eu lhe quebro a sua cara!

[homens gritando]

- Eu lhe quebro a cara! - [Cangulo] Ei, ei!

Haule! É isso que tu é! Haule!

[homem] Já acabou, já acabou.

Vale nada!

Merda!

Besteira, viu?

Benigno não precisava ter esquentado tanto, né?

Jandira só tava dançando com o cara.

Tu sabe que, nessa ilha, quando é mabuia, todo mundo acha que tem razão.

Ainda mais aquele ali, que só briga por mulher ou pelo Sport.

Mas não necessitava de ter pegado ar, não.

Vem cá, sereia.

Pra onde?

[Cangulo ri]

Vem cá, vem.

[sussurra]

Tu tava tão bonita dançando hoje…

[Cangulo] Vamos pra cama.

Tu já escovasse o dente?

[Raquel] Hoje não, amor.

Amor…

[Cangulo] Por que não, hein?

Porque não! Parece criança, não sabe ouvir!

[Cangulo sussurra] Desculpa…

[Raquel] Boa noite.

[Cangulo] Raquel.

Te amo, visse?

[Raquel] Também te amo.

[Kaleb] Primeiro você vê a imagem.

Depois, vem o estrondo.

[música calma]

- [mulher 1] Não dá? [ri] - [mulher 2] Igual a uma leoa.

[Zanoia] Aí eu vou e dou!

- Ah, tá… - Né bom?

- Tá bom, eu quero mel. - Então fica aí.

Lá vai, te concentra.

[Cuscuz] Eu tô me concentrando.

Pra pegar o mel nas flores, né?

Oxente, parece uma vaca!

[plateia ri]

[plateia ri]

- Ô, Cuscuz. - Oi!

Eu não falei, quando eu bater minhas asas, tchim-tchim-tchim…

- Sim! - …tu vai dizer "abelhinha,

me dá mel na boquinha"?

Esqueci!

- Leseira! - Faz de novo, vai.

Vai!

- [Cuscuz] Agora eu vou. - Concentra!

- Tô concentrado, mais que nunca. - Agora ele vai ver.

Agora ele vai ver.

[Zanoia cantarola]

[Cuscuz geme]

[plateia ri]

[Zanoia grunhe]

Cuscuz! Eu não combinei

que quando eu bater as minhas asas,

você dizer: "Abelhinha, abelhinha, me dá mel na boquinha"?

[plateia ri] [Cuscuz grita]

[música circense animada]

[Cuscuz grita]

[apresentador] Som…

e luz.

[música suave de piano]

[Zolah] Bom dia.

Desculpa. Bom dia.

Tu sois o Homem-Bala agora, né?

[Zolah ri]

Tu vai querer mergulhar?

[Zolah] Mergulhar, não.

Quero falar com Raquel. Ela está?

Tá, sim.

E tu poderia chamar ela? Diz que eu tô aqui.

- Claro, só um minutinho. Não sai daí. - Tá certo.

Ela mandou dizer que tá ocupada, pediu desculpa

e falou que depois te procura.

[Zolah] Tá certo.

Olha só, como é mesmo teu nome?

Tu não lembra? Jandira, a seu dispor.

[Zolah] É, Jandira…

Jandira, diz pra Raquel

que eu tô esperando ela no circo hoje, tem espetáculo.

Eu dou o recado.

[Zolah] E se tu quiser ir, pode ir.

Vou deixar dois ingressos na bilheteria.

[Jandira] Eu vou, vou com certeza. Sou tua fã.

Olha, pra mim, tu sois um artista de verdade.

[assobio]

[homem 1] Olha lá, Zidane!

- Vai lá. Atrás! - [homem 2] Vai, Camarão!

[homem 2] Vai! É haule agora, boy!

[Inox] Vai, menino!

[gritos indistintos]

[homem 3] Enterra, vai! Vai!

[homens comemoram]

[Cuscuz] Toma essa, Camarão!

[grito de alerta]

[Cuscuz] Vai, Zolah! Vai!

[homem 3] É pênalti!

[homens gritam]

Os meninos tão com os nervos à flor da pele.

Né não? Ainda ontem, eles tavam quase de mão dada.

E agora só querem saber de se atracar.

É essa ilha.

Todo mundo pensa que ela tá parada,

mas ela não para de se mover.

[homem 5] Vai, Cangulo!

Vai lá, Ca… Racha!

[Cuscuz grita de dor]

[homens discutem]

Mandei parar!

[homens conversam alto]

[Cuscuz geme de dor]

[Rosa] Água?

