All language subtitles for The.Law.According.to.Lidia.Poet.S01E01.Episode.1.720p.NF.WEB-DL.DUAL.DDP5.1.H.264-WDYM

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Original subtitles

INSPIRADA NUMA HISTÓRIA VERÍDICA

TURIM TRÊS DE NOVEMBRO DE 1883

Adele? Onde está a Adele?

Alguém a viu?

Parem de tomar isso!

A Adele hoje não veio.

Então, substitui-a. Vai buscar um fato. As outras, para o palco, depressa!

- Não sei da chave da arrecadação. - Toma a chave-mestra. Devolve-ma depois.

Rápido.

A LEI DE LIDIA POËT

Então? Que tal?

O empenho é louvável, mas podes melhorar a execução.

Posso melhorar? Vamos já tratar disso.

LEI E DECRETOS CÓDIGO PENAL

NOTIFICAÇÕES DE ATOS JUDICIAIS

CÓDIGO PENAL DO REINO DE ITÁLIA

- Não acredito. - Senhorita Poët.

Tenho de abrir. É a senhoria.

É a senhoria.

Vá!

Sei que está no quarto.

Senhorita!

- Sim, já vou! - Abra!

Não está acompanhada, certo?

Não, senhora! Disse-me que era proibido.

Vou estar por Turim. Voltamos a ver-nos?

Gosto de ti, mas arranja alguém que não te obrigue a sair pela janela.

Mereces melhor.

Adeus.

Aqui estou eu.

O que se passa?

- Esta senhora gostaria de falar consigo. - É a advogada Poët, certo?

- Sim, sou. Também lhe devo dinheiro? - Não.

Disseram-me que é advogada e que não cobra muito.

Cobra menos do que um homem.

É verdade.

Desculpe, minha senhora, mas precisamos de privacidade.

Eu preciso da renda.

Há de receber, não se preocupe.

Hei de pagar.

O meu filho Pietro foi preso.

Foram a casa buscá-lo. Levaram-no para a prisão de Le Nuove.

Dizem que ele matou uma rapariga.

A bailarina principal do teatro D'Angennes.

Mas ele é inocente. Juro.

Bom dia. Preciso de falar com um cliente.

Um cliente? E quer encontrar-se com ele aqui?

Chama-se Pietro Baiocchi e sou advogada dele.

Lidia Poët.

É autêntico.

Está em mau estado porque o mostro muitas vezes.

O que faz aqui?

Olá, querida!

Olá!

Lindinha!

Olá!

Olha para ti!

- Que beleza! - Que linda!

Baiocchi, a tua advogada está aqui.

Têm cinco minutos.

Bom dia, Pietro.

Sou Lidia Poët.

A tua mãe contratou-me para te defender.

É advogada?

Sim. Sou licenciada e estou inscrita na Ordem.

Por favor, não me peças documentação. Temos pouco tempo.

Se ficares em preventiva, podes ser condenado à morte.

Há quanto tempo conhecias esta Adele Valery?

Sabias que se ia casar daqui a uns dias com o marquês de Clermont?

Ela nunca se teria casado com ele.

Sei que estava apaixonada por mim.

Ela disse-te isso?

Que te amava? Tens a certeza?

Os registos da Polícia mostram que a perseguias.

Ela pediu várias vezes ao diretor do teatro para te expulsar.

Posso acreditar que ela te amava,

mas preciso de algo concreto para convencer o juiz da tua inocência.

São coisas que não são ditas.

São gestos, olhares.

Ela amava-me.

Diz-me a verdade, ela nunca te falou?

Foste ao teatro na noite de dois de novembro?

Nunca estiveste apaixonada?

Isso não é relevante.

Longe dela, eu sentia-me a arder.

Houve um ensaio no teatro, por isso, fui vê-la.

Fiz-lhe um retrato.

Mas ela não estava lá.

Viram-me e mandaram-me embora.

Acabou o tempo. Tem de sair.

- Olá. - Olá!

Quando te vi inscrita na Ordem, fiquei incrédulo. O mundo está a mudar.

Tenho habilitações há três meses. E tenho um caso importante.

O que dizer? Fata volentes ducunt.

O homicídio do D’Angennes.

