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Original subtitles

Os acontecimentos desta história ocorreram

nas fronteiras da Argentina, Paraguai e Brasil em 1750.

Sua Santidade, o caso que me trouxe aqui, está resolvido.

Os índios estão de novo livres para serem escravizados por espanhóis e portugueses.

Acho que não lhe dei o tom adequado. Comece outra vez.

Vossa Santidade, escrevo neste ano do Senhor de 1758,

...do Continente Sul da América, da cidade de Assunção...

a duas semanas de marcha da grande Missão de San Miguel.

Estas missões deram refúgio aos índios, contra as piores perseguições dos colonos,

o que provocou grande ressentimento contra elas.

As almas nobres destes índios inclinam-se para a música.

Muitos violinos tocados nas próprias Academias de Roma,

foram feitos pelas suas mãos hábeis e talentosas.

Foi destas missões que os padres jesuítas levaram a palavra de Deus...

a esses índios ainda existentes em estado natural.

Em troca, receberam o martírio.

A MISSÃO

A morte deste sacerdote constituiria o primeiro elo

da cadeia de que eu agora também faço parte.

Continue. Como Vossa Santidade, sem dúvida, sabe,

neste mundo pouco se passa como prevemos.

Realmente, como podiam os índios supor que a morte daquele padre

traria junto deles um homem, cuja vida ficaria tão ligada à deles?

Obrigado, padre.

O território era meu e do Julien.

Eu mandei-o, padre. Tenho de ir lá eu próprio.

Consegues vê-lo?

Não.

Com uma orquestra, os jesuítas dominaram todo o continente.

Assim, os índios Guarani foram finalmente submetidos...

à eterna misericórdia de Deus,

e à curta misericórdia dos homens.

Quem anda aí?

Então agora caça por cima das cataratas, capitão Mendoza?

Estamos a construir aqui uma missão.

- Vamos cristianizar esta gente. - Se tiverem tempo.

É o teu irmão.

- Alonzo, são saudáveis? - Excelentes!

Óptimo!

- Há muitos no alto das cataratas? - Sim.

- Perigosos? - Sim.

- Mas não contra pólvora e tiros? - Não.

Vi jesuítas por lá.

- No alto das cataratas? - Sim.

Malditos.

A Missão chama-se S. Carlos.

- Don Cabeza. - Mendoza.

Alonzo, leva-os! Depressa!

- Trata de arranjar uma boa mulher para ti. - Já tenho uma.

Tens? Se assim fosse não estarias tão triste.

- Deves ter razão. - Quanto a mulheres, tenho sempre razão.

- Como posso esquecê-lo? - Esqueces tudo.

- Achas? - Acho.

Muito bem.

Olá.

- Óptimo. Tira-os. - Excelente.

Distrais-te muito facilmente.

No dia em que a senhora deixar de me distrair,

- ...vou para frade. - Nesse dia, Felipe...

...metade das mulheres da cidade vão para freiras.

Boatos. O conquistador é o Rodrigo.

Rodrigo é o homem desta senhora.

O Felipe?

Eu amo-o, Rodrigo.

Desde quando amas o Felipe?

Há seis meses.

- Seis? - Tenho tentado dizer-to..

A sério.

Pois... Tens tentado dizer-mo...

Então a mim não me amas?

Não como amo o Felipe.

- Rodrigo é o amor de que preciso. - Estou a ver.

E eu não preciso de nada?

Precisas de tanto.

Mereces tanto.

Rodrigo, não vais fazer-lhe mal, pois não?

Não, não lhe faço mal.

Rodrigo, por favor...

- Riu-se? - Não ri nada!

Não há dúvida de que se riu!

- De quem se riu? - Não faças isso.

Discute comigo!

Oh, não!

Como vai a Missão no alto das cataratas?

- Muitos insectos e matagal. - Há conversões

Algumas.

- E outras à vista, graças a Deus. - Graças a Deus, sem dúvida.

