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- Boa tarde, Senhor. - Boa tarde.
Ao lidar com isto, Dr. Bryant, ao abordar Blake...
acha que é apropriado buscar a natureza metafísica de sua poesia?
Doutor Bryant!
Eu estava perguntando, Doutor, se você acha que ao abordar-se Blake...
devemos buscar o aspecto metafísico de sua poesia.
Definitivamente.
Blake. Todos dão muita importância a ele.
Blake. Você sabe quem ele é?
Ele é um poeta morto. Isso é tudo.
Sinto muito, Dr. Bryant, mas não posso concordar.
Desmerecer William Blake como um poeta morto é "faseel".
Facile.
Tenho estudado Blake extremamente durante vários anos...
E eu discordo absolutamente com a sua apreciação desse gênio.
Dr. Bryant,
Eu não acho que você está me ouvindo.
Senhor Collins, não acho que esteja dizendo qualquer coisa para mim.
- Doutor, você está bêbado? - Bêbado?
Claro que estou bêbado.
Você realmente esperaria que eu ensinasse isso enquanto sóbrio?
Bem, então você não se importará...
se eu deixar a sua aula.
Por que eu deveria me incomodar? Por que você quer ficar preso neste lugar afinal?
Porque queremos estudar literatura.
Literatura?
Olhem, o sol está brilhando!
Vocês são todos jovens! O que vocês estão fazendo aqui?
Por que vocês não vão todos fazer alguma coisa? Sair e fazer amor ou coisa parecida.
Frank.
- Julia. - Querido, eu posso pegar as chaves do carro?
Sim. Já terminou sua aula?
Há muito tempo. Não se esqueça do jantar com Brian e Elaine.
- Agora, você sabe que vou sair tarde. - Não.
Querida, te disse, eu tenho um novo aluno chegando.
- A que horas? - Universidade Aberta, muito tarde.
Dificil entender por que um adulto crescido possa querer entrar neste lugar...
após um cansativo dia de trabalho...
Dr. Bryant?
Ele realmente disse, "O que é assonance?"
A sério?
Ele não tem ideia de que "assonance" significa!
Pode entrar, está aberta.
Entre!
Pelo amor de Deus, entre!
Estou tentando, não estou? Você precisa ter essa maçaneta consertada.
É, sim, sim, eu pretendia.
Não adianta pretender, você precisa andar com isso.
Um dia você vai gritar, "Entre," aí pra sempre...
Porque o coitado não será capaz de entrar e nem você será capaz de sair.
- E você é...? - Eu sou o quê?
- Perdão? - O quê?
E você é...?
Qual é seu nome?
Meu primeiro nome?
Bom, isso já seria um bom ponto de partida.
- Rita. - Rita. Ah.
Aqui estamos.
Rita? Diz aqui Senhora S. White.
Ah, sim, que é S de Susan, que é meu verdadeiro nome.
Mas eu não sou mais Susan, eu mudei meu nome para Rita.
- Você sabe, como o de Rita Mae Brown? - Não.
Rita Mae Brown que escreveu Morangos Selvagens.
Você ainda não leu? É um livro fantástico, você sabe.
Quer emprestado?
Sim, sim. Muito obrigado.
Certo.
E como te chamam por aqui?
Senhor.
Mas você pode me chamar de Frank.
Tá bom. Frank.
Esse é um belo quadro, não é, Frank?
- É, sim, eu suponho que é. - É muito erótico.
Acho que não olho essa pintura há dez anos.
Mas sim, é, eu suponho que seja.
Não há "eu suponho" sobre isso, olhe aquelas tetas.
Não se incomoda de eu usar palavras como estas?
- Como o quê? - "Tetas".
- Não. - Não, você não iria.
São só as massas que não compreendem.
Não é culpa deles mas às vezes eu detesto eles.
Faço isso para que eles se choquem.
Você sabe, como, quando estou no cabeleireiro, onde eu trabalho,
Gosto de dizer algo como, "estou realmente fodida", bem alto...
e isso meio que não incomoda.
Mas as pessoas cultas não se preocupam, certo?
é que a aristocracia mais pragueja.
É tudo "passe a porra do faisão", entre eles.
Mas você não pode falar perto deles dessa maneira...
- Você não devia estar me entrevistando? - Eu preciso?
Ah, eu falo muito, não é?
Sim, eu sei que falo muito.
Não em casa, por que não é sempre que tenho oportunidade de falar com alguém como você.
Você gostaria de se sentar?
- Não. Posso fumar? - Cigarro?
O quê? Sim!
- Foi uma piada? - Sim.
- Está bem, você quer um? - Eu gostaria de um...
... mas eu prometi que não iria fumar. - Não vou dizer a ninguém.
Promete?
Eu odeio fumar sozinha. Todos parecem ter deixado de fumar...
Todos com medo de câncer.
Malditos covardes.
- Você gostaria de uma bebida? - Qual?
- Whisky. - Ah, sim.
Meu marido tem um gabinete de bebidas como esse.
Diga-me, o que fez você subitamente decidir fazer isso?
Não foi subitamente. Há anos que vejo que estou ficando atrasada.
Tenho 26, eu já deveria ter tido um bebê. Todo mundo espera isso de mim.
Mas quero dizer, não quero um bebê ainda. Não.
Eu quero me descobrir primeiro.
Você compreende isso?
- Sim. - Sim.
Eu, você sabe, eu tentei explicar isso para o meu marido, sabe...
Mas, entre você e eu, acho que ele é grosso.
Bem, ele são quer ver, é.
- Qual é esse? - Howards End?
Howards End! Parece sujo, não é?
E.M. Foster.
- Forster. - Ah, sim.
- Como ele é? - Leia. Você quer emprestado?
Sim, certo. Eu vou cuidar bem dele para você.
Se eu desistir do curso, vou postá-lo de volta.
Você ainda nem começou. Por que você pararia?
Bom, eu só poderia, você sabe.
Poderia achar que é uma ideia tola.
- O que "assonance" quer dizer? - O quê?
- Não ria de mim. - Eu, não.
"Assonance", é uma forma de rima.
Qual um exemplo? Você conhece Yeats?
- A pousada do vinho? - Não, WB Yeats, o poeta.
Não.
Pois bem, no seu poema "Os Cisnes Selvagens em Coole",
Yeats rima a palavra "cisne" Com a palavra "pedra".
Vê? Esse é um exemplo de "assonance"
Oh, sim, significa fazer uma rima errada.
Eu nunca pensei desta maneira...
Mas suponho que isso significa fazer uma rima errada.
Gosto desta sala.
Eu adoro a vista desta janela.
Você gosta?
Nem sempre penso nisso, mas, às vezes
tenho vontade de jogar algumas coisas através dela.
- O quê? - Um estudante, normalmente.
Você é um louco mesmo, não é?
Provavelmente.
O que você está olhando?
Você é uma boa cabeleireira, Rita?
Sim, eu sou. Mas elas esperam muito, você sabe.
Por exemplo, as mulheres entram no cabeleireiro...
E meia hora mais tarde querem sair como pessoas diferentes.
Você sabe, mas eu quero dizer, se você quiser mudar,
Você tem de fazê-lo a partir do interior, como eu estou tentando.
Acha que eu vou ser capaz de aprender?
Tem certeza que fala sério sobre querer aprender?
Isto é muito sério, sim.
Eu sei que pareço em dúvida...
Mas é apenas porque não estou, assim, tão confiante, sabe.
Mas eu quero estar. Mesmo.
Quando, você sabe, quando você realmente vai começar a me ensinar, quando?
O que eu posso ensinar-lhe?
Tudo.
Você está querendo muito.
E eu não posso te ensinar tudo.
Entre você, eu e as paredes,
Na verdade, sou um professor medonho.
Isso é adequado na maioria das vezes --
Ensino medonho é o bastante, afinal, para estudantes medonhos...
Mas não é bom o suficiente para você, minha jovem.
Tudo que eu sei é que... deve ouvir isto...
Tudo que eu sei é que eu não sei absolutamente nada.
Aliás, não gosto do horário dessa Universidade Aberta.
Eles esperam que eu ensine nos horários que todos os Pubs estão abertos.
Está tudo certo. Existem outros tutores bons.
Vou apresentar um para você.
Está dizendo que quer que eu vá embora?
Adeus, Rita.
Espere um minuto. Ouça-me.
