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Original subtitles

Quando se faz justi�a,

o justo se alegra,

mas os malfeitores se APAVORAM.

Prov�rbios 21:15

Celeste.

Filha, acorda. Vem. Vamos, meu bem.

- Fica em sil�ncio. T�? - M�e, o que foi?

Quero que fique aqui. Fique bem quietinha, t�?

N�o saia por nada.

Mas que merda.

SEM SINAL 1H45 - 23 DE MAIO DE 2011

N�o tem sinal.

N�o se preocupe.

Ele vai ter o que merece.

Acredite.

Aposto que queria ser igual a mim e puxar o gatilho.

Vamos.

M�e?

M�e?

M�e, acorda.

M�e, acorda.

M�e.

Desculpe por n�o poder salvar a mam�e.

Acorda.

15 ANOS DEPOIS

NOVA ORLEANS, LOUISIANA

HOTEL LE DEUX SIRENES

APOSTA DE ALTO RISCO

RECEP��O

Que lerdo.

Eu ouvi da primeira vez.

Oi. Tom Cartwright. Vim para o jogo da Batatinha Picante.

Ah, sim. Sr. Cartwright, est�vamos � sua espera.

Meus parab�ns.

Sabe, compramos 50 sacos daquelas batatas fritas,

ligamos pro n�mero na embalagem e ouvimos uma mensagem idiota.

"N�o foi desta vez, mas continue jogando."

Eu s� comprei um saco.

Acho que dei sorte.

� o que parece.

Vai ficar na su�te 1316, senador.

Perfeito.

At� que horas a piscina fica aberta?

- � 24 horas, senhor. - Maravilha.

Cem voltas por dia pra manter a sa�de.

Estou com vis�o dupla.

Billy Gray. Vencedor do concurso. Fazendo check in.

E o seu melhor quarto, hein, chefe?

Claro, Sr. Gray. S� o melhor pro senhor.

- Celeste, minha bolsa? - Est� comigo.

Como acha que os ricos ficam mais ricos?

Tem que investir e come�ar cedo.

- Voc� cuida disso. - Sa�de.

Est�o se divertindo?

N�s o transferimos pra su�te 1323, Sr. Gray.

�timo.

- O elevador � por aqui? - Isso mesmo.

- Bem-vindo, Dr. Stevens. - Obrigado.

Uma perguntinha, se n�o se importa.

Estou com uma dor chata no lado direito h� duas semanas.

Tem ideia do que pode ser?

Assim, de primeira,

se a dor n�o for lancinante,

deve ser um m�sculo distendido. Tente aquecer.

N�o, obrigado.

Deve estar empolgado para o jogo.

Com esse pr�mio surreal de US$ 20 milh�es.

Admito que j� ganhei dinheiro na vida,

mas isso est� em outro n�vel.

- Aposto que adoraria. - Sim.

Eu disse n�o. Que parte de "n�o, obrigado" voc� n�o entendeu?

Dante.

Desculpe. Eu sinto muito.

T�.

Vamos torcer por voc�, Dr. Stevens. Est� na su�te 1303.

Na 1303. Obrigado.

- Elevador por aqui? - Reto, � direita.

Oi.

Boa noite, detetive Quinn, e bem-vindo ao Le Deux Sirenes.

� bom estar aqui e estou feliz pela folga.

Posso perguntar o que o senhor investiga?

Roubos e Homic�dios.

Parece emocionante.

Tem seus momentos.

Su�te 1312.

Boa sorte, detetive.

Obrigado.

Oi.

Srta. Deveraux, bem-vinda.

Sua su�te � a 1309, Srta. Deveraux.

N�mero da sorte 13.

Eu gostei.

Segredo, mas esperamos que voc� ganhe.

Eu tamb�m.

E isso n�o � segredo.

E Deus sabe que voc� merece.

A festa de boas-vindas come�a em cinco minutos no bar do sagu�o.

G�meos. Legal.

Obrigada, rapazes.

Adoro o meu trabalho.

Sou consultor financeiro.

Adoro ver pessoas enriquecerem.

- Isso diz muito sobre um homem. - Me orgulho disso.

- Obrigado. - Fant�stico.

Esse cara est� em todo lugar.

Enfim, adoro achar o investimento certo para pessoas legais

e ver o portf�lio delas crescer.

� muito gratificante.

Basicamente, eu realizo sonhos.

� mesmo? Eu tamb�m.

Verdade? O que voc� faz, Aurora?

Sou acompanhante de luxo, Billy.

Voc� ganha a vida vendendo. Eu, trepando.

Se um de n�s vencer, talvez possamos fazer neg�cios.

Meus servi�os s�o muito caros.

Os meus tamb�m.

- Ouvi tudo. � isso mesmo. - Um esc�ndalo.

Olha eles ali.

Os outros dois guerreiros de sorte

conosco nesta disputa de tudo ou nada.

Oi. Detetive Michael Quinn.

- Este � o doutor� - Cirurgi�o.

Dr. Scott Stevens.

Desculpe. Cirurgi�o.

E, � claro, o senador do Alabama.

Senador Tom Cartwright. E voc�s?

Billy Gray, vendedor extraordin�rio.

Aurora Devereaux, acompanhante extraordin�ria.

Sejam todos bem-vindos.

Amei o terno.

Obrigado. Chega pra c�, pessoal. Eu n�o mordo.

Em nome da Batatinha Picante e sua nova batata picante,

a Jalapenho Infernal,

que vai acender sua boca como um raio de sabor,

parab�ns por comprarem os sacos premiados

que lhes deram a chance de jogar p�quer

e sair do fabuloso Le Deux Sirenes

com batata frita para cinco anos

e US$ 20 milh�es.

�timo discurso, mas uma pergunta, senhor�

Caramba. Fiquei t�o preocupado em promover nosso patrocinador

que esqueci de me apresentar.

Samuel Nicholas, seu anfitri�o e crupi�.

Samuel, voc� me parece familiar.

Eu j� te prendi alguma vez?

N�o sei. Atuar � minha paix�o.

Costumo ser o cara que morre no 2� epis�dio.

E fiz comerciais de desodorante e Ozempic.

J� promovi de tudo,

de creme pra hemorroida a suco de fruta.

Conhecem essa?

A herpes te derrubou? Teste este rem�dio de dose �nica.

Me definiram como coadjuvante de quinta.

Bela defini��o.

Alguns s�o Brad Pitt, outros apresentam torneios de p�quer.

N�o me queixo. Sorte que tenho trabalho.

- Estava falando, senhor� - Dr. Stevens.

Sim. Vamos jogar p�quer Texas Hold 'Em, certo?

Sim, muito bem, doutor. Vou explicar as regras.

Ser�o tr�s rodadas, seguidas de uma hora pra comer.

- Com muita batata frita, imagino. - Sim!

Como uma explos�o de dor nas papilas gustativas!

Desculpa, Sr. Gray. Mandaram eu dizer isso. Entende?

Pena que n�o pudemos trazer ningu�m. Por que ser�?

