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Original subtitles

Mudou de modulação.

Ficou mais grave.

Meia escala mais grave.

Sim!

Bora.

Não preciso que te preocupes Eu estou na maior

Não quero que digas

Que é hora de voltar para casa

O que tens para dizer não me importa É a minha vida

Segue em frente com a tua Deixa-me em paz

Não quero saber, é a minha vida

É a minha vida

Não gosto que me digam o que fazer.

Nunca gostei.

Hão de dizer que não podes dormir sozinho Em lugares estranhos

Na minha infância,

diziam: "Vais acabar o liceu, entrar na faculdade,

"arranjar um bom emprego e pronto."

Não existia mais nada além disso.

Mais cedo ou mais tarde Dormimos no nosso espaço

Pensei: "Espera.

"Isso não se alinha com o que quero da vida.

"Quero fazer algo diferente."

Essa é a minha filosofia de vida.

Se quero fazer, faço.

Não preciso de autoridade para lá chegar.

Não quero saber, é a minha vida

Sim, é a minha vida

O artista musical dos anos 70, chamado Piano Man,

encontra-se vivo e de relativa boa saúde nos anos 80.

Viram-se provas disso hoje em Cincinnati.

Dan Royal marcou presença.

Aos 33 anos, Billy Joel toca piano há 29.

Há quem diga que 1973 foi um ponto crítico na sua carreira

com a canção Piano Man.

Atenção nacional seguida de êxitos seguidos.

Mas, há um ano,

outro marco: o acidente de mota.

Partiram-se os pulsos.

O pulso... Não consigo movê-lo com total controlo.

A mão devia chegar mais baixo, mas não consigo.

E esmaguei o polegar.

Falta-me parte do osso no polegar.

Dói.

Mas o rock 'n' roll tem disto. Não sou nenhum Vladimir Horowitz.

No passado ano, separou-se da mulher.

Isso, em conjunto com o acidente, deveria deixá-lo mais desanimado.

Aceito-o com dignidade e graça discretas.

Eu não quero viver!

Têm cuidado bem do Billy?

Estão agora à procura de um manager.

Eles espancam-me todas as noites.

Sabe o acidente? Eu ia a conduzir o carro.

Para quem duvidava, Billy regressou.

E por mais estranho que pareça, o público não foi a lado nenhum.

O álbum Glass Houses era excelente para tocar ao vivo.

Tinha uma dinâmica mais potente para ser tocada em grandes recintos.

Aproximava-se mais do estilo de música rock 'n' roll

que me entusiasmava em miúdo.

Depois de terminarmos esse álbum,

queria mudar completamente de direção.

Por causa do divórcio,

estava a reexaminar todos os aspetos da minha vida.

Queria trabalhar em algo mais sério.

Fui ao estúdio para gravar este álbum no ano passado,

mas não consegui completá-lo por causa do acidente,

o que acabou por adiar os planos que eu tinha.

Demorou muito, mas ainda bem que persisti.

O Billy não tem muita paciência para gravar novos discos.

Mas acho que The Nylon Curtain foi a exceção.

Queria fazer uma obra-prima do sónico.

Por norma, o estúdio ajuda a captar algo que queremos criar.

Neste caso, fizemos uso do estúdio

e de tecnologia para terminarmos a música.

Fiz uma experiência usando o estúdio como instrumento.

Ele criou ambientes e panoramas sonoros,

como em Scandinavian Skies.

Podia tocar blues toda a noite

Foi um período muito fértil para o Billy, musical e criativamente.

Começaram a alterar aquilo que eu ouvia nos fones.

Os vocais estavam diferentes. O eco estava diferente.

E eu: "Posso compor com isto."

Pressão!

Pressão!

É esquisito como o caralho e avant-garde.

Eu queria criar algo em que o som

fosse tão importante como as próprias notas.

Em Pressure, ouço algo saído de Tchaikovsky...

E queria ouvir bandolins e balalaicas.

O Phil Ramone arranjou uns russos que tocavam balalaica

e levou-os ao estúdio.

Foi uma cena bizarra

ver aqueles velhos de instrumento.

Mas foi muito fixe e o som foi espetacular.

Seis balalaicas, para quê?

Em semicírculo.

"Estás a gozar!" "Não, é o que queremos."

Pressão!

Um, dois, três, quatro, pressão!

Penso que tenho mais orgulho desse álbum

como uma forma de arte sónica.

E marcou uma transição na forma como eu compunha,

isto porque a música me levava a escrever outro tipo de letras.

Não podia ser sempre sobre amor e namoradas.

Tinha de ser sério, porque a música era mais séria.

Tinha crescido.

Já não tinha 20 anos.

Já não era só pelo rock 'n' roll.

Era sobre o mundo.

Estávamos na era do Reagan,

que devia trazer um futuro áureo,

mas havia muita corrupção subjacente.

A promessa da América deixara de existir.

Tudo estava a mudar radicalmente.

Bem, vivemos aqui em Allentown

E estão a encerrar todas as fábricas

A metalúrgica estava a morrer. As pessoas não tinham trabalho.

Era o que se lia nas manchetes.

... em Allentown

Mas levaram todo o carvão

A dada altura, focou-se em canções como Allentown.

A câmara recua e encontramo-nos num tempo e espaço específicos.

Todas as crianças tinham a oportunidade

De viver como os pais, com qualidade

Acho que ele entendeu aquilo que queria transmitir.

É uma canção mesmo à Billy Joel tal como é uma canção

sobre algo maior que ele.

E começa a custar ter de ficar

E vivemos aqui em Allentown

A natureza igualitária da canção

e a conexão ao trabalhador

eram muito importantes para ele.

As canções dele tocam as pessoas.

Ele sabe como alcançar alguém porque ele próprio sente isso.

Ele tem a paixão.

E creio que essa essência está na pureza da música.

Preocupa-se com a experiência humana.

Não é léria.

Ele criou canções que importam.

Encontrámo-nos como almas gémeas

Em Parris Island

Há uma faixa em The Nylon Curtain

que compus para uns amigos meus, veteranos do Vietname.

Queriam que criasse uma canção para eles.

E eu: "Mas não eu combati.

"Acho que não tenho credibilidade."

"Nós contamos tudo."

Afiados como navalhas

E fervia-nos o sangue Para morrermos por medalhas

Não havia canções do ponto de vista dos soldados,

os tipos na linha da frente a levar balázios.

Não era sobre moralismos.

Era apenas o que sentiam lá.

Segurámo-nos pela mão

Como de irmão para irmão

Toda a arte tem inferências políticas,

mas a cena do Billy era menos política

e mais pura atitude.

A imagem de juventude descontente era somente isso, estão a ver?

O Billy não era um miúdo descontente ativista.

Algo de que gosto nas letras dele

é que não aponta o dedo diretamente.

É parte da razão pela qual o material não envelheceu.

Vamos lutar todos juntos

Sim, vamos lutar todos juntos

Quando ouço Goodnight Saigon, eu não penso

nas consequências sociopolíticas da Guerra do Vietname.

Penso nos soldados na canção.

No seu melhor, Billy Joel canta sobre pessoas,

não sobre causas, nem conceitos.

Obrigado.

Foram incríveis.

Nunca gostei de fazer comentários políticos no palco.

As pessoas querem escapar a isso, tenho noção disso.

Mas às vezes ocorrem certas coisas

e não podemos desviar o olhar.

Quando usei a Estrela de David amarela,

uma semana após Charlottesville,

os protestos Unite the Right...

Os judeus não nos substituirão!

... tinha de fazer algo.

Fiquei danado: estava ali aquela gente a marchar por uma cidade

a pregar: "Judeus não nos substituirão."

Lutámos numa guerra para derrotar esta gente!

E depois diz o Trump:

"Havia gente muito boa em ambos os lados."

Havia pessoas que eram... Muito boa gente em ambos os lados.

O que devia ter dito era: "Esta gente não presta."

Não merecem qualificação.

Nazis não são boas pessoas. Ponto final!

Passei-me. E tinha de fazer algo.

Mas não queria dar sermões em palco e dizer: "Isto é errado."

Portanto, usei a estrela.

Em essência, para dizer:

"Aconteça o que acontecer,

"serei sempre judeu."

NUREMBERGA, ALEMANHA DÉCADA DE 1930

Eu sou judeu.

O meu pai cresceu na Alemanha no seio de uma família abastada.

Só estive com os pais do meu pai uma vez ou outra.

Tinham muito orgulho em ser alemães.

Não eram judeus praticantes.

O meu pai fez o bar mitzvah e foi só isso.

Não iam à sinagoga.

Mas, na Alemanha, se a família é judaica, somos judeus.

O meu avô do lado do meu pai, Karl Joel, tinha um negócio

chamado Joel Macht Fabrik em Nuremberga.

E tinha uma fábrica onde faziam têxteis e roupa.

O negócio estava a correr muito, muito bem,

até os nazis chegarem ao poder.

Eram gente privilegiada.

Viviam numa casa bonita ao lado de um parque.

O parque foi onde os nazis realizaram os comícios de Nuremberga.

Somos portadores do melhor sangue

e nós sabemo-lo.

Estamos determinados a manter a liderança da nação

e a renunciá-la jamais.

O meu pai olhava pela vedação quando faziam discursos antissemíticos

e via toda aquela comoção.

Não posso imaginar o trauma.

Ver a SS a desfilar enquanto defendiam estes princípios.

Ele nasceu em 1923.

Tinha dez anos quando Hitler se tornou chanceler alemão.

A vida ficou negra.

O governo alemão revogou a cidadania

a todas as pessoas judaicas.

Não se podiam sentar no parque,

não podiam andar pela rua,

não tinham quaisquer direitos.

As crianças judias na escola sentavam-se no fundo da sala.

Até que deixaram de poder ir à escola.

Havia um editor, o Julius Streicher,

que publicava em dois jornais antissemíticos.

O Der Stürmer era o maior.

Atacavam o meu avô.

"O Joel Judeu", como lhe chamavam.

Com o tempo, devido aos decretos, às leis

e aos jornais antissemíticos, o negócio foi afetado.

Tinham de marcar todo o material com um "J" de "judeu".

Não sei como ele julgava sobreviver àquilo,

porque se tornara evidente

que nenhum negócio judeu iria sobreviver.

Devia ser um otimista.

Ou talvez não quisesse vê-lo, nem pensar nisso.

Foram forçados a vender o negócio por nada.

Basicamente, por migalhas,

a um tipo chamado Neckermann.

Mas Neckermann nunca pagou.

O meu avô perguntou o que podia fazer quanto ao dinheiro.

E recebeu uma mensagem: "Vamos liquidar a conta."

Avisaram-no no último momento para ter cuidado.

"Vão matá-lo."

O meu avô entendeu a trama.

"É melhor ir enquanto posso." E teve sorte.

Passou a fronteira para a Suíça,

algo que era muito complicado para muitas pessoas.

Se os meus avós tivessem sido encontrados no comboio

e identificados como judeus,

teriam sido enviados para um campo de concentração.

Mas escaparam. Foi um milagre.

A ironia é que quando Neckermann se apoderou do negócio,

eles começaram a fabricar os pijamas de riscas

que os reclusos usavam nos campos de concentração.

Foram feitos na Joel Macht Fabrik.

Só descobri isso tudo a meados da casa dos 20.

E desconheço muito.

Ainda estou a tentar perceber.

Não sabia nada sobre o meu pai,

desde cerca de oito anos

até aos vinte e tal.

Ainda tentei

desvendar por onde ele andava,

como entrar em contacto, mas ninguém sabia.

Ora, aqui estou eu No fim da estrada

Por que caminho me fio?

Quando tinha 21 ou 22 anos, fui para a Europa.

Toquei em clubes,

em bares pequeninos e em casas de espetáculo.

Pensei que talvez conseguisse encontrar o meu pai.

Não sabia dele.

Nunca ligou, enviou um postal, nada.

Eu questionava-me: "Estará vivo?" Não sabia.

No dia que estava de partida para os EUA,

recebi um telegrama.

E este dizia: "Encontrámos o seu pai."

