All language subtitles for Presence.of.Mind.1999.1080p.

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Original subtitles

Por favor n�o, pap�.

Um bocado mais perto, por favor.

Talvez possa pousar a sua m�o na dele?

Alice.

Est� na altura de partirmos, Alice.

Bom Dia.

Eu venho responder ao an�ncio para governanta.

Chegou a seguinte.

Os pais estavam a viajar de barco. E houve um terr�vel acidente.

O navio afundou-se com todos a bordo. E assim eles desapareceram.

Perdi o meu irm�o e a mulher dele � quatro anos.

E de repente encontrei-me respons�vel por dois orf�os.

Tenho grande afei��o por eles, mas sou afinal um solteir�o.

E para ser honesto...

Estes pobrezinhos pesam-me muito nos ombros.

Precisam mais do que um tio distante.

Precisam de algu�m que lhes seja devotado de corpo e alma.

Tiveram at� recentemente uma boa governanta, a Miss Jessel.

Mas quando tudo estava a correr bem, a mulher foi e morreu.

Foi terr�vel para as crian�as.

- Gosta de viajar? - Certamente.

Ficaria encantada de levar as crian�as aonde o senhor sugerir.

Creio que n�o compreendeu. Voc� � que ter� de viajar.

Eles est�o numa ilha.

Em Raixa, numa propriedade adquirida pelo meu av� nas Baleares.

Uma terra selvagem numa terra cat�lica. � cat�lica?

- Sou, sim. - Para o meu irm�o seria importante.

A ideia de reden��o pelo sofrimento, fascina-me...

embora me falte a convic��o.

Admiro no entanto a for�a da sua F�.

Se lhe der esta posi��o, tem que prometer assumir completa responsabilidade.

E n�o me incomodar com qualquer assunto relativo �s crian�as.

O que quer que surja, tem que enfrentar sozinha.

Sei que este � o seu primeiro emprego.

Mas quando olho para os seus olhos...

acredito que faria qualquer sacrif�cio que fosse necess�rio pelo bem deles.

Voc� pode dar-lhes algo que eu n�o posso.

Amor.

� o que eu mais quero.

Tenho a sua palavra?

Manterei as crian�as felizes e bem, como se fossem minhas.

O primeiro sacrif�cio n�o foi muito dif�cil.

Quero que guarde isto, como s�mbolo da minha gratid�o.

Senhor, n�o sei o que dizer.

Permita-me.

S�o Crist�v�o, protector do menino Jesus.

Salvou-se salvando inocentes.

Bastante apropriado.

Eu preciso de si. Ajude-me.

Eu prometo. Prometo que n�o o vou desapontar.

S�o Crist�v�o, protector do menino Jesus.

Salvou-se salvando inocentes. Bastante apropriado.

Pare.

Quero continuar a p�.

Voc� deve ser a governanta.

Est�vamos � sua espera � dias.

Bem vinda a Raixa.

Lamento estar atrasada. Mares bravios atrasaram-nos.

- Estava a ver que n�o cheg�vamos. - Ainda bem que chegou a salvo.

- Eu sou a governanta, Mado Remei. - Prazer em conhecer.

Por favor, entre.

Devem mant�-la muito ocupada.

Certamente.

Isso pertence � minha pequena.

A nova governanta est� aqui.

Como � que est�s, Flora?

Diz ol�.

Isto deve ser teu.

- Deve estar cansada da viagem. - Certamente.

Eu levo-a ao seu quarto.

- A Flora esteve a arrum�-lo. - Deve estar �ptimo.

Espero que tudo estivesse a seu gosto.

Sim. � tudo muito maior ao que estou habituada.

A casa em que cresci caberia nesta sala.

Esta sala � para ocasi�es especiais.

Esta n�o � uma ocasi�o especial?

Sem ele, n�o.

Ouviste, Flora? � hora de deitar.

Sim, Mado Remei.

A tua nova governanta j� vai ter contigo, para te aconchegar.

Porque n�o esperas por mim, e oramos juntas.

� uma rapariga encantadora, mas parece t�o triste.

Sente a falta do irm�o.

Ela era pr�xima da minha predecessora, a que morreu?

Muito pr�xima.

Como era ela?

Miss Jessel? Era muito nova. Alguns diriam que era bonita.

