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Me diz. O que é isso aqui?
[Angel] Eu tô fazendo um trabalho de colégio com a Giovanna.
[Carol] E?
[Angel] E a gente tá fazendo sobre a história da minissaia.
[Angel] Então a gente está procurando reportagens dos jornais.
[Angel] E aí eu pensei em fazer foto com ela.
Tipo de-de... daquelas produções da Vogue, sabe?
[Angel] Porque nos anos 60 era moda as mulheres usarem gravata.
Uhum. Você pediu pra ele?
Não. Não achei que tinha import...
[Carol] Já falei mil vezes que não quero que você pegue nada sem pedir permissão!
[Carol] Essa gravata é cara e ele tem ciúmes. Cê fez muito mal.
Eu vou por onde eu peguei.
Não. Amanhã cê vai devolver na mão dele.
[Carol] Vai pedir desculpa por ter pego sem pedir.
Tá.
Eu vou lá ver a Giovanna, tá?
[Carol] Aqui. Leva a gravata.
[Carol] Tem que mostrar pro trabalho.
[Giovanna] Fotos de nós duas pro trabalho do colégio?
[Angel] É. A gente sabe fazer. A gente é modelo.
[Angel] É só contratar o fotógrafo da agência, e depois a gente compra roupa no brechó.
[Carol] Cê não vai mostrar a gravata do Alex pra ela?
Gravata do meu pai?
[Carol] Pois é. Ela disse que era...
[Carol] ...que era moda mulher usar gravata com minissaia. Quis experimentar.
É. É...
Grande ideia, Angel.
[Giovanna] Grande ideia.
[Carol] Vai, filha. Agora guarda essa gravata e devolve pra ele amanhã.
[Angel] Pra já.
[♪ música misteriosa ♪]
♪♪♪
[Angel] Vai, vai, vai. Vai pro teu quarto.
[Angel] Tudo certo. Vai pro teu quarto.
[Alex] Esse perigo me deixa... [Angel] Não! Vai, Alex.
[Angel] Alex, vai pro teu quarto!
[Angel] Merda de gravata!
[Carol] Quer dizer que você não sabia dessa história de produção de moda?
[Giovanna] Pois é. Parece que foi uma ideia que surgiu agora.
[Giovanna] Muito criativa sua filha.
E eu também não estava muito envolvida com o trabalho. Eu vim pra saber.
Mas você sabia que a gente vai sair.
Claro, cê disse. Vão jantar na casa da sua mãe.
Não... não tem problema, tudo bem.
[Angel] Que bom que você se interessou pelo trabalho, Giovanna.
[Carol] Eu vou pegar um casaco...
[Angel] Não precisa pegar casaco. [Carol] Eu sou friorenta...
[Angel] Não precisa... [Giovanna] É bom pegar um casaco.
Vai esfriar! É melhor pegar.
[Carol] Vai! Serve um suco pra Gi.
[♪ música inquietante ♪]
♪♪♪
E aí, Angel?
A tarde foi divertida?
[Angel] Divertida por quê? Eu passei a tarde toda fazendo trabalho pra nós duas.
[Giovanna sarcástica] Ah! Que trabalhão!
[Giovanna] Tadinha. Solitária... A tarde toda nesse apê...
[Angel] Não tô gostando do jeito que você tá falando comigo;
[Giovanna] Vai gostar menos ainda se eu disser tudo que tô pensando.
[Angel] O que eu fiz pra você? O que cê tem contra mim?
[Giovanna] Eu não tenho nada contra você. O problema é que você faz.
♪♪♪
[Giovanna] É isso, né? Ficou sem resposta?
[Giovanna] Tem muita coisa difícil, mesmo, de responder aqui.
♪♪♪
[Carol] Ai, que susto!
[Carol] Ai, cê tá aí...
[Alex] Susto tomei eu, vendo você entrando por essa porta. Não ia na tua mãe?
[Carol] Pois é, mas eu encontrei com a tua filha no salão, ela queria vir...
[Carol] ...falar com a Arletinha sobre o trabalho... Enfim. Trouxe ela aí.
[Carol] Aproveito e levo a Arlete pra jantar na minha mãe.
[Carol] Vamos com a gente? [Alex] Não, tô concentrado aqui.
[Alex] Vou trabalhar mais um pouco. Gosto de ficar na cama.
[Carol] Chegou cedo. [Alex] De noitinha.
[Carol] Encontrou com a Arlete?
