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No fim da tua viagem, Gereon Rath,
conquistarás o teu medo e serás invencível.
Respira fundo...
...e expira outra vez.
Inspira e expira.
A tua respiração é vida.
O medo é morte.
Vem aí um enorme frio.
E o teu fôlego sabe que este final tem um início.
Em breve, estarás livre.
Livre e pronto para a grande luta.
Tenho, sou, quero-te agora
Gostava, se quiseres Só falta uma palavra
Sentes o significado E sei que compreendes
Eu senti, sinto, Estou apaixonada por ti
Não, não é assim.
O amor arde No meu coração e em todo o lado
Bem, era mais ou menos assim...
- Mas era mesmo do Spoliansky? - Acho que sim. Espere.
Dois passos para a esquerda Dois para trás e para a frente
- Nascido para dançar... - Queres dizer...
Tudo treme, está vivo Juntos os braços, é assim
- Somos loucas? - Sim, é isso.
É "Um Dia Dourado", de Emil Engels. Sim, agora que falas nisso...
Tem sido muito popular. Talvez ainda tenha algum.
Sim. "Cem mil volts nas veias."
- Queres ouvir outra vez? - Sim. Adoraria.
Um dia como ouro 100 mil volts nas veias...
- Fico com ele. Sem dúvida. - Uma noite como veludo e seda...
Certo. Obrigada.
UHLANDSTRAßE
BERLIM, 31 DE DEZEMBRO DE 1930
DESEMPREGADO HÁ 2 ANOS FAÇO TUDO
CRISE MUNDIAL ATINGE O CLÍMAX
- Boa noite. - Boa noite.
- Feliz Ano Novo. - Igualmente.
- Charlotte! - Graças a Deus ainda te apanho.
Também não contava ver-te. Conseguiste? Sim.
Fantástico. Obrigado.
- Turno da noite? - Até à uma da manhã. E tu?
Casa e festa. Temos um encontro.
Eu sei. Lá estarei. À 1h30, o mais tardar. Continua a treinar.
- A primeira dança do Ano Novo é tua. - Ótimo.
SAÍDA
- A ação começa às 21 horas. - Será na hora da segunda pausa.
- Quanto tempo tens? - Meia hora.
Mais tempo e levantaria suspeitas.
Aqui. À noite, precisas de um dispositivo a piscar. Experimenta.
- Posso? - Bem, mas...
Espere aí, amigo. Ainda não.
O cavalheiro quer ser ele arrancar a senhora?
Arrancá-la antes do fim do ano dá azar.
E também é supersticioso.
Meus senhores, a última fotografia do ano. Vêm?
Atenção.
Porque é que Buda te escolheu a ti para hoje?
Por causa do seu nome próprio adorável, meu caro Sr. Gräf.
A partir do Ano Novo, trabalharemos apenas por alfabeto.
A Mna. Charlotte tem a honra de fazer o primeiro turno.
Tenham uma boa noite e um bom Ano Novo.
- Igualmente. - Obrigado.
Até amanhã, animada como sempre na reunião.
Alfabeto? Mas o teu nome é com "R" de Ritter.
Para o Buda, serei sempre Mna. Charlotte, portanto, um "C".
- Não temos "A". - Temos Böhm.
Tenho o prazer de passar o Ano Novo com o maior resmungão de Berlim.
- E ser-te-ei eternamente grato. - Tive sorte.
Completamente imerecido. Está bem.
- Já agora... - Sabes usar a câmara?
- Sim. - Diverte-te.
A SA deve seguir as instruções do gabinete central do partido.
E dizem para cancelar imediatamente todos os planos de greve desta noite.
Fora de questão. Não me vou acobardar como um cão no último minuto.
Diz isso ao escritório central em Munique.
- Quem fala? - O líder do grupo Rath, do DIC.
Stennes. A ordem de Munique é clara.
Não participam em lutas de rua por parte da SA.
O cabo Hitler pode seguir a linha do sistema, eu não. Vamos marchar.
O fuehrer está a apostar na marcha legal.
Não podemos arriscar outra proibição do partido.
Não quero um austríaco e um maricas a impedir a luta!
- Oberführer, estás a ameaçar... - Esta conversa acabou. Vamos.
- Vai haver consequências. - Espero bem que sim.
Vamos limpar a pocilga e as ordens virão da capital,
não das províncias.
És o primeiro. Tu e os teus queridos maricas.
Stennes! Stennes!
Vá lá.
- Saúde, homens. - Saúde!
