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NETFLIX APRESENTA
Calculamos que, em cada dez mil crianças, oito tenham anticorpos suficientes
produzir uma vacina.
O comunicado diz que temos de evacuar as crianças.
- Fá-lo tu. - Eu?
É uma ótima ideia.
Um pai de família a falar às famílias. É perfeito.
Não te mexas!
Larga ou corto-te o pescoço!
Vai buscar a Manuela. Promete-me que farás tudo para a curar.
Larguem-me! Onde está a Manuela, mãe?
O que lhe fizeram?
- Sara. - Já quase não tem febre!
Não feches, vem aí a Julia.
Alma, tenho o teu irmão amarrado.
Se não me devolves a Marta, mato-o.
Se lhe fizeres algo,
nunca mais verás a Marta.
Daqui a uma hora, membros das forças de segurança
irão buscar os vossos filhos. Escondam-nos.
Não os entreguem.
Não querem proteger os vossos filhos do vírus.
Querem usá-los como cobaias para se salvarem a eles mesmos.
Vão buscá-lo.
Vão buscá-lo!
Polícia!
Acabou-se.
Julia.
Julia? Então és a outra irmã.
Vai à merda, Begoña.
Pela liberdade!
Conquistaste-os, pai.
Não se fiem nisso. O pior ainda está para vir.
Marta!
Diz-me o que tens aí dentro
ou eu mesmo o arranco.
Se enfrentarmos adversidades pelo caminho
Duas riscas do nosso sangue
DECLARAÇÃO ESPECIAL DO PRESIDENTE DA NAÇÃO
Cidadãos da Nova Espanha,
estou aqui hoje para vos dizer que compreendo muito bem como se sentem.
A noite passada será lembrada como uma infâmia.
No entanto, a reação do nosso povo foi exemplar.
Os cidadãos deste país,
responsáveis e honrados como sempre,
mantêm-se calmos
e nas ruas reina a calma absoluta.
No entanto, não vou negar que estou profundamente perturbado.
Este país,
o seu governo,
o seu Presidente
e toda a população
foram cruelmente traídos por uma pessoa
que usou a sua posição privilegiada para servir interesses obscuros
e teceu uma teia de enganos e ameaças
para tentar enganar o povo.
Esse criminoso,
esse traidor,
é um homem procurado,
e em breve estará detido.
O mesmo acontecerá a todos os que o ajudaram no seu plano execrável.
Entre eles está o seu principal cúmplice,
a sua própria mulher.
Estas pessoas que conspiraram contra a segurança nacional
enfrentarão um castigo adequado aos seus atos terríveis.
Este governo atuará com mais determinação mais do que nunca,
para manter a paz que tanto tempo e esforço nos custou a alcançar.
Por isso, declaro o estado de emergência
que permanecerá em vigor enquanto for necessário.
Julia?
Que os inimigos da pátria saibam que não vencerão.
- Álex! - Julia!
Porque este
é um governo sólido,
um governo que tem o apoio dos homens e mulheres comuns da Nova Espanha.
Esta união
entre o governo e o povo é a nossa força.
- Liberdade... - E isso torna-nos invencíveis.
Liberdade.
Liberdade!
Liberdade!
ÚLTIMOS DIAS DO PRESENTE
Lembrem-se:
o futuro pertence-nos.
SEM MEDO
CONSTRÓI O FUTURO
LEMBRA-TE DA CHUVA
RI-TE DELES
CONTRA O MURO, MEMÓRIA
OS DIREITOS CONQUISTAM-SE
Estes homens vão revistar a casa inteira, e todos devem colaborar.
Ninguém pode entrar ou sair de casa e não pode ir a lado algum sozinha...
Nem à casa de banho, Comandante?
Tem medo que me mate? Não lhe daria essa satisfação.
Deixe-me terminar... por favor.
Quando acabarmos de revistar a casa, virá connosco à DGS.
Comecem pelo gabinete do ministro. Revistem cada canto.
Façam uma cópia do disco do computador dele.
Não deixem de revistar nada, entendido?
- Vem comigo. - Vocês dois,
vão ao primeiro piso e vejam se não escapou ninguém.
Vá com eles.
