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No in�cio do s�c. 18, o ator David Garrick, estava no auge da sua fama.
Ele era o �dolo de Londres e este conto � uma aventura rom�ntica
que pode ter acontecido durante a alegre carreira do pitoresco Garrick.
Londres, no ano de 1750. Uma esquina perto do Teatro Drury Lane.
Vossa querida amada e adorada majestade, Rei George em pessoa,
em seu cavalo real. Dois xelins cada. Pague dois xelins por vossa majestade.
O velho malvado vale o pre�o. Esperem um minuto. Esperem um minuto.
E agora senhoras e senhores, a cereja do bolo.
O grande ator em seu melhor papel.
David Garrick como o imortal de Shakespear: Hamlet.
"O c�u te absolva; sigo-te. Hor�cio, estou morto. Infeliz m�e, adeus, adeus.
V�s que empalideceis a esta cat�strofe, que n�o passais de mudos assistentes desta cena�
Se o tempo me sobrasse � que a Morte, o beleguim que n�o conhece contempla��es,
� sempre rigorosa � Se pudesse contar-vos! Que importa! Hor�cio, eu morro, mas tu vives
perante os descontentes, justifica-me e � minha causa."
"N�o; n�o penseis nisso; sou mais romano antigo do que mesmo dinamarqu�s.
-Na ta�a ainda h� veneno." -"Como o homem que �s,
entrega-me essa ta�a. Entrega-ma, por Deus! Larga-a! Desejo-a! � Deus!
Se algum dia em teu peito me abrigaste, priva-te por um tempo da ventura
e respira cansado mais um pouco neste mundo t�o duro,
para a todos contares minha hist�ria.
Que barulho marcial se est� ouvindo?"
"� o jovem Fortimbr�s que da Pol�nia retorna vitorioso
e os emiss�rios da Inglaterra sa�da desse modo."
"Morro, Hor�cio; o veneno me domina j� quase todo o esp�rito;
n�o posso viver para saber o que nos chega da Inglaterra.
Contudo, profetizo que h� de ser escolhido Fortimbras.
Meu voto moribundo � tamb�m dele.
Dize-lhe isso e lhe conta mais ou menos quanto ora aconteceu...
O resto � sil�ncio."
"Um nobre cora��o que assim se parte."
"Removei logo os corpos;
Que vis�o!"
Lordes, senhores e senhoras, em nome de toda a companhia de teatro Drury Lane,
agrade�o-lhes com orgulho, ainda que humildemente,
por sua grande generosidade conosco. Minha felicidade pessoal, no entanto,
se mistura com tristeza. Hoje, me despe�o.
Esta foi minha performance de despedida da esta��o.
Senhoras e senhores, anuncio que vou para a Fran�a.
O teatro mais famoso do mundo, o Com�die Fran�aise,
me convidou para atuar como convidado. Aceitando a oferta...
Voc� preferiu os franceses!
Por que se despedir? N�o somos o bastante? Voc� n�o gosta de Londres?
Senhoras e senhores, este � o momento que mais me orgulho.
De joelhos, agrade�o por essa express�o raivosa de desaprova��o.
-N�o querem que eu v�? -N�o!
Muito bem, voc�s s�o mestres do meu destino. Seu menor desejo � minha ordem suprema.
Agrade�o do fundo do cora��o. Me ordenaram n�o ir, ent�o, radiante, ficarei!
Ele n�o vai!
Na carta enviada para mim pela Com�die Fran�aise...
aqui est�, me permitam l�-la.
Me pedem para transmitir-lhes seus humildes comprimentos
e para implorar, em nome deles, para que me emprestem por pouco tempo.
-Pois... -Pois querem aprender a atuar.
Se os queridinhos franceses querem aprender, deixe-os aprender, certo?
Ent�o v�, David, v� e ensine os franceses.
Ensine os franceses! Ensine os franceses!
O que eu disse?
Ensine os franceses! Ensine os franceses!
Paris, lar do Com�die Fran�aise, que disputa fama com o Teatro Drudry Lane, de Londres.
O tempo: alguns dias depois.
ATORES: ao meio-dia, reuni�o no palco. Todos os membros devem estar presentes.
Quietos, por favor! O Sr. Presidente deseja falar.
Bravo! Bravo!
Membros do Com�die Fran�aise!
Por honesta admira��o ao nosso colega artista,
concedemos ao Sr. David Garrick a honra de aparecer em nosso teatro nacional.
Mas o que n�o sab�amos � que o Sr. Garrick, de Londres, seria nada mais que um...
...um pav�o esnobe.
Sr. Beaumarchais, seu dom para exatid�o de palavras � inigual�vel.
Um pav�o esnobe � exatamente o que este tal de Sr. Garrick demonstrou ser.
No discurso de despedida, o Sr. Garrick teve a impertin�ncia de dizer ao p�blico ingl�s
que n�s imploramos para que ele nos ensinasse a atuar.
-� um insulto! -Pela primeira vez est� certo, Sr. Thierre.
� um insulto! Um insulto humilhante,
n�o s� ao teatro nacional, mas a todos os atores em Paris.
� um insulto para nosso patrono real, Vossa Majestade Rei Lu�s.
� um insulto para a honra da pr�pria Fran�a.
Quem � David Garrick?
N�s concedemos uma honra a ele e ele nos chamou de poodles franceses.
Eu pergunto: o que faremos com este charlat�o de quinta categoria?
-Deixe que fique em Londres. -E o dispensamos quando vier!
Retirar o convite!
Sil�ncio!
Foi sugerido que retiremos nosso convite ao Sr. Garrick.
Se for uma decis�o un�nime, preciso pedir para que algu�m o anuncie.
Sr. Presidente, Membros do Com�die Fran�aise,
para mim, seria uma honra anunciar que o convite ao Sr. Garrick foi retirado.
Eu protesto! N�o � justo! Eu protesto!
Quem � este homem peculiar?
Sr. presidente, me perdoe, mas eu protesto!
Que prova n�s temos que o Sr. Garrick disse o que o senhor disse que ele disse?
Isso tudo pode ser um boato malicioso iniciado por algu�m mal-intencionado!
Loucura! Por que algu�m iniciaria tal boato se n�o fosse verdade?
Todos sabem do seu discurso de despedida e o que ele disse, pois eu estava l�.
Sr. Presidente, desde quando um ponto pode falar em uma reuni�o de atores?
Um ponto n�o pode falar, Sr. Thierre.
Sr. Cabot, esta reuni�o � somente para atores do Com�die Fran�aise.
Mas, Sr. Presidente...
Sua presen�a aqui � inconstitucional, voc� tem minha permiss�o para sair.
Mas eu n�o quero sair! Exijo justi�a ao David Garrick!
Retirem-no, por favor.
Perguntem ao David Garrick! Perguntem antes! Eu n�o acredito! Eu protesto!
N�o � justo! Justi�a! Justi�a! Justi�a!
Vamos prosseguir com a reuni�o. Algu�m tem alguma proposta?
Sr. Presidente, membros do Com�die Fran�aise,
me dariam a grande honra de anunciar que o convite ao Sr. David Garrick foi retirado?
-Eu concordo! -Eu concordo!
Sil�ncio! Acredito que o Sr. Bomachet deseja dizer algo.
O Sr. Pierre-Augustin Caron de Bomachet tem a palavra!
Sr. Presidente, madames, senhores...
Sua decis�o � n�o permitir que o Sr. Garrick apare�a em nosso palco.
Mas j� aviso! Garrick � esperto. Ele ir� virar o jogo.
Ele dir� que voc�s o temem porque ele atua melhor que voc�s.
E voc�s n�o rir�o por �ltimo.
Vejo pelo sil�ncio que n�o querem que riam de voc�s.
Quem quer estas risadas?
Nada � mais fatal para um ator do que ser considerado rid�culo.
Atores s�o �dolos! �dolos devem ser admirados!
Quando seu p�blico ri de voc�, em vez de rir com voc�,
sua habilidade de segur�-los � destru�da.
A opini�o p�blica � cruel e muda r�pido.
Um velho ditado diz: "o rid�culo mata".
E � verdade.
Se querem se vingar do David Garrick, tornem-no rid�culo. Humilhem-no!
Mostrem-no de forma t�o miser�vel ao p�blico
que nenhuma audi�ncia no mundo ir� querer v�-lo no palco de novo.
Ele merece!
E � o que deve ser feito a ele.
E o que prop�e exatamente, Sr. Bomachet?
Tem alguma ideia? Um plano?
Uma trama?
Uma trama?
� o que voc�s precisam.
E para uma trama, voc�s precisam de um escritor.
Temos informa��es confi�veis de que, ap�s cruzar o canal,
Sr. Garrick prosseguir� � Paris seguindo pela Route Royal.
viajando calmamente em sua carruagem pessoal.
A primeira noite ele passar� em um hotel chamado The Turk's Head.
Em Dulance, fica a dois dias de dist�ncia daqui.
Mas na segunda noite ele chegar� ao Adam & Eve.