Eu estou neste curso, você é meu tutor E é você que irá me ensinar e muito bem...
Existem outros professores.
Você é o meu tutor! Não quero outro.
- Pelo amor de Deus, mulher! - Mas você é meu tutor!
Já te disse, não quero fazer isso. Por que me escolheu?
Porque você é um artista muito louco...
que gosta de atirar os alunos pela da janela.
Eu gostei! Não reconhece um elogio?
E quando chegar a próxima semana vou cortar seu cabelo.
Você não virá aqui na próxima semana.
- Venho sim, e você terá um corte de cabelo. - Não vou.
Você quer andar por aí desse jeito?
- Como o quê? - Como um hippie geriátrico.
Te vejo próxima semana.
Estava no caminho errado.
Você está familiarizado com Forster?
Sim, com certeza. Soberbo.
Entre você e eu, acho que ele é um lixo.
- Você é um estudante, não é? - Sim.
Eu também sou.
Brian, por que você não prepara outro para a Elaine? E para você, é claro.
Bem, como Frank não chegou ainda.
- Ótimo disco, Julie. - Sim, não é?
Eu espero que Frank não chegue tão tarde.
Deus, eu esqueci, Preciso ligar para meu editor.
- Posso, Julia? - Claro.
Só leva um minuto, querida.
Tudo bem, amor?
- Adorável. - Bom.
- Brian. - Querida.
Olá, Frank.
Sim, sim, eu sei, Morgan.
Eu acho que você nem leu o contrato.
Morgan, parece que você não está me ouvindo.
Você vai perceber que eu provavelmente tenha que ir para Jones.
- Olá, querido. - Olá.
- Olá, Elaine. - Olá, Frank.
- Você não foi ao Pub então? - Eu mudei de ideia.
Bom. Vou dar uma olhada no jantar.
Mas Morgan, você parece que não compreende a importância disso.
É imperativo que o livro seja publicado antes do próximo ano letivo.
Sim, sim, sim, todos os direitos. Vou telefonar amanhã. Até logo.
Sinto por isso. Meu editor.
Frank, eu queria te falar algo antes de jantar.
Ligeiramente embaraçoso.
É que, tem havido algumas queixas.
Uma queixa, Brian?
Sim, disseram que você estava ligeiramente embriagado na sua aula hoje.
- Não. - Não?
- Não, eu estava muito embriagado. - Frank, por que você faz isso?
Quando você tem... Ora, aquilo que outros não tem?
- Uma bebida, até o presente momento. - Ah, Frank.
O pessoal aceita que você... Pois bem, nós entendemos que você beba...
Mas não deve ser uma boa influência para os alunos.
Você sabe o que significa "assonance"?
- Claro. - Sim? Vá em frente.
- Assonance. - Sim.
Assonance é uma rima,
a identidade do qual depende meramente do som das vogais.
Um assonance é meramente uma... semelhança silábica.
Assonance significa fazer uma rima errada.
Quero parecer desse jeito.
- Certo. - É um livro que você está lendo?
- Sim, é. - Qual é o nome?
- Servidão Humana ("of human bondage"). - Sim?
Meu marido tem um monte de livros assim.
Como, livros de Somerset Maugham?
Não, livros de sadomasoquismo ("bondage books").
Ah.
Oh, Olá. Eu estava justamente lubrificando para você.
Oh, desculpe, Frank.
- Você pode se sentar. - Sente-se.
Adoro andar ao redor desta sala.
Rita, você nunca entrou em uma sala e se sentou?
Não quero sentar.
Eu adoro aquele gramado ali. Todos aqueles estudantes.
Quais?
Ah, sim, sim. Agora deixe-me ver este ensaio que escreveu para mim.
Está um lixo.
Não, não. É o seguinte, Rita,
você pode, diabos, escrever um texto sobre E.M. Forster...
referindo-se quase totalmente a Harold Robbins?
Oh, bem... Bem, você disse para citar outros autores.
"Referências de outras obras irá impressionar os examinadores ", você disse.
Sim, eu me referi a outras obras, mas tenho dúvidas se o examinador irá ler...
- "Quando o Amor Vai Embora". - Será azar dele.
E será azar seu, quando ele não aprovar seu texto...
porque ele não aprovará se você escrever assim durante um exame.
Ah, isso é excelente. Há justiça.
Eu falho porque leio mais do que um frio examinador.
Devorar ficção barata não significa ser grande leitora.
Eu achava que ler era bom de qualquer modo...
E é, mas você tem que ser seletiva.
Em seu favor, aqui você menciona "Filhos e Amantes".
Mas isto está em todo lugar.
- Ah. - É muito subjetivo e sentimental.
É... lixo.
Não, há coisas que são valiosas nele.
você vai aprender com as críticas, Rita,
Você tem disciplinar essa sua mente.
- Você é casado? - O quê?
Então? Como é a sua esposa?
Pelo amor de Deus, minha esposa é relevante?
- Você deve saber, é casado com ela. - Então ela não é relevante.
Eu não a vejo faz um longo tempo, estamos separados.
- Desculpe. - Por que desculpe?
- Desculpe por perguntar, ser xereta. - OK.
- É que... - Por que se separou?
Por que não está tomando nota? Então quando você responder sobre Forster...
Você pode escrever um ensaio Chamado: "O Matrimônio de Frank".
Vai! Eu estou apenas curiosa.
- Estamos separados, Rita, em virtude da poesia. - O quê?
Um dia, a minha mulher explicou-me que, durante os últimos 15 anos,
a minha produção como poeta tinha a ver inteiramente com uma parte de nossas vidas...
em que descobrimos um ao outro.
- Você é um poeta? - Fui.
Assim, para dar-me algo novo para escrever, ela deixou-me.
Uma nobre mulher, minha esposa. Ela deixou-me para o bem da literatura.
Notavelmente, funcionou.
Você escreveu um monte de coisas boas, escreveu?
Não, eu parei de escrever completamente.
- Você está brincando? - Não.
Vamos, as pessoas não se separam por causa de coisas assim, por causa da literatura.
Ah, você pode estar certa. mas é como eu recordo.
Agora, vamos voltar a Howards End.
- Então você vive por sua conta? - Rita!
Estou apenas perguntando!
Eu moro com uma garota, o nome dela é Julia, ela é uma jovem professora aqui.
Ela é muito atenciosa, muito tolerante, e ela me admira enormemente.
- E você gosta dela? - Eu gosto dela enormemente.
É de mim que eu não gosto muito.
- Você é ótimo! - Aha!
Um voto de confiança. Obrigado.
Não, você verá que há menos de mim do que se aparenta.
Veja? Você pode dizer coisas muito inteligentes!
Gostaria de poder falar assim, é brilhante.
Rita, por que você apareceu aqui 20 anos atrás?
Não sei se iam me aceitar aqui com apenas seis anos de idade.
- Agora, voltamos a - Forster. - Ah, esqueça-o.
Agora, ouça, você que me pediu para ensiná-la, Você quer aprender.
E isso vai dar muito trabalho.
Você praticamente não tem qualquer escolaridade,
Você nunca esteve em um exame.
Ter uma mente faminta não é por si só garantia de sucesso.
Tudo bem. Eu simplesmente não gosto de Howards chato End.
Então, volte para o que você gosta E pare de desperdiçar meu tempo!
Vá então comprar um vestido e eu vou para o Pub.
Você está desistindo?
É isso na verdade!
Você não fica mais impressivo quando está irritado?
Oh, Rita.
Denny?
Que diabos está fazendo?
Acho que posso transformar estas duas salas em uma maior. Melhorar a casa.
Há apenas uma maneira de você melhorar esta casa: estourando uma bomba nela.
Vai ficar bem melhor, quando eu tiver terminado.
Quando eu terminar, Você não vai reconhecer.
Denny, vamos ao teatro comigo.
O quê? Para quê?
Se nós formos ao teatro poderíamos ver a peça...
E isso vai ajudar a terminar meu enaio.
Eu te disse, Susan, não gosto do que está fazendo.
Me deixe fora disso.
- Onde vai? - Para o quarto, com Peer Gynt.
Com quem?
É um livro, seu tagarela.
Pensei que íamos ao Bierkeller.
Para quê?
Você sabe, eles tem oito tipos diferentes de cerveja.
Quem ia acreditar que iriam construir um paraíso destes no final da nossa rua?
"Sugira maneiras em que..."
"Sugira maneiras..."