Minha senhora?
Siga-me.
O Presidente está furioso contigo.
- Acha que ajudaste o teu marido. - Ele também me traiu. Diz-lhe, Enrique!
Calma.
Quero que compreendas a tua situação.
Estou tramada. Percebo muito bem.
Alma.
Vais ter de ser paciente.
- Paciente? - Sim.
O Presidente chamou-me traidora à frente de todo o país.
Quanto tempo até me mandar executar?
Isso não acontecerá.
Confia em mim.
- Virei buscar-te. - Vais-te embora?
As pessoas revoltaram-se por culpa do teu marido.
Tenho uma revolta para esmagar.
Para sua segurança,
recordamos que é proibido andar na rua,
a menos que tenha uma autorização especial.
Vamos.
Muito bem.
Como estás?
- Bem... - Manuela!
Iván.
Iván.
Como estás?
- Como estás? - Estou bem.
Estamos bem.
Lamento imenso. Devia ter ido buscar-te.
O que se passa?
Calma.
Não!
- O que fazes? Não lhe toques! - Não!
- Para! É uma criança! - Não!
- É uma criança! - Para ou mato-te.
- Por favor. - Para!
A revolução está em marcha.
Não sei se será suficiente.
Fizeste o povo sair à rua.
Não há como travar isso, Luis.
Para quê o casaco?
Não vais sair...
Sim, tenho algo que fazer.
A Polícia e o Exército andam atrás de ti.
Sim, eu sei.
Mas a vossa mãe foi presa.
Pai,
a mãe escolheu um lado.
Sim, eu sei.
Passei os últimos 25 anos da minha vida com a vossa mãe.
E com ela tive o melhor que a vida me deu: vocês dois.
Não a posso deixar agora.
Faz o que tens de fazer e volta.
- Tem cuidado. - Não te preocupes.
- Eu vou contigo. - Não.
É melhor e mais seguro ir sozinho.
- Precisamos de ti aqui. - Eu volto.
Um, dois, três, quatro, cinco,
seis, sete, oito, nove, dez.
Trouxe-vos água.
Mateo.
Presta atenção.
Vou dar-te uma ordem e tens de a cumprir.
É muito importante.
Vou ajudar-vos a sair daqui, mas têm de esperar mais um pouco.
Mateo.
És corajoso, não és?
Tens de cuidar dos teus amigos.
Sabes quem sou, certo?
Não sabes quem sou?
Dá-me um abraço.
Tem muito cuidado, sim?
Bate aqui.
Vamos, crianças! Está na hora de se levantarem, porque...
Aqui estão os garrafões de água.
O que te disse ele?
- Nada. - O que te disse aquele homem?
Nada.
- Alejo. - Irmã, como está?
Eu vi tudo. Onde estás?
Estou em casa. Não posso falar. Há polícia por todo o lado. Onde estás? Estás bem?
Sim, estou. Estou na DGS.
- As crianças chegaram. Podemos começar. - Não importa.
Os miúdos, a vacina, foi tudo por água abaixo.
O Presidente chamou-me traidora.
- Ele não fala comigo. - Ouve.
- Vou ser presa. - Ouve.
Encontrei algo que nos pode ajudar.
Daí ter ligado.
- O quê? - Acho que temos uma cura para o vírus.
A Marta e a tia dela.
Qual tia?
Sim, a tia dela. Depois explico.
O que importa é que têm um chip subcutâneo.
- Engenharia genética. - Como assim, um chip?
Aposto que são repetições palindrómicas do vírus.
Funcionam como mecanismo de contenção.
Por isso são imunes.
Era isso.
Que maravilha!
Alejo, trá-la cá.
- Traz-me já cá essa mulher. - Sim.
É a minha única esperança com o Presidente. É o destino, maninho.
- Minha senhora. - Tenho de desligar. Trá-la já.
Alma?
- Minha senhora. - Vou já, Tenente.
- Tem de sair imediatamente. - Sim, claro.
Olá, desculpe.
Preciso de informações sobre Sara Pérez Noval.
Vá para a fila, mas não damos informações sobre os detidos.
Por favor, é importante. Trouxeram-na agora mesmo.
Não damos essas informações. Vá para a fila.
