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Original subtitles

No sistema de justi�a criminal,

as pessoas s�o representadas por dois grupos distintos, mas importantes.

A Pol�cia que investiga o crime e o MP que processa os casos.

Estas s�o as suas hist�rias.

Da primeira vez que ouvi isto,

estava na cave dos meus pais com a Shelley Fern.

No sexto ano j� ouvias Sinatra?

O meu irm�o � que ouvia, estava no d�cimo. Disse que nunca falhava.

Adoro hot�is, excitam-me.

Esta � a �ltima rodada.

Achei que esta cidade nunca dormia.

A cidade n�o dorme, eu durmo.

- Sabe o nome dela? - Est� sozinha h� uma hora.

Tenho a cura perfeita para isso.

� de fora?

Eu e o meu amigo somos de Elmira.

Sei que parece piroso, mas estamos embasbacados.

- Talvez pudesse... - Por favor, deixe-me em paz.

N�o quer mais um copo?

Dave.

Quer um copo? Tome.

S� quero ir para casa.

Menina, se calhar o senhor exagerou,

n�o � raz�o para ser violenta.

De futuro, devia fazer a sua vida noutro lado.

- A minha vida? - Passa da 1h e est� sozinha.

Quero fazer uma chamada.

Estou? Queria apresentar queixa de uma viola��o.

No hotel Radcliffe.

Chama-se Julia Wood, 19 anos, est� no ano zero em Bradfield.

Diz que aconteceu numa das suites do hotel.

E foi muito mau?

Positivo para s�men, abras�es vaginais.

- Ela diz que foi violada. - E n�o acredita?

Ela est� zangada, mas viola��o?

A minha m�e dizia que as meninas n�o v�o aos quartos das estrelas

depois da meia-noite.

- N�o me d� uma pista? - Ela diz que foi o C-Square.

Est� sob tranquilizantes, falam noutra altura.

- C-Square? - Sorri, Lenny. Heavy metal.

Os teus filhos v�o querer o aut�grafo dele.

LEI & ORDEM - S�RIE 4 DISC�RDIA

Quatro discos de platina.

Sabes quanto isso �?

Os bis-bisnetos dele v�o poder andar de Bentley.

Fico feliz pelo futuro. E o passado dele?

O nome verdadeiro �...

Topa-me isto. Clarence Carmichael.

Nasceu em Hells Kitchen e agora, mora em Los Angeles.

Para al�m de ser a pessoa que mais asneiras diz, nada.

Violador rock'n'roll. N�o havia muito no relat�rio inicial.

Temos algumas fotos, mas n�o d�o pistas.

- Venho muitas n�doas negras. - Ombros e bra�os.

O C-Square pesa 80 quilos.

Segundo o relat�rio, ela estava muito b�beda.

Os m�dicos garantem que houve penetra��o, mas n�o viola��o.

Pois.

Fui buscar isto antes de chegar. J� viram este tipo?

Mais uma vez No ch�o da cozinha

N�o aguentas Mas eu quero mais

Consigo sempre o que quero Isso te garanto

N�o �s a minha mulher

�s a minha escrava

Que bela letra, muito � Cole Porter.

E depois? Ter vontade d�-lhe pris�o perp�tua?

Acho que se calhar gosta de fazer o que apregoa.

Ele foi � minha resid�ncia e disse que �amos dan�ar.

No quarto de hotel dele?

Ele � rico e famoso.

Porque iriam acreditar numa pessoa normal como eu?

Acreditamos em si, Julia, mas temos de perguntar.

Ele ia arranjar-me bilhetes para um concerto.

Disse que estavam no quarto dele,

a suite presidencial.

Ele disse que eu ia adorar v�-la.

E quando l� chegou?

Quando ele terminou...

disse que tinha dinheiro para o t�xi no bolso dele.

Gritou ou tentou fugir?

Julia...

N�o estamos a dizer que isto n�o aconteceu.

Mas acredite,

toda a gente sabe como ele �.

O que achar� o j�ri que foi fazer ao quarto dele �quela hora?

Ele pode ter as mulheres que quiser. Porque me fez isto a mim?

Ent�o, foi por isto que nos tiraram da suite presidencial.

� o local do crime, tem de ser analisado.

Crime � acordarem-me antes do meio-dia.

Isto � um conto de fadas. A mi�da est� maluca.

Apetecia-me dan�ar.

A n�o-sei-das-quantas tinha outros planos.

- Ent�o, admite ter dormido com ela. - Claro, porque n�o?