- Conheces o Rodrigo Mendoza? - Conheço.

Vem comigo.

Tenho uma tarefa que só tu podes executar.

Ele está aqui há 6 meses e não quer ver ninguém.

Acho que quer morrer.

Então...

...matou o seu irmão...

E foi em duelo. A lei não pode tocar-lhe.

Isso são remorsos?

Vá-se embora...

padre!

Talvez preferisse que eu fosse o seu carrasco. Talvez fosse melhor.

Deixe-me em paz.

- Sabe quem eu sou. - Sei.

É um mercenário. Um traficante de escravos.

E matou o seu irmão. Eu sei...

E amava-o.

Mas escolheu um modo estranho de o demonstrar.

Estava a rir-se de mim? Estava a rir-se de mim?

Estou a rir-me de si...

porque o que vejo dá-me vontade de rir.

Vejo um homem em fuga para se esconder do mundo. Um cobarde.

Continue.

Continue.

Então é assim que quer continuar?

- Não há mais nada a fazer. - Há a vida.

- Não há vida! - Há uma saída, Mendoza.

Para mim, não há redenção.

Deus deu-nos o fardo da liberdade. Você escolheu o seu crime.

Tem a coragem de escolher a sua penitência? Atreve-se a isso?

Não há penitência suficientemente dura para mim.

- Mas atreve-se a tentá-la? - Se me atrevo?

Atreve-se a vê-la falhar?

- Padre? - Sim?

Quanto tempo vai continuar aquela estupidez?

Só Deus sabe.

- Ralph está aqui. - Obrigado.

Padre?

Já chega desta penitência, e os outros irmãos pensam o mesmo.

Mas ele não pensa assim, John.

E enquanto ele não o pensar, eu também não penso.

Não somos membros de uma democracia. Pertencemos a uma ordem.

Não.

Não.

Obrigado.

Obrigado, Senhor, pela nossa comida e pelas tuas outras bençãos. Ámen.

Oh, meu Senhor.

- Cozinhaste isto? - Sim.

Puseste as pimentinhas todas?

Receio que sim.

Lamento... Fui treinado para mercenário e não para cozinheiro.

- Isso é verdade. - Está horrível.

- Mas o pão é bom. - Não está mau.

Padre, quero agradecer-lhe por me ter acolhido..

Devias agradecer aos Guarani.

Como?

Lê isto.

Mesmo que tenha a Fé que pode mover montanhas,

mas não tenha o amor, não sou nada.

Mesmo que dê todos os meus bens para alimentar os pobres,

e mesmo que dê o meu corpo para ser queimado,

mas não tenha o amor, nada ganho com isso.

O amor sofre longamente e é bom.

O amor, não inveja.

O amor não se vangloria, nem se apregoa.

Quando era criança, falava como uma criança...

...compreendia como uma criança, pensava como uma criança.

Mas quando me tornei um homem, pus de parte as coisas da infância.

Mas agora a fé, a esperança e o amor, persistem. As três.

Mas o mais forte é o amor.

Eles concordaram.

Se queres ser jesuíta, tens de aceitar as minhas ordens...

...como se fossem de um comandante. És capaz de fazer isso?

Sim, Padre.

Oremos pelo nosso irmão Rodrigo.

Cristo, guiaste o padre Inácio na renúncia às tentações do mundo...

e na adopção das vestes do trabalho e da humildade.

Agora pedimos a Tua benção para o Rodrigo, para o recebermos de coração aberto na comunidade.

Ensina-o a ser generoso, a trabalhar sem olhar a custos.

A servir sem recompensa, para além da satisfação da Tua vontade.

Ámen.

Bem-vindo, irmão.

Este esforço para criar o paraíso na Terra,

melindra tão facilmente.

Vossa Santidade melindra-se,

porque pode desviar a atenção do Paraíso que virá depois.

Os Reis de Portugal e de Espanha melindram-se...