Vais estrear-te com um desastre. O procurador vai arrasar contigo.

Obrigada. Também tive saudades tuas.

Cumprimentos à tua mulher e filha, se é que ainda não se mataram.

Se precisares de ajuda, diz.

Ainda fazes parte da família. Não queremos ficar mal.

Advogado Poët.

- Sim. - Sim.

Lidia Poët.

A dois de novembro, o general Valery participou o desaparecimento da sua filha.

No dia seguinte, no teatro, a arrecadação estava trancada e não havia chave.

Aqui está.

Abriram-na com a chave-mestra e encontraram isto.

Baiocchi tem uma mente turva, propensa a fantasias mórbidas.

Estava apaixonado pela vítima há meses. Mandava-lhe flores, poesia, desenhos.

Ficava horas à porta...

Entre.

Sr. Procurador.

Conhece a senhorita Poët?

- É advogada do Baiocchi. - Advogada Lidia Poët.

Estava a dizer-lhe que Baiocchi alimentou uma obsessão solitária durante meses,

até à noite de dois de novembro, quando encontrou a vítima.

Ao ser rejeitado, ele estrangulou-a.

Obrigada, Sr. Juiz. Os elementos recolhidos pela acusação são claros,

mas imagino que também recolheram alguns elementos a favor do suspeito.

Quer ensinar-me o meu trabalho?

Não, de todo.

Se houvesse provas favoráveis, teria dito.

Certo.

Se me permite, Sr. Juiz,

queria saber se mandou procurar impressões digitais

na zona onde estava o cadáver.

É um procedimento muito simples.

Até o Dr. Henry Faulds escreveu sobre isso na revista Nature há alguns meses.

Pensei que já tinha ouvido tudo, mas isto...

- Disse "impressões digitais"? - Exato.

Com todo o respeito, Sr. Juiz, estamos a perder tempo.

Até um assassino como Baiocchi tem direito a um advogado a sério.

Isto é alguma piada?

Tem medo de perder com uma mulher?

Temo apenas o descrédito que recairá sobre a profissão

se as mulheres se começarem a envolver.

Seja como for, não temos tempo nem meios para recolher "impressões digitais",

seja lá isso o que for.

Posso, ao menos, ver o cadáver?

Seja rápida, vai ser entregue à família.

Claro. Obrigada, Sr. Juiz.

Bom trabalho para todos.

Igualmente.

O corpo esteve fechado naquele baú por mais de dezoito horas.

Foi sufocada.

O assassino era muito maior e mais forte do que ela.

Vê aqui? Ele pressionou aqui e aqui.

Pressionou com os polegares até a matar.

Ela era tão jovem.

Dezassete anos.

Se quer fazer isto, tem de se habituar.

Tirou-lhe o anel?

Ela não tinha anéis quando a trouxeram.

Tem mais dois minutos e depois tem de se ir embora.

Garanto-lhe que, na corte do imperador,

nunca vi uma beleza como a sua.

- Está a gozar. - Pela minha honra, nunca o faria.

Chegou a Lidia. Pergunte-lhe.

Lidia, esta senhora não tem a elegância e o porte de uma dama oriental?

O que fazes aqui?

O seu noivo ofereceu-se para pagar o que me deve.

- Não é meu noivo. - Mas posso emprestar-te o dinheiro.

Não, obrigada. E não podes vir aqui sem avisar.

É muito orgulhosa e não me quer ficar a dever.

Sou assim porque não preciso de ser sustentada por um homem.

Estou cansada, tenho coisas para fazer e não podemos receber visitas aqui.

- Não é? - Não! Se o jovem quiser ficar...

Nem pensar. Regras são regras.

Regras são regras, eu saio. Despeço-me. Vou buscar as minhas coisas.

Senhora, fique com ele, é uma prenda. Um sinal da minha devoção.

Sabes onde estou, se mudares de ideias.

Senão, vemo-nos quando eu voltar. Bonne nuit.

Desculpe,

prometo que amanhã lhe pago tudo o que lhe devo.

Espero que sim, senão, terá de devolver as chaves.

Senhorita.

Chegou isto para si.

Do tribunal.

Obrigada.

Espero que não sejam más notícias.

Foda-se!