Você sabe o que há de errado com você, Susan?
Bem? O que há de errado comigo?
Você precisa de um bebê.
Ah, preciso?
Quanto tempo faz desde que você parou de tomar a pílula?
Susan! Quando tempo faz que você parou de tomar a pílula?
Em...
Dezembro...
Quer dizer, já quase seis meses e você ainda não está grávida.
Acho que é melhor você procurar um médico...
Não pode ter nada de errado comigo.
Quer dizer, caras da nossa família só tem que olhar para uma mulher para ela ficar grávida.
Ah, deve ser por que são todos vesgos.
Ha, ha.
Vamos, se arrume. Pensei que iríamos ao Bierkeller.
Pensei que estivesse estudando.
Como posso me concentrar com você demolindo a casa?
Tudo bem, tudo bem. Vou apenas terminar isto. Aí vou me trocar.
Vamos, quebre isto.
Quebre isto!
Você não pode quebrar de qualquer jeito, você sabe.
- Por que não? - Eles tem que serem retirados com cuidado.
Ah, vá logo. Vai, quebra isso.
Cai fora. O que você entende disso? Preciso do martelo pequeno.
Oh, Deus!
Oh!
É uma cadela louca, ah é!
Você ainda é a minha garota, não é?
Eu poderia ser, se você jogasse direito.
- Olá, Frank. - Olá, George.
- Brian. - Eu vou deixar Elaine.
- Brian, não me parece... - Você deve deixar Frank.
Não. Não, ele precisa de mim.
Precisa de você? Na maior parte do tempo Ele nem te vê!
Ele precisa de mim. Ele reaje a mim.
É por isso que ele está sempre quatro quartos embriagado?
Ele tem bebido pouco ultimamente.
Eu sei que está levando muito tempo...
Mas ele está começando a reagir à segurança que posso oferecer a ele.
- Ah, Brian. - Ah, Julia.
Lesley, lembre-se que me prometeu um ensaio para amanhã.
Não seja tão grosseiro, Morgan.
- Julia? - Sim, sim, mas sei que...
Você já recebeu o texto de Peer Gynt?
Acho que sim.
Não, eu não estou te intimando Morgan. Sei...
- Para quem é isso? - Pra minha aluna da Universidade Aberta.
Ah, sim. Qual é o nome dela mesmo?
- Rita. - É isso mesmo, Rita.
- Quando é que vamos conhecer essa Rita? - Brevemente, eu suponho.
Olha, Morgan, a nossa associação agora Já dura oito anos.
- Você deve convidá-la pro jantar. - Sei, bem...
- Ela parece divertida. - Sim. Obrigada pelo texto.
- A menos que ouça de você... - Ele não tem um telefone?
Até logo.
Frank.
- Sim? - Eu acho que você devia saber que eu, e...
Pretendo deixar o meu...
... Editor.
Bem, ajudaria consideravelmente a conta do meu telefone.
- Tchau. Tchau-Tchau, amor. - Tchau.
Frank!
Olá.
Forster!
Porcaria de 'Forster.
Eu vou te dizer o que faz Forster, não larga minhas tetas.
- Mostre-me as evidências. - Seu sujo.
Não posso entender o que ele quer dizer.
Não é bom, Frank - quando se trata De Forster, eu não posso compreender.
Irá, Rita, Irá.
Pois bem, está tudo certo para você. eu simplesmente não posso entender.
Sim. Bem, você acha que poderíamos esquecer Forster por enquanto?
Com prazer.
Gostaria de falar sobre este que você me enviou.
- Ah, sim. - Ah, sim.
Sim, bem, agora... Em resposta à pergunta,
"Sugerir como você iria resolver as dificuldades de montagem...
"Inerentes a uma produção De Peer Gynt"
Você escreveu, aspas,
"Fazê-lo no rádio."
Aspas.
Sim.
- Bem? - "Bem" o quê?
Bem, eu sei que seria provavelmente muito ingênuo da minha parte...
Mas eu acho que eu deveria receber um ensaio adequado.
Sim, bem, isso é tudo o que pude fazer no meu tempo.
Eu estive muito ocupada na loja.
- Você escreve seus ensaios no trabalho? - Sim.
Denny não gosta que eu faça isso.
Ele fica puto se trabalho em casa e não quero incômodo discutindo com ele.
Rita, você não pode continuar produzindo trabalhos tão parcos como este...
não se quiser passar no exame.
Pensei que fosse a resposta certa.
Foi uma maneira de encapsular todas as idéas em uma única linha.
É a base para um argumento mas uma única linha não é um ensaio.
Você sabe disso tanto quanto eu.
- O quê? - Eu fiz isso.
Você fez isso?
Meu ensaio.
"Na tentativa de resolver as dificuldades de montagem...
"em uma produção de Peer Gynt...
"gostaria de apresentá-la no rádio porque, como diz Ibsen,
"Ele escreveu isso como uma peça de vozes,
"Ele nunca teve intenção de ir ao teatro.
"Se ele tivesse tido rádio em seus dias,
"Ele teria feito isso lá."
Denny?
Denny!
Denny?
Estou chamando você.
Denny...
Eu não quero ter um bebê, não até que eu me descubra.
Me deixe em paz!
- Denny! - Saia!
Não, pelo amor de Deus...
Olá?
O que há de errado?
Isto está começando a ficar um pouco chato.
Cada vez que vem aqui, Senhora White,
você faz de tudo menos começar a trabalhar imediatamente.
Vamos.
- Onde está seu trabalho? - Não o fiz.
- Você não o fez? - Não o fiz.
Não me diga. Ele foi roubado.
Enquanto estava dormindo, um grupo de professores de Cambridge quebrou sua janela...
e roubou seu ensaio sobre Tchekhov.
- Rita? - Estão queimados.
Quais?
Todos os livros, os Tchekhov que me emprestou.
Denny descobriu que eu estava tomando pilula, então queimou todos os livros.
Oh, Deus.
Me desculpe, irei te arranjar outros livros.
Oh, danem-se os livros. Eu não estava me referindo aos livros.
Por que ele simplesmente não quer me deixar aprender?
Ele deve achar que estamos tendo um caso, a maneira como se comporta.
- Talvez você esteja tendo um caso. - Cai fora, eu não estou!
Acha que tenho tempo de ter um caso?
Jesus, eu ando ocupada demais tentando me encontrar, não resta tempo pra mais ninguém.
Estou começando a me descobrir.
Isto é ótimo. É, você sabe, Frank.
Pode soar egoísta, mas tudo o que quero agora é o que estou encontrando dentro de mim.
Certamente não quero me envolver com alguém.
Talvez ele pense que estamos tendo um caso.
Oh, pare com isso. você é meu professor.
Eu disse isso pra ele.
- Falou com ele sobre mim? - Claro.
- O quê? - Oh, bem, eu tentei explicar pra ele...
como você me dá espaço pra respirar.
Você, tipo, me ensina sem esperar nada em troca.
- E o que ele disse? - Não disse.
Eu disse a ele, "Seu tonto, mesmo que eu estivesse tendo um caso...
"não é motivo pra queimar meus livros".
"Não estou tendo um caso com Anton Tchekhov."
Ele disse, "Claro, não imaginaria você transando com um estrangeiro. "
E o que você vai fazer, Rita?
Eu disse a ele, que eu só iria ter um bebê quando escolher ter.
Mas ele não compreende.
Você o ama?
Às vezes pego ele me olhando...
Sei bem o que ele está pensando.
Eu, você sabe. Ele está pensando, "para onde foi a garota com quem casei".
Ele me traz presentes às vezes,
Esperando que os presentes me farão voltar...
Mas ela não pode, ela se foi.
E eu tomei o lugar dela.
"Boa noite. Professor Bodkin continua com suas palestras sobre...
- Já está vindo pra cama? - Em um minuto.
'... como devem ter notado, É uma peça extraordinariamente rica em textura,
Um pouco confusa na minha opinião.
"A vida interior das personagens está raramente em evidência... '
Portanto, o herói trágico cairá em desgraça...
devido a esta falha em seu caráter.
Então é isso.
É uma ênfase exterior...
Só um momento, por favor.
Frank, Frank, eu sinto muito, eu simplesmente tinha que dizer a alguém.
- O que há de errado? - Na noite passada, Frank, fui ao teatro.
- Pensei que fosse uma coisa séria! - E foi.
Foi Shakespeare!
