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Sou a Angela Bassett, produtora executiva de Queens,
uma série sobre assumir e manter o seu poder.
Estas rainhas animais mostram-nos o que é preciso
para se ser verdadeiramente uma grande líder.
Cada episódio conta uma história de sacrifício e força,
mas também de amizade e amor.
Nos bastidores, está uma história igualmente inspiradora.
Uma história que demorou quatro anos a ser feita
de mulheres incríveis de vários pontos do mundo.
Tem uma mensagem de coragem e esperança
que me é muito cara.
Estas são as rainhas por detrás das rainhas.
Queens, da National Geographic,
homenageia as poderosas líderes fêmeas no mundo natural.
E por detrás de cada animal inspirador no ecrã,
está uma mulher igualmente corajosa e determinada.
Durante a realização da série,
estas mulheres notáveis fizeram um grande esforço
para documentar e proteger
aa vidas das nossas rainhas animais.
É paixão.
Conseguimos fazer qualquer coisa se decidirmos fazê-lo.
Enfrentámos muitos obstáculos e ultrapassámo-los.
Elas persistiram contra todas as probabilidades.
Esta é a sua história.
As premiadas cinematógrafas Sophie Darlington e Justine Evans
têm mais de 50 anos de experiência combinada
a filmar nos lugares selvagens do nosso planeta.
Já filmo vida selvagem há mais de 25 anos.
Já sou velhota.
Há muito poucas cinematógrafas de vida selvagem.
Mudou um pouco desde que comecei, mas não muito.
Ao fazerem Queens,
elas estão determinadas a criar uma verdadeira mudança.
O nosso objetivo era filmar histórias incríveis na natureza
sobre liderança feminina, mas também trazer muito talento
numa altura em que não podia haver mais necessidade
de vozes fortes e frescas.
Sophie e Justine uniram forças
com quatro realizadoras promissoras de várias partes do mundo.
O Parque Nacional de Amboseli no Quénia
acolhe a derradeira irmandade animal.
A realizadora local Faith Musembi está responsável
por encontrar a manada de elefantes certa para filmar.
Tanto quanto sei,
sou a primeira queniana a trabalhar numa série como esta.
Nunca filmei vida selvagem. É obviamente bastante assustador.
Há muita ansiedade associada a algo assim,
mas há algo na minha cabeça que diz "esperem só para ver"
porque sou uma pessoa motivada
e estou muito empolgada por trabalhar com a Sophie Darlington.
Ela está nesta indústria há muito tempo,
está ao mais alto nível
e estou ansiosa por aprender com a experiência dela.
Enquanto Sophie voa até lá para apoiar Faith,
Faith e a equipa começam a conhecer os elefantes de Amboseli.
Este ano há uma explosão de bebés,
o que é incrível, mas torna o meu trabalho de tentar identificar
o bebé e a família certos para filmar muito mais difícil.
Mas enquanto Faith tenta encontrar a manada certa,
uma fêmea solitária capta a sua atenção.
Esta é uma família muito interessante.
Já os sigo há algum tempo.
Mas, curiosamente, há outra fêmea que não está com eles,
mas que tem um comportamento muito estranho.
Estou a tirar fotos
para que o Elephant Trust nos ajude a identificar os elefantes.
Espero que me digam quem é ela.
Faith contacta Katito e Norah,
investigadoras do Amboseli Trust for Elephants, para a ajudarem.
Katito.
Gerem o projeto de pesquisa de elefantes no terreno
que há mais tempo dura no mundo.
Não os identificam pelas presas?
As presas às vezes partem-se. É melhor pelas orelhas.
Qualquer marca nas orelhas.
Aqui está um vídeo dela.
- Quem é ela? - É a Selengei.
Com a Selengei, não é preciso vermos as marcas nas orelhas.
Basta olhar para a forma do corpo dela.
- Vês que está curvada? - Assim?
Está curvada.
Norah e Katito aconselham há anos equipas de filmagem,
mas esta é a primeira vez
que trabalham com uma realizadora do seu país.
É bom falarmos a mesma língua.