O tribunal confirma o recurso contra a senhorita Lidia Poët...

... e declara nula a sua inscrição

na Ordem dos Advogados da Cidade de Turim.

É óbvio para o tribunal

que a advocacia é um ofício onde as mulheres não se devem imiscuir.

Na verdade, seria impróprio e terrível ver mulheres

em discussões que vão além dos limites que o sexo frágil deve respeitar.

Não precisamos de mencionar o risco para a seriedade das sentenças

se, sobre a toga do advogado, se usasse trajes estranhos e bizarros

que comummente a moda impõe às mulheres.

Por isso, não devemos pedir que a mulher cumpra funções

para as quais não está adequada pela sua constituição orgânica

ou que a impeçam de realizar e levar a cabo outras tarefas

da sua específica competência, sobretudo no âmbito familiar.

É ultrajoso, Sr. Juiz.

O que devo dizer aos clientes que represento?

Que encontrem um bom advogado, senhorita Poët.

Pare aqui.

Pare aqui!

Olá, Enrico.

Anularam a minha inscrição na Ordem dos Advogados. Perdi tudo.

Não tenho casa.

Estava a trabalhar no caso D'Angennes e quero defender o Pietro Baiocchi.

Continuo a humilhar-me ou posso entrar?

Deviam...

... ter ouvido as motivações.

- São intolerantes, arrogantes, pedantes... - O tribunal tem razão.

- As mulheres não devem ser advogadas. - Não comeces.

O nosso pai já dizia isso.

Não me fales do pai. Eu mato-te.

Moderemos a linguagem.

Peço desculpa.

Quanto tempo vais ficar, tia?

Marianna, não faças perguntas tolas.

Depende dos teus pais, se...

- A minha senhoria expulsou-me. - Eu deduzi, pela bagagem.

A casa é grande, mas temos cá o meu irmão Jacopo.

Talvez possa ficar na sala verde até...

Na sala verde?

- É feia. - É fria.

- A chaminé não funciona. - Não há problema.

- Obrigada. - Esquece o Baiocchi. É um caso perdido.

Faço tudo. Verifico as conclusões e escrevo os memorandos.

Tu vais a tribunal, dizes o que eu te mandar, assinas...

Lidia, a decisão do tribunal é muito clara! Não podes exercer!

Eu sei! É por isso que proponho ser tua assistente.

Ajuda-me com este caso e eu ajudo-te com o teu.

Agora, ela é que me ajuda.

- Não, esquece. - Por favor, estou desesperada.

O homem pode ser condenado à morte.

Fazemos assim.

Se eu aceitar a defesa do Baiocchi, desistes de ser advogada.

Tu mesmo disseste, a decisão do tribunal foi clara.

- Sei fazer a apresentação. - Posso ganhar.

- Jamais - Não sejas pessimista!

Não sou pessimista, sou vidente. Prevejo problemas e previno-me.

Diz-me, o que devo fazer?

Tens diploma de professora. Dá aulas.

Ou podes casar-te, como todas as raparigas normais.

O matrimónio é bem-visto nesta casa. A mãe já está a organizar o meu.

É só um baile, Marianna.

Está bem.

Se me ajudares com o Baiocchi, não vou recorrer. Juro.

Também porque, cara Lidia... Desculpa, querido.

Se Deus quisesse que fosses advogada, não te faria mulher.

Não?

Exato. Obrigado, querida.

Isso mesmo, reza.

Pai, não é nada. É para o exame de Processo Penal do Enrico.

Estava a copiar os artigos mais importantes.

A mãe anda à tua procura.

Precisa de ajuda para fazer o jantar. Não a faças esperar.

Quem é o senhor?

Sou o Jacopo Barberis.

A minha irmã... é casada com o filho daquele homem.

Quem é, desculpe?

Lidia, a filha daquele homem.

A irmã maluca!

Brindemos a este encontro. Com uísque.

Acho que já bebeu o suficiente esta noite.

Sabe que não se parece nada com o seu irmão?

Infelizmente, temos o mesmo nariz.

- Isso queria ele. - E somos advogados.

E isso queria você.

O tribunal de recurso anulou a sua inscrição.

Até escrevi um artigo sobre isso para a Gazeta.

Pode escrever que vou recorrer da decisão do tribunal.

