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Original subtitles

Fugimos porque n�o nos deram as armas certas para lutar.

N�o vencemos, mas tamb�m n�o perdemos.

Digamos que foi um empate.

Um empate com a Camorra, em um jogo fora de casa.

� como time da par�quia enfrentar o Real Madrid no Santiago Bernab�u.

Mas quase conseguimos fazer algo bom, pai.

N�S E A GIULIA

Os puxadores e a pintura deviam ser da mesma cor. Estava no contrato.

Puxadores combinando!

Esperei seis meses e o carro vem com puxadores cromados!

- Voc� � um incompetente. - Sr. Rossetti, desculpe-nos.

- Giovanna tem uma solu��o. - Venha comigo, por favor.

Diego, meu caro, se o cliente traz um problema, ficamos inconformados.

N�o estamos nem a�, mas ficamos inconformados.

N�o sei o que houve com voc�, mas n�o me importa.

Vendemos carros aqui

e quando preciso...

- Ficamos inconformados. - �timo.

CAMPO & FAZENDAS

Quem sabe voc� gostaria de passar o fim de semana fora.

Tem um lugar no interior...

� barato, podemos abrir um bom restaurante...

Voc� n�o aprendeu a li��o?

Veja, "fundada em 1910" e em cinco anos, voc� a faliu.

Igual ao nosso casamento.

Levo sua parte na semana que vem.

T�.

Vai transform�-la em restaurante indiano?

N�o, vai ser uma mercearia italiana, mas que funciona.

- Tchau. - At� mais.

Com licen�a, esse carro � seu?

�.

Esse lugar � reservado para deficientes.

N�o vi a placa...

Amigos amantes de rel�gios, bem-vindos ao programa!

Seu amigo Fausto tem um modelo incr�vel para voc�s hoje.

Cron�metros militares com engrenagens su��as.

Os cristais s�o feitos com padr�es da NASA.

Esta pequena joia

que voc�s veem

aqui...

Esta joia eu vou descrever ap�s a nossa chamada.

N�o d� para trabalhar assim!

S�rgio, quem est� na ilumina��o? Claro que ningu�m vai comprar!

N�o d� para ver nada! Isso � normal?

A ilumina��o est� boa assim.

S�rgio, voc� se aproveita, mas eu pago pelo espa�o.

Voc� nos deve 30 mil euros.

A explora��o capitalista de m�o-de-obra ofende o trabalhador.

Pague ou este ser� seu �ltimo programa.

Consegui uma propriedade, um resort de luxo...

Voc� tem a grana do golpe na Tele Rieti.

Fausto, sei onde voc� mora.

Lembre que ocupei 52 apartamentos com aqueles meus colegas.

No ar.

Quebro suas pernas e denuncio voc� aos sindicatos.

Voc� tem uma semana, sen�o, invado sua casa.

- Quatro... - Tr�s...

- Dois, um... - No ar!

Amigos amantes de rel�gios...

Voc� fez alguma coisa bacana hoje?

Bacana...

Vendi dois carros.

Mas carros bacanas, grandes,

aqueles com puxadores cromados...

Que vida de merda a sua.

O mundo est� cheio de gente que odeia o que faz.

Ainda l� essa revista?

Voc� sublinha an�ncios h� dez anos e nunca deu um telefonema.

Achei algo interessante, mas � meio longe.

Quando inaugurei a primeira galeria de arte em Portofino,

abri �s 10h e �s 12h j� tinha vendido um Dal� a um alem�o.

- Sim, mas era falsificado. - Fa�a-me um favor.

Sim.

Tem um dinheiro numa conta...

Pai, eu sei, voc� j� falou mil vezes.

Estou morrendo, sabia?

Voc� � um banana, sabia?

Caramba, voc� n�o reage a nada do que eu digo.

Prometa...

Prometa que vai fazer ao menos uma coisa boa na vida.

Prometa-me.

VENDE-SE

N�o se deve atrasar para um compromisso.

Meu compromisso � �s 11h. Sou pontual.

- Voc� marcou comigo �s 10h. - E comigo �s 10h30.

Esperem, n�o sou o corretor.

Desculpe.

Pareceu que era, pelo terno.

Voc� tem cara de corretor, sem querer ofender.

Tamb�m vim conhecer a propriedade.

N�o fique nervoso.

Bom dia. Vamos fazer uma s� visita, para eu n�o explicar tr�s vezes?

Venham por aqui.

Voc�s est�o com ternos iguais...

- A culpa � minha. - Me siga.