[Alex] Passei na porta, estava fechada. Nem sei se ela tá aí.
[Carol] Tá.
[Carol] Vim só pegar um casaco.
[Carol] Tá precisando de alguma coisa? [Alex] Não, tô ótimo.
[Carol] Tá bom.
[Alex] Ei...
[Alex] Dá um beijo.
♪♪♪
[Carol] Meu amor...
[Angel] Giovanna, você tá bizarra! [Giovanna] Eu, bizarra!?
[ambas gritam]
[Alex] Ei, ei! As duas! Parou! O que é?
[Alex] Giovanna, você veio até aqui pra discutir?
[Angel] Não, a gente tá conversando. [Giovanna] Como duas boas irmãzinhas....
[Angel] Me solta...
♪♪♪
Porra!
[Giovanna] Não rolou! [Gui] O que deu errado?
A porra da porta estava trancada.
[Giovanna] Meu pai deve ter se escondido e a burra da Carolina
[Giovanna] ainda encontrou a gravata do meu pai dentro do quarto!
[Gui] Mesmo assim a Carolina não sacou?
A Angel inventou uma desculpa. Vou te falar: mãe é tudo burra, mesmo, né?
Só tem um jeito, Gi.
[Giovanna] Diz. Qual jeito?
[Gui] Cê tem que falar tudo. Sem deixar dúvida.
Só assim a Carolina vai cair na real!
Eu já pensei nisso!
A gente vai ter que esperar o próximo dia de cabelereiro.
Vai ter que ser mais cedo pra ela pegar os dois na função.
Aí sim o mundo vai desabar.
Vai ser logo, Gi.
[Anthony] Tá fazendo suas roupas pra cá?
[Giovanna] Tô. Cê acha que daqui a gente vai direto pro aeroporto?
[Anthony] É mais lógico, né?
[Giovanna] Mas e meu pai? Minha mãe?
[Anthony] Você é emancipada. Pode viajar a hora que quiser.
[Anthony] Sem aviso nem despedida, que é pra não ter erro.
[Giovanna] Tá certo.
[Anthony] Chegando lá, cê manda um e-mail...
[Anthony] Sua mãe tem grana, seu pai, bilhardário... Se quiserem, te visitam lá.
[Giovanna] Meu pai só se preocupa com a Angel.
[Anthony] Cê sofre por isso, né?
Só acho que ia ser legal ter um pai que gostasse de mim...
...e uma mãe que preferisse ficar comigo do que ir ao shopping.
[Anthony] Gi, desecana, vai. Eu gosto. Na verdade até prefiro.
[Anthony] Mas eu vou cuidar de você, gatinha.
[Giovanna] É por isso que eu te amo tanto.
Porque você pensa em mim.
[Anthony] Muito mais do que você imagina.
[Anthony] Amanhã na hora do almoço você vai pra esse endereço aqui.
[Anthony] É um hotel. Eu vou estar lá.
Eu sei onde é. Pra quê?
[Anthony] Pra te apresentar pro Maurice Argent.
Peraí... Cê tá brincando.
Vou te apresentar e ele vai te botar no desfile dele na Europa.
Ou até coisa melhor.
Como você pode ter tanta certeza?
Porque tenho meu poder, garota.
Agora, vem cá...
Me beija, que eu vou te destruir.
[Hilda] Ô, minha filha. Tô te achando tão caladinha hoje.
[Carol] Não, tô...
[Carol] Tô desligada, mãe. É só isso. Desculpa.
[Hilda] Ah...obrigada... [Angel] Vó...
[Angel] Tô te achando meio batida.
[Angel] Tá tudo bem? [Hilda] Não, imagina...
[Hilda] É que a velhice deixa marcas. Eu tô bem, eu tô bem.
[Oswaldo] É mal-alimentada, só tomando sopinha!
[Angel] Cê tá com problema de estômago? Alguma coisa assim?
[Hilda] Imagina...
A minha saúde é de ferro.
[Carol] Come, mãe. Um pouquinho
[Hilda] Tô comendo... [Angel] Não quer batatinha?
[Angel] Verdade, mãe. Tô te achando mais caladona, mesmo.
[Carol] Foi o dia, sei lá.
[Carol] Cansei no salão.
[Angel] Salão agora cansa.
[Carol] Pra você ver.
[Carol] Vida de dondoca cansa. [ri baixo]
Eu nunca tive vocação pra ser dondoca.
Vai dormir, vai.