Não é que não saibamos falar inglês,
mas é muito mais fácil trabalhar contigo.
Vejo que tens esta paixão no coração. Nunca percas isso.
A Norah e a Katito estão a quebrar barreiras.
Deixar a família por um longo período para fazer o que elas fazem
choca com a nossa cultura e as nossas tradições.
Por isso, quando me encorajam a continuar
a traçar o meu próprio caminho, há muito peso por detrás disso.
Finalmente, Sophie chega a Amboseli.
Quando começámos, esperávamos encorajar mais mulheres a fazer isto
e pronto, está a acontecer, é incrível.
Minha Nossa Senhora.
Meu Deus, é tão bom ver-te!
Enquanto Faith começa a sua viagem de realização,
a apenas 16 km de distância outro grupo de mulheres quenianas
usa as suas vozes para proteger a vida selvagem de Amboseli.
Somos a Team Lioness.
É esse o nosso nome porque as leoas são corajosas.
Somos inteligentes e também corajosas.
A Team Lioness,
apoiada pelo International Fund for Animal Welfare,
é um grupo de guardas florestais de vida selvagem todo feminino.
Elas protegem a terra comunitária
que faz fronteira com o Parque Nacional de Amboseli.
Sharon Nankinyi é a líder de unidade da Team Lioness.
Coexistimos com a vida selvagem há muitos anos.
Partilhamos os corredores, as zonas selvagens.
À medida que a população humana aumenta,
as povoações expandem-se para locais selvagens
e os conflitos com animais estão a aumentar.
Nós lidamos com a comunidade.
Há quem não compreenda o benefício da vida selvagem.
No Quénia, cerca de 25 pessoas e 100 elefantes morrem
como resultado deste conflito todos os anos.
A Team Lioness trabalha para proteger ambos
e têm uma arma secreta.
Como somos mulheres, conseguimos obter informações facilmente...
...das senhoras das aldeias.
As mulheres têm sido oprimidas na nossa sociedade
e não dão informações facilmente a guardas florestais masculinos,
mas a nós dão.
Serem mulheres é exatamente o que torna a equipa tão bem-sucedida,
mas tem também sido o seu maior desafio.
Eunice Poneti é a motorista da equipa.
Quando começámos este trabalho,
a comunidade achou que estávamos a fugir ao casamento
ou que deixaríamos de respeitar os nossos anciãos
de acordo com as nossas tradições.
Eunice e as outras guardas estão a conseguir que resulte.
Mesmo com filhos atrás.
Algumas de nós trazemos os filhos para o acampamento.
A colega cuida do nosso bebé quando estamos de patrulha.
Não mudámos.
O impacto das mulheres tem sido significativo.
Desde a sua primeira patrulha em 2019,
a caça furtiva e a matança de animais por retaliação
diminuíram em 80%.
A Team Lioness quer que mais mulheres se juntem a elas.
Não sou a única capaz de ser cabo.
Outras subirão e tornar-se-ão cabos.
E eu continuarei a subir na carreira até ser guarda sénior.
Quero assim encorajar mais mulheres a trabalhar em conservação.
para trabalharmos juntas para garantir que as gerações futuras
ainda possam ver vida selvagem na nossa terra.
A Team Lioness usa a sua posição no coração da comunidade
para fazer a diferença.
Por todo o mundo,
mulheres estão a quebrar barreiras na luta pela vida selvagem.
Tania Escobar é uma realizadora originalmente do México.
Com 1,57 m de altura e miudinha,
não encaixa exatamente no molde de rude cinematógrafa exploradora.
Mas Tania não deixou que os estereótipos a travassem.
Ela está a viajar até ao centro da Bacia do Congo
para filmar uma espécie de símio discreta
que não se encontra em mais lado nenhum da Terra.
Leva dois dias a chegar lá.
É uma longa caminhada mas é bonita
porque atravessamos muita selva e savanas.
É uma boa introdução à selva.
Tania e a equipa são guiados por uma equipa de locais.
Com centenas de quilos de equipamento atrás,
a equipa precisa de toda a ajuda possível.
Filmar num local tão remoto
é um privilégio, mas pode ser perigoso.