Aliás, não escreva. É segredo.

Ouça, só está a perder tempo.

O Estatuto Albertino não menciona proibições específicas.

- O juiz terá de aceitar... - O juiz é um homem?

Não tenho mais perguntas.

Deixe-me oferecer-lhe uísque.

Não, tenho de acordar cedo amanhã. Tenho coisas importantes em que pensar.

O que é mais importante do que beber em boa companhia?

Eu e o meu irmão estamos a defender o Baiocchi

pelo homicídio do D’Angennes.

Interessante.

E... foi ele?

Acha que diria isso a um jornalista?

Não sei. Diga-me,

acha que ele é culpado?

Ele não é culpado? Ele é culpado?

Não é culpado.

Embora todos pensem que é culpado, eu tenho as minhas dúvidas.

E, nestes casos, como procede?

Já estudou filologia?

- Filologia? Não. É grave? - Não.

Quando um texto é transmitido em várias versões,

a mais simples é também a mais improvável.

Por isso, ponho-a de lado e concentro-me nas outras.

- Voilà. - Voilà.

Então, vemo-nos amanhã no Monumental?

No cemitério?

O funeral de Adele é às 10 horas.

- Não me diga que não sabia. - Claro, eu sabia muito bem.

Não preciso da sua ajuda. Obrigada.

Imagino que também não precisou da ajuda do Enrico.

Saúde.

Então, o homem de farda de gala é o general Ruggero Valery.

O pai, com a mulher.

Ao lado dele está o noivo, o marquês Carlo de Clermont.

O homem de bigode é o pai dele, marquês Ludovico, com a mulher.

- E a companhia de balé do D'Angennes. - Adele Valery era a bailarina principal.

Seria estranho se não viessem.

Aonde vai?

Falar com eles.

Duvido que falem com a defensora do alegado assassino.

Uma advogada? Não seja ridículo.

Está tudo bem.

As minhas condolências.

- Obrigada. - Obrigado, senhorita.

É uma amiga?

Era a minha melhor aluna

no Rousseau.

Uma rapariga especial.

Ela era...

... incapaz de fazer mal.

Tinha uma doçura e uma elegância fora do comum.

Por amor ao Carlo, até teria desistido do balé.

Tivemos esperança a noite toda.

Mas estava no teatro, morta, sem ninguém ter dado conta.

Até tiveram de derrubar a porta.

- Para, por favor. - Desculpem.

Com licença. Volto já.

Perdoe-nos, senhorita.

Descobriu alguma coisa?

O dia ainda é longo.

Vivemos num tempo de progresso,

mas as mulheres ainda são impedidas de exercer a maioria das profissões.

Podemos perguntar-nos se faz mais sentido para uma mulher atual

procurar a sua felicidade num país estrangeiro, mas mais civilizado

ou desperdiçar a vida numa batalha Don Quixotesca

contra os moinhos de vento da presidência, do senado, do parlamento e do Vaticano.

Conheci uma mulher que escolheu a segunda via.

Falei com ela e olhei-a nos olhos.

Vi neles uma fúria indomável.

Uma fúria que, no entanto, é um véu.

E não basta para esconder o desespero e o vazio.

GISELLE NOVAS DATAS

Se continuares assim, não chegas à estreia.

Quem és tu?

Lidia Poët, assistente legal do advogado Enrico Poët.

Tentamos perceber o que aconteceu à tua amiga Adele, se puderes ajudar.

Não tenho nada que ver com a morte dela. Nem estava no teatro quando a mataram.

Mas substituíste-a, certo?

Achas que a mataria para a substituir?

Não eram grandes amigas. Aparentemente.

Pela forma como o Carlo te tratou no funeral.

Ouve, tens razão.

Não gostava nada da Adele.

Ela achava que era a melhor e eu queria o lugar dela.

Mas eu ia acabar por a substituir.

Porque és a melhor?

Devia ser o último espetáculo dela.

Quem casa com o marquês de Clermont, não pode ser bailarina.

Estás a ver? Eu não tinha motivo para a matar.

Talvez não.

Ela falou-te do Pietro Baiocchi?

Sim.

O que lhe mandava flores?

Uma vez, ela pegou numa e pôs no cabelo.

