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Original subtitles

São quase duas da manhã, excelência. Não importa.

Acabei de ver uma coisa fantástica. Um vampiro. Um vampiro

de verdade em batata, meu chapa.

E daí?

é assessor do prefeito. Ligue pra imprensa na capital e mande alguém fazer

reportagem já.

E a menina não corre isso? Nada, rapaz.

Veja isso agora mesmo.

Batatal vai ficar a cidade mais famosa do Brasil.

Ele era alto e tinha os olhos profundos. De onde saiu o vermelho que faiscava?

Mal deu tempo para a gente se pôr em guarda. Mas o Sérgio aqui meteu uma

lanterna acesa na cara dele.

E ele fugiu como o diabo foge da cruz.

E pode pôr no seu jornal que o prefeito Maciel...

Tenho grande orgulho de ter esse ser aqui na cidade.

E vai haver um esforço em prendê -lo. E prometo colocá -lo em exposição pública

para que todos vejam que o monstro existe de verdade.

Seu Marcial, se nos permite, gostaria de lhe pedir um favor. Somos, além de

focas do jornal, estudantes de cinema. E gostaríamos de fazer um filme de ficção

baseado na sensacional matéria do vampiro. Evidentemente.

Será que não poderíamos rodar esse filme experimental em 8 milímetros aqui na

região? Tem todo o apoio da prefeitura. E podem filmar em quantos milímetros

quiserem. E tem mais. Tem todo o tempo necessário.

Onde derrotado?

Eu te conto, você não vai acreditar. Uma história de arrepiar. Você

não imagina o que aconteceu.

Descendo pela rua, ele apareceu. Um homem pouco mais de 90 centímetros. Olha

vermelho, está regalado. Um vampiro abriu os braços, tentando me morder.

Mas que de prata desandei a correr.

. .

. . .

. . . . .

. . .

Pai, não me enche.

Desculpa, desculpa.

Pode ficar tranquila. Tá bom, eu vou embora, eu vou embora. Até logo.

Ah,

mas que dia.

Acho que valeu, meu. Foi bem aproveitado.

Você não quer dar uma mão pra gente aqui na maquiagem? A gente tá assim meio sem

grana, tá?

Machado. Tem que produzir bem. O Tony ligou e está para chegar por esses dias.

Que gostosa.

Que gostosa. Que gostosa.

Que gostosa.

Pô, se não der um mapa certo, eu como o rabo deles.

Olha. O que será?

Tem alguém ali.

Por ali, ó. Ó lá.

Opa, cuidado aí.

Ei,

moço.

Que cagada.

É a única pessoa que poderia nos dar informação.

Dá um tempo que eu vou dar uma mijada.

Tchau.

O senhor deve ser o Sr. Oswaldo Caça -Vampiro, suponho. Como adivinhou?

Simples dedução.

Vamos ao que interessa.

Onde está o vampiro?

Que tamanho tem?

Quantas pessoas já matou?

Quantas já chupou?

Aonde mora? Calma, calma. Uma pergunta por vez.

Avisou a imprensa da capital que tinha vindo pra cá?

Não esqueceu de dizer o nome da cidade?

E o meu nome?

Qual o seu método de trabalho?

Há muito tempo caça vampiros?

Acha que vai dar cabo desse?

Já teve algum fracasso?

Sr. Prefeito, um vampiro! Um vampiro!

Como? O que é isso? Atrás de nós!

Ele queria pegar a gente. Ele quase pegou a gente.

Calma, calma.

Agora todos vocês poderão respirar aliviado.

Acabaram os motivos para tantas apreensões.

A prefeitura de Batatal, num golpe corajoso, teve o entendimento e a

ousadia de, pelo bem do povo, contratar o Sr. Osvaldo aqui, que veio da capital

e que é um caça -vampiros.

Calma na cidade.

Eu vim pra pôr ordem. Esse vampiro é grande, mas não é dois.

E o pior é que ele não é grande.

Lar doce lar.

É

bom

o senhor saber certas coisas... que não podem ser comentadas... em

público. Claro, compreendo. Sabe... O bom político tem que ter duas caras.

Cuidar dos interesses do povo e cuidar dos seus próprios interesses. Qual o

problema? Vamos direto ao assunto.

Quero ser conhecido como o prefeito que colocou batatal no mapa.

E isso, à custa do vampiro. Não entendi. Cá pra nós.

Não mate o vampiro.

Senão vai acabar o oba -oba e a publicidade que está rolando no país

Ou talvez até no exterior. Mas senhor, eu sou um caça -vampiros. Ele precisa

viver. Assim como a nossa querida cidade.

Fica frio. Para o seu chefe, você está fazendo o máximo.

Para o povo da cidade, você está fazendo o que pode.

Depois conversaremos.

Onde está o filho de Satanás? Opa, me desculpe. Qual é a tua personagem das

trevas? Só estou afim de descolar um paquetinho para um chazinho aqui.

Faz tempo que eu não vejo sangue. Estou numa pior.

Estou no fim da picada.

