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São todos do mês passado.
E uma vela.
EM 18 DE MARÇO DE 2025, 193 CRIANÇAS GAZENSES FORAM MORTAS
POR ATAQUES ISRAELENSES EM UM ÚNICO DIA.
EM RESPOSTA, UM GRUPO DE ISRAELENSES INICIOU PROTESTOS SEMANAIS,
SEGURANDO FOTOS DE CRIANÇAS QUE FORAM MORTAS.
"Ahmed Abu Sief, 9 anos. Era e não é mais, 7 de maio, 2025"
"Rital Abu Sneina, 13 anos. Era e não é mais"
"3 de abril, Escola Dar al-Arqam, Gaza"
Esta semana, ficaremos novamente
em memória dos meninos e meninas assassinados por Israel em Gaza
e em protesto contra o massacre contínuo em Gaza.
Ficaremos com as fotos das crianças e velas.
Ficaremos em silêncio e não gritaremos slogans.
Pedimos a todos que tirem dois minutos
e olhem para a foto do menino ou menina que seguram.
Leiam o que está escrito sobre elas,
e estejam presentes neste momento.
"Maram El Farwana. Era e não é mais, 3 de abril, 2025, Escola Dar al-Arqam"
"Suas duas irmãs foram mortas um ano atrás"
"Ahlam Muhammad Syam, 3 anos. Era e não é mais, 17 de abril, Khan Yunis"
CRIANÇAS QUE NÃO SÃO MAIS "ERAM E SE FORAM"
Legendado por Cabine de Projeção
A ATIVISTA ADI ARGOV REÚNE DETALHES DAS VÍTIMAS PALESTINAS DESDE 2020
Muhammad Ramz Al-Jadi.
Foi morto há dois dias no campo al-Bureij, perto do parque.
Me entristece não saber quantos anos ele tinha,
ou as circunstâncias de sua morte.
ELA CRUZA INFORMAÇÕES DE FONTES PALESTINAS, ISRAELENSES E INTERNACIONAIS
Em al-Bureij, ainda preciso verificar
se naquele dia, 8 de julho, houve um ataque a al-Bureij.
É a primeira verificação que faço.
Outra checagem é feita retroativamente com o Ministério da Saúde,
que tem um atraso nos relatórios.
Para mim, eles são a fonte, pois anexam os números de identidade.
Atualmente, são a fonte mais confiável
para "eram e não são mais".
Muhammad Bilal Muflah Abu Shamla, 13 anos.
Isto é de três dias atrás.
São fotos que as famílias enviam.
Ghazal significa corça.
Algumas das crianças que encontro foram mortas...
há alguns dias, uma semana, duas semanas.
Nem toda vez há alguma foto.
A primeira coisa que vejo é um nome
ou uma foto, infelizmente, delas... mortas.
Espero postarem a foto delas vivas, e se não...
Então não aparecem na manifestação.
Infelizmente, é o caso da maioria delas.
"Ghazal Ismail Mahmud Abu Layla, 7 anos. Era e não é mais, 20 de junho, Gaza"
"Muhammad Bilal Muflah, 13 anos. Era e não é mais, 7 de julho, al-Bureij"
"Muhammad Ramz Al-Jadi. Era e não é mais, 8 de julho, al-Bureij"
A VIGÍLIA SILENCIOSA OCORREU NO CENTRO DE TEL AVIV,
AO LADO DAS FAMÍLIAS DOS REFÉNS E OUTROS PROTESTOS ANTIGOVERNO
"Nos recusamos a fazer parte da guerra deles"
"Filha da família Mekdad"
"Era e não é mais, 17 de abril, Jabaliya"
"Maryam Ali Abu Dakaa. Era e não é mais"
A vigília não visa provocar.
É para as pessoas absorverem e levarem para casa.
Como discutir diante de um menino ou menina que foi assassinado?
O único jeito de mudar é as pessoas olharem para dentro
e entenderem que algo muito sombrio acontece,
algo que vai contra todos os princípios da humanidade, do judaísmo.
Nosso objetivo é...
despertar algo interior.
"Yehia Abu Arkod. Era e não é mais, 26 de maio, al-Bureij"
A razão de fazermos isso nos protestos
é para dizer que andamos juntos.
Não devemos parar a guerra só por causa dos reféns.
Isso é importante, mas também causamos muito dano a outro povo.
Não é "um ou outro".
Faremos outro momento de silêncio antes de prosseguir.
Convidamos vocês a se unirem ao protesto das famílias dos reféns.
Tirem mais alguns momentos para devolver os cartazes e velas ao carrinho.
Há todo tipo de protesto contra o governo.
O poder das vigílias de sábado é que cria diálogo.