E subiu ao palco, sabendo que ele ia reparar.

Ela barafustava, mas gostava muito.

A SENHORITA LIDIA POËT DE JACOPO BARBERIS

Devagar.

Quero uma explicação imediatamente. Não tem o direito de escrever...

Bem, bom dia, Lidia.

Esta é a Maya.

- O teu apelido, querida? - Cristallo, mon amour.

- A Maya Cristallo é uma profissional. - Como se atreve a escrever sobre mim?

Não me contou nada sobre o Baiocchi. Tive de escrever algo.

Não há vazio nos meus olhos.

Não!

Desculpe se o meu artigo a incomodou,

mas foi em sua defesa.

É um homem pequenino e patético, sabia? Usas as pessoas. Não me conhece de todo.

Mas a senhorita também não me conhece.

Podemos conhecer-nos melhor, não?

Não.

- O que fiz de errado? - Acho que ela gosta de ti.

Não.

E não tens ciúmes?

Eu sou uma profissional.

Tenho de confessar algo.

Não gosto de ser chamada com essa sineta de merda.

Modera o tom e senta-te.

O tribunal enviou-me as provas entregues pelo procurador.

Estes... Nem sei o que lhes chamar, mas foram feitos pelo Pietro Baiocchi.

São... desenhos.

Não estamos a defender Caravaggio.

- Não, ele era culpado. - Isto é pornografia!

Não quero o meu nome associado à defesa de um pervertido!

- Assino o papel para ires à prisão. - Calma.

Vai lá. Pede desculpa ao Baiocchi por lhe dares falsas esperanças

e manda-lhe procurar outro advogado.

Posso tentar fazer-te mudar de ideias?

Não.

O assassino da Adele escondeu o corpo num baú.

Trancou a porta e saiu. Já pensaste no que aconteceu à chave?

Continua.

Imagina uma pessoa que acabou de matar uma rapariga. Está chocada.

Sem pensar, mete a chave no bolso e esquece-se dela.

Não havia chaves em casa do Baiocchi.

Só encontraram estes desenhos, que não provam absolutamente nada.

Já te convenci?

Sabes onde está a chave?

- Não. - Não me convenceste.

Manda o Baiocchi procurar outro advogado. Ponto final.

Se não concordares, podes queixar-te ao juiz Genovesi.

Não podes.

Au revoir.

És um imbecil.

Desculpa.

Sem o meu irmão, não posso trabalhar no teu caso.

Ele também me acha culpado?

Pietro, infelizmente, num processo, as opiniões importam pouco

e as aparências importam muito...

Certo.

É sempre o mesmo.

Tal como a Adele,

o casamento dela, o marquês,

tudo falso.

Só aparências!

Diz-me uma coisa. A Adele usava sempre este anel?

Sim, desde que a conheço, mas tirou-o há algum tempo.

Acho que tinhas razão.

- Ela não teria casado com ele. - De que me serve ter razão?

Senhorita? A visita acabou.

Pare de lutar contra moinhos de vento.

- Como disse? - Está escrito aqui.

Diz que luta contra moinhos de vento.

Repete tudo o que lê nos jornais?

Acredito nos jornais.

Certo.

- É um génio. - Está a gozar comigo?

Pietro, aguenta. Eu sei o que fazer.

Com licença.

- Senhorita Poët! - Olá.

Pensei que estava zangada.

Não. Na verdade, fui um pouco impulsiva.

Após reler o artigo, percebi que prestou um grande serviço a todas as mulheres.

Obrigada.

Mas fui insensível. Tem razão.

Permite-me, senhorita Poët? Attila Brusaferro.

Se este idiota a maltratar, lembre-se de mim.

Muito prazer.

Acho que não veio só para me dizer que mudou de humor.

Touché. Preciso de saber onde é a residência do marquês de Clermont.

Na praça San Carlo.

Em frente ao cavalo de bronze.

Mas... porque está interessada?

Se lhe disser algo, promete proteger a fonte?

Só se merecer a primeira página.

Isso dir-me-á o senhor.

- Força! - Como disse?

Nada.

- Olá. - Bom dia.

É a professora da Adele, certo?

Não. Tenho de ser sincera. Lidia Poët.