Nosso patrocinador considera distra��o.

T�m a chance de ganhar um pr�mio

que pode mudar suas vidas de muitas maneiras.

O mais emocionante � o jogo,

ent�o, apesar de ser televisionado, n�o h� plateia e nem convidados.

Bom, da minha parte, quero desejar a todos voc�s

bonne chance.

- Valeu. - Seja l� o que for.

Preciso ir. Tenho um teste via Zoom para Red Bloods.

A s�rie � ruim e n�o curto a estrela, mas � pra TV

e estou quase conseguindo plano de sa�de pelo sindicato.

Preciso tentar.

Tenho que admitir que adoro a s�rie.

S�rio? Voc� me preocupa, doutor.

Bem, seus cart�es dar�o acesso de elevador

� Sala C�rdova, nossa su�te exclusiva de jogos.

O primeiro jogo come�a �s 20h em ponto.

N�o se atrasem.

Voc�s sabiam que era televisionado?

Oi.

Qu�?

O que disse? Minha mulher est�

N�o.

E a minha enteada? Ela est� bem?

Gra�as a Deus. Que bom.

N�o tolero o crime.

Perdi minha esposa para um criminoso violento.

Um voto em Tom Cartwright � um voto pela justi�a.

Ache um podre sobre qualquer um deles.

Preciso de uma vantagem, algo que eu possa insinuar no jogo.

Tentar tir�-los do eixo.

Me liga.

- Olha o canalha ali. - Vamos peg�-lo.

- Parado! Pol�cia de Chicago! - Espera a�, babaca.

Largue a bolsa.

T�, agora abre.

Abre a bolsa, porra!

Meu Deus.

Meu Deus.

Voc� � o melhor, Billy.

E eles s�o um bando de amadores.

Ol�.

Que bom que voc� veio.

Espero que esteja pronta pra come�ar a faturar alto.

O lance de que falamos est� dispon�vel, mas por pouco tempo.

Tenho clientes implorando pra participar.

Caramba, como eu sou gostosa.

Isso vai ser divertido.

BATATINHA PICANTE

T� legal.

A� sim.

Legal.

� agora, rapazes.

Oi, rapazes.

� o que eu acho.

Prontinho.

Tente n�o suar tanto. Fica mal na c�mera.

Estou me sentindo meio exposto.

Tem muito mais c�meras do que eu esperava.

Sei que aceitamos, mas n�o est� ficando meio esquisito?

Acho que um pouco de exposi��o faz bem.

Voc� est� com bafo.

Valeu, carinha.

E se tivermos que cutucar o nariz?

Evite. Use isto.

Bem-vindo ao meu mundo.

Olha, se est� t�o nervoso, talvez seja melhor desistir.

�, doutor, pode sair quando quiser.

Isso n�o vai rolar, t�?

Valeu, mas vim pra vencer essa porra.

- Posso falar "porra"? - Eu falo.

Amei essa porra.

Beleza.

Legal.

Senhoras e senhores,

permitam-me apresentar

um homem que n�o precisa de apresenta��o.

Nascido no grande Norte

e agora residente do profundo e quente Sul,

nosso apresentador,

Samuel Nicholas!

Bem-vindos ao Desafio de P�quer Batatinha Pimenta Extrema!

Estamos ao vivo no batatinhaspoquer.com,

onde voc�s podem acompanhar e comentar em tempo real

e torcer pelo seu jogador favorito.

E, por falar neles, vamos conhec�-los?

Alguns de voc�s j� devem conhecer

o senador eleito tr�s vezes pelo estado do Alabama,

Tom Cartwright.

Estou jogando por todos os meus eleitores.

Que amor.

Agora o estimado cirurgi�o Dr. Scott Stevens,

um solteiro verificado.

Mas quem n�o se casaria com um homem que jurou fazer a obra de Deus?

- N�o quer ter filhos? - N�o. Nunca.

Deixe um coment�rio no chat se quiser uma chance com o doutor.

Por favor, n�o.

Direto do teste de elenco, temos o detetive Michael Quinn.

Veterano da Pol�cia de Chicago, Illinois,

foi nomeado Detetive do Ano por tr�s anos seguidos.

Quatro, na verdade.

Se algum dia eu for brutalmente atacado por um psicopata,

espero que Michael Quinn assuma o meu caso.

- � s� me ligar. - Ligo, sim.

Mesdames et messieurs,

� com grande prazer que apresento a voc�s

este belo cavalheiro,

o Sr. Billy Gray, vendedor extraordin�rio.

O melhor consultor financeiro dos Estados Unidos.

Eu n�o teria dito melhor, Samuel.

T�o modesto, t�o humilde

e com um cabelo t�o bom.

E por fim, nossa �nica concorrente feminina,

- Srta. Aurora Devereaux. - Oi.

Uma mulher extraordin�ria

cuja paix�o � ajudar mulheres menos afortunadas que ela

e fazer justi�a contra os que escaparam injustamente.

Quem escreveu isso?

- Ficou muito bom, n�? - Adorei. Incr�vel.

Cada concorrente vai come�ar com US$ 10 mil em fichas,

e o vencedor levar� o grande pr�mio

de US$ 20 milh�es em dinheiro vivo.

Mantidos refrigerados,

v�o estar gelados quando forem colocados numa mala bem grande.

Que tal um aplauso �s nossas dan�arinas da Batatinha Picante?

- Sim. - Bravo.

Maravilhosas.

Valeu, meninas. Est�o fazendo a obra de Deus.

Ent�o, vamos come�ar?

Vamos jogar p�quer!

Oito de ouros.

Dama de copas.

Dez de paus.

Gostei da a��o. Eu pago.

�ltimas apostas.

- Pago. - Quer aumentar, senador?

- Sim, pago. - Duzentos do futuro presidente.

Gostei disso a�.

Cubro de novo.

Eu pago.

Duzentos do anjo de Singapura.

- Eu nasci em Oak Brook. - Singapura soa mais ex�tico.

N�o devia comer tanto. Faz parecer mais gordo.

Dante, sai. Vai, sai pra l�. Ele gostou de voc�.

Pr�xima rodada.

Merda.

Podemos xingar, n�?

N�s preferimos que n�o.

Obrigado � nossa patrocinadora, a Batatinha Pimenta Extrema.

Essas batatas at� que s�o boas.

Pago 500,

aumento mais mil.

Billy Boy chegando com tudo.

Vamos ver o que t�m.

Full house. Damas sobre dez. E o senador leva.

Muito bem.

O doutor receitou dose m�xima.

Porra!

Acho que a temperatura subiu uns dez graus aqui.

Eu cubro e aumento.

Se eu j� n�o tivesse ro�do as unhas at� o sabugo, estaria roendo agora.

Aposto tudo.

Cubro.

Eu passo.

Passo.

Desculpe, docinho.

S�o quatro noves.

Nossa, parece que o nosso anjo de Casablanca est�

Olhem e chorem, rapazes.

Um straight flush.

Merda. Eu n�o acredito. Como isso aconteceu?

Nem eu acredito. Mas acredite.