� no meio do nada. Ningu�m por perto.
E fica a apenas um dia de dist�ncia.
Este ser� o local. Voc�s estar�o l� antes dele chegar.
E ser� o mais pr�ximo que o Sr. Garrick chegar� de Paris.
Pe�o perd�o! Pe�o perd�o!
Pe�o perd�o! Pe�o perd�o!
� humilhante! Como se atrevem?
Boa noite, senhor.
Bem-vindo ao Turk's Head.
Boa noite!
Jantar, senhor? E hospedagem?
Ambos, por favor.
O melhor para o senhor. Apenas o melhor.
N�o tem tido muitos viajantes ultimamente na estrada.
� uma pena!
O que est�o esperando? Preparem o jantar! Comecem!
�timo trabalho! Bela carruagem, senhor!
Feita na Inglaterra!
O senhor poderia me acompanhar?
-Tem alguma carta aqui para mim? -Cartas, senhor?
Sim, meu nome � David Garrick.
Sr. Garrick de Londres.
N�o, senhor, nenhuma carta. Raramente recebemos cartas.
Por aqui, senhor.
Estava esperando alguma carta?
N�o, s� queria que soubessem quem somos.
Certamente agora eles sabem. Por aqui senhor. Por aqui.
Seu ponche, cavalheiros. E com fogo.
Desejo-lhes uma �tima noite, cavalheiros.
Boa noite.
Sr. Garrick.
Obrigado, senhor.
Ao seu sucesso!
Feche a janela! Quer que eu pegue um resfriado?
Voc� nunca pegou um resfriado na vida, senhor.
-Eu disse para fechar! -Mas a noite esta agrad�vel!
Est� frio!
Ent�o muito bem, senhor, est� frio.
N�o vai conseguir brigar comigo, senhor. N�o esta noite.
Viu? Grande idiota!
Abrir uma janela nas minhas costas quando estou apenas de camisa?
Um dia ainda me matar�!
Viu? Tenho febre!
Por favor, Sr. Garrick...
Ai, minha cabe�a, minha garganta, estou dizendo que tenho febre!
Minha voz! Eu n�o disse?
Se foi!
N�o fique a� parado! Fa�a algo!
Chame um m�dico!
Socorro! Socorro!
Devo ir para a cama!
N�o, espere, espere!
Pegue uma caneta, preciso escrever uma carta.
N�o posso ir para Paris. Eu vou...onde est� a caneta?
N�o posso interpretar! Terei que cancelar!
Acalme-se! Sr. Garrick, voc� n�o...
Acalme-se! Sr. Garrick! N�o precisa espirrar e fingir que est� doente para mim!
Pode se enganar, mas n�o pode me enganar.
Quem queimou a l�ngua nunca esquece de soprar a sopa, dizem.
Lembra quando tive que ficar longe por uma noite para evitar que se matasse
em vez de atuar como o Pr�ncipe Ricardo III?
Eu n�o cuidei de voc� enquanto voc� fingiar estar b�bado
para n�o atuar em Dublin?
Voc� n�o tem mais resfriados que eu. S� quer uma desculpa para n�o atuar.
Est� com medo?
Sim, Tubby, estou com medo.
Morrendo de medo! Eu n�o vou para Paris! N�o posso!
S�rio, Sr. Garrick, eu n�o te entendo.
Voc� � o grande Garrick! E, ainda assim, toda vez que precisa subir no palco
voc� treme de medo!
Paris est� a dias de dist�ncia, e voc� j� est� enlouquecendo!
Nunca come�ou t�o cedo antes.
Nunca estive com tanto medo antes, Tubby. Nunca na minha vida!
Medo do que?
Do Com�die Fran�aise!
O palco mais honroso do mundo! O p�blico mais exigente!
E todos os �timos atores! Cada um deles � um mestre em sua �rea!
Por que n�o v� isso como uma honra, senhor?
Eu vejo. Ningu�m aprecia este momento mais do que eu.
Mas eu consigo fazer por merecer, Tubby?
Eu nunca devia ter aceitado o convite!
Voc� se lembra que passei por baixo de uma escada no porto?
Eu deveria ter voltado na hora!
Tubby, eu vou ser um fracasso em Paris!
N�o, n�o vai! Voc� � um grande ator, � famoso no mundo todo.
Grande? Quem � realmente grande, Tubby?
N�o passo de um pobre ator que grita no palco para ser ouvido.
E a fama?
Veja.
O fogo da fama.
Um triunfo brilhante, flamejante e orgulhoso.
Que se apaga a qualquer momento.
Nunca se sabe.
Grande hoje...
...um fracasso amanh�.
Com licen�a, senhor. Acabou de chegar um homem a cavalo.
-N�o pode entrar! -Sil�ncio, b�rbaro!
N�o interrompa a grandeza do momento.
Estou perante David Garrick de novo. Como fiz tantos anos atr�s.
Foi um grande momento naquela �poca, mas agora estou sem palavras.
Sil�ncio � o �nico tributo que pobres mortais podem pagar a um g�nio imortal.
Bem... ent�o nos encontramos de novo. � realmente um privil�gio!
Ele se lembra de mim! Depois de tantos anos, o grande Garrick ainda se lembra
do pobre Jean Cabot.
N�o achou mesmo que eu fosse te esquecer, Jean Cabot?
Claro que eu me lembro! Mas vamos ver se voc� se lembra.
Onde nos encontramos pela �ltima vez? Aposto que esqueceu!
Eu? Me esquecer do teatro Glow? Dundee? Esc�cia?
Certo! Que mem�ria milagrosa!
Assim como a sua, Sr. Garrick.
Que noite! David Garrick como Hamlet! E Jean Cabot como o segundo coveiro!
A primeira e �nica vez que tive a honra de ser visto com o melhor ator da nossa �poca!
Eu tremia! Minhas falas me sufocavam! Mas quando abaixaram as cortinas
eu me recompus e perguntei ao David Garrick: "Sr. Garrick, eu arruinei sua cena?"
David Garrick colocou a cabe�a no meu ombro, eu nunca esquecerei isso enquanto eu viver,
ele me olhou nos olhos e disse: "Arruinar minha cena?
Querido Jean Cabot, voc� � o melhor coveiro com quem j� contracenei!
E a cova que fez � a melhor cova que Hamlet j� entrou em qualquer palco!
T�nhamos terra de verdade no palco, sabe? E voc� tinha que cavar!
Aquela foi a melhor �poca! A melhor �poca!
Verdade, Jean Cabot, verdade! Aquela foi a melhor �poca!
Grande �poca, Sr. Garrick! Que acabou para mim, acabou para sempre.
Eu perdi a voz.
Um ator antes, agora s� um ponto.
-Um ponto? -Sim, no Com�die Fran�aise.
No Com�die Fran�aise!
Sente-se, querido Jean Cabot, beba um copo de ponche, vamos falar sobre isso!
-Nada me interessaria mais! -Eu sei, por isso eu vim, Sr. Garrick.
Tenho algo muito importante para lhe dizer!
Se poss�vel em particular
E estamos. A boca de Tubby � um t�mulo!
Sr. Garrick, voc� corre perigo!
Eu corro?
Sim! Tem uma conspira��o sendo tramada contra voc�!
-Tem? -Tem uma conspira��o para arruinar sua fama,
sua carreira, talvez, sua pr�pria vida!
Seus inimigos est�o prontos para atacar! Eles querem te humilhar, querem...
Do que est� falando? Eles? Quem s�o eles?
Os atores do Com�die Fran�aise!
Meu querido colega!
Voc� n�o acredita em mim? Vim direto de Paris para te avisar!
-De Paris? -Sim!
David Garrick, fiz por voc� algo que nenhum ator fez por outro na hist�ria do teatro!
Para chegar aqui a tempo, passei dois dias montado em um cavalo!
Meu pobre colega! A primeira coisa que deve fazer � se sentar. Aqui, uma boa cadeira.
Tubby, um travesseiro, r�pido, um bem macio!
Meu pobre amigo machucado!
Aqui est� a chave para a adega, senhor!
Voc� ter� cuidado, certo?
Sempre mantenho a adega trancada e entrego as garrafas diretamente para os gar�ons.
Pode-se confiar aos gar�ons qualquer coisa, menos vinho.
E atores costumam ser piores que os gar�ons.
-Eu n�o quis ofender, senhor! -Todos os danos ser�o pagos.
-Sim, senhor! -Est� tudo preparado?
-Os empregados sa�ram? -Como mandou, senhor!
Todo mundo! Eu me certifiquei.
Acho que � tudo.
-Obrigado! -Obrigado, senhor!
-Sim? -Posso ficar e ver o espet�culo?
-Que espet�culo? -Senhor, eu n�o sou um idiota.
Voc� aqui e todos os seus atores. Voc�s alugaram o lugar por um dia.
Certamente deve haver um espet�culo sendo preparado
Sr. Dulac, o Adam & Eve nos pertence por 24h e sem perguntas!
N�o � o nosso trato?