- Achei que algo tivesse acontecido com você. - Mas algo aconteceu comigo.
Foi fantástico.
Era Macbeth. Eu comprei o livro!
Ah, isto fez a minha cabeça.
Eu pensei que fosse ficar entediada mas não foi, foi eletrizante.
A mulher dele não era uma vaca?
E aquele pedaço quando conhece Macduff e achava que é todo invencível...
Eu estava à beira do banco por que eu sabia!
Eu queria gritar bem alto e alertar Macbeth!
Você não fez, fez?
Não!
Eles teriam me atirado para fora do teatro.
Macbeth é uma tragédia, não é?
- Correto. - Correto.
Bem, Eu... Eu só queria contar a alguém Que me entendesse.
Rita, foi uma honra você ter me escolhido.
Bem, me desculpe por perturbá-lo.
Rita, espere um minuto. Estamos quase no final. Por que você não entra?
- Ah, não, Frank! - Vamos, você vai achar interessante.
Está aqui mesmo, não se preocupe com isto.
Esta é a Sra. White, ela tem aula comigo uma vez por semana na Open University,
e ela se unirá a nós para o restante da aula. Sente- se ali.
Agora, deixa eu ver, onde estávamos?
Ah, sim - tragédia.
Não devemos confundir tragédia - Bem, a verdadeira tragédia do drama -
Com algo meramente trágico.
Vamos pegar um herói trágico, Macbeth por exemplo.
Vemos que há falhas em seu caráter...
Que o força a dar um inevitável passo Para a sua própria desgraça.
Considerando o que lemos nos jornais como sendo trágico --
"homem morto pela queda de uma árvore"
isto não é tragédia.
A não ser para o coitado debaixo da árvore.
- Do que vocês estão rindo? - Isto é trágico, é, absolutamente trágico,
Mas não é uma tragédia da mesma forma que Macbeth é uma tragédia.
Por quê? Porque a árvore...
- Eu gostaria de pensar como eles. - Isto é muito fácil, Rita.
Ah, pra você, e pra eles.
Eu só achei Macbeth uma história muito excitante.
Mas você realmente pode ver várias coisas nela, não é?
É divertida, a tragédia, não?
Todos eles, eles sabem tudo sobre esse tipo de coisas, não é?
Rita, o que você faz nos sábados?
- Trabalho. - Bem, e depois do trabalho.
- Não sei. - Eu acho que vou pra casa.
Por quê?
Julia organizou um jantar para algumas pessoas.
Você gostaria de ir? Por quê?
- O que você acha? - Não sei.
Pode ser divertido. Você irá?
- Bem, tentarei ir. - Levará Denny?
- Não sei se vai querer ir. - Bem, fale com ele.
Tudo bem.
Deus do céu, minha cliente!
Ela ainda está debaixo do secador, vai ficar parecendo um Muppet frito!
Eu estava numa casa uma vez, e eles serviram bala de chocolate no café!
Meu marido? Ah, é eletricista, sabe.
Tem uma belo restaurante Chinês por aqui, logo no final daquela rua, sabe.
Você viu Macbeth? De William Shakespeare?
'Aldershot 3, Southend 2.
'Cardiff 1, Wrexham 1.'
- Você vai mudar de ideia? - Não.
O que você vai fazer?
Vou para o bar com sua mãe e seu pai. Onde você devia ir também.
Mas não somos bons o bastante pra você agora, somos?
'Millwall 2, Mansfield 2.
- 'Port Vale 1... ' - Denny, ele nos convidou a ambos.
Vamos, mude de ideia, Venha comigo.
Você podia até gostar dele.
Ah, eu poderia, realmente, Susan?
Bem, não seria realmente agradável?
Bem, seu tonto.
'... Grimsby 3.'
Ah, ótimo...
Aquele era o meu ponto!
Pare!
Ah, só faltava esta.
Mas está tudo certo?
Quem precisa de toda essa conversa?
Quem precisa de todo esse caminhar?
Quando nós podemos fazer? Podemos fazer?
O que queremos?
Mas é sempre?
No caminho?
Estou tão feliz por que você está tão feliz por que somos tão felizes...
Juntos...
Está tudo bem?
Quem precisa de toda essa conversa?
Claro que você poderia ter entrado.
- Eu não podia. - Por quê?
Eu levei o tipo de vinho errado.
Cristo, esperava que fosse! Não tinha que se vestir e levar vinho.
Se você sai para um jantar, você não se veste?
- Não toma vinho? - Sim, tomo mas...
- Bem? - Bem, o quê?
Você não gostaria de tomar vinho espumante suave.
Se importa tanto com o que faço?
Não teria importância se você tivesse chegado com uma garrafa de zurrapa espanhola.
Era espanhol.
Por que não tenta relaxar?
Não era roupa formal, você podia ter vindo do seu jeito.
Não acreditaria que todas aquelas pessoas poderiam ver você...
entrando tão levemente?
Teriam visto alguém engraçada, charmosa, deliciosa.
Não quero ser charmosa nem deliciosa.
Ou engraçada. Por que engraçada? Não quero ser engraçada.
Gostaria de falar sério como sua turma.
Não queria entrar e fazer papel da tola do tribunal.
Não te convidei pra desempenhar qualquer tipo de papel. Só queria que fosse você mesma.
Sim, bem, não quero ser eu mesma.
Quem sou eu, hein? Um tipo de mulher estúpida.
Que dá motivo de riso porque ela pensa que pode aprender,
que um dia ela vai estar falando sério, com confiança, e ter uma vida civilizada?
Ela realmente não pode ser assim mas é boa para uma risada.
Se você acha que foi convidada apenas para ser ser alvo de piadas, você pode sair agora.
Você foi convidada porque eu queria ter sua companhia.
Pois bem.
Estou bem com você, aqui, nesta sala,
Mas quando vi aquelas pessoas e você junto delas, não pude entrar.
Acabei desistindo, porque sou medrosa.
Não posso mais falar com as pessoas com quem vivo,
nem podia falar do jeito deles na sua casa...
porque sou de outra classe.
Eu decidi não voltar aqui novamente. Eu fui pro Bar.
Eles estavam todos cantando, todos eles.
Denny, olhando feliz. Ele tinha saído a alguns dias de férias do trabalho...
E a minha mãe, não estava muito bem, alguma coisa a preocupava.
Provavelmente meu pai.
Eles nunca foram realmente jovens amantes sonhadores.
E Sandra, apaixonada.
Seu namorado, também.
E suas amigas, todas juntas, cantando...
Ah, alguma canção que haviam aprendido da jukebox.
E eu pensei, "Afinal, o que eu estou tentando fazer?
Por que não posso me conformar, e ficar aqui...
me unir a eles e cantar?"
- E por que não? - Você acha que eu podia, não é?
Você acha porque quando você passa pela porta de um Pub e ouve todos cantando,
você acredita que estamos bem, que sobrevivemos com o espírito intacto.
Juntos?
Tudo certo?
Eu me juntei ao canto...
mas quando olhei ao meu redor, minha mãe tinha parado de cantar,
Ela estava chorando.
Eu disse: "Por que está chorando, Mamãe?"
E ela disse: "Devem existir canções melhores do que estas para serem cantadas".
E eu pensei: "Claro, é isso que estou tentando fazer, não é?"
Cantar uma canção melhor.
Por isso decidi voltar e é por isso que estou ficando.
Então, vamos começar a trabalhar.
Agora, grande sorriso em um minuto. Grande sorriso, digam "xis", tudo bem?
Todos olhando, todos.
Certo, aqui vamos nós.
Xis!
Ótimo, ótimo. Agora, só mais uma.
Sorriso grande, agora, vamos lá, mais amor.
Aqui vamos nós.
Ótimo.
- Agora, sorriam. - Bom...
Esta é a sua última chance de largar minha mão.
Veja você, não sei porque alguns de vocês querem tanto esta droga de casamento.
Sorriam! Adorável.
- O que está querendo dizer? - Você ainda nem está grávida.
- Sorriam. - Lindo!
Quantos anos tem agora, Susan?
74, pai.
Não diga isso, você está com 27.
Casada há seis anos e ainda nenhum bebê pra mostrar.
Aqui está sua irmã, dois minutos casada e já está grávida de quatro meses.
Adorável! Adorável!
Agora, a última agora, a última.
Por que você não divulga pelo rádio?
Não há nada de errado em ficar grávida antes de se casar...
