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Com licen�a...
- Quer seu papagaio? - Sim.
- Venha e pegue-o. - Obrigado.
Mais alguma coisa?
ASSASSINATO POR AMOR
Louis, este � Jeff Marle. � um escritor.
Alugou a casinha azul e gosta de empinar papagaio.
Sim, eu o vi nadando esta manh�.
Gosto muito de nadar.
Imagino que sim.
Quer beber algo?
- J� tenho, obrigado. - Est� bem.
Agora sou eu que vou beber. Suponho que minha...
esposa j� deve ter dito que bebo muito.
� nossa sa�de!
Horr�vel!
Do que est� rindo?
De nada.
Voc� n�o imagina... como � sentir...
de repente, seu cora��o explodir...
e depois, tudo escurecer...
e voc� morre.
Ent�o, por que beber, n�o � inteligente.
N�o, n�o tem nada a ver com intelig�ncia...
ou ser inteligente.
Mas tem tudo a ver com...
Dor!
De qualquer forma...
Logo, eu levarei minha...
esposa maravilhosa...
para algum lugar...
na Am�rica ou Martinica, n�o sei.
Venha aqui, venha, venha.
venha mais perto...
venha, por favor.
Quero Ihe fazer umas perguntas, Julie...
primeiro, por que n�o mais fazemos amor?
Segundo, por que nunca me beija?
Terceiro, por que n�o me deixa toc�-la?
Por que me odeia?
Pare de beber...
� uma estupidez.
Por favor, Louis...
Por que voc� se rebaixa assim?
� uma boa pergunta.
Pensando bem, � uma boa pergunta.
- Acontece sempre? - Sim.
Ajude-me a lev�-lo para a cama.
Ele � louco.
N�o toque a�.
N�o toque no cinto, ajude-me.
O que houve?
Nada, Louis.
V� para a cama.
- Como consegue suportar isso? - N�o aguento mais.
J� aguentei muito.
Ele n�o me toca desde o ataque card�aco.
Vendeu sua f�brica e viemos para c�.
Agora quer ir para a Martinica.
Talvez ele queira trocar u�sque por rum.
Morrer� antes.
Desse jeito, ele n�o vai longe.
Por que casou com ele? Deve ser uns 15 anos mais velho.
Dezoito.
Sempre foi muito gentil comigo...
Financiou um filme que eu queria fazer.
Voc� era atriz?
Eu queria ser, mas acho que n�o tinha condi��es.
Mas ele foi muito bom pra mim...
na cama n�o, mas muito gentil.
E voc�, o que faz al�m de empinar papagaio?
- Escrevo bobagens. - Como assim?
Sou um escritor.
Escrevo � m�quina para reler depois...
mas, n�o tenho talento, sou pregui�oso...
e n�o gosto de companhia...
Cafajeste!
Gosto de ficar s� mas com voc� � diferente!
Canalha.
Ele n�o vai aguentar muito, pode acreditar.
Ele morrer� logo.
TR�S SEMANAS DEPOIS
- Sra. Wormser? - Sim...
- Eu trouxe o carro. - N�o quer ver?
Tem certeza que n�o � um engano?
N�o. O Sr. Wormser mandou entregar hoje...
- Estou atrasado. Espero que goste. - At� logo, obrigada.
- Voc� est� doido! Um carro desses! - Gostou?
Claro que sim! � lindo!
- Obrigada! - N�o, N�o...
Obrigado... Obrigado a voc� por suportar-me!
Tem direito a uma compensa��o.
Experimente o carro, vai...
Hoje n�o. A estrada est� cheia. Hoje s� vou admirar.
Voc� merece. E eu, mere�o um drinque.
Fique a�. Vou buscar.
Te amo!
Obrigado.
Ando muito nervoso ultimamente...
quero ir embora, para longe...
- entende? - Sim.
� verdade. Bebo muito.
Depois que bebo, me sinto...
cansado...
muito cansado.
Desculpe-me.
Falo demais. � melhor ir dormir.
Boa noite.
Boa noite, Louis.
Boa noite, Julie.
O velho foi dormir.
Jeff, por favor, fique comigo. N�o v� embora...
Eu pe�o a voc�, por favor, n�o me deixe sozinha.
- N�o. N�o podemos perder tempo. - Jeff!
N�o devemos nos falar por 3 ou 4 dias.
Nem mesmo por telefone.
Talvez eu desapare�a at�...
que o acidente se torne oficial.
N�o se preocupe, fique tranquila.
Tem certeza?
Sim, pode ser que ele acorde.
Pense naquilo que terei que fazer.
Mas terei que ficar sozinha com ele a noite toda.
Voc� n�o pode voltar antes?
Sabe que n�o!
Temos que contar com a Sra. Chauvinet como nosso �libi.
Ningu�m deve suspeitar que estamos juntos nisso.
S�o 11:30. Daqui a 2 horas, 2 horas...
O neg�cio est� na ponta da mesa...
estou indo... At� mais tarde.
Eu o matei.
O carro!
Querida, peguei o carro.
Depois dessa noite intermin�vel...
n�o tive coragem de enfrentar a pol�cia.
Devolverei o carro em 2 ou 3 dias. Voc� ter� que dizer apenas...
que estou na It�lia, terminando meu romance...
e como n�o tenho dinheiro...
Louis me emprestou o carro.
Tudo correu como planejado.
Estou certo que a Sra. Chauvinet...
ir� jurar que n�o sa� de casa, e que trabalhei a noite toda.
Se quiser me dizer algo, escreva para minha caixa postal em Menton.
Estarei l� amanh� e depois.
Voltarei antes que comece o inqu�rito, se houver.
E depois, seremos s� "n�s dois".
- Pol�cia Mar�tima? - Sim!
Faremos uma busca Sra. Wormser.
O que houve?
A essa hora sempre fazemos uma ronda de helic�ptero.
Pode n�o ser nada, mas ele sempre foi pontual.
Obrigada.
Hoje, seria bom ficar de cal��o.
Sim.
- Senhora. - Senhores.
Senhora Wormser? Sou o Inspetor Villon, de Draguignan.
- Por favor, entrem. - Com licen�a, senhora.
J� n�o nos encontramos na recep��o da Prefeitura?
Sim. Este � o Inspetor Lamy, de Paris.
Tomei a liberdade de pedir a ele que me acompanhasse...
Espero que n�o se importe.
Estou aqui de f�rias e ele me pediu para vir...
- Por favor, sentem-se. - Obrigado, senhora.
Bem, Sra. Wormser...
Recebemos um telefonema da Pol�cia Mar�tima.
Sim?
Encontraram o barco do Sr. Wormser.
Por�m n�o havia ningu�m a bordo.
Como assim?
Oh!
Os mergulhadores fizeram buscas mas sem resultado.
Acham que...?
Desculpem-me, querem beber algo?