[Zolah] Uhum.

[homens gritando]

E Raquel?

Deve estar mergulhando.

Fica na pilha pra atender cada maluco que chega aqui querendo mergulhar.

Vôti!

É turista que não acaba mais.

Passa mais tempo dentro d'água do que fora dela, né?

Qualquer dia, ela vira peixe de vez.

Ou então, vira sereia.

Não é?

E aí, palhaço?

- Vai pro hospital? - [Cuscuz] Tá foda.

[Teorema] Menos, Cuscuz

Foi só um machucadinho de nada.

Nossa! Esse bicho é mole que só a gota!

[Teorema] Zolah, quem vai fechar o espetáculo hoje?

Tu.

Eu? Tá bom.

[apresentador] A sensualidade arrebatadora da pérola do Caribe.

Teorema!

♪ Se a vida é louca ♪

♪ Um beijo na tua boca ♪

♪ Disfarça e aperta minha coxa Isso me faz tanto bem ♪

♪ Cheiro na nuca Me deixa arrepiada ♪

♪ E ela desce a balada No sangue azul do seu bem ♪

♪ Deixa comigo, amor Deixa comigo, amor ♪

♪ Deixa comigo que o destino nos deixou ♪

♪ Deixa comigo, amor Deixa comigo, amor ♪

[assobios e gritos]

Oxe.

Tu não era pra estar no circo?

Hoje meu número foi o primeiro.

O que tu viesse fazer aqui?

Sei lá.

Queria lhe ver.

Tava de bobeira por aí…

Ontem eu fui lá na loja, achei até que tu ia no circo com Jandira.

Posso entrar?

Melhor não, né? Tá meio tarde, Cangulo deve tá chegando.

[Zolah] Ué! O que tem isso?

Tem problema? A gente não é irmão?

♪ Vem, quem dança, balança Que a alma não cansa, cai e se levanta ♪

Eita, porra!

♪ Que amar é gostoso demais ♪

♪ Vem, quem dança, balança Que a alma não cansa, cai e se levanta ♪

♪ E sobe as paredes Que amar é gostoso demais ♪

[plateia aplaude]

Quais os métodos que o senhor utiliza para prender delinquentes?

Ah, bom. Isso varia para cada tipo de delinquente.

[Raquel] Ei.

[Raquel e Zolah riem]

[Zolah ri]

[Raquel] Pedro.

Tu já parasse pra pensar o que seria da nossa vida

se você não tivesse ido embora da ilha?

[som da TV]

[Zolah] Tu e eu?

Se eu não tivesse ido embora daqui, embora com o circo?

Não sei…

Você acha que a nossa vida ia mudar tanto assim?

Certamente tu não seria o Homem-Bala.

Uma estrela do circo, o homem mais famoso do mundo, mais querido,

mais amado, cheio de amigos…

Não teria viajado o mundo todo,

não teria conhecido tanta gente interessante…

Não teria ido, sei lá…

Pra Melbourne?

- Melbourne? - É!

Num seria esse…

esse cara sem compromisso com nada, sem destino…

sozinho…

E eu não seria mergulhadora.

[ri suavemente] É…

É, não ia tá nesse mundo aí dos peixes, né?

Tubarão, arraia, golfinho…

Mergulhada no mundo,

no teu mundo particular,

aquático.

Silencioso, né?

É.

Onde ninguém te vê, e tu não escuta ninguém.

♪ Sou tão só ♪

♪ Perto de mim há uma dor ♪

♪ Que não escolhe… ♪

[conversa indistinta]

Isso é metal, metal de fusquinha também.

Mas isso aí é sou eu que faço na ilha. É minha assinatura, ninguém faz isso.

- É mesmo, é? - É.

E esse cangulinho aí custa quanto?

Rapaz, pra tu, que é meu brother,

só porque tu é meu brother,

- vinte conto. - Sou seu brother, é?

E né não?

[Inox ri suavemente] Sei não, 20 conto…

Faz o seguinte:

fica com isso aí, irmão. Depois a gente acerta.

Bom, vou nessa, minha mulher tá me esperando. A gente se vê aí.

A gente se vê, com certeza.

Rapaz, que moleque talentoso, olha que jeitoso!

Cangulinho lindo.

Eu acho que eu seria,

sei lá, dono de supermercado, pousada.

Ou então ficaria plantando pimenta.

Pimenta?

É, qualquer coisa que fosse bem longe do mar.

Não sei…

Cangulo?

- Tudo joia? - [Cangulo] Tudo bem.