Porque a Julia diz que foi um mau caso da vida a imitar a arte.

Escrevo o que vende. N�o quer dizer que seja mesmo assim, est� bem?

Est� bem.

Ontem � noite, a universit�ria, com aquela roupinha...

Pelos vistos, enganei-me.

Ela disse que s� queria os bilhetes.

Ela veio ao meu quarto para ficar na cama a olhar para o tecto, entende?

Calma.

Acordou com os p�s fora da jaula?

Teddy.

N�o temos advogados para fazer isto?

Est� tudo bem, Clarence. J� percebi que porcaria � esta.

Ai �? Esclare�a-nos.

O Clarence veio a Nova Iorque assinar um acordo de seis �lbuns,

20 milh�es de d�lares.

A Wood quer a parte dela.

- � extors�o e n�o viola��o? - N�o � nenhuma novidade.

Estou neste ramo h� dez anos, e h� dois com o Clarence.

N�o me chateiem e investiguem-na.

O meu primo tocava baixo numa banda.

O maior concerto foi no Louie's, na Varick Street.

Nem conseguiram que o tipo da discogr�fica l� fosse.

- Agora, atesta tanques de gasolina? - Atesta �lcool.

O rock'n'roll tem uma magia qualquer.

As mi�das que faziam fila � porta do camarim dele... Incr�vel.

Mas a Julia n�o � como as que estavam com a banda.

L� por usar saias de xadrez n�o quer dizer que ou�a Barry Manilow.

A maioria das v�timas de viola��o vai para casa tomar banho,

ou liga a uma amiga. A Julia foi logo para o bar.

Onde o bartender diz que ela bebeu uns quantos copos.

Quantos ter� bebido para aquecer?

FACULDADE DE BRADFIELD TER�A-FEIRA, 8 DE JUNHO

Eu, a Julia e a Marty t�nhamos teste de Ingl�s de manh�

e fomos almo�ar � 15th, para festejar.

Convenceram o bartender a servir-vos uns Bloody Mary's?

Comemos salada Cobb e refrescos.

O C-Square estava l� com a banda.

Meteu-se com a Julia no restaurante?

N�o foi inconveniente. Est�vamos numa mesa para quatro

e ele fez-se convidado.

Custa-me admitir, mas foi um espanto, toda a gente a olhar para n�s.

A Julia falou nuns bilhetes.

Eram para o irm�o. Ele gosta de heavy metal.

Ela estava � espera que o C-Square aparecesse a� com os bilhetes?

N�o, ele disse que os enviava.

Est�vamos no quarto a estudar e por volta da meia-noite,

aparece o C � procura da Julia. - Disse que tinha bilhetes no carro.

A Julia desceu com ele e passados uns minutos, ligou-nos do carro dele.

Disse que iam dan�ar.

A Julia costuma ir dan�ar depois da meia-noite?

Era o C-Square!

Os vizinhos do quarto ao lado ou t�m o sono pesado ou a Julia n�o grita,

ningu�m ouviu nada.

Seda francesa, falta um bot�o.

Parece que ele estava ansioso.

Estou a tentar ser politicamente correcto,

mas tamb�m j� estive ansioso, n�o � nenhum crime.

Se n�o aceitares um "n�o", � crime.

A n�o ser que seja "n�o" depois do facto consumado.

Se a Ann Margaret me convidasse para dan�ar quando eu estava no altar,

ter-me-ia voltado para o padre e dito: "n�o aceito".

A fama faz-nos fazer coisas rid�culas.

Pronto, a Julia ficou afectada pelo estrelado.

Porque se zangou no fim?

Dinheiro, publicidade, culpa. Talvez por esta ordem.

- Voc�s s�o solteiros? - Fui casado tr�s vezes.

Ou�am s�.

A Julia diz que estava a estudar quando o C-Square apareceu.

Que universit�ria queima pestanas com uma blusa de cem d�lares?

Se calhar, esperava companhia.

Ser� que algu�m na entrada do hotel os viu subir para o quarto?

O C-Square veio para c� e contrat�mos mais seguran�a.

- As raparigas aparecem do nada. - E esta?

Sim, esteve com ele ontem.

- Pareciam �ntimos? - Ele tinha o bra�o � volta dela.

- E ela, que ar tinha? - Um ar de barriga cheia

e feliz por ter sido escolhida.

Ent�o, � o mesmo todas as noites, s� a mi�da � que muda.

Ele tem uma mi�da mais constante.

Uma loira alta que esteve com ele esta semana.

Sabe o nome dela?

N�o registamos o nome dos convidados dos convidados.