- N�o. - Obrigado, senhora.
Por favor.
Entendemos o que est� passando.
Estou muito assustada...
Talvez o Sr. Wormser tenha ido em outro barco...
encontrar-se com amigos.
Isso � pouco prov�vel.
Vamos fazer uma vistoria no barco. Queremos saber...
se a senhora quer nos acompanhar.
Ah, bem, n�o sei... eu...
Talvez seja melhor que espere aqui. Seu marido pode ligar...
para Ihe dizer onde est�.
Sabe, estou com medo...
Come�o a pensar que talvez ele n�o ligue.
Entendemos perfeitamente como se sente, senhora.
Talvez haja uma simples explica��o para o seu desaparecimento.
Mas, meu colega vai ser obrigado a Ihe fazer algumas perguntas...
que possa achar indiscretas.
N�o sei como posso ajud�-los, senhores...
mas direi tudo aquilo que desejam saber.
Sabe se seu marido tem inimigos?
Inimigos? N�o, absolutamente.
� um homem gentil, muito pac�fico.
Ele se aposentou para viver tranquilo, aqui.
Onde costumam guardar o barco?
No cais?
N�o, temos um pont�o, perto das pedras.
- Posso pedir um copo d'�gua? - Claro.
- Vou buscar. - � por ali...
Com licen�a.
- Encontrar� copos limpos na pia. - Obrigado.
Deve ser uma subida e tanto, do pont�o at� aqui.
Sim. � um dos motivos para mudarmos.
Mas, permanecer�o em Saint Tropez?
N�o sei. Meu marido pensa em ir para as Antilhas.
Parece que � um lugar maravilhoso.
N�o tem nada decidido ainda.
Tem contato com os vizinhos?
N�o, mas ontem tivemos uma visita, Jeff Marle.
Ele sempre visita o Louis. Veio jantar conosco.
� um vizinho?
Sim, mora na segunda casa.
� um escritor.
Muito simp�tico. Fez amizade com meu marido.
Talvez ele tenha visto o barco da casa dele.
Ent�o, vamos at� l�.
Acredito que ser� in�til.
Ele nos disse, ontem � noite, que iria para a It�lia.
Pensava em viajar hoje cedo.
Tentaremos assim mesmo.
Tenho certeza que partiu. Pegou um de nossos carros, o Datsun.
Emprestou o carro?
Sim, meu marido...
O Sr. Marle n�o tem carro e seus recursos s�o poucos.
Uma viagem de apenas 2 ou 3 dias...
Foi colher documenta��o para escrever um livro.
Meu marido emprestou o carro para Ihe ajudar.
E ele aceitou?
Sim. Louis insistiu.
Disse que o Sr. Marle mora a duas casas daqui.
A quem pertence a outra?
Sra. Chauvinet, uma vi�va idosa.
Ela veio visit�-los ultimamente?
N�o, quase n�o a vemos.
Tenho medo.
Medo de que, senhora?
Que Louis tenha sofrido outro ataque card�aco.
Pode ter ca�do no mar.
Teve um enfarto no ano passado.
Sim, � uma explica��o plaus�vel.
Ah, sim, com certeza.
Uma �ltima pergunta, se me permitir.
Seu marido costumava ter aqui ou no barco...
grandes somas em dinheiro?
Isso � importante...
Tinha muito dinheiro com ele?
N�o, acredito que n�o...
Tenho certeza que n�o.
- E ent�o? - Bem...
Segundo a Sra. Chauvinet, parece que...
Marle passou a noite em casa, datilografando.
Mas, ela dormiu um pouco. � um �libi fraco.
Ela viu o Sr. Wormser sair com um saco de mantimentos...
por volta das 5:00 da manh�.
Essa mulher passa a vida na janela.
Sofre de ins�nia e gosta de beber.
� engra�ada.
N�o se fuma a bordo, Inspetor.
E, por falar em bebidas...
acho que na casa dos Wormsers se bebe muito.
A lata de lixo estava cheia de garrafas de u�sque vazias.
Eu n�o reparei. Como descobriu?
Ficando com sede na hora certa.
Inspecionamos tudo, nada de suspeito.
Bem, vamos ver isso aqui.
O que tem aqui?
� um barco bem conservado. Parece que nunca foi usado.
Muito estranho. Parece que Wormser n�o gosta tanto assim de pescar.
- N�o tem iscas. - Talvez l� em cima.
Ei, Chefe, encontraram iscas?
Iscas? N�o, j� havia dito, n�o tem iscas.
- Alexander, venha ver isso. - O que �?
- Uma mancha de sangue. Veja. - Sim.
Mande analisar e revelar as impress�es digitais.
Bem, acho que n�o encontraremos mais nada.
Tomaria um aperitivo...
Acho que isso confirma a hist�ria do ataque card�aco.
O que? A mancha de sangue?
Sim. Ele saiu para uma pescaria...
ancorou o barco, ataque card�aco.
Ele teve um colapso, bateu a cabe�a e caiu na �gua.
N�o � t�o complicado.
Sim, mas muitas coisas me perturbam.
A falta de iscas, as garrafas de u�sque.
A mulher � jovem e bonita. Sangue quente.
O vizinho pega o carro emprestado.
Acho que voc� viu algo nisso.
Bem, gostei de sua hist�ria.
Wormser era alco�latra.
Sua mulher e o cara for�aram-no a beber para poderem se amar.
Depois, livraram-se dele, para viverem felizes com sua grana.
Por que ent�o o escritor pediria o carro emprestado?
N�o foi nada esperto.
Talvez tenha ficado com medo.
Temos que encontrar este Marle e interrog�-lo.
Vou ligar logo para a Pol�cia.
Deixaremos o aperitivo de lado.
"Cara Julie, me esqueci de dizer que o cinto de Louis...
estava cheio de dinheiro e joias.
Guardarei em lugar seguro at� o meu retorno daqui a 2 dias.
Tudo correu bem, como eu j� disse.
Quando veio a si, tentou reagir. Me fez sangrar o nariz...
e foi s�, n�o conseguiu mais nada.
Escreva assim que puder, me contando tudo.
Caixa Postal, Menton. Te amo. "
"Jeff, meu amor, meu querido...
Tudo est� correndo bem. A pol�cia veio me interrogar...
mas, de nada suspeita.
Volte logo, por favor. Sem voc� eu fico louca.
Te amo, te amo, Julie.
Bom dia, senhor.
- Sente-se. - Obrigada.
Quero saber o saldo da conta de meu marido, Sr. Wormser.
Certamente, Sra. Wormser. Suponho que seja uma conta conjunta.
N�o, est� no nome dele.
S� damos essa informa��o ao titular da conta.
Claro, entendo.
Mas, aconteceu algo terr�vel.
Sim, as not�cias correm r�pido.
Acho que podemos abrir uma exce��o.