Rath, durante quanto tempo temos a rua para nós?
- Trinta minutos. Não mais. - Deve ser suficiente.
Porque pareces tão preocupado?
Será a primeira vez que me revelo publicamente como membro da SA.
- De uniforme. - E então? Está na hora de o fazeres.
- Oberführer! - Camaradas!
- Estão prontos para atacar? - Sim, senhor!
- Sieg! - Heil!
- Sieg! - Heil!
- Sieg! - Heil!
Tenho tudo para oferecer.
Somos as linhas de ataque Que estamos prestes a fazer...
És muito parecido com o teu pai.
- Achas? - Sim.
Ou estás a ficar mais parecido com ele.
Et voilà. O Rothschild azul.
- Não é demasiado caro para se usar? - Para ti, não.
Vem.
- Eis o teu clube de cavalheiros. - Toda a cidade nos quer visitar.
Mas nós queremos o país inteiro.
1930
O ano passado passou a voar, não foi?
Eu disse: "Já não há guerra, mas também já não há paz."
"É um estado intermédio que tem de acabar de uma vez."
Wegener! Ainda bem que veio celebrar connosco.
Claro.
Ela já chegou?
A sua mãe acabou de chegar, Sr. Nyssen.
- Boa noite. - Boa noite, Chanceler do Reich.
Posso apresentá-lo? Este é o General McFarland.
O adido militar da embaixada americana desde há umas semanas.
- Prazer em conhecê-lo, general. - Minha senhora.
Um cliente estranho. Não confiaria nele.
- Mas fala muito bem alemão. - É exatamente por isso.
Boa noite. É uma honra tê-lo connosco, Brüning.
O prazer é meu. Depois de um ano tão turbulento, que final encantador.
O castelo foi feito para festas destas.
Mas não para ti, minha querida. Nenhum brilho roubado resolverá isto.
É mesmo a cabra mais cruel que a sociedade de Berlim já viu.
- Desculpe? Você? - Sim, exatamente.
E és a insolente mais presunçosa
já autorizada a fazer de senhora da casa.
Camaradas!
- Os homens do Reichstag... - Avancem.
...queriam proibir-nos de sair à rua.
E porquê?
- Porque têm medo de nós! - Sim, senhor!
- Porque sabem... - Gustav!
- Camarada. - ...que a política judaica deles
é para benefício de alguns e para mal da maioria!
Sim!
Durante anos, traíram-nos.
Durante anos, deixaram homens e mulheres alemães passar fome...
- Sim! - ...e ter frio!
Sim!
Esta noite, vamos erguer-nos
e recuperar o que os judeus nos tiraram!
- Sim! - Ali estão eles.
- Porque temos fome! - Temos fome!
- E queremos trabalho! - Queremos trabalho!
- A cidade pertence-nos! - Pois.
- A SA vai marchar! - Temos fome!
- Temos fome! - Vamos lá.
- E agora, idiota? - Vamos amarrá-lo.
- Vá lá! - Anda.
- Sai, Toni. Saíram todos. - Ele ainda lá está. Não podemos ir.
Podemos, sim.
A costa está livre.
Vamos.
Olha. Vamos.
ESQUADRA DA POLÍCIA 14 BERLIM-CHARLOTTENBURG LOJA TIETZ
Kuschke, há um assalto à Tietz em Ku'damm.
- O gangue dos armazéns. - O quê?
Lanke, Kuschke, Hagedorn, desta vez, apanhamo-los. Vão!
Vem comigo.
- Inacreditável. - Não acredito.
Vamos.
Leva tudo.
Toni! Toni!
Deixa algum para mim.
Liga o carro.
- Kurfürstendamm. - Sim.
- Pelas traseiras. - Vamos!
O que queria falar comigo, exatamente?
Tenho uma surpresa extraordinária, Conselheiro. Para o Ano Novo.
- Tem? - Sim.
É sobre os foguetões. Os meus engenheiros fizeram progressos.
- Continue. - Primeiro, vamos divertir-nos.
Temos de cuidar da vida antes de morrermos.
- Dê-nos licença por um minuto. - Claro.
Como foste capaz?
- Não sei a que te referes. - Boa noite.
Sabes bem do que falo, filho. A pedra.
- Sra. Bellinghausen, olá. - Ah, isso.
Devia ter pedido autorização?
Não fazes ideia do que estás a fazer.
Faço, sim. Há já algum tempo que sei o que estou a fazer.
Vai ter com a tal pessoa e tira-lhe a pedra.