- Abra uma exceção. Verifique nos papéis. - Agentes...
Está tudo bem.
Próximo.
Corre!
A rapariga! Não a deixem fugir!
- Navarro. - Comandante.
Vem ao meu gabinete.
Comandante, posso falar consigo, por favor? É importante.
Diga, enfermeira.
É sobre um dos seus homens.
Passa-se algo estranho.
O que é?
Vi-o duas vezes no local onde estão as crianças, sem autorização.
Diria que ele tem um laço pessoal
com uma delas... - Venha comigo.
Livre!
Livre!
Piso superior, livre!
Vejam só quem temos aqui.
- Deixa-te de merdas e vamos. Vamos! - Não me toques.
Filho da puta!
O que me chamaste?
O que me chamaste?
És um filho da puta.
- Carlos? - Meu amor.
- Estás bem? - Estou bem.
- De certeza? - Sim.
Vamos.
Posso ir falar com a minha empregada?
Depende.
Para quê?
Deve querer saber o que fazer para o almoço.
Já agora, fica para almoçar?
Por favor.
Deixa-as falar.
Rosa.
O que foi, Rosa?
Entre, senhora.
Rosa.
Alma.
- Filho da puta! - Calma.
Como foste capaz?
- Como pudeste trair-me? - Não me deixaste alternativa.
- O que tu e o Presidente queriam... - Tu sabias! Era a única solução possível.
O genocídio nunca pode ser solução.
O que queres?
Porque estás aqui?
Vais discursar para mim também?
Vim tirar-te daqui, para te levar comigo.
Contigo?
Com um traidor.
Tens de te entregar.
Quero os meus filhos de volta.
- Queres que sejam fuzilados? - Nunca os poria em perigo.
Disseste isso tantas vezes.
Diz-me...
Como está o Iván?
Tem de beber muita água.
O Iván está bem.
E a Daniela também.
Estou furiosa com a Daniela. Manipulaste-a, Luis.
Estão preocupados comigo?
Claro.
Anda.
Vem, por eles. Eles precisam de ti.
É precisamente por isso que alguém tem de os apoiar depois de morreres.
Quem és tu?
Não te reconheço. Não sei quem és.
O que te aconteceu?
O que nos aconteceu?
Atrevi-me a olhar para a realidade.
O que fizemos foi errado.
Tudo o que construímos, este governo, o regime,
nada disso funciona.
A maioria das pessoas vive na pobreza, sem direitos.
Culpa-te pelo que quiseres.
Estava a tentar salvar vidas.
E vou conseguir.
É tarde, Luis. Vai-te embora.
Alma.
Não saio daqui sem ti.
Vem connosco.
Guardas...
Tenente!
Tenente!
O que se passa?
Façamos isto bem.
Há uns documentos no meu escritório que me esqueci de lhe entregar.
Vamos lá.
Revistem o edifício
e encontrem o porco que fez isto!
Sim, Comandante.
Vamos!
Senhor.
Senhor.
O rapaz?
Tio, estás aqui!
Fala baixo.
Claro que estou aqui. Vim buscar-te. Pensaste que te ia deixar?
Sim, no início, mas já não.
Vamos.
Rosa.
Venha connosco.
Obrigada, senhor.
Mas não vou embora.
Não a posso deixar sozinha.
Vamos.
Hugo!
- Como estás? - Bem.
- O que te fizeram? - Estou bem.
- Hugo, é a Marta. - O quê?
Eles têm-na aqui.
Onde está ela?
Não te preocupes.
Nós temos ajuda.
Alto! Não se mexa!
Não disparem. Estou com uma criança.
Entrem! Vamos! Depressa.
Estávamos à sua procura, Ministro.
Não se preocupe. Aqui está seguro.
Vamos.
Quero falar com a detida a sós.
Onde estavas, Enrique?
- Falaste com o Presidente? - Alma, ouve.
- Sim? - Aconteceu algo.
O quê?
O teu irmão.
Estou à espera dele. O que há? Onde está ele?
Alvejaram-no.
Não conseguimos salvá-lo.
Está morto.
- Lamento. - Não.
Não é verdade.
- Não pode ser. - Sim.