Ele parece... preferi-las assim.

Chegou esta carta para si. Do patr�o.

Para a governanta: junto segue uma carta do director do meu sobrinho.

N�o se preocupe em consultar-me. As crian�as est�o ao seu exclusivo cuidado.

O Miles foi retirado da escola.

Expulso.

- O que � que ele fez? - N�o diz.

Apenas que n�o o podem manter. A crian�a � indesej�vel.

- E um perigo para os outros. - Como podem ser t�o cru�is?

� dif�cil acreditar.

- Tenho que escrever ao director. - N�o vale a pena.

Espere at� o conhecer.

Ele deve ter feito alguma coisa algo que contaminou os outros.

- Contaminou? - Corrompeu.

O Miles? � apenas uma crian�a.

Tem medo que a corrompa?

Se me desculpa, tenho que ir ver da Flora.

Boa noite.

� a minha nova governanta, mas n�o � t�o bonita como tu.

Bom dia, Flora.

Acabei de chegar a este casar�o, e estou um pouco perdida.

Conheces algu�m que me possa ajudar?

- Podia ser a tua amiga. - Ela n�o te pode ouvir. � surda.

Que pena. Deves precisar de uma substituta.

Tenho-a desde a tua idade. Mas acho que quer ser tua.

O que � isto?

Nada.

N�o me mostras o resto da casa? Ela est� muito curiosa.

H� tanto para ver. Por onde come�amos?

Bem, porque � que n�o come�amos pelo teu lugar favorito?

Certo. Vem comigo.

Esta � a sala de m�sica.

D� para ver o jardim todo daqui.

Esta � a escrivaninha. E ali est� o quadro negro.

Costum�vamos ter aulas aqui.

O vento faz o piano fazer barulho. � o Miles que o diz.

Quem me dera que o Miles aqui estivesse.

A minha colec��o de conchas.

O que � esta sala?

� do tio. Est� sempre fechada.

Mas sei onde a Mado Remei guarda a chave.

Gostas de segredos?

Acho que sim.

Escuta.

Eu mostro-te.

Anda.

N�o � lindo?

Venho aqui enterrar os meus segredos.

N�o te vais embora, pois n�o?

- Porque perguntas isso? - Teve uma noite ruim.

Ouvi-te �s voltas � noite. Pensei que n�o gostaste daqui.

Eu gosto daqui. N�o foi nada.

Foi da excita��o. Nunca tinha vindo ao estrangeiro.

Talvez deva p�r a minha cama no teu quarto.

Gostavas?

Assim posso vigiar-te � noite, para n�o teres medo.

A casa assusta um bocado, quando range.

Acho uma boa ideia.

Sei quem te deu isto.

- Ai, sim? - Tamb�m sei manter segredos.

Eu ganhei.

Vem ver as minhas pombas m�gicas.

- Tem um nome? - Ophelia. Foi o Miles que lhe deu.

Mal posso esperar que o conhe�as. Ele � esperto.

- E t�o bonzinho como tu, decerto. - �s vezes � um bocado maroto.

Talvez agora que aqui est�s ele n�o precise de ir para fora.

Espero que n�o.

N�o digas � Mado Remei que trouxemos a cama. Ela n�o gosta.

Isso v�-se depois. Agora est� na hora das ora��es.

O que � que ela tem?

Miles partiu-lhe a asa, para ela n�o voar.

Estava com borboletas no est�mago s� � tua espera.

Olha a tua capa � muito curta.

Esta � a nossa nova governanta.

- � um prazer conhec�-la. - Igualmente.

� ainda mais bonita do que eu imaginava.

Incomodo-a?

N�o, de modo nenhum.

- Onde est� a Flora? - A tentar esconder-se.

- N�o a deixes � espera. - J� n�o gosto muito deste jogo.

- Divertiste-te na escola? - Agrada-me estar de volta a Raixa.

Porqu�, n�o eras feliz l�?

- Gostavas dos outros rapazes? - Da maioria.

- Mas n�o se pode gostar de todos. - Pois n�o, mas deve-se tentar.

- Ent�o e os professores? - Deve-se estar bem no jardim agora.

- Est� muito escuro. - Eu gosto assim.

- Tem medo do escuro? - �s vezes.

