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ESTE PROGRAMA CONT�M CENAS FORTES
QUE PODEM N�O SER ADEQUADAS A ALGUNS ESPECTADORES.
Conte as hist�rias de Jesus
que eu amo ouvir.
Acho que ele � maluco, a pr�pria ess�ncia do mal.
Por todos os crit�rios, ele � um assassino em s�rie.
estava ao lado dele e meu instinto dizia que
algu�m devia botar uma arma na cabe�a dele e puxar o gatilho.
O ASSASSINO EM S�RIE HADDEN CLARK
GANHA UM NOVO COLEGA DE CELA.
Ele achava que era mesmo Jesus.
E deixei que ele me contasse a hist�ria dele.
DO PRODUTOR EXECUTIVO MICHAEL BAY
O guarda abriu a porta e ele estava ali,
sorrindo e disse:
UMA HIST�RIA SINISTRA...
"Sabia que voc� era Jesus. Voc� veio cuidar de mim."
DE UMA FAM�LIA ASSASSINA EM S�RIE
DA QUAL VOC� NUNCA OUVIU FALAR.
O Hadden Clark come�ou a idolatrar o Jack Truitt
porque achou que o Jack era Jesus Cristo.
Eu bati muito nele.
Ele dizia que Jesus n�o devia ser violento.
Eu respondia que sim, mas queria tirar o dem�nio de dentro dele.
E ent�o aconteceu o pior,
ele matou uma menininha.
JUNTO COM O INVESTIGATION DISCOVERY
Ele escreveu um di�rio pra mim.
QUERIDO JESUS
Perguntei por que ele tinha feito aquilo com aquelas pessoas.
Ele disse que o pai fazia a mesma coisa.
Ele me contou que tinha matado gente
em Provincetown, em Block Island.
O Hadden deve ter matado
um monte de gente em Massachusetts.
Ele contou que quando estava na marinha,
matou gente em todos os portos onde parou.
Ele disse que vestiu ela depois de matar.
Todos os desenhos que ele fazia eram de locais de crimes.
Ele � o mal encarnado.
Assim que ele sair, vamos atr�s dele, e...
temos que acabar com ele.
Vamos mat�-lo.
O MAL NA SUA ESS�NCIA: A HIST�RIA DE HADDEN CLARK
Meu nome � John Patrick Truitt.
A maioria das pessoas me chama de Jack,
porque n�o gosto de John.
Nada contra os Johns do mundo,
mas s� fui chamado de John quando me colohomemm na pris�o.
Em 1999,
eu estava cumprindo uma pena de pris�o perp�tua...
por assassinato.
Namorei a filha de um dos jurados
e ele n�o gostava de mim.
CONDENADO EM 19 MINUTOS
N�o foi um bom julgamento.
Passei 26 anos na pris�o.
Nunca achei que seria solto.
Eu estava sendo transferido pra outro pres�dio
com 8 prisioneiros.
Um homem...
que tinha entrado no �nibus conosco estava fazendo isso.
Balan�ando pra frente e pra tr�s,
fazendo...
Ele me olhava com um sorriso terr�vel,
que � uma coisa que n�o se faz na pris�o.
Ningu�m fica enhomemndo os outros,
principalmente do jeito que ele estava me enhomemndo,
com aquele sorriso.
Parecia uma coisa de vil�o de filme, como o Coringa.
Maluco.
Pensei: "Espero que seja a �ltima vez que vejo esse homem".
Chegamos na cela,
a porta abriu
e l� estava ele.
Eu n�o acreditei naquilo.
Ele olhou pra mim e disse:
"Jesus, sei que Deus o enviou pra mim.
Tenho muita coisa pra falar pra voc�."
Eu disse: "N�o tem n�o."
Deitei na cama,
virei de costas pra ele
e fui dormir.
Na manh� seguinte, acordei
e ele estava sentado no vaso sanit�rio escrevendo.
Ele me disse:
"Vou contar tudo que fiz, para que eu possa ser perdoado."
Ele realmente acreditava que eu era Jesus Cristo.