Parece que seu marido retirou dinheiro recentemente. Com licen�a.
Sim, retirou ontem.
Quanto ele retirou?
Uma grande soma: um milh�o e meio.
150 milh�es de francos antigos.
N�o � poss�vel.
Ficamos surpresos, mas � a verdade.
E, quanto restou na conta?
92 francos.
A conta ficou aberta mas n�o chega ao valor m�nimo.
N�o se sente bem, senhora?
- Sim, desculpe-me. - Bom dia, Sra. Wormser.
Sra. Wormser...
- Bom dia, senhora. - Senhores.
Que coincid�ncia agrad�vel...
Temos autoriza��o para abrir o cofre de seu marido.
Pode nos acompanhar, se desejar.
Estou � disposi��o.
Muita gentileza de sua parte.
O Sr. Wormser esteve aqui recentemente.
Parece que levou tudo.
Estou feliz por ter me procurado.
Como v�, estou perdida.
Desde ontem, sinto estar vivendo um pesadelo.
Pobre J�lia, � mesmo uma hist�ria louca.
Georges, pensei que Louis tivesse Ihe contado tudo.
Voc� sempre foi mais que um conselheiro para ele.
Fala dele no passado, Julie.
No passado?
N�o gosto de ver voc� assim.
Sabe que gosto muito de voc�s dois.
Estou certo que tudo voltar� a ser como antes. Coma.
- N�o tenho fome. - Coma assim mesmo.
Vamos terminar o sufl�.
A pol�cia esteve em meu escrit�rio esta manh�.
Me fizeram as mesmas perguntas que voc� fez.
Disse a eles que nada sabia.
Mas para voc� n�o dou a mesma resposta.
Sabia que ele pretendia mudar para as Antilhas.
J� havia tomado todas as provid�ncias.
Voc� acha que ele j� partiu?
N�o sem voc�, Julie. Ele a ama.
De todo modo, ele j� colocou a casa � venda.
Colocou a casa � venda?
Acho que encontrou uma parecida, na Martinica.
Queria Ihe fazer uma surpresa.
Voc� tamb�m fala dele no passado.
Fico preocupado em Ihe deixar sozinha, Julie.
� muito gentil, Georges, obrigada.
Tenho muito trabalho a fazer agora.
Mas, se precisar, � s� me ligar.
Pode contar comigo.
Obrigada. � um grande amigo.
Est� muito bonita, Julie.
Sra. Wormser...
Perdoe essa intromiss�o.
Senhores...
- O Sr. Thorent a trouxe de volta? - Sim.
Vimos o carro dele.
Deve ter Ihe contado sobre a nossa visita esta manh�.
Sim, ele me disse.
Bem, temos not�cias importantes, senhora.
Estivemos com o m�dico do Sr. Wormser...
ele nos revelou fatos surpreendentes.
O Dr. Favart? O que disse ele?
Disse que seu marido nunca sofreu um ataque card�aco.
Como assim?
Isso mesmo. Ele mentiu.
O Sr. Wormser sofria de uma doen�a muito humilhante.
Segundo o Dr. Favart, ele era impotente.
Foi para justificar a sua falta de rela��es...
que ele inventou...
que ele inventou a hist�ria do enfarto.
Isso n�o faz sentido. N�o � poss�vel.
Quer dizer ent�o que tinha rela��es normais com ele?
Rela��es sexuais.
N�o.
O doutor, com certeza, falou a verdade.
H� outras revela��es penosas...
e inesperadas para Ihe dizer.
Por favor, sente-se.
Obrigada, mas estou bem de p�.
O Inspetor tem raz�o. � melhor sentar-se.
Encontramos o Datsun, senhora.
Caiu num abismo perto de Menton.
N�o havia nenhum cad�ver ou ferido dentro do carro.
O motorista deve ter sido atirado...
e levado pelo mar.
Achamos uma jaqueta esporte no banco traseiro...
na qual havia documentos... com o nome de Jeff Marle...
escritor, residente em Saint Tropez.
Meu Deus, o que est� havendo?
Temo haver outros motivos para a senhora se preocupar.
Revistamos a casa do Sr. Marle e encontramos...
isto... na sala de visitas, debaixo do sof�.
� seu, n�o �?
Eu nunca estive na casa do Sr. Marle, nunca.
Foi aberto um inqu�rito pelo desaparecimento de seu marido...
Sra. Wormser...
e o juiz est� ansioso...
para ouvi-la como testemunha principal.
O seu advogado pede desculpas. Vai se atrasar um pouco.
Devo dizer que � um h�bito dele.
N�o o conhe�o.
Ainda n�o se encontraram?
Um amigo nosso pediu a ele para me defender.
Ele vai precisar de toda a sua habilidade.
Fique tranquila, essa qualidade n�o Ihe falta.
N�o estou preocupada...
Acho que deveria estar... mas, veremos isso.
A senhora est� prestes a ser acusada.
Prefiro falar apenas na presen�a de meu advogado.
� um direito seu, senhora.
Posso fumar tamb�m, senhor Juiz?
N�o, obrigada. Prefiro os meus.
Meus cumprimentos, tem nervos de a�o.
S� espero que aguente at� o fim.
Senhor Juiz...
Desculpem-me pelo atraso.
Sra. Wormser... Est�o Ihe causando problemas?
N�o se preocupe, vou defend�-la.
Meu nome � Albert Legal. Um nome de confian�a, n�o?
A senhora � encantadora.
Sei que gosta de pressionar mulheres bonitas...
mas, preciso de mais alguns minutos...
visto que ainda n�o falei a s�s com minha cliente.
Preciso de um lugar para conversarmos apenas uns 10 minutos.
Sua fala n�o me impressiona mas Ihe concedo esse tempo.
Acompanhe o advogado e sua cliente por favor.
Obrigado, senhor juiz, � muito compreensivo.
� uma bela mulher.
Sim, est� �timo. Nada de escutar atr�s das portas...
Por favor, sente-se.
� muito mais jovem que seu marido.
N�o � culpa minha.
Cheguei atrasado pois fui verificar tudo...
o banco de seu marido, sua vizinha, e tamb�m...
a imobili�ria que vai vender a casa e a garagem, naturalmente.
A pol�cia est� certa de que matou seu marido com...
a ajuda desse cara... qual � mesmo o nome dele?
Jeff Marle.
Exato.
Como dizem nas novelas, ele era algo mais que um amigo?
N�o, nada mais.
N�o pronunciou seu nome como um amigo.
Aten��o.
Ele Ihe visitava muito?
Gostava de conversar...
e tomar um drinque com meu marido.
N�o me fa�a rir. Louis bebia como uma esponja.
A menos que tenha parado depois do enfarto.
Voltou a beber, quando se sentiu melhor...
mas n�o muito.
Viviam normalmente como marido e mulher?