Bem, Aurora Devereaux encerra com chave de ouro

nossa primeira rodada.

Todos voltam para a segunda rodada, que come�a exatamente em uma hora.

- Achei que voc� j� era, Aurora. - Eu tamb�m.

Estava rezando pelo dez no river.

- �. Quais s�o as chances? - Milagrosas.

- Preciso beber. - Eu tamb�m. Acalmar os nervos.

Exato. Que tal eu encontrar voc�s no bar da recep��o em cinco minutos?

Quero uma bebida forte.

Suas m�os s�o bem grandes. J� te falaram isso?

Tamb�m amei essa camisa, Billy.

Nem sempre � complicado.

Minha mulher morreu h� 12 anos. Atropelamento e fuga.

Num dia ela estava l�. No outro, n�o.

Eu sei como se sente.

N�o precisa responder, mas eu queria saber como�

Virei prostituta?

Inf�ncia ruim?

Confere.

Roubo com invas�o domiciliar. Ele matou minha esposa, Anna.

Pegaram o psicopata?

Ele saiu da nossa casa com US$ 300 e um Rolex falso valendo US$ 100.

- Caramba. - Foi executado h� alguns anos.

- �timo. - �.

Mas a� voc� virou uma adolescente linda.

Viu o efeito nos homens ing�nuos e tarados.

Confere.

- Largou o ensino m�dio? - Confere.

E a� fui presa.

- A hist�ria fica mais complexa. - N�o � mesmo?

Deve ser incr�vel solucionar um caso, prender um bandido.

Imagine o que sentiu quando pegaram o assassino da sua mulher.

Poder levar esse tipo de justi�a a uma fam�lia�

� o que me motiva.

E Aurora Devereaux � o seu nome real?

O que voc� acha?

Eu acho que ela � a inven��o de uma jovem muito inteligente�

que deu muito azar.

Confere.

Falando de coisas boas,

parece que voc� � um solteiro convicto.

Se quer saber, fui casado na casa dos 20 anos,

mas minha mulher me deixou.

Por uma mulher feia, obesa e mais velha.

Ui.

Se voc� ganhar, posso dobrar essa grana pra voc�.

� mesmo?

C� entre n�s, tenho um neg�cio de cripto em Michigan

do qual o Elon Musk quer participar.

Coisa grande. Falo de 50% de lucro, talvez mais.

Voc� � cirurgi�o, certo? De que tipo, exatamente?

- Do tipo que faz tetas falsas, n�? - N�o.

Do tipo que salva vidas.

� claro. Eu estava brincando, cara.

Tanto faz.

Invisto tamb�m pra mostrar que estou assumindo o risco.

� o que me difere dos meus concorrentes.

Ou ganhamos juntos ou�

- Perdemos juntos. - Isso.

E voc� nunca perde.

Tenho uma taxa de sucesso de 87% e documenta��o para comprovar.

J� me foderam uma ou duas vezes?

Pode crer. Mas n�o tenho vergonha de admitir.

Nem eu.

A diferen�a � que, quando me fodem, eu ganho dinheiro.

Sa�de.

Do que estavam falando?

Sobre foderem a gente, Tommy. Em mais de um sentido. N�, Billy?

- Eu devia ter sentado nesta mesa. - Tamb�m acho.

Acho que j� vou subir pro meu quarto.

Vou preparar um banho longo e quente e�

me masturbar.

Acho �timo pra aliviar a tens�o.

Voc� precisa de ajuda?

� a �nica coisa que curto fazer sozinha.

Boa sorte, rapazes. V�o precisar. At� a segunda rodada.

BEM-VINDOS � FESTA DE CASAMENTO DE CELESTE E BRIAN FOLGER

Quinn.

Quinn.

Se � inevit�vel�

Que del�cia.

Quinn.

O que voc� fez?

Ai, nossa.

Com licen�a, senhor.

Podemos ajudar?

- N�o devia estar aqui embaixo. - Ah, sim.

Me perdi. Estava tentando voltar pro quarto.

O que est� rolando aqui dentro?

Houve um vazamento de g�s das secadoras h� alguns dias.

Vazamento de g�s?

Alguns h�spedes se queixaram de dor de cabe�a.

- Tontura. - Alucina��es.

� melhor n�o ficar nesta �rea por enquanto.

Achei ter sentido um cheiro.

Vamos pedir pra manuten��o vir olhar.

� melhor voltarmos l� pra cima, senhor.

Tom?

Celeste.

N�o acredito que � voc�. Vi sua foto ali.

- Que bom te ver. - O que est� fazendo aqui?

Voc� n�o vai acreditar, mas estou num torneio de p�quer.

Venci um concurso, Batatinha Pimenta Extrema�

As Batatas Infernais! Eu adoro!

Parecem uma explos�o de dor deliciosa na boca.

- Isso. - �.

Voc� est�

Est� linda. Eu n�o te vejo h�

Bom, h� muito tempo.

Eu tinha sete anos quando voc�

Sinto muito.

Depois da morte da sua m�e,

fiquei t�o perdido.

N�o devia t�-la mandado embora.

Pensei que era melhor,

mas n�o sabia criar uma crian�a sozinho.

N�o vamos remoer o passado.

Voc� era meu padrasto, e mal nos conhec�amos.

- Pelo menos pegamos o desgra�ado. - �, eu n�o quis ir � execu��o.

Eu n�o conseguiria reviver aquilo.

Mas eu li que voc� foi.

�.

Eu n�o ia, mas�

me ajudou a superar.

Eu queria v�-lo sofrer.

Ei, eu me casei.

Estou vendo.

Celeste, estou t�o feliz por voc�.

Que bom que nos encontramos. Quais s�o as chances?

Pois �.

�. O destino � engra�ado.

Bom, minha festa vai at� tarde.

Talvez possa ir quando acabar o torneio?

- Sim. - �?

- Eu adoraria. - Nossa. Ok.

Celeste, seu marido est� te procurando.

Preciso ir.

Boa sorte no torneio, nos vemos � noite.

Foi �timo rever voc�.

Igualmente.

Tchau.

Estou indo.

Chamem um m�dico!

Eu sou m�dico.

- Gra�as a Deus. - Que foi?

- Ele desmaiou. - Apoie a cabe�a dele.

- T�. - A temperatura est� boa.

Pulso forte.

Acho que ele s� precisa de �gua gelada.

- Doutor, voc� est� bem? - N�o muito.

Est� sangrando.

Qu�?

Ai, meu Deus.

Meu Deus.

Meu Deus.

Meu Deus.

Vamos l�.

Meine Damen und Herren,

willkommen round deux!

Aurora quase foi eliminada na primeira rodada,

mas fez um straight flush de tirar o f�lego na �ltima hora

pra manter a esperan�a viva.

Ela est� em �ltimo lugar. O Sen. Cartwright est� na frente,

seguido pelo detetive dur�o Michael Quinn.

O bonit�o Billy est� em terceiro e o bom Dr. Stevens em quarto.