Sua mãe já estava grávida de três meses antes de me casar com ela.
Sorriam!
Isto é exatamente o que eu sempre admirei em você, pai.
Você continua derramando seu charme e sensibilidade inata.
Muito obrigado a todos.
Digo, Denny, eu sinto muito por você, rapaz.
Se fosse minha mulher, eu já a teria afogado.
Se eu fosse sua mulher, eu teria me afogado.
Ei, vai deixar seu pai ofendido.
Ah, se manca.
Isto é muito fácil, Susan...
você para de ir pra universidade e para de tomar a pílula...
ou está fora.
- Por quê? - Você sabe porquê.
Eu não, Denny. Tudo que estou querendo fazer é me educar.
Só tentando aprender. E eu amo isso.
Isto não é fácil, faço tudo errado metade do dia, sou ridicularizada a outra metade...
mas eu adoro isso porque me faz sentir como se eu fizesse parte do mundo dos vivos...
Tudo que você faz é colocar uma corda no meu pescoço e me amarrar ao chão..
É isso que você quer, Susan?
Ele disse mais alguma coisa antes de deixá-la?
Ele disse que isso me deformou, disse que o trai.
Eu também acho isto.
Onde você está morando?
Com minha mãe. Ela disse que posso ficar lá um pouco e então...
...então vou alugar um apartamento.
Vou ficar bem em um minuto. Só um minuto.
- O que diz do meu ensaio de Macbeth, gostou? - Droga de Macbeth.
- Por quê? - Rita...
Vamos, quero que me diga o que você acha dele.
- Por força das circunstâncias... - Não importa.
Nas circunstâncias eu preciso fazer isso. Como ficou?
Disse que não ia ficar bom. Foi realmente inútil?
Eu não sei o que dizer.
Bem, assim, tente e pense em alguma coisa, Frank.
Não ligo se disser que está um lixo. Não quero pena. Estava um lixo?
Não, não, não ficou um lixo.
Foi um totalmente honesto, apaixonado relato de sua reação com a peça.
- Sentimental? - Não, foi muito honesto pra isso.
Foi quase tocante.
Mas diante do que você está me pedindo pra eu te ensinar,
pensando em passar nos exames...
Deus. Está vendo, eu...
Fala! Vá em frente. Diga.
Diante disso, é inútil.
Não deve ser, mas é.
Mas, diante dos seus próprios termos,
é maravilhoso.
É inútil, disse.
Se é inútil, você tem que me dizer porque eu quero escrever ensaios como aqueles.
Quero aprender e passar nos exames como eles fazem.
Sim, mas se você quiser escrever esse tipo de coisas, você terá que mudar.
Tudo bem. Mas diga como fazer...
Sim, mas não sei se quero dizer para você.
Não sei se quero te ensinar.
O que você tem já é muito valioso.
Valioso? O que é valioso?
O que existe de mais valioso está aqui,
vindo aqui uma vez por semana.
Mas não vê? Se quer mesmo escrever assim, passar nos exames,
você terá que se reprimir, talvez abandonar a sua exclusividade...
vou ter que mudar você.
Mas você não percebe que eu quero mudar?
Este é seu jeito de me dizer que não sou boa o bastante?
Claro que você é boa o bastante.
- Se o que está querendo me dizer, saio agora. - Não.
Rita, juro pra você, que você é boa o bastante.
Perceba, é difícil pra você lidar com alguém como eu...
mas você tem que continuar me dizendo e eu vou começar a fazer...
Comigo, você tem que ser firme.
Não vai ferir meus sentimentos.
Se eu fizer algo que é lixo, não quero piedade,
Quero que me diga: "Está um lixo".
Aqui.
Está um lixo.
Então, jogo pro fogo e vamos começar novamente.
- Frank. - O quê?
- Eu não quero ir. - Você deve.
Frank, gostaria que você estivesse lá.
- Você me entende. - Os professores do curso de verão também...
- O que dirão se descobrem que sou grossa? - Nada, porque você não é.
Rita, minha querida, você pode fazer isso agora.
Escreva o tipo de ensaio que você começou e não terá nada a temer.
- Ainda queria que estivesse lá. - Eu também, Rita.
Certo, tenho seu endereço da França, então, vou te escrever todos os dias.
Desejo a você ótimas férias. Não vai beber muito, não é?
E nada de festas a noite inteira.
- Eu teria que ter muita sorte! - Acho que sim.
- Ah, vai fazer isso? - Sim.
Tudo certo, irei pra cama às dez da noite com uma xícara de chocolate e Howards End.
Isso se o Howard quiser.
- Tchau-tchau. - Tchau, Frank.
É uma pena que não trouxe meu diário.
"Deve-se sempre ter alguma coisa sensacional pra ler no trem"!
Oscar Wilde.
"Querido Frank, hoje foi meu primeiro dia de verdade aqui,
e sabe o quê? Eu andei de bicicleta.
Como é a França? Não tenho ouvido falar de você.
No começo, foi como eu achava que seria.
Eu não conhecia ninguém. Eu estava voltando pra casa.
Mas, ouça, Frank, você teria ficado orgulhoso de mim.
Eu estava na biblioteca, sabe, olhando os livros...
fingindo ser muito inteligente.
De alguma forma, este professor se aproximou de mim e disse...
Você gosta de Ferlinghetti?
Frank, estava na ponta da língua pra dizer, "Só quando é servida com parmesão".
Mas, Frank, mas não, eu me segurei. E me ouvi dizendo...
Ah, na verdade, não estou tão familiarizada com poetas americanos.
Bem, se você gostar de Ferlinghetti...
Frank, ele começou e me contar tudo sobre os poetas Americanos.
Ele não era nem um de meus professores oficiais.
Devia ter uma centena de nós na sala de palestras...
mas quando o professor terminou e perguntou se alguém tinha alguma pergunta,
Eu me levantei.
Juro por Deus, me levantei. '
Sim?
Todos estavam olhando pra mim. Eu não sabia o que me dominava.
Eu ia me sentar, mas todas aquelas pessoas já tinham visto eu me levantar.
Então eu fiz. Fiz a ele uma pergunta.
Eu estava... estava pensando se você acha que Tchekhov...
nos mostrou a aristocracia como, como, uma classe decadente.
Esta visão de uma aristocracia Tchekhoviana em decadência,
é, suponho, uma das que você pegou em um livro do Dr. Palmer sobre Tchekhov?
- Não, não. Quer dizer, desculpe, mas não. - Não entendi...
Não, eu não peguei isso deste livro. Eu não li isto.
Ahn, veja, a maneira como vejo Tchekhov...
Frank, não pude me conter depois disso.
Tive perguntas como estas a semana inteira, a maioria sobre Tchekhov...
por quê, como você sabe, Estou familiarizada com Tchekhov agora".
Olá, Tesoureiro. Como vai você? Um novo ano nos chama.
Dr Bryant, já está de volta antes que o ano comece.
Preparativos, tesoureiro, preparativos.
Não posso ficar aqui flanando, há muito trabalho a ser feito.
Frank!
Rita!
Meu Deus, que visão essa que tenho na minha frente...
Você gostou? Agora eu tenho um novo guarda roupa. Gostou dessa?
Está muito bonita. Você conseguiu fazer algum trabalho?
Trabalho? Nunca paramos.
Nos chicoteavam, e diziam.
Outro ensaio - lash! faça isso de novo - smack!
Outra palestra - lash! Isto foi fantástico.
Frank, Eu podia ter ficado pra sempre.
Ah, Frank, Tenho tanta coisa pra te contar.
- Bem, estou livre pelo resto do dia. - Ótimo.
Comprei alguns cigarros na duty free.
Frank, não fumo mais.
Parabéns.
- Trouxe um presente pra você. - Ah? O que é?
Não é muito, mas eu pensei, sabe...
- Ah. - Olhe, veja o que está escrito nele.
Está gravado.
"Deve ser usado somente para poesia.
Por ordem estrita, Rita."
- Achei que ia ser uma dica gentil. - Gentil?
O que vamos fazer neste ano, Frank? Vamos falar sobre algum bom poeta morto...
Um dos grandes.
- Um bom poeta morto... - Hum.
- Eu tenho apenas um pra você. - Quem?
Acham ele super complicado, Rita, o acham super complicado.
Eu acho que você ia adorá-lo...
Eu ia apresentar antes mas eu estava salvando-o pra você.