Ele tinha que confessar pra mim
que tinha matado algu�m
em todos os estados dos Estados Unidos.
Fiquei pensando: "quem � esse homem"?
E ele continuou:
"Ningu�m sabe disso,
mas sei onde a Michele foi enterrada."
Eu nem sabia quem diabos era a Michele.
PRIMEIRA V�TIMA MICHELE DORR
Lembro que quando a Michele fez 6 anos,
ela comemorou com os colegas de escola
com uma festinha numa lanchonete.
Sou Carl Dorr, pai da Michele Dorr.
Na minha mem�ria, guardo a imagem
dela dan�ando com as amiguinhas e amiguinhos,
rindo e se divertindo.
A Michele Dorr era uma menina de 6 anos de idade,
cabelos castanhos e personalidade alegre.
Meu nome � Jim Trusty
e eu trabalhava na promotoria do Condado de Montgomery.
Infelizmente, ela era uma crian�a
que estava passando por um momento dif�cil por causa de...
como posso dizer?
De um div�rcio bem turbulento.
No fim de semana do Memorial Day de 1986,
a m�e da Michele, Dorothy,
fez planos de viajar pra Virginia Beach pra ver a fam�lia.
Eu ia ficar com a Michele.
Achei que ter�amos um dia tranquilo naquele 31 de maio.
Eu ia fazer tudo que a Michele quisesse fazer.
O meu tempo era todo dela.
O dia estava muito quente.
Enchi a piscina infantil no quintal,
entrei em casa e assisti a corrida de Indian�polis.
O Carl sabia que a filha estava no quintal,
e ficou assistindo � corrida,
e as horas passaram sem nenhum evento fora do comum.
A Michele entrou na casa,
vi quando ela pegou uma toalha colorida,
e ela saiu pela porta de tr�s.
Eu sabia que os filhos do Geoff estavam com ele.
O Geoff Clark era outro pai separado
e a filha dele, Elizabeth, era amiga da Michele.
Achei que a Michele estava na casa do Geoff.
IRM�O MAIS NOVO DO HADDEN
O meu nome � Geoff Clark.
A Michele tinha pais divorciados
ent�o ela visitava o pai
a cada 2 semanas.
Ela vinha ver o pai e ficou amiga da Elizabeth.
Quando a gente sa�a,
muitas vezes na volta ela estava sentada na varanda,
esperando a minha filha.
�s 17:45h eu fui at� a casa do Geoff,
fui at� o quintal onde eles estavam
e perguntei onde estava a Michele.
E o Geoff disse que ela n�o estava l�.
Eu falei: "Como assim, ela n�o t� aqui?
Ela passou a tarde brincando com a Elizabeth."
"N�o, a Elizabeth n�o viu ela."
Aquilo n�o fazia sentido, nenhum.
Fiquei perturbado,
e comecei a entrar em p�nico.
Fizemos uma busca pela vizinhan�a.
A Dorothy, m�e da Michele, n�o me disse pra onde ia,
nem deixou um telefone, s� disse que ia visitar a fam�lia.
E eu n�o sabia pra onde ligar.
Ent�o, peguei o carro,
fui at� a delegacia e notifiquei o desaparecimento.
Informei a �ltima vez que tinha visto ela,
quando entrou na casa,
que devia ser umas 14:00h.
Foi a �ltima vez que vi minha filha.
A pol�cia levou o caso muito a s�rio.
Naquela noite n�o tinha nada que eu pudesse fazer,
eu estava desesperado.
No dia seguinte, a pol�cia iniciou uma investiga��o,
come�ou a fazer perguntas, essas coisas.
Eles queriam saber todos os fatos,
e uma coisa que eles quiseram que eu fizesse,
pra me descartar como suspeito,
foi passar pelo detector de mentiras.
Eu concordei na hora.
Come�aram com perguntas f�ceis: Meu nome, dia, m�s e ano de nascimento.
Depois come�aram a fazer perguntas sobre a Michele.
Contei o melhor que podia de tudo que lembrava
da �ltima vez que vi a Michele, cerca de 14:00h do s�bado.
