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Devia ser uma porta pesada.
A que te bateu na cara.
Tequila.
Que idade tens? N�o sirvo menores.
Tens identifica��o? Algum documento?
18 anos feitos.
Ontem? Muitos parab�ns.
Diga-me algo que eu n�o saiba.
Outra.
Ent�o, essa porta...
Onde est�?
Em minha casa.
Devias ir � Pol�cia.
Apresentar queixa de uma porta?
Outra.
Embebedares-te n�o � solu��o.
Pois n�o.
Pensei usar um machado.
Mas faria uma grande porcaria.
Parece saber muito sobre portas.
Um pouco.
Esta � pelo teu anivers�rio.
Foi bem planeado, n�o pode falhar.
A quem ligas primeiro?
A quem ligas primeiro?
- A lista? - Devias sab�-la de cor.
E sei. Que importa a quem ligo primeiro?
- � uma surpresa. - E?
N�o � igual ligar antes � Tia Rosa ou a Don Carlos.
Ela conta a toda a gente.
Sim? Deves ver muitos filmes policiais.
� uma festa, n�o um homic�dio.
N�o vejo filmes policiais.
N�o? Mas devias, ou escrever argumentos.
- Ser�amos ricos. - Sim? Aqui vai uma, Emiliano.
Que tal a hist�ria de um pai que mata o filho?
Depois de lhe dar uma sova?
E tudo por n�o decorar uma lista.
- Que pai faria isso? - Um que perdeu a paci�ncia.
�s doente.
O seu caf�.
Obrigado.
Deseja algo mais?
O que sugere?
Porque n�o v� a lista?
Talvez encontre alguma coisa que o tente.
OVOS MEXIDOS
Podem ser uns ovos mexidos.
- Com certeza. - Obrigado.
NOME DA PESSOA FALECIDA
LOCAL DA MORTE
CAUSA DA MORTE: SUIC�DIO.
Uma �ltima pergunta, Sra. L�pez.
Porqu�?
N�o, Sra. L�pez, n�o � uma despesa.
� um investimento.
Somos vulner�veis, Sra. L�pez.
Um descuido ao atravessar a rua.
Um cora��o fraco. Tudo nos pode matar.
Conhece a s�ndrome PMC?
"P�s-Morte do C�njuge". Atinge 4 em cada 10 homens.
Basicamente, � uma depress�o que pode durar at� 10 meses.
Em 69% dos casos, resulta em suic�dio.
Tomou a decis�o acertada.
Amanh� mando algu�m com os pap�is para assinar. Bom dia.
S�ndrome PMC?
N�o o inventei.
N�o foi um mau ensaio para esta noite.
Hoje n�o posso.
Como n�o podes? � a nossa noite.
A minha mulher faz anos.
- E? - E ela faz 40 anos.
Vou fazer uma festa surpresa.
Eu tenho 30.
N�o posso mesmo.
N�o tarda, canso-me disto.
N�o digas isso. Prometo-te que...
N�o me prometas nada.
Surpreende-me.
Pago-te o dobro, est� bem?
N�o, n�o, n�o.
Da �ltima vez,
acabei com duas costelas partidas.
- Obrigada. - Isso n�o vai suceder.
- O meu amigo � normal. - E tu?
Eu sou um cabr�o. Mas n�o te quero para mim.
Quero-te para um amigo meu.
E porque me pagas a dobrar?
Porque quero que ele esteja com uma mulher feliz.
Que me dizes? Sim ou n�o?
Est� bem.
Posso ajud�-lo, jovem?
Desculpe, estar� por aqui
o Moreira?
O Sr. Moreira � um homem ocupado.
Talvez eu possa ajud�-lo.
Rogelio, o tipo do bar,
mandou-me c�.
Por aqui, por favor.
Sr. Moreira. Um cliente.
Em que posso ajudar-te?
Quero enterrar o meu padrasto.
Preciso do corpo e da certid�o de �bito.
Mas ele ainda n�o est� morto.
N�o compreendo.
Falei com o Rogelio, do bar.
Vem comigo.
Senta-te.
O Rogelio deve ter-te dito como funciona?
Isto n�o chega nem a 10%.
Eu sei, terei o resto para a semana.
- Volta para a semana ent�o. - Preciso que seja feito agora.
A impaci�ncia sai cara. � mais barato esperar.
N�o posso esperar.