- Quem? - Leia isso.
"Oh Rose, sua arte me faz doente!
O verme invisível que voa na noite,
na uivante tempestade,
encontrou seu leito de carmesim alegria:
e seu negro secreto amor...
destrói sua vida".
- Você o conhece. - Sim, nós o vimos no curso de verão.
- Você teve Blake no curso de verão? - Sim.
Não era para ter.
Não, eu sei, mais tivemos um palestrante que era um verdadeiro fã de Blake.
Então você, hum, você tem lido Blake?
Sim.
- "Canções da Inocência e da Experiência"? - Ah, claro.
Bem, você não conhece Blake sem antes ver "Inocência e Experiência", não é mesmo?
Obrigado, Frank.
Você não quer que eu entre com você? Nunca se sabe quem pode encontrar.
Se eu acabar como uma escrava branca te envio um cartão postal.
Vá em frente! Te vejo na aula.
Sim?
Eu venho pelo anúncio. Você sabe, para dividir o apartamento.
Será que alguém pode morrer sem escutar Mahler?
Ah! O que estou fazendo?
Venha, entre.
Por ali, escada acima, tem uma espécie de mezanino. Siga-me.
Ora, é isso. É um pequeno lugar, mas é meu.
Espero que fique com ele! Você é o primeiro ser humano que apareceu.
Sim. Sim, eu ficarei com ele.
O quê?
Falava sobre o apartamento!
Ah, o que estou fazendo?
É uma loucura!
O que você...?
- O que faz então? - Eh, eu sou cabeleireira...
Ah, querida. Por escolha própria?
Acho que sim.
O que você faz?
Oh, querida, um pouco disto, um pouco daquilo.
No momento, estou tomando conta de um bistrô para um amigo.
Pessoas Fascinantes. Você iria amar isto!
Como disse que era seu nome mesmo?
- Bem, eu, me... - Ah, Mahler!
Será que você pode morrer sem ele?
Olá, Frank.
Olá, Rita. Você está atrasada.
Eu sei, eu sei. Sinto terrivelmente, Frank.
Mas, Frank, não pode simplesmente morrer sem Mahler?
Francamente, não. Por que você está falando assim?
Apenas resolvi falar corretamente.
Você vê, como Trish diz, não há muito sentido em discutir a bela literatura...
com uma voz feia.
Mas você não tem uma voz feia. Pelo menos, não tinha.
- Por que você não é você mesma? - Estou sendo eu mesma.
- Quem diabos é Trish, mesmo? - Minha nova colega de apartamento.
- Ah. Ela é uma boa colega de apartamento? - Frank, ela é fantástica.
Ela tem muita classe, sabe? Ela tem bom gosto, como você.
Tudo em seu apartamento é muito despretensioso.
Apenas livros e plantas por toda a parte.
Tenho o melhor tempo da minha vida.
Eu tenho, sabe? Me sinto mais jovem.
Rita, 27 anos não é velhice.
Sim, eu sei, mas quero dizer, me sinto jovem.
Posso ser jovem, como eles ali.
Quero que você faça um ensaio sobre Blake.
Sei que você é perita em Blake agora...
Mas eu ainda não tive o benefício de sua sabedoria sobre o assunto.
Você ainda tem estas coisas?
Alguma vez disse que não?
- Pois bem, não, mas... - Mas o quê?
Por que precisa disso se tem tanto a disposição?
É por isso, justamente porque tenho tanto a disposição.
A vida é um mundo tão rico e nervoso.
E eu preciso beber para me ajudar passar delicadamente por dela.
Isso vai te matar, Frank.
Rita, pensei que não estivesse interessada em me mudar.
- Eu não estou! É só... - Só quê?
Bom, eu achei que você estivesse começando a mudar.
Sob a sua influência?
Mas, Rita, se eu fizer a promessa... se me arrependo e mudo...
o que vou fazer quando a sua influência não estiver mais aqui?
Não, seu curso é tão inevitável como...
- Macbeth. - Como tragédia, sim.
Mas não será uma tragédia porque ficarei satisfeito quando você ir.
Oh, muito obrigado.
Você vai realmente?
Ter prazer em vê-la ir? Claro.
Eu não gostaria que ficasse numa sala como esta para sempre.
Você pode ser bem miserável às vezes.
Eu estava muito feliz quando cheguei.
Agora eu sinto como se tivesse passado uma má noite no velório.
- Ele comeu? - Não!
Querida, poderia atender a mesa 14?
- Sim, OK. - Que homem horrível...
me mantém aqui só pra me humilhar.
Onde estão os verdadeiros homens nos dias de hoje?
Por que não temos alguém como Shelley E Byron e Coleridge aqui?
- Eu acho que já não devem cheirar tão bem. - Ah, você é um amor.
Você viu a produção de Joana D'Arc...
Você já fez seu pedido?
Vou começar com o patê de sardela.
Ah, sim, isso é muito bom, bom.
Realmente, era lindo.
- Ele foi escrito mais tarde do que isso. - Foi 1926.
Sei que Shaw escreveu Jona D'Arc em 1926.
Ele não, Tiger. Shaw escreveu ele em 1936.
Na verdade, Shaw escreveu Saint Joan em 1923...
Mas sua primeira produção foi em 1924 No New Theater, em Londres.
Alguém quer mais vinho?
- Oi, Susan. - Olá.
Oi, Susan! Susan!
- O quê? - Estamos em dúvida sobre um assunto.
- Sobre o quê? - As primeiras obras de Lawrence.
Reconheço que tinham um monte de lixo.
- Olá, Susan. - Tudo bem?
Ola, Frank.
Lamento estar atrasada. Eu fui falar com alguns estudantes, nem me dei conta do tempo.
Bem, Bem, Bem. Você falando com os estudantes, Rita.
Bem, não fique tão surpreso! Posso falar, você sabe.
Você costumava estar tão cansada deles.
Deus sabe porquê. Eles não falam só besteira.
Você está me dizendo!
Você sabe o que um deles disse?
Ele disse que, como romance, ele preferiu "Lady Chatterley" a "Filhos e Amantes".
Certo, por isso pensei, "Certo, posso ou ignorar isso...
ou por ele no seu lugar".
Então eu o coloquei em seu lugar.
- Então você acabou com ele, não foi Rita? - Ah, Frank, ele estava pedindo isso.
Ele era um idiota. Acabei com seus argumentos.
Não foi só comigo, ah não. Todos concordaram comigo.
Tiger estava com eles. Você sabe Tiger?
Sim.
Ele é muito louco, você sabe.
Ele me conheceu por apenas cinco minutos e Já me convidou para ir pro estrangeiro.
Eles estão todos indo para o sul da França, feito farofeiros.
Você não pode ir, você tem exames.
Meus exames são antes do verão.
Bem, você não, bem, vai esperar pelos resultados?
Seu verdadeiro nome é Tyson, eles o chamam de Tigre.
Existe algum motivo para seguir com isso?
Tem todos os motivos em trabalhar em benefício do exame...
Ou você só quer cair de amor e ir para o sul de França?
Cair de amor? Com quem?
Meu Deus, Frank, estava apenas falando Com alguns alunos ali em baixo do gramado.
Jesus, você fala como casamenteiro, mas isso é ridículo.
Pois bem, pare de babar sobre esse Sr. Tyson.
Não estou com babação.
Bem? O que achou. Este ensaio te agrada?
É...
Esse não parece fora do tema.
Mesmo?
Muito honesto.
O que estamos esperando?
O que estamos esperando?
O que estamos esperando?
Oh, por quê, oh, por quê?
Poesia.
Literatura.
O que isso beneficia o homem...
Se ele descobre o todo da literatura...
e perde sua alma?
Mas, falando sério, amigos...
Há uma coisa que eu sempre quis perguntar a vocês, é...
Têm visto Peer Gynt no rádio?
Er...
Assonance.
Vocês sabem... vocês sabem o que é "Assonance" e o que significa?
Hein? Significa fazer a rima errada!
É terrível, não é?
Terrível.
Colocar o nome da literatura em vão,
é como mijar no túmulo de Wordsworth.
A diferença entre o trágico e tragédia...
É inevitabilidade.
Vamos, vamos levá-lo para seu quarto.
Sabia que Macbeth foi uma maçã bichada?
Muitas pessoas não sabem.
Dr. Bryant, o vice-chanceler considera, e estamos todos de acordo,
Que esse tipo de coisa não deve nunca voltar a acontecer...