[Carol] Vai dormir que você tem aula amanhã.
[Angel] Boa noite. [Carol] Boa noite.
[♪ música desconcertante ♪]
♪♪♪
[♪ piano triste ♪]
♪♪♪
Que isso, mãe? Que susto.
Vim ver se você estava bem.
Eu gosto de te ver dormindo.
Gosto de ver minha filhinha.
Parece um anjo.
[Carol] Como o Alex gosta de chamar.
Angel...
♪♪♪
Boa noite.
♪♪♪
[Fanny] Pela hora que eu dormi ontem, você deve ter chegado tarde, né.
[Anthony] Nem olhei o relógio.
[Fanny] O que tanto você fez ontem? Ah! Eu esqueci dos favores sexuais pro Maurice Argent.
[Fanny] Pra me ajudar, é claro.
[Fanny] Tem também a super piriguete, que não me ajuda em nada.
[Fanny] É claro, pois não passa de uma putinha.
[Anthony] Errou. Foi minha mãe.
[Fanny ri] Anthony, não fica bem jogar tudo nas costas das mães, né?
[Anthony] Minha mãe estava no meio da rua, pronta pra fazer um strip-tease.
[Anthony] Mais bêbada do que nunca.
[Fanny] Jura? O que cê fez?
Impedi o strip e levei ela pra casa. O que mais eu podia fazer?
Anthony...
Cê tem que tomar uma decisão.
É. E agora, longe dela, vai ficar mais difícil.
Como longe dela? Cê tá aqui.
É. Foi o que eu quis dizer. Justamente.
Eu morando aqui fica mais difícil do que se morasse com ela.
Cê tá querendo trazer a velha pra morar aqui?
Ha! Não vai dar, não. Lamento!
Lamento muito, mas isso não dá! Anthony, isso não dá de jeito nenhum!
Nem pensei nisso! Morar com vocês duas? O inferno seria um lugar muito mais agradável.
Cê tem que internar a tua mãe em uma clínica. Antes que aconteça o pior.
Tem coisa pior que strip-tease no meio da rua?
Ela atravessar a rua e ser atropelada. É o que cê quer?
[suspira] Não, Fanny. Não.
Mas eu amo tanto a minha mãe.
Desculpa, mas ela é a pessoa que eu mais amo nesse mundo.
Já tinha desconfiado disso.
Eu sei que as mães ocupam um lugar especial no coração dos homens.
Acho que é isso, sim.
Meu amor...
Cê tem que colocar ela numa clínica com tratamento médico...
...amigos da idade dela... entendeu?
[Fanny] Ela vai ficar cuidada.
Mas ela não vai ser feliz.
Ela não pode mais morar sozinha.
Eu arranjo a clínica. A melhor.
Eu pago.
[Fanny] Ela vai ficar bem.
Tá certo.
Arruma um lugar. Eu vou internar minha mãe.
[Anthony] Acho que é isso, mesmo. Não tem outra alternativa.
[Carol] Ó. Café.
[Alex] Para de servir, amor. Vem sentar com a gente.
[Carol] Peraí. Tô anotando as coisas que tenho que comprar hoje.
[Carol] Açúcar... café...
Bom dia.
[Carol] Bom dia, filha. [Alex] Bom dia.
[Carol] Cadê....
[Carol] Escuta, não tem nada pra falar pro Alex? Ein?
É...
[Carol] Não tem nada aí... pra devolver pra ele?
[Angel] Alex eu... peguei sua gravata...
[Angel] ...pra fazer um trabalho de escola. Eu achei que não tinha problema. Desculpa.
[Alex] Uma gravata?
[Carol] Mas peraí...
[Carol] Eu tô lembrando....
[♪ Abertura: Angel - Massive Attack ♪]
Você veio com ela ontem à tarde.
Não é?
♪♪♪
[Carol] Eu tô lembrando, sim.
♪♪
Era ela, sim.
♪♪♪
♪ You are my angel ♪
♪♪♪
♪ Come from way above ♪
♪ To bring me love ♪
♪♪♪
♪ Love you, love you, love you, love you, love you, love you... ♪
♪♪♪
♪♪♪
[Carol] Eu tenho certeza...
[Carol] ...que quando você veio almoçar ontem, você estava...
[Carol] ...com esta gravata.
[Alex] É parecida.
Ou pode ser até igual, não lembro.
Eu tenho mania de comprar gravata. Às vezes compro até duplicada.
Bonita escolha.