Tudo joia?

[som da TV]

[Raquel respira profundamente]

[som da TV]

[som da TV] Isso acontece.

- Tá passando mal, meu filho? - Não, não.

Desculpe. Já vi esta cara, não sei aonde.

Teorema deu um show fuderoso hoje lá no circo.

Foi mesmo?

Cubana danada!

Os menino tão tudo cercando ela lá no bar.

Tu não vai lá hoje, não?

Vou nada!

Todo mundo vai lá só pra encher a lata e falar mal da vida dos outros.

Pronto.

Tá bebendo não, é, Quel?

[TV] Se deixar a porta aberta outra vez, eu te mato!

Que é que há?

Terminou?

[TV ao fundo em espanhol]

[Cangulo] Beije direito!

Ai! Porra, Cangulo!

[Raquel] Cacete!

Foi mal aí!

[som da TV]

[torneira abre]

[respira fundo] Oxe…

Vou nessa aí.

A gente se esbarra.

[Cangulo] A gente se vê.

Tchau, Raquel.

Tchau.

[TV ao fundo em espanhol]

[Raquel] Vai mais pra lá.

Vai!

Trouxe um peixinho aí, pra gente jantar.

Tá tarde pra jantar, né? Eu já comi.

Deixe isso aí, sereia. Vamo pra cama.

[TV ao fundo em espanhol]

[Cangulo respira fundo]

[água correndo da torneira]

[Cangulo sussurra] Pra cama… porra!

[porta bate]

[Cangulo respira fundo]

[lençol balançando]

E aí?

[Gaetan suspira de surpresa]

Cangulo!

Traz outra aí!

Cachaça, Zolah?

E apois! Cachaça! Aproveita e traz pra todo mundo, que hoje eu pago.

[Inox] Esse é meu pirralho! Eita!

Aproveitar a ocasião aqui pra fazer um brinde, né?

Ao meu amigo de infância, Cangulo!

O caba mais sortudo dessa ilha!

- Saúde! - Saúde!

[Inox] Saúde.

Deixa a garrafa aí.

Certo?

[ondas batendo]

[música ao fundo]

♪ Odoyá, Odoyá ♪

♪ Odoyá, Odoyá ♪

♪ Eu sou do mar Do mar eu sou ♪

♪ Eu sou do mar Do mar eu sou ♪

♪ Tenho a magia do mar Eu sou de Iemanjá ♪

♪ Odoyá ♪

♪ Tenho a magia do mar Eu sou de Iemanjá ♪

♪ Vem, Janaína, senhora das águas Me dá o seu manto ♪

♪ Me dá o seu colo ♪

♪ Entre e o azul e branco ♪

♪ Da cor do mar ♪

[batuques do atabaque]

[batuques aceleram]

[plateia aplaude]

Hey!

[plateia aplaude]

[som das ondas continua]

[disparo de canhão]

Tire essa mão daí, macho!

- Tire a mão daí! - [Zolah] Não, não!

- [Zolah] Um segundinho. - [Inox] É aqui, né?

Uma anestesia, que senão, não dá.

Anestesiou? É aqui? Dói aqui?

- [Zolah] Dói… - [Inox] Então respire, que vai doer mais.

[Zolah geme de dor]

[ri aliviado]

Isso foi nada. Foi um pequeno acidente de percurso.

Eu mesmo já presenciei um no Circo Nerino, igualzinho.

Não passa nada, isso aqui. Agora, vamo comemorar, não foi nada.

Me dê também, que eu quero comemorar também.

E tu merece!

[Gaetan cantando em francês]

[conversa indistinta]

[Zolah] Devagar.

Dança, vem.

Melhor você.

Eu não sei muito, não.

Não sabe dançar?

- Então, vamos ali. - Ali aonde?

Nas pedras.

[Zolah] Vamos.

[Gaetan cantando em francês]

[suspira]

[ambos ofegantes]

[Jandira geme]

[Jandira geme]

O que aconteceu com a Bala-Humana?

A maresia.

A maresia é foda.

Atrapalha pra caralho.

[urina]

[som de motocicleta se aproximando]

Eu não disse que tu ia voltar?

[Kaleb sussurra]

[motor de moto batendo]

[sussurro continua]

[Mumbebo] A certeza plena

é o maior ato de covardia.

Só o risco e a dúvida me colocam em movimento.

[água pingando]

[pássaros cantando]

Fiz um bolo pra você.