Estás com ciúmes por causa de uma pedra preciosa?
- Não é uma qualquer. - Uma noite maravilhosa.
Conselheiro, que prazer vê-lo.
O prazer é meu.
Mna. Seegers! O que faz aqui? Pensei que detestava a capital.
Estou a estudar o meu inimigo. Não me diga depois que não o avisei.
- E o que o seu... - O Oscar?
- Está fora. - Então, serve-se de mim?
Temos fome!
- Venham connosco. - Queremos trabalho!
A SA está em marcha!
- Vamos apanhar os judeus! - Venham!
- Queremos o nosso trabalho de volta! - Queremos trabalho!
- Às 21h00, certo? - Sim.
E agora!
Queremos trabalho!
Vamos!
- Sim? - Sim!
- Fora daqui, judeus de merda! - Parem!
Telefonista? A Polícia. Polícia! Depressa! Há um motim na Ku'damm!
É a SA! Venham depressa!
TEMPOS DOURADOS COM JOIAS TIETZ
Sieg Heil! Sieg Heil!
Para com isso.
- Sieg Heil! Sieg Heil! - Sieg Heil! Sieg Heil!
Toni, espera.
- Gostas deste? - É bonito.
Pega, quero vê-lo em ti. Porque é quente. Veste-o.
Espera.
É o meu presente.
- Polícia! - Vamos!
Quietos! Quietos!
Vai atrás deles. Hagedorn!
- Quietos! Nós apanhamo-los. - Vão!
Eles foram por aqui. Kuschke.
- Parem! Esperem! - Benni, vem!
Abram a porta! Abram a porta, porra!
Merda!
Anda.
Anda, Toni. Anda.
Eu seguro-te.
- Anda, anda. - Credo!
Não têm medo de morrer?
Venham cá!
Kuschke, vem. Pelo outro lado.
Vamos apanhá-los do outro lado.
- Não olhes para baixo. Conseguimos. - Não.
Festejamos depois. Só nós os dois, como deve ser.
Segura-te bem.
Pessoal! Vamos! Estão no telhado.
- O que estás a fazer? - Nada.
Era o gangue dos armazéns. Já tinha desaparecido.
É o que digo como comissário da Esquadra 14.
Todos os agentes presentes confirmaram de forma unânime. Ou não?
- Certo. Para o telhado, já. - Vamos pelas escadas das traseiras.
Vê esta tragédia, Wegener.
Não é o primeiro homem na flor da idade a fazer figura de parvo
por uma rapariga.
- O que queres? - A SA está em polvorosa em Ku'damm.
- E então? - São muitos.
- Estão a caçar civis. - Não é a nossa jurisdição.
Parece que a SA está a revoltar-se contra a liderança do partido.
Até agora, a Polícia não está a intervir.
Vá lá.
- Vocês são idiotas? - Temos de descer.
Não podem. Há polícias.
- Polícias? - Benni, deixa isso.
- Desapareçam, idiotas. - Onde estão os polícias?
- Ali estão eles! Polícia! - Quietos! Polícia! Parem!
- Quietos! - Parem! Quietos!
Aqui dentro. Anda.
- Eu fico aqui em cima. - Vou pela escada de incêndio.
Cuidado.
- Levas uma bofetada. - Força.
Vamos sair daqui.
Espera. Não deixo o Benni sozinho.
- Como te chamas? - Toni!
- E tu? - Moritz!
Quieto!
Dá-me o teu saque.
Benni!
Por favor, não!
Merda. Pare! Pare!
Homicídios, fala a Assistente Criminal Ritter.
Obrigada, vamos a caminho.
Detetive Superintendente?
Ouviu-me dizer "entre"?
Desculpe, senhor.
Assalto com consequências letais. Precisam de nós.
Não me ouviram? A andar!
A senhora também. Continuem a andar.
Böhm, Departamento A.
- São as testemunhas? - Sim, senhor.
- Você é...? - Sargento Naumann, senhor.
- Comissário da Esquadra 14. - Viu o que aconteceu?
Vi. Não sou só eu, metade do turno está cá. Foi o gangue dos armazéns.
O que se passa ali?
Como aconteceu?
Escorregou. Quando tentou fugir.
- O que encontrou com ele? - Nada.
- Nada? - Não.
Pensei que fosse um assalto.
Um cúmplice deve ter levado o saque.
- Quantos eram? - Sargento!
- Com licença. - Quatro, acho. Não se via bem.
- E uma rapariga. - Uma rapariga?