E eu: "Meu Deus! Encontraram-no!

"Onde? Como vou lá?"

E foi como descobri que o meu pai estava a viver em Viena.

Fui visitar o apartamento do meu pai

e deparei-me com um rapazinho loiro.

Descobri que tinha um meio-irmão.

Conheci o Bill com cinco anos.

Lembro-me do momento.

Era o primeiro dia de aulas e tinha acabado de sair.

Leu-me uma história de dormir.

Vi fotografias do meu pai na neve e a fazer esqui.

Virei-me: "Nunca fizeste isso comigo.

"Que mal fiz eu? Porque nunca deste notícias?"

Senti um pequeno conflito interno.

Mas ele tinha vivido uma vida muito estranha.

Ele combateu no exército dos EUA ao comando do General Patton.

Liberaram Dachau.

Queria que falasse sobre isso,

mas ele não queria falar sobre o passado.

Acabei por saber a maioria pelo meu irmão.

Na primeira semana,

ele esteve lá quando foi liberada

e viu todas as atrocidades.

Foi algo que o traumatizou profundamente.

E soube da família do meu pai.

Foram perseguidos.

Muitos estiveram em Auschwitz.

A maior parte da nossa família foi morta.

Eu visitei o cemitério onde a família Joel foi enterrada.

Nem sabia que tinha tantos familiares.

Às vezes, irrompe em mim uma fúria furtiva.

"Porquê? Não te fizeram nada."

Eles dizimaram a minha família.

Gostaria de tê-los conhecido.

Como tal, o meu pai era muito virado para dentro.

Um homem muito sombrio.

Chegou a dizer-me em criança:

"A vida é um esgoto."

"Isso não é uma perspetiva muito positiva."

Quando se mudou para os EUA, não se conseguiu adaptar ao país.

Achava tudo muito comercial,

que tinha pouca cultura.

E o antissemitismo alheio apenas o deixou mais amargurado.

Depois, quando os meus avós decidiram que iam voltar para a Alemanha,

os meus pais divorciaram-se por volta dessa altura

e ele regressou à Europa.

Estive presente quando o Billy se reuniu com o pai.

O pai entrou, ninguém falou,

mas a angústia era palpável.

Foi constrangedor.

Como se restabelece a relação com um pai?

Como se faz o mesmo com um filho?

Acho que nos sentimos demasiado envergonhados.

Passámos a maior parte do tempo na companhia um do outro

a tentar aquecer o motor

e a tentar comunicar entre nós.

Nem ele nem eu sabíamos fazer isso.

Deixei esses pensamentos remoer.

E, um dia, decidi sentar-me e começar a compor.

Esta é para o meu pai. Aqui vai.

Tem calma, miúdo maluco

És tão ambicioso para alguém tão imaturo

Se és tão esperto

Diz-me, porque ainda tens tanto medo?

Onde está o fogo? Qual é a tua pressa?

Arrefece os ânimos Antes que o pior aconteça

Tens tanto para fazer...

Eu tive o privilégio de conhecer o Billy pessoalmente.

O Billy passou por muito trauma na infância.

Quando lemos as letras dele, temos um vislumbre disso.

Quando vais perceber

Que Viena espera por ti?

"Viena espera por ti."

Presumo que seja o que eu buscava.

O meu pai vivia lá.

E estava à procura dele.

Mas, além do meu pai, é a capital mundial da música.

Logo, tem vários significados, tem várias camadas.

É pena, mas é a vida que escolheste

Foste tão precipitado Que o necessário esqueceste

Acho que a história do Billy é mais psicologicamente carregada

do que ele quer reconhecer.

Existem traumas que uma pessoa nunca supera.

E, por vezes, nem estamos cientes de certos incentivos na nossa vida.

Mas penso que a ânsia dele

advém do desejo de conhecer o pai.

Quando vais perceber

Que Viena espera por ti?

Obrigado.

Agora, gostaria de tocar piano com o meu pai,

se ele quiser subir.

Existia sempre um golfo, uma distância.

Era daquelas pessoas reservadas.

Queria ser próximo dele.

Gostaria que tivesse orgulho de mim,

gostaria de ter falado com ele sobre música e a vida.

Mas nunca tivemos uma ligação muito forte.

Nunca partilhámos um momento de magia.

É dececionante.

Onde está a orquestra?

Isto não era para ser um musical?

Aqui estou eu, na varanda

Como foi que perdi o raio do prelúdio?

Where's the Orchestra? foi a última canção

que compus em Nylon Curtain.

... Muito embora

Eu não faça

A menor ideia...

É uma canção sobre desencanto.

Para mim, é um apanhado da vida.

A vida não é um musical, é uma tragédia grega.

Onde está a orquestra?

Boa noite, DC. Não aturem a merda de ninguém.

Fiquei esgotado emocional e fisicamente depois de The Nylon Curtain.

Senti-me pronto para morrer.

Tinha estado na estrada ano após ano

a compor, a gravar, em digressão

e por aí adiante.

E nunca tinha tirado férias.

Pus-me a falar com o Paul Simon, que era meu amigo,

e ele: "Porque não vais a São Bartolomeu, nas Caraíbas?"

"Não conheço."

"É muito sossegado. Tudo na descontra.

"Vais gostar do sítio. Ninguém te vai chatear."

Aceitei a sugestão e fui para São Bartolomeu.

Pensava que era uma ilha pacata.

Deixem-me contar-vos uma história Sobre uma mulher...

Christie Brinkley está ao rubro

no carrossel da modelagem.

Esta Golden Girl da Califórnia tem o recorde surpreendente

de mais de cem aparições em capas de revistas.

Eu estava numa sessão. Estávamos em São Bartolomeu.

Um dos membros da equipa vem a correr e exclama:

"Meu Deus, malta! O Billy Joel está no PLM!"

Fomos ao PLM num ápice e ele estava sentado no bar.

Algo que adoro nele:

não se sente à vontade até ver um piano.

Ele não atua para os outros o ouvirem tocar.

É a manta de segurança dele.

Não me surpreende: viaja, está em São Bartolomeu,

vai a um bar, vê um piano,

senta-se para tocar e, quando olha,

tem modelos lindas de deixar o queixo cair a olhar para ele.

Ele tinha um escaldão.

Tinha uma camisa havaiana, como uma camisa de férias.

E disse: "Meu Deus, isto é incrível!

"Muito obrigado, Sr. Piano."

Ele pôs-me a rir imediatamente.

Foi muito engraçado.

E diz ele: "Deixa-me tocar-te umas músicas."

Sentei-me ao lado dele no banco do piano

e perguntou: "Que música gostas?"

E eu lanço-me...

E começo a cantar.

E o Billy ficou do género:

"Está bem."

Ele tocava e eu cantava.

E eis que aparece a Elle MacPherson.

Ela era louca por Billy Joel.

Tinha um corpo lindíssimo

e estava a exibir o corpo por todo o bar

para chamar a atenção dele.

Estava a fazer conversa com a Elle, com a Christie...

Subitamente, aparece uma miúda, que vem ter connosco e diz:

"Eu também sei cantar."

Pois, está bem.

"Não chateies, miúda."

Esta jovem e bela rapariga solta um vozeirão.

Era a Whitney Houston, caraças!

Era o primeiro projeto como modelo.

Foi sensacional.

Todas elas eram lindíssimas. Todas eram modelos.

E ali estava eu, um maltrapilho com um escaldão a tocar piano.

E o Billy lá conseguiu

cantar algumas das canções dele.

Ele foi imensamente divertido

e era engraçado, e rosa, e reluzente.

E havia algo de encantador nele.

Passámos um bom bocado a rir, a conversar, isso tudo.

Por isso, decidimos manter contacto.

Ambos vivíamos na cidade de Nova Iorque,

começámos a sair juntos

e gostávamos um do outro.

Contei à minha mãe: "Estou a sair um tipo muito querido,

"mas ele não faz o meu tipo.

"Ele tem o cabelo volumoso como em Long Island.

"Mas ele é muito interessante."

E ela respondeu: "Querida, o penteado muda-se.

"Idem para os sapatos.

"Mas se ele tem um bom coração, devias seguir o teu."

Então, saímos num encontro a sério, a um concerto dos Beach Boys.

E o Billy acabou no palco, claro.

Havia algo de amoroso e antiquado nele.

E foi assim que a nossa amizade se converteu em romance.

E pronto, aqui estou eu, a namorar com uma supermodelo.

Eu? O tipo de Hicksville?

O que fazemos os dois juntos?

Mas foi uma época muito produtiva.

Compus muitas canções para ela. Ela era uma musa.

Era como se tivesse voltado à adolescência,

a viver aquelas mesmas emoções

que tive quando descobri o amor pela primeira vez.

Estamos a divertir-nos à brava!

Por tanto tempo

Por tanto...

Sou aquela voz que ouves sem modos

E o maior milagre de todos

Era divertido viver um romance arrebatador

e ver certos aspetos da relação serem convertidos em música.

Alguns mantêm-se afastados da porta

Se houver uma hipótese desta se abrir

Queria fazer algo simples, e parvo, e feliz,

e compus An Innocent Man,

que é uma homenagem à música da minha adolescência.

Alguns vivem com receio de um toque

E o ressentimento de tempos tolos

Tipo, a canção Innocent Man foi composta no estilo de The Drifters.

Choraste porque sou um homem inocente

Com Uptown Girl,

queria replicar o estilo de The Four Seasons do Frankie Valli.

E quando ela caminha Ela parece tão feliz

Éramos todos bandas de bar

e tinha uma onda muito à anos 50 e 60,

a tocar a música com que crescemos.

Debaixo do passadiço

À beira-mar

Debaixo do passadiço Passadiço

Divertimo-nos à grande durante a gravação.

E as canções em An Innocent Man saíram assim.

Era só...

"Sinto-me assim, vou falar sobre isso

"e vai ser assim."

Quero-o fácil

Fácil, dinheiro fácil

Billy Joel está em digressão nacional,

tendo esgotado antes de se fazer à estrada.

É um novo público.

Miúdos que não conhecem Piano Man,

nem sequer conhecem The Stranger, podem ter visto

os vídeos para Pressure e Allentown

e os novos vídeos para An Innocent Man.

Descobriram-me por aí, o que é ótimo.

O Billy é incrível.

- Que idade tens? - 16 anos.

Era o início dos anos 80, quando a MTV foi lançada.

MTV: Music Television!

Vídeos de música 24 horas por dia!

O Billy não gostava de filmar os vídeos.

Ele queria que a música dele pintasse o ambiente

e que as pessoas usassem a imaginação, porque esta não tem limites.

Além disso, ele não se achava um ídolo de matinés

para criar aqueles vídeos.

Queremos ficar bonitos para a câmara.

A Paula está aqui para isso.

Mas eram uma parte crucial,

a modos que acabaram por ser fundamentais para a carreira dele.

Isto não é um vídeo, é uma longa-metragem em miniatura.

Um filme de três minutos.

Na altura, tinha ingressado nisso.

Tinha a minha empresa de produção.

Liguei ao Billy e contei a ideia.

- Silêncio! - Está a filmar!

Queriam começar com Tell Her About It.

E Dennis Arfa, o agente do Billy: "Consigo o Rodney Dangerfield."

Viva, daqui Rodney Dangerfield.

Vou estar na MTV, na estreia mundial do vídeo de Billy Joel.

E filmámos Tell Her About It. Ficou um espetáculo.

Acabaram por criar alguns dos êxitos da época.

Esperei uma eternidade

Mas mais vale tarde do que nunca

Sou o Billy Joel

e estão a ver MTV: Music Television.

A seguir, foi a Uptown Girl.

E o Billy: "A Christie pode entrar."

"Sim, aparecem nos jornais todos os dias.

"Faz todo o sentido ela aparecer."

E fui falar com ela.

E ela: "Estás a ver isto? Isto vale ouro."

E eu: "Escuta, só vais aparecer por uns segundos.

"Arranjamos a maquilhagem e o cabelo ao teu gosto,

"mas diz que queres."