- Sabes o pre�o. - � muita massa.
Os ricos pagam para que lhe levem o lixo.
Os pobres rebolam-se nele. � a vida.
Tudo bem.
Volta quando tiveres dinheiro.
Boa sorte.
Raios o partam!
O que fizeste, minha puta?
Cabra est�pida!
Amas-me?
- Quem amas? - Amo-te a ti.
�s uma puta est�pida!
Surpresa!
Querida.
M�e.
Mar�a.
Sossega, amor. Est�s em casa.
Como te sentes?
Envergonhada.
Com aquela gente toda.
N�o, amor, s�o nossos amigos.
Est�o preocupados contigo.
O que aconteceu?
N�o sei.
N�o sei o que aconteceu.
Sa� esta tarde,
mas n�o conseguia respirar e voltei para casa.
Quando entrei, senti-me tonta e...
Vi-os na sala e...
N�o me lembro de mais nada.
Agora est�s em casa. Est�s em seguran�a.
Est� bem? N�o te preocupes.
- Desculpa estragar a festa. - N�o estragaste nada.
Temos comida para duas semanas.
Tonto.
Entra.
- Est�s bem, M�e? - Sim, estou bem.
Eu abro.
Chega aqui.
Vem.
P�e aqui a m�o.
Para. Tive uma noite dif�cil.
Ent�o?
A Mar�a sentiu-se mal. Desmaiou.
- O qu�? - J� est� bem.
Vai ficar bem.
- �timo. - E tu?
Tamb�m tive uma noite...
a dar para o mau.
- Vamos dar uma volta. - Sim.
O que aconteceu?
Para come�ar, uma prostituta.
Certo. Apaixonaste-te?
Est� gr�vida?
Est� morta.
Acidentalmente.
Como assim?
Amo-te!
Cala-te! N�o me amas nada!
�s uma pega!
E dizes que me amas?
Para.
Para! Para!
Para, meu estupor!
Olha o que a pega est�pida fez.
Partiu-me o rel�gio.
Deixa-a em paz.
Para que � o pauzinho?
D� o teu melhor.
V� l�.
Ismael.
Abre, Ismael!
O que se passa? Abre a porta!
Abre, Ismael! N�o sejas parvo!
Abre a porta, Ismael!
Ismael.
Ismael!
Ismael, abre, por favor.
Abre a porta!
Idiota.
�s um idiota.
�s muito est�pido.
Cala-te e d�-me uma ajuda.
E agora, Ismael?
As nossas vidas v�o melhorar.
Melhorar como? Ele pagava as contas.
�s um idiota.
Como pude ter um filho t�o idiota?
Porque n�o vais
e me trazes
uns sacos do lixo?
Por favor?
Est�s a precipitar-te.
Espera para ver o que ele diz.
Sei o que dir� e far�.
Lixei tudo. Fiz asneira.
Poupa-me, Ibarra.
N�o podias saber que ias deixar de ver.
Sabias?
N�o h� um m�dico que me diga o que tenho.
Uns dizem que � a tens�o, outros d�o-me gotas.
Ningu�m sabe o que �
e deixo de ver 2 ou 3 vezes por dia.
Devias ter recusado o trabalho.
N�o repitas o que te ensinei.
Ele n�o precisa de saber nada.
N�o o subestimes.
O homem sabe tudo.
Devia passar por suic�dio.
E esmaguei-lhe a cabe�a com uma cadeiras.
Aceita.
Para qu�?
S�o as minhas poupan�as. 20 anos de trabalho �rduo.
Fica com elas.
E fa�o o qu�?
Se eu morrer, � teu. Sen�o, devolves-mo.
- Liga se precisares. - D� um beijo � Mar�a. Fica bem.
Se me permite uma sugest�o...
Devia acalmar-se um pouco.
Acalmar-me?
Nem um novato faria pior.
Como queres que me acalme?
Podia esperar e perguntar ao Ibarra porque fez tamanha porcaria.
Esperar? Esperar!
Quanto tempo mais?
H� duas horas que n�o me atende.
Amanh� tem consulta com o m�dico.
Sai! Sai! Fazes-me sentir ainda pior.
Vai � Pol�cia e d�-o como desaparecido.
Percebeste?
Mas antes livra-te de toda a roupa dele. Ouviste?
O que � isso?
O meu curr�culo.
Bom dia, Princesa.