Mas eu n�o tinha certeza,
n�o estava olhando o rel�gio.
E a� eles come�aram a perguntar
se tinha feito alguma coisa pra machucar a Michele.
Mais tarde o investigador Farrell
me disse que eu n�o passei no teste.
Eu disse que n�o, que eu n�o tinha feito nada.
Ent�o ele disse: "Falei com a m�e da Michele,
e ela disse que voc� seria capaz de fazer alguma coisa com ela.
Estou acusando voc� de matar a sua filha."
O Carl Dorr era o pai da Michele,
ele foi casado com a Dorothy, que era conhecida como Didi.
O casamento foi turbulento, houve muitas den�ncias feitas,
incluindo amea�as do Carl dizendo
que se ele n�o podia ficar com a Michele,
ela tamb�m n�o ia ficar.
Por isso eles investiram muito tempo e energia pra pegar o Carl.
Pra tentar descobrir se ele tinha
algum segredo que pudesse resolver o caso rapidamente.
Eu sabia que era suspeito no caso.
O investigador ficava insistindo, gritando comigo.
"Se n�o acharmos uma crian�a
da idade da Michele
num intervalo de 24 horas,
a sua filha vai acabar morrendo".
Foi uma experi�ncia horr�vel.
Aquilo estava me enlouquecendo.
12 HORAS DESDE O DESAPARECIMENTO DA MICHELE,
DE 6 ANOS DE IDADE
A pol�cia falou com os vizinhos,
pra descobrir se algu�m sabia alguma coisa.
Uma informa��o �til veio de um jardineiro
que, naquela tarde,
tinha pedido pra dar um telefonema na casa do Geoff Clark,
vizinho do pai da Michele.
Ele estava na porta da casa,
e encontrou o irm�o do Geoff, Hadden,
que conversou com ele.
Ele se lembrava de pedir pra usar o telefone,
e tamb�m disse que viu uma menina dentro da casa.
Ele n�o fez nenhuma descri��o detalhada,
mas era alguma coisa
que podia ligar a Michele e a casa do vizinho.
Me lembro de que eu e as crian�as est�vamos no quintal
grelhando hamb�rgueres e salsichas,
aproveitando o fim de semana do feriado
quando, de repente, os policiais apareceram no quintal.
A Michele tinha desaparecido,
eles fizeram perguntas e eu disse que eles podiam procurar, sabe.
Perguntaram quando eu tinha visto a Michele pela �ltima vez,
onde a gente foi.
E perguntaram sobre o Hadden.
A FAM�LIA CLARK
Infelizmente, quem olha a minha casa por dentro,
percebe que vivo de maneira ca�tica.
Olha essas fotos que eu encontrei.
Aqui estou eu, bem no meio.
Esse � o Brad.
Esse � o Hadden.
O Hadden nasceu em 1952.
Eu nasci em 1955.
O meu irm�o Hadden tinha problemas cognitivos graves.
Quando ele ainda era bem pequeno,
minha m�e se esfor�ou muito para dar o que podia para ele.
O Hadden sabia sorrir.
Ele n�o sabia fazer praticamente nada,
mas pelo menos sabia sorrir de vez em quando.
Tinha alguma coisa errada com o Hadden desde o in�cio.
Esta � uma liga��o a cobrar de...
Hadden Clark.
Um prisioneiro do Pres�dio de Maryland.
Recebeu a carta que eu mandei semana passada?
Sim.
Li que a sua m�e xingava voc�.
Ela abusava de mim.
Ela me chamava de burro.
Meus irm�os diziam para os amigos que eu era burro.
Como voc� se sentia com isso?
Me machucava, mentalmente.
Ele n�o falava.
Eu me lembro de hist�rias de que minha m�e recebia gente em casa,
pra movimentar o corpo dele quando ele era bem pequeno,
pra mexer os m�sculos dele.
Muita gente te provocava?
�, muita gente.
Quando eu estava come�ando a andar,
a minha m�e me derrubava,
pra me impedir de aprender,
porque o Hadden ainda n�o estava andando.