Porqu�?

Suponho que n�o haja nada a temer.

Pois. As coisas s�o iguais de noite, ao que s�o durante o dia.

Vai ver.

Confie em mim.

L� fora est� o jardim.

Com fontes ao longo da escada, guardadas por le�es de pedra.

O lago fica depois, com todas as arvores onde os p�ssaros dormem.

E os grilos em breve acordar�o.

E para al�m dos bosques, est� o mar.

Com os olhos fechados, outras coisas parecem acordar.

N�o �?

Depois acendo uma vela, e aqui estamos n�s.

Tal como est�vamos.

Os seus medos s�o apenas o que pensas que pode acontecer.

Na maior parte das vezes, nada acontece. T�o simples como isso.

Tens uma mente not�vel, para t�o jovem homenzinho.

Tenho?

- Miles... - O que �?

Nada.

Despacha-te. J� estou � espera h� que tempos!

V�, brinca com a tua irm�.

Estou a ir.

Ainda bem que o meu tio a escolheu.

J� te vou apanhar, monstrinho.

Mais devagar, Miles.

Eles trazem vida a esta casa.

Ele � o jovem mais not�vel que j� vi.

J� vi porque os professores n�o o compreendem. Ele � muito especial.

- E aquela carta da escola? - Deve ter sido um mal-entendido.

De qualquer maneira, vou ouvir a vers�o dele, antes de julgar.

- E o que vai dizer ao tio dele? - Nada.

Ele espera que eu lide com isto, e � o que farei.

Vamos resolver isto juntas.

Vamos resolver isto juntas.

Seria t�o encantador como uma est�ria de encantar. Encontrar algu�m de repente,

na curva do caminho, diante de mim, a sorrir.

N�o pe�o mais que isto, apenas que ele saiba.

E a maneira de saber que ele sabe, seria poder ver...

o sorriso na sua bela cara.

N�o tenhas medo.

Ele gosta de ti.

Olha, ali.

Apenas que ele saiba.

E a maneira de saber que ele sabe, seria poder ver...

o sorriso na sua bela cara.

Chegou uma carta para si.

- O patr�o vem de visita. - Quando?

A 27. � daqui a tr�s dias.

Diz que quer estar com as crian�as, e ver como nos estamos a dar.

Parece muito contente.

- S� espero que ele esteja contente comigo. - Decerto estar�.

As crian�as nunca estiveram t�o felizes.

Bem, suponho que � melhor mandar limpar o quarto dele.

Pode ir chamar as criadas, enquanto ponho o quarto a arejar.

Sim.

Onde � que ele est�?

N�o fui eu. N�o fui eu.

L� est� ele. Vejo a carruagem.

Ele vem a�. O tio vem a�.

Ele vem a�.

- Est� tudo pronto? - Sim, menina.

O ch� est� servido na salinha, para si e para o patr�o.

O que � que isto significa?

Onde est� ele?

Tomeu diz que ele n�o vem. H� apenas isso.

Eu sabia que ele n�o vinha. Est� sempre muito ocupado.

Junto segue um sobrescrito que lhe diz respeito.

Quanto a mim, uma inesperada visita a Marrocos n�o me deixa ir a�...

D� o meu amor �s crian�as, e os meus cumprimentos � Mado Remei.

Diga-lhes que farei o meu melhor para ir a� pelo Natal.

Marrocos?

Suponho que o tio n�o ligue muito � Flora e a mim...

N�o deves pensar assim.

O teu tio tem responsabilidades importantes.

Mais importantes do que perder tempo conosco.

N�o, Miles.

Eu compreendo.

Mas � triste, quando as pessoas n�o t�m tempo para n�s.

Eu tenho tempo.

Sinto-me o senhor da casa. Estando aqui assim, consigo.

E eu a senhora da casa.

Quer uma ch�vena de ch�?

Sim, seria agrad�vel. Mas agora est� frio...

Vou mandar fazer mais.

O que aconteceu? O que se passa?

- Est� branca como um len�ol. - Acabo de ver um homem estranho.

A olhar atrav�s da janela, como se procurasse algu�m.

- Como era ele? - Era alto, com cabelo escuro e comprido...

e olhos frios e assustadores.