Sim, ruiva. Tinha uma mochila, eu vi.
Naumann, precisamos dos teus homens!
Como vê, precisamos de todos os homens lá.
Enviarei alguém para determinar as circunstâncias.
- Posto 14, certo? - Sim. Vamos, rapazes.
- Levem-no para a Patologia. - Um segundo, senhor.
Se tem de ser, tire fotos.
Toni!
- Espera! - Mna. Ritter!
Toni! Toni! Toni, para!
Toni! Toni!
Toni, espera!
É a Polícia! Saiam daqui!
- Há quanto tempo dura a operação? - Parece que acabaram de chegar.
- Mas porquê tão tarde? - Vou perguntar.
O responsável disse que têm tudo sob controlo.
Ele vai apertar com eles.
Apresenta o líder.
Líder à frente.
Tão depressa voltamos a ver-nos.
Levem-no.
Surpresa.
Caros convidados. É uma grande honra para nós que tenham vindo aqui
para celebrar o Ano Novo connosco.
O último ano foi bastante cheio,
no mundo e para nós dois, a um nível muito privado.
Há dias, o Alfred surpreendeu-me com uma marcação...
...cuja consequência queremos celebrar convosco.
Era para ser surpresa. Para ti também, querida Anne-Marie.
A marcação era no registo civil.
Sim, casámo-nos!
Muito bem!
Wegener, vem ver-me amanhã. Logo de manhã.
- Há uma necessidade urgente de agir. - Muito bem.
Obrigado.
Excelências, Eminências, caros amigos.
Já podemos descrever o último ano, 1930,
como histórico. Um de nós...
...que é o senhor, caro Brüning, é Chanceler do Reich há nove meses.
Durante esse tempo,
conseguiu uma vitória limpa na confusão republicana deste país.
Foi um prazer para nós, e ainda é, vê-lo fazê-lo.
O que tem de acontecer a seguir?
Agora que a nossa ligação deu frutos?
O quê? Passados nove meses?
Há um parto!
É um processo sujo que envolve sangue, suor e dor.
Não lhe chamam trabalho por nada, o que nos lança na vida.
Trabalho, com o qual entramos numa nova era.
Das trevas através do sangue para a luz.
- À nova era! - À nova era!
- Viva a Alemanha! - Viva a Alemanha!
Alcancemos as estrelas e mais além!
Pensemos em grande, maior do que as outras nações!
Seremos os primeiros a chegar à Lua!
E podemos perguntar-nos quanto tempo demoraria.
Orgulho-me de vos poder informar
que o primeiro homem a pisar a Lua...
...já vive entre nós.
Este homem...
...serei eu.
É quase meia-noite.
Vamos fazer a contagem decrescente juntos.
À minha ordem. Dez...
...nove, oito, sete, seis, cinco,
quatro, três, dois, um!
1930 - 1931
Um dia como o ouro Cem mil volts nas tuas veias
Uma noite como veludo e seda
Um dia como ouro Tens tudo o que queres
Uma noite, não podia ser melhor
Dois passos para a esquerda Para trás, para a frente
Agora ou nunca, nascemos para dançar
Tudo treme, está vivo Deem os braços, seremos loucos?
Sr. Wegener, onde posso fazer uma chamada, por favor?
- Siga-me. - Obrigado.
Uma noite como veludo e seda
A vida é um sonho
Seria bom, duvido que seja verdade
Tenham cuidado, é fácil esquecer
Nada permanece como é
- Feliz Ano Novo. - Feliz Ano Novo.
Saudações a Moscovo, Paris e Viena
Acenamos-vos Todos vêm a Berlim
Todos a gritar, todos querem Todos sabiam que éramos loucos
Um dia como ouro O que resta será declarado
Um brilho, o que me interessa? Vamos dançar
- Sim, é para o estrangeiro. - Prossiga.
Estados Unidos. Nova Iorque. Brooklyn 236.
Terá ligação em 30 minutos.
- Deixou-te pendurada? - Podes crer.
- Bom dia. - Mna. Seegers.
Receava que não viesse.
Desapareceu de repente. Então, devo parar de me divertir?
Trabalho. Tive de ir a uma operação.
- Sim, quem fala? - Jacob Grün, de Berlim.
És tu, Avrum?
Sim. Porque estás a ligar?
Ouve com atenção.
Sei onde está o diamante do teu falecido pai.
De que estás a falar?
Estou a falar do Rothschild azul. Está aqui, em Berlim.
Tradução: Melissa Lyra Iyuno-SDI Group
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