Sabia que todo ano, no dia do seu aniversário,

eu fazia um bolo

e me sentava aqui mais Raquel,

a gente ficava

comendo bolo, apagando a vela,

pensando onde que tu estarias

naquele momento,

largado por esse mundo de meu Deus.

Tu gosta mesmo desse bolinho.

Desde pequenininho.

Tudo comia tanto, tanto bolinho de tubalhau, que passava mal.

Mas tu nem ligava, e dizia:

"Comer carne de tubarão vai me deixar forte pro resto da vida!"

Não é que deixou mesmo?

[Zolah] Rosa…

Vai me chamar de mainha, não?

Era assim que tu me chamava antes.

[Zolah respira fundo]

Por que tu me deixasse ir com o Kaleb?

Tu era grande demais pra essa ilha, meu filho.

Não era só eu que achava isso.

Todo mundo achava.

[Zolah] E Raquel?

O que tem Raquel?

Por que tu não desse ela também pra alguém?

Ela é mulher.

E tu sabe que nessa ilha mulher faz falta.

Raquel também não ia aguentar essa vida.

Raquel é diferente.

Tu sempre foi assim…

despachado…

conversava com todo mundo, tá sempre no meio do povo…

Raquel tem um mundinho só dela.

Por isso que ela vive embaixo d'água.

Eu não ia aguentar, meu filho.

Quando tu foi embora.

Eu perdi metade de mim.

Eu não ia aguentar perder tudo de uma vez só.

Pode deixar.

[Rosa] Foi o Kaleb que me mandou as foto.

Eu fiz ele me prometer, antes de ele te levar pra longe de mim.

Foi um jeito que eu arranjei de ficar mais perto de tu esses anos todos.

Filho, se tu quiser ficar aqui…

o quarto ainda é teu,

tá do jeitinho que você deixou.

Pedro…

eu queria que tu soubesse que eu lhe amo, visse?

Meu nome agora é Zolah.

[engasga]

[geme]

[suspira]

[choro abafado]

[choro intensifica]

[engasga]

[choro continua]

[Zolah chora alto]

[suspira]

[Zolah chora desesperadamente]

[Rosa chora silenciosamente]

[Zolah chora desesperadamente]

[ondas batendo]

[pássaros cantam]

[Raquel] Pula, Pedro.

Venha, Pedro. Pula!

Eu tô aqui, pode pular.

[água respinga]

[Raquel] Pedro, olha pra mim. Respira.

Bota o regulador aqui.

Bota o regulador.

Agora, olha pra baixo.

Ei, calma.

Eu tô do teu lado, e lá embaixo é muito mais tranquilo.

Confia em mim, vamos descer.

[arfa aliviado]

[grita animado]

[ri]

[Raquel] Tá feliz é?

É muito…

Só tenho uma coisa a lhe dizer.

Muito obrigado.

Muito obrigado.

Muito obrigado.

Obrigado por quê, rapaz? O mar tá aí pra todo mundo!

Você me mostrou teu mundo.

Obrigado mesmo.

Vai no circo hoje?

Eu vou ver.

Vai, sim. Promete que vai.

- [Raquel] Eu vou ver. - [Zolah] Não, não. Tu vai.

Agora eu tenho que ir, tá?

Ir aonde?

- [Zolah] Vai voltar? - [Raquel] Pro mar!

Vou…

Tu é danada, hein!

Você se cuide, viu? Que terra é muito perigoso!

Vai.

[disparo de canhão]

[plateia aplaude]

Hey!

[plateia aplaude]

["Romance em Fá Menor", de Matousek e Petr, tocando]

[água da torneira correndo]

[água para de correr]

[goteira pinga lentamente]

[goteira pinga intensamente]

[Teorema] Tá na hora de ir embora daqui dessa ilha, Zolah.

Acha que não estou vendo o que tá acontecendo aqui?

Tá certo não, Zolah. Não tá.

Você nessa ilha.

Eu sei muito bem o que acontece numa ilha.

Eu vim de uma ilha, você já esqueceu?

[Zolah] Olhe, Teorema,

o público vai voltar pro circo.

Pode ter certeza.

Eu conheço esse povo, eu sou daqui.

[Teorema] Eu te peço mais uma vez.

Vamos…

Vamos voltar pro continente, por favor.

[Zolah] Vai, tá na tua hora.

[plateia suspira horrorizada]

E aí, Cangulo? Tudo em paz?

[Cangulo] Tô invisível.

Eu nunca errei.

Eu nunca… nunca errei uma faca.

[Gaetan fala em francês]

Tu tem certeza que não foi tão sério assim, Inox?