Onde está ele?
Na DGS.
Quem está com ele?
Está sozinho?
Deixaram-no só?
Desculpa.
Deixaste-o lá?
O meu irmãozinho...
Tão sozinho...
Tenho de atender o telefone.
Alma, tenho de atender.
Sim?
Comandante Jiménez...
Sabe quem fala?
Claro, Presidente.
- Deixa-me falar com ele! - Consegue ouvir-me? Onde está?
Comandante.
Estou em casa do ministro.
Tenho de falar consigo já.
- Claro. Estou a caminho. - Preciso que trate
de assuntos confidenciais.
Por isso liguei pessoalmente.
Percebe?
Claro, serei discreto.
- Vou já para aí. - Ótimo.
Tenho de ir.
- Prometo que venho buscar-te. - Ele estava a tossir.
Ouviste-o a tossir, certo?
Sim.
Vê as mãos e o pescoço dele, qualquer parte que consigas ver.
Está bem?
- O que é isto? - São os meus homens.
- Os seus homens? - Estão às suas ordens.
Não lhes perdoarão esta traição.
Eles estão fartos de obedecer a um governo que quer tirar-lhes filhos.
Eu fiz parte desse governo, Navarro.
E eu também.
Mas o senhor disse-nos a verdade.
E acreditámos em si.
Obrigado, Ministro.
- Encontrámos os miúdos, Luis. - Onde?
Na DGS. Temos de os ir buscar.
- Na DGS. - Sim.
Finalmente, passados tantos anos,
estarei do lado certo outra vez.
- Estamos contigo, pai. - Vamos.
- Camaradas, vamos encher as carrinhas. - Fernando!
Vocês lá atrás, vão naquela.
- Venham comigo. - Camaradas.
Os restantes, por aqui.
O que fazes aqui?
Perdi-me.
- Como saíste? Guardas! Agarrem-na. - Não te mexas! Cala-te!
O que se passa?
Onde está a minha filha?
Onde está a minha filha?
Terceira porta.
Não te mexas!
Guardas!
- Cala-te! - Guardas!
Cala-te!
- Pai! - Marta, querida!
Querida, como estás? Estás bem?
- Estás bem, querida? - Sabia que voltarias.
Hugo!
- Sim. - Vamos!
Não se preocupem. O meu pai ajuda-nos.
Comandante, entre. Ele está à sua espera.
Presidente.
Vou direto ao assunto, Comandante.
Tenho de sair do país por razões políticas.
Isto tem de acabar antes de eu voltar.
Vamos!
Tem o meu apoio para tomar as medidas necessárias
para preservar a lei e a ordem.
Percebe?
Todas as medidas, Presidente?
Apenas para fazer cumprir a lei.
Mas sim, todas.
Entendido.
Executem qualquer um que tente atravessar,
civil ou militar.
Sim, senhor.
Mais uma coisa.
Isto é confidencial, por isso quis falar-lhe a sós.
Agradeço a sua confiança em mim.
Disseram-me que tem na DGS, o grupo de espécimes experimentais
que foram transferidos recentemente. As crianças do CIM.
Sim, senhor.
A existência deles está diretamente ligada à raiz dos nossos problemas, Comandante.
Parece que alguns cidadãos,
se assustaram ao pensar que os filhos, que pensavam estar mortos,
ainda estão vivos.
É verdade, senhor.
Mas o Estado e o Presidente não mentem.
Então, isso é impossível.
Entendo, Presidente.
Sim, senhor. Vamos limpar a área. Sem sobreviventes.
Sim, senhor. Terminado.
Vamos!
Esta ordem,
para eliminar todos os espécimes do CIM... Leve-a à Alma para assinar.
São responsabilidade dela.
Já que falou nela, a diretora insiste em vê-lo.
Impossível.
Comandante,
era precisamente sobre isso
que queria falar consigo.
"Trate" dela, depois de ela assinar a ordem.
Desculpe, senhor.
- Sim? - O seu braço esquerdo?
Aí.
Unidade Alfa a verificar o setor 264.
Repito: unidade Alfa a verificar o setor 264.
Venham, vamos!
Saiam, depressa.
Não façam barulho.
Está quase.