E ela falou com o Billy.

Com uma miúda da Alta

Eu já a vi E à sua vida na ribalta

Já está cansada Dos brinquedos de classe

E de presentes Dos meninos de bela face

Ela tem escolha

Senti-me à vontade naquele uniforme.

Eu já trabalhei num posto.

Qualquer um com sangue quente dentro

E ela agora quer um homem do centro

Eu já lá estou

E quando ela caminha

Ela parece tão feliz

E com aquela carinha

Ela nunca se contradiz

Ele: "Não quero dançar."

"Não vais dançar, vais andar do ponto A ao B,

"mas com algum estilo, estás a ver?"

Era animado, demonstrava o poder das celebridades.

Miúda da Alta

Ela é a minha miúda da Alta

Sabem, eles eram o casal famoso mais poderoso daqueles tempos.

A derradeira estrela de rock-pop

e a maior modelo do mundo num vídeo musical juntos,

cujo impacto ainda é sentido hoje.

Uptown Girl foi um sucesso estrondoso em todo o mundo.

- É o homem que canta Uptown Girl? - Sou eu!

O ímpeto...

O álbum tinha quatro singles de topo de tabela.

Mas, mais uma vez, teve de enfrentar os críticos.

"Innocent Man" é insuportável

Sobretudo naquela década,

se achassem que algo não era "rock 'n' roll",

podia-se esperar um certo tipo de crítica.

Todos os críticos de rock queriam ouvir rock com raízes no blues.

Bem, o Billy Joel não se inseria nesse molde.

E, consequentemente, suscitou o desdém ou indiferença deles.

Tínhamos isso em comum com ele. Recebíamos péssimas críticas.

E levava a peito. Magoava.

Pensava: "Quem é esta gente? Não me conhecem."

Sei que ele detestava os críticos.

E sei que lhe lixava a cabeça.

"Manda os críticos à fava."

Todo e cada crítico que esmiuçou o Billy, onde estão eles?

Onde está toda essa gente que tanto sabia

sobre o que devíamos ter feito?

O Billy inseria tanto de si no seu trabalho.

Tanta da obra dele é autobiográfica

que expõe as partes delicadas dele, a sua vida e alma

em público.

E ter alguém deitá-lo à terra, entendam, é muito doloroso.

Apesar de 40 milhões em vendas,

cinco Grammys e mais de 12 singles chegarem a ouro,

a aclamação pelos críticos elude Joel.

Estes defendem que os variados estilos privam-no de uma identidade sólida.

Outros acham-no um imitador,

uma espécie de camaleão musical.

Estas opiniões deixaram Billy Joel um tanto defensivo.

Não acho mau. Para mim, é um renascimento.

Mudo a toda a hora.

Tenho interesse em vários géneros.

Se não são propícios a gostar de Billy Joel,

a versatilidade dele pode ter o efeito oposto.

Muitos dos críticos viam-no como um intrujão.

"Este gajo não tem identidade própria.

"Ele faz tudo para aparecer na rádio,

"persegue qualquer modinha.

"E, está bem, até compõe canções giras,

"mas é pouco original e imitativo."

Os críticos não apreciaram a musicalidade do Billy Joel.

Para essa malta, "musicalidade" é uma palavra feia.

Mas mesmo no seio das suas influências ecléticas,

ele tem uma autenticidade forte.

E as pessoas reagem a isso.

Julgam que o conhecem

e reagem à maneira como ele se exprime e se sente.

Se analisarmos as canções à lupa, ele não se mete com rodeios.

Ele não faz alusões nebulosas,

ele é bastante direto e é muito franco.

Entendemos perfeitamente a perspetiva dele e aquilo que ele quer dizer.

Não recorro muito à metáfora e à analogia.

Escrevo tal como falo

e escrevo tal como penso.

Creio que isso foi outro motivo para os críticos o menosprezarem.

Mas é precisamente o que faziam os maiores compositores

da era popular,

do cânone do cancioneiro americano.

Ele é um dos poucos compositores contemporâneos

que consegue compor pela norma,

segundo as regras: verso, refrão, verso, refrão,

meia oitava, modulação, coda.

É uma arte em extinção.

Ele é um compositor estrutural e eu aprecio muito esse aspeto.

E penso que é o que permite às canções durar.

Conta-lhe tudo

Conta-lhe tudo o que sentes

Muitos não gostaram do Innocent Man.

Azar, foda-se.

Quero fazer aquilo que me interessa.

Quero criar o que quero ouvir.

O maior concerto de rock 'n' roll de sempre!

Billy! Billy! Billy!

Billy! Aqui!

Obrigado, Billy!

Nunca o tinha visto em capas de revistas,

abraçado a alguém, até ela.

A partir daí, os paparazzi não o largaram.

Foi uma explosão.

Aí têm, os paparazzi de Londres.

Enquanto esteve com ela, foi muito intenso.

Ele tornou-se uma celebridade.

Mas acho que nunca se sentiu à vontade com aquilo tudo.

Christie, podia olhar para aqui?

A nossa primeira discussão

aconteceu porque fomos rodeados pelos paparazzi

e o Billy foi muito malcriado com eles.

Disse-lhe: "É mais fácil dar-lhes um sorriso.

"Vão pegar numa foto tua...

"Sabes? E vão publicá-la."

"Se vires uma câmara, sorri.

"Eles tiram a foto e deixam-nos em paz."

E fazíamos uma brincadeira.

Sempre que víssemos uma câmara,

eu fazia uma pose e ele fazia...

Começámos a fazer isso em todo o lado.

... mas ela é sempre uma mulher para mim

E ela nunca vacila

Sabem, estavam a sair, a namorar e lembro-me de perguntar:

"Planeiam casar?"

E ele: "Achas que devia?"

Eu respondo: "Acho que devias.

"Sim, acho que devias."

O cantor pop-rock Billy Joel vai casar-se hoje em Nova Iorque.

A noiva é a modelo Christie Brinkley.

Embora esteja apaixonado...

Queríamos casar no porto,

com a cidade no fundo, a Estátua da Liberdade.

O casamento foi estupendo.

Fomos todos ao copo-d'água, eu, o Steve, o Brian.

Ele pegou nos meus discos, deu-os ao DJ

e passaram aquela música.

Tivemos imensos convidados.

Gente da indústria discográfica, alguns da indústria de modelos,

a banda inteira esteve lá,

amigos e familiares.

Foi muito animado e glamoroso.

Foi importante.

Ainda pensei: "Isto é que é fama."

Não avisei Que não estava pronto para o romance?

Hoje é 15 de dezembro de 1985.

E esta é a nossa nova morada em East Hampton.

Não é bonita?

Olá!

E é aqui onde entramos para a estrada de acesso.

Os primeiros anos foram cheios de diversão, foram fantásticos.

E aí vem ele! Boa!

Alguém que já viu de tudo?

Agora que estás aqui A situação não é a mesma

Regressámos sãos e salvos a casa!

Os velejadores! Viva!

O amanhã

Está tão distante

Esta noite

Pode durar para sempre

Alguém está mais larga, ultimamente.

Só faltam mais quatro semanas.

Três semanas e uns dias.

Três e uns dias?

Bom, estamos a 16 de dezembro, pelo que, quando voltarmos a filmar,

pode ser que tenhamos algo para contar.

A modelo Christie Brinkley e o cantor Billy Joel

são agora pais orgulhosos.

Brinkley deu à luz a uma menina de 3 kg

na noite passada, num hospital em Manhattan.

Uma pessoa só cresce quando tem um filho

porque, de repente,

deixamos de ser o centro de tudo.

Ganhamos toda uma perspetiva.

Amor incondicional.

Nunca tinha sentido tal coisa até segurar aquele bebé nos meus braços.

É mais importante do que eu. É o meu tudo.

É o futuro.

E eu sou responsável por ele.

É melhor garantir que não faço asneira.

Vamos.

Estes são tempos para recordar

Porque não irão durar

Cresci sem pai.

Queria ser o pai que eu não tive.

Era-me muito importante.

- Olá! - Olá!

Eu cresci em East Hampton.

E pensava: "Caramba, os meus pais são mesmo populares."

Não sabia que os meus pais eram celebridades.

Eu julgava ser a estrela,

porque era como me tratavam em criança.

Estavam sempre a filmar-me e a incentivar-me

e era sempre a estrela dos musicais de família.

Papá, papá, papá!

- Sou eu! - Papá, papá!

O Billy sentava-se ao piano, começava a tocar,

ela acercava-se ao lado dele

e começava a cantar.

Cantávamos todos os dias.

Quando a minha avó, a avó Roz, ficava connosco,

passava a vida a cantar.

Ela adorava o teatro musical com uma enorme paixão.

Há uma canção do musical Show Boat:

Porque ele é o meu Bill...

Inspirou-se nessa canção para o nome do meu pai.

A Roz era singular.

Quando se juntava ao Billy,

eles adoravam cantar cantigas da Broadway

e usavam diferentes sotaques a toda a hora.

Nunca voltaste a tomar café na minha casa.

Eles adoravam fazer pequenas atuações.

... Uma para o meu bebé

E outra mais para o caminho

A minha avó era extremamente extrovertida,

quase em excesso.

Era um fosso infinito de emoções a borbulhar perpetuamente por dentro.

Ela podia começar a cantar algo,

deixava-se levar e ficava tão emocionada

que começava a chorar.

Ela era imprevisível.

Tinha humores erráticos, sim.

Foi difícil para ele ver a mãe num estado tão instável,

mas penso que se compadecia muito pela mãe,

pelo sofrimento que passou como mãe solteira.

Ela esteve sempre presente. Sempre.

Ela foi a motivadora original.

Ela foi a minha defensora.

Nos bons e nos maus momentos, ele amou-a.

E ela sentia tanto orgulho no sucesso dele

e por viajar pelo mundo inteiro.

É o Big Ben, Alexa. Vês o relógio grande?

Il Torcello, la prima capitale di Venezia.

E eu adorava estar em digressão,

tal como adorava fazer parte daquela família da estrada.

Então, eu tentava ir o máximo de vezes possível

e achava que era muito importante para o Billy

passar aquele tempinho com a Alexa.

Eu sou

Um homem inocente

Sou sim

Os seus fãs vão ver tudo o que queriam?

Nem tudo.

Ela tem coisas de camarim, maquilhagem. Sim, ela tem coisas fixes.

As pessoas estavam investidas neles como casal.

Acho que era engraçado para elas ver como os opostos se atraem.

- Sou o John Malkovich. - Billy Joel.

Confesso, admiro-te por casares com a Cindy Crawford.

Não, casei com a Christie Brinkley.

Quem te dera.

Tinha lançado o Nylon Curtain

e tinha lançado An Innocent Man.

Tinha uma filha pequenina.

Não queria estar a queimar as pestanas

num quarto com mais ninguém a tentar compor e compor.

Eu queria estar com a minha família.

Por isso, resisti à tentação por dois anos.

Mas sabia que, um dia, teria de voltar ao trabalho.

Agora a harmonia.

Foi uma luta conseguir compor.

Não tinha a ambição que tinha tido em álbuns anteriores.

Podia ouvi-la no som.

Tenho de arranjar espaço para a secção. A ponte ou...

Muitas vezes, quando compunha,

via o piano como uma besta de 88 dentes

que queria comer as minhas mãos.

Não me vinha, não me vinha.

E quando vinha sorrateiramente,

tinha de me forçar a ficar ali até que saísse tudo.

Não há nada pior do que uma fonte que secou.

Sempre compus sozinho.

É muito solitário.

Tenho de estar imerso nesta solidão quando componho.

Senão, distraio-me.

Tenho de estar na minha caverna, como um homem das cavernas.

Fico maldisposto, rabugento, respondão,

passo por um turbilhão de emoções.

Sinto-me totalmente isolado do resto do mundo,

mas tem de ser assim para poder compor.

Tenho de me expor por completo a um vácuo.

É um trabalho solitário.

Para mim, a linguagem é a música. Possui sempre uma mensagem.

Mesmo antes das letras, já lá está alguma coisa.