...porque o Paraíso dos pobres é raro agradar aos que governam.

E os colonos, aqui, estão melindrados pelo mesmo motivo.

Foi esta a tarefa que me trouxe à América do Sul.

Satisfazer os portugueses que querem estender o seu império.

Satisfazer os espanhóis que não querem ser prejudicados.

Satisfazer Vossa Santidade...

...para que estes monarcas não continuem a ameaçar o poder da Igreja.

E garantir a todos...

que os jesuítas não vos neguem essas satisfações.

Passei metade da vida à espera de Roma.

Pára de brincar com isso.

- Que horas são? - Calma.

Faltam dez minutos.

Vejamos como estão as crianças.

Muito bem.

24...

39...

Isso é para ali, por favor.

- São Guaranis? - Sim, Eminência.

- Extraordinário. - O quê?

É muito difícil dizer o que estão a pensar.

- Já reparou nisso, sr. Hontar? - Já.

Quando cheguei cá, tive a mesma reacção, Eminência.

Bela criatura. Ganharia muito dinheiro nas ruas de Lisboa.

Pois é, mas talvez não queira ir para as ruas de Lisboa.

Talvez não.

Eminência, quanto às missões,

não se espera qualquer divergência política entre o Papa, Portugal e Espanha?

Porque haveria de se esperar?

Aqui entre nós, os jesuítas são muito poderosos aqui.

Realmente.

- Bem, Com vossa licença, meus senhores. - Eminência.

A propósito, senhores...

Eu próprio também já fui jesuíta.

Chegara à América do Sul com a cabeça cheia de questões europeias.

Depressa comecei a compreender, pela primeira vez,

a que mundo estranho me tinham mandado julgar.

D. Cabeza, como é possível falar desta criança como de um animal?

Ensinam-se papagaios a cantar, Eminência.

Sim, mas como se ensina um papagaio a cantar tão melodiosamente?

Eminência...

Trata-se de um filho da selva, um animal com voz humana.

Se fosse humano, um animal recuaria perante os seus vícios.

Estas criaturas são letais e lascivas.

São dominadas pela espada e forçadas a laborar a chicote.

Os jesuítas só dizem disparates.

Eminência, sou o padre Gabriel,da Missão de S. Carlos, donde veio o rapaz.

E onde é isso?

É aqui, por cima das cataratas, em território espanhol.

Não, esse território era espanhol. Agora é português.

- Isso é o que Sua Eminência vem decidir. - Não, é assunto de estado.

Decidido pelo Tratado de Madrid e acordado por Portugal e Espanha.

Mas as missões vão continuar sob a protecção da Igreja?

Isso é o que Sua Eminência vem cá decidir, padre Gabriel.

Continue, Padre.

Eminência, no fundo das cataratas, se a selva for dividida,

sê-lo-á entre os espanhóis e os portugueses, como acordado.

Mas, lá no alto, ainda pertence a Deus e aos Guaranis.

Não há lá mais ninguém, e eles, naturalmente, não são animais.

- São naturalmente espirituais. - Espirituais?

- Matam os próprios filhos! - Isso é verdade, mas posso esclarecer?

Cada homem e mulher pode ter um filho. Se nasce mais um, é logo morto.

Não é um rito animal, mas necessidade de sobrevivência.

Só podem fugir com um filho cada.

- E de quem fogem eles? - De nós!

- Fogem da escravatura! - Disparate.

- É verdade, Eminência! - Disparate!

Eminência!

Disparate.

Silêncio.

Nos territórios dos espanhóis não há escravatura.

No entanto, essa instituição é permitida nos territórios dos portugueses...

e acho que é muito mal entendida.

Mas aqui, em território espanhol,

...tratamos das plantações no exacto cumprimento das leis de Espanha,

e dos preceitos da Igreja.

Isso é mentira!

Isso é mentira!