[Alex] Tem bom gosto.
Posso usar ela no trabalho?
Claro.
Se é pra escola... É tua.
[Pia] Bruno, todo dia isso? Você não acorda mais?
[Pia] O que tá acontecendo, meu filho? [Bruno] Ai, que saco...
[Bruno] Eu dormi tarde, mãe.
[Pia] Dormiu tarde, mas cê tem aula!
Levanta e toma um banho, que eu quero falar com você.
[Bruno] Papo sério logo de madrugada?
[Pia] Não, não é de madrugada!
Bruno, quero fazer uma pergunta.
Não vai mudar em nada nossa relação. Você vai continuar sendo meu filho querido.
Eu só queria que você fosse sincero comigo.
Fala.
Você é gay?
Gay?
É.
Aquele dia, eu entrei no quarto, você estava com seu amigo, Sam,
[Pia] numa situação íntima e depois você mudou...
Olha só, mãe, não tem isso de ser gay, não ser gay.
Tá? É se rolar, rolou.
Então você é bissexual?
Olha só...
Quem tá querendo rotular é você.
Eu posso tomar meu banho?
E a sua namorada? Falou que estava apaixonado...
[Bruno] Aí cê pergunta pro papai o que ele aprontou.
O que seu pai fez?
[Bruno] Que saco! Cê vai deixar eu tomar banho, ou não?
Vou. Calma.
A gente tá te esperando pro café da manhã, tá?
[Pia] Não demora.
[♪ dedilhado calmo de violão ♪]
♪♪♪
[Pia] Só faltou isso aqui. Ficou ótimo, Berenice. Está tudo certo. Aos poucos...
[Pia] ...eu vou te ensinando o jeito que a gente gosta, e cê vai aprendendo direitinho. Tá? Obrigada.
Mãe, cê não acha que demitiu a Leidiana depressa demais?
Giovanna, ela roubou o meu anel.
Será que roubou mesmo?
[Igor] Diz aí qual é a sua dúvida, Gi.
Nada. Só umas coisas aqui que eu tô desconfiada.
[Bruno] Clonagem! Passei a noite inteira, a noite inteira, pensando em clonagem.
[Pia] Clonagem?
[Bruno] Sabia que muitas espécies desaparecidas já podem ser recriadas através da clonagem?
[Bruno] Tipo um mamute. É só pegar o DNA de um mamute e clonar.
Daí a gestação tem que ser feita dentro de uma elefanta.
[Bruno] Eu fiquei pensando na gente. Será que dá pra clonar a gente?
Imagina se um milionário já se clonou só pra ter um outro dele mesmo.
Aí dá pra ir mais fundo!
[Bruno] Será que esse clone é igual a ele, com os mesmos pensamentos, mesmas memórias,
ou será que não? Será que é uma pessoa diferente?
Cê tá viajando.
[Bruno] Não tô viajando... [Igor] Que viagem bem louca, cara.
É curioso, engraçado também.
Imagina se meu pai...
Meu pai se clona... aí ele esquece de vez da gente.
[Pia] O que seu pai tem a ver com isso? [Bruno] Esquecer de vez...
[Giovanna] Ô mãe, eu tô pensando umas coisas aqui...
Vai dar de dedo-duro agora?
[Igor] Isso aí tá bem bizarro, gente.
Igor, leva o Bruno até o carro?
Eu acho que ele tá tenso da conversa que a gente teve no quarto...
[Bruno] Do papo se seu sou bi? Claro que não.
Se eu sou bi, sou bi. Uma coisa tem nada a ver com a outra.
Nossa, saiu do armário! Escancarou as portas agora!
[Igor] Deixa eu falar com você... [Bruno] Eu que vou falar com você...
[Bruno] Você sabia que tem uma teoria que todo ser humano é bissexual e não sabe disso?
[Igor] Olha, Bruno, tenho um irmão que é gay e sou parceirasso dele. Não tô nem aí.
[Igor] Mas eu, por exemplo, gosto de mulher. Não sou bissexual...
[Giovanna] Não. Não.
[Giovanna] Não me pergunta nada que eu não quero responder.
[Pia] Giovanna...
Teu irmão tá usando drogas, não tá?
Mãe, você é cega?
Olha, eu não falo mais nada.
Então me dá o telefone do Sam.
Ele estava aqui outro dia. Eu entrei no quarto numa situação...
...estranha, sabe? Eles estavam rindo. Eu sei que o Sam pode me contar alguma coisa.