Vim te caçar e com tua vida acabar.

Você está com a égua na sombra, meu.

Tem tempo até para versinho.

Isso faz parte do ritual caça -vampiros. Tenta.

Olha para mim.

Tira esse negócio do pescoço que eu vou te contar a minha vida. E você vai

entender.

Americanos interessados no vampiro. Se demorar muito, ele não vai aguentar,

Quem? O coitado está morrendo a míngua. Até as presas dele estão quebradas.

Ele está mal assim?

Está pior.

Está até fazendo chazinho de paquete.

Você precisa manter esse cara vivo.

Não podemos decepcionar os americanos.

Agora, atenção, me faz o seguinte, pega na perna dela, assim, isso, e você

inclina um pouquinho só, aí, não exagera muito, aí.

Ora, esse não é o nosso amigo caça -vampiros. Como é que é?

Preparando outro ataque decisivo, fulminante?

Mais ou menos. Isso, um pouquinho só para me dar mais imagem. Agora um

Que eu dei uma honra. Eu vou te apresentar aqui. Esse aqui é o Tony,

produtor. Essa aqui é a atriz também da FIDA. Fica à vontade. Fica à vontade. E

vai testemunhar uma cena do filme que vai ser campeão do Festival de Curta

-Metragem de Salvador este ano. Eu sou.

Uau!

Foi com a tua cara.

Maior barato.

Você é bom.

E você vai ser muito útil.

Como? Eu te explico depois.

Não sei porque eu vivo assim.

Até parece praga de alguém que não vai com a minha cara.

Eu compreendo, cara. Mas o que eu posso fazer por você?

Não conhece alguém que queira levar uma picada de vampiro, não? Não dói muito e

dá uma emoção bem diferente.

Eu posso pensar.

E depois, se não fosse os vampiros, o que seria dos historiadores, dos

romancistas e cineastas?

Por favor, a Eliana, minha namoradinha.

Opa.

Opa, peraí.

Peraí, peraí, peraí.

Oi.

A mulher?

Desculpe. Foi ela quem começou.

Eu não fiz nada.

Tudo bem, meu.

Tô na minha.

O meu negócio é você.

Você tá boa, vem.

Tô sempre numa boa.

Numa naipe. Tá sabendo?

Claro.

Escuta bem. Dessa vez eu vim a negócio.

Boa. Negócio é uma boa.

Eu tenho um amigo que está numa pior.

Ele precisa de um ânimo.

Ânimo é uma boa.

Eu? É.

Levar um pico de vampiro?

Pô, meu.

Má barato.

Veja só.

Um pico de vampiro. Isso aí.

Esse vampiro que se cuide, tá?

Um pico de vampiro.

Então, topas?

Eu já tô lá.

Veja só.

E ele que se cuide, hein?

Se eu gostar, meu.

Sem essa de cocaína.

Nem LSD.

Maconha.

Vou morrer à beira de uma jugular.

Oh, vida!

Olha.

Cuidado, cuidado.

Cuidado para não rebentar a caixa.

Muito inteligente a sua maneira de trazer o moço, hein? Foi o único jeito

encontrei para ninguém perceber.

Seu estado é mesmo lastimável.

Os americanos não podem ver isso.

A nossa ideia é cuidar de sua aparência. Não sei se o Oswaldo lhe falou, mas há

vampirólogos americanos em toda parte do Brasil vindo para estudá -lo. Se a

coisa for como eu penso, haverá um turismo acelerado na cidade.

Aí podemos até estudar uma comissão.

Aqui acabaram seus dias de angústia e de sofrimento.

Por enquanto, você vai ao dentista, doutor Lem.

Antes de mais nada, entregue -lhe essa carta.

Ela explica que estou autorizando refazer suas duas presas do melhor

possível. Isto porque queremos que quando o americano o veja, esteja bonito

e decente.

Ei! Vem!

Cuidado, hein!

E você, vá no rádio, entre no ar, diga da dificuldade que temos de capturar o

vampiro. Ele é escorregadio e sagaz, mas será capturado em breve.

Dê a entender a todos que o nosso sacrifício é para o bem, tá?

E aí

Obrigado.

Esse vampiro aqui de Batatal, ele é vivo, ele é inteligente, ele é

mas a minha experiência vai fazer colocá -lo atrás das grades rápido, rápido.

Posso ter certeza disso. Ele é grande ou é pequeno? Tem visto alguma coisa sobre

isso ou não?

Ele é pequeno, ele é um anão pequeno, sabe?

É um vampiro anão pequeno.

Ele é raro, é uma espécie meio rara, né?

Mas às vezes até dificulta, porque ele é pequenininho, passa pelas pernas da

gente e é difícil de encontrar.

Talvez aí resida a maior dificuldade de a gente poder ver esse vampiro. Eu já

enfrentei até vampiros japoneses. O senhor tem tido experiência antes?

Já, eu tenho quase 30 anos de vampirólogo. Eu me formei na faculdade

vampirológica de Transilvânia. Eu sou bom nisso. Você gosta de vampiros

transmitiais?