-� sim. -Ent�o tenha um bom dia!
Bom dia, senhor!
Sr. Picard! Tenho que lhe dizer algo!
Quietos! Por favor!
N�o consigo ouvir minha pr�pria voz!
Vamos ver.
Tr�s criadas. Senhorita Auber, Nicolle e Molee.
Sim, Sr. Presidente!
T�m tudo? Toucas, aventais, meias?
Sim, Sr. Presidente!
-Seus quartos s�o... -J� sabemos!
-L� em cima. -No sot�o.
-Que vista!
-Sr. Presidente? -Sim?
Na Pousada Asombrada, a com�dia de sucesso, sabe?
O cavalheiro viajante tentou pegar um copo de �gua para mim no meio da noite.
Isso � s� fic��o, Sr. Presidente? Ou acontece em pousadas reais tamb�m?
N�o na minha, espero. Por que?
Eu s� pensei que... nunca se sabe.
E se o Sr. Garrick ficar com sede no meio da noite?
Se ele tiver sede, voc� grita por ajuda.
Obrigada, Sr. Presidente.
Vamos prosseguir com isso!
O Ferreiro? Sr. Noverre?
Estou aqui, Sr. Presidente! Tenho tudo!
-Voc� sabe tudo? -Claro, senhor! Voc� me disse...
Voc� vai esquecer e eu vou ter que dizer de novo. E tire a peruca?
-Por favor...senhor... -Cuidadores de cavalo?
-Sim, senhor! -Gar�ons!
-O senhor... -Sim, senhor!
Ajam naturalmente. N�o falem muito que n�o cometer�o erros.
Coloquem suas fantasias.
-Sr. Presidente! -Sim?
O que �? N�o temos muito tempo.
Gar�ons? Cuidadores de cavalos? Servi�ais? Criados?
Este � o meu destino a 15 anos!
Sr. Conde, o jantar est� servido!
Madame La Marquise, a carrugem est� na porta.
� tudo o que eu tinha que dizer.
Mas tem mais aqui, Sr. Presidente!
Algum dia terei a chance?
Por favor, deixe-me ser um pr�ncipe! Deixe-me ser um b�bado!
Deixe-me ter boas falas! Deixe-me mostrar meu potencial!
Quietos!
Os pap�is est�o definidos! N�o temos tempo agora
para reescrever a pe�a, ou para mudar os personagens.
E lembrem-se! A pol�tica do Com�die Fran�aise sempre foi
colocar os melhores atores nos menores pap�is.
-Mas, Sr. Presidente... -N�o quero mais ouvir este assunto!
Sim, Sr. Presidente.
Dois nobres briguentos.
Sr. LeBrun e Thierre.
-Sr. Presidente, estamos perfeitos. -Como sempre!
Fa�am seu melhor! E n�o falhem em assust�-lo!
-Falhar? -Preste aten��o na minha espada.
E cuidado com os p�s enquanto eu arrumo a mesa.
-O qu�? -E se poss�vel, n�o quebrem os m�veis.
Teremos que pagar por todos os danos.
Posso dizer algo, Sr. Presidente? Eu tenho um bom truque.
Me deixe em paz, William. Est� me enlouquecendo!
Enlouquecer!
� isso! O que disse!
� uma �tima ideia!
Sr. Presidente, eu lhe pe�o, estou implorando de joelhos!
Deixe-me enlouquecer!
Eu sou assustador, fantasmag�rico, horr�vel, mortificante!
Por favor, pelo amor de Deus! Nunca ver� nada igual!
Quer assust�-lo, n�o?
Ent�o deixe-me ser um louco!
S� preciso de uma faca e eu irei faz�-lo enlouquecer de medo!
Um gar�om pode enlouquecer facilmente, n�o?
Muitos gar�ons realmente enlouquecem!
� muito comum! Sr. Presidente, por favor!
Por favor! Por favor!
Nada mal. Nada mal mesmo.
Foi ideia sua, Sr. Presidente!
Sua ideia brilhante!
Muito bem. Veremos isso depois. Trabalharemos nisso.
Obrigado, Sr. Presidente! Obrigado!
Isso o manter� ocupado por um tempo, certo?
O tri�ngulo amoroso!
Sr. Moreau, Sra. Moreau e Sr. Janin.
O marido, a mulher e, como de costume, o terceiro.
Trabalho de rotina.
J� fizemos isso juntos antes, Sr. Presidente!
No palco e fora dele.
Agora, s� mais uma coisa.
O Sr. Beaumarchais nos forneceu uma �tima trama.
Quero ver uma performance a altura.
Nosso objetivo �, primeiro, deixar o arrogante Sr. Garrick intrigado.
E ent�o, assust�-lo.
O que ser� f�cil, com certeza,
e, por fim, ele ser� apenas um rid�culo se encolhendo de medo.
Provem que os atores do Com�die Fran�aise n�o precisam de aulas de atua��o
de um amador metido anglo-sax�o
na arte de atua��o realista!
Quietos! Aten��o! Por favor!
Agora, n�o serei mais o Sr. Presidente!
Serei o Sr. Dulac, o gerente da pousada.
Isso � tudo.
Sim, Sr. Dulac! Sim, Sr. Dulac!
Pare! Pare na primeira bifurca��o.
� onde irei lhe esperar
Voc� me ajudou muito e odeio ter que me separar de voc�, Jean.
Odeio tamb�m, David! Mas n�o devo aparecer na estrada.
Eles podem estar vigiando!
Irei por outro caminho para Paris!
N�o seria o melhor para voc� tamb�m?
Pe�o mais uma vez! Evite a pousada! V� direto para Paris! Converse com eles!
-Explique eu nunca disse aquilo! -N�o sou exatamente um covarde, sou, Tubby?
Realmente n�o. N�o exatamente
Planejo passar a noite no Adam & Eve e n�o vejo motivo para mudar de ideia.
Mas n�o sabe o que te espera l�!
Me expulsaram antes que eu pudesse ouvir o plano!
E se contratarem bandidos para te machucar?
Meu amigo, interpretei Sherlock em Dublin. Eu n�o tenho medo.
-Sabe exatamente o que fazer? -Sim, Sr. Presidente!
N�o me chame de Sr. Presidente! Eu sou o Sr. Dulac, dono da pousada!
Sim, Sr. Dulac!
Seja bem-vindo, senhor! Bem-vindo ao Adam & Eve!
Boa noite, senhor!
O nome da sua pousada soa convidativo!
Dorme-se t�o bem aqui quanto no para�so?
Nunca houveram reclama��es quanto �s nossas camas, senhor.
O senhor deseja passar a noite?
Sim.
Que azar, senhor! Creio que resta apenas um quarto, um bem caro.
Caro? Para n�s? Voc� sabe com quem est� falando?
Garrick, � o nome. Sr. Garrick de Londres.
Caro, sim!
Garrick? N�o � David Garrick? O Garrick?
Em pessoa.
Seja bem-vindo, Sr. Garrick! Mil vezes bem-vindo!
Me perdoe! O Adam & Eve est� todo a seu servi�o!
O Grande Garrick!
� uma honra para nossa casa! � um prazer! � um privil�gio!
-� um... -Obrigado, senhor!
-Senhor... -Dulac � meu humilde nome!
Obrigado, Sr. Dulac.
Posso lev�-lo para dentro, senhor?
Voc�! R�pido com as malas! Leve-a para o quarto de carvalho!
O quarto famoso, Sr. Garrick!
A pr�pria Madame La Marquise uma vez se hospedou aqui.
Posso lev�-lo para dentro?
Ei! O que est� fazendo?
Estava pobre! N�o duraria mais um quil�metro!
Isso � rid�culo! N�o tem nada de errado com esta roda! Pelo menos, n�o tinha!
As madeiras j� se foram! N�o v�?
N�o tem olhos nessa cabe�a est�pida?
Quem diabos voc� pensa que �?
Qual � o seu problema? Sr. Garrick, pe�o perd�o!
O colega parece estar b�bado. Entre, arrumarei tudo aqui em um minuto!
Depuis, Fra�ois! R�pido! Mostrem o caminho!
-O que eu disse? -Voc� me mandou quebrar a roda!
-N�o mandei brigar! -Me mandaram brigar!
Mais tarde, e era com o Sr. Garrick, n�o seu servo!
Sabia que era algo assim... � que sem ensaio... eu misturei tudo.
� nisso que d� dar um papel a um ator sem roteiro!
V�! Est� babando!
N�o tinha nada de errado com aquela roda!
-Ele deliberadamente... -Quieto.
Algo est� podre neste lugar. Venha.
Ainda n�o est� macio.
-Vai ficar, Capit�o! -� melhor ficar!
E o melhor corte deve ser guardado para mim.
N�o se esque�a, com osso.
Ent�o, cozinham aqui mesmo? Excelente, excelente!
Reserve este peda�o para mim.
Sim, senhor. Vai querer o p�ssaro?
Pe�o perd�o! Novamente, Sr. Garrick.