Mas a parte difícil é extraí-la, identificar o que é.

A bateria tem um grande som aqui.

É? Não ouves a bateria?

- Soa-vos bem? - Fantástico.

- Lib, podes ir para casa. - Canta.

Vá, canta.

Contou-me o Phil Ramone, que era amigo do Ray Charles,

que o Ray queria colaborar comigo.

"Tens alguma coisa em mente que possas compor para o Ray e para ti?"

O Ray Charles foi o meu grande ídolo. É provavelmente o meu cantor favorito.

Pensei: "Vou compor uma canção sobre algo que temos em comum."

Qual foi a maior constante nas nossas vidas?

O piano.

Fomos a Los Angeles gravar a sessão

e eis que o Ray Charles entrou pela porta e eu quase que congelei.

"Meu Deus, é mesmo ele!

É o Ray Charles!"

Queria que cantasses "Há muito que deixei..."

Vou terminar a ponte.

- Queres que continue a cantar? - Sim.

O Phil sugeriu:

"E se tocassem piano?"

Quebrou o gelo instantaneamente.

É um vínculo entre pessoas.

É uma ligação muito emocional, a que temos por este objeto.

E agora ia cantar com o Ray Charles!

Fiquei tão acanhado.

Ela satisfaz

Só ela é capaz

A minha Baby Grand

É tudo o que preciso

Adoro a metáfora prolongada do piano

como uma relação de uma vida.

Estimo muito essa canção.

E ter o Ray Charles a cantar com ele...

É de génio.

Só necessito

Do poder nas minhas mãos

E esta Baby Grand

É boa para mim

É esta.

- Sim, assim sim. - É sopa.

- Hora da sopa. - Hora da sopa.

Soupe du jour, bestial! É, sim.

- Vês o que acontece quando relaxas? - Nem mais! Não, foi esta.

E um, e dois

E um, dois, três, quatro

Depois de The Bridge, atuámos por todo o mundo.

Fomos a todo o lado.

Atuámos muito em França.

Fomos à Holanda, a Londres.

Tocámos em Berlim em 1989, quando o muro caiu.

Fomos os primeiros a tocar lá após a reunificação da Alemanha.

Fiz todo um discurso.

O meu parecer era que querias ir a lugares únicos,

onde as pessoas não tinham visto isto.

E aceitaste ir a sítios que muita gente recusaria,

como a Rússia.

Qual é o objetivo máximo que pretende alcançar

nas próximas duas semanas?

Fazer amizades

e deixar as pessoas contentes com a minha música.

Dar início a algo a que possa dar continuidade.

Está a convidar para irmos à casa dele.

- Tem boa música. - Obrigado.

A música pop é a língua universal dos jovens em qualquer país.

Os políticos não conseguem fazer grandes avanços.

Penso que, às vezes, cabe aos artistas criar canais de diálogo.

Adeus. Obrigado.

Foram espetaculares e estavam em pulgas.

Queriam abanar o capacete.

Mas esse era o sentimento daquelas pessoas russas.

Queriam conviver connosco.

Punham a garrafa de vodca na mesa,

desapertavam a tampa, atiravam-na.

Lembro-me de que não tinham tampas de desenroscar.

Era uma coisa que se tirava e mandava ao lixo.

E perguntei: "Não têm uma tampa para fechar?"

E eles: "Porquê?"

"Para quê?"

Quando virei o piano, o público delirou!

Nunca tinham visto aquilo.

"Americanos ricos. Destroem o equipamento."

- "Passou-se connosco?" - "O que vai destruir esta noite?"

Pa-pá!

É o Papá, Alexa, no helicóptero.

É o Papá!

- Voltei de Leninegrado por dois dias. - Como é estar de volta?

Estou tão feliz por viver nos EUA

Estou tão feliz, vivo nos EUA

Bora dançar

É ótimo estar de volta.

Vamos voltar à estrada, malta. Desta vez, vamos ao Maine.

Por enquanto, estamos aqui.

Em Bantam Lake.

Christie, dá-lhes uma vista do lago.

Nós tínhamos planeado

percorrer a linha costeira desde o Maine,

a serpentear ao longo do litoral.

Foi uma viagem encantadora à descoberta de pequenas localidades.

O meu tipo de cidade, Menemsha é...

Foi engraçado, porque, em todas as vilas,

o empregado ou o dono do restaurante comentava:

"Pois é, são os donos daquela propriedade gigante ao fundo da rua."

E nós: "Não, não é nossa."

Ou então diziam: "Sim, sim.

"Vocês compraram um dos meus cavalos."

"Não, não comprámos."

Que curioso, ainda bem que vamos parar por aqui

em vez de continuar.

O dia está a chegar ao fim.

Cruzávamo-nos com alguém e diziam:

"Sim, compraram este velho hotel na Carolina do Norte".

E nós: "Não, não fomos nós."

Eu comecei a ter o mau pressentimento

de que o manager estava a usar o dinheiro dele.

Pensei: "Ele voa para toda a parte

"num jato privado,

"ele compra cavalos de corrida às hostes.

"E todos julgam que temos terrenos na sua zona."

Sei que passaste por maus momentos

"Algo aqui não bate certo."

Mas eu também passei pelos meus

Eu disse ao Billy: "O Frank Weber está a roubar-te."

E ele não queria ouvir isso.

Eu tinha um apartamento em Manhattan.

Tinha ido ver uma casa que precisava de obras.

E ouvi dizer que tinha havido problemas com as despesas da obra.

E vários conhecidos da indústria comentaram:

"Não devias ter problemas de dinheiro para terminar as obras.

"Tiveste uma catrefada de êxitos. Para onde foi o dinheiro?

E não tinha uma resposta.

Não tinha estado atento a isso.

A chuva tem de cair nas nossas vidas

O Billy liga: "Não tenho dinheiro para a casa."

E eu: "E o Frank tem para a dele?"

"Ele não tem as mesmas despesas."

"Billy, homem, és tão ingénuo."

Todos caminhamos pela penumbra

O Frank era como um confidente, um conselheiro de confiança.

O Billy contou-me que mal tinha dinheiro.

Naquele ponto da carreira, era absurdo ele não ter dinheiro.

Havia ali bicho.

"Discos de ouro, digressões mundiais.

"Dinheiro não devia faltar. Onde se meteu o dinheiro?

"Qual é o problema?"

E diz-me ele:

"Mete-te na merda da tua vida."

Quando apontei isso, ele disse:

"Ei, eu conheço-o há muito mais tempo do que a ti."

Ele achava que era da família, aquela que tinha escolhido para si.

Continuei: "Escuta, eu amo-te. Quero proteger-te.

"E vejo gente a aproveitar-se de ti."

O Billy confiava nele.

Confiava nele mais do que confiava em mim,

o que obviamente me magoou imenso.

Eu viro-me: "Porque não contratas um auditor?

"Não estou a insinuar nada, mas alguém devia investigar."

E autorizei uma auditoria.

Depois da auditoria, vim a descobrir

que me faltavam rios de dinheiro.

Foi como um pontapé.

Eu devia ter X, mas tinha isto.

Ontem, Joel intentou um processo de 90 milhões contra Frank Weber,

o manager desde 1980.

No seguimento de uma auditoria a Frank Management,

apurou-se que "Weber usou Billy como um banco privado."

Já é mau o manager

ter sido o cunhado de Billy,

mas também é o padrinho da filha de Billy Joel.

Devia 5 milhões de dólares ao Tio Sam.

Não tinha o dinheiro que pensava.

Foi desolador.

O Billy podia ter uma lealdade cega.

E era o que tinha para com o Frank.

Até essa lealdade ter sido desfeita.

Foi um choque de emoções.

Se não podia confiar neste tipo para zelar por mim...

Como pude ser tão estúpido?

Como pude ser tão ingénuo?

Foi um episódio muito deprimente.

Quando nos juntámos, ele nem tinha direitos de autor.

Sob a minha direção, conseguimos reaver os direitos

das canções dele.

Frank Weber alega que agiu com o benefício de Joel em mente

e que não estava preparado quando foi intimado.

O Billy costumava dizer que ele se encarregaria da música

e eu dos negócios.

Frank nega as acusações

e alega que os investimentos fracassaram

devido à recessão e outros fatores.

Isso foi um momento trágico e marcante para o meu pai.

Se é o dinheiro que faz um homem rico

Quando ele traiu a confiança e a amizade que tinham...

Então eu nunca estarei à altura

... acho que se sentiu abatido.

Ficou de rastos por causa disso.

Seria caixista numa lojinha

Quando fiquei a saber que estava quase falido,

fiquei furioso.

Percebi que tinha de começar do zero.

Tinha de voltar a compor canções novas,

gravar novas canções

e fazer-me à estrada para recuperar todo aquele dinheiro.

Tenho uma família, uma filha!

Tenho uma mulher, familiares, tenho de cuidar de todos.

Era o que fazia.

Estás cansado?

Exausto. Ainda não parei.

Tinha receio de que pudesse ser mau para o meu casamento,

mau para a relação com a minha filha.

Sinto-me amargurado. E zangado.

Quero estar com elas.

Não quero fazer isto por problemas financeiros.

Mas não tinha escolha.

Tinha de ir ganhar a vida.

Neste ponto da carreira,

ele podia agendar várias noites em Madison Square Garden,

várias noites em Boston.

Portanto, esta ideia

de trabalhar pelo dinheiro

era provavelmente uma alternativa melhor

do que prolongar o processo, esgotar as nossas energias

e arrastar-nos, e...

Então, tomámos a decisão

de arregaçar as mangas e pôr mãos à obra.

Nativo de Long Island, escritor, compositor, cantor, concertista,

Billy Joel vem ao Yankee Stadium.

Acho que ele fica mais famoso a cada novo álbum.

Talvez por ser um tipo normal,

mesmo com tanto talento.

Gostas das coisas?

Três canções no final?

Isso seria excelente!

Rock 'n' roll, Billy Joel!

Não importa a música. Só quero ver o Billy Joel.

Ele é um artista, é incrível.

Viemos do Ohio para ver o Billy Joel tocar a Piano Man.

Bom, eu estou na Downeaster Alexa

E a velejar por Block Island Sound

Eu tracei um rumo a Vineyard

Mas hoje Nantucket é o meu destino

Acontece a muitos músicos.

Tenho contas para pagar E filhos para vestir

Não somos voltados para finanças.

Não ligava ao dinheiro, queria ser músico.

Como os meus concidadãos

Do meu lar eu me despedi

Foi o orgulho que me travou Matei-me a bulir

Para ficar com a minha Downeaster "Alexa"

Não queria pensar como empresário.

Queria ser um artista.

Queria pensar na música e na criatividade.

"Estou acima disso."

O tanas. Não estava acima dessa merda.

E um bom capitão não pode dormitar

Tinha de proteger as canções. Eram minhas filhas.

Ficaram órfãs até eu assumir a minha paternidade.

Do sino em Gardiner's Bay

Então, assumi a minha gerência

e nunca me arrependi.

Mas tenho amores em terra Que contam comigo

1989 tem sido um ano de viragem para Billy Joel.

Fez 40 anos, despediu o manager, adicionou membros à banda

e gravou o primeiro álbum em anos.

Este chama-se Storm Front.

Há um fogo dentro de Billy Joel - motivado pela má gestão

Billy Joel, falido, trabalha arduamente para sair do buraco

É a bandeira de furacões.

É vermelha com um quadrado negro.

Se a virem, voltem para trás.

- É um aviso? - É.

Vem aí algo, meu. A tempestade aproxima-se.

Ai este desassossego

Quero águas abertas

Bandeiras vermelhas esvoaçam

No mastro da guarda costeira

Escolher um álbum favorito do Billy Joel? Isso é difícil.

Para mim é o Storm Front.

E queixam-se: "E és fã dele! Isso foi tão tarde!"

Quantos mais artistas conhecem

que tenham lançado um álbum tão comovente no final da carreira?

Depois de mais de 16 anos no mundo da música,

Joel confessa que é um desafio tornar os álbuns distintos.