A primeira impress�o � �tima.

L� em cima temos seis quartos, sala de jantar, cozinha, banheiros.

As paredes s�o grossas, como se fazia antigamente.

Nem um terremoto as derruba. Por aqui.

S�o 100 metros quadrados de varanda panor�mica.

Uma localiza��o fant�stica, a dez minutos da cidade.

O sol nasce l� e se p�e

L�. Venham.

S�o seis mil metros quadrados de p�tio. Pomar, olival...

D� para extrair 400 litros daqui.

Tem espa�o para uma piscina, j� at� cavaram o buraco.

- Igreja... - � desconsagrada?

Consagrada, desconsagrada, meio a meio. Por aqui.

Finalmente, um dep�sito para guardar qualquer coisa.

Os �ltimos donos iam fazer um hotel-fazenda,

mas por diverg�ncias familiares resolveram vender.

- Vejam as vigas no teto. - Est�o podres, v�o cair.

N�o v�o, n�o, pois est�o a� desde 1800.

Elas caem quando achamos que n�o v�o cair.

Meu primo est� inv�lido por causa de um galho de cerejeira que caiu.

- Tamb�m l� desde 1800. Espero aqui. - Est� bem.

- S�o negoci�veis os 90 mil? - Quer dizer 190 mil.

- N�o, a revista diz 90 mil. - Em caixa alta.

Deve ter sido erro de impress�o.

Mas ainda assim, � um pre�o interessante.

O comprador far� um bom neg�cio.

Fizemos um passeio no interior. Talvez tenha sido um erro...

Poderiamos ter ido ver...

N�o, n�o foi um erro. �...

- Diego. - Diego.

O pa�s est� decadente, pois ningu�m se importa com trabalho.

Ainda assim, vale a pena.

Tem muita coisa a ser feita, mas est� barato.

- N�o para mim. - Est� saindo fora?

N�o gostei nada daquele galho.

Pode valer a pena, mas n�o tenho dinheiro.

Sabe o que podemos fazer?

Entrarmos juntos no neg�cio. Cada um paga metade.

Quer dizer, um ter�o. Mas n�o vou fazer neg�cio com estranhos.

- � um risco. - Brincadeira, n�o conhe�o voc�s.

Amigos de amigos acabaram num processo que durou dez anos.

Vamos trocar telefones,

a gente nunca sabe o que pode acontecer na vida.

- Aqui est�. - Tome.

- Voc� vende carros? - E voc� tem uma mercearia?

Mais ou menos. Voc� � artista?

Voc�s n�o me reconheceram?

Vou indo, est� tarde e tenho outro compromisso.

- �, tenho de ir... - Ainda sou o Diego.

�, est� escrito aqui.

J� vou indo.

"MESMO COM O ALARME

ENTRO NA SUA CASA. N�O FALEI POR FALAR.

PAGUE. S�RGIO".

N�o entendo.

S�o 3.100 euros de opcionais e a pintura met�lica � adicional.

N�o vou pagar mais pela pintura met�lica.

- Rebecchini, para voc�. - Um instante.

Sim?

Ele mesmo.

Olhei o folheto. Ouviu? O gato comeu sua l�ngua?

Desculpe, meu pai faleceu.

O c�mbio S Tronic � � parte? Vai cobr�-lo tamb�m?

Vou falar deste belo carro: ele � potente, s�o 300 HP.

� perfeito, quando voc� est� preso no tr�nsito.

As tr�s marchas reduzidas s�o ideais para estacionar no asfalto.

O �nico problema � a pintura,

porque, aqui entre n�s, pintura met�lica risca f�cil.

De manh�, voc� achar� "babaca" arranhado com prego no cap�.

E vai ficar furioso, considerando o valor pago.

Mas n�o concentre na pintura, e sim, no "babaca",

porque esse � de gra�a, como voc� gosta.

Fiquei inconformado.

Que idiota, esperei por anos a vida me dar um sinal,

sem notar que eu j� havia recebido um.

O sinal de que o tempo est� voando,

de que, se n�o tentei algo bom, como meu pai queria,

agora era hora de faz�-lo.

Somos a "Gera��o Plano B".

� t�o deprimente trabalhar neste pa�s que,

quando a avers�o pelo emprego soma-se a pela vida na cidade,

voc� pensa num Plano B.

Aos 20, voc� bebe na praia. Aos 40, tira f�rias na fazenda.

Talvez um dia eu olhe para tr�s

e me lembre, rindo, de como um homem num caix�o

levou-me a um neg�cio com um playboy e um deprimido

que s� vi uma vez.