Sua carruagem estar� pronta pela manh�, mas espero que fique conosco por mais tempo.
Seu quarto � l� em cima.
Bravo!
Sr. Garrick! T�o desastrados! Cachorros! Porcos!
Se machucou. Sr. Garrick? Queria que tivessem quebrado o pesco�o!
Nada de errado? Gra�as aos c�us!
Peguem as malas! Saiam daqui! Tolos desastrados!
Ainda estou tremendo, Sr. Garrick! Me perdoe! Eu lhe imploro!
Esque�a isso. Vamos prosseguir.
V� primeiro, senhor.
Obrigado, senhor! Por aqui, senhor!
O banheiro � ali, senhor.
-Espero que fique confort�vel. -Obrigado.
H� mais alguma coisa que eu posso fazer por voc�, senhor?
Agora n�o, obrigado.
Eu que agrade�o, senhor.
Que garota bonita, n�o?
Melhor carruagem feita na Inglaterra, material perfeito, o carvalho mais forte...
-O que disse? -N�o havia nada de errado com aquela roda!
� o que eu estava dizendo, Sr. Garrick!
Ainda pensando no ferreiro?
-E o dono? -O dono?
-O gerente da pousada! -O que tem ele, Sr. Garrick?
-Voc� o viu? -Claro que o vi. Sim, senhor.
-Diga, voc� deve saber! -Saber o que, senhor?
Se ele � um gerente de pousada, voc� � David Garrick!
O que quer dizer, senhor?
Ele � um ator, Tubby, um ator!
E n�o dos bons.
� �bvio!
E o ferreiro era um ator tamb�m!
Voc� devia ser um carpinteiro, Tubby, acertaria o prego na cabe�a!
E os gar�ons! E os clientes! E as mo�as bonitas que estavam aqui!
Atores! Claro! Todos eles! Atores!
Para que?
Veremos!
Disseram-lhes que eu disse que os ensinaria a atuar!
Ent�o, est�o me dando uma aula de atua��o!
Acharam que nos enganariam.
E o que faremos?
Meu bom Tubby, como pode perguntar?
Nos vestiremos para o jantar!
-Posso come�ar a ser assustador? -N�o, disse para esperar sua vez.
Senhor!
A mesa dos servos � ali.
� mesmo? Que agrad�vel!
Sr. Garrick.
-O p�ssaro, senhor. -Obrigado.
Est� tudo como gosta, senhor?
Admir�vel! Est� tudo como deveria ser, em cada detalhe!
Eu pedi explicitamente o pato grande e gordo!
-Obrigado, senhor! -Eu que agrade�o, senhor!
-Que tal ter cuidado, senhor? -Est� falando comigo, senhor?
Estou pedindo cuidado, senhor. Voc� chutou minha cadeira, senhor.
-Eu espero que pe�a desculpas, senhor. -Me desculpe, Sr. de Marquis
Esstou muito arrependido, Sr. Conde. Com licen�a, meu senhor.
Me perdoe, Vossa Majestade!
Est� sendo sarc�stico, senhor? Ou � realmente t�o educado?
Se est� procurando problema, senhor...
Problema? Com voc�?
C�o que ladra, n�o morde!
Cavalheiros! Cavalheiros! Por favor!
O que foi isso? O que foi?
-Uma dama, senhor! -Que dama?
Uma mulher, uma jovem da alta sociedade, sozinha na estrada e est� vindo para c�.
Dama? Voc� disse dama?
-Boa noite. Onde est� o gerente da pousada? -Aqui estou, senhora. Ao seu dispor!
Procuro por ajuda! Minha carruagem virou, l� embaixo, perto daquele campo de populus.
A estrada � muito �rdua! O belo senhor poderia me ajudar com a carruagem?
Claro, senhora! Certamente! Farei todo o poss�vel para ajud�-la!
Baptist! �mile! Jean! Fra�ois! V�o ajudar com a carruagem!
-Espero que n�o esteja machucada. -N�o, s� estou um pouco abalada.
Pode pedir para seus homens trazerem minhas malas?
Est�o espalhadas pela estrada e... eu quero um quarto.
-Um quarto? -Sim, um quarto.
Eu espero que tenha um.
Eu lamento, senhora, mas est�o todos ocupados. Estamos lotados.
O que eu vou fazer? Minha carruagem n�o est� em condi��es para seguir e eu...
Pode me dar um copo de �gua, por favor?
Com certeza, senhora! Louis! R�pido! �gua!
Obrigada!
Eu lamento muito!
Est� se sentido melhor agora, senhora?
Sim, obrigada, mas estou muito cansada, n�o posso seguir viagem.
Voc� precisa conseguir um quarto para mim!
-Minha querida senhora... -Acho que esta � a minha deixa!
Eu n�o gosto disso! N�o gosto nem um pouco!
Imposs�vel, senhora! Estamos lotados, n�o tenho nem uma cama.
Me d� um instante! Posso lhe oferecer meu quarto, senhora?
-� muito gentil, senhor, mas n�o posso... -Eu insisto, senhora!
N�o, n�o, n�o, senhor! Eu n�o lhe incomodaria!
Al�m disso, n�o tenho outro quarto para lhe oferecer!
N�o tem problema! Meu criado n�o ir� se importar de dividir o quarto dele comigo.
Senhor, eu imploro! Um momento!
Aceitaria meu quarto, senhora?
Por favor!
Sim, senhor! Com prazer!
Desta forma ter� privacidade e poder� descansar.
Posso lev�-la at� o quarto? � no andar de cima.
Meu criado ir� remover minhas coisas imediatamente. Tubby!
-Obrigada, senhor, � muito gentil! -N�o h� de qu�, senhora!
Ai meu Deus!
-Por aqui, senhora! -� senhorita.
Obrigado, senhorita.
-Quem � ela? -Como poderia saber? N�o seja rid�culo!
-Uma estranha, viajante. -N�o deveria ter deixado ela ficar!
-� um erro. -N�o me viu tentando dispens�-la?
Ele foi tolo o bastante para oferecer o pr�prio quarto.
Afinal, eu sou o gerente da pousada, n�o posso expulsar um cliente!
-Ou posso? -Ela vai atrapalhar!
Sua presen�a pode arruinar tudo!
� terr�vel! Pode me impedir de enlouquecer!
Colegas artistas! N�o � hora de perder a coragem!
Comportem-se como se a intrusa n�o estivesse aqui!
Ela pensa que est� em uma pousada! Deixe que continue pensando!
O pior que pode acontecer � ela ficar assustada!
A reputa��o do Com�die Fran�aise est� em jogo!
Lembrem-se: a pe�a deve continuar!
Sim, Sr. Dulac! Sim, Sr. Dulac!
Acha que vai ficar?
Espero que sim! Vai ser uma surpresa para ele!
Acredito que ficar� muito confort�vel, senhorita!
Obrigada, senhor!
-Bem... -Bem...
Removeremos nossas evid�ncias de ocupa��o masculina.
Perd�o?
As malas, Tubby.
Boa noite, senhorita!
Boa noite, senhor!
-Sr. Garrick! Eu entendi! -Entendeu o qu�?
-Aquela garota � uma atriz! -N�o me diga!
Eu digo! Pensa bem, Sr. Garrick: a briga, confus�o, uma mulher com medo.
O sino toca e entra a garota com o melhor vestido do arm�rio!
Meu Deus, que entrada!
Muito teatral, talvez, mas sempre eficaz para a atriz principal!
Acha mesmo que eu entendi tudo, Sr. Garrick?
Tubby, meu amigo, voc� sempre entende tudo!
S� uma coisa me parece estranha.
Por que n�o deram um quarto para ela?
Tubby, � �bvio! N�o tem imagina��o?
Donzela em perigo. Sem quarto. Apela para o cavalheiro David Garrick.
Uma deixa, por assim dizer.
E voc� certamente aceitou a deixa, mas tamb�m voc� nunca falhou com as damas.
Mas por que? Por que escolheram aquela mo�a pequena para ser a atriz principal?
Para me manipular, meu querido Tubby! Pelo nariz! Querem que eu fa�a amor com ela.
Querem? Era o que eu temia!
Voc� � t�o tolo, ela � linda!
Voc� viu aqueles longos c�lios piscando quando ela me olhou?
E o olhar sonhador, t�o cheio de do�ura e promessas...
N�o, Sr. Garrick, n�o pode se envolver com nenhum desses franceses.
J� temos muito com o que lidar!
Por que n�o? Ela est� implorando para me fisgar!
Esse pobre peixe seria t�o rude a ponto de n�o morder a isca?
Mas isso s� traz problema. Sempre foi e sempre ser� assim.
Pais zangados, maridos zangados. Eu sei, eu tive que lidar com isso por voc�
de novo e de novo e cada incidente me envelhece 15 anos.
Meu amigo, isso n�o � s�rio!
Poderia eu, David Garrick, recusar tal desafio?
Poderia se tivesse ju�zo! Me perdoe.
Aposto que ela se revela em 10 minutos.
Tudo o que preciso fazer � morder a isca. Subirei � superf�cie para isso.