Desta vez, para tal efeito, colaborou com um novo produtor:

Mick Jones dos Foreigner.

O Phil Ramone não é o problema.

Apenas queria um outro compositor,

alguém que tocasse um instrumento, e eis o Mick Jones.

Tinha trabalhado com o Phil Ramone até ao final dos anos 80,

mas estávamos a cair no que me pareceu ser a mesma rotina.

E reconheci que era altura de mudar.

O Phil ficou magoado, isso eu sei,

porque a relação deles era tão forte

que foi como uma separação.

A equipa com quem trabalhamos torna-se a nossa família.

E é duro quando há algum rompimento.

Não é fácil quando nos acostumamos a fazer algo de certa forma.

Aqui estou eu

Atento à vista de todos

Era uma mudança necessária.

Tinha de mudar para permanecer atual e criar outros sons.

Eu só queria que tu Queria que soubesses

Desavergonhada

Fazia isso em todos os álbuns, mudava algo.

Mas a diferença neste álbum nota-se imediatamente.

Harry Truman, Doris Day China Comunista, Johnnie Ray

Pacífico Sul, Walter Winchell Joe DiMaggio

Joe McCarthy, Richard Nixon Studebaker, Televisão

Coreia do Norte, Coreia do Sul Marilyn Monroe

We Didn't Start the Fire foi o primeiro single

do Storm Front

e foi um enorme sucesso.

Rosenbergs, Bomba H, Sugar Ray, Panmunjom

Brando, O Rei e Eu E À Espera no Centeio

Eisenhower, vacinas A Inglaterra tem nova rainha

Marciano, Liberace Adeus, Santayana

Não ateámos o fogo

Já estava a arder Com o mundo a...

Enquanto compunha,

comecei por ter uma ideia de manchetes de jornal.

Corri ano, após ano, após ano.

Havia sempre algo.

Josef Stalin, Malenkov Nasser e Prokofiev

Rockefeller, Campanella Bloco Comunista

As manchetes trazem um elemento histórico tangível.

Queda de Dien Bien Phu Rock Around the Clock

Líbano, Charles de Gaulle Basebol da Califórnia...

Hoje, aos 41 anos, o rebelde que não terminou os estudos

tem um grupo de seguidores inesperado: crianças.

Os docentes consideram-na a melhor ferramenta pedagógica

desde a Rua Sésamo.

We Didn't Start the Fire catapultou o Billy, possivelmente,

para o apogeu da carreira.

Uma das maiores estrelas dos EUA: Billy Joel.

Billy Joel.

Billy Joel.

Começámos a ensaiar para a tournée,

que será... no início de dezembro.

Vamos estar meses fora.

Não gosto de viajar. Gosto de tocar.

Quando o músico se diverte a tocar,

lembra-se por que motivo decidiu fazer isto.

Ficamos nas sete quintas.

Chama-me palhaço Chama-me besta

Agora e aqui Eu sou o rei da festa

Claro como água Pronto para a corrida

Sinto que estou na flor da vida

I Go to Extremes é sobre o que se passava com ele,

porque andava feito um bumerangue a correr entre a vida com a família

e a vida de artista frustrado.

Querida Não sei porque vou a extremos

Não sei de tudo por que estava a passar,

mas vi que ele tinha dificuldades.

Mas que músico não se sente seguro em palco ou a tocar?

É a única coisa que não nos vai trair, estão a ver?

Certamente era o porto de abrigo dele.

Querida Não sei porque vou a extremos

É um tanto frenético.

Porque vou a extremos?

Porque estou eu sempre pela ponta dos cabelos?

Não é agradável. Somos puxados ora para aqui, ora para ali.

E ao reconhecer isso, pensamos: "Deve ser duro viver comigo."

Faz-me pensar na minha mãe. Ela também tinha altos e baixos.

Ora estava deprimida, ora estava eufórica.

Deve ser de família.

Estávamos em digressão.

Já tinha visto o Billy ir abaixo,

mas, nesta ocasião, a coisa foi mesmo feia.

Ele ia aos ensaios e podia estar tão a lés,

entre toda aquela confusão e tentar aliviar a dor,

que mandava-me tocar bateria

e no dia seguinte perguntava porque estava a tocar daquela forma.

Ficávamos embasbacados: "Tu mandaste, ontem."

E ele: "Mandei?"

Esquecia-se por completo.

O Billy entrou em colapso durante esse período.

Entendem? A vida dele estava a desmantelar-se aos poucos.

Uma noite, acordei sozinha na cama, aflita: "Onde está o Billy?"

Comecei a ligar a vários bares, literalmente.

E encontrei-o.

Disseram: "Sim, está aqui."

E eu: "Ótimo. Não diga nada.

"Só queria ter a certeza de que ele estava algures."

Incidentes como esse começaram a ocorrer de vez em quando,

do que sabia, e foi desconcertante.

Mas ele não gostava de falar sobre isso.

Ele preferia engarrafar as coisas, engolir sapos.

Muitos artistas lutam contra o vício.

Precisam de um escape.

Isso, a somar à lista interminável de pressões desta indústria.

A pressão de estar em palco,

a pressão de tentar agradar tudo e todos,

a pressão de manter o casamento vivo

ou a de continuar em digressão.

Acho que ele carregava um peso imenso aos ombros

e começou a beber por isso.

Podia falar sobre material novo?

Posso.

Estou a compor e a gravar um novo álbum nesta zona,

no lado leste de Long Island.

Tenho um pequeno estúdio.

China, mistura bruta, 16/12/92.

Ele quis gravar o álbum em Shelter Island

porque se sentia focado nessa zona de Long Island.

Estou a compilar.

O título provisório é The Shelter Island Sessions.

O raciocínio dele foi: "Foi aqui que nasceu, vai crescer aqui."

O Billy decidiu que ele seria o produtor.

Ele compunha as canções, a música,

as letras, geria o estúdio.

Não conseguia fazer tudo, eram muitos chapéus.

"Preciso de um produtor."

Como tal, ele ligou ao Danny Kortchmar.

No início, levámos as gravações para outro estúdio,

para as escutarmos e ver o que tínhamos em mãos.

Ele: "Que te parece?"

E respondi: "Adoro três coisas.

"Adoro o letrista. É fabuloso.

"Adoro o teclista. E adoro o cantor.

"O resto é uma merda."

Achei que se sentiam tão acomodados

que não precisavam de se dar ao trabalho.

Sugeri: "Vou ligar aos meus rapazes.

"Se não resultar, voltamos ao de antes.

"Não se perde nada."

Não quero excluir novas ideias

só por estar acostumado a certas coisas.

E gostei do que estava a ouvir.

Mas na escuridão

Vejo a tua luz ligada

Soube que o Billy estava no estúdio com outra banda.

Pensei em ligar-lhe.

Ele: "Que foi?"

Eu: "O que se passa aí?"

"Do que estás a falar? Tu é que me ligaste."

"Billy, eu sei."

"Lib, tenho de tentar.

"É só uma experiência. Só para uma canção."

Uma canção passou a duas,

que depois passou a três e culminou num álbum inteiro.

Era altura de começar outro capítulo.

Mas o Billy encerra-os com mão pesada.

Era o meu baterista há anos.

A coisa não estava a resultar.

Havia divergências de ritmo,

divergências nas nossas vidas pessoais.

Foi como um divórcio e foi amarulento.

Gerou-se muita tensão por causa disso.

Muita fricção.

Muito ressentimento.

Lembro-me que me senti muito transtornado.

Enviei-lhe um fax a dizer:

"Billy, entendo que tens de fazer o que é preciso,

"mas se precisares de mim, de ajuda, liga e eu apareço.

"E se o Kortchmar precisar de mim, manda-o ir ao bilhar grande."

O Billy pegou no fax e fixou-o numa das paredes do estúdio.

Muitos estão de trombas comigo

porque acham que prejudiquei o Liberty.

E não vou justificar o que fiz,

mas as coisas entre nós não estavam a resultar, só isso.

Penso que o Lib se sentiu um tanto magoado,

mas fizemos as pazes e somos novamente amigos.

Si, Ré e Fá sustenido na nossa mão direita.

Si, Ré, Mi.

Para Lá, Dó sustenido.

Sabia dos dotes dele, mas não imaginava a sua genialidade

até entrarmos no estúdio.

A forma como adaptava música europeia para música pop

era praticamente insólito.

Todos os outros vinham do folk,

do blues ou da música pop contemporânea.

Ele começou a usar elementos pouco usados.

Sol, Ré, Fá sustenido na mão direita.

Li uma citação do Neil Diamond, um compositor fabuloso,

em que disse como se sentia satisfeito com o trabalho dele.

"Perdoei-me por não ser Beethoven."

Assim que li isso, entendi o meu problema.

Não me tinha perdoado a mim mesmo por não ser Beethoven.

E martirizava-me porque, para mim,

Beethoven é o maior compositor da história.

O meu passado como músico

começou comigo a ouvir música clássica.

O meu pai era um pianista com formação clássica

e a minha mãe ouvia essas estações de rádio.

Muitos miúdos começavam a ouvir a rádio

e escutavam música pop.

Eu escutava Mozart, escutava Bach, Beethoven.

E era hipnotizante.

E apliquei essa formação clássica no meu trabalho.

Podiam ser reproduzidas por si só, sem quaisquer palavras.

Por exemplo, a Uptown Girl.

Podia ter sido uma obra de Mozart.

E embuti isso em muitas das minhas canções.

Como a This Night, que recalquei diretamente de Beethoven.

Vem de Pathétique.

Beethoven no estado mais melódico.

Mas usei o tema dele em Pathétique no refrão da This Night.

Creditei-o!

Está no verso do álbum: "L.v. Beethoven."

"Ele plagiou Beethoven!" Não plagiei.

Não lhe paguei, mas não plagiei.

Conhecemo-nos há muito.

Toquei violino em Downeaster "Alexa".

E reparei como ele adora música clássica.

Ele toca piano, fez a instrumentalização.

Mas admiro-lhe as progressões harmónicas.

Como em Allentown,

está repleta de pequenas sequências harmónicas.

É fascinante ver como ele movimenta as harmonias.

Acontece o mesmo na música clássica.

Suportamo-nos todos nos ombros de gigantes.

A música não surge do éter...

Requer dedicação e estudo.

Pegamos no que já foi feito,

ouvimo-lo, entranhamo-lo

e depois reproduzimo-lo, mas com a nossa marca pessoal.

É assim que a música persevera.

Não sei tocar bem.

Isto foi a mão esquerda a arpejar.

Ninguém nasceu num tubo de ensaio.

Todos temos as nossas influências.

Provavelmente, passo a vida a roubar dos outros sem notar.

Ele tem toda a harmonia na mente.

Relembro, limita-se a seguir os instintos quando toca piano.

E os instintos estão ligados à música clássica,

tal como o blues e o rock 'n' roll, que ele adorava.

Esse álbum é uma travessia.

Uma canção origina outra.

Existe um ciclo cântico aqui.

Isso advém da forma como componho.

Entro numa espécie de estado de sono,

quase como um transe.

Flui como um rio.

Tive outra ideia: quando fizermos as escalas...

Como vamos...

A canção The River of Dreams veio até mim num sonho.

Acordei a ouvir o ritmo,

a ouvir o chamamento e a resposta, a componente evangélica.

Não sou artista de gospel,

mas soou-me tão diferente!

E disse: "Não vou compor isto!

"Não, não." Rejeitei-a logo.

Chamamento e resposta. Como fazem na igreja.

E fui tomar um duche, estava a ensaboar-me e a cantar...

E não me saía da cabeça.

Tornou-se parte de mim.

Não me deixava. "Vais ter de compor isto.

"Quer queiras, quer não."

Quando alguma coisa é assim tão poderosa e evocativa,

mais vale deixar-nos ir.

Tem de ser composta.

A meio da noite

Saio à rua enquanto durmo

Passeio até à margem

De um rio tão extremo

Tenho de procurar por algo

Algo sacro e esquecido

Mas o rio é largo

E sinto-me desfalecido

A meio da noite

Saio à rua enquanto durmo

Experienciei uma catarse.