Al�?

Ol�, Fausto.

N�o, pode falar.

Esta noite?

Est� bem, tchau.

N�o tinha um lugar mais tranquilo para conversar?

Mais que isso? Aqui � um escrit�rio para mim.

Bom, andei perguntando e a fazenda ainda n�o foi vendida.

Baixaram o pre�o para 180 mil. S�o 60 mil cada.

Devem estar com pressa para vender.

- Voc� tem dinheiro na m�o? - Em esp�cie.

Voc� tem 60 mil em dinheiro?

Recebo os rel�gios em esp�cie. Mas � dinheiro honesto.

O meu est� no banco, porque n�s...

Eu e minha esposa vendemos nosso neg�cio. E voc�?

Vou receber uma pequena heran�a em alguns dias.

- Sua esposa vai entrar conosco? - N�o, n�o.

Estamos dando um tempo. Prefiro fazer neg�cio sozinho.

Que bom, melhor. Gente, estamos de acordo, ent�o?

Se colocarem a m�o aqui n�o tem volta, certo?

� fazenda.

� fazenda.

Est� bem, a essa fazenda.

- Bacana o carro. - Tem todos os opcionais.

Pelo custo, explique por que ainda cobrar a pintura met�lica.

Imagine a briga pelos puxadores cromados.

Uma guerra. No fim, fiquei com os brancos.

Procurei saber do Cl�udio. Fora dirigir igual � minha av�,

ele faliu o neg�cio da fam�lia fundado em 1910.

O av� dele deve estar revirando no t�mulo.

Vamos!

Ele dirige devagar, mas parece um cara decente. Tem certeza?

Certeza.

Um amigo do meu primo disse que ele foi acusado de agress�o,

denunciado por fraude e processado duas vezes.

Por que voc� est� buzinando?

Talvez seja coisa do passado.

Ele � um pilantra. Voc� n�o o viu no advogado?

Aquela grana enrolada no jornal. Pior que traficante. Voc� n�o viu?

S� tem tr�s pedais, o acelerador � o da direita.

Tente todos at� acertar.

Rapaz, voc� viu as placas escritas 50, 60, 70?

N�o � a idade da estrada, � o limite de velocidade.

Levamos tr�s horas e meia, parecia um telef�rico.

Chega, nem comecem. Peguem a chave.

Voc� ficou com a chave falou que faria c�pias.

- Verdade. - Quando falei isso?

Vamos ver se tem uma janela aberta. J� come�amos bem.

Essa porta � antiga, basta uma p�.

Claro.

As portas velhas � que s�o resistentes.

Voc� n�o vai me dar uma m�o?

Um amigo do meu primo...

Se a montanha n�o vai a Maom�...

Esse ditado n�o se aplica. E voc� j� causou estrago.

- Voc� esqueceu a chave. - Voc� podia ser menos bruto.

Vamos dizer algumas palavras para inaugurar...?

- D� azar. - Vamos pegar as malas.

Deve ser um lugar aconchegante para casais e fam�lias,

com um belo sof� diante da lareira, uma cadeira de balan�o.

Comida org�nica, plantaremos no pomar.

Teremos geleia e licor de lim�o.

E animais: frangos, galinhas.

E esquilos e marmotas.

Uma combina��o de asilo e fazenda.

Admitam, voc�s n�o querem ganhar dinheiro.

Vamos p�r uma mesa de bilhar na frente da lareira.

Uma massagista em cada sala. A�, vamos faturar.

Com os contatos que eu tenho:

artistas, jogadores de futebol, pol�ticos...

Um bordel?

Est� maluco? A gente vai preso, Fausto!

Tenho um tio na pol�cia! O que digo � minha esposa?

- Voc� � separado. - � uma situa��o tempor�ria.

De onde vai sair a grana para esse Moulin Rouge agr�cola?

Onde vamos arrumar?

Onde vamos encontrar.

Voc�s n�o s�o empreendedores.

Vamos fazer uma lista de tudo que precisamos.

Dois velhos. Fiz neg�cio com dois velhos.

O telhado est� p�ssimo e um banheiro est� entupido.

Tem duas torneiras vazando e tr�s portas faltando.

Refazer o reboco, fixar azulejos e trocar a fia��o el�trica.

Segundo as normas.

- A TV n�o funciona. - E tem uma janela quebrada.

�, do contr�rio, ainda estar�amos l� fora.

N�o tem �gua no encanamento.

N�o � nada, meu pai era encanador.