Mão, olha só, é complicado.
[Pia] É só o telefone que eu tô te pedindo.
Não precisa fazer mais nada. Eu sei que vocês se conhecem,
que ele é modelo, que ele foi com vocês naquele final de semana pra praia.
Me dá o telefone dele. Eu resolvo.
Faz isso por mim. Tô te pedindo.
[Pia] Só me dá o telefone. Eu resolvo o resto. Vai.
Tá.
Anota aí.
[Pia] Vou ter que anotar no papel. Não tive tempo de comprar meu celular novo.
[Fanny] Visky...
[Fanny] Arranja uma clínica, mas uma clínica maravilhosa.
[Fanny] Com jardim, quarto individual, tudo...
[Fanny] ...pra eu desovar a velha bêbada da mãe do Anthony.
[Visky] O duro é que até na miséria a mãe do Anthony quer ser chique.
[Fanny] Ele também, né.
[Fanny] Mas essa clínica é o caro que vai sair barato.
[Visky] Não entendi. [Fanny ri baixo]
[Fanny] Essa clínica é a minha garantia de uma relação duradoura.
A minha certeza de que o Anthony vai ficar comigo pra sempre.
Como assim?
[Fanny] Ué. Eu vou pagar a clínica integralmente.
O Anthony não tem condição de pagar.
Então... Ele vai ficar preso a mim.
Se ele se separar de mim, eu mando botar a velha bêbada na rua.
Nossa, Absoluta, cê pensa em tudo.
Mas... será que vale a pena segurar um homem assim?
Com meus belos olhos, eu não seguro o Anthony.
Ele adora a mãe. Eu adoro ele.
Eu pago.
Eu pago o que for preciso.
[Maurice] Podemos pedir? Eu morrer de fome!
[Maurice] E precisar de forças, porque depois querro ouvir la musique française.
[Anthony] Você vai ter sua música francesa.
[Anthony] Mas antes eu quero que você conheça uma pessoa.
[Maurice] Oui.
[Maurice] Quem serrá...quem serrá...
[Anthony] Ela.
[coral clássico ao fundo]
♪♪♪
[Maurice] Enchanté, demoiselle.
[Anthony] Senta um pouquinho aqui com a gente, Gi.
[coral]
[Maurice] Merci.
[Anthony] Então, Maurice. A Gi é modelo.
[Anthony] Eu acho que ela tem tudo pra bombar lá fora.
[Maurice] Por isso eu quis que você conhecesse ela.
[Anthony] Eu acho que cê devia levar ela pro exterior.
Eu?
[ri]
Cada surpresa que você me fazer, Anthony.
Bien.
Ãhn... Vamos ver...
Eu vai lançar meu nova cosmetique...
...precisar de um rosto novo... um new face...
Teu tom ser tão delicado....
Menina!
[Maurice] Tão bonita!
Oui! Vou levar você pro França.
[Giovanna] Jura?
[Maurice] Eu não ser de mentir. Se não gostar, não gostar. Se gostar, gostar.
[Maurice] Mas teu rosto...
Je suis enchanté! (estou encantado!)
Demoiselle!
[Maurice ri] [Anthony] A Gi desfila superbem.
[Anthony] Ela vai fazer o seu desfile, Maurice.
Superb!
Excellent!
[Anthony] Bom, Gi, era isso. Queria que o Maurice te conhecesse.
[♪ violino melancólico ♪]
[Giovanna] Enchanté, monsier Maurice.
[Giovanna] É uma honra.
[Maurice] Demoiselle, vamos trabalhar juntas.
[Maurice] Bientôt.
[violino]
[Anthony] Maurice, o que você falou é verdade?
[Anthony] Você vai trabalhar com ela pra lançar sua grife nova de cosméticos?
[Maurice] Oui! Eu gostar dela.
[Maurice] Você tem olho bom.
[Maurice] Foi uma surpresa.
Je sais. Você gostar de surpresas.
[Maurice] Então...
Esta ser tua condição?
Acho que você adivinhou.
[Maurice] Agora me diz uma coisa.
Ela ser tua namoradinha?
Eu não minto pra você, Maurice.
Ela é minha namoradinha, sim.
Não ter problema. Eu não ser ciumento.
♪♪♪
[Carol] É essa?
[Carol] Ou seria essa?
♪♪♪ [Carol] Talvez essa...
♪♪♪ [Carol] Ou...
♪♪♪ [Carol] Ou essa....