Sim, j� o vi antes. H� uma foto dele com o patr�o no escrit�rio do patr�o.

- Imposs�vel. - Conhece-o?

- Fosc. - Que � esse?

Era o criado do patr�o, quando ele c� estava...

e o respons�vel por tudo, quando ele n�o estava.

Sim, era ele. E no outro dia vi-o a andar pelo jardim.

N�o pode ser. O Fosc morreu.

- Morreu? - Sim, est� morto.

- � uma foto? Posso ver? - Devias estar a dormir.

- Quem � este? - � o meu pai.

- Onde est� agora? - Morreu, Flora.

N�o fiques triste.

O Miles diz que as pessoas s� morrem mesmo quando as esquecemos.

Pronto, para vigiar os teus sonhos.

O que � que acontece depois de morrermos?

J� sabes a resposta.

Sei que se f�r bom, Deus leva a minha alma para o C�u.

E se f�r mau, vou arder pra sempre no Inferno.

E se deus decide ressuscitar-me, para andar por a�?

N�o � o que acontece a algumas pessoas?

O que queres dizer?

Como L�zaro. Porque � que Deus o ressuscitou em vez de o levar?

- Ele era um homem bom, n�o era. - O L�zaro era um fantasma?

- Os fantasmas n�o existem. - Existem sim.

- Porque dizes isso? - Porque...

Porque vem na b�blia: Pai, Filho e Esp�rito Santo.

- Sim, 'Esp�rito' e n�o 'fantasma'. - N�o � a mesma coisa?

As palavras �s vezes t�m diferentes significados.

Fantasma:

1. O esp�rito ou a alma.

2. Uma mem�ria que assombra.

3. O aparente esp�rito de uma pessoa morta,

que assombra os vivos como uma apari��o.

Se os fantasmas n�o existem, porque � que v�m no dicion�rio?

Eu n�o o imaginei.

O homem � janela. N�o consigo apagar a imagem.

- N�o se fa�a passar por isto. - Que tipo de pessoa era o Fosc?

N�o era boa r�s. Um homem de viol�ncia e v�cios.

Eu n�o era a �nica que o detestava.

As criadas, a cozinheira. At� os alde�es.

As crian�as nunca o mencionaram.

Nem voc� o deveria. Foi o Miles que o encontrou morto.

Ao fundo da escadaria, com o pesco�o partido.

Caiu de b�bado, com certeza.

Pobre Miles, ficou desvairado. Ele venerava o homem.

O Miles? Venerava?

Que o pode culpar? Um rapaz solit�rio com um tio distante.

O Fosc aproveitou-se.

Agoniava-me ver o Miles segui-lo como uma sombra.

E nunca disse nada?

Nunca teve medo, menina? Fosc era um homem poderoso.

Mais do que a Miss Jessel? As crian�as estavam ao cuidado dela.

- Ela nunca fez nada? - Ela era t�o m� como ele.

- O que � que est� a dizer? - O Fosc ia ter com ela � noite.

No quarto ao lado das crian�as.

Mesmo ao lado.

Houve manh�s em que tive que cuidar dela. Ele brutalizava-a.

Agora j� n�o brutaliza ningu�m. Deus me perdoe...

mas ainda bem que est� morto.

- Tu mataste-a. - Foi um acidente.

Nunca levantes a m�o para ela. � a tua irm�.

- Ela mente. - Pede desculpa.

- N�o pe�o. - Ent�o vais para a cama sem jantar.

Voc�s querem � que eu seja mau.

Flora, p�ra.

- Ela foi-se. - Quem?

- A Ophelia. - N�o a viste?

- A mulher. - Que mulher?

C�us, menina! Que faz aqui no escuro?

- Vi a outra. - A outra?

Uma mulher vestida de negro Ao p� da Flora.

- Miss Jessel. - Isso � imposs�vel.

Digo-lhe que a vi em plena luz do dia, a atrair a Flora para a �gua.

- A Flora tamb�m a viu? - Sim, mas fingiu que n�o.

Porque haveria de lhe mentir?

Porque ela guarda muitos segredos com a sua antiga governanta.

Segredos?

Disse que as crian�as eram pr�ximas do Fosc e dessa mulher.

Que dom�nio tinham sobre eles?

S�o boas crian�as.