N�o gosto disso! N�o gosto nada disso!
Voc� n�o precisa gostar, Tubby.
N�o se preocupe! � f�cil fisgar esse peixe, n�o � t�o f�cil lev�-lo.
Eu me pergunto se eles esperam que eu comece
ou se ela far� a primeira investida.
Ela come�a.
E bem cedo.
Cedo demais, para meu azar.
Socorro! Socorro!
Certo, certo! N�o grite! Estou indo!
Donzela em perigo...
...her�i ao resgate!
Socorro! Socorro!
Bem...
Qual o problema, senhorita? Onde est� o vil�o?
Ali, por favor! Ali! Ali! Na cama!
Na cama?
Sim, embaixo da colcha!
Tenha cuidado!
N�o chegue perto, por favor!
O que �?
Apenas um sapo.
Tire-o daqui, por favor, morro de medo de sapos! Cuidado! Ele pode pular!
Boa ideia!
Vamos deix�-lo pular.
Muito obrigada!
Acha que pode haver mais?
Creio que posso procurar.
N�o se preocupe, por favor, j� lhe causei muitos problemas.
� tolo, n�o �? Mas eu deitei na cama e, de repente, mexeu!
Chamou, senhorita?
Eu... sim... tinha um sapo na minha cama!
Um sapo?
Sim, mas est� tudo bem agora, obrigada.
Boa noite, senhorita!
Boa noite, senhor!
Est� ficando bem tarde, n�o est�?
Eu...sou muito agradecida a voc� e...
-Senhorita? -Sim?
N�o est� com medo de mim, est�?
N�o, senhor, n�o tenho medo de voc�.
Ent�o por que n�o me fala seu problema de verdade?
Por que se assustou tanto com a batida na porta?
N�o sabia que era a criada. Pensei que...
Pensou o que?
Nada.
N�o confia em mim? Talvez eu possa ajudar.
N�o h� nada para falar, senhor.
E ningu�m pode ajudar.
Nem mesmo um velho amigo?
Mas, senhor, nos conhecemos pela primeira vez hoje.
Nos encontramos muitas vezes antes.
Onde?
N�o se lembra? Uma vez fiquei debaixo do seu balc�o.
na bela Verona.
Encostou seu rosto em uma das m�os
e eu queria ser uma luva naquela m�o para poder encostar em seu rosto.
Tem uma linda imagina��o, senhor.
Tenho uma mem�ria muito �til, senhorita.
Onde mais nos encontramos?
N�o se lembra que uma vez salvei sua vida de um terr�vel drag�o?
Voc� estava aterrorizada
mas daquela vez voc� pediu que eu ficasse.
Que indiscreta da minha parte.
N�o havia impudor no seu lindo rosto corado.
Entendo...
O que mais eu disse?
N�o disse muito.
Voc� n�o teve a chance, eu falava muito.
Fizemos uma linda caminhada em volta do lago, n�o �?
Lembra-se?
N�o, me lembro claramente que voc� me convidou, mas eu recusei.
O senhor n�o sabe o quanto eu aprecio esta oportunidade!
E eu farei o meu melhor para...
Ela est� ali, senhor. Aquela garota.
Onde est� o sangue?
Aqui, senhor.
Segure isso. Vou colocar na hora, precisa estar fresco.
-Pronto? -Um momento!
-Vamos l�. -V� para tr�s, Eleanor!
Em seus lugares! Quietos! Quietos!
-Ei! Voc�! Cuidado! -O que? Voc� de novo?
Voc� pisou no meu p�!
O que � isso? Diz que eu te chutei, que eu pisei em voc�... n�o me provoque!
Ent�o voc� quer ser morto? Pode vir!
Morto por voc�?
Pode vir! Pegue sua espada!
N�o tem ningu�m aqui!
Onde est� o Sr. Garrick?
Sr. Garrick?
Vejam!
Bem, se me permitem dizer... nossa pequena cena faltava emo��o.
Esque�a, o tri�ngulo amoroso � o pr�ximo. Vamos assust�-lo de volta para dentro.
Onde est� o meu marido?
� um espelho. N�o, � uma janela secreta revelando o tesouro secreto sob o mar.
Veja, uma sereia! E como ela � linda!
Uma sereia? Obrigada, senhor, � muito galante!
O que � isso?
Uma cortina. Boa noite!
A janela foi fechada, a sereia foi dormir.
Ainda n�o! Vamos ficar mais um pouco.
Est� ficando tarde!
Mas n�o est� com sono. Nem eu estou.
N�o, n�o estou com nem um pouco de sono.
Que estranho! Eu estava t�o cansada e esgotada quando cheguei e agora...
Agora?
Eu n�o sei.
Ent�o posso lhe dizer?
Agora sente que nunca mais precisar� descansar.
Sente-se como se pudesse ficar sem descansar pelo resto da eternidade.
Livre, leve e solta.
Voando eternamente nas asas da noite inexplorada.
Como Julieta em seu balc�o.
Ela fala! Fale de novo, anjo radiante!
porque �s t�o gloriosa para esta noite, sobre a minha fronte,
como o emiss�rio alado das alturas ser poderia
para os olhos brancos e revirados dos mortais at�nitos,
que, para v�-lo, se reviram,
quando montado passa nas ociosas nuvens e veleja no seio do ar sereno.
Por que me olha assim?
Como?
Eu n�o sei. Por que?
Eu n�o sei como te olho.
E n�o sei por que.
N�o acho que estivesse te olhando, eu s� estava... ouvindo.
Com seus olhos?
Talvez. Acredito que h� vozes que podem ser vistas. Voc� n�o?
Que tola!
J� somos amigos e eu nem sei seu nome!
Eu sou Germaine...
Germaine Dupont, � o meu nome.
E meu nome � David Garrick.
David Garrick.
Sr. Garrick, o ator ingl�s?
O pr�prio.
David Garrick! Eu n�o acredito!
Devo provar minha identidade?
Quer um curto mon�logo de com�dia?
Ou prefere algo tr�gico?
Devo morrer por voc�?
Uma carinhosa cena rom�ntica, talvez.
� David Garrick.
Estou falando com o grande David Garrick!
Est� me lisonjeando, senhorita Germaine.
O famoso Garrick! Est� a caminho de Paris, n�o? Do Com�die Fran�aise!
Sua informa��o est� correta, senhorita.
Como sabe que vou para Paris? Eu n�o lhe disse.
Todos sabem! Est� por toda Paris!
David Garrick me deu seu quarto!
David Garrick me disse que sou linda!
Ningu�m acreditar�!
Posso confirmar por escrito.
Voc� � uma mocinha muito estusiasmada, n�o �?
N�o � todo dia que se conhece David Garrick!
Me disseram tantas vezes que voc� � o melhor ator da nossa �poca
e que eu n�o saberia o que � atua��o de verdade at� te ver!
E quem lhe disse esses... grandes exageros sobre mim?
Meu pai.
Qual o problema?
Nada.
Senhorita Germaine, confie em mim.
J� lhe disse abertamente que sou David Garrick.
Por que n�o ser igualmente honesta sobre quem e o que voc� �?
Porque voc� sabe...Dupont.
Eu sou ingl�s e mesmo assim consigo pensar em um nome franc�s menos �bvio que Dupont.
Eu sei que posso confiar em voc�.
Me nome verdadeiro �...
O que foi isso? Estou assustada!
Socorro!
-A� est� voc�! -Socorro!
L� est� ele!
Pare! N�o atire! N�o atire!
N�o atire! N�o atire!
Parece um pouco perigoso aqui. Vamos entrar.
Viu como fugiram correndo?
Assustados, ambos.
E o meu pulo?
Expl�ndida aterrissagem!
Eu me lembro que quando interpretei Don Juan, eu pulei...
Pare com essas recorda��es.
Continuem. Atirem mais!
O senhor primeiro.
Sr. Dulac, acha que ele ficou realmente assustado?
Assustado? N�o viu ele fugindo do jardim e se escondendo no quarto?
O grande Garrick � um grande covarde e j� est� morrendo de medo!
N�s o levaremos ao ferreiro, n�o se preocupe.
-Sr. Presidente! -Sim, sim, o que � agora?
Estou pronto.
Entrei no personagem.
Posso come�ar a assust�-lo?
N�o me chame de Sr. Presidente, eu sou Sr. Dulac!
E espere sua vez, voc� ser� o cl�max!
Se n�o me deixar enloquecer logo, eu enloquecerei!
Por que est�o atirando? Qual ser� o motivo?
� apenas mais um drama da vida.
Muito comum em pousadas no interior.
Eu nunca passei a noite em uma pousada do interior.
Eu acredito em voc�.
Voc� n�o age como se j� tivesse, senhorita...
De la Corbe. Esse � meu nome verdadeiro.
Fico feliz em saber.
Facilita, n�o?
Agora podemos ser amigos honestos.
Meu pai � o Conde de la Corbe.
Eu fugi dele.
Voc� fugiu?