T�nhamos quartos separados, se � isso que quer saber.
E essa hist�ria do brinco, era seu?
Sim.
Nunca esteve na casa dele?
Sim, uma vez apenas.
Disse o contr�rio � pol�cia.
Conte-me como foi.
Foi h� duas semanas atr�s. J� fazia algum tempo que n�o o v�amos.
Louis me pediu que desse um pulo l� para v�-lo...
a porta estava aberta e eu entrei.
n�o havia ningu�m em casa.
Fumei um cigarro, esperei um pouco e ningu�m apareceu.
No dia seguinte, soubemos que ele estava passando uns dias na It�lia.
Entendo. N�o foi vista, sem d�vida e ele s� voltou esta semana!
N�o podemos deixar o juiz esperando...
Deixe que eu cuido de tudo.
S� repita em sua cabe�a: "Manterei minha boca fechada".
Voc� confia, Julie?
Confio, Sr. Legal.
Tem sorte de ser t�o bonita...
ou j� teria deixado voc� como se fosse uma batata quente.
N�o demoramos muito, n�o �, Senhor Juiz?
Por favor, n�o recomece, com sua mesma can��o...
pois vai me cansar, sem nada conseguir.
Porque n�o est� seguro. S� quero cooperar com a justi�a.
Sente-se por favor. Est� me deixando tonto.
Por favor, Sra. Wormser, sente-se.
- Tenho algumas perguntas a Ihe fazer. - Pois n�o.
Sobre o que?
Sobre o desaparecimento do Sr. Wormser.
Um momento, Senhor Juiz, o relat�rio da pol�cia vai mais, al�m disso.
Sim, o relat�rio da pol�cia...
conclui que o Sr. Wormser foi assaltado e assassinado.
A senhora Wormser tem o direito de saber de que � suspeita.
O relat�rio diz que o delito foi cometido pelo Sr. Joseph Marle...
e pela Sra. Julie Wormser, sua c�mplice.
Obrigado, assim sabemos como iremos nos comportar.
A tese do relat�rio � a seguinte:
O Sr. Wormser estava morto quando foi levado para seu barco na manh� de 2� feira.
A Sra. Chauvinet, vizinha de Jeff Marle, viu...
um homem carregando um saco de mantimentos na praia
O relat�rio da pol�cia sugere que era...
o corpo de Louis Wormser que Jeff Marle estava carregando.
Marle jogou o corpo no mar e...
depois voltou a nado para a borda.
Voltou para casa como se n�o tivesse sa�do e ficou trabalhando at� de manh�.
Pe�o licen�a, a Sra. Wormser deseja beber �gua.
- Aqui? - Sim, � direita.
- Sente-se melhor? - Sim.
Tudo bem?
Sim, obrigada.
Por favor, continue, senhor Juiz.
Voc� � muito gentil.
Marle levou o dinheiro e as a��es que estavam no cofre do barco...
ou no corpo da v�tima.
A soma em dinheiro chegava a
dois milh�es de francos, 200 milh�es de francos antigos.
Usando o carro da Sra. Wormser, um Datsun 260...
Marle fugiu e a Sra. Wormser o acompanharia depois.
Segundo a pol�cia, Marle era seu amante...
mas nunca se encontraram pois ele morreu num acidente de carro.
Bem...
Parab�ns � pol�cia pelo seu racioc�nio.
Deduz-se que Jeff Marle matou Louis Wormser.
Fico contente que pensa como eu.
Segundo soube, Marle fez de tudo...
para se tornar amigo de Louis Wormser.
Estava praticamente sem dinheiro.
Suponho existirem v�rias provas de sua culpa.
Sim, v�rias, o carro roubado � uma delas, naturalmente.
A Sra. Wormser disse que seu marido...
insistiu que levasse o carro.
Isso n�o parece ser verdade.
Bem, conversaremos depois. Que mais?
O sangue no barco.
Que sangue? Que hist�ria � essa?
� uma prova suplementar.
Agora, estamos certos.
- N�o est� blefando, n�o �? - Por favor.
Foi encontrado um pouco de sangue na ponte do barco.
Wormser deve ter resistido antes de morrer.
O sangue � do tipo de Marle...
o que prova que ele estava a bordo.
Que grupo?
Tipo O. N�o � sangue de Wormser.
Est� bem.
Mais alguma coisa?
Marle escreveu...
uma carta � Sra. Wormser de Menton.
Voc�s t�m essa carta?
N�o, mas sabemos que chegou...
no dia da morte de Marle.
O inspetor est� certo. O carteiro viu a carta carimbada em Menton!
Mas o que � isso? Um carteiro que lembra de um carimbo de Menton!
Nem de Madagascar, nem do Haiti, mas de Menton, a dois passos daqui.
O senhor n�o est� bem informado, doutor?
� �bvio que o carteiro soube do desaparecimento do Sr. Wormser...
e, naturalmente, interessou-se pela carta da sua esposa.
Est� bem, mas nada prova que a carta era de Jeff Marle.
O senhor tem outra explica��o?
N�o, � verdade, a carta era do Sr. Marle.
A Sra. Wormser me falou dessa carta.
Marle disse que havia lido nos jornais e que estaria voltando...
porque a pol�cia queria interrog�-lo sobre o desaparecimento do carro.
Est� sem sorte, doutor.
O carro ia em dire��o contr�ria na hora do acidente.
Certamente. O Sr. Marle mentiu na carta...
ele mentiu para acalmar a Sra. Wormser...
e ganhar tempo. Ele estava fugindo.
O senhor disse que o Sr. Marle queria apenas acalm�-la.
Ent�o, como explica isso?
Encontramos na jaqueta de Jeff Marle quando chec�vamos os restos do Datsun.
A letra � da Sra. Wormser. N�s checamos.
Bravo, bom trabalho.
Suponho que tenha a carta.
� sua letra, n�o �?
Suponho que tenha a carta?
N�o, mas me parece l�gico que ele a tenha colocado no bolso das cal�as.
� l�gico.
Sim, l�gico, mas nada bom.
Essa carta apenas prova a inoc�ncia da Sra. Wormser.
Como voc� poderia saber?
� muito simples. A Sra. Womser me contou que havia escrito a carta.
Ela est� pronta para repetir isso.
Ela implorava a Jeff Marle que voltasse imediatamente.
Ela acreditava que um amigo do marido n�o a teria tra�do.
Ela suspeitava dele. A pol�cia fez de tudo nesse sentido.
Por isso foi ao banco informar-se sobre as finan�as do marido.
Doutor, a senhora tem condi��es de falar por si pr�pria.
Sim, claro, eu entendo. Entretanto...
ela escreveu para ele pedindo que se desculpasse,
mesmo convicta de sua culpa, ela escreveu para ele.
Por favor, conte a ele, senhora.
� exatamente isso.