Tenho que saber o que se passou aqui.

- O que � que as crian�as viram? - Isso n�o sei.

Fechavam-me sempre as portas na cara. Sussurravam juntos.

Um dia vi os quatro entrarem naquela mesma sala.

Durante horas.

E n�o foram os sons do piano que eu ouvi.

E?

Depois disso a Miss Jessel segurou a mo�a bem perto...

enquanto o rapaz subiu � torre com o Fosc.

E deixou isto acontecer?

N�o durou muito. O Fosc morreu pouco depois.

E o que aconteceu � governanta?

Sem ele ela come�ou a definhar.

Seria de esperar que sem ele ela ficasse contente.

Mas foi consumida por um negro luto.

N�o conseguia comer ou dormir.

Quando a febre a apanhou, n�o se conseguiu arranjar ajuda.

As pessoas na ilha afastam os doentes.

Principalmente do tipo dela.

Ainda c� est�o. Os dois.

Os mortos est�o mortos.

J� n�o h� nada com que possam magoar os vivos.

Sim, entre.

- N�o queres vir brincar? - N�o estava de castigo?

Sim, mas j� durou o suficiente.

Lamento n�o ter pedido desculpa � Flora.

�s vezes fico t�o furioso que n�o sei o que fa�o...

Est� um belo dia. Porque n�o vais brincar com a tua irm�?

- O ch� est� pronto. - Estamos a ir.

Foi o Miles que o achou morto.

Ao fundo da escadaria, com o pesco�o partido.

Lembras-te da tua antiga governanta?

- Como era ela? - Era bonita.

Tinha lindos olhos azuis e um sorriso engra�ado.

Adorava m�sica. Costumava contar-me est�rias.

- Que tipo de est�rias? - Sobre a Florabella.

Como ela sofria muito.

Mas finalmente chegou um pr�ncipe e levou-a para o C�u.

Quando foi a ultima vez que viste a Miss Jessel?

- Onde � que foi? - Num local secreto. Estava a chorar.

Prometeu que nunca me deixaria, e que sempre me protegeria.

- A Mado Remei n�o gostou disso. - Porque dizes isso?

Acho que tinha ci�mes dela.

Prometes que n�o te vais embora?

Eu prometo.

Nunca.

Foste m�.

- Prometeste que n�o me deixavas. - O que fazes fora da cama?

Est� algu�m do lado de fora. Acho que � o Miles.

N�o vai dizer nada?

O que esperas que diga?

Pensei que gostasse da partida. Era suposto ser engra�ado.

N�o, n�o foi. O que te passou pela cabe�a?

- N�o sei se compreenderia. - Acredita que tentei.

Fi-lo para lhe mostrar que posso ser mau se quiser que o seja.

Porque haveria eu de querer isso?

Pensei que estivesse aborrecida comigo, e quisesse que eu fosse mais crescido...

e fizesse algo maldoso. Era s� um jogo.

At� a Flora pensou que seria engra�ado.

Nunca quis deix�-la perturbada.

Ainda est� zangada comigo?

N�o, Miles. Mas h� algo que n�o me est�s a dizer.

- Algo que te leva a fazer estas coisas. - Mas eu j� lhe disse.

N�o tudo. E eu estou a ficar muito preocupada.

N�o precisa ficar. Posso dizer uma coisa?

Gosto do seu cabelo para baixo.

� muito bonita para ser uma governanta.

�s vezes pergunto-me no que pensa quando olha para mim.

Vai dormir, Miles.

Olhe para eles. Que amorosos.

Pergunto-me o que estar�o a dizer.

- Conversas de crian�as. - Pois, pois.

Eu sei que � dif�cil para si pensar nisto.

Se visse o que me fizeram passar a noite de ontem. Foi cruel.

O seu charme e bondade naturais.

� apenas um jogo doentio para nos enganarem.

Para nos enganarem acerca do qu�?

Acerca do Fosc e Miss Jessel, e dos jogos que faziam.

Quanto mais descubro o que aconteceu �quelas crian�as...

menos acho que sou a pessoa certa para eles.

Ent�o talvez deva informar o patr�o.

E o que lhe digo? Que a casa dele est� infestada de esp�ritos malignos?

J� n�o sei mais o que pensar.