Mas a questão é: se expandirmos,
onde terá o impacto que desejamos?
Queremos continuar indo a lugares
onde as pessoas estão mais a nosso favor?
Pessoalmente, não acho que isso deva nos guiar,
mas sim onde pode causar impacto.
Não acho que estejam a nosso favor.
Estão apenas mais abertos a isso,
pois já são críticos ao governo.
E a guerra não está trazendo os reféns de volta.
Então, nesse espaço, podemos introduzir
empatia também pelo luto palestino.
Agora, há uma tentativa muito forte de criar divisão
entre o protesto dos reféns e os que se opõem ao genocídio.
Aqui estão os que se opõem ao genocídio,
e aqui os que se opõem a isso e aquilo.
Não vamos cair nessa.
Vamos provar que é possível sentir compaixão por todos.
Sabe nos levar até o abrigo?
Vou abrir a porta para quem passar.
EM JUNHO DE 2025, ENQUANTO A GUERRA SE INTENSIFICAVA,
UMA NOVA FRENTE SE ABRIU ENTRE IRÃ E ISRAEL:
UMA GUERRA DE 12 DIAS QUE AUMENTOU AS TENSÕES EM TODO O ORIENTE MÉDIO
Estes são adesivos.
São crianças que morreram enquanto estávamos nos abrigos,
em Israel, Teerã, Gaza, na Cisjordânia.
São crianças que morreram enquanto estávamos nos abrigos.
Colem pela cidade toda.
Muito obrigada a quem veio hoje.
Pensamos na atividade de hoje durante a guerra com o Irã.
Ainda sentimos que há espaço
para nos reunir após duas semanas e meia muito difíceis
pelas quais passamos.
E ainda assim, não esqueçamos que...
isso é um grão de areia comparado
ao que os habitantes de Gaza passam há 20 meses.
Após acender as velas, marcharemos para a sede do partido Likud,
e colocaremos este memorial na escadaria do prédio.
Só uma atualização: faremos do outro lado da rua.
A polícia já está a caminho. Não podemos fazer na escadaria,
então faremos do outro lado, ok?
"Taha Baharozi e Alison Jabari. Eram e não são mais, 22 de junho, Irã"
"Mahmoud, Yazen e seu primo. Eram e não são mais, 22 de junho, Gaza"
"Mara Hajmari, 8 anos. Era e não é mais, 15 de junho, Irã. Era ginasta."
Aqui está outra família que foi aniquilada,
uma mãe e seus cinco filhos.
E isso aconteceu ontem.
Diz aqui que Mina, Ali e Aboud foram tirados dos escombros,
Mira, Rinal e o avô ainda estão soterrados.
Estou procurando informações sobre quem é esta família.
Aqui, aqui.
Família Juda.
O campo al-Shati fica a oeste da Cidade de Gaza.
Dez pessoas foram mortas num ataque aéreo,
entre elas uma mãe, um avô e cinco crianças.
O sobrenome é Juda.
"Mina, Ali, Abud, Mira, Rinal e Muhammad Hussein Juda.
Eram e não são mais, 9 de julho, al-Shati"
Lembrem-se de que esta é uma vigília silenciosa.
Se vierem tentar provocar,
por favor, não respondam e deixem os guardas agirem, ok?
"Ava Omar al-Qudra, 1 ano. Era e não é mais, 7 de maio, Khan Yunis"
Quanto sangue, quantas lágrimas até o tirano cair?
Não vamos parar até todos voltarem!
Não vamos parar até todos voltarem!
Parem a matança, parem a dor, tragam os reféns de volta!
Sem acordo, vamos parar o país, esta é a última chance!
Sem acordo, vamos parar o país, esta é a última chance!
"Daana Khattab. Era e não é mais, com os pais, 20 de março, Gaza"
Uma das primeiras vítimas após 18 de março
foi a bebê Benan. Ela tinha poucos meses
e nas primeiras fotos, usava um macacão de arco-íris.
E o contraste entre o arco-íris,
a inocência da roupa colorida e seu corpo sem vida...
Paradoxalmente senti alívio ao achar o nome dela, Benan.
Posso dar a ela um nome. Posso dar a ela
espaço... dimensão.
Não é só a foto de uma menina anônima.
É uma bebê vestida com roupa de arco-íris,
que era e não é mais.
Ela me assombra.
Não sabemos quem é a maioria deles.
Então nem os mencionamos.
Só mostramos crianças com fotos de antes de morrerem.
Muitos não são lembrados
ou não recebem a atenção que outros recebem.
Buscamos uma imagem para representar todas essas crianças.
E pensamos num campo de flores colorido.
Ser testemunha é muito importante.