Ele tinha alguns problemas mentais.
Fui criado como uma menina, ent�o n�o importa.
Por que voc� foi criado como menina?
�s vezes, os meus pais usavam isso como puni��o.
Em vez de me agredir fisicamente,
eles me faziam ir de vestido pra escola.
Se fosse descrever sua m�e em uma frase, qual seria ela?
Como filho dela?
Se algu�m me mostrasse uma foto dela agora,
eu rasgaria.
A minha m�e era alc�olatra.
Na maior parte do tempo, ela era perversa.
Ela fazia v�rias coisas ruins.
Quando a sua m�e morreu, voc� ficou triste?
N�o.
N�o ficou triste? Nem um pouco?
N�o.
O Hadden passou muito tempo
em diferentes escolas especiais pra tentar lidar
com as outras quest�es que o tornavam antissocial.
A minha fam�lia se mudou para Ohio.
Eu fiquei na Pensilv�nia para ir a uma escola t�cnica.
Quando se formou no ensino m�dio,
por volta de 1970,
o Hadden entrou no Instituto de Culin�ria.
Depois disso, ele come�ou a viajar
e fazer bicos aqui e ali.
N�s come�amos a perceber um padr�o:
ele arrumava um emprego, era demitido,
ia embora com as facas
e rasgava todos os pneus dos carros do estacionamento.
Em 1985, o Hadden foi dispensado da marinha,
n�o estava trabalhando e n�o tinha onde morar,
ent�o, ele foi passar um tempo na casa do irm�o.
Ele n�o tinha lugar pra ir e precisava da minha ajuda.
Ent�o convidei ele pra passar 6 meses em casa.
Conheci a Stephanie, que se tornou a minha esposa,
na �poca que o Hadden estava morando aqui.
E eu n�o queria que ele conhecesse ela.
N�o queria que ela conhecesse ele.
Ent�o pedi pra ele ir embora, porque...
ele j� estava em casa por muito tempo
o dobro do tempo que eu tinha oferecido.
No dia que a Michele desapareceu,
o Geoff tinha pedido pra ele ir embora.
E o Geoff tirou a fam�lia de casa, incluindo a Elizabeth,
pra deixar o caminho livre
pro Hadden pegar suas coisas e sair da casa.
A gente ficou fora
algumas horas.
Pouco tempo depois,
Hadden foi levado pra delegacia de Montgomery pra conversar.
Ele basicamente disse que naquele dia estava trabalhando num clube.
E o cart�o de ponto mostrava que ele tinha chegado
no local de trabalho �s 14:46h.
Se os hor�rios estivessem corretos,
se o Carl viu a filha pela �ltima vez �s 14:10,
e se �s 14:46 foi o momento exato em que o Hadden Clark
chegou pra trabalhar no clube,
o �libi dele era bem forte.
Seria imposs�vel provar que aquele homem tinha tido tempo
pra raptar uma crian�a pequena
ou limpar o local do crime como teria feito.
DEVAGAR: CRIAN�AS E PETS NO PARQUE
A pol�cia n�o gastou muito tempo nem recursos
no Hadden Clark naquele momento.
N�o mais do que em qualquer outro vizinho.
Eu estava assistindo o notici�rio, acho que era s�bado � noite...
Tudo que posso dizer � que estamos fazendo v�rias perguntas.
Parte da investiga��o � questionar as pessoas.
Precisamos interrogar todos os familiares.
E comecei a alucinar.
Achei que a pol�cia estava falando de mim de um jeito estranho,
a minha sa�de mental se desintegrou totalmente.
Eu tinha um pensamento delirante
de que, de alguma maneira,
eu podia trazer ela de volta � vida ou algo assim.
Era como eu conseguia lidar com aquilo.
Era minha a �nica esperan�a de ver a minha filha viva de novo.
UMA SEMANA DESDE O DESAPARECIMENTO DA MICHELE DORR, DE 6 ANOS.
8 dias depois do desaparecimento da Michele,
tive um del�rio de grandeza de que tinha o poder de ressurrei��o,
e se eu tinha esse poder, devia ser Jesus.