Senhor, ajuda-me a encontrar um meio de proteger estas crian�as.

� �bvio, crian�as, que este fingimento n�o pode continuar.

Todos sabemos que voc�s est�o cientes da presen�a deles.

Por isso quero que ambos parem de fingir.

Os vossos segredos est�o seguros comigo, sabem disso.

Por isso quero que me digam o que faziam, quando estavam a s�s com eles?

O que � que vos diziam?

O que � que vos diziam?

O que � que pensam que est�o a fazer?

- Estamos a brincar �s mascaras. Tamb�m...? - Fora daqui! Os dois!

- Est�s-me a magoar. - Larga-nos.

- Porque estragas sempre tudo? - S� est�vamos a brincar.

- Isto n�o � um jogo. - Tu tens � medo.

Medo de ser tocada.

Vamos andando. Est� na hora de irmos � confiss�o.

- N�o vejo qual a vantagem. - Vai-te fazer bem.

Porque n�o vai voc�, e deixas-me ficar aqui.

- Miles, desculpa ter-te batido. - J� estou cansado disto.

N�o v� que n�o a queremos aqui? Ningu�m quer.

- O que queres dizer? - O que � que acha?

Tenciono escrever ao meu tio, dando conta do seu falhan�o.

Miles, s� estou a tentar ajudar. Escuta-me.

N�o preciso da sua ajuda. Estava tudo bem at� ter chegado.

Vamos chegar tarde � missa.

Voc� n�o pertence aqui.

Vamos.

Ela n�o vem.

Saiam daqui, seus miser�veis! Est�o-me a ouvir?

Eu disse: saiam. Eles s�o meus. Todos meus.

Meus para manter. Meus para ajustar contas.

O que lhe aconteceu? Porque n�o veio conosco?

Ela enforcou-se nesta sala, n�o foi? E voc� n�o me disse.

N�o lhe era necess�rio saber.

Voc� permitiu coisas vis terem lugar nesta casa � tempo demais.

Sei agora que fui incumbida de um servi�o t�o admir�vel como dif�cil.

Estou convencida que as crian�as est�o possu�das por algo maligno.

E � o nosso dever proteg�-las.

N�o devemos nunca perd�-las de vista. Est� a perceber?

- N�o. - Ent�o far� o que lhe digo.

Que se passa, minha cara? Est� doente?

Estou cansada. N�o tenho dormido bem.

- Sim, eu sei. - Sabes?

A Flora diz que d� voltas e faz barulho enquanto dorme.

Isto se acreditarmos nela. Ela inventa muito.

N�o gosto de estar zangado consigo.

Preferia que nos d�ssemos bem.

Ent�o porque me disseste coisas t�o m�s?

Porque me estava a sufocar.

- Eu disse para n�o a perder de vista. - Desapareceu num segundo.

Eu sei para onde ela foi. Venha comigo.

Est� a ver? L� est� ela.

Flora, que fazes aqui?

J� disse: venho enterrar os meus segredos.

- Chega de segredos. Onde est� ela? - Quem?

V� querida, onde est� a Miss Jessel?

V�? L� est� ela. Sobre a �gua.

N�o vejo nada.

Abra os olhos pelo amor de Deus, mulher.

- N�o a v�? - Largue-me. N�o a vejo.

- N�o est� l� ningu�m. - Como te atreves? Est� mesmo ali.

Olha. Est� mesmo ali. Est�s-me a mentir.

Afastem-na de mim. Ela � m�. Ela � m�.

Sua p�ga suja. Afasta-te de mim. N�o te quero ver mais.

Odeio-te.

O meu tio podia fazer algo. Talvez lhe deva escrever.

O que achas que podia fazer? J� ajudou antes?

Deve parar de preocupar-se e descansar.

Eu estou aqui. Eu cuido de si.

- Ela est� melhor? - Pior. Ficou com febre.

- Ainda est� zangada comigo? - Nunca mais a quer ver.

Nunca ouvi tal obscenidades da boca de uma crian�a. E acerca de si.

E ainda acredita que n�o estava ningu�m nas rochas?

Eu n�o vi ningu�m. S� voc�, aos berros com ela.

A for��-la na direc��o da �gua.

Era uma crian�a feliz, at� voc� a for�ar a confrontar estas coisas.