[Carol] Não. Essa aqui também. Bem parecida...
[Carol] Ai, tem muita parecida, aqui...
♪♪♪ [Carol] Ai, graças a Deus...
♪♪♪ [Carol] Ai...
♪♪♪
♪♪♪ [Carol] Ou é essa...
[Carol] Essa aqui... duas ou três...
♪♪♪
[Carol] Duas ou três...
♪♪♪
[homem] Claro. A gente pode almoçar junto. Isso.
[homem] Isso. Você liga para mim à tarde, que eu vou falar com ele...
[homem] É. A gente faz uma reunião. Vamos decidir isso de uma vez.
[homem] Claro. Não, presta atenção...
[homem grita] Ai! Desgraçado! Ladrão!
[homem] Pega! Vagabundo!
[homem grita]
[♪ música de perseguição ♪]
♪♪♪
[♪ música delicada ♪]
♪♪♪
[Roy] Aí. Filei um celular.
[Larissa] Pra que roubar, Roy?
[Roy] A gente vai precisar da grana.
[vendedor] Ei-ei-ei! Vamos fazer o favor de sair da loja?
[Roy] Que foi?
[vendedor] Vamos sair fora! [Roy] A gente tá fazendo nada.
[Larissa] A gente é cliente aqui, tô vendo coisa...
[bate-boca]
[vendedor] Vamos, vamos, vamos!
[Larissa] Sabe por que eu vou? Eu só uso roupa de grife!
[Larissa] Aqui não tem grife... [bate-boca]
[vendedor reclama]
[vendedor] Menina, não falei pra sair fora?
[vendedor] Vaza, meu!
[♪ piano triste ♪]
♪♪♪
♪♪♪ [chora alto]
♪♪♪
[Roy] Vem, Larissa. Vem.
[♪ orquestra melancólica ♪]
♪♪♪
[Lyris] Eu fiquei surpresa quando cê me chamou pra conversar.
[Edgard] Lyris, eu não te esqueci.
[Lyris] Nem eu te esqueci, Edgard.
[Lyris] Vem cá...
[Lyris] Você tá...
[Lyris] Você tá disposto a me perdoar do book rosa?
[Lyris] Foi só foi uma vez. Eu juro.
Tem um condição. Cê tem que deixar de ser modelo.
Por quê?
Se continuar na agência, vou ficar pensando o tempo todo "será que ela fez book rosa?"
[Edgard] "Será que tá com algum cliente?"
E-eu vou pirar. Você sabe que eu piro feio.
Mas eu tô comprometida com o desfile do Maurice Argent.
Tá bem, mas depois eu seguro. Estou ganhando bem.
[Edgard] Você pode ir trabalhar numa loja boa como vendedora.
Sei lá. Mas agência, não.
É a minha condição.
Eu prometo ser o melhor marido do mundo.
Eu topo. Eu prometo ser a melhor mulher do mundo.
Ai...
[Lyris] Eu te amo, Edgard.
Eu te amo, Lyris.
[Lyris ri]
[Pia] Eu preciso que você me fale a verdade sobre meu filho.
[Sam] A verdade...
[Igor] A Pia quer saber se você tá vendendo droga pro filho dela.
[Igor] Você vai responder ou quer tomar uma porrada?
[Pia] Calma, Igor! [Sam ri]
[Pia] Sam, o Bruno tá muito diferente. Ele tá tendo atitudes muito estranhas.
[Pia] Eu tô muito preocupada com ele. [Sam] Eu também.
[Pia] Como assim? [Sam] Ué, eu sempre comprei e vendi.
[Sam] Normal. Sempre fiz.
M-mas... você não é modelo?
Sou modelo, Pia. Mas não rola trabalho e tenho que pagar minhas contas.
Você sempre conviveu com meus filhos como se fosse amigo deles...
Hum!
Você acha que quem vende tem que ter cara de bandido?
Não, Pia. É o contrário. Quem vende tem que passar desapercebido.
[Igor] Pois é.
[Igor] Na academia tem uns que cê tem certeza que não são, mas são.
Traficante não usa uniforme, Pia.
Meu Deus, meu filho usa drogas, então.
Calma.
[Pia] O que eu faço com o Bruno? [Sam] Olha, Pia...
[Sam] Aí eu já não sei, porque o filho é teu.
[Sam] Mas o menino tá usando muita droga, mesmo. Tá exagerando...
[Sam] Dá uma olhada aqui, ó...