Sim, agora voc� sabe.
Acho que agora eu sei. E por que fugiu?
Meu pai quer que eu me case com um homem que n�o amo. Ent�o fugi.
Entendo...
-Algu�m est� batendo na porta. -E se for meu pai?
N�o, acho que n�o.
Veio daquela porta, deve ser meu criado,
nossos quartos s�o juntos. Ent�o, se me der licen�a.
Odeio lhe incomodar com minha hist�ria.
N�o, n�o, n�o! Voc� n�o me incomoda!
Volto em um minuto, senhorita de la Corbe.
Por que bateu?
N�o consegui deixar isso continuar.
Eu te conhe�o, senhor.
Mais um minuto ouvindo aquelas mentira rid�culas
e voc� iria come�ar a rir na cara dela.
Est� certo Tubby, eu iria.
Uma condessa!
As malas, sabe?
Fugindo do pai! Meu Deus.
Foi demais para mim quando ela come�ou a interpretar t�o mal seu papel.
Digo que este foi o fim daquela mocinha com o Sr. Garrick.
Ele pode ser feito de tolo pelas mo�as...
Pe�o desculpas, senhor...
Mas reconhece uma atriz quando v� uma.
Condessa em fuga!
De todos os truques teatrais antigos e tolos!
Como ousam?
Como ousam?
Jogar isso? Para mim?
Rid�culo!
Papai quer que eu me case com um homem que n�o amo ent�o fugi.
E ela espera que engula essa hist�ria.
Voc� ir�, senhor?
Sim, Tubby, irei.
Engolirei tudo!
Deixarei que briguem e atirem
e darei todas as oportunidades para que ela se fa�a de assustada
como a amadora que �.
Mas quando atingir o cl�max
quando ela implorar para que eu a leve para longe
ou quando cair em meus bra�os
eu mostrarei como Garrick trata suas atrizes principais!
Darei a aula de atua��o que ela tanto precisa!
E no fim da aula, ela n�o ser� mais uma amadora!
Mas ela � muito atraente, Sr. Garrick.
Sim, esse � o problema.
Em seus lugares!
Quietos!
Quietos!
Mas eu sempre fui cabe�a dura!
Devia ter visto quando meu pai se recusou a me dar um p�nei quando eu tinha 5 anos.
-E voc� ganhou o p�nei? -Ganhei!
Foi bem simples! Apenas tive que chorar, chorar e chorar at� que ele me deu.
Est� muito quieto.
Estou lhe entediando com minhas bobagens?
Nem um pouco.
Mas se estou com David Garrick, ele quem deveria estar falando.
Ele pode estar com medo de falar.
-Voc�? Com medo? -Por que n�o?
Se eu come�asse a falar, talvez dissesse tudo o que queria dizer esta noite.
Eu n�o entendo.
N�o?
Germaine...
Se importa se lhe chamar de Germaine?
Germaine...
Acredita em amor � primeira vista?
Nunca pensei nisso.
Eu n�o sei.
Eu nunca acreditei, mas realmente existe.
Ver uma pessoa pela primeira vez e saber imediatamente que a ama!
Sempre achei que essa ideia fosse loucura...
at� esta noite.
Agora sei que � verdade.
Aconteceu comigo.
Minha querida, n�o me pro�ba de falar!
Sei que deve me considerar louco por ousar dizer-lhe tudo isso,
mas eu preciso lhe dizer, por favor, me permita.
Hoje, l� embaixo, quando voc� apareceu no corredor...
como posso lhe fazer entender o que aconteceu comigo?
Somente quem j� passou por isso entenderia realmente.
Nunca te vi antes, n�o sabia quem voc� era.
Sabia somente que, para mim, o mundo todo parou.
Um encanto tomou conta de mim. Uma m�gica.
Estranha, doce e poderosa.
Uma m�gica que nunca conheci.
Devo parecer louco, mas n�o consigo evitar.
� mais forte que eu.
Olhe para mim! Estou tremendo como uma folha na tempestade.
Tentei desesperadamente faz�-la entender.
Germaine...
Quero lhe dizer as coisas mais lindas.
S� posso dizer que te amo, te amo, te amo!
Minha doce querida...
Lhe assustei?
Sou muito ousado?
Muito atrevido?
Eu lhe disse, sou uma pessoa t�o estranha!
Sempre choro quando estou feliz.
Sim, querida, � verdade.
Nos apaixonamos.
� destino!
Agora acredito em destino!
Agora entendo tudo. Eu tinha que fugir de casa!
Eu tinha que vir aqui!
Para te conhecer! Te amar!
Estou t�o envergonhada! N�o achei que pudesse dizer essas coisas.
N�o me deixe falar, por favor!
Minha querida, n�o deixarei que fale.
Eu lhe impedirei.
Voc�! Cuidado!
� o meu pai! � o meu pai!
O que? Voc� de novo?
-N�o � o seu pai. -Voc� pisou no meu p�!
O que � isso? Diz que eu te chutei, que eu pisei em voc�... n�o me provoque!
N�o se assuste, querida, � apenas uma briga no corredor. Ir�o embora logo.
Ent�o voc� quer ser morto? Pode vir!
Morto por voc�?
Pode vir! Pegue sua espada!
Cavalheiros, por favor!
N�o, n�o, por favor, podem ferir voc�!
Cavalheiros! Cavalheiros!
Acalme-se, querida. Eles se foram, n�o h� mais perigo!
Ele... ele morreu?
Eu n�o aguento... Eu n�o aguento mais.
Eu quero ir embora, quero partir imediatamente, este lugar � um hosp�cio!
Com certeza � um pesadelo de pousada, n�o dever�amos continuar aqui.
Mas sua carruagem est� quebrada. E a minha tamb�m!
Talvez o gerente tenha uma para alugar! Pode, por favor, perguntar?
N�o! N�o pergunte!
Se eu partir agora talvez nunca mais te veja! N�o quero partir!
Pensou que eu te deixaria partir sozinha? Onde quer que v�, irei junto.
N�o posso ir para Paris, meu pai est� l�, e voc� precisa ir ao Com�die Fran�aise!
Quem se importa com o Com�die Fran�aise quando posso estar com voc�?
-Mas n�o posso aceitar... -Ent�o esquecemos Paris...
Ent�o iremos para Londres...
Juntos.
Te amo! Amo tanto que d�i!
Fique parado, Sr. Dulac!
Que noite, Sr. Garrick! Que noite!
Nunca sobreviverei! A reputa��o da minha casa!
Esque�a a reputa��o. Tem uma carruagem para alugar?
N�o, Sr. Garrick, n�o tenho! Cuidado com esse curativo!
Ent�o minha carruagem deve ser consertada imediatamente!
Sr. Garrick, n�o me diga que quer ir embora.
N�o fico aqui outro minuto correndo risco de vida! Onde est� o ferreiro?
-Sr. Garrick, eu lhe imploro... -Onde est� o ferreiro?
-Dormindo na ferraria, provavelmente. -Acorde-o!
Sr. Garrick, n�o posso andar! Escorreguei no corredor e machuquei o tornozelo!
Que noite! Que noite!
Eu preciso da minha carruagem, onde est� o ferreiro?
Sr. Garrick, talvez voc� possa falar com ele, oferecer um pouco de dinheiro,
ele est� logo ali, a alguns passos da entrada.
-Sr. Dulac! Sr. Dulac! -O que �?
O que foi agora?
� o Louis! Algo aconteceu com o Louis!
Est�o tentando segur�-lo em seu quarto. Ele enlouqueceu!
N�o.
A� vem ele!
Corra, Sr. Garrick, ele quer mat�-lo!
Acalme-se, Louis, n�o precisa ficar assim, n�o h� perigo!
N�o h� perigo? � o que pensa.
N�o sou louco.
Eu sei o que estou fazendo. Sou o �nico que sabe!
Eu ouvi, de madrugada, ele planeja cortar nossas entranhas e colocar em uma torta.
N�o ouse negar!
Agora...
S� o deixe em paz, isso passa, e se n�o passar, bem, � bem simples,
� tirar-lhe a faca e, assim, n�o machuca ningu�m.
Chega, imbecil!
Est� arruinando a trama. Enlouqueceu de verdade?
� o que eu devia fazer! Eu o expulsei, n�o?
Ele o manda consertar a carruagem, mas voc� est� b�bado.
Voc� est� bravo.
Voc� bate na bigorna com o martelo, n�o nele com a bigorna.
N�o bater nele com a bigorna.
Dever� soar como um gongo.
Este ser� o sinal de que a briga come�ou.
Sa�remos para v�-los.
Ent�o deixe-o com o olho roxo.
Apague-o, agarre-o, arraste-o para o lago,
jogue-o e isso � tudo.
� tudo mesmo.
Ele o manda consertar a carruagem, mas voc� est� b�bado.
Voc� est� bravo.
Voc� bate na bigorna com o martelo, n�o...
N�o nele com a bigorna.
Garrick!
Que triunfo para o Com�die Fran�aise!