Não posso, nem devo, aceitar o desafio de um frade.

- O seu hábito protege-o! - O hábito protege-o a si!

Em nome do rei, cuja dignidade represento, exijo desculpas.

Exijo desculpas, já! Não estou para aturar isto!

Eminência, Um bom exemplo do desprezo dos jesuítas...

pela autoridade do Estado!

É membro da sua comunidade, padre Gabriel?

Sim.

Venha comigo.

- Foi perfeito. - O quê?

Aquela amostra do espírito jesuíta, era o que Sua Eminência precisava de ver.

- Que quer dizer? - Tenha calma.

Só precisamos dum pouco de paciência. Ele sabe o que deve fazer.

- Peça desculpa a Sua Excelência D. Cabeza. - Mas o que ele disse é mentira!

Silêncio e peça desculpa! Agora saia!

- Que era ele antes de se juntar aqui? - Mercenário e traficante de escravos!

- Ele pede desculpa? - Pede.

Eminência, os espanhóis realmente têm escravos aqui.

Compram-nos aos portugueses e a outros.

- E D. Cabeza coopera com isso? - Coopera.

E também tira os seus lucros.

Porque quer ele que os portugueses dominem o território das missões? Porquê?

Porque, as missões são o único refúgio que resta ao Guaranis.

Sem o abrigo que lhes damos sob a lei espanhola,

os índios não têm protecção contra a escravatura.

Hoje procuram-nos de sua livre vontade.

- Isso é verdade? - Pergunte aos Guaranis.

Nove décimos do que ganham volta para a comunidade, para as vidas deles.

Padre Gabriel, o que é que está em jogo aqui?

- Está em jogo o trabalho de Deus. - Não, o que está em jogo...

...é a sobrevivência da Companhia de Jesus, tanto aqui como na Europa.

E garanto-lhe, padre Gabriel, que as cortes da Europa são uma selva ...

...em comparação com esta sua selva aqui que não passa de um jardim.

E isso vai interferir com o nosso trabalho?

Obrigado.

- Porque hei-de pedir desculpa? - Porque eu mandei!

- Porquê? Era mentira! - Mesmo assim, mando-te!

D. Cabeza odeia os jesuítas e os índios. Ele e os portugueses são implacáveis.

- Não vê isso? - Claro que vejo!

- Então porque hei-de pedir desculpa? - Que melhor razão podemos dar-lhes...

do que um noviço da nossa Ordem, insulte um deles em público?

Agora vais pedir desculpa.

Ou queres deixar de ser jesuíta?

Eminência, em obediência sagrada, humildemente e sem reservas...

peço a D. Cabeza perdão pela minha arrogância e insolência.

Aceito.

Porque não?

Mas como já disse, não posso aceitar o desafio de um frade.

Exacto. O que torna a minha insolência mais insolente

e o seu perdão duplamente bondoso.

Eminência, peço-lhe também perdão.

E peço o perdão de todos os presentes. Peço perdão aos meus irmãos.

E peço-te perdão...

- ...pelo insulto a Sua Excelência. - Obrigado. Já chega.

Isto foi muito agradável, Vossa Eminência.

E agora, que pode dizer-nos da transferência...

-...dos territórios da missão? - Exactamente.

Estes assuntos têm estado em primeiro lugar na minha mente desde que cá cheguei,

mas não penso poder tomar uma decisão final...

sem ver pessoalmente os territórios da Missão.

Tenho de inspeccionar muitas missões.

Decidi começar pela mais antiga.

A grande Missão de S. Miguel.

Vossa Santidade, um cirurgião para salvar o corpo,

às vezes tem de sacrificar um membro.

Mas, sinceramente, nada me preparara, para a beleza e força,

do membro que me mandam cá amputar.

- Muito impressionante. - Talvez me escape alguma coisa...

Não vejo diferença entre esta plantação e a minha.

É essa a diferenca. Esta plantação é deles.

Isto é outra diferença.