O meu irmão é o advogado do Sr. Baiocchi.

- Mas disse... - Eu sei, desculpe.

Tenho de lhe fazer umas perguntas.

Se amava a senhorita Valery, quererá que prendam o verdadeiro assassino.

Esse já está na prisão.

- Será acompanhada até à porta. - Um segundo.

Por favor, só quero saber o que aconteceu ao anel de noivado que deu à Adele.

Não vejo qual é a importância.

- Talvez o seu cliente o tenha levado. - Parece que não.

- O que se passa, Carlo? - Diz ser a advogada do Baiocchi.

Sr. Marquês, sabia que Adele Valery tinha posto fim ao noivado com o seu filho

uns dias antes de morrer?

Não percebi bem quem é nem o que quer de nós,

mas tenho a certeza de que não devia estar aqui.

Com licença.

O que faz?

Veem?

Cada um de nós deixa marcas.

Únicas.

Sem sequer dar conta.

Estas marcas chamam-se impressões digitais.

O juiz de instrução ordenou a recolha de impressões digitais no baú

onde Adele foi encontrada.

A investigação terminará depois de amanhã

e saberemos quem é o verdadeiro assassino.

E ninguém duvidará da inocência de Pietro Baiocchi.

Muito bem, obrigado.

- Giuseppe, levas a senhora até à porta? - Eu sei o caminho. Com licença.

Putain!

Jornais! Gazeta de Piedmont. Edição matutina!

Jornais!

Obrigado, senhor.

Jornais!

Gazeta de Piedmont. Edição matutina!

"Segundo fontes próximas da procuradoria,

a Polícia está à espera da autorização do magistrado

para recolher impressões digitais no local do crime."

"Este procedimento ainda é desconhecido do grande público, mas podemos especular..."

"Podemos especular que em breve será impossível

levar a cabo uma investigação sem as usar."

O teu tio escreve bem.

Já leste isto?

"Advogada expulsa por ser mulher. A história de Lidia Poët."

Estás a ficar famosa.

Mais famigerada.

Diz-me uma coisa, sobrinha.

O Lorenzo, o jardineiro. É giro, não é?

Não. Para!

Como tua advogada, posso garantir-te sigilo.

Já não és advogada.

Parva. Mas, se gostas do Lorenzo, isso não tem mal.

Nem que tu gostes do tio Jacopo.

Que imaginação. Não gosto do teu tio Jacopo.

Mentirosa.

Sabias que viveu dez anos em Paris?

Ele conheceu uma mulher chamada Nicole.

Estavam juntos.

Como acabou a relação com essa Nicole?

Ela morreu.

Há muitos anos, infelizmente.

- Bom dia, querida. - Bom dia.

- Já leste a Gazeta? - Sim, e tu?

- O juiz deve ter mudado de ideias. - Impossível. O Jacopo é um cretino.

Ele inventava qualquer coisa para vender algumas cópias.

Felizmente, já não temos de lidar com esta história.

A propósito, queria pedir desculpa.

Fui longe demais. Tenho noção disso.

Não importa.

- Está tudo bem. - A sério.

Para compensar, tomei a liberdade de comprar bilhetes para o Giselle.

Sim, pai. É lindo!

Podemos ir juntos.

A informação sobre as impressões digitais era falsa.

Não me diga.

O procurador pediu-nos uma retratação na edição de amanhã.

- Lamento. - Não sei se lamenta.

Queria vingar-se do meu artigo e fez-me publicar essas mentiras.

Usou-me.

Sim, diria que sim, mas por uma causa justa.

- Lidia. Aqui estamos nós! - Enrico.

O que fazes aqui?

Podia perguntar-te o mesmo. Não sabia que gostavas de balé.

Sabes pouco. Por isso, escreves balelas naquele jornaleco miserável.

Enrico, já viste o juiz de instrução na plateia?

- Onde? - Olha. Também lhe ofereci um bilhete.

Foi uma ótima ideia. É essencial manter boas relações com as pessoas.

Faz-me um favor durante o intervalo e leva-o à arrecadação

onde a Adele foi encontrada.

Com alguns polícias, se puderes. Obrigada.

O que estás a dizer, Lidia? Desistimos da defesa.