Ou as consequências poderão ser graves.
Obrigado.
Danem-se eles, não, Rita?
Danem-se!
- Vão te demitir? - Bom Deus, não.
Isso implicaria em tomar uma decisão.
Ficar bêbado tudo bem. Para obter uma demissão, teria de ser estupro em grande escala.
E não com alunos. Isso não passaria de um ligeiro delito.
Não. Pra demissão, teria de ser nada menos do que estuprar o tesoureiro.
Frank, mesmo que você não pense sobre si mesmo,
- E sobre o seus alunos? - O que tem eles?
Não é justo pra eles ter um professor que de tão bêbado cai fora da plataforma.
Eu posso ter caído, minha cara, mas eu caí falando.
- Olha, eu vou vê-la na próxima semana. - Temos uma aula.
Você não está em condição para uma aula, Frank.
Iremos falar de meu ensaio sobre Blake na próxima semana.
Olá, Rita.
Ah. Oi, Frank.
Lamento que não fui à sua aula, estamos muito ocupados aqui.
Como você não chegou, te telefonei na loja.
- Que loja? - O cabeleireiro,
onde eu pensava que você trabalhasse.
- Eu não trabalho mais lá faz um tempo. - Sim, é o que parece.
- Você não me disse. - Oh, não?
Pensei que tinha.
O que há de errado?
Pois bem, é que houve um tempo em que você costumava me contar tudo.
Pensei que tivesse dito pra você.
Acha que eu poderia beber algo, por favor? Já que estou aqui.
Não de graça, eu pagarei.
Quem se importa que eu tenha saído do salão para trabalhar em um bistrô?
- Eu me preocupo. - Por quê?
Por que se preocupa?
- É só um detalhe chato e insignificante. - É?
Sim. É por isso eu não poderia ficar no cabeleireiro.
Não quero falar de coisas irrelevantes nunca mais.
O que vocês conversam aqui, no seu bistrô?
Fala-se do que é importante, Frank,
Eu deixo os detalhes enfadonhos para aqueles que querem ouvir.
Sr. Tyson é um dos seus clientes?
Olha, para sua informação, eu acho Tiger fascinante...
Não é fácil encontrar pessoas assim tão fascinantes.
Eles são jovens e apaixonados por coisas que interessam.
Eles não são caretas.
Eles são jovens demais para isso.
E eu gosto de estar com eles.
Bem, talvez você não queira desperdiçar seu tempo...
Continuando a ir pras minhas aulas.
Frank, tenho estado ocupada demais aqui.
Eu nunca parei de ir completamente.
Tudo bem. Venha esta noite.
Eu não posso. Tenho um encontro com Trish, E temos ingressos para "A Gaivota".
Ah, sim, bem, quando TTchekhov chama...
Oh, querido.
Não pode mais gastar seu tempo comigo agora, não é?
Frank, sabe que não é verdade.
É só que hoje eu tenho que ir ao teatro.
Como dizia, se quiser parar...
Oh, pelo amor de Cristo, eu não quero parar! E quanto a meu exame?
Não se preocupe com isso, Você passará por ele.
Não deve ir lá só por sentimentalismo...
Eu prefiro que você me poupe.
Você poderia deixar de por essa droga garganta abaixo...
Esperando que isso faça com que você se sinta como um poeta,
Você pode ser capaz de falar de coisas que importam,
em vez do onde eu trabalho ou não trabalho.
E então talvez isso possa mudar tudo...
Você é capaz de reconhecer o que importa ou não importa?
Entendo sobre crítica literária e sei que é isso que temos que fazer.
Oh, crítica literária, não?
Crítica literária.
Me dê um ensaio sobre isso na próxima semana.
Uma avaliação do menos conhecido poeta Inglês.
Eu.
Sim, sim, Morgan!
Mas é com os editores que estou preocupado.
Frank...
Brian estava apenas de passagem, ele resolveu fazer um telefonema.
Sim, sim, penso que você sabe por que, Morgan.
Não podemos continuar assim, as coisas estão ficando ridículas.
O avanço que ofereceu foi, como de costume, insuficiente.
Brian.
- Eu sou um autor de renome acadêmico... - Brian, eu não paguei a conta.
Espere, Morgan, Frank está tentando me dizer alguma coisa.
Fomos desconectados esta manhã.
Morgan, vai se ferrar.
- Frank... - Sim, ó senhora fiel?
Pelo amor de Deus! Como alguém poderia ser fiel a você, Frank?
Julia pelo menos tentou e o que ela recebeu em troca?
O que tinha pra oferecer a ela em contrapartida, Frank?
Só a minha alma, Brian, devo confessar que é muito pouco.
Frank, eu estou deixando você. Brian e eu estamos...
Brian está deixando Elaine, e estamos indo.
Parabéns, Brian.
Boa sorte na próxima vez, não, Julia?
Olá, Frank!
Que diabos que você está fazendo aqui?
Onde você esteve, Frank? Fui até sua sala algumas vezes.
Falei com Julia, ela disse que eu o encontraria aqui.
Julia é muito legal, não é?
Está sóbrio?
Se você quer dizer se ainda tenho compreensão racional, então sim.
Bom, porque quero que você escute isso.
Isso é brilhante. Você tem tudo Para começar a escrever novamente, Frank.
É brilhante.
Isto é... É espirituoso, é profundo.
Cheio de estilo.
Oh! Diga-me uma e outra vez.
Não, Frank, não sou só eu que pensa assim.
Eu e a Trish, ela também concorda.
Por que você parou de escrever quando pode produzir trabalhos como esse?
Agora, o que mais a Trish disse? Sim...
Que são mais ressonantes do que mera poesia contemporânea.
Tem, tipo, tem nela uma linha direta até as tradições do século 19...
de sagacidade e alusão clássica.
Ah. Isso é maravilhoso, Rita.
Ainda bem que não mostrei isso para você antes.
Imagine se você tivesse visto isto quando veio na primeira vez.
Oh, bem, eu nunca o teria compreendido.
Você o teria atirado pela sala...
e o desprezado como total lixo.
Eu sei, mas eu nunca poderia ter entendido então.
Eu não teria reconhecido ou entendido as alusões.
Fiz um belo trabalho em você, não fiz?
É verdade, Frank. Quer dizer, posso notar agora.
Você sabe, Rita, como você, vou mudar meu nome.
De agora em diante, vou insistir em ser chamado de Mary.
Mary Shelley.
Compreendeu a alusão, Rita?
Qual?
Mary Shelley escreveu um pequeno conto gótico chamado Frankenstein.
Então?
Este inteligente, e pirotécnico monte de alusão auto-consciente...
não vale nada, lixo sem talento.
Existe mais poesia na... lista telefônica...
E provavelmente mais perspicácia...
No entanto...
Isto tem uma vantagem sobre a lista telefônica.
É mais fácil de rasgar.
É pretensioso, sem personalidade e sem estilo.
É nada...
Ah, eu não espero que você acredite.
Você reconhece o carimbo da literatura agora, não é?
Por que não vai embora?
Não acredito que eu suporte mais tanto tempo.
Ah. Não pode suportar o que, Frank?
Você, minha cara.
Você.
É.
Sim. Bem...
Vou dizer o que você não pode suportar, senhor artista autopiedade.
O que você não pode suportar é que agora estou educada.
Eu tenho o que você tem e você não gosta disso.
Quero dizer, bom Deus, não preciso de você.
Eu tenho uma sala cheia de livros!
Sei qual vinho comprar, que roupas vestir, que peças assistir,
quais livros ler, e posso fazê-lo sem você.
Então era só isso que você queria? Andou tanto pra tão pouco?
Ah, sim, é pouco para você, não é, Frank?
Pouco para quem desperdiça todas as oportunidades...
as despreza e acha que é assim mesmo.
Encontrou uma cultura, não é, Rita?
Encontrou uma canção melhor para cantar?
Não.
Você encontrou uma outra canção para cantar.
E, em seus lábios, é cortante, oca e sem tom.
Oh, Rita, Rita, Rita.
Ohhhh, Rita!
Ninguém me chama de Rita, senão você...
larguei essa ideia pretensiosa, tão logo eu vi para o que servia.
Ninguém me chama Rita.
O que vai ser agora, então, eh? Emily ou Charlotte ou Jane ou Virginia?
Trish!
Trish!