Tinha de reencontrar a fé na humanidade.

Precisava de reatar a minha fé em mim mesmo.

Precisava de me redimir.

Embora saiba que o rio é largo

Caminhava lá todas as noites E a praia fitava

Tentava atravessar à outra margem

Para encontrar por fim Aquilo que procurava

A meio da noite

Saio à rua enquanto durmo

Pelo vale do medo

A um rio tão extremo

Tenho procurado por algo

Algo que da minha alma levaram

Algo que não posso perder Mas meliantes roubaram

Quando cheguei ao fim do álbum,

percebi que o formato da canção tinha completado o círculo.

Estava farto de compor letras.

Não abandonaria a música, mas ia parar de compor música.

Não tinha mais a dizer.

Os meus dias de compositor tinham chegado ao fim, basicamente.

Sentado aqui em Avalon

A ver a chuva a cair

Estava saturado da tirania da rima.

Toda a gente voltou para casa

Perguntei-lhe porque parou de compor canções

e ele disse que era a experiência mais terrível

e torturante a que alguma vez se sujeitara,

porque ele é um perfecionista

e dava-lhe cabo da vida.

Estas são as últimas palavras Que tenho a dizer

Compor é como uma necessidade. É como uma fome.

Se não tivermos o impulso, não sai nada.

Hei de ter outras palavras, tu vais ver

Acho que pela altura que terminou a Famous Last Words,

ele decidiu: "Não quero competir comigo.

"Não quero que me comparem a Just The Way You Are,

"ou The Stranger, ou outra coisa."

Penso que existem alturas em que temos de filosofar:

"Chegou o momento de aceitar o estoicismo."

E eu respeito essa posição.

Estas são as últimas palavras Que tenho a dizer

Ainda sinto que foi uma conclusão natural.

E encerrei o capítulo.

Obrigado.

Quando o Billy parou, ele partilhou

que, quando se tornou famoso, as pessoas começaram

a analisar tudo à lupa nas canções.

E tudo começou a ser analisado segundo o prisma da fama,

da vida privada, dos casamentos.

E algo nele vergou. Algo se partiu.

Acho que também havia algum medo envolvido.

Não queria que a qualidade do trabalho minguasse devido à idade.

Suspeito que o Billy desejava um reconhecimento que nunca recebeu.

Um reconhecimento sério, literário, poético.

As reações dos críticos melhoraram ao longo dos anos,

mas acho que não lhe bastava.

É um tanto triste.

Aqui temos este indivíduo, uma fonte de criatividade que secou.

E vê-lo a continuar a ser ativo no âmbito das artes musicais,

a atuar com a mesma vivacidade que possuía anteriormente,

após ter deixado de compor,

é quase um quebra-cabeças.

A meio da noite

Saio à rua enquanto durmo

Pelo deserto da verdade

A um rio tão extremo

Todos vamos dar ao mar

Nascemos nas ribeiras

Depois do River of Dreams,

eu precisava de parar de compor canções.

Mas foi um êxito. E esta?

Sting e Billy Joel: grandes nomeados

Ele não só recuperou todo o dinheiro, como voltou com mais pujança.

Talvez graças à adversidade.

"Mandas-me ao chão? Volto com o dobro da força."

Ele não atua há três anos, mas ter um álbum n.o 1 debaixo do braço

deve ajudar bastante a subir ao palco.

Com a multidão a gritar por mais,

Billy foge pelas traseiras rumo ao próximo concerto,

o qual será em Boston.

Depois, Filadélfia e NI.

A tournée River of Dreams estará na estrada durante dois anos.

Gostaríamos de saber como a sua filha, Alexa, e a Christie

lidam com a sua ausência.

Elas viajam consigo?

De vez em quando, juntam-se a mim.

O facto de a Alexa estar no segundo ano

tende a dificultar as viagens.

É uma das razões por que digo

que esta será a minha última digressão longa.

Eu não quero continuar a viver a vida de Willy Loman.

Quer ver a filha crescer.

Sim, não quero virar o Tio Papá.

A nossa relação foi de momentos divertidos

e de encontrarmos alegria na companhia um do outro

ao trabalho consumir-lhe a vida.

E se fosse com ele, não o via na mesma,

porque o desanuviamento pós-espetáculo

estendia-se até às tantas da madrugada.

Ficava ali: "O que faço eu aqui?"

Fiquei do tipo: "Não sei o que fazer,

"mas não me posso sentir sozinha,

"só eu e a Alexa,

"nesta casa enorme, que devia estar repleta de vida,

"e amor, e música, e...

"... riso, e tudo mais."

As coisas estavam a deteriorar-se.

Estava numa relação com alguém que estimava profundamente,

mas não me era possível estar em casa.

Não pude estar com a minha família.

Foi um período muito infeliz para mim.

Boa noite, meu anjo É hora de cerrares os olhos

E guardares estas perguntas para outro dia

Na altura, penso que a Alexa já sabia

que os pais se iam separar.

E isso é muito traumático para uma criança.

Ela tinha de saber que estaria sempre lá para ela.

Eu prometi que nunca te deixaria...

Goodnight, My Angel, Lullabye.

Não consigo falar sobre a canção sem me emocionar.

Para onde quer que vás Onde quer que estejas...

Ele fez essa canção para dizer: "Venha o que vier,

eu nunca te deixarei."

Boa noite, meu anjo É altura de dormir

E tenho ainda tantas coisas Para te contar

Só me recordo que foi uma época muito pesada e tumultuosa.

Quando fomos velejar em Emerald...

Acho que não é segredo nenhum o estado em que ficava quando bebia

e que não se lembrava do que fazia quando bebia.

Por isso, ele não sabia como magoava os outros.

As águas turvas e profundas Dentro deste coração ancião

Eu fingia estar a dormir.

Não queria vê-lo naquele estado.

Uma noite, nós tivemos uma discussão

e eu disse: "Não aguento mais isto.

"Vou levar a Alexa comigo para Nova Iorque e vou-me embora."

E ele respondeu: "Sim, está bem. Vai."

Percebi que o amor não é sólido.

Achamos que é,

mas existem pequenas coisas a corroê-lo.

E, no fim, desfaz-se em bocados.

E magoa.

E eu fiquei desolado.

Um dia, os teus filhos vão chorar

E se cantares esta canção de embalar

Então, no teu coração existirá sempre...

Eu tentei. Queria que resultasse.

Sabia a sorte que era

ter música e todas essa coisas, mas...

Não resultou.

Um dia, teremos todos partido

Mas canções de embalar ficam no ouvido

Nunca perdem a vida

E será assim Que tu e eu persistiremos

Fim de Joel-Brinkley Separados desde Dia de Ação de Graças

Em todos os corações existe um espaço

Um santuário seguro e duradouro

Para curar as feridas

De amores passados

Até surgir um novo amor

Eu diria que, se existe uma chave por trás dos segredos das minhas canções,

seria provavelmente as minhas relações com os outros.

Tudo o que escrevo é influenciado por alguém.

Ainda assim Acho que disse de mais

O verdadeiro amor não é êxtase e estar nas nuvens.

Grande parte é doloroso.

E sempre que segurei uma rosa

Acho que só senti os espinhos

Por aí adiante E por aí adiante

Seguirás em frente num instante

É extremamente difícil compor algo muito simples e muito íntimo.

Alguns só o fazem uma vez na vida.

... Esse seria o meu pior erro

Tem dissonância incorporada.

Tem uma nota dissonante em quase todos os acordes.

É uma nota que tem de ser resolvida.

É um acorde suspenso, que cria tensão.

Isso se a escolha fosse minha

É como o fim de um romance,

sem resolução,

que é um pensamento aterrador.

Fica com este coração para partir

Foi por isso que a criei.

Acordes pendentes.

Por aí adiante E por aí adiante

E só tu verás este amor brilhante

Está de volta: o único Piano Man, Billy Joel,

começou a tournée na costa Leste.

Quando um artista entra em digressão,

pensa-se que é promoção, mas isto não é.

É a primeira vez que vamos tocar sem um novo disco.

Também é novidade para nós.

Entre esta data e o fim do ano,

irão percorrer a Europa, a Ásia e os EUA, quase cem espetáculos.

Ele está fatigado, mas, quando sobe ao palco,

ele adora cada segundo.

Vá lá, Virginia, dá-me um sinal

Vocês, católicas, pecam por tardar

Mais cedo ou mais tarde É o destino a determinar

Mais vale ser eu...

Quando atuamos, temos de dar tudo de nós no palco.

Não nos podemos conter.

E é uma experiência eufórica.

Era algo que acho que estava a precisar na altura.

Só os bons morrem novos

Foi isso que eu disse

Só os bons morrem novos

Só os bons morrem novos

Foi quando me juntei às tournées do Elton.

Esta noite, o Piano Man juntou-se ao Rocket Man.

E o palco estava montado para a tournée do século.

Sexta à noite, estraguei-te a festa

No sábado A desculpa não presta

Domingo veio e fiquei pior...

Tinha noção de que a perceção era que existia uma rivalidade.

Comparavam-me ao Elton porque ele chegou ao estrelato primeiro.

E fiquei ofendido na altura,

mas passou-me.

Podes ter razão

Posso ser maluco

Havia uma disputa amigável entre eles.

Eram pianistas diferentes.

Por isso, complementavam-se maravilhosamente.

Não me queiras salvar

Ir em digressão com o Elton

foi como estar num campo de férias, foi muito fixe.

E gostei de ver a camaradagem entre eles os dois.

Quantos fatos têm?

Livrei-me de uma catrefada deles. Devo ter uns 20.

- Vinte? - Vêm aí mais.

- E o Billy? - Só tenho este.

Era divertido para nós e o público adorava.

E a coisa cresceu, e cresceu, e cresceu,

e tocámos para 50 ou 80 mil pessoas.

E isto durou 16 anos.

Podes ter razão

Vai um, dois Um, dois, três, quatro

Temos lido imenso sobre o tema.

Que o pop pode ser coisa do passado

e que a música clássica

é o trajeto que almeja por inteiro.

- Isso é verdade? - Sim.

Não estou a dizer que sou

um bom compositor clássico, mas para lá caminho.

Componho música há anos para um tipo chamado Billy Joel.

Estou a fartar-me dele.

Quando comecei a compor música, a música clássica era a miúda do lado.

Mas depois fui arrebatado

pela sedução do rock 'n' roll, entendem?

Tinha meias de rede pretas, rímel borrado e fumava.

E tivemos um caso aceso por 25 anos da minha vida,

mas, subitamente, voltei a cruzar-me com a miúda do lado.

A primeira obra que terminei por completo

chama-se Soliloquy on a Separation.

E era sobre a minha filha me ter visitado

após o divórcio e ter ido embora.

Todas as emoções que eu estava a sentir

não eram algo facilmente expressado com letras.

A minha filha vinha e partia.

Dói imenso querer ser pai e não poder sê-lo.

E escrevi estes acordes: Dizemos adeus.

E depois vejo-te partir

E lentamente regresso

A esta casa calada

Pensei: "Palavras para quê?"

A música já comunica isso.

Talvez estivesse pronto para me expressar unicamente através da música.

Mas, enquanto estava a compor, apercebi-me

de que não era bom a tocar isto.

Consigo reproduzir partes aos poucos

e consigo compor bem o suficiente para fazerem a notação,

mas não consigo tocar a bravura como devia ser tocada.

Isso é a especialidade do Hyung-ki.

Rachmaninoff, Chopin, Tchaikovsky.

Quero compor música para o ouvir tocar.

Quer que o primeiro tempo seja uma sugestão

ou prefere...

- Não, pode ser mais forte. - Pois.

Já está presente.

Ele perdeu a capacidade

de ler a pauta e de anotar.

Logo, faz tudo por ouvido,

o que para mim é extraordinário, é incrível.

Muitas pessoas que são fãs dele não entendem.

"Ele é o Piano Man. É um grande pianista. Para que precisa de si?"

E claro, é um pianista exímio,

mas é como pedir a quem dança balé para fazer breakdance,

ou vice-versa.