Alvo localizado no Setor 118. Repito...
Já saíram todos.
- Vamos. - Merda!
ERRO DE SISTEMA
Haverá um dia em que todos nós
Olharemos para cima
E veremos uma terra
Que merda é esta? Desliguem isso!
Fuzilem quem pôs isso a tocar!
Liberdade!
Irmão, toma a minha mão
A minha cara será tua
E o teu gesto de sempre
Cairá sem levantar
Furacões
Liberdade!
Liberdade!
Liberdade!
Liberdade!
Estou a avisar! Não se aproximem! Temos ordem para disparar!
Companheiros,
não disparem.
Não podem disparar. Estamos desarmados.
Vamos!
Vamos, meninos.
Marta. Marta, querida, anda.
Vamos.
Estamos no quarto. Não há sinal das crianças. Câmbio.
Não viemos como polícias nem como militares.
Viemos como cidadãos, como vocês.
Tenente, sabe quem sou?
Sim, senhor.
É um traidor.
Não quero falar como político.
Mas sim, como ser humano e como pai.
Deve ter a idade dos meus filhos.
Não assuma esta responsabilidade, Tenente.
Não dê ordem para disparar sobre pessoas desarmadas.
Porque acha que os seus superiores não estão aqui?
Toda esta gente
só quer os seus filhos de volta,
abraçar os que ainda estão vivos e chorar pelos que morreram.
Fiz parte deste regime e sei que,
quando essa porta se abrir, mais cedo ou mais tarde,
aparecerão muitos cadáveres.
Este é o meu marido, Ramón.
Esta é a minha filha, Ana. Olhem para ela.
Este é o nosso filho.
- Mateo. - Lucas, meu filho.
- A Alba! - O meu filho, Fernando.
- Pedro! - A minha filha, Adela!
O meu filho, Mario!
Eles travaram uma guerra clandestina.
Uma segunda Guerra Civil entre espanhóis.
Este regime sobreviveu fazendo desaparecer,
assassinando aqueles que exigiam o regresso da democracia.
Tenente, provavelmente o senhor
e muitos dos seus homens perderam familiares.
De certeza que os querem de volta.
- Para fazerem um funeral adequado. - Mais um passo e disparamos!
Não disparem.
Só cumpro ordens.
Este é o meu último aviso!
Tens cinco segundos para dispersar ou abrimos fogo!
- À minha ordem! - Não, não disparem!
Cinco...
... quatro...
... três...
... dois...
Olá!
Aqueles são os meus pais.
Anita, anda cá, querida. Por favor.
Olha!
- Não atravessem a muralha. - Papá!
Papá!
- Vamos! - Soldados, peguem nas armas!
- Mantenham as posições! - Marta!
- Marta! - Não podem passar!
Avó!
Peguem nas armas.
- Marta! - Não recuem!
- Julia! - Preparem-se para abrir fogo, soldados!
Soldados!
Sigam as minhas ordens.
Soldados!
À minha ordem!
- Senhor! - Luis!
Não!
- Não! - Papá!
- Alicia. - Alicia!
- Fernando, meu amor. - Alicia.
Meu amor.
Alicia.
Perdoa-me.
- Meu amor. - Perdoa-me.
Amo-te, meu amor.
Amo-te.
Meu amor.
Meu amor.
Fernando...
Fernando, meu amor.
Fernando.
- Onde está a Marta? - Larga-me!
Marta!
Para!
- Marta! Levaram a Marta! - Não!
- Vai buscá-la! - Anda, Hugo! Vamos!
Vamos!
Vamos! Não deixem que isto tenha sido em vão. Vamos!
Liberdade!
Liberdade!
Aqui estão elas.
Finalmente.
Como está?
É... verdade que me podes curar?
Sem dúvida.
Acabei de curar o meu filho, que estava muito pior.
É ela?
É um prazer conhecer-te.
O helicóptero chegou?
Não, senhor.
Há um problema no heliporto.
Liberdade!
Liberdade!
Liberdade!
Um, dois, três!
Um, dois, três!
Não interessa se troveja ou neva.
Quero o helicóptero aqui em menos de cinco minutos. Entendido?
- Presidente? - Sim.