O grande David Garrick enganado a noite toda por uma simples piada de crian�a.
Simples, mas muito bem executada.
Eu disse que conseguiria, senhor!
Fique quieto, n�o estava falando de voc�.
Estava falando daquela �ltima cena, no lago.
O que dir� para ele?
Primeiro, quando ele sair do lago engatinhando ensopado e tremendo, farei:
Ent�o direi que o Sr. Beaumarchais est� escrevendo um panfleto em Paris,
dizendo para o mundo todo o que aconteceu com o homem
que veio ensinar ao Com�die Fran�aise como atuar.
Sr. Dulac, n�o quero estragar a divers�o de ningu�m, n�o tem nada a ver comigo,
-e n�o quero me intrometer. -Mas o que?
Mas o que o Sr. Garrick far� depois?
Fazer?
O que ele pode fazer? N�o seja rid�cula!
N�o era o sinal?
O que � isto? O que est� fazendo aqui? O que aconteceu? Onde ele est�?
Por que n�o fez o sinal?
Ele... ele est� b�bado!
Ele est� b�bado!
Por que est� rindo?
Porque � t�o engra�ado! Ele est� boiando. Boiando na �gua.
Boiando, boiando, boiando como um peixe morto!
A coisa mais engra�ada que j� vi!
S� bati na cabe�a dele com o martelo
e ele boia na �gua!
O ingl�s se foi. N�o � bom, n�o � nada bom.
Um corpo est� boiando na �gua...
� sangue!
Ele o matou!
Sangue? Quem matou quem?
O que � isso tudo? Outro assassinato?
S�rio? Este hotel � um pesadelo! Vai enloquecer todo mundo!
� rid�culo! Eu devia reclamar!
Onde est� o Sr. Garrick?
Onde est� o Sr. Garrick?
Ele est� acabado!
Morto?
Voc�s o mataram! Voc�s mataram David Garrick!
-Assassinos! Ser�o todos enforcados! -Peguem-no.
N�o mataram s� o melhor ator do mundo, mas o meu melhor e mais verdadeiro amigo
David Garrick era um g�nio, era gentil... Socorro! Chamem os guardas! Socorro!
Membros do Com�die Fran�aise...
N�o percam as cabe�as! Lidaremos com o Tubby depois.
-Sim, mas o que faremos com ele? -S� um minuto!
Ou�am! Todos!
V�o para seus quartos, arrumem as malas, devemos sair daqui o mais r�pido poss�vel!
� lament�vel. O que aconteceu, aconteceu. Mas ningu�m pode saber!
Todos voltaremos a Paris imediatamente.
E lembrem-se: nunca estivemos aqui!
O que quer que tenha acontecido, dever� ser segredo. Para sempre!
Concordo, deve ser segredo.
Vamos manter entre n�s.
Sr. Garrick!
Pobre Tubby!
Bravo! Quase me enganou!
Por um momento.
Voc� me fez um lindo epit�fio, Tubby. Obrigado!
� uma pena, senhoras e senhores, temo que arruinei sua pe�a.
Eu queria ir at� o fim dessa pequena com�dia, sabe?
Mas ser atacado e jogado no lago?
Me desculpem, mas isso eu n�o quero.
Voc�s teriam gostado da minha atua��o de esp�rito...
A� est� voc�, meu amigo, espero que n�o tenha se resfriado!
A pr�xima vez que quiser desacordar ingl�s, interprete voc� mesmo o papel!
Como soube?
Meu senhor, voc� se entregou!
Desde o in�cio, todos voc�s se entregaram t�o obviamente!
-N�s n�o nos entregamos! -Ah, n�o?
Voc�! Voc� sempre interpreta reis no palco, n�o?
Sim, como soube?
Porque voc� anda como um rei.
Como um rei de teatro.
"Sr. Garrick! � uma honra, Sr. Garrick! � um privil�gio, Sr. Garrick!"
Ao estudar uma pessoa na vida real para personific�-la, n�o olhe o rosto!
Olhe os p�s!
Observe! � assim que um verdadeiro gerente de pousada anda.
Por subir e descer escadas o dia inteiro, a vida toda, ele anda assim.
Quando cheguei, vi como andava e soube: este homem n�o trabalha aqui.
O resto foi f�cil.
Quando te vi, soube que n�o era gar�om.
Tubby, me d� esta bandeja.
Voc� a carrega assim.
Enquanto um gar�om de verdade...
Com licen�a, senhora. Com licen�a, senhor.
Obrigado, senhor. Com licen�a, com li...
Voc�!
Ent�o pensou voc� que era louco?
Antiquado, amigo, muito antiquado.
A moda muda, sabe? At� para lun�ticos!
O Tubby consegue fazer um louco mais convincente que voc�!
Tubby, venha aqui!
Mostre para ele. Enlouque�a.
Perfeito, Tubby.
Viram? E ele nem sabe atuar!
Voc�s!
Na verdade, voc�s foram muito bons.
Voc� deveria estar morto, claro, nunca deve reaparecer.
E acho que exagerou na tinta vermelha.
A audi�ncia n�o gosta de muito sangue, sabe?
Parece, Sr. Garrick, que nos permitiu te enganar
porque gosta de dar a volta por cima.
-Muito bem, se acabou a aula... -Acabou, sim.
A classe est� dispensada.
Falando em aula. Apenas para deixar claro...
Em Londres, eu n�o disse que lhes ensinaria a atuar.
S�o apenas boatos maldosos.
Sempre tive muita admira��o pelo Com�die Fran�aise
para dizer algo t�o est�pido!
No entanto, n�o tem import�ncia.
Boa noite!
Que bom que voltou!
Algo errado?
E voc� ousa se chamar de atriz!
N�o fique me encarando, j� descobri o jogo!
-Que jogo? -Que jogo? Seu jogo, senhorita Germaine,
ou como quer que voc� se chame. Sua atriz lastim�vel do Com�die Fran�aise!
Ainda me encarando?
Claro, voc� deve estar muito surpresa, n�o consegue entender, eu sei.
Vou te deixar ainda mais surpresa: eu sabia desde o come�o!
-Sabia o que? -Tudo!
Toda a pegadinha que voc�s tentaram fazer comigo!
Bem, eu satisfiz a donzela?
Atingi suas expectativas?
Fiz amor com voc� cedo e ardentemente o bastante?
O que disse?
Voc� ouviu!
E vou dizer mais! Eu j� disse aos seus colegas o que penso deles, mas voc�...
� dif�cil achar palavras! Os outros ainda tinham algum talento.
Voc�! Voc� � a mais med�ocre! A mais decepcionante!
Em outras palavras: a pior atriz com quem tive o azar de contracenar uma cena de amor!
Cena de amor?
Quer dizer que estava apenas atuando?
N�o, foi realmente amor a primeira vista.
Claro que eu estava atuando, junto com voc�, o que mais seria?
Eu sabia quem voc� era, acho que at� voc� consegue entender!
Sim, come�o a entender um pouco.
E Sr. David Garrick, eu poderia te dar uma resposta, te esmagar em um minuto,
mas n�o vou. Nunca!
Me esmagar? Com o que, sua pretensiosa atrevida?
"Socorro! Socorro! Por favor! Estou com tanto medo!"
Com medo de um sapo! Mas n�o teve medo de coloc�-lo na sua cama!
Eu? Quer dizer...
Entendo.
Como descobriu? E como soube desde o princ�pio quem eu era?
Voc� n�o gostaria de saber?
Temo que seja muito esperto, Sr. Garrick!
Sua esperteza me deslumbra!
Obrigado!
E desculpa n�o poder dizer o mesmo.
Um sapo foi a maneira mais esperta de me atrair para os seus bra�os?
E aquela sedu��o? As l�grimas, a timidez, o amor que fizemos, o beijo...
� o melhor que sabe fazer? � o que chama de atua��o?
Deixe-me dizer que foi deplor�vel! N�o tem nenhuma experi�ncia?
Em beijar? Na verdade n�o, mas voc� percebeu, certo?
Devo ter sido muito decepcionante!
Mas por que falar de mim? O assunto desta conversa � atua��o, n�o �?
-Ent�o � sobre voc� que devemos falar! -Eu?
Certamente! Admito que foi uma atua��o expl�ndida!
A doce voz mel�dica, a paix�o arrebatadora, o tremor, a express�o nos olhos!
Mas foi f�cil para voc�, certo? Voc� � David Garrick!
Todas as emo��es de amor e paix�o est�o nas pontas dos dedos!
� s� puxar as cordas e l� est� a melhor cena de amor!
A melhor? Voc� superestima seu talento, senhora!
Voc� ainda n�o viu David Garrick em sua melhor cena de amor!
Talvez veja algum dia!
No palco! Com uma atriz de verdade que possa inspirar de verdade!
Ser� muito elucidativo, tenho certeza! Estarei l�, prometo, e aplaudirei.
Isso mesmo! Como uma espectadora na plat�ia, onde � o seu lugar! N�o no palco!
Saia daqui! Saia daqui de uma vez por todas!