Ambos são brilhantes na sua área e no virtuosístico,

mas não são necessariamente aptos na área do outro.

E depois tem de... E um Fá abriria mais.

Tem um ouvido apurado.

A música clássica é algo que ele guarda

muito perto do coração e isso é percetível.

Trabalhámos juntos nestas obras para piano,

as quais acabariam por formar o álbum Fantasies & Delusions.

Chamei-lhe Fantasies & Delusions

porque percebi que estava a delirar por pensar que era um compositor clássico.

Sou um pianista de rock 'n' roll.

É uma fantasia, uma ilusão. Chamemos-lhe pelo nome.

O álbum tem momentos espetaculares.

Este segmento é de Innamorato.

Há aqui uma mensagem lírica:

Tu és aquilo que mais quero.

E repito-a.

É uma obsessão.

Um, dois três, quatro.

Este álbum destaca-se em várias formas.

Ficou no topo da tabela de clássicos durante 18 semanas.

E creio que é dos álbuns de clássicos de maior sucesso de todo o tempo.

Sabia que os críticos de clássicos iam desfazer-me em bocados,

mas estava a tentar expressar aquilo que eu adoro,

ou seja, música romântica de piano.

De certa maneira,

acho que o álbum é uma homenagem ao pai.

O Bill pode não ter essa perspetiva, mas talvez seja subconsciente.

Ainda era vivo quando fiz o Fantasies & Delusions.

Mas nunca cheguei a saber a opinião dele sobre essa obra.

Sei que o meu pai tem muitos problemas de abandono.

O pai dele foi embora quando ele tinha sete anos.

Ele nunca superou isso.

Foi algo que o marcou muito na sua vida,

quando o encontrou, mas foi ele que teve a iniciativa.

Acho que ficou um pouco destroçado por o pai não ter ido até ele.

Ele é que se deslocou a Viena.

Estava constantemente em busca de uma ligação mais íntima.

Ironicamente, acho que a encontrou através do irmão, o Alex,

que é maestro de orquestra.

Penso que foi importante

ter tido a oportunidade de se relacionar

com esse lado da família.

É uma pena não ter sido músico.

Imagino o pai muito feliz a trabalhar numa casa de ópera.

Também acho.

Ele tocava as óperas no piano antes de as irmos ver.

Ele amava música.

Verdadeira e genuinamente, amava-a, mas detestava a sua própria musicalidade.

Ele tinha um piano no quarto, ia tocar,

provavelmente tocava Chopin ou uma sonata de Beethoven.

E ele saía do quarto carrancudo e danado:

"Sou uma nódoa."

Para mim, era fantástico.

"Se pudesse tocar assim, seria muito feliz."

Mas ele nunca se sentia satisfeito.

Dizia a mim mesmo em criança:

"Não quero ser assim.

"Não quero ter esse tipo de relação com a música."

Portanto, nunca tentei ser um concertista de piano.

Segui um outro caminho, em que...

Queria criar a minha música.

Ele tinha muito orgulho de ti. Genuinamente.

O pai tinha imenso orgulho do Bill e daquilo que alcançou...

Acha que o Bill sabe que o pai sentia esse orgulho?

Acho que não.

Contei-lhe, mas ele não acredita.

Acho que o meu pai era o elo que faltava em muitas coisas.

Quando ele faleceu, entrei um pouco em pânico.

"Ele partiu e nunca hei de conhecê-lo."

Mas não guardava qualquer rancor.

Apenas sentia a mágoa da morte.

E acho que ele queria dizer que me amava,

mas nunca o disse.

Quando o Howard estava a morrer, estávamos à beira da cama

e recordo-me do Billy e do Howard a olhar um para o outro.

E ambos com uma expressão vazia na cara.

Sem emoção, nada.

Deve ter sido um grande vazio na vida do meu irmão

e deixou-o com um buraco por preencher.

A minha mãe costumava dizer-me:

"A natureza da graça não comporta compulsão."

Não entendia isso quando era pequeno,

mas entendi em adulto.

Eu perdoei-o há imenso tempo.

Temos de conseguir perdoar para começarmos a sarar.

Depois do Fantasies & Delusions, pensei: "Pronto, vinguei."

Não só na música clássica, mas na música pop.

É que era um músico ativo

e uma estrela do rock há imenso tempo.

E ponderei: "Que mais posso eu fazer?"

Sentia que faltava alguma coisa.

O The Daily News noticia

que o cantor acabou de se casar com a namorada Katie Lee.

No que diz respeito a relações a longo prazo,

senti-me reticente quanto ao compromisso,

mas era uma experiência nova.

E acho que mandei as regras janela fora.

Quando nos apaixonamos, caímos.

Não flutuamos, ficamos caídos.

Quando nos juntámos,

o Bill queria fazer uma pausa de tantas digressões.

Portanto, acreditei nele sem reservas, julgando que era o que queria.

Ele dizia muitas vezes: "Estou farto de ser o Billy Joel.

"De tocar as mesmas cantigas."

E esse descontentamento

com algo que ele estimava tanto

acho que foi duro.

Quando não temos novidades para dar,

não temos onde nos esconder.

E isso deve tê-lo feito sentir-se mais exposto,

com as dificuldades em destaque.

Naquela fase da vida, ele bebia muito.

Ao longo dos anos, passou por uma série de desastres.

Estava a fazer um chiqueiro em público.

Quando isso acontece, a opinião pública pode mudar.

O acidente rodoviário de Billy Joel em Long Island, esta manhã.

A superestrela recupera de um grande susto.

Sabem, juntamente com a fama, vem o mexerico.

Rumores.

Não gostava do jornalismo tabloide.

Estar aqui, num dos maiores centros mediáticos do mundo

foi complicado para ele

por causa do escrutínio.

Adoram apontar o holofote para os erros que possamos cometer.

E Billy Joel teve outro impacto, mas não o que queria.

O cantor foi contra uma casa, o terceiro acidente em dois anos.

A pergunta é óbvia, Eric:

terá alguém vertido alguma coisa no copo de Billy Joel?

Por exemplo, circulavam boatos de que conduzia embriagado.

Isso nunca aconteceu, mas estão sempre a repetir o mito.

"Foi multado tantas vezes."

Nunca por embriaguez. Vão para o caralho!

Houve um período de repouso em que não compôs

e não tinha grande presença.

Começaram a fazer pouco dele.

Podia conduzir cego.

Quando digo que era uma anedota, trataram-no como alvo de chacota.

Foi por pouco.

Quase me dava um ata-ta-ta-ta-taque.

A imprensa é impiedosa.

Não é fácil lidar com tanta atenção sobre nós.

Custa-me muito falar sobre esses tempos.

Ele precisava de voltar a criar,

precisava de compor música e atuar

para dar a volta àquela ansiedade

de não ter um escape artístico.

E também estava a braços com o vício.

Foi muito difícil orientar-me

por não ter experiência com isso.

Mas ele reabilitou-se no Betty Ford.

Ela fez um ultimato.

"Ou fazes algo quanto à bebida,

"ou isto tem os dias contados."

O Billy está num estado reabilitado.

Quando ele chegou a casa do centro Betty Ford,

foi um período muito delicado para nós os dois.

Sempre me questionei sobre essa altura em específico,

porque o Billy estava sóbrio

e sempre tive a sensação de que estava a descobrir uma faceta nova.

E quando descobrimos algo novo sobre nós, mudamos.

Ele tinha experienciado de tudo,

tinha vivido uma vida rica.

Mas eu era novinha

e não tinha vivido nada.

Então, eu queria sempre sair,

mas o Bill queria ficar em casa.

Aí, sim, a nossa relação não estava famosa.

A nossa Katie Lee vai demonstrar...

Passou a focar-se na carreira,

queria viver na cidade,

queria socializar.

Houve um burburinho de que andava com um homem.

Tudo tanga.

Acabou por se criar uma distância.

Eu queria fazer tudo como casal,

mas acho que foi aí que a diferença de idade se opôs.

Além disso, eu suspeito de que havia algum ressentimento

por o ter forçado a ir para o centro Betty Ford.

Na reabilitação,

não podemos ir por alguém, tem de ser por nós.

Temos de querer aquilo.

E eu não queria.

A relação acabou por sofrer

e foi muito difícil recuperar daquele desgaste.

Acho que ambos queríamos reconciliar,

mas tornou-se evidente que não ia resultar.

E lembro-me que, uma noite, fomos jantar

e disse: "Bill, eu não sou feliz."

E ele pergunta: "Queres o divórcio?"

E respondi: "Sim."

E ele: "Está bem." E pronto.

Ia passar por outro divórcio.

O terceiro.

Um triplo falhado.

E o medo de estar novamente sozinho, de morrer sozinho.

Não ter aquela pessoa na minha vida

e envelhecer.

Billy Joel e esposa dizem que casamento terminou

A modos que comecei a beber outra vez, só para aliviar essa dor.

E foi, sim, um tempo perdido.

Fomos jantar uma noite.

O Billy estava totalmente desolado.

Estava feito em lágrimas:

"Tenho 500 milhões de dólares e ninguém para amar."

E isso dói, eviscera-nos

ver alguém cair nesse fosso.

E isso coincidiu com outra parceria com o Elton.

O concerto conjunto foi cancelado.

Joel e John cancelaram o espetáculo em Detroit.

Cancelou o de quinta.

Todos estavam preocupados com Billy Joel.

Lembro-me de o Elton John acusar o Billy de beber demasiado

e de o Billy Joel não ter gostado

quando leu o artigo.

O Billy não queria ouvir aquilo, muito menos em público.

E isso levou a que se levantassem certas questões

relacionadas com a carreira dele.

Acho que ele não queria os seus problemas à vista de todos

e aquilo deixou-o danado.

O Elton comentou que achava que eu precisava de reabilitação a sério.

Desdenhou: "Ele é um bêbedo."

E isso magoou-me muito. "Espera lá.

"É isso que pensas de mim?"

E houve uma inimizade por uns tempos.

Houve um ajuste de certas coisas durante essa altura.

Senti-me atacado.

Então, sim. Esse foi o fundo do poço.

Estava desencantado com o significado que tinha conferido àquilo.

Todos os sinais apontavam: basta!

E redigi uma carta à banda: "Não quero mais fazer isto.

"Vou parar."

Queridos amigos - Passou-se quase um ano desde que interrompi a digressão...

Gostaria de me retirar da vida pública.

Tomei a decisão de pôr um fim à minha carreira de músico...

Acho que estava a tentar salvar a sua vida.

É difícil controlarmo-nos quando se trabalha tão arduamente.

Se quer sobreviver, tem de deixá-lo.

Chegou a hora de abandonar o campo.

Há anos que falava em fazer uma pausa,

mas isto era um adeus definitivo.

Tornou-se muito retraído.

Não falei muito com ele nessa fase.

E devo confessar que fiquei preocupado com ele

porque acredito piamente que, sem este escape,

o Billy não teria nenhuma razão para viver.

E acreditei que...

E pensei sinceramente que estava em contagem decrescente.

No início

Existia o frio e a noite

Aos 18 anos, arranjei o meu primeiro barco.

Tinha cinco metros de comprimento.

Remar nele dava enfartes e metia água como um coador,

mas era o meu barco.

Estar na água tem vários significados.

Uma parte é a liberdade.

Deixamos a terra e estamos por nossa conta.

Navegamos.

Quem controla o rumo somos nós.

Demasiados reinos

Demasiadas bandeiras...

Temos de estar sempre no comando.

E há algo exaltante nisso.

Demasiadas feridas para sarar

O tempo não perdoa

Estou em controlo. Sou o capitão do meu navio.

Contra todas as forças da natureza.

É uma sensação intensa. Muito poderosa.

Foi já há quanto tempo

Mas agora eu estou contigo

Depois de dois mil anos

É parecido com a música. Cura.

Cometi muitos erros na vida.

Mas cresci graças a eles, aprendi com eles.

E mesmo depois de tudo por que passei,

ainda acredito no amor, em relações.

É sempre uma constante na minha vida.