Fazemos isso o tempo todo com sobreviventes do Holocausto.
Contar a história, "Nunca mais". Aprender com o passado.
Mesmo meus pais, sionistas que imigraram após o Holocausto,
sempre disseram: "nunca compare", como se fosse óbvio, então...
Acho que finalmente caiu a ficha de que é isso que está acontecendo.
"Ahmad Muhammad Zaki al-Najar, 4 anos. Era e não é mais, 15 de maio, Gaza"
"Jumaa Musab Jamaa el-Hur, 6 anos. Era e não é mais, 26 de abril, Gaza"
Obrigada a todos que vieram hoje.
Ficaremos em frente ao protesto que acontece aqui.
Ouviremos muitos discursos
que não mencionarão o que acontece em Gaza:
a fome,
a matança em massa...
Estamos aqui para tornar isso visível.
Só no mês passado, 1.000 crianças foram mortas.
Da maioria das crianças mortas em Gaza, não restou nem uma foto sequer.
"17.921 crianças foram assassinadas em Gaza. A maioria não deixou rastro, nem foto"
Chega. Parem. Tragam os reféns para casa.
Tragam nossos soldados e reservistas para casa.
Fim da guerra já!
Apoio a fusão dos dois protestos.
Devíamos ter ficado mais uns minutos no final.
Criaria mais antagonismo, mas também
a interação que precisamos, na minha opinião.
Em termos do momento atual no discurso público,
ficar aqui importa muito.
Muita gente que veio ao protesto se juntou a nós.
Estamos aqui para dizer: são contra a guerra por tal razão.
Sejam contra também porque
estamos massacrando gazenses há quase dois anos.
Acho que a mensagem está chegando.
E mais de 1.000 pessoas estão se unindo a nós.
Senti que dentro dos protestos,
chegamos a um ponto onde
alcançamos essas pessoas.
Acreditam e estão conosco, nos apoiando.
Parece que precisamos estabelecer metas.
E a meta desta semana era sair
e falar com o público.
A voz de Gaza não existe na sociedade.
Alguém precisa trazê-la para cá.
5.589 crianças de 0 a 5 anos foram mortas.
42.301 crianças ficaram órfãs.
18.592 crianças mortas no total.
Hoje é a primeira vez que ficamos neste local,
que é muito mais exposto a quem passa.
Pode haver mais confrontos.
Se uma situação violenta começar,
por favor, não inflamem a situação.
Não gritem e não ajam com violência.
Se houver preocupação com a segurança da vigília, dispersaremos.
Esperamos que a vigília seja pacífica,
toque o coração de todos e dê espaço
ao nosso grito contra o genocídio.
"Hassan Azzam. Era e não é mais.
Com sua mãe e avô, 29 de julho, al-Zaytoun"
Tenham vergonha!
E os israelenses? Seus desgraçados!
Vocês são nossos inimigos. Não são mais um de nós.
Há reféns em Gaza. Isso é mais importante que as crianças.
Vocês ousam protestar aqui porque ninguém se opõe.
Vão protestar em Gaza para ver.
Vão levar um tiro na cara.
Filhos da puta, desgraçados!
Vão para Gaza!
Vocês curtem os benefícios de Israel.
Vão para Gaza!
Acham que eles ligam se vocês são de esquerda?
Seus idiotas!
Meu amigo foi explodido com o time todo por uma bomba, seu idiota!
Filho da puta! Filho da puta!
Ele morreu por causa de gente como você, seu desgraçado!
É difícil. O país todo está traumatizado.
O que tentam fazer aqui?
Estamos chamando atenção para o sofrimento e a matança.
Vocês são patéticos.
Dão pena.
Vergonha!
Vergonha!
Deviam ter vergonha. São uma desgraça para o país!
Bando de ingratos patéticos!
Me dão nojo!
"Ahmad Muhammad Issa. Era e não é mais, 27 de julho, al-Bureij"
É difícil eu entender isso.
- Por quê? - É difícil, sabe...
- Entender o quê? - É uma guerra sangrenta.
Não tem solução.
Com a ajuda de Deus, vamos arrasar Gaza...
Amém! Arrasem Gaza!
Mostrem os dois lados. Mostrem os reféns que estão...
Viu o vídeo hoje? Viu as fotos?
Por que não mostram as fotos deles também?
Por que só isso?
Você é jovem. Estão fazendo lavagem cerebral, por quê?
Nenhuma foto de refém!
Nem uma foto!
A senhora é avó. Se fosse seu neto lá,
seguraria a foto dele ou não? Vocês me dão nojo!
Vocês quiseram isso? Levaram grito.
- Tenho o direito de gritar. - Mas conversamos.