O inspetor Villon foi at� a casa do Sr. Marle.
Ele encontrou esse brinco no sof�
e encontrou o par na c�moda da casa da Sra. Wormser.
Por favor, senhora...
pode repetir exatamente o que voc� me disse para sua honra.
Sim, eu n�o sei bem por qu�, mas na hora do p�nico...
Eu disse ao Inspetor que nunca tinha ido a casa do Sr. Marlo.
Eu fui l� uma vez com o meu marido.
Ele n�o estava em casa, eu esperei por alguns momentos...
Eu acho que � quando devo ter perdido o brinco.
Quero saber, se a pol�cia pretende usar este brinco como prova de cumplicidade.
Vou avis�-lo que eu sou perfeitamente capaz de provar...
que a pol�cia...
"plantou" o brinco por falta de provas!
Eu n�o vou fazer isso, � claro, mas...
Mas eu poderia, se for�ado.
Sem amea�as, advogado.
N�o estou amea�ando, estou simplesmente dizendo...
Quando o Inspetor Villon, acompanhado pelo Inspetor Lamy de Paris...
e voc�, o juiz da comarca.
interrogaram o meu cliente, a hip�tese foi um ataque card�aco. Por qu�?
A Sra. Wormser mencionou um ataque card�aco menos de um ano mais cedo!
Sim. Ent�o, por que a pol�cia quer mudar a sua hist�ria?
Porque eles entenderam, o Sr. Wormser nunca teve um ataque card�aco.
A verdade � que ele era impotente.
O suficiente para convenc�-los que Joseph Marlo era amante da Sra. Wormser.
Adicionando a isso, ela � 15 anos mais jovem que o marido.
Preconceitos s�o t�o convenientes. Exceto que � um pouco de captura.
O pequeno problema � que a Sra. Wormser n�o sabia que o marido era impotente.
Voc� pode verificar o relat�rio da pol�cia. � claro nas entrelinhas.
Ent�o, eu pergunto: O que sobrou de suas acusa��es fant�sticas?
Nada. Absolutamente nada.
Nada prova que o Sr. Wormser foi morto.
Desde que o seu cad�ver nunca foi encontrado.
Voc� n�o pode provar nada, j� que a principal testemunha...
o suspeito n�mero um, e com raz�o, Joseph Marlo, est� morto.
Legalmente falando, o que temos �: uma v�tima que n�o existe...
uma fortuna que n�o existe, e um suspeito que n�o existe mais.
Merit�ssimo, permita-me deixar estas c�meras com a Sra. Wormser.
Esta tem sido uma prova��o terr�vel para ela.
Vamos enfrent�-los, este � um caso rid�culo.
Ningu�m vai ganhar nada com isso.
Sim, eu vejo que eles podem muito bem voltar � estaca zero.
Isso nunca vai acontecer em um tribunal. Bom dia, Senhora.
Adeus e obrigado.
Est� surpresa?
Como pode estar vivo?
� uma longa hist�ria.
N�o tenha medo, n�o vou mat�-la.
Deveria, mas n�o farei.
Ningu�m suspeitaria de mim,
j� que estou morto. Divertido, n�o acha?
O que aconteceu?
Voc� tem muito sangue-frio.
Chegue mais perto.
Chegue mais perto.
Voc� precisava ver sua express�o.
Extraordin�rio...
Nem mesmo tem medo.
Sim, tenho medo.
Conte-me o que aconteceu.
� muito simples.
Seu plano falhou.
Eu sabia tudo desde o in�cio.
Uma noite, acordei e n�o me sentia bem, precisava tomar ar.
Naquela noite, vi voc� e Jeff.
Na noite seguinte, decidi ficar s�brio e escut�-los.
E tamb�m a noite seguinte, e todas as outras noites...
Eu escutava, escutava, escutava...
at� chegar a noite em que ouvi Jeff falar sobre me matar.
E tornou-se um tipo de jogo.
Mas era muito mais que um jogo para mim.
O que fez com Jeff? Voc� o matou?
Voc� o matou?
Quer que eu conte sobre a noite em que voc�s me mataram?
Fui para a cama.
Voc� achou que eu dormia.
Mas eu esperava.
Esperei at� Jeff voltar para casa.
Ent�o, eu o golpeei.
Quer saber com o que o golpeei?
Como a mesma arma que voc� usou em seguida.
Levei-o para meu quarto usando a porta de tr�s...
ent�o o coloquei em minha cama.
Depois disso era f�cil. Era s� seguir com o plano de voc�s.
Fui para a casa de Jeff e datilografei...
at� �s 5 da manh�.
Depois voltei para casa, pela porta dos fundos.
Que teria feito se eu tivesse ido ao seu quarto?
Bom, teria matado Jeff.
E, teria Ihe convencido que havia matado, com um golpe muito forte.
E estar�amos juntos nisso.
Provavelmente, voc� imploraria para eu n�o abandon�-la.
E eu teria dito "sim, claro, minha querida".
Mas voltemos �quela noite maravilhosa...
Uma vez em alto-mar, ele acordou.
Dei um u�sque para reanim�-lo completamente.
Voc� o reanimou? Por que?
Por satisfa��o pessoal. Queria ver a express�o dele.
Depois, fiz com que escrevesse uma confiss�o completa...
dizendo que voc� era c�mplice dele.
E ele escreveu?
Claro, ele n�o tinha escolha. Ou escrevia ou morria.
Ele escreveu e assinou.
E, depois, o que voc� fez?
Eu o golpeei.
Puxei-o at� a borda do barco...
enfiei a cabe�a dele na �gua at� afog�-lo.
Deixei-o cair e o mar o levou.
Achou que eu n�o seria capaz de tal coisa?
Mas � f�cil de entender.
Nunca pensei que minha mulher quisesse me matar.
Quando um homem descobre que sua mulher o mataria, ele � capaz de muita coisa.
Voc� est� louco Louis, voc� est� louco!
N�o estou louco. Estou muito l�cido.
Mas ainda n�o terminei, minha cara.
Escrevi as cartas que recebeu de Jeff.
Joguei o carro no abismo, coloquei o envelope do bolso dele...
seu brinco na casa dele...
Coloquei as joias em um lugar seguro. Eu fiz tudo isso, sozinho!
E o que voc� tem agora? Mais nada!
Nem amante, nem joias...
mais nada. � isso que eu chamo de justi�a.
Voc� acha isso?
� divertido, voc� fez amor com Jeff ali...
e agora far� comigo.
N�o tenho mais medo de ser um homem de verdade.
O que quer?
O que est� querendo provar?
N�o quero provar nada.
Daqui para frente, teremos um relacionamento "completo".
Ah, sim.
Um relacionamento completo? Mas voc� n�o ir� conseguir nunca.
Mesmo que voc� tenha sonhado.
Veremos.
Louis, est� brincando.