Um escravo fugido comprado por um colono espanhol a um traficante de escravos.

Estou a ver. E isso é legal?

Oferta e procura, é a lei comercial.

- E a lei das almas? - Que são uns golpes nas costas...

...comparado com o que vocês lhes oferecem? Os tormentos do inferno! Almas prisioneiras!

Pense nisso!

Padre lbaye, podemos continuar?

Quais foram as receitas o ano passado?

No último ano, cento e vinte mil escudos.

E como foram distribuídas?

Igualmente entre eles. Isto é uma comunidade.

Há um grupo radical francês que ensina essa doutrina.

Eminência, era a doutrina dos primeiros Cristãos.

Estou muito impressionado com o que conseguiu, Padre.

- E isso pode salvar-nos? - É a minha esperança, Padre.

A Corte de Portugal é agnóstica, mas você e eu somos católicos,

- E além disso, servimos um rei católico. - Também sirvo um rei católico.

Serve o Marquês de Pombal que é loucamente hostil à Igreja

e que, infelizmente, domina o nosso rei.

Sugiro que nós os dois aconselhemos o vosso rei a adiar a transferência,

até termos garantias da sobrevivência da Missão.

Sugiro que confiemos no Reino dos Céus,

por intercepção, do Nosso Redentor.

Na minha opinião, e digo-o confiando em Deus, o trabalho das missões é o trabalho do diabo.

Ensinam com o intuito de ter propriedade e lucro. São desobedientes à autoridade do Rei!

O voto mais importante dum jesuíta é o da obediência.

Que obedeçam! Dê-lhes a ordem, Eminência!

Eminência, incomodo?

Tenho más notícias do Marquês de Pombal.

Entre nós, quero expressar-lhe o meu desgosto pessoal.

Está decidido a destruir o poder da Igreja.

E a sua comunidade cristã é comercialmente competitiva.

Sim, é muito próspera.

Não é por isso mesmo que querem apossar-se dela?

Para ter a aprovação do Estado devia ter tido um nobre insucesso.

Não há nada que gostemos mais do que de nobres insucessos.

É muito tranquilizador para um país comercial, como o nosso.

Não vai ler isso?

Não preciso de ler para saber o que diz.

Então, que vai fazer?

O que a minha consciência ditar.

Que havia de ser?

Está lá dentro há 5 horas.

Venha comigo à minha Missão de S. Carlos.

Aqui há tantas distracções.

É difícil ver claro.

Acho que lá, as suas orações podem ter melhor sorte.

Lá, Deus pode dizer-lhe o que será bom fazer.

E dar-lhe a graça e a força para o fazer,

por muito que lhe custe.

O jardim do paraíso.

Um tanto exagerado.

Embora soubesse que, por toda a Europa, os Estados combatiam a autoridade da Igreja,

e embora soubesse que para se defender aí,

a Igreja tem de mostrar autoridade sobre os Jesuítas aqui...

não podia deixar de pensar se estes índios não teriam preferido...

que o mar e os ventos nunca nos tivessem trazido até cá.

Dizem que não percebem o que quer dizer.

Pedem que diga claramente o que quer que eles façam.

Têm de deixar a Missão.

Dizem que não querem deixar a Missão porque é a casa deles.

Têm de aprender a submeter-se à vontade de Deus.

Diga-lhes.

Respondem que foi pela vontade de Deus...

...que saíram da selva e construíram a Missão.

Não compreendem porque é que Deus mudou de ideias.

Não me compete compreender as razões de Deus.

E como vai ele saber se o senhor sabe a vontade de Deus?

Ele pensa que não está a falar em nome de Deus, mas dos portugueses.

Pessoalmente, não falo em nome de Deus, falo em nome da Igreja...

que é o instrumento de Deus na Terra.

- Pergunta porque não fala com o rei de Portugal. - Já falei e ele não me deu ouvidos.