Nossa audi�ncia aumentou em milh�es,

ent�o vamos logo ao que interessa: vamos jogar p�quer.

- Parece feliz, senador. - Estou, Samuel.

Minha enteada se casou hoje.

Est� hospedada aqui. D� pra acreditar?

Incr�vel.

Nem sei dizer como foi importante me reaproximar dela.

Maravilha.

Mesmo que eu perca, o que eu duvido, j� me sinto vencedor por ter vindo.

Isso. Muito bom. Continue sugando.

Est�o chegando coment�rios pelo site,

e Aurora lidera a nossa enquete de favoritos.

"Amo seu cabelo", diz Jenny de Los Angeles, Calif�rnia.

E Conrad, ou o Esquisito de Chicago, pergunta:

"Lembra de mim?"

Ah, � claro.

Saudade, Connie. Me liga. Vamos marcar outro encontro.

Joann, de Phoenix, declara:

"Dr. Stevens segura um bisturi como o Leatherface segura a serra."

Mas Paul, de S�o Francisco, diz: "Voc� � um her�i."

Pago.

Aqui, bebe mais, porque n�o vou voltar.

Os coment�rios sobre voc�, detetive, s�o meio rudes.

Deve ser o pessoal do "sem verba para a pol�cia".

Ningu�m mais gosta de policiais.

Vejam como fica o mundo sem n�s.

Voc� � a minha favorita.

Billy, recebeu coment�rios feios do bom povo de Illinois.

O que fez �quele estado?

Que rodada!

Aurora, nosso anjo de Zanzibar, lidera com 17 mil.

Logo atr�s vem o senador Cartwright, com 15 mil.

Detetive Quinn e Dr. Stevens est�o empatados com 7 mil.

E o corretor de investimentos Billy est� quase quebrado,

na lanterninha com apenas 4 mil.

Continuem comentando

e n�o se esque�am de votar no seu jogador favorito.

Voltaremos em uma hora para a rodada final.

A rodada que determina quem sai daqui como vencedor e quem n�o sai

come�a � meia-noite.

Vai ser bom quando acabar.

- Estou suando feito um porco. - Estou curtindo.

- Porque est� ganhando. - Verdade.

Meu lado direito est� acabando comigo.

- Ser� o ap�ndice? - N�o, deve ser o estresse.

Vou achar a minha enteada.

Tem algo suspeito no Samuel. Me d� arrepios.

Ele � s� um ator de segunda na pinda�ba.

E o tal Dante que n�o para de pegar em mim?

� meio demais. E as garotas dan�ando nas jaulas?

Gostei dessa parte. S�o umas gostosas.

Concordo.

Tem algo estranho com o jogo todo.

Voc� devia sair.

Voc� gostaria disso, n�o �?

Com licen�a.

Parab�ns.

� o cara que me deu o golpe.

�.

Ei, Billy. Billy, n�?

Me confundiu com algu�m.

N�o, voc� � o Billy Gray.

Lembra da minha mulher, babaca?

Lembra do que fez com ela?

Parece que voc� bebeu demais, amigo.

E n�o quero problemas.

Passou a perna nela.

Me encare como homem.

Merda.

Celeste. De onde eu a conhe�o? Celeste.

Qual � o sobrenome dela?

Merda.

T� legal.

Pensa, Billy.

Celeste. De que cidade ela �?

Porra.

Isso tudo � muito estranho.

Eu n�o preciso disso. Vou cair fora.

Senhor.

Com licen�a, Sr. Gray.

Sr. Gray, n�o pode sair.

T�xi.

Pro aeroporto.

Por que n�o estamos andando?

Porra.

T� legal. Batatinhaspoquer.com.

BATATINHASPOKER.COM ESTE DOM�NIO EST� � VENDA!

Que merda � essa?

Samuel Nicholas.

Como assim?

Nada disso faz sentido.

Quinn.

Quinn, abre a porta.

Oi.

Escuta.

Voc� n�o parece estar bem, Billy.

Me escuta. Chequei a internet. N�o tem nada sobre este concurso.

Nenhum site, nenhuma live. N�o tem Samuel Nicholas. Nada.

Se quer me fazer desistir, vai ficar muito decepcionado.

N�o vai rolar.

Isto n�o � o que a gente pensa.

Tentei ir embora.

Do hotel? Ent�o desistiu.

N�o tem do que desistir.

Eu estava num t�xi. Fechei os olhos por um instante.

Bam. Estava no quarto, como se nunca tivesse sa�do.

Tem algo muito ruim rolando aqui.

- Parece que voc� teve um pesadelo. - Olhe por si mesmo.

T� bom.

T� legal. Espera.

Viu? Viu o que eu disse?

BATATINHASPOKER.COM ESTE DOM�NIO EST� � VENDA!

Que merda � essa?

- Voc� � policial. O que a gente faz? - T�. Espera.

Eu nem sei como dizer isso, mas�

Eu fui ao spa mais cedo.

Entrei por uma porta

e tinha uns esquisitos l� vendo um casal trepar.

Um deles tinha uma espingarda. Estavam todos de m�scara.

De repente, o lugar estava vazio. S�

Qu�?

E os g�meos da recep��o estavam bem atr�s de mim.

Disseram algo sobre um vazamento de g�s,

mas sei o que vi.

Eu sei o que vi.

Certo.

E o que vamos fazer?

Tem uma delegacia a alguns quarteir�es.

Volta pro seu quarto.

Vou desvendar isso.

- Detetive Quinn. - Agora n�o.

Detetive Quinn.

Qu�?

Que merda � essa?

Cad� todo mundo?

Ol�!

Ol�!

Pra onde foi todo mundo, porra?

Arrependa-se.

ARREPENDA-SE DOS SEUS PECADOS

Arrependa-se.

Como assim? Estou de volta ao come�o.

N�o.

N�o.

Como eu saio daqui?

Arrependa-se.

N�o.

Imposs�vel.

N�o!

N�o.

N�o!

Isso n�o faz o menor sentido!

N�o!

Como assim?

Sem sinal. Mas que�

Ol�!

Billy?

Meu Deus. Tenta de novo.

- Pesquisa o hotel. - T�.

PESQUISAR� LES DEUX SIRENE

NENHUM RESULTADO

Puta merda.

Pelo amor de Deus, tenta mandar um e-mail.

IMPOSS�VEL ENVIAR E-MAIL

Nada. Meu Deus.

Talvez seja um programa de pegadinhas.

Conseguiriam me fazer viajar no espa�o-tempo?

Eu duvido.

E se for tipo Round 6?

Aquilo era fic��o. Um filme.

Era uma s�rie, querid�o.

� a mesma coisa.

N�o �, n�o.

A gente devia perguntar pro Samuel o que est� acontecendo.

�, vamos fazer isso.

Vamos.

Ele est� ali.

Bem-vindos, pessoal.

Precisamos saber o que est� rolando aqui.

O jogo. O concurso.

- Batatinha Pimenta Extrema. - Corta essa.

Que lugar � este?

C�meras.

Aqui n�o.