N�o, n�o estou brincando.
Voc� far� exatamente o que eu mandar ou a confiss�o acabar� na pol�cia.
De acordo, vamos para o seu quarto.
N�o, faremos ali.
Onde fez amor com ele.
Sim, agora.
� um cafajeste.
Filho da puta!
Quer beber alguma coisa, Louis?
N�o, obrigado. N�o bebo mais.
- Seu amuleto. - Obrigado.
Encontrei-o junto ao dinheiro que deixou.
� um indicativo de nosso futuro relacionamento?
Exatamente.
500 francos. Admito que sou bem paga para ser a piranha do meu marido. Obrigada.
N�o se esque�a que seu marido est� morto.
Quanto tempo acha que isso pode durar, Louis?
Quem sabe?
Isso � m�goa...
�dio, ou o que?
Acostumei-me ao �dio.
Quem sabe, depois, encontraremos a felicidade.
Felicidade...
Como vai viver com uma mulher que quis mat�-lo?
H� milh�es de mulheres que sonham em matar seus maridos...
e milh�es de maridos que sonham em matar suas esposas.
A �nica diferen�a � que voc� tentou.
N�o, n�o � assim. Eu realmente queria mat�-lo, Louis.
Sim, eu entendo muito bem, mas agora...
estou tentando perdo�-la.
Acha que posso sentir outra coisa al�m de �dio?
Mesmo depois de ontem?
Ontem foi diferente.
O que fez voc� melhorar?
Ver voc� e Jeff juntos.
Cada vez que a via achava que n�o ia mais suportar.
Eu ia embora...
mas depois voltava e ficava olhando novamente.
Ficava olhando noite ap�s noite.
Olhando e ent�o...
um dia, tive a sensa��o que tinha mudado.
Era como se eu tivesse me transformado nele.
N�o era mais impotente.
Depois disso, meus temores desapareceram.
E meus pesadelos tamb�m.
Engra�ado pensar que estou vivo, gra�as a voc�s...
e amo a vida.
Tem certeza, Louis?
Por que, estou errado?
Voc� est� completamente sem dinheiro?
Completamente. Tenho o suficiente para n�o morrer de fome.
Legal deve ter Ihe falado. Louis levou tudo que t�nhamos...
as a��es, a poupan�a. Tudo.
- Sim e voc�... - Ah, n�o, nada.
Sinto muito, eu n�o sabia.
Claro, posso Ihe emprestar dinheiro enquanto espera.
Espero o que? Nunca poderei pag�-lo.
N�o se preocupe. Acharemos uma solu��o.
N�o, n�o � poss�vel.
Estava pensando. Louis tinha um seguro de vida?
Sim, claro. Acho que uns 50 milh�es de francos.
N�o consigo um empr�stimo com essa garantia?
Talvez, aproximadamente uns 10 milh�es.
S� isso?
Quanto gostaria?
No m�nimo 30 ou 40.
Que vai fazer com tanto dinheiro, Julie?
N�o tenho mais nada, George.
Louis vendeu a casa. Preciso de um lugar para morar.
E depois, quero ir embora daqui, Quero esquecer tudo.
Claro, n�o h� nada mais que a prenda aqui.
Mas entenda que o processo sucess�rio pode demorar bastante.
A morte de Louis deve ser comprovada para que o testamento tenha validade.
Pode demorar um ano ou mais.
Com sorte, posso conseguir no m�ximo uma pequena soma mensal...
mas n�o o que voc� quer.
Farei tudo que puder para ajud�-la Julie, voc� sabe disso.
Se n�o tem para onde ir, minha casa est� � disposi��o para dormir e comer.
Se n�o tiver nada para comer, podemos dividir as refei��es.
Mas desista de conseguir todo esse dinheiro.
N�o deve ir embora, Julie.
Nada mal, hein?
Principalmente com o vento.
Que pena que j� est� indo. Poderia virar profissional.
- Estava pensando sobre o caso Wormser. - E ent�o?
Fiquei imaginando se o cretino n�o est� certo.
Como assim?
Talvez tenhamos estragado tudo.
Talvez n�o tenhamos dado aten��o � pessoa que tem a solu��o.
Quem �?
- Louis Wormser. - Sua vez, Fernand.
Mas est� falando dele como se ele estivesse vivo.
E por que ele n�o estaria?
Temos que pensar no que Louis Wormser fez antes do crime.
N�o faz sentido. Ele retirou todo dinheiro que tinha...
colocou a casa � venda e n�o disse nada para a mulher.
Tudo isso, depois de 10 anos de casamento.
Ent�o, a bela Julie descobriu que estava sozinha e arruinada...
quando ele desapareceu, e, claro, sob suspeita.
Como se ela estivesse sendo punida.
Se ela estiver sendo punida, ela deve merecer.
Acredite, ela � uma vadia.
E esse � o ponto. Foi uma coincid�ncia ou foi planejado?
Acha que Wormser organizou tudo isso antes de desaparecer?
Sim, foi o que pensei.
Ele sabia que a mulher estava dormindo com Marle.
Ou n�o teria motivos para puni-la.
Talvez ele soubesse que nossos dois pombinhos planejavam mat�-lo.
Sim, mas eles ainda teriam tempo para agir, n�o teriam?
N�o, acho que n�o. Quer sobremesa?
- N�o, obrigado, apenas caf�. - Caf�, por favor.
O senhor tem algum licor? Conhaque ou outra bebida?
Temos um brandy local.
Perfeito. Dois brandies e charutos, por favor.
Esse neg�cio dos brincos sempre me incomodou.
Voc� n�o os perde, simplesmente. Voc� percebe que perdeu.
Eu acho que o brinco foi colocado para deixar Julie sob suspeita.
Marle n�o teria motivos, mas Wormser, certamente os teria.
� verdade.
Veja o que acho. Wormser agiu primeiro.
Em algum momento ele tomou o lugar de Marle.
Ele o matou no barco. Apesar de tudo, � o sangue de Marle, certo?
N�o de Wormser.
Foi ele quem roubou o pr�prio carro...
e foi ele quem escreveu a carta.
E o acidente de carro?
- Um pouco mais de Brandy? - Certamente.
O acidente de carro? � simples.
Wormser roubou os documentos de Marle antes de jog�-lo no mar...
ele roubou o casaco...
e o envelope para a carta que Julie enviou para Menton.
Agora, Wormser teve uma ideia brilhante.
Em primeiro lugar, a pr�pria carta cont�m a prova...
da culpa de Julie na tentativa de assassinato do marido.
Em seguida, o desaparecimento do envelope apavorou a garota.
Principalmente porque parece comprovar que Marle foi morto fugindo da pol�cia.
Assim, o bastardo nos pegou.
Marle n�o teria deixado o envelope se tivesse simulado o acidente.