Olha, não tem nenhum estudo aprofundado sobre isso, mas eu acredito que se ele

tiver um comportamento...

De um homem normal e homossexual, tiver todas as condições para ter, aí você

deve ter sim, eu acredito que sim. Por não ter nenhum caso, ele sai. Ele gosta

de diversões, vampiro?

Gosta, ele gosta de banquete de sangue, ele toma sopa de sangue, essas coisas. A

festa de vampiro, rapaz... Eu tenho uma carta para trocar minhas presas, mas eu

não sei onde é que eu enfiei.

Ah, pois não, quer consertar suas presas? Tenha bondade de sentar.

Olha. Oh, doutor. Tá, tá, tá bom. Vai rapidinho, hein?

Ei, moço, arruma alguma coisa macia para eu cair.

Eu tenho uma gilete no meu bolso, eu corto a corda.

Você gosta de ficar desse jeito esquisito?

Pode ou não me quebrar o galho?

Calma, eu já volto.

Agora pode cair.

Eu sabia o tempo todo que você era vampiro.

Que dor.

Ei, ei, ei.

Fui.

Calma aí, calma.

É para você, cara. Vai se virando com isso enquanto os americanos não chegam.

Obrigado. Muito obrigado.

Obrigado. Ué, você esteve fazendo Cooper?

Como se não bastasse. A minha maior desgraça é estar no cinema brasileiro.

Se fosse um vampiro americano, na hora do perigo, eu virava um morcego e saía

voando. Mas aqui só levo porrada.

Vem cá.

Estou com uma ideia genial para tentar melhorar o seu astral.

Por favor, dona Flávia.

Datilografe esse projeto -lei solicitando que a Praça da Matriz dê o

modificado para Praça do Vampiro. Em regime de urgência.

Temos que aprovar isso antes que o americano chegue.

Sabe o que acontece?

Nós já estamos chegando ao final da filmagem, sabe?

Mas... Tudo tem saído muito bem, entendeu?

Então, eu quero dizer o seguinte. Eu acho que vocês devem estar contentes,

Não sei.

Por favor, que isso? Uma produtora carregando mala. Por favor, deixa eu

Na sua também, por favor.

Então,

o que eu quero dizer é que a gente tem que ter um esquema diferente, sabe?

Para... Ah, o bicho.

Legal.

Sem essa de vampiro broxa. O Tony,

o Tony, tem um assunto com você.

É o vampiro.

Você gostaria de ter ele no seu filme?

Como? Um vampiro de verdade no meu filme?

Em carne e osso.

E tente broxa.

Eu, eu faria qualquer coisa para ter um verdadeiro vampiro no filme.

Aí eu nem mandava mais para o Festival da Bahia. Ia direto para o Festival da

Transilvânia. Por dois litros de sangue de primeira, o vampiro fará uma cena

lindíssima no seu filme. Tem que ser agora.

Pessoal, todo mundo para o hospital agora.

O vampiro verdadeiro vai ser o maior furo da história do cinema amador no

Sr. Oswaldo, eu estou indo para São Paulo. O Machado aqui toma conta de

seu ator já está contratado.

Maquiagem.

Excelência, cinco vampirólogos americanos de renome internacional

manhã a esta capital.

Terão alguns contatos durante o dia e almoçarão com o governador.

Motivo da visita ao nosso país, estudar o já famoso vampiro de Batatau.

Amanhã cedo, eles e sua comitiva estarão em sua cidade.

Essa marreta aqui e esta estaca, você vai cravar no coração do vampiro.

Tá? E muito obrigado pela colaboração. Tudo ok?

Escuta, por que ele está de olho aberto, hein?

Sem óculos de dia faz mal pra ele.

Então muito bem, pra mim tá ok. Tá ok pra vocês? Tudo bem. Tá ok, Jorge.

Então vamos lá.

Aê,

vamos lá.

Ô, Cida, faz favor. Ô, produção, produção.

Aê.

Vem aqui, rapaz. Vem cá, vem cá logo. Fica aqui do meu lado, pô. Faz favor.

Fica aqui do meu lado aqui.

Ô, Cida.

Rapidinho, vamos aí.

Ô, Cida, explica pra ele aí.

Você, dá um tapinha no capítulo.

Agora, atenção.

Atenção. Ok.

Câmera. Ação.

Não! Aquele é o vampiro!

Sim! E fui eu que matei! Não! Não acredito! Não é possível!

Matei sozinho!

E toda a equipe de filmagem viu! E ainda me pagaram por isso!

Não é possível!

Eu vou verificar de perto! Deixa eu ver! Não!

Eu não acredito que esses loucos fizeram uma anarquia dessa com a minha cidade!

Está morto! Filho das putas! De vergonha! Eu vou pegar vocês!

Mataram o vampiro! A maior promoção que iria ter minha cidade!

Vocês não são homens! Eu vou pegar vocês!

Eu vou matar todos vocês!

Idiotas! Covardes!

Canaras! Seus porra!

Eu tenho que garantir meu emprego, né?

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