Vou s� explicar uma coisa.

Esta mi�da bebeu uns copos no bar. S� tem 19 anos.

Ele pode processar-me.

Ligou para o mesmo n�mero todos os dias.

Acho que um deles � uma loira.

CASA DE SHEILA PIERSON QUARTA-FEIRA, 9 DE JUNHO

Quando ele est� na cidade, vamos beber e jantar fora. Que mal tem?

Queremos saber se lhe deu um beijinho de despedida depois da sobremesa.

O que se passa?

Soubemos que passou seis das �ltimas sete noites com ele.

Ent�o, devem saber onde me deu os beijinhos

e que podem ir dar uma volta.

N�o t�m ar de ser da Brigada de Costumes.

Ar? Nem temos o telefone deles.

O Teddy Wayne, manager do C-Square,

apresenta-me sempre aos famosos.

Digamos que sou o entretenimento daqueles que nos entret�m.

Se ele compra � parte, nunca sabe bem o que lhe calha.

As pessoas na estratosfera do C-Square s�o alvos perfeitos

para gente mal-intencionada com m�s infec��es.

O Teddy trata dele. Sou bem compensada por uma semana

e toda a gente dorme descansada.

Pagaram-lhe uma semana. E a noite de ontem?

O C-Square ficou de me vir buscar �s 17h.

�s 16h45, liga a dizer que tem outros planos. Fiz o mesmo.

Que mi�da... At� fiquei com calor.

Ser� que aceita cart�es de cr�dito?

J� come�ou.

UNIVERSIT�RIA DIZ QUE C-SQUARE A VIOLOU

Se tivesses uma mi�da garantida,

cancelavas algo se n�o tivesses uma de reserva?

Com a Julia? N�o faz o meu g�nero, gosto delas mais ordin�rias.

Talvez o C-Square goste delas certinhas.

Que tal se a chamarmos � esquadra?

SALA DE INTERROGAT�RIO QUINTA-FEIRA, 10 DE JUNHO

Era uma surpresa para o meu irm�o, ele gosta de heavy metal.

- Achei que se arranjasse bilhetes... - E foi ao quarto de hotel dele?

No tempo da minha av�, eram retratos.

Acha que estou a mentir?

Ele � famoso. Quem sabe? Muitas mi�das podem ach�-la uma sortuda.

Acha que teria l� ido se soubesse o que ele ia fazer?

Foi ao quarto dele sem qualquer expectativa?

� giro, famoso, rico.

N�o pensou que s� desta vez poderia experimentar?

O que importa o que eu pensei? Ele n�o me deixou sair!

Agarrou-me e espetou-me a l�ngua pela garganta abaixo.

Tentou afast�-lo?

Tenho mesmo de fazer isto?

Ele n�o cometeu um crime grave com a l�ngua, Julia.

Fez uma acusa��o grave, isto faz parte do processo.

Fui � casa de banho.

Quando sa�, ele estava nu.

Atirou-me para a cama, subiu-me a saia, rasgou-me as cuecas...

Sabe como �. Estamos indefesas.

Fechamos os olhos e rezamos para que acabe.

Julia, vou buscar um caf�. N�o quer nada?

Podem lev�-la a casa.

- Vamos fechar o caso? - N�o.

Ela disse algo em c�digo?

"Fecha os olhos e reza para que acabe." Ela foi violada.

N�s falamos de factos, ela fala de intui��o feminina.

Se continua assim, o or�amento da esquadra vai para o galheiro.

Desde quando te interessa a fiscalidade?

Um detective com miolos n�o fazia isto.

Se calhar a tenente tem um dom que n�s n�o temos.

Que sabemos n�s o que uma mi�da pensa quando um tipo a agarra?

Mas a outra namorada disse que ele era um doce.

Mas ela � paga. Precisamos de algu�m que n�o seja.

E se houver uma Sra. C-Square?

Nem quero pensar no que as minhas ex-mulheres contariam.

CASA DE SHARON CARMICHAEL SEXTA-FEIRA, 11 DE JUNHO

Lembram-se do "Different Colors"?

O Clarence escreveu-a para mim.

- Eram dias melhores. - E o que mudou?

Mas ele gosta do passado. Vem � cidade e voltamos ao mesmo.

"Shar, volta para casa."

E manda-o embora?

Depende.

Ando com ele desde os 17 anos. Cas�mos dois anos depois.

N�o sei, at� me agrada.

O que aconteceu? Fartou-se de viver na ribalta?

O Clarence tem um apetite sexual gigante.