No meu cerne, sou possivelmente um romântico.

Quando conhecemos alguém que capta a nossa imaginação,

esta renova-se, revitaliza-se.

Lembro-me de quando conheci a Alexis.

Fomos à minha casa. Eu queria tocar piano para ela.

Para mim, é uma forma de comunicação.

Há uma cena num filme chamado O Pecado Mora ao Lado,

com o Tom Ewell.

Ele quer impressionar a Marilyn Monroe

e toca Rachmaninoff.

Vieste. Que alegria.

Ele está de plastrão, a fumar um cigarro.

Não pares. Nunca pares.

Estou a tocar e ela totalmente desinteressada.

Completamente nas tintas para aquilo.

E pensei: "Pronto, não está a surtir efeito."

Ficou pouco impressionada com toda aquela cena,

o que me impressionou a mim, porque me fez pensar:

"Se calhar, veio porque gosta de mim e não do Billy Joel."

Mantivemos contacto depois de nos conhecermos.

Falávamos ao telefone, trocávamos emails

e acabámos por nos conhecer muito bem.

Sentia-me muito à vontade com ele.

Não sei se estava recetivo à ideia de uma nova relação.

Achava que não era possível.

Como seria capaz de fazer isso?

"Não posso passar por isso."

Mas, de repente, houve uma viragem, algo se alinhou e aceitei a ideia.

Quando nos juntámos, ela ainda trabalhava.

Ela era a chefe de um departamento de uma empresa financeira

e muito bem-sucedida.

Eu já não pensava muito em trabalhar,

estava muito tempo em casa.

Quando ela chegava a casa, eu estaria a cozinhar e a servi-la.

Ele faz um salmão em teriyaki muito bom.

Marinava-o o dia inteiro, preparava-o com vegetais

e eu regressava a casa

ao meu salmão, vegetais e vinho.

Era maravilhoso.

Não tinha pensado em voltar a ter filhos.

Julgava ser muito velho.

Olha para ti, grandona.

Mas ter crianças nesta fase da minha vida é uma felicidade imensa.

Tenho tempo para elas.

Não tenho de gravar nem de compor,

posso estar com as minhas filhas.

Diz: "Adoro-te, papá."

Adoro-te, papá!

O Bill está sempre a dizer:

"Vou ser o melhor pai porque cresci sem pai."

Ao fim de anos de aprendizagem e de desenvolvimento pessoal,

as minhas filhas vivem agora com a melhor versão dele.

Têm muita sorte.

Queria garantir que iriam receber tudo o que precisassem de mim.

Por isso, decidi mentalizar-me

e encarei a paternidade com muita seriedade.

Foi do género: "Isto não aconteceu comigo.

Quero que aconteça com elas."

Não sabia se teriam talento musical, mas deve haver algum elemento genético.

Os meus pais tinham uma grande aptidão musical.

O meu irmão também a tem.

E a minha filha mais velha, a Alexa.

A Della também.

Ela consegue identificar melodias

e nem sequer sabe tocar piano.

Vejo esse talento na mais nova, a Remy.

Ela identifica as melodias, ela canta.

Faz parte do nosso ADN.

Da nossa história.

E esta continua.

No início, estivemos dois anos juntos antes de termos filhos.

Ele já não dava espetáculos.

Viajámos por toda a parte.

Fizemos uma viagem de mota desde o Maine até Long Island,

estávamos sempre em barcos, fomos à Europa.

Divertimo-nos imenso.

Estava a entrar na reforma, a bem dizer.

Não queria mais aquilo.

Aquela parte da minha vida estava para trás.

Acho que ele apreciava o facto

de que não tinha de ir em tournée nem trabalhar.

Mas foi então que tudo mudou.

66 milhões de americanos preparam-se para os danos.

O tempo agrava-se

e prevê-se que piorará.

Meu Deus do céu!

Sandy poderá ser uma das piores tempestades de sempre.

O furacão Sandy destruiu grande parte do sul de Long Island.

Eu testemunhei a tempestade.

Vi barcos a serem arrancados dos ancoradouros,

a dar à costa,

casas a inundar.

Foi aterrador.

Eu nasci aqui.

Estas são as minhas raízes. Este é o meu lar.

E doeu ver aquela devastação e tantas vidas arruinadas.

Estavam a montar um concerto para ajudar na recuperação.

E ligaram-me.

Eu aceitei, embora não atuasse naquela altura.

E os vocais?

Era algo que eu podia fazer.

Não era um socorrista, mas podia ajudar.

Ao vivo de Madison Square Garden, 12/12/12:

O Concerto Solidário pelo Sandy.

Era o corredor da fama.

Estavam lá todos.

McCartney, Daltrey e Townshend,

Keith Richards.

Quando atuámos no 12/12/12,

o Billy não tocava ao vivo há anos.

E, na altura, não parecia interessado em participar.

Temos atitude, esta noite.

Vamos ficar bem. Vamos superar isto.

Vai ficar tudo bem.

Ele subiu ao palco, muito nervoso.

Não tocávamos juntos há anos.

Ia tocar quatro canções.

Mas a voz saiu-lhe pura, a banda foi sensacional.

Começou a cantar e a voz estava um máximo.

Ele tinha tanta energia que desconfio que não sabia que tinha.

E parece-me uma perda de tempo

Se é isso que faz sorrir

Amor, se isso é subir no mundo

Então, estou no ir

Soubemos nesse instante que ele estava de volta.

Não tinha perdido nada.

O Billy foi ao palco e arrasou.

Estava a ver e fiquei: "Meu Deus!

"Estas canções não estão mortas, preservadas em âmbar.

"Estão vivas.

"Ainda são sentidas."

Durante o concerto 12/12/12,

que assisti enquanto estava nas redes sociais,

o pessoal estava a adorar

fazer pouco dos roqueiros clássicos no palco.

Tipo: "Estes dinossauros deviam estar num museu.

"Já não suporto esta música."

O único de que gostaram:

Billy Joel.

BILLY JOEL É O MESTRE DA MÚSICA

Se olharmos para outros artistas da geração,

têm a aparência que tinham antes.

As canções que compuseram

seriam melhores se fossem cantadas por alguém mais novo,

mas não é o caso de Billy Joel.

Uns gostam de escapadinhas

De fugir do bairro habitual

Muitas das canções no catálogo

fazem mais sentido cantadas por ele nesta idade.

Têm um peso inerente que a idade realça.

Durante anos, críticos desprezaram-no,

alguns gostavam dele apenas de forma insincera,

tipo: "Billy Joel, Long Island."

Subitamente, surgiu uma onda de apreciação genuína.

As canções resistiram à prova do tempo.

Comparando com o passado,

ele agora recebia respeito verdadeiro, não relutante.

Começou a ser tratado como um tesouro americano,

ao invés de uma piada entre os famosos.

Foi quando se deu este ressurgimento

no mundo da música popular.

DISTINÇÕES KENNEDY CENTER 2013

PRÉMIO GERSHWIN DE COMPOSIÇÃO 2014

Quando recordo esses tempos, senti-me muito honrado.

E creio que isso me fez perceber

que o depósito ainda não está vazio.

Se calhar, devia aproveitar.

Boa noite, Nova Iorque!

É a primeira noite de concertos no Madison Square Garden.

Não faço ideia quanto tempo isto vai durar.

O meu agente, o Dennis, apresentou o conceito:

e se tocasse permanentemente em Madison Square Garden?

Vi as luzes apagarem-se na Broadway

Vi o Empire State ao chão cair

Eu disse: "Pode ser que dure uns seis concertos, por aí."

Pensava que ia ser... E que mais ninguém ia comprar ingressos.

... Ver as pontes das ilhas ruir

Mas a procura nunca parou.

A nossa luz cortaram

A esconder nos forçaram

Havia mais e mais.

Mas o espetáculo vai prosseguir

A primeira vez que toquei lá

foi em 1978.

E agora, passados quase 40 anos, parecia que o ciclo estava completo.

Vi as luzes apagarem-se na Broadway

E estava a tocar com tipos com quem toquei anos e anos.

Eles são mesmo a minha família alargada.

Éramos a banda residente de Madison Square Garden,

talvez o melhor estádio para rock 'n' roll no mundo.

Foi um sonho realizado.

E são as novas gerações quem enche as plateias.

Vi isso todas as noites.

E faziam imenso barulho.

Adoram cantar as canções.

E é isso que importa, esta vivência coletiva de união.

Billy Joel é incontestavelmente Nova Iorque.

Então, se este tipo veio, incontornavelmente,

de um ponto do planeta,

porque será que achamos que é de todos nós?

Ele nasceu para isto.

Ele é tão bom, que duvido que saiba quão bom ele é.

E, apesar da fama mundial,

ele tem a disposição de um tipo comum.

Ele é como nós. E canta dessa perspetiva.

Sentir essa verdade,

essa franqueza, é poderoso.

Long Island adora Billy Joel.

É o meu 123.o concerto do Billy Joel.

A música dele faz parte do nosso dia a dia.

Quero ver o Billy Joel todos os meses no Madison Square Garden.

É a banda sonora das nossas vidas.

Vi-o tocar no Yankee Stadium em 1990.

Rebentou a escala. A música dele é do caraças.

Os que se lembram já são poucos...

Esta noite vamos comemorar

o 100.o concerto esgotado consecutivo

da residência em Madison Square Garden.

... Como as luzes brilharam

E como se apagaram

Para manter a memória viva

Durou dez anos.

Deu um novo apreço ao que faço

e ao poder da música.

Vejam quanta fita sobrou. Desculpem, malta. Só um segundo.

São nove da noite de um sábado

O público habitual começa a entrar

Há um velhote sentado a meu lado

E de um gin tónico está a desfrutar

Ele diz: "Filho, tocas-me uma memória?"

"Não sei bem a letra

"Triste e doce sei que é Sabia-a de cor, até

"Quando era um jovem de jaqueta."

Não sei o que teria sido se não fosse músico.

Não sei que fado me teria calhado

se não tivesse sido apresentado ao piano.

Sempre de piada na manga E isqueiro no bolso de ganga

Mas preferia estar noutro lugar

Ele diz: "Bill, acho que isto me está a matar"

Com um sorriso a desvanecer

Passaram-se 50 anos desde que a música de Billy Joel

entrou no cânone da cultura.

Porque é que ainda vibramos com estas canções?

Não aturem a merda de ninguém.

Eis um homem que, indiscutivelmente,

alcançou todos os sonhos de qualquer cantor-compositor.

... um sonho meu.

No entanto, o tema universal contido nas suas canções

é como que um desassossego existencial.

Todos queremos ouvir uma melodia

Há algo no seu âmago

que continua em busca por algo.

E isso é a condição humana.

A meu ver, é por isso que se identificam com ele,

mesmo após tantos anos.

Paul é hoje um romancista imobiliário

Nunca teve tempo para uma mulher

Podemos ouvir nas canções as complexidades da sua vida.

As canções são a melhor expressão da vida do Billy.

E, no caso dele, acho que era nisso que ele queria que culminasse.

E o som do piano parece uma festa...

Ele dizia-me sempre uma coisa importante:

"Se fizeres o que adoras, adorarás o que fizeres."

E esse é o verdadeiro segredo da vida.

E mesmo com toda a tristeza e todos os problemas por que passou,

ele fazia aquilo que amava.

Não estão entretidos?

E foi isso o que realmente lhe deu força

e deu vida à música dele.

Canta-nos uma canção, homem do piano

A música salvou-me a vida.

Todos queremos ouvir uma melodia

Deu-me uma razão para viver.

E fizeste-nos sentir bem

A minha esperança era que a minha música ressoasse.

E folgo em ver que sim.

Será uma parte de mim que perdurará.

Criei algo.

Deixei uma marca nesta vida.

Não sei porque é tão importante para mim.

Simplesmente é.

Mas isto não é o fim.

Estou tão perdido como qualquer um.

Continuo em busca. À procura.

Posso nunca ter tudo resolvido,

mas estou a tentar.

Tradução: Bruno Matos Para TransPerfect Media

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