Wormser �, sem d�vida alguma, bom. Ele consegue o que quer.
Ele jogou a mulher na rua, matou o amante...
e sumiu com toda a grana.
Ent�o, voc� sabe que tudo isso � genial. Como descobriu?
N�o � genial, mas sustenta-se.
Diga-me, tem alguma ideia de onde Wormser possa estar escondido?
Ah isso, voc� est� pedindo demais. Mas se eu fosse voc�...
O conselheiro financeiro de Wormser.
Quem? Georges Thorent?
Sim, Thorent. � um de seus melhores amigos.
E ele certamente precisaria contat�-lo, mais cedo ou mais tarde.
Se eu fosse voc�, daria uma olhada nele.
Por que est� t�o nervoso, Louis?
Estou cansado de entrar e sair daqui como um ladr�o.
- Nada o obriga a fazer isso. - N�o?
- Basta que v� at� a pol�cia. - Sim.
- Digo que sou louco e que perdi a mem�ria. - Sim.
Eles nunca acreditar�o nisso.
- Louis. - Espere.
Digamos que eu conte tudo � pol�cia, estou supondo, claro...
o que voc� faria?
Ficaria com voc�.
N�o fariam tantas perguntas.
Se eu morasse com voc�, n�o poderiam dizer nada.
Viver�amos juntos novamente?
Gostaria de tentar.
Voc� mudou Louis, e eu mudei tamb�m.
N�o acredito em voc�.
Louis, por favor.
Por favor, vamos tentar.
Tentar, mas como, mesmo que viv�ssemos juntos por 20 anos...
sempre acharia que seria por causa da confiss�o.
Queime-a e vamos esquecer tudo.
Essa � boa, parab�ns.
O que est� dizendo?
Est� ficando t�o claro.
Vou dizer exatamente o que acho.
Quer que eu destrua a confiss�o para que tenha Jeff de volta...
suas joias, a casa, tudo de volta. Voc� n�o me ama.
- N�o sou louco. N�o sou idiota. - Louis.
- Boa noite, Sra. Wormser. - Boa noite senhores.
Boa noite senhora.
Estou contente em encontr�-la aqui.
N�o gra�as a voc�.
Sra. Wormser, o trabalho da pol�cia �s vezes � ingrato.
�s vezes, temos que bisbilhotar.
N�o se aborre�a com o inspetor, podemos conversar?
A essa hora?
Senhores, tiveram sorte em me encontrar acordada.
Sim, eu sei. Por favor, perdoe-nos.
Temos algumas conclus�es interessantes que gostar�amos de Ihe apresentar.
E gostaria de fazer uma pergunta.
Teve alguma not�cia de seu marido?
Claro que n�o, eu teria avisado voc�s.
N�o duvido disso.
Ent�o, por que essa pergunta idiota?
Ah, n�o � idiota, senhora.
� poss�vel que seu marido ainda esteja vivo.
Ah, por favor, voc�s n�o t�m o direito de brincar com a vida dos outros!
Est�o brincando com a vida do meu marido!
N�o estamos brincando. Isso n�o � um jogo!
N�o estamos brincando. Estamos procurando a verdade.
A verdade? A verdade tem muitas faces!
N�o me esqueci do seu relat�rio, Inspetor.
H� tr�s dias atr�s, o senhor tinha certeza que meu marido tinha sido assassinado...
e que eu era c�mplice do crime.
Bom, n�s pensamos e interpretamos os fatos de outro modo.
Pensaram? Desde quando come�aram a pensar?
� uma amea�a?
Escute senhora. � bem poss�vel que seu marido esteja vivo.
Se ele estivesse vivo, teria voltado para casa.
N�o, talvez n�o. Ele poderia ter sido golpeado na cabe�a...
e ter perdido a mem�ria.
� por isso que o Inspetor perguntou se teve not�cias dele.
N�o, n�o tenho nenhuma not�cia.
Bom, n�o queremos mais importun�-la Sra. Wormser.
Mas tenho certeza que nos avisar� se seu marido aparecer, n�o �?
Senhor Inspetor, se ele aparecer, correrei para abra��-lo.
Posso dormir agora?
Se saiu muito bem e eu sou um idiota.
Por favor, perdoe-me.
Sa�mos bem dessa.
Temos que fugir, n�o podemos nos esconder aqui para sempre.
O que quer dizer?
N�o vai mais me pagar por amor?
Claro, sempre a pagarei.
Faremos o seguinte.
Eu confiarei em voc� se voc� confiar em mim.
Eu a perdoarei e voc� me perdoar�.
Est� bem?
Est� bem.
Eles se foram.
Tem um carro?
- Mas esse �... - Entre.
Georges sabe sobre Jeff e eu?
Georges sabe de tudo.
O que deu em voc� para traz�-la aqui? Voc� est� louco.
N�o, de jeito nenhum!
A pol�cia veio at� a casa. Pensam que estou vivo.
Julie os enganou bem. Ela foi magn�fica.
N�o tenho d�vidas. Tudo que ela quer � a confiss�o de Marle.
Depois voc� ver� a rapidez com que ela o denunciar�.
Isso � nojento.
Voc� n�o entendeu.
Ela est� querendo recuperar o dinheiro de qualquer maneira.
J� tentou comigo hoje de manh�, s� faltou mostrar-me o traseiro.
Por que me odeia tanto?
Porque n�o gosto de mulheres, minha cara.
Ela tentou mat�-lo para pegar seu dinheiro...
e depois dividi-lo com aquele canalha "bem dotado".
Se pudesse, ela arrancaria seus dentes. E voc� ainda confia nela?
Ent�o quer ficar com ela?
Sim, isso mesmo.
Voc� � mesmo uma crian�a.
N�o, n�o sou uma crian�a. Eu a amo...
e quero ficar com ela.
Precisa entregar aquela confiss�o para a pol�cia e deix�-la apodrecer na cadeia.
Voc� pode ter uma nova vida. Voc� merece, tem os meios.
N�o, nunca faria isso com ela.
- Est� bem, ent�o voc� � um idiota. - Georges.
Desculpe-me, mas Julie � minha mulher.
E deve falar dela com mais respeito.
Estou cansado, muito cansado.
Agora j� basta.
Essa com�dia j� foi longe demais. Vamos acabar com isso.
Deixe-me em paz. Sabe que n�o tenho mais nada.
Chega, fique quieta!
N�o, n�o vou ficar quieta.
N�o tem o direito de me fazer ficar quieta.
Louis me perdoou.
Estamos recome�ando do zero e n�o pode me calar.
A confiss�o de Marle e todo o dinheiro de Louis est�o comigo.
Georges, chega.
- Bom saber de tudo isso. - Jeff!
Sim, e agora todos os mortos ressuscitaram.
Tenho certeza que ela est� tramando alguma coisa.
De qualquer maneira, aquela vagabunda sabe mais do que nos contou.