Me encontrem no bar em cinco minutos.

Entrei na internet como voc�s, e tudo sobre mim foi apagado.

Minha vida, meu nome,

meus cr�ditos�

Minha p�gina no IMDb, sumiu tudo.

Estou fingindo calma, mas estou apavorado.

Tem algum respons�vel pelo torneio ou pela empresa?

Aqui, n�o.

Fui contratado � dist�ncia,

e quando cheguei ontem, a sala j� estava pronta.

Aquelas mulheres e o Dante j� estavam l�, mas ningu�m mais.

Sentiram cheiro de g�s?

Vi uma coisa bizarra voltando do spa.

Os g�meos estavam l�

e disseram algo sobre um vazamento de g�s.

Ent�o voc�s est�o alucinando tudo isso

por causa de um vazamento de g�s?

Isso sugere intoxica��o por mon�xido de carbono,

e ele n�o tem cheiro.

Tentei sair e n�o consegui.

Com todo respeito, n�o foi alucina��o.

Como assim, n�o conseguiu sair?

Eu entrei num t�xi e�

- voltei pro meu quarto. - Voc� sabe que � imposs�vel.

N�o. A mesma coisa aconteceu comigo.

Tentei ir pra delegacia. N�o consegui chegar longe.

Dei de cara com um cartaz de "arrependa-se" e voltei pro hotel.

Ah, fala s�rio.

Eu n�o entendo.

Eu devia filmar um comercial de sabonete na sexta.

Eu preciso dessa grana.

N�o vou ficar preso aqui.

T� legal. E se todos sairmos juntos?

Vamos tentar, e voc�s v�o se sentir melhor.

- �, sem apresentador� - N�o tem concurso.

Nem jogo. Vamos nessa.

Certo. T�.

Certo.

O que� Cad� todo mundo?

Eu disse.

Sa�mos.

Continuem andando.

- Chegou at� aqui da outra vez? - N�o parem. Vamos.

Vamos atravessar.

Venham, atravessem aqui.

- Caramba. - Babaca!

- Puta merda! - Qu�?

- Mas que� - Isto � um sonho.

- Tem que ser um sonho. - � um pesadelo.

Por que aceitei esse trabalho? Eu sou ator.

Devia estar fazendo filmes, pe�as, especiais de com�dia.

Fui comediante por dois anos e era bom.

N�vel Ellen DeGeneres.

Talvez seja um teste beta de alguma IA.

Algum experimento, e n�s somos as cobaias.

Acho que a gente est� morto.

Eu vi minha enteada.

Ela era real. N�o estamos mortos.

Isto n�o � um programa de realidade virtual.

Estamos vivos e vamos sair daqui.

- Como? - Devemos estar aqui por algum motivo.

Se n�o, por que n�s?

Talvez queiram que fa�amos algo?

Quem? Quem quer?

Eu n�o sei.

Algu�m aqui fez algo de que se arrepende?

Prejudicaram algu�m?

Voc�s�

j� fizeram coisas horr�veis?

T� legal.

Se for tirar a gente daqui,

ent�o sim.

Eu confesso.

Matei um homem.

�.

Pelo menos, acho que sim.

Tecnicamente, n�o matei ele.

Ele p�s a coleira e quis ser sufocado.

- Me sufoca. - Assim?

Ent�o eu fiz o que ele pediu.

Claro que eu sabia que ele n�o conseguia respirar.

A coleira dele funcionou bem demais.

Ent�o eu o deixei l� sufocando.

Ent�o, sim, ele provavelmente�

morreu.

Em minha defesa, ele queria saber como uma mulher podia ser t�o sexy

e t�o malvada ao mesmo tempo.

Agora o cretino sabe. N�o sabe?

N�o me julguem.

Acho que �

T�, � minha vez de confessar.

Depois que a minha mulher me deixou�

eu fiquei mal. Muito mal.

Me convenci de que, se ganhasse muito dinheiro,

poderia reconquist�-la.

Comecei a apostar

e sempre perdia.

Estava devendo muito.

E conheci um cara.

Ele me ofereceu 20 mil

para coletar rins.

Pessoas vivem com apenas um rim normalmente.

Subornei meu anestesista e minha enfermeira.

Ent�o eu fiz.

Leve r�pido.

Tirei um rim perfeitamente saud�vel

de um cara de 30 anos.

A� eu fiz de novo, e de novo.

Racionalizei que os rins iam pra pessoas que precisavam deles.

Minha mulher nunca voltou.

Mas, ano ap�s ano, eu aceitava o dinheiro.

Com uma facilidade assustadora.

Eu n�o matei ningu�m�

n�o sufoquei um cliente nem roubei �rg�os alheios, mas�

sou um vigarista.

Um golpista.

Roubo o dinheiro dos outros.

Teve s� um cara.

Sr. E Sra. Kovalenko, tamb�m j� perdi dinheiro.

Eu disse v�rias vezes que essas coisas acontecem.

N�s te demos nossas economias pra aposentadoria.

Nossa filha mandou chamar a pol�cia.

O que a pol�cia vai fazer? Fizeram um investimento e deu errado.

Acham que n�o estou mal com isso?

Acho, sim.

Voc� � um desgra�ado maldoso que deu fim nas nossas economias.

Sra. Kovalenko, se quiser, chame a pol�cia.

Mas n�o vou ter esta conversa. Entendido?

Aleksander!

Sim, n�o voltaremos a ter esta conversa.

Calma. N�o precisa fazer isso.

Meu Deus!

N�o!

Eu n�o o matei.

Ele se matou.

Eu queria ser um bom policial,

um bom detetive.

Mas, depois que minha mulher morreu,

eu me perdi.

Aceitei subornos. Roubei.

Pus inocentes na cadeia.

E matei.

Eu matei.

Abre a bolsa, porra!

- Larga a arma. - Qu�?

Larga a arma, porra!

Senhor, eu n�o�

Vem. Vamos.

Sua vez, senador.

Vai se sentir bem melhor.

Levaram um tempo pra descobrir quem matou minha mulher, Anna.

Arrombaram a porta da frente com viol�ncia.

Anna e minha enteada estavam l� em cima.

O dinheiro da fam�lia era da minha mulher.

Filha, acorda. Vem. Vamos, meu bem.

Se nos divorci�ssemos�

eu ficaria arruinado.

A casa foi saqueada. Roubaram joias e o meu Rolex.

N�o saia por nada. T�? Certo.

T�nhamos uma arma no closet.

Mas isso n�o a ajudou. N�o tinha muni��o.

Eu me convenci�

de que ficaria melhor com ela.

Um ano depois, concorri ao senado.

Sou duro contra o crime,

pois perdi a minha mulher para um criminoso violento.

Usando a morte e o dinheiro dela como trampolim.

Um voto em Tom Cartwright � um voto pela justi�a.

Um sem-teto foi condenado 11 anos depois.

Assisti � execu��o dele.

Meu �nico arrependimento

foi t�-la matado na frente da Celeste.

Eu planejei por meses

e n�o pensei em desistir nenhuma vez.