Fui contar isso pra m�e da Michele,
e infelizmente um homem chamado Edward Jagen estava l�.
PROGRAMA GOOD KNIGHTS
O Ed Jagen era detetive particular
e tinha se envolvido na busca pela Michele.
No in�cio daquela semana,
por algum motivo o Ed Jagen tinha cismado
com o v�o embaixo da minha casa em Silver Spring.
Eu achava que talvez ele tivesse matado a minha filha.
E que ele estava me dando pistas
de que tinha enterrado a Michele naquele espa�o.
Por isso, acusei ele de ser o dem�nio,
e disse que precis�vamos ir pra minha casa em Silver Spring
pra encontrar a Michele.
Eles ligaram pra pol�cia e foi feita uma busca no local.
A Michele desapareceu da casa do pai.
Ele deu declara��es contradit�rias do evento
e chegou a dizer que enterrou ela embaixo da casa.
E saiu essa not�cia em 1986,
de que eu tinha confessado ter matado a Michele
e enterrado o corpo dela no v�o sob a casa.
Ent�o, voc� nunca confessou?
Em nenhum momento eu confessei ter matado a Michele.
O Carl Dorr estava falando todo tipo de bizarrices,
disse ela estava enterrada embaixo da casa.
A pol�cia checava os lugares que ele mencionava
e n�o encontrava nada.
Eles perceberam, durante um interrogat�rio,
que o homem estava perdendo a raz�o.
O estresse de perder a filha, de ter sido acusado,
o estresse da acusa��o p�blica.
Tudo isso deixou o Carl Dorr num estado mental terr�vel.
A esperan�a persiste, mas, esta noite,
a busca por Michele Dorr, de 6 anos, chegou ao fim.
O pai da Michele n�o est� mais sob avalia��o psiqui�trica.
O que voc� espera?
Espero que ningu�m tenha machucado a minha filha.
� o que eu espero.
Voc� acha que ela ainda pode ser achada?
Espero muito que sim.
Como em qualquer homic�dio,
o tempo n�o est� do lado de quem tenta solucionar o crime.
Neste caso, o corpo da Michele n�o foi encontrado,
e o caso come�ou a ficar em segundo plano.
N�o havia mais o que fazer.
OUTUBRO DE 1992
Em outubro de 1992,
houve outro desaparecimento no Condado de Montgomery.
Ela era moradora de Bethesda.
Ela vivia com a m�e, quando n�o estava na escola.
O meu nome � Ed Tarney, eu era investigador
da divis�o de crimes graves da pol�cia do Condado de Montgomery.
Naquela �poca, Hadden Clark
estava trabalhando pra m�e dela, como jardineiro.
Sou Richard Pallin,
ex-investigador de homic�dios do Condado de Montgomery.
Dissemos pro sargento que o jardineiro
era um sujeito chamado Hadden Clark.
O sargento parou na hora, olhou pra mim e disse:
"Hadden Clark?" Eu respondi que sim,
e ele disse que ele era suspeito no caso Michele Dorr.
Come�amos rever o caso de Michele Dorr
pra tentar entender o que havia acontecido.
Por que o Hadden n�o tinha sido suspeito na �poca?
E descobrimos que ele foi, mas tinha um �libi.
Ent�o eu disse: "Tudo bem,
vamos checar esse �libi".
O per�odo entre a �ltima vez que o Carl viu a filha
e o Hadden bateu o cart�o de ponto era muito curto.
Ent�o, o Carl basicamente
deu ao Hadden Clark um �libi,
por causa da hora que ele disse que viu a Michele.
Li no arquivo do caso
que o Carl tinha dito v�rias coisas bizarras.
Ele estava passando por um div�rcio dif�cil,
a filha tinha desaparecido e a pol�cia desconfiava dele.
Ele acabou surtando.
Eu me coloquei no lugar dele pra tentar entender
por que ele tinha agido daquela maneira.
Foi quando caiu a ficha.
Fui at� a casa dele uma tarde e disse: "Carl...
olha s� o que eu acho que aconteceu.