Voc� � mis�gino, meu caro.
N�o sei se sou mis�gino, mas esse tipo de mulher me d� medo.
Eu a acho bem excitante.
Voc� acha que ela est� encontrando o marido?
Tenho certeza!
� engra�ado, quando proponho uma teoria voc� vai fundo.
N�o temos provas que Wormser ainda est� vivo.
N�o temos provas, somente dedu��es.
Se ela o viu, sabe que ele matou Marle.
Por que ela n�o o denunciou?
Ela n�o pode. Ele tem provas de que ela e Marle queriam mat�-lo.
Ah, nota dez! Voc� tem raz�o.
Muito bom esse sandu�che.
Esse presunto � o m�ximo.
Fui t�o est�pido. Eu devia ter vigiado a casa dia e noite.
ao inv�s de vigiar o consultor financeiro.
Sua TV funciona?
Sim, mas tem uma greve e, de todo jeito,
mesmo que n�o houvesse, � 1, 1,30, ent�o...
Voc� sabia que ele estava vivo?
Claro que sabia. Todo tempo que fez sexo com voc�, ele sabia.
Escute Julie, caber� a voc� julgar.
Coragem, Louis. Conte seu plano genial.
O que voc� quer?
Vou dizer o que quero.
Quero a garota, o dinheiro, as joias.
E terei tudo.
Ele disse que eu estava morto?
Sim, ele disse.
Nunca poderia matar algu�m.
Conte, conte a ela o que aconteceu!
Quando ele voltou a si, est�vamos no barco.
Apontei a arma...
e disse que iria mat�-lo.
Disse a ele que sabia de tudo.
Ele implorou para que o poupasse.
E at� come�ou a chorar.
Cuidado, agora quem tem a arma sou eu.
N�o � uma arma que vai mudar alguma coisa.
Depois disso, fiz com que escrevesse e assinasse a confiss�o.
Ofereci 50 mil francos...
e ele aceitou.
E eu teria dado muito mais.
Trouxa, agora quero todo o dinheiro.
Quando retornou?
Junto com ele. Vi voc�s fazendo amor.
Voc� at� sentiu prazer, n�o �?
Sim, ela sentiu.
Cala a boca, agora estou falando com ela.
Pensei em voc� o tempo todo, Jeff.
Julie!
Venha comigo.
Vamos pegar o dinheiro, as joias e minha confiss�o.
Voc� o vigia, estarei de volta em meia-hora.
Jeff, deixe-me ir com voc�. Por favor.
Vigie-o bem. N�o demoro.
Voc� mentiu para mim.
Fique quieto.
Foram embora.
Louis, Louis...
O que est� acontecendo?
Fale comigo, Louis.
Sabe muito bem que era tudo uma farsa.
A farsa �s vezes mata.
N�o se pensa nisso e um dia acontece.
Tente resistir, n�o se mexa.
Tente resistir, eu volto logo.
Muito bem, fique aqui.
Droga.
Bem na hora.
Al�, sim. Sou eu,
- � ele? - Sim, um momento.
Diga a ele que Thorent est� com algu�m que pode ser Jeff Marle.
Thorent entrou em casa com algu�m que pode ser Jeff Marle.
Tem certeza?
Thorent entrou em casa com algu�m que pode ser Jeff Marle.
O que?
- O que fazemos? - Espere um pouco.
Al�, um momento. Tenho que pensar.
Diga para n�o os perderem de vista e os seguirem com discri��o.
N�o fa�am nada por enquanto, apenas observem discretamente.
Disse para segui-los discretamente se um dos dois sa�rem.
Diga que estamos indo.
- Al�, j� estamos indo. - Certo, Inspetor.
Que bela confus�o!
O que est� fazendo aqui?
Louis est� morrendo, r�pido, r�pido.
Julie.
O que houve? Atirou nele?
Ele est� morrendo. O cora��o dele n�o est� aguentando.
Temos que salv�-lo Jeff. R�pido, ajude-me.
R�pido.
N�o, n�o! N�o pare!
Por que n�o? Est� tudo certo.
N�o pare, ele est� morrendo.
Tenho 200 milh�es aqui e queimei minha confiss�o.
Onde est� Georges?
N�o se preocupe com ele.
Voc� o matou?
Esque�a. Se seu marido morrer estamos feitos!
Tudo acabou dando certo, n�o �?
N�o posso deix�-lo assim. Ele est� sofrendo.
Que terr�vel, acho que vou chorar.
Vamos cair fora, desaparecer.
Estamos livres e ricos, Julie, ricos.
N�o quero ir com voc�.
Entendi, s� o dinheiro interessa a voc�.
Quer me largar como se eu fosse lixo? Vagabunda.
Voc� � minha, entendeu, voc� � minha.
Voc� � minha, vou fazer voc� ter prazer, vadia.
- Vai gritar como nunca. - Voc� � minha.
- N�o Jeff, pare! - Diga que quer, diga novamente.
- N�o, diga de novo. - N�o!
- Diga de novo. - N�o.
- Ponha as algemas nele. - Julie, Julie!
Temos que salvar meu marido.
Temos que salvar meu marido.
Temos que salvar meu marido.
Seu marido est� morto, senhora.
Sua cliente o espera na sala verde.
- Onde �? - Siga-me.
Obrigado, oficial.
Voc� parece muito abatida.
N�o quer falar comigo? Deve admitir que s� Ihe fiz bem.
N�o, n�o quer.
Entendo que est� traumatizada com tudo isso. Entretanto...
o seu caso n�o � t�o dif�cil.
Vamos colocar toda a culpa em seu amigo, ele pediu por isso.
Ele pegar� de 10 a 15 anos, no m�ximo.
Quanto a voc�, ser� mais f�cil.
Dou a palavra que Ihe garanto liberdade...
e depois, no m�ximo 1 ano e meio, com condicional.
Isso � intoler�vel!
O que quer que eu diga?
N�o sei, poderia dizer "obrigada".
Obrigada.
No fundo, conseguiu tudo o que queria.
Est� rica, seu marido est� morto.
Por favor, fique quieto.
Devia saber que um advogado jamais se cala.
Daria tudo para que Louis estivesse vivo.
Ah, a incongru�ncia das mulheres!
Tenho a impress�o que me detesta.
N�o, n�o exatamente.
O que foi?
� estranho. Quando quis matar meu marido, nada me aconteceu...
agora, que queria salv�-lo, querem me punir.
Senhora, essas s�o as estranhezas da justi�a.
A verdade � aquela que as pessoas querem acreditar.
E n�o se esque�a que vivemos em um mundo de homens.
A lei � feita pelos homens, para os homens.
� a justi�a dos homens.
Voc� nem consegue me entender.
Para dizer a verdade, n�o me interessa.
Vamos, o juiz est� esperando.
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