Quando estamos no terreno, sabemos que, se algo corre mal, pronto.
Não conseguimos sair dali depressa.
Claro que estamos sempre preocupados com a saúde de todos
nesses locais muito remotos.
Claro que esses medos existem sempre, mas não pensamos muito nisso.
Só o suficiente para estarmos preparados.
A equipa está sediada na Luikatole Research Station,
trabalhando de perto com investigadores
do Max Planck Institute for Animal Behaviour.
E, com a ajuda de batedores,
encontram finalmente aquilo ao que vieram.
Cá estão eles.
Estes são bonobos,
grandes símios em perigo
e um dos nossos parentes vivos mais próximos.
Partilhamos quase 99% do nosso ADN.
Encontram-se apenas aqui na Bacia do Congo.
Este é o primeiro vislumbre de Tania.
Têm um chamamento tão bonito.
Estão muito alto.
Os bonobos preferem ficar na copa das árvores
onde há muita fruta e estão a salvo de predadores.
Os bonobos não virão ter com Tania
pelo que Tania irá ter com os bonobos.
A equipa constrói uma plataforma de filmagem.
O Tom está a preparar-se para subir. Infelizmente, há muitas abelhas.
Estão a dificultar o trabalho,
mas esperemos que seja uma boa árvore para montar a plataforma.
Que tal, Tom?
Tania, vê-se muito bem daqui de cima. Acho que estamos prontos.
Tania, com os seus 1,57 m, sobe até à copa das árvores
onde ser mais baixa não é problema nenhum.
Ser pequena tem vantagens e desvantagens.
Na plataforma de uma árvore, dá muito jeito, tenho muito espaço.
Apesar de estar quase 30 metros no ar numa plataforma minúscula
e coberta de abelhas,
Tania está incrivelmente calma.
Mesmo quando a floresta tropical faz jus ao seu nome.
Está a chover mesmo torrencialmente
e a plataforma está a mexer-se.
Não houve tempo de guardar a câmara e tapei-a só com um saco plástico.
Acho que é o fim do dia. Não há bonobos hoje, só muita chuva.
São filmagens desafiantes.
Temos de ser positivos porque senão a frustração consome-nos
porque a maior parte dos dias não resulta.
Temos de continuar a animar-nos.
E se soubermos que, quando acontecer será especial,
isso motiva-nos.
Tania e a equipa seguem a jovem bonobo Zowie
quando ela deixa a sua casa pela primeira vez.
Os bonobos são gentis, cativantes,
mas, infelizmente, também estão em perigo,
pagando o preço do comércio ilegal de vida selvagem.
Havia um bonobo que ficara com a mão presa numa armadilha
e foi muito doloroso de ver porque ainda tinha arame agarrado
e a mãe tinha exatamente o mesmo ferimento
mas a mãe já não tinha metade da mão.
Os bonobos estão a sofrer às mãos dos humanos,
um dos seus parentes vivos mais próximos.
Na capital da República Democrática do Congo,
uma organização está determinada a ajudar.
Estes pequenotes encontraram uma nova casa
no Lola Ya Bonobo,
um santuário para bebés que perderam as mães.
No Lola Ya Bonobo, tentamos salvar aqueles órfãos,
dar-lhes esperança de vida.
Esta é Souzy Kwetuenda.
Ela supervisiona o bem-estar animal no santuário
e é a primeira cientista congolesa a publicar estudos sobre os bonobos.
Focamo-nos na psicologia dos bonobos.
O meu primeiro estudo foi a relação entre a mãe bonobo e o bebé.
Foi esse o início e apaixonei-me
e descobri que os bonobos são maravilhosos, são muito complexos.
Estes bebés passaram por grandes traumas.
Muitos viram as mães serem mortas à sua frente.
Para um animal tão inteligente como um bonobo,
esta perda é devastadora.
Sem amor e afeto, o bebé bonobo não consegue sobreviver.
Por isso, quando temos um recém-chegado,
novos órfãos, a primeira coisa é encontrar-lhes no berçário
uma mãe adotiva.
As mamãs são cuidadosamente selecionadas e treinadas.