Vamos, estamos indo não se atrase!
Trish?
Trish!
Deus.
Ambulâncias, rápido.
- Olá, Dr. Bryant. - Olá, Sr. Tyson.
Olá, Doutor.
Oh! Uma mesa para um, por favor.
Desculpe, estamos cheios.
- Ah. Vou tomar uma bebida no bar. - Você já bebeu o suficiente.
- Eu não. - Você sim.
- Eu quero falar com a Rita. - Nunca ouvi falar dela.
- Ela trabalha aqui. - Você deve ter vindo no lugar errado.
- Eu estou dizendo a você, Rita trabalha aqui. - Vamos, saia.
- Não. - Sim.
- Olá, Dr. Bryant. O que está acontecendo? - Ele está bêbado.
- Sr. Tyson, onde está Rita? - Eu já te disse...
Está tudo certo.
- Você viu Rita? Ela trabalha aqui. - Você quer dizer Susan?
Ah, sim, suponho eu.
Ela não veio esta noite.
Eu esqueci de lembrar a ela que o seu exame é amanhã.
Ela pode estar no Flamingo.
Ah. Bem, obrigado, senhor Tyson.
- Não acha que está um pouco... - Se você vê-la, diga que será às 9h?
- Certo. - Obrigado.
Obrigado.
Por quê?
Querida, por que não?
Oh, Trish, não. Vamos, está tudo certo, não chore. Você ainda está aqui.
É por isso que estou chorando...
Não funcionou.
Não funcionou mesmo.
Trish.
Olha, não acredito que realmente queira se matar.
- Você estava só... - Só o que, querida?
Pobre Susan.
Você pensa que eu tenho tudo, não é?
Trish, você tem.
Ah, sim.
Quando ouço poesia e música...
Então eu posso viver.
Você vê, querida, no resto do tempo,
estou só.
Isso não basta.
Oi!
Ei!
Você conhece uma menina chamada Rita?
Esqueça Rita, eu não quero te ver bebendo.
Dr. Bryant, o que está fazendo aqui?
- Lesley, você viu Rita? - Quem?
- Você viu Rita? - Relaxe e dance!
- Não, não sei! - Vamos!
Não sei dançar! Eu não sei! Não!
Tesoureiro!
Acorde, Tesoureiro!
Vamos lá, homem!
Ah!
Tesoureiro! Junte-se a mim para uma bebida.
Dr. Bryant!
- Vá para a cama. - Certo.
Vou.
Boa noite, Tesoureiro.
Susan! Onde você está indo?
- Dar um passeio. - Você quer uma carona? Venha.
- Não, está tudo bem, eu prefiro andar. - Você perdeu uma grande festa.
Então está bem, até mais.
- Eu vi seu professor. - O quê?
Seu exame será esta manhã.
Ah.
Não esqueça da nossa viagem para a França.
Susan!
Oh, ola, Denny.
- Ah, esta é Barbara. - Olá.
- Susan. - Como vão as coisas?
- Bem. - Quando é que nasce?
- Só faltam mais três meses agora. - Vai ser um menino.
- Ouvi dizer que você está indo bem na Universidade. - Bem, você sabe.
Eu quase não te reconheci, Você está diferente.
Não é? Parece uma verdadeira estudante.
Depois disso, drogas e passeatas!
Certo, bem, já vamos indo. Vamos Ao hospital para um checkup.
- Eu sempre vou com ela. - Bom te ver, Denny.
Cuide-se. E cuide deles dois.
Oh, ele cuida, você sabe, ele é muito bom.
- Até mais. - Até.
Às 9h precisamente,
Vou encarregá-los de virar as folhas do exame...
E o exame terá começado.
Vocês vão ter três horas.
Vocês não podem falar com ninguém.
Já são 9h. Por favor, comecem.
Por acaso demitiram você?
- Não propriamente. - Ah.
Ora, por que você está embalando seus livros?
Fiz uma noite daquelas na noite passada, então eles resolveram me dar umas férias.
Dois anos na Austrália.
Você estuprou o tesoureiro?
- Metaforicamente. - O que você vai fazer?
O que você acha? A Austrália é um paraíso para gente como eu.
Por Cristo, por que é que você voltou aqui?
Eu vim para te dizer que você é um bom professor.
Oh!
Obrigado por me inscrever no exame.
Não tem nada. Sabia o que ele significava para você.
Você não queria que eu o fizesse, não é?
Quase não fiz. Fiquei sentada lá por um tempo.
Então fiquei lá pensando enquanto todos estavam escrevendo,
Pensando sobre o que você me disse, tudo o que você fez por mim.
- O que eu fiz por você... - Cala a boca.
Estou tentando falar. Frank, sabe o que tem errado em você? Você fala demais!
Você pensa que não fez nada por mim,
Você acha que só acabei com um monte de citações e frases ocas.
Bem, está bem, eu acabei assim mas não foi por sua culpa.
Eu tinha muita fome de tudo.
Eu não questionava nada.
Eu queria muito tudo isso, então não aceitaria ser questionada.
Eu disse que eu era tola.
- Você não é tola. - Se eu disse que sou tola, então sou tola, OK!
Portanto não argumente.
Quer dizer...
É como Trish. Você sabe?
Eu achei que ela fosse tão segura...
Cheguei em casa na noite passada ela tinha tentado se matar.
Mágico, não é?
Ela gastou matade de sua vida comendo coisas saudáveis pra viver mais tempo...
e outra metade tentando tirar sua própria vida.
Então eu estava pensando nisso tudo quando eu devia estar fazendo o exame.
E você sabe qual foi a primeira pergunta?
"Sugerir formas em que se poderia tratar...
algumas das dificuldades de montagem em uma produção de Peer Gynt, de Ibsen".
- E você escreveu, "Faça isso no rádio"? - Não, eu poderia ter feito.
Você teria ficado muito orgulhoso de mim se eu fizesse isso, não ficaria?
Mas não escolhi não fazê-lo.
Fiz uma escolha. Eu fiz o exame.
Porque dentre tudo o que você me concedeu, eu pude escolher.
Enfim...
Foi isso que me fez voltar e dizer pra você. Você é um ótimo professor.
Eu ouvi coisas boas sobre a Austrália.
Tudo lá fora está apenas começando.
É que...
Por que você não vem também?
Seria bom deixar um país que está acabando por outro que está apenas começando.
Deus, Frank, se você pudesse vender todas essas garrafas...
Você poderia comprar a Austrália.
- Está sendo evasiva. - Eu sei.
Tiger me chamou pra ir pra França com sua turma.
- Você irá? - Eu não sei.
Ele é meio um tolo exibicionista, na verdade.
Mas nunca estive no estrangeiro.
Me ofereceram um emprego em Londres, também.
Poderia ir pra França, posso ficar em Londres.
Ou mesmo ficar aqui e concluir meus estudos.
Eu podia ficar aqui mesmo e até ter um Bebê. Mas não sei.
Vou tomar uma decisão.
Vou escolher. Não sei.
Bem, o que quer que faça,
você pode também ficar com isso.
- O que é? - É um vestido, realmente.
Eu comprei pra uma mulher educada amiga minha.
Ele pode não servir, eu não estava muito sóbrio quando o comprei.
Uma mulher educada? Que tipo de educação você queria dar a ela?
Quando estava escolhendo, me concentrei apenas na palavra "mulher",
- em detrimento da palavra "educada". - Obrigada.
Tudo que eu tenho hoje devo a você. E eu nunca te dei nada.
Existe algo que eu possa realmente te dar.
Ah?
Sente-se.
Eu disse pra sentar.
Eu vou tirar dez anos de você.
"Esta é a última chamada a PA-167.
Este voo se conecta em Heathrow...
com Qantas voo 351...
para Sydney, Austrália. '
Frank, vamos! Onde você esteve? Vai decolar em um minuto.
Seu resultado chegou esta manhã, Fui lá pra ver...
- O portão está prestes a fechar - Já, já.
Frank, não temos mais tempo.
O que isto diz?
Certo, eu passei. Agora, você vai pegar esse maldito avião?
Deixa-me ver.
Você passou com distinção.
Estou orgulhoso de você, Rita.
Estou orgulhosa de nós dois.
- Senhor, irá perder o seu voo. - Sim, certo.
- Frank. - O quê?
Obrigada.
Tradução e sincronia Luiz Faria de Carvalho
Revisão: deadmeadow Junho de 2018
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