Tudo que peguei, o Rolex, as joias,

deixei com um morador de rua.

Eu me convenci de que a odiava.

Eu queria outra vida.

Deixei o meu celular no hotel, no Mississipi.

Comprei um bloqueador de sinal e cortei a linha fixa.

Eu me odiei por isso.

M�e?

M�e? M�e.

M�e, acorda.

Por favor, acorda.

Parem de me encarar desse jeito.

Eu n�o sei o que pensar disso tudo. Foi uma loucura.

Loucura.

- Voc�s viram o que eu vi, n�? - Sim.

- O que est� acontecendo com a gente? - Acho que faz parte do jogo.

Se a gente est� sendo vigiado, s� pra saber, como reagimos?

Tipo o Show de Truman ou algo do tipo?

Olha, talvez haja um vazamento de g�s,

mas eu vi o que voc�s viram.

E isso n�o � poss�vel.

N�o sabemos mais o que � poss�vel e o que n�o �.

Porque isto claramente est� acontecendo.

Com todos n�s, menos com o Samuel.

Vimos os pecados de todos, menos o dele.

Porra. Vamos peg�-lo.

Cad� ele?

Cad� o Samuel?

Onde ele est�?

Onde ele est�, porra?

Est� se trocando pro ato final.

Ele disse que � o momento mais importante.

Ent�o diz pra gente o que est� acontecendo aqui.

Quem, eu? Compadre, sou um papel menor.

� o Samuel que tem as melhores falas.

S� fui escalado como an�o.

Eu quero respostas, e quero agora.

Que bravo.

Voc� nem imagina.

- Como a gente sai deste inferno? - Gente, deixa ele falar. Credo!

Inferno? Isto n�o � o inferno. Um hotel cinco estrelas?

N�o.

Se fosse o inferno, as igrejas estariam vazias.

- O sotaque dele sumiu. - Estamos mortos?

N�o. Que eu saiba n�o, Billy.

Vou pra casa. Meu lugar n�o � aqui.

Com todo respeito, doutor, todos est�o aqui por algum motivo.

Traduza.

S� estou dizendo o que me mandaram dizer.

N�o est�o mais jogando s� por dinheiro,

mas pela pr�pria sobreviv�ncia.

E, nesta rodada final, s� um de voc�s vai sobreviver.

Do que voc� est� falando?

S� um de voc�s vai sair daqui com uma chance de se redimir.

Isso � loucura.

Talvez. Mas sou s� um funcion�rio.

Caso n�o tenham notado, eu fa�o de tudo por aqui.

Sirvo no bar, fa�o maquiagem, filmo, fa�o a faxina.

Preciso at� hidratar as dan�arinas pra que n�o morram no meu turno.

Se aqui tivesse um sindicato, eu faria uma queixa.

E se eu n�o quiser mais jogar?

Ningu�m est� sendo obrigado a jogar.

Se n�o aparecer,

os outros t�m mais chance de ganhar.

Se me permitem, eu sugiro que voltem para os seus quartos,

tomem um banho, ou deem um mergulho na piscina, usem o spa.

Fa�am o que for preciso pra se preparar

pra �ltima rodada, � meia-noite.

Vai ser o jogo mais importante das suas vidas.

Estou louco pra ver o resultado.

Minhas bolas est�o formigando.

Eu preciso vencer.

Preciso sair deste lugar.

Voc� tem que vencer.

Se n�o aparecer, os outros v�o ter mais chance de ganhar.

Fa�a o que for preciso.

Quinn.

O doutor est� te esperando.

N�o deixe que eu te impe�a.

N�o!

Um a menos.

Eu vou te pegar.

Aurora!

Aurora.

Aurora!

O Stevens morreu.

Cometeu suic�dio.

Que desperd�cio.

Desgra�ado!

Dois a menos.

Sua vez, Billy.

Billy!

Billy, temos um problema.

Que foi?

T� legal.

N�o � nada pessoal, cara.

Tr�s a menos.

Senador Cartwright.

Oi. N�o te vi a�.

Eles morreram.

Voc� est� bem?

Est�o todos mortos.

Quatro.

N�o terem recuperado os corpos�

- Samuel. - �� o problema.

- � menos divertido do que parece. - Samuel.

Se n�o � o bom detetive Quinn.

Ou devo dizer mau detetive Quinn?

- Que calor. - Est� adiantado.

De repente, voc� n�o parece mais o ator desempregado assustado.

Ah, sim, perd�o pelo teatrinho, mas fui contratado pra isso.

Tanto faz.

Cansei dos seus jogos.

O an�o disse que se ningu�m mais aparecer,

eu ganho.

Eles preferem "pessoa pequena". E o nome dele � Dante.

Dante.

Mas eu confesso que voc� � um dos meus favoritos.

Nunca vi ningu�m igual a voc�. N�?

T�o perverso. Cruel. Ego�sta.

Arrisco dizer, mau.

Muito mau.

T� legal, est�o todos mortos, t�?

Eu matei todos eles. Sou o �ltimo.

Eram as regras!

O �ltimo ganha uma segunda chance e pode ir pra casa.

Eu quero ir pra casa!

Eu quero ir pra casa.

�, isso�

n�o � o que vai acontecer.

Sim, Dante, voc� disse mesmo isso, mas�

acho que n�o explicou direito.

Como posso explicar de um jeito mais visual e emocionante?

J� sei.

Pode levantar agora, detetive Quinn.

Porra!

Eu queria poder explicar,

mas esse � o jogo, e temos que seguir as regras.

E ningu�m morre aqui antes de receber as �ltimas cartas.

N�o adianta tentar.

Pra ser claro, os outros v�o estar furiosos com voc�.

Experimentaram sua viol�ncia

assim como voc� experimentou ser baleado.

N�o se preocupe.

Eles est�o vivos e bem, se preparando pra �ltima rodada.

Eu vou pro inferno, n�o vou?

N�o, voc� tem a mesma chance de vencer que os outros.

A sorte das cartas vai determinar seu destino.

N�o � legal?

N�o. � uma merda.

Ai, merda.

Pessoal, me desculpem por ter matado voc�s. Foi mal.

Voc� me bateu at� a morte

com a bunda de um extintor de inc�ndio.

O Samuel me deu cinco tiros no peito s� pra mostrar como era.

- J� entendi, t�? - Sorte dele. Voc� me afogou.

Voc� me degolou.

- Voc� me sufocou at� a morte. - �.

Cheguem mais, gente boa.

Eu n�o mordo.

Eu acreditei da primeira vez. Agora eu n�o sei.

Quem � voc�?

Acho que sou o maior ator que j� existiu.

Melhor do que o Brando.

Talvez at� melhor do que o Leo.

Voc� parece o diabo.

Que baita clich�.

� t�o clich�!

O que acharam das confiss�es coletivas?

Foi bem divertido, n�?

Podemos continuar?

Ok, detetive.

Eis as regras para a �ltima rodada, o grand finale.

Todos voc�s estavam destinados a passar uma eternidade no inferno.