Desta vez, houve regresso ao passado?

Andy, vai para dentro um instante.

H� duas noites, apareceu a� e n�o largou o osso.

Jantar, flores, tudo.

A Andy levanta-me �s 6h, j� passava da meia-noite.

A ama est� de f�rias.

Como � que o Clarence reage � rejei��o?

Como a Andy quando digo que n�o pode comer gelado.

O problema do Clarence � que fa�o bem mais barulho que a Andy.

Parece que a mi�da garantida n�o era a Julia.

Ele est� com o cio, a ex rejeita-o, j� tinha cancelado a loira.

Isso acontece-me umas quantas vezes por semana.

J� � tarde para apanhar a virgem que bebe refrescos,

lembra-se da Julia, descobre a morada...

E vai com as hormonas passear de limusina?

Mas a Julia disse que o C-Square lhe dava dinheiro para o t�xi.

Porqu� ir de t�xi se tens uma limusina?

Estou de servi�o 24 horas. �s vezes, fico na rua a ler o jornal.

- E ontem � noite? - Se calhar, dormi a sesta.

Isso � ilegal?

Como sabe que o C-Square n�o ia precisar de si?

Isto fica s� entre n�s, certo?

O cliente ia ficar no hotel. Eu n�o estava cansado e resolvi ganhar algum.

- Isso aqui � proibido. - Como sabia que ele ficava no hotel?

Disse-me ele. S� devia voltar ao meio-dia, para o pequeno-almo�o.

Obrigado.

A n�s, disse que ia dan�ar.

Se mandas a limusina embora, n�o vais dan�ar.

Tenho de repetir isto mil vezes?

Fomos para o meu quarto e a mi�da saltou-me para cima.

Est� bem. Diga-me uma coisa.

Se a Julia lhe saltou para cima, porque estava ela vestida e voc� nu?

H� gostos para tudo.

Acho que isso n�o teve piada.

Acho que a �nica maneira de conseguir algo � � for�a.

Cuidado.

Se viajar muito tempo, fica tonto.

S� mais uma coisa. Para onde ia dan�ar?

Ela disse que queria ir ao Palladium.

E que tapete m�gico vos ia levar?

A discoteca fica no centro e sabemos que dispensou a limusina.

Querem cem nomes? Mil?

Se a Julia n�o quiser,

basta-me pegar no telefone e n�o passo a noite sozinho, est� bem?

N�o tenho de violar ningu�m.

Excepto se fosse uma menina certinha e correcta.

- E a Julia estava no seu quarto. - Pois estava.

Um corpo jovem, saia de xadrez. Deviam ter visto.

- Qual � o problema? - O problema � que ela o mandou parar.

Continuam sem perceber, pois n�o?

Eu sou o C-Square.

Este idiota acha que o mundo est� em d�vida para com ele.

E muitas mulheres concordam.

Ele diz que a agenda de contactos tem mil entradas.

Se alguma dessas mulheres o mandou parar, acham que ele ouviu?

Se calhar, est� muito pr�ximo das colunas.

Os m�sicos andam sempre com muita gente atr�s. Falaram com algu�m?

Quem vive �s custas dele, n�o iria falar mal.

Como se chama o manager?

Teddy Wayne.

Disse que � manager do C-Square h� dois anos, certo?

Ele est� nas tabelas h� cinco anos?

Talvez o tipo que teve o privil�gio de ser o manager antes do Wayne

tamb�m se sinta violado.

QUINTA-FEIRA, 17 DE JUNHO

Sacana ingrato.

Ainda estaria aqui a servir �s mesas se n�o fosse eu.

H� muitos que se esquecem de quem os ajudou.

N�o queria um postal no anivers�rio. Consegui-lhe o primeiro contrato.

Assinei um contrato de dez anos para ser manager dele.

- O que aconteceu? - Apareceu o Teddy Wayne.

Veio dizer ao Clarence que lhe dei cabo da vida.

10% de cem milh�es deviam estar no meu bolso

e por isso, tratava dele.

- Acham que a mi�da foi sincera? - Procuramos confirma��o.

Seis meses depois de o Clarence me deixar, ele voltou c�.

Est� com problemas e veio ter comigo.

Uma mi�da em Passaic acusou-o de fazer coisas muito feias.

Ele est� com medo e v� o sonho a terminar.

Lembro-me do nome dela.

McCartney. N�o � filha de ningu�m famoso.

Cheguei ao est�dio �s 4h de segunda

e dormi no passeio at� quarta para arranjar bilhetes.