- O meu, carpinteiro. - O meu era �timo decorador.

Dizer � parede rachada que meu pai foi decorador

n�o adianta nada.

Voc�s est�o exagerando. Vamos priorizar.

- A TV. - A privada entupida.

Essa � f�cil, vamos.

Muito bem.

Assim, n�o... Segure no outro sentido.

- Assim? - Vire o pulso. Vire, vamos.

- Quer voc� fazer? - Me d� aqui.

- Tem uma t�cnica precisa. - N�o me senti ofendido.

- Sen�o, voc� se suja. Vamos l�. - Fausto, � melhor usar luvas.

N�o seja bobo.

O desentupidor gruda perfeitamente �s laterais.

Vamos l�. Um, dois e...

- Mas que droga! - � merda, um bom press�gio.

Meu tio-av� morreu de uma infec��o por estreptococos!

Lave na pia.

D� sorte pisar nela, n�o sujar o peito.

N�o d�! Me ajudem a tirar a camisa!

Use a mangueira l� fora. Voc� est� me dando enjoo.

Voc� est� enjoado? Essa foi uma ideia idiota!

E a privada continua entupida.

Fale de novo que seu pai foi encanador.

Minha cama caiu.

- Espero que seja piada. - O qu�?

ITALIANOS PRIMEIRO

Os grandes ideais, n�o �?

Deus, a p�tria-m�e e... N�o me lembro do terceiro.

Amanh� acordamos cedo, h� muito a fazer.

Ent�o, quero todos de p� �s 11h, 11h30, no m�ximo.

- Ainda estou fedendo? - N�o.

- Cheire meu cabelo. Fede? - N�o.

S� um pouquinho, mas n�o est� t�o forte.

- Ch� � luz de velas? - L�mpada queimada. Anote.

N�o consigo dormir, n�o estou acostumado com sil�ncio.

- Pelo jeito, o Fausto consegue. - Como dormir nesse barulho?

Corujas, sapos, cigarras... Aquele maldito cachorro!

- Voc� foi boxeador? - N�o.

Mas as mulheres gostam de homem com esp�rito de luta.

N�o, n�o suporto viol�ncia. Por favor.

- Voc� j� teve muitas mulheres? - N�o sei se eu � que tive

ou se foi a celebridade da TV. N�o adianta negar.

Mas quem se importa no final?

J� pensaram num nome para este hotel-fazenda?

- Eu n�o. - Eu pensei.

Nossas iniciais "FaClaDi".

- Parece um arquip�lago. - "ClaFaDi", ent�o.

Parece empresa de limpeza. Precisamos de um nome inspirador.

� um hotel-fazenda.

- "A Casa da Horta". - Parece sopa de minestrone.

Temos de chamar uma empresa e fazer or�amento para a reforma.

Vamos chamar a que o corretor recomendou.

Isso mesmo.

- Est�o ouvindo? - � um cachorro.

Que est� no cio.

Fia��o, telhado, reforma do banheiro e do vazamento,

desentupir a privada, nova caldeira.

Entre 30 mil e 35 mil euros, dependendo do material usado.

Vou dar um desconto.

Ou�a, como o or�amento est� alto,

vamos consultar outras empresas e depois damos retorno.

� o seguinte, como n�o estamos procurando,

ou me avisam hoje ou vou arrumar outro trabalho

e n�o terei tempo para este.

Claro, se for caso, esque�am o desconto.

- Ele � estrategista. - N�o dou a ele um centavo.

Meu amigo � quase um irm�o, ele faz pela metade do pre�o.

Ele � um irm�o. Ligo para ele, se quiserem.

- Sim, ligue agora mesmo. - Se ele � um irm�o...

Com licen�a.

Gianni, meu amigo...

N�o me chame de cretino.

A propriedade... mas n�o era coberto... S� pedi paci�ncia.

Voc� � um grosso, Gianni, muito grosso, isso sim.

Voc� vai demolir o banheiro. Depois, vamos ver a fia��o.

O or�amento deles n�o estava t�o ruim.

- Vamos tentar consertar a calha. - N�s?

Voc� quer ligar para seu amigo jardineiro?

- Levante, n�o est� entrando. - N�o consigo.

Gente, n�o � assim que se faz. Tem uma t�cnica...

N�o.

Ent�o, fiquem � vontade.

- Vamos, mais um pouco... - O que ele quer?

- Quem? - Aquele crioulo ali.

Ele est� dizendo algo.

Mais alto?

Mais alto como?

- Deixa que eu falo. - Vou decifrar o que ele diz.