Teorema? Teorema tá bem! Teve sorte, não pegou nenhum

órgão importante, nenhuma veia.

Ela tá bem.

[Gaetan fala em francês]

Eu vou enlouquecer nessa ilha.

Eu vou enlouquecer aqui, tô falando sério.

Isso que aconteceu foi um aviso.

Primeiro foi Kaleb que sumiu, e agora Teorema? Gente…

A gente tem que se ligar!

Amanhã mesmo vou falar com Zolah, quero saber quando chega

essa merda desse barco pra buscar a gente!

Acho que deu minha hora, visse? Eu vou.

Nunca errei.

Nunca errei uma faca.

[Inox geme]

[ambos ofegam]

Por que tu voltasse?

Ó, infame distância.

Que insiste em me aproximar de você.

[crianças riem]

[ondas batendo]

[música orquestral triste]

[música esmaece]

[música estronda]

[ondas batendo]

[música triste continua]

[ondas batendo]

[Mumbebo] Há milhões e milhões de anos atrás,

durante o período quaternário

da era geológica,

quando a terra era pangeia

e o mar era de Tétis,

esta ilha não era uma ilha ainda,

era um vulcão.

[Mumbebo] O magma incandescente

exprimido das profundezas da terra

criou uma grande erupção…

e sedimentou!

Esta formação em sua área,

encravada aqui,

na vastidão

do Atlântico Sul.

Nesta ilha vivia então

um casal de gigantes.

E eles copulavam continuamente.

Zeus,

deus que rege a todos,

não se conformava

e resolveu impor um castigo terrível

aos dois fornicadores.

Transformou-os em pedra.

Ela…

teve os seios expostos

à flor d'água.

E ele…

o falo petrificado,

colocado ali no mais alto morro da ilha…

apontando para o firmamento.

Mas prestem atenção.

Nem os deuses mais poderosos

conseguem impedir…

o que está a acontecer.

Agora, crianças, podem se divertir.

- [criança 1] Bora! - [criança 2] Bora!

[criança 3] Espera!

["Conselheiro", de Batatinha, tocando]

♪ Sou profissional do sofrimento ♪

♪ Professor de sentimento ♪

♪ Do amor fui artesão ♪

♪ Mestre do viver já fui chamado ♪

♪ Conselheiro do reinado ♪

♪ Cujo rei é o coração ♪

♪ Mestre do viver já fui chamado ♪

♪ Conselheiro do reinado ♪

♪ Cujo rei é o coração ♪

♪ Sou profissional do sofrimento ♪

♪ Professor de sentimento ♪

♪ Do amor fui artesão ♪

♪ Mestre do viver já fui chamado ♪

♪ Conselheiro do reinado Cujo rei é o coração ♪

♪ Mestre do viver já fui chamado ♪

♪ Conselheiro do reinado ♪

♪ Cujo rei é o coração ♪

♪ Quebrei do peito a corrente ♪

♪ Que me prendia à tristeza ♪

♪ Dei nela um nó de serpente ♪

♪ Ela ficou sem defesa ♪

♪ Mas não fiquei mais contente ♪

♪ Nem ela menos acesa ♪

♪ Tristeza que prende a gente ♪

♪ Dói tanto quanto a que é presa ♪

♪ Abre meu peito por dentro ♪

♪ O amor entrou como um raio ♪

♪ Saí correndo do centro ♪

♪ Dentro do vento de maio ♪

♪ Dentro do vento de maio ♪

♪ Sou profissional do sofrimento ♪

♪ Professor do sentimento ♪

♪ Do amor fui artesão ♪

♪ Mestre do viver já fui chamado ♪

♪ Conselheiro do reinado ♪

♪ Cujo rei é o coração ♪

♪ Mestre do viver já fui chamado ♪

♪ Conselheiro do reinado ♪

♪ Cujo rei é o coração ♪

♪ Peguei do peito a corrente ♪

♪ Que me prendia à tristeza ♪

♪ Dei nela um nó de serpente ♪

♪ Ela ficou sem defesa ♪

♪ Mas não fiquei mais contente ♪

♪ Nem ela menos acesa ♪

♪ Tristeza que molha a gente ♪

♪ A tanto quanto a que é presa ♪

♪ Abre meu peito por dentro ♪

♪ O amor entrou como um raio ♪

♪ Saí correndo do centro ♪

♪ Dentro do vento de maio ♪

♪ Dentro do vento de maio ♪

♪ Dentro do vento de maio ♪

♪ Dentro do vento de maio ♪

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.