Prepare-se. O helicóptero está a caminho.
Obrigado, Comandante.
- Vais com eles. - Não.
Porta-te bem. Vais ficar bem.
Mentira!
Não quero ir!
Lembras-te da nossa conversa?
Porta-te bem ou não voltas a ver os teus pais.
Um, dois, três!
- Não disparem! - Não disparem!
- Liberdade! - Avancem!
Liberdade!
Têm de ir embora.
E tu?
Eu fico aqui,
a cobrir a vossa saída.
Vão.
Liberdade!
Presidente, temos de ir.
Alma.
Liberdade!
Alma!
Está bem.
Vamos.
Liberdade!
Liberdade!
Liberdade!
Livre.
Vamos.
Liberdade!
Avance, Presidente. Nós protegemo-lo.
Nem mais um passo, ou disparamos! Alto!
Parem!
Para trás!
Como está?
Estou bem.
Fiquem aqui.
Devolve-me a minha filha.
É apenas uma criança.
Isso não vai acontecer.
Se não saírem já,
serei obrigado a abrir fogo.
Têm dez segundos.
Vamos!
Não!
Marta! Presidente!
Quieta!
Vem ou mato-te!
O Presidente morreu!
O Presidente morreu!
Mataram o Presidente!
Marta!
Avó!
SEIS MESES DEPOIS
Já viste, Ramón?
Tantas pessoas vieram cá deixar-te flores.
Claro, quando as flores murcham,
tenho de vir cá limpar, mas não me queixo.
Estou tão feliz por finalmente ter um local onde conversar contigo, meu amor.
Sempre gostámos de contar tudo um ao outro.
RAMÓN PÉREZ SAN CRISTOBAL CIENTISTA
Lembras-te de quando as miúdas eram pequenas?
Eram o nosso tema de conversa preferido.
É o que acontece com os pais novatos.
Tu estavas louco pelas tuas filhas.
Dizias que...
Caiu.
... através dos olhos delas, podias reviver a tua vida,
a tua infância.
Ele não a quer.
Ias adorar ser avô.
Álex, Daniela!
O rapaz mais bonito de Madrid!
Ramón, apesar de me lembrar sempre de ti como um jovem bonito,
já temos uma neta.
Marta.
Ela é um amor.
É ela que te deixa os desenhos hilariantes,
onde és alto, forte e sorridente.
Isso é culpa da tua filha, Julia. Ela fala de ti como se fosses um herói.
Para mim, ainda és um herói, meu amor.
Mas a culpa é toda dela.
O que posso dizer? A Julia sempre foi a menina dos teus olhos.
Com aquela força e sentido de liberdade e justiça que ela tem,
ela não consegue evitar.
Ela quer viajar pelo mundo e irá.
E voltará.
Ela voltará, não só por nós, mas...
Há uma pessoa na nossa família,
Hugo, o marido da Sara.
O pai da Marta.
Aquele homem é...
... um tipo fantástico.
Ele lembra-me muito de ti.
Acredito que ele e a Julia
podem dar-nos...
... muitas alegrias.
Embora talvez ainda não saibam.
A Julia não sabe.
Estamos a vacinar as pessoas.
Graças à tua descoberta, estamos a salvar milhões de vidas.
Quem está a tratar de tudo isto é o Luis,
o nosso amigo.
Ele moveu céus e terra nestes meses,
para eu te encontrar.
É isso que ele faz agora.
Está a ajudar as pessoas a encontrar os seus,
e a ajudar este país a recuperar a memória que alguns tentaram apagar.
E haverá eleições, claro.
Haverá eleições.
Não sei se vamos ficar ainda mais pobres,
ou se este planeta conseguirá aguentar
os maus-tratos que lhe damos,
apesar de ser lindo.
DESCOBRIU A VACINA PARA O NORAVÍRUS, MORREU A DEFENDER A LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Seja como for...
... o que importa é que sejamos livres.
Minha senhora.
Está tudo pronto.
Está tudo bem, senhora?
Presidente!
Presidente!
Um, dois, três!
Não, a minha filha!
Lembrem-se:
o futuro pertence-nos.
Legendas: Sónia Pereira Cardoso
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