- Quem, o crioulo? - Pare de cham�-lo de crioulo.

- Ele vem vindo. - Ele deve saber consertar.

Onde ele teria aprendido? Na casa de barro dele?

- Bom dia. - Ol�.

Vejam como se faz.

O que eu falei?

Cinco segundos e pronto.

Muito obrigado. Sou Diego, � um prazer conhec�-lo.

- Sou Cl�udio. - Abu.

- Igual ao amigo do Z� Colmeia? - Ele disse Abu.

- Quer tomar algo? - Obrigado, tenho trabalho a fazer.

- Tchau, obrigado. - Eu que agrade�o.

Voc� me chamou de idiota?

- Voc� nem apertou a m�o dele. - Ele deve ser ilegal.

Chamo a pol�cia e a� veremos se Boo-Boo estar� aqui amanh�.

Mesmo? Chame a Receita, vamos ver quem v�o levar.

- Aqui est� cheio de comunistas. - Lembre-se, somos s�cios.

Mesmo que voc� sinta falta do passado, seja civilizado.

- Sen�o? - N�o quero ver viol�ncia,

n�o suporto.

- Suma daqui. - �, sei.

Ele est� colhendo tomates,

mas depois, vai nos esperar na porta de casa com uma faca,

e quero ver se voc� continuar� comunista!

Cuidado. Meu nervo ci�tico.

N�o consigo levantar.

- Agora, n�o. - Tenho minhas opini�es.

Somos parceiros nos neg�cios, n�o na pol�tica.

Se voc� aceita negros roubando nosso trabalho, problema seu.

Porque voc� colheria tomates com Rolex falsificado?

Querem parar? A hora � ruim.

Soltem, ponham no ch�o.

Com todos os problemas que temos, est�o discutindo pol�tica?

Usamos toda a nossa grana nesta reforma.

Teremos de vender nossos carros.

- Tire isso daqui. - Qu�?

As telhas... Um amigo meu foi morto por uma telha que caiu.

Quem � esse?

S�rgio!

S�rgio, meu amigo.

Eu estava tentando te ligar. Que surpresa!

Este � o S�rgio, um grande amigo meu...

Voc� est� me machucando.

Como eu dizia, o S�rgio � um grande amigo.

Fizemos muita coisa juntos. Me d� outro len�o.

O S�rgio vai entrar na sociedade com 50% da minha parte, claro,

e vai ajudar na inaugura��o...

Se quiserem perguntar algo a ele...

- Algum problema? - N�o.

Pelo contr�rio.

Vou dar uma olhada por a�.

Ele � uma pessoa incr�vel.

Que loucura, 30 mil euros por tarefas que podemos realizar.

N�o sabemos trocar encanamento.

O encanamento � novo. V�o limp�-lo para tapear voc�s.

N�o h� vazamento,

a mancha � muito antiga, s� de passar a m�o d� para ver.

- Confiamos no empreiteiro. - Ele � um ladr�o.

Isso. O que eu falei?

N�o h� mais empreiteiros italianos. Esses aqui s� falam bobagem.

- Eles s�o de Palma Campania. - N�o entendo o que dizem.

Ent�o? Vamos poupar uma fortuna.

Tem certeza?

- Diego? - Sim.

Fiz o centro comunit�rio de tr�s camaradas, a custo zero.

S� perguntei.

Podemos confiar nele?

Vamos experimentar com um trabalho simples.

A privada entupida.

Dificilmente ser� um trabalho simples.

Voc� acha mesmo que ele sabe consertar uma privada?

Aquela privada?

S� isso?

Vou falar com o empreiteiro.

FELIZES � MESA

Conheci um homem com uma tesoura na m�o.

Ele perfurou um pulm�o.

N�o, esse � o fio-terra. Tem um jeito certo de fazer.

Idiota, vai dar curto-circuito. Deixe comigo.

Precisamos de um chef, mas como vamos pag�-lo?

Massagistas. Tenho uma clientela selecionada.

Precisamos de quem cozinhe, pois somos um desastre.

Um chef, massagistas. Do que est�o falando?

Precisamos de algu�m que limpe os quartos.

N�o podemos abrir a casa sem funcion�rios.

Podemos achar um faz-tudo, algu�m que cozinhe e limpe.

J� sei, uma garota que trabalhou para mim, � �tima, perfeita.

Ligo para ela.

Vamos votar as seguintes tarefas:

pintura, reparo da varanda e escolher o nome do hotel-fazenda.