Diz se precisares de mais alguma coisa.
Preparaste-o tu?
S� o caf� e o sumo.
O resto sobrou da tua festa.
Aprecio � mesma o gesto.
Como te sentes?
Melhor.
Hoje vou levar-te ao m�dico.
Para fazer um checkup.
J� me sinto melhor. S� preciso de descansar.
Tinhas raz�o.
De certeza?
Um pequeno-almo�o na cama faz milagres.
Felizmente, o frigor�fico est� cheio de milagres.
Tonto.
Querida.
Promete-me. Se voltares a sentir-te mal
vamos ao m�dico.
Prometo.
- Tenho de ir. - Est� bem. Obrigada.
Entre.
� o rapaz do outro dia.
Ele que entre.
Obrigado.
- Vejo que tens o dinheiro. - Desfiz-me do lixo.
�timo.
Porque trazes a cabe�a dele?
Era dif�cil trazer o corpo todo.
Deixa-me reformular.
Que fazes aqui se te livraste do problema?
Preciso de sustentar a minha m�e.
Ele era um patife, mas dava-nos de comer.
Se entendi bem,
queres trabalhar para mim.
N�o o fiz bem?
N�o fazes ideia do que dizes, rapaz.
N�o?
Achaste que uma cabe�a me impressionava?
N�o, porque o fiz a sangue-frio.
Porque tive a coragem.
Deixa-me pensar.
Se voltas a aparecer sem te convidar,
vou a tua casa sem ser convidado.
Acompanho-te � porta.
� a medica��o regular?
O m�dico diz que s�o melhores para a tosse.
Est� com melhor aspeto.
N�o me mintas, Ivan.
Sabe quem tamb�m anda a correr os m�dicos?
Quem?
O Ibarra.
� grave?
Nem por isso.
De vez em quando fica cego.
- O que est� a fazer? - A Acabar com isto.
Mas pensei que neste caso...
em particular...
Exatamente.
Cumprem-se as regras.
Estou?
Quando?
- Que se passa? - Que te disse ele?
Nada, esteve l� uns minutos.
De certeza?
Sim.
O que fez o Ibarra?
Uma trapalhada de algo que era simples.
Fez asneira.
O Ibarra nunca faz asneira.
Deve haver uma explica��o.
Acredito que sim.
O problema � que n�o sabemos dele.
Bom, talvez...
Talvez n�o possa.
Talvez esteja em apuros.
N�o tenho qualquer d�vida.
Se ele n�o aparecer, teremos um grande problema.
H� trabalho para mim?
Terei algo em breve.
Passaste aqui o dia?
Achei melhor ficar na cama a descansar.
N�o disseste que eu era uma princesa?
J� te sentes bem?
Estou �ptima.
Tenho de levantar-me cedo.
Est� bem.
Foi t�o fixe.
Ouviste aquilo?
Sim.
�timo.
O que se passa?
J� n�o gostas de mim?
- N�o � isso. - Ent�o o que �?
- Problemas. - O que se passa?
N�o me meto na tua vida.
Estou a ouvir.
Problemas, Sr. Padre.
Foi um m�s mau no ramo dos seguros?
As pessoas t�m medo.
Mas v�o morrer na mesma.
Precisam de garantias.
E ent�o?
Um amigo meu meteu-se numa enrascada.
E acha que pode ajud�-lo?
N�o sei.
Est�o est� lixado, meu filho.
N�o h� pior do que um problema grave
do qual sabemos pouco.
Sim, eu sei.
Eu sei, cara�as!
Meu filho.
Que merda fazes aqui?
N�o sei.
- Pensei que talvez... - Vai-te embora.
Volta quando souberes alguma coisa.
Bom dia.
Um ch� verde.
Mais alguma coisa?
O que sugere?
Veja a ementa. Haver� alguma coisa que lhe apete�a.
FATIAS DOURADAS
As fatias douradas.
- N�o est�s na tua festa? - N�o h� festa.
E n�o recebeste as minhas chamadas?
- N�o. - S� te ligo quando � urgente.
- N�o estamos a falar? - Agora n�o posso.
Ent�o amanh�.
N�O H� ASSASSINOS, H� "OPERACIONAIS"
N�O H� V�TIMAS, H� "PROBLEMAS". N�O H� HOMIC�DIOS, H� "CONTRATOS"
Legendas: Mafalda Eliseu
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