[Sam] Se liga...
[Pia] Meu anel? [Sam] Teu anel.
Sabe, quando começa a roubar a família assim pra comprar droga...
...é que o negócio tá feio, né...
Teu filho tem propensão pra um batalhão, Pia.
Meu celular.
Então, meu celular que sumiu. Só pode ter sido ele que pegou.
É, esse lance do celular eu já...
...já passei adiante, mas o anel é teu. Fica com ele.
[Igor] Cê vai ter que conversar com ele. Olho no olho.
[Pia] Eu vou falar com ele, sim.
[Pia] Hoje à noite depois da manicure eu vou falar com ele...
[Sam] Depois do quê?
[Sam ri] Depois da manicure? [Pia] Marquei uma manicure. Não tem como cancelar.
[Sam] Ahh! Claro.
[Pia] Eu não quero que você tenha prejuízo. Eu posso comprar esse anel de você.
[Pia] Quanto você faz pra mim?
[Sam] Pia, eu vou ser honesto. O anel não tem o mesmo preço quando é repassado.
[Sam] Mas eu... vou fazer um bagulho aqui pra você...
[Sam] Eu aceito cheque, tá?
[Sam] O valor é esse aqui.
[Pia] Tá bom.
[Pia] Obrigada, Sam.
[Sam] Boa manicure, Pia. Aproveita.
E boa conversa com o teu filho.
[Pia] Eu sabia. Eu sabia!
[Igor] Cê não vai esperar a manicure, né? Deixa de ser dondoca. Vai falar com seu filho agora.
[Pia] Claro que eu vou falar com ele! É que eu tô nervosa. Não sei o que dizer.
[Pia] Vai pra academia, mas volta logo. Preciso de você do meu lado pra me dar essa força. Por favor.
[Igor] Que bom que não é só por causa da manicure, né?
[Pia] Claro que não! [Igor] É uma conversa difícil, mesmo.
[Igor] Mas fica tranquila que eu vou estar junto com você. Tá?
[♪ música de clima investigativo ♪]
♪♪♪
♪♪♪ [celular toca]
♪♪♪
Alô, Oswaldo?
[Oswaldo] A tua mãe tá passando mal. Vem pra cá.
Ai, meu Deus do céu...
Eu preciso ligar pra Arletinha...
♪♪♪
[celular vibra]
[♪ música tenebrosa ♪]
♪♪♪
♪♪♪ [suspiros e beijos]
[♪ Abertura: Angel - Massive Attack ♪]
♪♪♪
Atende, atende...
♪♪♪
♪♪♪
[médico] A senhora precisa ser internada imediatamente.
[Hilda] Pra quê, Doutor?
[Hilda] O senhor e eu sabemos o que eu tenho.
[Hilda] Não me resta muito tempo, e...
[Hilda] Não há nada a fazer. Nada.
[Oswaldo] Mas no hospital você teria algum tratamento, Hildinha...
[Hilda] Oswaldo, eu quero passar o tempo que me resta...
[Hilda] ...aqui na minha casa. E depois, meu querido...
[Hilda] Eu tenho você, que é mais do que muita gente pode ter.
[médico] Como paciente, sua decisão é soberana.
[médico] A senhora tem o direito de escolher.
[Hilda] E vai ser assim, tá?
[Hilda] Oswaldo, por favor, não. Não diga uma palavra à minha filha.
[Hilda] Por favor, Oswaldo. Eu te imploro.
[Oswaldo] Calma, Hildinha. [Hilda] Ela tá muito feliz, Oswaldo.
[Oswaldo] Calma, Hildinha. Calma.
[Oswaldo] Oi. [Carol] Oswaldo!
[Oswaldo] Você veio sozinha?
[Carol] Sim, eu não consegui achar Alex, nem Letinha.
[Carol] Minha mãe! Que foi que houve?
[Hilda] Coisa de velho. Só isso.
[Carol] Meu Deus... Doutor, boa noite.
[Angel] Eu prefiro que a gente só se encontre aqui no hotel.
[Alex] A gente pode se encontrar onde você quiser.
[Alex] Quero você. Teu corpo. Teu cheiro.
[Angel] Minha mãe me ligou oito vezes.
Me ligou também.
Vou ligar pra ela.
[♪ música dramática com violinos ♪]
♪♪♪
Mãe?
A vó?
Não... Tá. Calma, tô indo aí, mãe.
Minha avó passou mal. Minha mãe tá na casa dela.