Cuidam de cada bebé como se fosse seu.
Este é o mais recente membro, Owila.
Foi salva de caçadores furtivos
que caçaram a sua família em busca de carne selvagem.
A mãe adotiva de Owila é Peggy.
Todos os novos órfãos passam tempo a sós
com a sua mamã na quarentena
antes de serem introduzidos no berçário.
Normalmente, o tempo que passam na quarentena depende do trauma.
Se estiver tudo a correr bem,
podem passar um mês e estão bem.
Mas há os que ficam mais tempo porque a sua saúde está muito fraca.
Owila está em quarentena há pouco mais de dois meses.
Quando ela chegou, vimo-la muito magra
e... completamente destroçada, perdida.
Souzy e as mamãs compreendem trauma melhor do que a maioria.
E, quando vemos isso,
não é diferente das crianças que vivem na guerra.
O povo da RDC é assolado por conflitos há mais de 20 anos.
Sou uma mulher que veio da guerra,
por isso compreendo como é doloroso viver sob pressão, pressão humana.
Como resultado da guerra e de pressões sobre o ecossistema,
os números de bonobos diminuíram rapidamente
ao longo dos últimos 30 anos.
Para salvar a espécie,
Souzy e a sua equipa precisam que o povo congolês
ame os órfãos tanto quanto elas
e isso começa com as crianças.
No Lola, proporcionamos um programa educativo para escolas.
Oferecemos-lhes uma visita grátis
para compreenderem mais, observando bonobos.
- Bom dia, amigos! - Bom dia, amigos.
- Bom dia, bonobos! - Bom dia, bonobos.
São pequenos, não é? São bebés.
Olhem, muito amor. Veem como eles se encavalitam?
É muito importante começar a ter uma ligação com estas crianças
que podem facilmente mudar a sua família,
mudar o seu ambiente, mudar os seus amigos.
Podem partilhar facilmente informação.
- Os bonobos são animais - Protegidos!
- Devemos matá-los? - Não!
- Devemos comê-los? - Não!
- Devemos tê-los em casa? - Não!
Um aplauso para vocês. São inteligentes, certo?
Viva! Muito bem, parabéns!
Após dois meses em isolamento,
a bebé Owila está finalmente pronta para se juntar ao berçário.
A única forma de ter a certeza que há um bom progresso na psicologia
é ver os bebés a brincar.
Souzy espera que, algures no futuro,
Owila e os outros órfãos sejam libertados no seu habitat natural,
a floresta tropical.
Eles encontram um grande paraíso.
Eles esquecem-nos.
Esquecem-nos.
E estamos tão orgulhosos de trabalhar e de lutar por eles.
Desde 2008,
26 bonobos foram libertados na natureza,
para a floresta comunitária Ekolo ya Bonobo.
Numa altura em que a vida selvagem global está a diminuir mais depressa
do que em qualquer altura da história humana,
defensores apaixonados nunca foram mais importantes.
Do outro lado da fronteira, na Tanzânia,
outra mulher está pronta para dar a sua voz à luta.
A operadora de câmara local Erica Rugabandana
junta-se a Justine Evans para seguir Shani
e a sua irmandade de leoas enquanto combatem o clã da hiena Ayisha.
Tenho formação em conservação,
mas agora gostava de centrar a minha carreira
como operadora de câmara de vida selvagem.
Na Tanzânia, há muito poucas mulheres a fazer isto,
mas é paixão, carreira, é isso que adoro fazer.
Erica é sobretudo autodidata.
Agora tem as décadas de experiência de Justine atrás de si.
Que tal aqui? É bastante bonito, não é?
É também a sua primeira oportunidade de mexer
em equipamento de filmagem profissional.
Nem sabia que havia esta objetiva enorme e fiquei: "Meu Deus".
Não as temos na Tanzânia.
Filmar vida selvagem é uma arte e um ofício
porque quando estamos a filmar histórias sobre animais
não só estamos a criar a sua história usando a câmara
e toda a tecnologia disponível,
mas temos de mostrar artisticamente essa história também.