Não desistimos, pois não?

E o artigo falso?

- Estás de conluio com ela? - Não! Ela também me enganou.

Enrico, ouve. Tens de confiar em mim.

Mandaste-me encontrar a chave para te convencer da inocência do Pietro.

Se tivermos sorte, também convencemos o juiz esta noite.

Vou indo. Muito obrigada!

Enrico, fico à tua espera!

O que fazes aqui? Vai com ela.

Se a matarem, pelo menos, podes escrever um artigo.

Vai!

Já vou.

Espere!

O que quer?

- O Enrico pediu-me para a proteger. - Cale-se!

- Aonde vai? - Despache-se!

- Está trancada? - Sim.

Perfeito.

Venha!

- Aonde vamos? - Entre!

Agora, pode dizer-me.

Quem matou a Adele?

A Adele ia casar-se, certo?

Sim.

Mas ela não estava apaixonada.

Talvez gostasse mais de balé.

Acha que o assassino virá apagar as impressões. Tem a certeza?

Quer apostar?

Se perder, dou-lhe uma garrafa de conhaque.

E, se ganhar, pago-lhe o jantar.

Vem aí alguém.

Sacana infame.

Boa noite, marquês.

O que faz aqui?

Não suportava a ideia de a Adele cancelar o casamento com o seu filho.

Não tolerava que ela quisesse ser uma mulher livre.

Não sei do que está a falar. Estava à procura da saída.

É estranho procurá-la atrás do palco.

Nem por isso. O marquês sabe que há uma porta nas traseiras.

A mesma porta que usou na noite de dois de novembro.

Veio convencer a Adele a casar-se com o seu filho,

mas quando viu que ela não mudaria de ideias,

perdeu a cabeça e estrangulou-a.

Depois, pôs o corpo dela naquele baú e trancou a porta.

Talvez na altura nem tenha percebido que levou a chave, mas depois lembrou-se.

E estava convencido de que a porta fora derrubada.

Lembra-se? Disse-me no funeral da Adele. "Tiveram de derrubar a porta."

Senhorita, a sua imaginação fascina-me.

Muito feminina.

Sem imaginação, não o teria feito voltar aqui.

Como lerá amanhã na Gazeta, ninguém vem tirar impressões digitais.

E acha que pode levar isto a tribunal? Duvido.

- Porque eu mato-a! - Pode explicar como obteve a chave?

Não pode ignorar o que acabámos de ver.

Sr. Juiz, posso explicar. É um grande mal-entendido.

Poderá explicar-se em tribunal,

mas, entretanto, está preso pelo homicídio de Adele Valery.

Levem-no.

Isto é escandaloso, Sr. Juiz.

E a senhorita vai arrepender-se amargamente!

Espero que saiba que as suas ações, por pouco, não eram ilegais.

Todavia, amanhã, apresentarei ao procurador

uma ordem a exigir a libertação de Baiocchi.

Agora, se me dão licença.

- Eu acompanho-o. - Obrigado.

Diria que ganhei a aposta.

E ainda estamos vivos.

Nunca fiquei tão feliz por perder.

Conhaque...

Preciso de conhaque. Conhaque.

Tinhas razão. Não era um caso perdido.

Então, fiz bem em fazer o que queria?

- Disse isso? - Não, mas...

Mas nada. Tiveste sorte.

Não mudaste de ideias? Não posso ser tua assistente?

Esquece.

Podes copiar as minhas cartas.

E ficar lá em casa até arranjares emprego.

O que estás a fazer?

- Nada. - Lidia.

Há clientes!

TABERNA AS QUATRO COLUNAS

- É a Lidia Poët? - Sim.

Mandaram-me dar-lhe isto.

Obrigada.

Lamento imenso, não poderei ir ter consigo.

Uma emergência no jornal. Jacopo.

Boa noite. Um conhaque.

Boa noite.

Nunca viu uma mulher?

Bem, não sozinha.

Há sempre uma primeira vez.

Nicole?

Estás aqui?

"Recurso

da senhorita Lidia Poët...

... licenciada em Direito."

INSPIRADA NA VIDA DE LIDIA POËT, COM EVENTOS E PERSONAGENS FICCIONADAS

Legendas: Georgina Torres

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