Agora, um de voc�s ter� a chance de escapar desse destino.

Ai, meu Deus.

N�o. Vamos deixar ele fora dessa, t� bom?

- Eu nunca devia ter vindo. - Doutor.

Doutor.

Voc� acha mesmo que teve escolha?

Eu n�o devia estar aqui.

N�o sou santo, mas�

Billy, acredite em mim.

Todos voc�s est�o aqui porque merecem estar.

Foi o que eu disse a eles.

Meu patrocinador, que continuar� an�nimo,

ama a ideia de salva��o,

ent�o este jogo foi criado.

N�o v�o acreditar, mas teremos outro amanh�.

Voc�s deviam ver esse grupo.

Tem dois ped�filos, mas s� um deles � padre.

Vai ser divertido.

Alguma pergunta at� aqui?

Est� dizendo que temos uma chance de ir pra casa.

De sair daqui.

Muito bem, Billy.

Ent�o, vamos jogar outra rodada.

�, mas isso parece meio demais, n�?

Que tal assim?

Vamos jogar uma m�o, e todos apostam tudo.

Uma m�o pra definir quem vai embora e quem n�o vai.

Na verdade, todos voc�s v�o embora daqui.

Um vai pra fora

e quatro v�o pra baixo.

Pra baixo?

Pra baixo.

E o dinheiro?

Os US$ 20 milh�es.

Adoro esse cara. Billy.

N�o.

N�o tem dinheiro.

O pr�mio agora � a sua liberdade.

Isso n�o vale mais que papel?

Por favor, sentem-se.

Quanta carinha triste.

Vamos transformar essa tristeza em sorrisos.

Voc�s parecem nervosos. Eu entendo.

Eu tamb�m estaria.

Pode dar as cartas pra terminarmos logo?

J� ia me esquecendo. Tem um neg�cio importante pra cuidar

antes da m�o final.

Isso �

Vamos chamar de momento "Venha pra Jesus".

Voc�s n�o sabem, mas uma pessoa conecta todos voc�s.

Essa pessoa � o motivo pra estarem nesta mesa.

Voc�s parecem confusos. Vou explicar.

Mais uma vez, nossa hist�ria come�a com voc�, senador.

Porra, de novo, n�o.

Voc�s sabem o que fiz e por que estou aqui.

Eu sei o que voc� fez com a sua mulher, Anna.

Mas � sobre o que fez a essa garotinha que eu quero falar.

Celeste.

�, Celeste. Isso mesmo.

Tem no��o do horror que voc� a fez presenciar?

As crian�as s�o os verdadeiros inocentes do mundo,

e qualquer mal cometido contra elas � o mais hediondo de todos.

E ela nunca soube que foi voc� quem matou a m�e dela.

O que voc� fez depois deu in�cio ao desespero dela.

Eu n�o quero ir embora. Eu n�o gosto dele.

Ele � seu pai.

E eu n�o posso cuidar de voc�, pelo menos agora.

Por favor, n�o me mande embora.

Tem que ser corajosa pela sua m�e.

T�?

E eu vou te visitar. Prometo.

Prometo.

Como foi capaz?

Simplesmente n�o podia cuidar dela.

Ent�o a mandou para o pai biol�gico alco�latra,

onde ela durou um m�s antes de ser levada pelo Conselho Tutelar.

E depois passou, repetidas vezes,

por seis lares de ado��o tempor�ria.

Ela sa�a de um para outro,

sem nunca sentir que era o lugar dela.

Negligenciada ou ignorada na maioria deles,

brutalizada e molestada em outros.

E, como se n�o bastasse,

aos 16 anos, Celeste teve uma apendicite aguda.

E � a� que voc� entra em cena, Dr. Stevens.

Era uma apendicectomia de rotina at� que voc� roubou o rim

de uma jovem saud�vel de 16 anos.

Quanto recebeu por isso?

N�o sei.

Sinto muito.

Eu acredito.

Meu Deus.

Mas seu procedimento deixou Celeste em constante agonia,

e, como sempre acontece, os analg�sicos acabaram.

Ela precisava encontrar al�vio em algo.

Mas essa vida tem um custo, e Celeste pagou o pre�o.

Isso � pesado.

E voc� a deixou suscet�vel a todo tipo de predador.

Predadores como o detetive Michael Quinn.

Em seu anivers�rio de 18 anos, a pobre Celeste

foi liberada do sistema de ado��o e jogada nas ruas.

Est� lembrado dessa parte? � boa.

N�o tive nada a ver com o roubo.

E por que tentou fugir de mim?

Fiquei com medo.

Conheci esse cara num abrigo, mas juro que nunca�

Eu sei.

- Sabe? - Voc� certamente � inocente.

S� devia estar no lugar errado na hora errada.

Infelizmente, n�o tem como provar isso,

e encontramos isto com voc�.

Tanto faz se � culpada ou inocente.

Pra ser sincero, s� quero me livrar desse caso.

Eu posso te p�r na cadeia�

ou�

- Lembra dessa parte? - Sim, eu me lembro.

Oi.

- Cad� o Quinn? - Foi viajar por umas semanas.

Eu vou trabalhar com voc�.

Me sufoca.

Voc� prometeu que era s� uma vez.

�.

Desculpe.

Eu n�o quero mais fazer isso.

� mesmo?

Tem certeza?

Absoluta?

Absoluta.

Quando ela n�o deixou mais que a estuprasse,

voc� a jogou na cadeia mesmo assim.

Ela passou tr�s anos presa por um crime que n�o cometeu.

Mas nosso detetive malvado passou para a pr�xima concorrente.

Mas nem tudo estava perdido.

Porque, em seu 21� anivers�rio, Celeste foi libertada

e herdou US$ 200 mil do testamento da m�e

que estavam num fundo.

E foi a� que o vendedor extraordin�rio

Billy Boy Gray

cravou as garras nela.

Eu sei que US$ 200 mil parecem muito, Celeste.

Mas precisa transform�-los em 400, em 600 e assim por diante.

Como os ricos ficam mais ricos?

- Corro o risco de perder tudo? - Quase nenhum.

Eu mesmo faturei quase um milh�o com isso,

mas o tempo est� acabando

e preciso saber esta noite se voc� est� disposta.

Se est� com medo, desista.

Como eu disse, tem gente doida pra entrar,

mas prefiro ver algu�m como voc� ganhar muito dinheiro

do que esses ricos babacas.

Parece que isso n�o � pra voc�, e eu entendo.

N�o tem nenhum problema.

Sem preju�zo.

Tudo de bom pra voc�, Celeste.

Espera.

Voc� � mesmo um golpista.

Em apenas um ano, transformou aqueles 200 mil em nada.

Estou curioso, com quantas pessoas voc� fez isso?

Eu n�o sei.

Voc� n�o sabe?

Eu sei.

Foi com exatamente 56 pobres almas que tiveram o azar de te conhecer.

Duas semanas depois,

Celeste Janice Atkinson,

tentando aliviar a dor de uma vida antes promissora, se automedicou,

como sempre lhe ensinaram a fazer.