Eu vou com você.
♪♪♪
[Oswaldo] Vem, Hildinha. Devagar.
[Carol] Ah, finalmente, né? [Angel] Cadê a avó?
[Carol] Tá aqui... [Angel] Vó!
[Angel] Cê tá bem, vó? [Hilda] Eu tô bem. Já passou.
[Carol] Graças a Deus. O médico já foi até embora. Foi um susto.
[Alex] Dona Hilda, a senhora tem que fazer um check-up em um hospital de primeira linha, com médicos bons...
[Hilda] Tá bem... [Alex] Eu pago!
[Hilda] Eu sei, Alex. Eu sei que você paga tudo, mas...
[Hilda] Eu não preciso, viu? Eu tô bem, foi... Olha, bobagem...
[Hilda tosse] Eu tive tontura. Oswaldo se apavorou... tá tudo bem.
[Carol] Mãe, eu te amo tanto. Só de pensar que pode acontecer alguma coisa...
[Hilda] Não vai acontecer nada... [Angel] Vó, pelo amor de Deus, fica bem.
[Hilda] Imagina... Atrapalhei o jantar.
[Hilda] Vai lá, faz alguma coisa pra Carolina... [Carol] Ai, mãe! Para de pensar...
[Alex] Dona Hilda, eu levo as duas pra jantar. Vamos?
[Angel] Vó, fica deitada aí, tá? Descansa.
Estava te esperando.
[Anthony] Eu sei.
Anthony, vou ser bem direta e reta.
[Anthony] Ih, o que tá pegando?
Cê tá saindo com aquele costureiro?
O Maurice?
[Giovanna] Porque se estiver, eu não vou suportar.
[Pia] Gostou do caviar?
[Igor] É gostoso.
[Igor] Não é essa maravilha toda que falam, mas é bom.
[Igor] Obrigado. [Pia ri]
[Pia] Experimenta esse, agora. Com esse blini.
[Pia] Que delícia.
[Igor] Esse nao tem gosto de nada. [Pia] Ah!
[Pia] Não é pra ter o gosto de alguma coisa. É pra realçar o gosto do caviar.
[Igor] Sei. [Pia] É uma delícia, vai.
[Igor] Ô Pia, cai na real.
[Igor] Vamos parar de falar de caviar?
[Igor] Chama teu filho pra conversar.
[Igor] Cê tá fugindo. Cê percebeu que tá fugindo?
[Pia] Eu sei. [Igor] Então.
[Igor] Chama ele. [Pia] Tá.
[Pia] Bruno!
[Pia] Bruno!
Bruno!
[grita] Calma! Calma! Eu estava pensando no zero!
Que zero? [Bruno] No zero!
No zero! Cê sabia que o ser humano inventou o número?
[Bruno] Tipo... O um, o dois, o três... Só que o zero...
[Bruno] ...é uma evolução da matemática que a gente usa todos os dias e ninguém percebe.
Ninguém percebe o que é o zero.
Ein!?
O zero é o nada. O nada absoluto.
Só que ninguém nunca viu o nada absoluto.
Ninguém nunca viu porque tá tudo preenchido. Até o vazio não é vazio.
[Igor] Pia, toma uma atitude. É seu filho.
Bruno... a gente precisa ter uma conversa séria.
Isso é o papo sério. Tudo que eu tô falando é papo sério...
A gente precisa ter uma conversa séria. [Bruno] Que conversa séria?
[Pia] Eu sei tudo que tá acontecendo. [Bruno] O que tá acontecendo?
Isso aqui. Meu anel.
[Pia] Eu sei de tudo.
[Pia] Eu sei que você tá usando drogas.
[Bruno ri]
[Bruno ri] O anel?
Não é engraçado, Bruno.
[Bruno] O anel! [ri alto]
[ri alto]
[Pia] Bruno, para de rir. Não é engraçado.
[silêncio]
[Alex] Quanto tempo a gente não saía pra jantar, né?
[Carol] É.
Cê ainda tá preocupada com a vó, mãe?
[Carol] Não.
Mas eu tô com uma coisa martelando na minha cabeça.
Eu liguei pra vocês dois mais de mil vezes.
Ninguém me atendeu.
[Carol] Até que finalmente você, minha filha, me retornou.
[♪ Abertura: Angel - Massive Attack ♪]
Como vocês dois chegaram juntos...
...na casa da minha mãe?
♪♪♪
♪ You are my angel ♪
♪♪♪
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