Tinha 18 anos, era maluca.

- Oxal� tenha arranjado bons lugares. - Oitava fila.

No primeiro intervalo, uma das mi�das passa-me um papel.

O C-Square quer convidar-me para jantar depois do concerto.

Uma oferta irrecus�vel, certo?

Recusar? De 50 mil pessoas escolheu-me a mim?

Estava delirante.

O C-Square tinha o frigor�fico recheado no hotel do quarto.

Mand�mos vir piza.

S� estavam l� os dois?

Achei que �amos jantar e ele n�o me largava.

Ele ficou agressivo. Disse para parar, que n�o queria nada.

N�o fez diferen�a.

Chama-se "viola��o", Tina.

Falei com o procurador.

Ele disse que, se quisesse, podia process�-lo, mas...

- Sabem como �! - N�o, n�o sabemos.

Seguiu o conselho do procurador?

Se calhar, dei a entender que queria.

- Seja como for, recebi dinheiro. - Dinheiro? Como?

O manager do C-Square deu-me 10 mil d�lares.

Disse que lamentava o mal-entendido.

H� pelo menos mais uma v�tima.

Igual � Julia. Vai ao quarto de livre vontade e ele s� pensa numa coisa.

- Mostra predisposi��o. - � inadmiss�vel em tribunal.

Quantos violadores alugam o est�dio Shea? N�o h� testemunhas.

N�o � que acredite nela, mas n�o acredito nele.

� a minha intui��o masculina.

Detenham-no.

- Clarence Carmichael. - Pronto, matei o xerife.

- Mas o ajudante foi outro tipo. - Adoro o rock'n'roll.

Clarence Carmichael, est� preso por violar Julia Wood.

Tem direito ao sil�ncio.

- Tem direito de... - Cala-te, Clarence.

Isto � ass�dio e deten��o injusta. Os advogados v�o contact�-los.

Os advogados n�o. Estou cheio de medo. E tu, Mike?

Estou a tremer de medo...

Processo n�mero 679073. Povo contra Clarence Carmichael.

Acusado de viola��o qualificada.

Esta sala � gira, juiz.

Como se pronuncia?

- Inocente. - Inocente.

- O que diz a Acusa��o? - Pedimos fian�a no valor de 250 mil.

- Dra. Diamond? - Pode ser.

O mundo do espect�culo � �nico.

Seguinte.

- At� j�. - At� j�.

Dra. Diamond?

- Sou a Claire Kincaid. - Diga, Dra. Kincaid.

Ser advogada de Defesa est� longe das doutrinas que defendia em Harvard.

N�o quando se confunde feminismo com a destrui��o de uma vida

em troca de dinheiro e publicidade.

Temos de deixar de ser passivas e tomar controlo da nossa vida.

Agora, � esse o feminismo que eu defendo.

� uma das melhores advogadas de Defesa da cidade.

Uma confer�ncia judicial j�? N�o faz sentido.

N�o convidou a imprensa. S� deve querer falar das descobertas feitas.

Com a Adele Diamond... Oxal� a vida fosse assim t�o simples.

Afastar-me do caso?

Quando visto a beca, deixo a pol�tica para tr�s.

Em cinco anos, ningu�m me acusou de ser preconceituosa.

Isto � rid�culo, Adele. A maioria dos ju�zes j� foi assistente do procurador

e j� julgou viola��es.

Posso falar? N�o me oponho � sua pol�tica, mas � sua genealogia.

Espero que isto seja importante.

Refiro-me a Gary Bergman, penso que � seu sobrinho.

O filho mais velho da minha cunhada. N�o o vejo desde o bar mitzvah.

� um dos s�cios do restaurante "The Amp" em Los Angeles.

� um caso de viola��o a quil�metros de dist�ncia. Que influ�ncia tem?

- Se me deixar falar, Dra... - Kincaid. Claire Kincaid.

O "The Amp" tem perdido muito dinheiro

e os s�cios minorit�rios processaram o s�cio maiorit�rio.

Deixe-me adivinhar. O s�cio maiorit�rio � o seu cliente.

O Clarence receia que o prejudique. Compreendo perfeitamente.

Adele, tem � medo de ter uma mulher a julgar o caso.

Que disparate, Ben.

Esta liga��o � t�o t�nue que nenhum comit� a condenaria por continuar.

Infelizmente,

tenho � de lidar com a apar�ncia de inconveni�ncia.

Mo��o concedida. Vou afastar-me do caso.

O meu assistente redigir� os documentos ap�s o almo�o.