Eles fazem muitos movimentos aqui. Como escolher?
Parece tudo um pouco demasiado no início,
porque estás a pensar em todas as coisas diferentes,
mas torna-se instintivo ao fim de algum tempo, juro.
Para Erica, seguir o seu sonho traz sacrifícios.
Tenho três filhos
e com esta minha carreira como operadora de câmara
tem sido um desafio, não é um caminho fácil.
Estou a preparar-me para sair para fazer filmagens noturnas.
Põe a câmara direita para te conseguir ver.
- Não vos consigo ver a todos. - O Koku vem aí.
Quando tenho alguma rede,
ligo para casa e falo com toda a gente.
- Adeus. - Adeus, adeus!
Quando o sol se põe, o próximo desafio de Erica
é filmar na cratera depois de escurecer.
Carregamos tudo então.
Justine é especialista em filmagens noturnas,
mas Erica será a primeira mulher da Tanzânia a fazê-lo.
Estou tão empolgada.
E estou ansiosa por ver
como a Shani e o seu bando se comportam à noite.
Esta noite, a equipa está com sorte.
Encontrou os leões prestes a confrontar o clã
por uma matança fresca.
Vem aí a outra leoa.
Se se juntarem todas, terão uma oportunidade?
O instinto de Justine é certeiro, o bando lança um ataque em força.
Juntas, captam uma cena extraordinária.
Na verdade, foi incrível ver como a Justine usa a câmara.
Aprendi muito com a Justine.
Nunca esquecerei aquela noite.
O meu lugar é aqui.
Preciso de ter mais disto, preciso de praticar mais...
...para fazer documentários de qualidade
para o público da Tanzânia,
mas também para informar o mundo do que está a acontecer no meu país.
Orgulho-me tanto
de ser a primeira operadora de câmara de vida selvagem
na Tanzânia.
De volta ao Quénia,
Faith e Sophie têm seguido a bebé Binti
à medida que é integrada na manada.
Faith também descobriu algo notável
sobre o seu elefante fêmea preferido, Selengei,
e quer partilhá-lo com Sophie.
Ela é um elefante de ar doce.
- Vês que ela anda de cabeça baixa? - Não!
É cega. É um elefante cego.
Estás a brincar!
Ela vem na nossa direção. Olá, senhora linda. Olá!
Quando ela se aproxima assim tanto, costumo pôr música.
- O quê? - Sim.
Que bela ideia.
Sim, para ela saber que estou aqui.
Ela é linda.
Adorei partilhar aquele momento com a Selengei com a Sophie.
Estou a aprender que há valor na minha voz,
há valor em falar e contar as minhas próprias histórias.
Inspirar a nova geração a contar histórias de conservação
é crucial para o futuro do planeta.
Uma crença que a operadora de câmara Eric Ranney vive e respira.
Trabalhei no episódio costeiro com ursos,
trabalhei nas rainhas da savana com elefantes
e depois fiz um pouco sobre hienas e leões.
O que adoro na Erin é que ela tem uma independência e motivação,
verdadeira paixão e motivação.
A Sophie nunca me fez sentir
que tenho de ser a próxima Sophie Darlington,
mas deixou-me sentir que, se seguir a sua mentoria,
posso ser uma versão melhor da Erin Ranney.
Erin quer usar as suas aptidões como cinematógrafa
para inspirar jovens a agir para proteger o nosso planeta.
Tive um chefe que me mandou sentar e disse:
"Só quero que prometas que ensinas o que aprendes ao subir".
É uma citação de Mary Church Terrell que recordo sempre
porque preocupo-me tantas vezes de ainda não ter chegado lá,
de ainda não poder ajudar as pessoas e bastou-me isso para perceber:
"Não, posso ajudar agora!"
Erin percebeu que uma coisa que pode fazer
é ajudar a pôr jovens aspirantes a realizadores em zonas selvagens.
E onde podia ser melhor
do que onde Erin começou a sua viagem a filmar, no Alasca?
Cordova é o sítio mais bonito do mundo.
Sempre percebi que tenho acesso a sítios lindos
e a uma vida selvagem incrível.
Evelyn!