Sem perceber que seria a �ltima vez.

Sua breve vida acabou aos 22 anos,

e a dor finalmente passou.

Todas as atrocidades que os seres humanos

fazem uns aos outros.

Os males graduais podem ser t�o nocivos quanto os maiores.

Todos voc�s s�o respons�veis por essa morte.

Um assassinato lento.

Uma inocente destru�da pelas pessoas em quem confiou.

Pessoas que deviam ter cuidado dela,

mas n�o fizeram nada

a n�o ser se aproveitar dela.

E ela?

J� vamos falar dela.

Ent�o, aqui estamos.

A �ltima m�o.

E todos apostam tudo.

O vencedor recebe o perd�o prometido.

E os perdedores, bem, sabemos qual � o destino deles.

Ent�o�

vamos jogar p�quer!

Vamos l�.

- Por que n�o viramos todas as cartas? - E o drama, onde fica?

Como est�o, jogadores? Billy Malvado.

Voc� � um filho da puta. Eu queria te dizer isso.

Senador Cartwright, do Alabama.

Vamos l�, Sam.

Aurora, o anjo de Oak Brook.

Finalmente acertou.

Obrigado.

O sempre tenso Dr. Stevens deve ter uma m�o boa.

Obrigado.

Policial mau. Detetive Quinn.

Est� t�o quente aqui.

Isso n�o � nada.

Mostre a �ltima carta, Sam.

Ora, ora.

J� existiu um jogo de p�quer com apostas t�o altas quanto essas?

Eu acho que n�o.

Senhoras e horrores, o momento da verdade.

Vou apontar e voc�s viram as cartas. Prontos?

Michael.

Tenho um full house, Sam.

Damas sobre valetes.

Isso!

Isso!

Impressionante.

- William. - Dez, meu bem.

Quatro deles.

Qu�?

Caramba.

Mentira.

Dr. Scott.

Quatro valetes.

- Porra! - Sacanagem!

Quais s�o as chances?

S�o de 4.164 pra um, pra ser exato.

Eu vou pra casa!

N�o. Ainda n�o.

Tom.

Ser� nosso futuro presidente ou s� mais uma alma perdida no inferno?

Parece uma poss�vel candidatura � presid�ncia, Samuel.

Straight flush.

Qu�? N�o.

Qual �?

Aurora.

Acho que n�o d� pra superar um straight flush.

Royal flush.

- Qu�? - Isso � arma��o!

Voc� queria que ela ganhasse!

- Queria o tempo todo. - Sacanagem, cara.

Quero ver o baralho. � falso!

- Quero ver as cartas. - Sacanagem!

Senhores,

prometi que um de voc�s seria perdoado e sou um homem de palavra.

A Aurora era o meu anjo da guarda.

Filha, acorda.

Vem. Vamos, meu bem.

ASAS DA JUSTI�A

N�o se preocupe.

Ele vai ter o que merece.

Acredite.

Minha amiga imagin�ria que sempre cuidou de mim.

Aposto que queria ser igual a mim e puxar o gatilho.

M�e.

M�e, acorda.

Acorda. Acorda, m�e.

M�e.

Acorda.

Desculpe por n�o poder salvar a mam�e.

Ela era a mulher que eu sempre quis ser.

E agora eu tive a chance se ser ela.

E aqui estamos.

Celeste, eu sinto muito.

Sei que n�o significa mais nada,

mas queria ter dito isso antes.

Eu tamb�m.

Sinto muito pelo que fiz com voc�.

E mere�o o que acontecer comigo.

�.

Celeste, eu pequei contra voc�

e vou pagar por esses pecados.

Eu lamento por todas as pessoas com quem fiz aquilo.

Nada do que eu disser vai fazer diferen�a,

mas me arrependo do que fiz.

De verdade.

Celeste, quer dizer alguma coisa?

Eu te perdoo.

Todos voc�s.

Eu preciso tanto tirar esse peso da alma.

Dante.

Senhores, sentem-se.

Por favor.

Que jeito de encerrar o show.

Voc�s foram absolvidos.

Suas desculpas foram sinceras e verdadeiras.

E este anjo lindo do c�u�

do c�u�

os perdoou.

Que final lindo. Me lembra a igreja.

Agora me arrependo de esganar tantos gatos e padres.

Parece mesmo a igreja.

Voc� vai, se arrepende dos seus pecados,

implora o perd�o de Deus,

e Deus, na sua benevolente miseric�rdia,

perdoa.

Infelizmente, isto n�o � a igreja�

e eu n�o sou Deus.

- N�o foi demais? - Foi.

Achei que s� desceria de elevador com eles.

Eu queria algo cinematogr�fico e memor�vel pra voc�.

E foi, mas � que�

fiquei meio assustada quando a luz acendeu por um instante.

�, eu n�o quis que visse as almas deles sendo extra�das do corpo.

- Pode ser horr�vel. - Sim.

�. Mas � muito engra�ado.

Voc� conseguiu.

- Posso te levar pra casa? - Sim, por favor.

Foi um prazer trabalhar com a senhorita.

Sentiremos a sua falta.

Milton, Lomax.

O prazer foi todo meu.

Obrigada, Dante.

Adi�s, meu anjo formoso.

Certo, senhores, vamos recome�ar. J� volto.

Ele nunca tira folga?

N�o. Sem descanso pros condenados.

Sabe, quando Deus me ofereceu essa chance de justi�a e reden��o,

pensei que fosse brincadeira. Eu quase n�o aceitei.

Parece que ele faz esses joguinhos.

Fico feliz que tenha aceitado.

Foi t�o legal interpretar a Aurora.

Ela � minha amiga imagin�ria,

a super-hero�na que eu sempre quis ser.

Voc� interpretou perfeitamente.

Vai fazer isso de novo?

Combinamos 500 jogos, mas estou me divertindo.

- Espero que tenha mais. - Voc� � t�o bom nisso.

Obrigado.

- Posso perguntar uma coisa? - Sim.

Ele gosta de mim?

- Deus? - �.

Ele � muito passivo-agressivo e sabe ser bem ofensivo,

e n�o gosto de mostrar, mas isso me magoa.

N�o, ele te respeita muito.

S�rio? Ele disse isso?

N�o precisa dizer s� pra me agradar.

N�o, falando s�rio.

Ele te v� como um verdadeiro parceiro.

Sabe, ele me disse

que �s vezes acha que voc� trabalha melhor do que ele.

- N�o. - Sim.

� mesmo?

Porque eu at� que gosto dele, sabe?

Que amor. Ele tamb�m gosta de voc�. Verdade.

Maravilha.

Muito obrigada!

Eu sinto que um peso saiu de mim.

Me sinto mais leve que o ar.

Meu anjo de Oak Brook.

N�o vou te esquecer t�o cedo.

Tenho que voltar l� pra baixo.

Manter o fogo da lareira quente, sabe?

Mais quente que uma batatinha pimenta extrema?

Ah, n�o. Nem perto disso, querida.

papitchulo.paulo

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