Achei que a lei existia para nos proteger.

Quando algu�m informa os tabl�ides,

eles preferem publicar hoje e deixar as preocupa��es para amanh�.

Dr. Stone, apresento-lhe o Sr. Wood e a Julia.

Como est�? Menina Wood. Sentem-se, por favor.

Eu e a Julia j� fal�mos sobre isto

e s� h� uma solu��o.

Prosseguir com este caso n�o est� nos interesses da minha filha.

Menina Wood, n�o me consigo p�r no seu lugar,

mas estou solid�rio consigo.

Um julgamento por viola��o pode ser muito doloroso,

mas analisando os pr�s e os contras... - Pr�s?

J� tenho jornalistas acampados no meu jardim.

Vasculham o meu lixo. N�o consigo viver assim.

A sua filha foi v�tima de um crime qualificado, n�o o senhor.

Este ser� o assunto principal da vida dela durante muito tempo.

Menina Wood.

Farei os poss�veis para proteger a sua privacidade futura.

Lamento, mas n�o consigo.

A decis�o foi do pai, Adam. Duvido que tenha consultado a filha.

Foi melhor assim.

Seria dif�cil explicar o que fazia no quarto dele depois da meia-noite.

Uma v�tima de assalto de 70 anos

tem de explicar porque viajava sozinha de Metro � noite?

- O nosso trabalho seria mais f�cil. - Claro, n�o haveria v�timas.

N�o quero ver o remorso julgado como viola��o.

- Ela disse-lhe para parar. - Pois. E eu digo ao meu neto:

"A tua m�e n�o quer que comas mais doces"

e deixo-o sozinho na sala com uma ta�a cheia de M&Ms.

- A Julia Wood n�o � um doce. - �, para o Clarence Carmichael.

E � por isso que devemos continuar.

Entre!

� melhor ler isto.

"Julia Wood, a universit�ria

"que alega ter sido violada pelo rocker C-Square

"disse �s suas colegas nesse dia

"que era um crime o que o m�sico recebia

e que a ex-mulher merecia tudo o que recebeu no div�rcio."

Fant�stico.

Esquece um acordo.

Entre o pai e os jornalistas, n�o admira ela querer proteger-se.

S� quero saber se ela foi mesmo violada.

- E se for? - Chamo-a a tribunal.

- Acho que � capaz de a assustar. - Talvez tenhas raz�o.

Fala tu com ela.

S� quero que me deixem em paz. Porque n�o percebem isso?

- Nunca pensou no dinheiro dele? - O meu pai levou-me a um advogado.

- Contratou um advogado? - Falei com ele, n�o o contratei.

Fui violada.

Acha que o dinheiro me faz esquecer isso?

Mas leu o que as suas colegas disseram ao jornal.

- Sabe a impress�o que isso passa. - Claro que li.

O jornalista alterou o discurso dela. Fez-me sentir uma prostituta.

N�o me diga que nunca se sentiu assim.

Um tipo toca-lhe...

E n�o p�ra.

De que vale isto?

- Nem sequer acredita em mim. - Acredito.

O problema � esse.

Julia, se n�o continuar, ele vence.

E ir� sempre sentir-se uma prostituta.

SUPREMO TRIBUNAL SEGUNDA-FEIRA, 30 DE AGOSTO

Examinei a menina Wood duas horas ap�s a suposta viola��o.

- Que resultados obteve? - Encontrei s�men.

Tinha hematomas nos bra�os e ombros e na regi�o vaginal.

Que conclus�es tirou?

As provas f�sicas e o comportamento psicol�gico ap�s o internamento,

apontam para uma viola��o. - Obrigado.

"O comportamento psicol�gico".

- A paciente estava em choque? - N�o.

- Gritava? - N�o.

Ent�o, n�o percebo. A que comportamento se refere?

Ela estava deprimida, ap�tica, n�o comunicativa.

Vamos p�r o comportamento psicol�gico de lado por um momento.

A julgar apenas pelas provas f�sicas,

diria sem qualquer sombra de d�vida que ela foi violada

e n�o que participara numa rela��o sexual mais animada?

N�o.

Assim que cheg�mos � suite, a atitude dele mudou.

Julia, importa-se de falar mais alto?

Ele ficou...

Sei l�, rude.

Como se eu estivesse l� apenas para ser usada.

Perdi a vontade.

Ent�o, o que fez?

Disse que j� era tarde e que ia para casa.

Mas ele agarrou-me e disse que n�o ia a lado nenhum.

Come�ou a mexer na minha blusa.

Arrancou um bot�o.