Não quero saber, sai de perto.
Escutem, o clima esquentou.
Talvez devêssemos encerrar.
Vamos começar a guardar.
Amigos, dispersem em grupos de três
e não sozinhos, obrigada.
Há um boato de que podem agir com violência contra nós,
e não quero isso...
Por que estão guardando?
Porque está ficando perigoso demais e não conseguimos controlar.
Fugiu do nosso controle.
É perigoso demais.
Meu amigo explodiu com a equipe dele! O que é isso aqui?
- Tá tudo bem, irmão. - O que é isso?
- Sou Moriah, nós... - Você é a organizadora?
Não, são muitos organizadores. Eu sou parte do...
É parte do protesto de que tirei uma foto, certo?
Qual o número do seu documento?
Estão encerrando agora?
Algum problema?
Não, mas vocês têm licença para...
Não, protesto silencioso não exige licença.
- Quantas pessoas havia? - Não sei, mas não exige licença.
Sem discurso político nem marcha. Só protesto silencioso.
- Certo, acabaram? -Sim. - Obrigado, tchau.
Obrigada, boa noite.
Isso não é às custas das famílias dos reféns
ou das crianças assassinadas aqui.
Um crime não justifica outro, e nossa injustiça não é arma
que possa ser usada para dizimar famílias inteiras.
Levará gerações para entender a negação em que vivemos.
Pensar nos crimes de guerra que cometemos,
é uma dissonância louca.
Uma dissonância que não dá para conter,
então melhor não. Tenha uma posição clara:
"Não, não pode ser."
Isso atinge o cerne dos nossos valores.
A premissa básica é que somos as vítimas,
que somos morais.
Mas a primeira reação, quando há rachaduras
no que aprendemos,
é selar as rachaduras.
Isso é negação.
"Abdallah Ramzi Mukades. Era e não é mais, 7 de julho"
Vocês estão delirando.
Nossos soldados protegem vocês, se ferem.
Nossos reféns lá e vocês por Gaza. Não notam que estamos...
Toda ajuda humanitária que damos, o Hamas pega.
Estão delirando.
"18.592 meninos e meninas foram assassinados em Gaza"
Não aconteceu do nada.
Não decidimos um dia sair matando crianças.
De jeito nenhum.
Eles causaram isso.
O primeiro passo é ter conexão com a realidade, não se isolar.
- É triste e doloroso, mas... - Na teoria vocês têm razão,
mas isso foge da realidade.
Vocês estão sem noção.
Num mundo ideal, estariam certos.
No mundo real, estão errados. Todos vocês.
E a nossa dor?
Primeiro a dor do seu povo. Primeiro!
Estão todos meio confusos.
Dá para entender vocês, mas estão muito errados.
Temos que ser realistas, cara.
Olhem as coisas como são.
O objetivo do protesto é tornar presente
o número enorme de crianças mortas em Gaza desde março.
Mas as pessoas sabem. Não são estúpidas.
Todos sabem que morrem crianças em Gaza.
Todos sabem que os gazenses morrem.
Ninguém acha a morte certa.
Você ficaria surpresa.
É melhor protestar contra o governo,
isso eu entendo.
Acho que criam divisão e dissonância.
Não há empatia aqui. Só divisão.
Devemos respeitar a vontade deste grupo e a minha,
de expor no espaço público em Israel o grande número
de crianças palestinas que matamos.
Nós as matamos.
- Vamos lidar com nosso país. - É o que estamos fazendo.
Uma ação dentro do país,
cujo objetivo é mostrar aqui
as atrocidades que nós,
que nosso país comete,
e das quais somos responsáveis e cúmplices.
Isso não diminui de forma alguma
as atrocidades que o Hamas cometeu contra nós.
Não queremos nossa moral ditada
por um massacre feito pelo Hamas.
Isso significaria ter a mesma abordagem.
Não posso aceitar isso.
- Mas é a realidade. - Boa sorte.
Obrigada.
"18.700 meninos e meninas foram assassinados em Gaza"
A maioria não deixou rastro, nem uma foto sequer.
Vergonha!
Ainda temos reféns no cativeiro!
EM 9 DE OUTUBRO DE 2025, UM ACORDO DE CESSAR-FOGO FOI ASSINADO
OS ATIVISTAS CONTINUAM REALIZANDO VIGÍLIAS
CONTRA AS AÇÕES DE ISRAEL EM GAZA E NA CISJORDÂNIA
O GOVERNO ISRAELENSE CONTESTA O NÚMERO DE MORTES
E NEGA AS ACUSAÇÕES DE ASSASSINATO, GENOCÍDIO E CRIMES DE GUERRA
Legendado por Cabine de Projeção
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