Acho que voc� dormiu, perdeu a no��o do tempo
e n�o queria ser considerado
um pai irrespons�vel por causa do div�rcio.
Acho que voc� chutou o hor�rio."
E ele admitiu que essa era a verdade.
Eu tinha que prestar contas
do que tinha acontecido naquela daquela tarde.
Dei a melhor declara��o que podia naquele momento.
E o melhor que eu podia fazer eram aproxima��es.
Quando conversamos, ele disse que tinha visto a filha mais cedo,
que tinha sido mais perto hora do almo�o
do que das 2 da tarde.
E isso fazia muita diferen�a
na hora de considerar o �libi do Hadden Clark.
Com certeza dava ao Hadden tempo pra cometer
o crime.
Durante a investiga��o, eles descobriram
que naquela noite
o Hadden foi ao Centro M�dico da Marinha
depois de sair do trabalho.
Ele tinha um corte na m�o,
talvez tivesse se cortado com uma faca.
Acredit�vamos que ele tinha matado a Michele Dorr,
mas n�o pod�amos provar.
Michele Dorr, de 6 anos, desapareceu
no fim de semana do Memorial Day em 1986
enquanto brincava numa piscina infantil no quintal do pai
que, no in�cio, foi o suspeito.
Agora, o caso foi reaberto e a pol�cia investiga Hadden Clark.
Clark morava com o irm�o, perto da casa de Carl Dorr.
Assim que a pol�cia disse
que a Michele tinha desaparecido,
eu sabia que Hadden era culpado pelo que tinha acontecido.
GEOFF CLARK IRM�O MAIS NOVO DO HADDEN CLARK
Na �poca, era s� uma suspeita
e n�o existiam fatos
que pudessem comprovar.
Na �poca em que a Michele desapareceu,
o Geoff e a nova namorada passaram o dia fora,
e o Hadden ficou sozinho par tirar as coisas dele de casa.
Ent�o reunimos todos os equipamentos e fomos at� a casa
pra fazer uma busca.
Eles vieram pra c�, e perguntaram pra mim
se podiam fazer uma an�lise forense l� em cima.
N�s achamos que ele podia ter matado
a Michele no quarto da Elizabeth.
Ent�o os investigadores
foram at� aquele quarto que era bem pequeno,
e ele foi analisado com cuidado.
Uma das coisas mais interessantes
era que os v�os do piso de madeira
pareciam ter sido molhados com algum produto e depois limpos.
Arrancamos todo o piso do quarto.
com a ajuda dos nossos reagentes qu�micos,
conseguiu encontrar o que acredit�vamos ser sangue humano.
E eles encontraram
o sangue da Michele nos v�os do piso.
A pol�cia do Condado de Montgomery
esteve ontem em Silver Spring,
e encontrou ind�cios de um crime
na casa do Geoffrey Clark, irm�o de Hadden Clark.
Naquele momento, falei com todo mundo que havia morado na casa,
pra saber se algu�m havia sangrado
naquele quarto.
E os donos anteriores
disseram que ningu�m havia sangrado ali.
Talvez fosse o sangue da Michele.
Na �poca n�o havia uma an�lise de DNA
t�o bem desenvolvida quanto agora.
Tudo que t�nhamos era o DNA mitocondrial.
O DNA mitocondrial era uma novidade em 1999.
Ele � muito mais excludente do que inclusivo.
Ele n�o podia dizer que aquele sangue era da Michele Dorr.
Mas podia mostrar que o sangue era inconsistente
com quem morava na casa, com a fam�lia Clark.
E quando partimos dessa pressuposi��o b�sica,
pudemos afirmar que o crime tinha acontecido ali.
Acho que eu meio
que j� sabia
que aquilo tinha acontecido aqui.
Mas
fico muito grato que a ci�ncia forense conseguiu provar.
Michele Lee Dorr, de 6 anos,
foi vista viva pela �ltima vez em 31 de maio de 1986.