Pedi-lhe para parar.

E ele deu-lhe ouvidos?

Ele riu-se.

Afastei-me, fui para a casa de banho e tranquei a porta.

Estava a tremer.

Talvez...

uns dez minutos depois, estava tudo silencioso.

Achei que ele tinha sa�do ou adormecido.

Ent�o, entrou no quarto.

Ele estava nu.

Ficou zangado por eu ainda estar vestida.

- Atirou-me para a cama. - Disse alguma coisa a seguir?

Disse-lhe "n�o".

Por favor, continue.

Ele for�ou-me a abrir as pernas.

Ele era muito forte.

E depois, entrou dentro de mim.

Obrigado, Julia.

Quando ele a agarrou e tentou desabotoar a sua blusa, gritou?

- N�o. - Pediu ajuda?

Achei que me ia magoar. Estava com medo.

Mas teve presen�a de esp�rito para ir para a casa de banho.

S� queria que ele me deixasse em paz.

Julia, porque n�o pegou no telefone da casa de banho e pediu ajuda?

N�o pensei nisso. N�o sei.

N�o � verdade que adorou estar com um m�sico famoso?

�.

O suficiente para ter fantasias sexuais com ele?

O que eu pensei n�o importa. Pedi-lhe para parar e n�o o fez.

Que dram�tico, Julia.

Algum jornalista tentou convenc�-la a vender os direitos da hist�ria?

Sim, mas n�o falei com eles.

Falou com algum advogado ou agente

que lhe dissesse quando poderia ganhar ao fazer estas alega��es?

N�o.

N�o tenho mais perguntas.

Ela mentiu, falou com um advogado.

Se estavam informados para reconhecer o falso testemunho,

porque n�o estavam preparados para o evitar?

S� agora � que soube.

A Julia contou-me antes do julgamento.

E n�o achaste que devias partilhar?

Ela disse que o pai a levou a um advogado.

Disse que n�o o contratara.

Achei que n�o era relevante para o caso, e continuo a achar.

Pois.

Avisaste a Diamond?

Ela j� est� a preparar a festa de absolvi��o.

N�o podemos cometer erros destes.

- Lamento imenso. - N�o duvido.

Revel�mos o falso testemunho. N�o infringimos a �tica.

N�o acha que podemos explicar a mentira da Julia ao j�ri?

Dra. Kincaid, a minha preocupa��o agora n�o � essa.

Preocupa-me confiar nos meus assistentes.

Tem o direito de estar zangado.

Cometi um erro e estou disposta a arcar com as consequ�ncias.

Mas ofende-me achar que n�o confiei em si.

N�o me interessa o que a ofende.

Acho que seria melhor pedir uma transfer�ncia

ap�s a absolvi��o do Sr. Carmichael.

Est� bem.

Menina Wood, ontem perguntei

se tinha falado com um advogado sobre os aspectos comerciais do caso.

- Lembra-se disso? - Lembro.

- Que resposta me deu? - Disse que n�o tinha falado.

Certo. Disse a verdade?

- N�o. - Ent�o, mentiu ao tribunal.

S� falei com um advogado. N�o significa que n�o fui violada.

Certo. � essa a hist�ria que quer manter?

Talvez isto a ajude a decidir.

Reconhece isto?

Menina Wood?

� o contrato do advogado.

De quem � esta assinatura?

� minha.

Os jornais e a televis�o n�o nos deixavam em paz.

O meu pai achou que precis�vamos de algu�m para nos proteger,

para lidar com os jornalistas.

Livros, filmes da semana,

e a m�e de todas as fortunas: um processo civil ap�s a condena��o.

� melhor do que ganhar a lotaria, n�o?

Porque me est� a fazer isto?

N�o sou eu, a Julia � que se vendeu pela fama.

Quer contra-interrogar, Dr. Stone?

N�o, Sr. Dr. Juiz.

Depois dos concertos, nos bastidores, elas n�o me largam.

Nem consigo andar na rua. Ela foi igual.

Foi igual de que maneira, Clarence?

Fal�mos uns cinco minutos e ela foi para o meu quarto.

Quando foi que disse que n�o queria fazer sexo?

N�o disse.

N�o disse nada quando comecei a desabotoar a blusa.

- Era esta a blusa que ela vestia? - Era.

Estava apertada at� cima?

S� estava abotoada at� aqui, at� ao bot�o que saltou.

O terceiro a contar de cima. Estou a dizer, ela queria-me.

Eu sei o que aconteceu no quarto. Nem pensar que a violei.