V� para a casa do papai! N�o se esque�a que tem um pai!
O bom e velho conde!
Ele lhe perdoar�, tenho certeza!
Obrigada pelo conselho, acho que o seguirei!
N�o seguir�!
Conhe�o seu tipo!
Sem talento, sem cora��o, mas com um rosto bonito.
Ent�o sonhar� com o sucesso para sempre!
Voc� n�o ir� desistir, ir� continuar atuando!
Mas n�o comigo, n�o! Nunca mais comigo!
Me desculpe, mocinha, mas grande Garrick n�o atua mais em teatros de segunda!
Adeus!
O grande Garrick.
Sr. Garrick.
Sim?
Est� indo?
-Estou. Para Londres. -Pode nos ouvir um momento, por favor?
Sr. Garrick, admito que agimos mal com voc�.
O fato de que est�vamos enganados n�o � desculpa.
Mas h� um momento em que um ator esquece tudo que � mesquinho e tira seu chap�u.
� o momento em que ele v� um ator melhor.
Sr. Garrick, em nome de toda a minha companhia,
imploro que seja nosso convidado e nos d� a grande honra de atuar no Com�die Fran�aise.
Vive la France!
Bravo, Sr. Garrick! Bravo!
N�o � lindo, senhorita? O Sr. Garick ir� para Paris!
-H� outro caminho para sair daqui? -Est� indo embora, senhorita?
-Estou, mesmo que seja andando! -Meu Deus, senhorita.
Ir� ver o Sr. Garrick em Paris?
Pode me mostrar a sa�da, por favor?
Por aqui, senhorita.
Se eu te ver em Paris, eu direi o que acho da sua atua��o!
O audit�rio do Com�die Fran�aise
antes da cortina subir para David Garrick como Don Juan.
O tempo: algumas semanas depois.
Olhe, Sr. Garrick! Toda a elite de Paris est� aqui!
Sr. Garrick!
N�o se preocupe, mesmo. Sempre o deixamos sozinho.
Ele n�o suporta que falem com ele antes da pe�a. Medo do palco.
Ele est� assustado, apenas.
Sr. Garrick, deixe-me demonstrar minha sincera admira��o como escritor
ao ser vencido no pr�prio jogo.
Eu n�o diria isso, Sr. Beaumarchais, eu apenas acrescentei algumas coisas
para melhor o meu papel.
Sr. Garrick, estou reescrevendo o meu Barbeiro de Sevilha para voc�.
O teatro e a literatura agradecem.
Mas pe�o licen�a agora, tenho que me concentrar para o papel.
-Sr. Garrick! -Sim?
Tem algo que preciso lhe dizer!
Lembra-se do cavalo com o qual fui at� a pousada Turk's Head?
O cavalo?
Sim, o cavalo! N�o era o meu cavalo, eu n�o tenho um!
Peguei emprestado de um amigo. Que trabalha no grande est�bulo.
Hoje cedo eu visitei o meu amigo, para saber se o cavalo estava bem.
-E o cavalo est� bem? -Sim.
Fico feliz.
Eu montei com for�a, sabe? Ent�o, eu estava no est�bulo, falando com um amigo...
Meu querido Jean Cabot, voc� fez algo muito importante e eu nunca esquecerei!
Mas mesmo assim n�o � motivo para me aborrecer com sua hist�ria sobre cavalos
quando estou para me apresentar como Don Juan pela primeira vez!
-Sr. Garrick, por favor! -Me deixe em paz!
Eu imploro! N�o posso mais ouvir sua hist�ria sobre cavalos!
-Sr. Presidente. -Sim, Sr. Garrick?
Quero lhe perguntar algo.
Onde est� aquela garota?
Qual garota?
Voc� sabe qual. A pequena.
A pequena?
Sim, a pequena. Eu estava pensando que talvez fui um pouco injusto com ela.
Naquela noite eu disse para que ela abandonasse os palcos.
N�o a vejo por aqui, creio que levou minhas palavras muito a s�rio.
Eu n�o queria arruinar a carreira dela.
E talvez algumas palavras gentis lhe d� mais confian�a.
Onde ela est�?
Sr. Garrick, n�o tenho no��o do que est� falando.
Estou falando da senhorita Germaine ou qualquer que seja o nome dela.
Aquela atriz para quem dei meu quarto na pousada.
Sr. Garrick, ela n�o era uma atriz.
N�o era? Quem era ela, ent�o?
Uma estranha, uma viajante. Uma dama!
Uma dama? De verdade?
Claro! Me esforcei para me livrar dela, mas voc� insistiu em dar o seu quarto.
Foi bem vergonhoso para n�s.
O grande Garrick!
Vou lhe dizer, meu amigo, que o grande Garrick � um grande tolo!
Ele nem mesmo reconhece emo��es reais quando as v�.
Ele pensa que � apenas m� atua��o.
Voc� pensou... voc� achou que ela...
Pobre garota!
O que ela deve ter sentido quando eu...
Sr. Presidente, me perdoe. N�o posso atuar hoje.
-O que? -N�o atuarei!
-Mas Sr. Garrick... -N�o posso!
Como posso atuar com o cora��o partido?
-Cora��o partido? -Sim, estou apaixonado!
-Desde quando? -Desde agora! N�o entende?
Conheci uma garota... como nenhuma no mundo!
Doce, linda e com um cora��o verdadeiro! Ela me ama e eu a dispensei!
Eu a humilhei, ri de seus sentimentos mais sagrados!
Coloquei meu p� em seu cora��o e pisoteei!
Um cora��o doce e apaixonado!
Que monstro que sou!
E eu a amo! Entende? Eu a amei o tempo todo!
S� agora entendo o quanto a amei. Agora que � tarde demais.
Encontrei a felicidade e a joguei fora!
Meu Deus! Voc� quer que eu atue hoje!
N�o posso! N�o vou!
Preciso encontr�-la!
Quero me ajoelhar na frente dela e implorar que pise em meu cora��o!
-Sr. Garick... -N�o atuarei enquanto n�o encontr�-la!
E se nunca encontr�-la, nunca mais atuarei!
Sr. Garrick!
Mas Sr. Garrick...
-Sr. Garrick, est� brincando! -Nunca fui t�o s�rio! Nem t�o s�o ou s�brio!
N�o atuarei!
Mas, Sr. Garrick, a pe�a deve prosseguir. Seria um esc�ndalo!
Paris toda est� aqui, eles nunca o perdoariam!
N�o me importo.
-Arruinaria o Com�die Fran�aise! -Ningu�m te culparia!
Mas a culpa � toda sua!
-D� o papel para outra pessoa. -Muito bem, mas quem?
Um homem que costuma interpretar Don Juan!
Foi anunciado. Est�o apaganto para te ver! Os pre�os aumentaram!
Ent�o eu mesmo anunciarei!
-N�o, Sr. Garrick... -N�o tema, farei um discurso.
-O que dir�? -Dizer?
Que algu�m est� doente ou morrendo. O que for.
N�o � o que direi, mas como direi.
Sr. Pierre.
-Sim, Sr. Presidente? -Voc� ser� Don Juan!
-Troque, r�pido! -Claro, Sr. Presidente!
Senhoras e senhores, eu...
Qual o problema com o Sr. Garrick? Por que n�o continua?
"Eu a conheci no est�bulo. Expliquei tudo.
Ela sabe, compreende, perdoa, o ama.
Esta � a hist�ria "sobre cavalos" que tentei contar."
Senhoras e senhores...
N�o sei como come�ar a dizer o que eu quero dizer.
Pela primeira vez na vida, n�o encontro palavras!
Porque pela primeira vez na vida
estou apaxionado!
Mal consigo falar, pois estou ouvindo uma m�sica no meu cora��o.
Meu cora��o canta! E a m�sica �
"Te amo, te amo, te amo!"
� a melodia imortal. E quando a ou�o, estreme�o.
A mo�a que amo aceitar� meu cora��o?
Acreditar� em mim?
Me amar� de volta?
Devo persuad�-la! Cortej�-la!
Devo implorar de joelhos para que acredite em mim que a amo de todo cora��o!
E que a amarei sempre, aceite ela ou n�o a minha adora��o.
Senhoras e senhores...
N�o tenho vergonha de confessar o meu amor em sua presen�a.
Tenho orgulho!
Porque a dama que amo � bem conhecida por voc�s.
� conhecida por todos, no mundo todo!
Ela � linda e orgulhosa!
Ela � amada, adorada, respeitada e admirada!
Ela �...
A bela Fran�a!
Espero que ela aceite meu cortejo graciosamente.
E que ela seja misericordiosa com o meu amor.
Obrigado! Obrigado, senhoras e senhores!
E agora...
Vamos subir as cortinas!
O que est� fazendo com esta fantasia?
Voc� disse que n�o atuaria.
N�o seja rid�culo, n�o disse nada disso. Saia do palco!
Interpretarei Don Juan como nunca foi interpretado!
Subam as cortinas!
Tradu��o: Giovana Ishida
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