Mas antes, levantem a m�o e votem: "Uma cerveja antes de come�armos".

- Est� ouvindo tamb�m? - Que m�sica � essa?

- Bom dia. - Bom dia.

Nunca vi voc�s. S�o novos aqui?

Sim, estamos aqui h� algumas semanas. Voc� � vizinho?

A cidade � pequena, somos todos vizinhos.

O que est�o fazendo? Abrindo um neg�cio?

- Sim, um hotel-fazenda. - Maravilha.

Belo trabalho, feito com amor. Vai ficar bacana.

Voc�s t�m todas as licen�as?

- Solicitamos a DIA. - S� falta a pol�cia municipal...

Desculpe, mas pe�am as licen�as das autoridades que importam.

A pol�cia municipal n�o apita nada aqui.

Quem apita?

As fam�lias que moraram aqui armaram para a pol�cia municipal.

Mas esta terra � nossa, n�s a compramos.

E fizeram bem. Podem comprar, alugar, sublocar, vender.

Podem fazer o que quiserem aqui.

At� morrer por esta terra.

Bom dia.

- Quem � esse? Outro s�cio? - Voc� �...?

Um amigo que veio oferecer um conselho.

Que conselho?

Infelizmente, h� uns personagens bem sinistros nessa regi�o.

- Posso oferecer prote��o. - Voc� � seguran�a?

Um carabiniere, um policial... Quem � voc�?

Certo, esta noite, voc�s tr�s pensem no que eu disse.

E o cretino do Che Guevara me demonstre mais respeito amanh�

ou ele far� uma revolu��o no banheiro da casa dele.

Entenderam?

O que est� encarando? Voc� quer uma cabe�ada?

Preciso de algo para amarr�-lo.

- Tome. - O barbante do assado?

Aquela fita adesiva.

N�o gosto de viol�ncia, voc�s sabem.

- Estou bem, s� um pouco tonto. - Cl�udio...

Liguem para a minha esposa.

Cl�udio. Meu Deus!

Cl�udio! Meu Deus.

A gente fez uma grande besteira.

N�o. O S�rgio fez besteira.

O S�rgio vai l�, pede a ele desculpas e fica tudo bem.

Isso, porque camorristas s�o compreensivos, n�o �?

Pedimos desculpas, damos a ele um pote de geleia e pronto.

Que hist�ria � essa? Temos de chamar a pol�cia.

Se o acusarmos de extors�o, teremos a prote��o da pol�cia.

A�, eles v�m aqui e nos matam.

Por isso esta casa saiu t�o barata!

N�o foi briga familiar. Eles fugiram.

Ent�o, vamos fugir tamb�m.

- E r�pido! - N�o vamos embora daqui.

Vamos dar um sumi�o nele.

N�o vou fazer isso. O que acha que eu sou?

Vamos prend�-lo no por�o.

Inauguramos o hotel-fazenda, recuperamos o dinheiro e fugimos.

S�rgio tem raz�o, n�o temos op��o. Perder�amos toda a grana.

Levaremos anos para recuperar o que investimos.

O tempo que for preciso. N�o vou ser preso por causa de um mafioso.

Que hist�ria � essa?

Querem abrir um hotel-fazenda com um camorrista no por�o?

- V�o vir procur�-lo, sabia? - Vamos dizer que n�o o vimos.

- �... - J� chega!

Se concordarmos em n�o ceder ao primeiro camorrista que aparece,

acharemos uma solu��o.

- De acordo? - Sim.

Fausto, os italianos primeiro.

� na Camorra, vamos defender o que � nosso, oras!

Certo, tudo bem.

�timo, o eleitorado est� consciente da situa��o,

e aprova a mo��o: "lutaremos at� o fim".

O que me obrigou a fazer?

Onde est�o com a cabe�a? Seus dias est�o contados!

Voc�s cavaram as pr�prias covas!

Juro que vou mat�-los.

O que est�o fazendo?

Me tirem daqui! Voc�s n�o me assustam!

Seus cretinos, vou matar voc�s!

Seus cretinos, vou matar voc�s!

- Mal d� para ouvi-lo. - Pode ser o vento...

Ele disse: "Seus cretinos, vou matar voc�s!"

Isolamos as paredes

e colocamos o arm�rio na frente, n�o tem preocupa��o.

N�o, seu maluco. Estou preocupado.

Caramba, o carro dele.

N�o tem problema. Vamos enterr�-lo numa vala.

- Logo v�o achar. - Vamos atear fogo nele ent�o.

�, teremos uma bela fogueira para todos verem.