Agora, 12 anos depois,
a pol�cia finalmente prendeu quem acreditam ser o assassino:
o irm�o de Geoffrey Clark, Hadden.
Apesar das buscas feitas este ano,
o corpo de Michele Dorr n�o foi encontrado.
OUTUBRO DE 1999
IN�CIO DO JULGAMENTO DO ASSASSINATO DA MICHELE DORR
Havia muitas dificuldades neste caso,
e um dos maiores problemas
era que n�o t�nhamos encontrado o corpo.
�s vezes, num caso circunstancial,
os jurados entendem o que aconteceu,
porque � uma quest�o de bom senso.
Acreditamos que a Michele foi, de certa maneira,
uma v�tima do despejo dele.
O Hadden Clark era o tipo de homem
que ficava muito bravo, se ofendia e reagia com exagero.
A Michele foi at� a casa,
ele disse que a Elizabeth estava brincando no quarto
e que ela podia subir.
Ele foi chef de cozinha, tinha facas,
e ent�o ele subiu,
foi atr�s da Michele e matou a menina
no quarto da Elizabeth.
Eu n�o devia ter ido na casa do meu irm�o.
Foi l� que o problema come�ou.
Eu recebi ele na minha casa.
Ele n�o tinha pra onde ir.
E ent�o, aconteceu o pior,
ele n�o podia continuar aqui e pedi pra ele ir embora.
Ele ficou t�o bravo que matou uma menininha.
Meu Deus!
N�o sei como ele ficou t�o ruim.
N�o sei quando ele ficou t�o ruim.
Hadden Clark foi condenado por homic�dio doloso pelo j�ri.
A condena��o tinha a pena m�xima de 30 anos de pris�o.
Ele pegou 30 anos.
Logo ap�s o veredito, o sentimento de todos era basicamente de al�vio.
Michele tinha...
6 anos e a vida inteira pela frente.
Ela queria ser professora quando crescesse,
e esse dia nunca chegou, infelizmente.
Lamento que ela estava no lugar errado na hora errada
e encontrou...
o Hadden Clark.
Ficamos felizes, porque tentamos resolver o caso
e conseguimos um bom resultado,
ele foi tirado das ruas por praticamente o resto da vida.
Mas, ainda havia uma quest�o em aberto:
onde estava o corpo da Michele?
Isso sempre nos incomodou.
Depois que foi condenado,
o Hadden foi mandado para um instituto penal
no estado de Maryland.
Hadden, pode me contar mais
sobre a �poca em que esteve com o John Truitt?
O Jack me disse pra chamar ele de Jesus.
Ele me manipulou.
Ele � um mentiroso.
Ele n�o � Jesus.
� um cretino.
Minha nossa. Que maluco.
T� dizendo, isso � mentira.
Ele disse que se eu chamasse ele de Jesus,
ele podia me mandar pro hospital
pra tratar meus problemas mentais.
Era mentira, ele nunca fez isso.
COLEGAS DE CELA
Em 1999,
no meu terceiro dia com o Hadden,
eu n�o sabia mais o que fazer com ele,
com as coisas que estavam saindo da boca dele.
Ele n�o teve problemas em me contar
que tinha comido carne humana.
Era coisa de maluco.
Eu falei pra ele: "Olha s�, homem,
tudo o que voc� quiser falar, escreve.
Quando sentir a necessidade de me contar alguma coisa,
desenha, escreve.
N�o me conta nada.
Ele disse que tudo bem.
E foi quando ele come�ou,
ele escrevia que nem um man�aco.
Os desenhos do Hadden eram sinistros.
Qual era a sua mat�ria preferida na escola?
Eu diria que artes.
Era um dom que eu tinha quando crian�a.
A �nica vez que tirei um 10 na escola foi em artes.
Sempre tive talento pra desenhar.
Por que artes? Consegue se expressar atrav�s dos desenhos?
N�o sou um grande artista, mas sou bom o bastante.
Todas as pessoas t�m olhos enormes.
H� desenhos de tudo.
Se olhar aquilo, vai pensar: "N�o quero mais ver isso".