Sr. C-Square.

A Julia Wood alguma vez disse

que queria fazer sexo consigo?

Ela dava a entender isso, sim.

- Ao subir ao seu quarto? - Exacto.

Qualquer mulher que fosse ao seu quarto

est� implicitamente a consentir fazer sexo consigo?

N�o v�o l� pela vista, acredite.

Quando vou a uma discoteca, saio com as mi�das que quiser.

E faz amor com todas?

� isso que eu fa�o.

Reconhece isto?

- � a letra de uma can��o minha. - Protesto, irrelevante.

- Mostra o estado de esp�rito. - � prejudicial e inflamat�rio.

A testemunha vendeu milh�es de �lbuns. Como pode ser prejudicial?

Pode continuar, Dr. Stone.

Pe�o ao oficial de dilig�ncias para ler o excerto assinalado.

"Mais uma vez no ch�o da cozinha.

"N�o aguentas, mas eu quero mais.

"Consigo sempre o que quero, isso te garanto.

"N�o �s a minha mulher, �s a minha escrava.

N�o tenho mais perguntas.

Um homem e uma mulher, ambos jovens e atraentes,

v�o para um quarto de hotel depois da meia-noite.

Sendo o homem um m�sico famoso,

talentoso e cheio de dinheiro,

o que acham que vai acontecer naquele quarto?

A menina Wood admite que pensou um pouco em sexo

e que foi ao quarto do Sr. Carmichael.

Ela desabotoou a blusa para mostrar mais o decote.

O que havia ele de pensar?

O mesmo que voc�s est�o a pensar.

Que ela queria o mesmo, talvez at� mais do que ele.

Todos queremos acreditar numa mulher que diz ter dito que n�o,

mas como podemos acreditar nela

depois de ter mentido intencionalmente

neste tribunal, sob juramento?

Ela diz que mentiu porque tinha medo.

Mas as provas mostram que mentiu

porque se queria aproveitar da fama e fortuna do meu cliente,

e n�o queria que voc�s soubessem.

A menina Wood � capaz de ter dito que n�o,

mas infelizmente, disse um dia depois e isso, n�o conta.

Sim,

a Julia Wood entrou na limusina de Sr. C-Square

de livre vontade.

E sim, subiu ao quarto dele

de livre vontade.

E sim, at� pensou em fazer sexo com ele.

Mas, seja ou n�o culpado,

o Sr. Clarence C-Square Carmichael

� rico e, para certas pessoas aqui presentes, � atraente.

E claro, � famoso mundialmente.

Mas a Julia Wood n�o pediu

para ser atirada para a cama.

Ela n�o pediu

para lhe abrirem as pernas � for�a.

Ela n�o pediu para ser agarrada

e penetrada � for�a.

A Julia Wood disse "n�o".

Quaisquer que fossem as expectativas que teve ao ir at� ao quarto,

quando l� chegou, mudou de ideias e estava no seu direito.

Mas no mundo do Sr. C-Square

os direitos de uma mulher n�o t�m efeito.

O sexo est� inclu�do no estrelato.

A Julia Wood

n�o �...

uma mulher, � uma escrava,

um brinquedo.

Foi feita prisioneira

e usada at� ele decidir que j� tinha terminado.

No nosso pa�s, um dos direitos fundamentais que temos

� o direito de dizer "n�o".

Fazemos isso na religi�o, na pol�tica

e no nosso local de trabalho.

E no nosso mundo, quando uma mulher diz "n�o"

e um homem a ignora, isso � viola��o qualificada.

SUPREMO TRIBUNAL QUINTA-FEIRA, 2 DE SETEMBRO

- Chegaram a um veredicto? - Cheg�mos, Sr. Dr. Juiz.

Quanto � acusa��o de viola��o qualificada, o que decidiram?

Decidimos que o r�u, Clarence Carmichael,

� culpado.

Estou a fazer um calend�rio dos casos pendentes.

Envio-o para a sua secret�ria.

Apesar dos problemas que tivemos, obrigada pela aprendizagem.

Estas rela��es profissionais podem ser...

muito dif�ceis. Lembro-me de um assistente

que agrafou uma circular interna a um documento

que enviou ao advogado de Defesa. Perderam o caso.

Achei que a carreira tinha terminado,

mas deram-me outra oportunidade.

Por isso...

At� amanh�?

ESTA HIST�RIA � FICT�CIA.

Tradu��o e Legendagem M�nica Moreira / CRISTBET, Lda.

Ripadas e sincronizadas por: PT-Subs Rips

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