A confrontar o qu�? Diga-o!

Aquela m� mem�ria.

Uma coisa horr�vel para se fazer a uma crian�a, s� pra se satisfazer.

Se existe mal aqui, n�o � a Flora.

Eu s� estou a tentar ajud�-la. Se me d� licen�a, preciso v�-la.

Ela n�o est� em condi��es de a ver.

Ela tem que admitir o que lhe est� a acontecer.

Voc� n�o pode v�-la.

Permita-me lembrar-lhe que o patr�o me p�s � frente de tudo.

Eu sou a governanta.

D�-me as chaves.

Leve a Flora a um m�dico... imediatamente.

E quanto ao Miles?

O Miles fica comigo. Ontem veio pedir-me ajuda.

- E eu tenciono dar-lha. - Eu n�o o deixo.

Leva a Flora, ou � demitida.

O patr�o h�-de ouvir disto.

Diga � Flora que vou estar � espera dela.

Pai nosso que est�s no C�u, santificado seja o vosso nome...

Venha a n�s o vosso reino, seja feita a Vossa Vontade, tanto na terra como no C�u.

O p�o nosso de cada dia nos dai hoje, e perdoa-nos os nossos pecados...

como n�s perdoamos a quem nos tem ofendido.

N�o nos deixes cair em tenta��o, e livrai-nos do Mal.

Caro Miles, vem ter comigo � sala de jantar �s 8.

- Recebi o seu convite. Est� linda. - Obrigada, Miles.

A Mado Remei saiu t�o de repente. Nem me pude despedir.

- A minha irm� est� muito doente? - Estaria, se tivesse ficado.

Ela vai ficar bem.

Agora temos a casa toda para n�s.

Sinto-me muito crescido.

Agora podemos conversar como adultos.

Em que pensas?

Pergunto-me como ser�, s� conosco dois aqui...

Ainda h� os outros.

- O que quer dizer? - N�o h� nada que te perturbe?

N�o, mas acho que h� algo que a perturba a si.

Est� sempre t�o tensa.

Eu sei o que tu sofreste.

Eu conhe�o a sensa��o.

Como � doloroso.

O que quer que tenhas feito, Miles, sei que n�o foi culpa tua.

Se ao menos confiares em mim, eu posso ajudar-te.

Deves permitir-se falar deles...

ent�o n�o poder�o te fazer mal...

e ir�o embora.

Porque me tenta arrancar coisas? Eu n�o fiz nada.

- Ent�o porque foste expulso da escola? - Os rapazes n�o gostavam de mim.

- Porqu�, que lhes fizestes? - Nada, eram apenas jogos.

- Que jogos? - N�o me lembro.

Lembras-te sim. Quem te ensinou essas coisas horr�veis?

- N�o me lembro. - Tenho que te dizer?

Tenho que te dizer quem te fez essas coisas horr�veis?

Diz o nome dele.

Voc� n�o me engana. Sempre atr�s de mim a seguir-me onde quer que v�.

Nunca me deixa sozinho. Sei porque assustou a Flora de morte.

N�o tem medo dos outros. �s tal como ela...

uma cabra doente. Uma p�ga suja!

Miles, n�o � seguro.

Ele est� a�, Miles. N�o v�s l�.

N�o me magoe.

N�o te vou magoar.

Amo-te mais que tudo.

Perdoa-me.

Acalma-te, querido.

N�o tens culpa de nada. As culpas s�o todas dele.

Todas dele.

Ele est� aqui.

Eu sei que o consegues ver.

Basta dizeres o seu nome, e ele desaparece.

Se disseres o seu nome uma vez, ele j� n�o te poder� fazer mal.

Ele est� morto.

N�o, ele vem te buscar.

Diz o nome dele.

- Ele est� morto. - Ele vem te buscar. Diz o nome dele.

Ele est� morto.

Diz o nome dele.

Ele foi-se.

Ele foi-se, Miles.

Eu estou aqui.

Eu estou aqui, querido.

Acorda.

N�o me deixes.

Eu fico contigo.

Vamos ficar juntos.

Eu fico contigo.

Era uma vez uma menina que sofria muito.

Mas finalmente chegou um jovem pr�ncipe, e levou-a para viver no C�u.

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