QUAL A DIFEREN�A ENTRE ESTE TUBAR�O E EU
Ele desenhava pistas sobre outras pessoas que matou.
E ent�o, ele contou que tinha matado a Michele.
Eu pensei:
"O que posso fazer com esse homem
que matou uma menininha?"
Perguntei por que ele estava me contando aquilo.
Ele disse que era porque eu era Jesus.
Ele estava convencido de que eu era Jesus Cristo.
Ele n�o tinha d�vidas.
Ele acreditava que o meu pai tinha
me mandado pra l� pra ajudar ele
a confessar todos os crimes
e seguir em frente.
Eu era um prisioneiro
e estava na cela com aquele homem.
Ele falava comigo
como se eu fosse Jesus Cristo, ele acreditava nisso.
Comecei a jogar com aquilo.
Disse pro Hadden que precisava saber
onde a menina estava descansando.
Ent�o, liguei pra minha esposa Jackie
e disse pra ela ligar pra um policial
que ela conhecesse,
em quem pudesse confiar.
Ele sabia que o homem era maluco,
mas, por algum motivo, Jack achou que podia encontrar
o corpo da Michele.
O Jack me ligou uma noite
e disse que estava na cela com o Hadden Clark,
que tinha matado uma menina chamada Michele Dorr,
e que o corpo dela n�o tinha sido encontrado.
Eu pensava que se algu�m tivesse matado uma filha minha,
eu rezaria
para que algu�m fizesse o que eu estava fazendo.
Fui at� a delegacia
e eles me deram o telefone do Joe Gamble.
JOE GAMBLE INVESTIGADOR DA POL�CIA ESTADUAL DE MARYLAND
O meu nome � Joe Gamble.
Eu era investigador de homic�dios da pol�cia de Maryland.
Em janeiro de 2000,
fui at� o pres�dio pra...
falar com o Jack.
O Jack � bem tranquilo.
Mais tranquilo que qualquer pessoa que j� vi no sistema carcer�rio.
E ele � um homem descolado.
Nas d�cadas de 60 e 70,
fui respons�vel por trazer maconha pro litoral,
e tenho orgulho disso.
O Jack me disse que...
o Hadden tinha assassinado a Michele Dorr
e enterrado em um parque
no Condado de Montgomery, em Maryland.
O Joe perguntou o que eu achava daquela hist�ria,
e respondi que n�o achava que ele estava mentindo.
Pedi pra um agente penitenci�rio trazer o Hadden Clark pra sala.
Me apresentei
e disse que sabia que ele queria falar comigo.
"Falo se ele ficar", e olhou pro Jack.
Eu concordei.
� verdade.
Ele dizia pra todo mundo:
"Se Jesus n�o estiver comigo, n�o vou falar."
Quando eu me apresentei,
ele ficou quieto.
Depois que come�amos,
parecia que uma pessoa muito t�mida
mas agora,
tinha se animado porque tinha um p�blico.
Ele estava bem empolgado pra contar detalhes.
O Joe � bem h�bil,
� um homem confi�vel.
E comigo ali,
o Hadden percebeu que eu confiava nele.
O Hadden me contou como enterrou a Michele,
onde a enterrou, e exatamente como fez aquilo.
25 ou 30 anos atr�s,
as poltronas reclin�veis tinham uma caixa de molas de metal,
sabe, do tamanho do assento.
Ele disse que cavou um buraco,
colocou o corpo no buraco.
Depois colocou a caixa de molas por cima
e cobriu com terra e folhas.
Ele disse que assim, se algum animal cavasse ali,
ia encontrar as molas de metal e n�o conseguiria pegar o corpo.
J� desenterrei muitos corpos,
em matagais, em campos, por todo estado.
Mas nunca tinha encontrado algu�m
que chegou a ponto de pensar
em cobrir a cova com molas de metal.
Percebi que aquele sujeito tinha matado outras pessoas antes.
Era �bvio que ele tinha se envolvido em atos terr�veis.
Eu n�o tinha a menor d�vida de que existiam outras v�timas.
Aqui.
Tem alguma coisa aqui.
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