Assinem um documento dizendo

que n�o tive nada a ver com isso, certo?

Temos de fazer uma rampa ou o Giulia n�o entra.

Camaradas, ao trabalho.

Vamos, gente, n�o desistam.

Com licen�a, aqui � propriedade particular.

� Abu, ele trabalha num campo aqui perto.

Abu, n�o precisamos da sua ajuda, n�o usaremos a piscina t�o cedo.

Vi o que houve, � melhor resolvermos hoje.

- Quem mais nos viu? - Eles.

Est�o invadindo a �rea? Estamos em guerra com a Nig�ria?

- Somos de Gana. - N�o fica na Nig�ria?

Vamos, gente, todos juntos. Vamos l�!

Um amigo morreu enterrando o Giulia de um camorrista na piscina.

Ele est� pondo um pl�stico ao redor do carro. � maluco.

Por que n�o? J� que estamos aqui...

Como, "j� que estamos aqui"?

Amanh� compramos sementes na cidade e logo teremos uma bela grama.

O que � isso? Voc� deixou o som ligado?

N�o, estava desligado.

Voc� deixou a chave l� dentro?

- N�o pensei... - Voc� n�o pensou?

Essa era a coisa mais importante!

Enterramos um Giulia com a chave no contato e o r�dio ligado?

Pod�amos t�-lo deixado aqui fora!

Era mais importante que bater nele!

Voc� n�o diz nada porque ele desentupiu a privada!

E eu vou morrer porque ele n�o pensou!

N�o � tarde demais para fugir.

� demais para n�s. Eles s�o camorristas com armas.

E o S�rgio s� se preocupou em isolar acusticamente o por�o?

- Esta m�sica logo vai nos entregar. - Acalme-se, viu?

N�s entendemos de marketing. Vamos analisar os camorristas.

- Sim, eles s�o criminosos. - Mas de que tipo?

O cara que veio aqui anda num Giulia 1300.

- Ele n�o � um chef�o? Diga. - Talvez n�o.

Ent�o, vamos fazer um brainstorm. E se negociarmos com ele?

- Voc� n�o pode pagar... - O que vamos fazer?

Depois, quero testar o isolamento ac�stico, ent�o, separem-se.

Vamos.

Deus est� morto, a revolu��o ainda � poss�vel!

Camaradas do mundo, unam-se!

Est� falando s�rio ou s� sendo um idiota?

O povo unido jamais ser� vencido!

Um idiota.

Tem certeza? Voc� n�o imaginou?

Voc� cantou o hino comunista a certa altura...

Deve ser a chamin� que propaga o som.

Viva Marx, viva Lenin!

� a chamin�.

S�rgio, estou assustado. Como voc� pode estar tranquilo?

Voc� tem ideia melhor?

Temos de manter a calma.

Se solucionarmos o problema, tudo dar� certo.

Podemos pedir a Abu para ajudar no trabalho, fica pronto antes.

Recuperamos nosso investimento e sa�mos daqui.

Sim, mas como vamos abrir um hotel-fazenda assim?

Um hotel-fazenda?

Se der tudo certo, este ser� um posto da resist�ncia civil.

- E se n�o der certo? - Se n�o der...

- Eles matam a gente. - Certo.

Qual � seu nome?

- Voc� � um caso cl�nico, sabe? - �? Por qu�?

Voc� est� morto e fala do t�mulo. Como consegue?

Os m�dicos devem estudar seu caso. Mas enfim, meu nome � Vito.

Qual era seu nome?

Voc�s n�o sabem em que encrenca se meteram.

Voc� j� pensou que podemos ter raz�o?

Os oper�rios t�m o direito de se defender contra parasitas como voc�.

Os oper�rios n�o interessam!

Sabe em quem eu penso?

Naquelas caras lavadas que ferram os outros todo dia.

Nos que alteram a data da passagem de �nibus para usarem-na de novo.

Nos que batem ponto no Minist�rio e saem para fazer compras.

Eles tamb�m n�o s�o camorristas?

� que eles s�o amadores e eu sou profissional.

E ser profissional n�o � pecado.

- Certo? - Ele pode ter raz�o...

Temos de pensar no que pode acontecer.

Vou dizer. Eles vir�o procur�-lo e teremos de pagar pela prote��o.

E n�o podemos procurar a pol�cia porque cometemos um crime.

Isso se chama sequestro!

Quem sabe eles nos esquecem...

Sei, camorristas senis?

Somos peixes pequenos, eles v�o nos deixar em paz.