Diz que também é rei e também não lhe dá ouvidos.

Diz que fizeram mal em ter confiado em nós.

- E vão lutar. - Tem de os convencer a não lutar.

Falhei em não o convencer a si a lutar a favor deles.

Se eles lutarem é imperativo que não pareça que algum de vocês...

...os encorajou a fazer isso.

Por isso, amanhã voltam todos comigo para Assunção.

Se alguém desobedecer, será excomungado.

Isolado e expulso.

Porque hão-de eles lutar?

- Porque não voltam para a selva? - Porque aqui é a casa deles.

Sabia que esta ia ser a sua decisão?

- Sabia. - Então porque veio, Eminência?

Para vos convencer a não resistir à transferência dos territórios da Missão.

Se os jesuítas resistirem aos portugueses...

a Companhia de Jesus será expulsa de Portugal.

E, depois de Portugal, a Espanha, a França, a ltália e quem sabe?

Para a vossa ordem sobreviver...

...as missões aqui têm de ser sacrificadas.

Que estavam eles a dizer?

Que não voltam para a floresta, porque vive lá o diabo.

- Querem ficar aqui. - Que lhes disse você?

Que ficava com eles.

Quero renunciar aos meus votos de obediência.

Sai daqui.

- Quero explicar... - Vai-te embora. Não quero ouvir-te.

És só tu?

Também há o Ralph e o John.

Que quer, capitão? Uma morte honrosa?

Eles querem viver, padre!

Dizem que Deus os deixou! Que os abandonou!

É verdade?

- Não devias ter-te feito frade. - Mas sou-o e eles precisam de mim!

Então ajuda-os como sacerdote.

Se morreres com as mãos sujas de sangue, trais tudo o que fizemos.

Prometeste a tua vida a Deus! E Deus é amor!

Soldado, não devias estar de guarda ontem à noite?

Olha o que aconteceu!

Volta para lá com os outros!

Levaram 3 armas, pólvora, pistolas...

e não sei que mais!

Padre, vim pedir-lhe a sua benção.

Não.

Se tiveres razão, terás a benção de Deus.

Se não tiveres, a minha benção não te servirá para nada.

Se a força é a razão...

então o amor não tem lugar neste mundo.

Pode ser assim.

Mas não tenho forças para viver num mundo assim!

Não posso abençoar-te.

Para ali! Para ali!

Tragam ambos os canhões!

Depressa!

O outro canhão também!

Índios! Voltem-se!

Voltem-se! Enfrentem-nos!

Disparar!

Temos de deslocar o canhão!

Desloquem o canhão!

Apanhem o frade!

- Nenhum de nós quer fazer isto. - Não me interessa. Tomem as vossas posições!

Já.

Atrás dele! Rápido!

Não deixem o frade escapar!

Atrás dele!

Cuidado! As cataratas! Acudam!

Para trás! Para trás!

Para trás!

E tem o descaramento de me dizer que este massacre era necessário?

Fiz o que tinha de fazer.

Tendo em vista o fim legitimo que o senhor sancionou...

tinha de dizer que sim. Em verdade, sim.

Não tinha alternativa, Eminência.

Temos de trabalhar no mundo.

O mundo é assim.

Não, sr. Hontar...

Nós fizemos o mundo assim.

Eu fi-lo assim.

Assim, Vossa Santidade,

agora os vossos sacerdotes foram mortos e eu continuo vivo.

Mas na verdade, fui eu que morri, e eles continuam vivos.

Porque, como sempre, Vossa Santidade,

o espírito dos mortos sobrevive,

na memória dos vivos.

Os índios da América do Sul ainda lutam para defender as suas terras e a sua cultura.

Muitos dos padres, que baseados na fé e no amor,

continuam a apoiar o direito dos índios pela justiça, fazem-no com as suas vidas.

"A luz brilha na escuridão, e a escuridão não vencerá." João, Capítulo 1, Versículo 5

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