Meu Deus!
- Olá. - Que bom conhecer-te finalmente.
Sou a Evelyn Smalley,
sou de Lancashire, no noroeste de Inglaterra.
Erin e Evelyn contactaram pela primeira vez
através do "Girls Who Click", um programa de mentoria
que liga raparigas a fotógrafos e cinematógrafos profissionais
de vida selvagem.
Uma das melhores oportunidades que podemos dar à Evelyn
e a outras jovens realizadores é pô-las no terreno.
Até agora, Evelyn não teve muita experiência
com equipamento de filmagem.
Quando primeiro pegámos no kit, achei que não aguentava.
Todo o kit é muito pesado,
mas depois aguentamos, é o que adoramos fazer.
É um pequeno obstáculo.
E vou começar a fazer musculação porque acho que talvez ajude.
Tenta pô-la bem estável.
- Estás pronta para filmar tu? - Sim.
Está bem!
Evelyn está muito longe
de tirar fotos estáticas a vida selvagem em Inglaterra.
Afasta.
O que mais me impressionou na Evelyn foi um momento ao ar livre
e ela está completamente a escorrer água da chuva,
está completamente ensopada, e não se importa.
Estava completamente no seu elemento
e deixou-me tão orgulhosa porque é isso que é preciso.
Erin quer que Evelyn filme o animal que a inspirou a pegar numa câmara.
- Está ali um, vês? - Sim, sim.
Ir filmar algo tão poderoso tão de perto foi de loucos.
Antes, ter-me-ia centrado em tudo o que achava estar a fazer mal
e teria entrado em espiral até ser difícil sair de lá.
Boa, Evelyn.
Estão os dois aqui. São os dois jovens ursos.
A melhor forma de aprender é cometendo erros.
Aqui está um lugar para eu cometer erros.
Será uma grande oportunidade mesmo.
Lembra-te, foca-te em conseguir uma sequência,
tenta filmar os planos amplos primeiro,
fazer o close-up depois.
Erin ainda está no início da sua carreira,
mas já ajudou mais de 150 jovens mulheres em todo o mundo
partilhando as suas aptidões e paixão.
Sempre me senti muito sortuda
por ter uma família que me apoia imenso
que está tão disposta a ajudar e partilhar conhecimentos
e ajudar a minha curiosidade.
E não consigo agradecer-lhes.
Fico emocionada, mas não consigo agradecer-lhes
e a melhor forma de lhes agradecer é continuar a transmitir isso
e esperar manter esse legado
e mostrar-lhes o meu agradecimento dessa forma.
- O teu urso, o teu primeiro. - Sim, sim.
Esta próxima geração será crucial na luta pela vida selvagem.
Durante os quatro anos de filmagens de Queens,
a equipa experimenta uma altura determinante para o nosso planeta.
Quarenta países declaram uma emergência climática.
Em cada país que a equipa visita, os efeitos de clima extremo
ligados à crise climática são óbvios.
No Amboseli do Quénia, só num ano,
mais de 6000 animais morreram.
Faith regressa ao parque.
As coisas não podiam estar mais diferentes
de quando comecei, há três anos.
Morreram tantos animais.
E recentemente recebi a notícia devastadora
de que um destes animais é o meu elefante fêmea preferido, Selengei.
É estranho estar tão perto e...
...já não ter de tocar a música para ela saber que estou aqui,
por isso... sim.
Estou, mais do que nunca, inspirada para contar histórias
sobre o mundo natural.
Se as pessoas sentissem o que eu sentia pela Selengei,
acho que teríamos muita gente a agir
para proteger os espaços selvagens como os conhecemos
porque teríamos muita gente a querer fazer algo
pelas coisas que ama.
Faith e todas as mulheres desta viagem de Queens
são verdadeiras líderes,
usando a sua força,
a compreensão que têm dos problemas que as rodeiam.
E, recorrendo à sua própria experiência,
continuam a fazer ouvir as suas vozes.
Agora, o nosso planeta precisa que ainda mais vozes se juntem a elas.
O momento nunca foi tão crítico.
Legendas: Sandra Oliveira
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