- Estamos atolados na merda. - At� o pesco�o.

At� os olhos, no seu caso.

Gente, n�o tem volta. � ou vit�ria ou morte.

Perfeito.

N�o podem ouvi-lo gritar agora, nem ver a porta.

Eu j� disse, tenho um tio que � policial...

Cedo ou tarde, a bateria pifa.

Espere a�.

- Tchau. - Tchau.

- Voc� vendeu a van? - Era velha.

Troquei-a com o amigo do Abu por caldeiras e m�quina de lavar.

Ainda precisamos de muita coisa. O S�rgio fez as contas errado.

Gra�as a Deus, j� temos as telhas.

Quem s�o aqueles caras?

- Bom dia. - Bom dia.

Bom dia!

Voc�s receberam algum visitante recentemente?

N�o, n�o vimos ningu�m.

- Ainda n�o inauguramos. - Ainda n�o inauguramos.

Nem um homem num Giulia verde?

N�o, ningu�m esteve aqui. Voc�s s�o os primeiros.

Vamos inaugurar na P�scoa. Tem muito trabalho a fazer.

Ainda n�o inauguramos.

Voltaremos em alguns dias.

"Somos peixe pequeno, v�o nos deixar em paz".

- S� durou um dia. - Um.

Eles ca�ram.

Essa turma s� segue um m�todo.

E n�s o atrapalhamos. Sigam-me, camaradas.

Quem p�s cebola no carbonara?

- Cebola? - Eu falei.

Deixamos um cara de Turin fazer o carbonara.

Dois garotos apareceram numa scooter,

vestidos feito idiotas, procurando voc�.

E nem estavam de capacete.

Quem s�o eles? Eles v�o voltar?

Sim, mas eles t�m bem menos poder que eu.

Enfim, ainda n�o entendi o plano de voc�s.

� um sequestro? Voc�s v�o pedir resgate?

S� queremos abrir um neg�cio,

sem sermos explorados por gente como voc�.

Esse � nosso plano.

Que plano � esse? O que v�o fazer?

N�o estou entendendo nada!

Cuidado com o machado, sen�o danifica as sementes.

- Fa�a voc� ent�o. - Tem uma t�cnica precisa.

Usam chinelos desde que a grama foi inventada.

- Voc� est� me estressando. - � assim que se faz.

Com licen�a.

- Aqui � a casa do Sr. Felici? - Quem?

Felici? Ah, Cl�udio Felici.

- Sim, o Cl�udio. - Cl�udio, visita para voc�.

Ol�, muito prazer.

- Sou Fausto Maria. - Elisa.

Diego, ol�.

- Fausto Maria? - Mulheres curtem um lado feminino.

Inclu� o "Maria" para atrair as garotas.

Sim?

- Como vai? - Bem.

- Sou eu, Elisa. - Elisa?

Elisa.

Voc� falou que estava em Amsterd�, mas que n�o se sentia bem.

�, mas estou achando que trabalhar num lugar tranquilo,

no campo, pode ser o que preciso.

E estou me sentindo bem melhor.

Sim...

Este � o S�rgio.

- Muito prazer, Elisa. - Ol�.

Certo, esse � o casar�o.

Que lugar belo, tem uma energia incr�vel.

Levo minhas malas, com licen�a.

Quase ou�o uma m�sica tocando.

� linda.

- Quem � a doida? - Minha ex-funcion�ria.

- Eu a chamei para fazer a faxina. - Ela?

Voc� falou que ela t�mida. Mais parece a Lady Gaga.

Eu juro, ela n�o era assim antes.

N�o sei o que houve, ela parece lesada.

E ela est� gr�vida. A gente demite gr�vida, n�o contrata.

V� dizer a ela que n�o podemos contrat�-la

porque as regras do sindicato n�o permitem.

Como vou mand�-la embora?

Ela ir� � pol�cia se vir o camorrista no por�o.

V� mand�-la embora agora mesmo!

Est� bem.

V�, ande.

J� vi que precisam de uma mulher, que casa nojenta.

N�o tem pano de ch�o, balde, detergente nem aspirador?

Se tiverem dinheiro, vou at� a cidade.

Compro mozarela e fa�o uma caprese. A mozarela aqui � �tima.

Obrigada pela oportunidade, vamos nos dar bem. � o que eu preciso.

- Quem manda aqui? - Somos s�cios. Por qu�?

- Viemos falar de neg�cios. - Sentem-se, vamos.

Certeza de que n�o viram um Giulia verde aqui?

Sim, ningu�m esteve aqui al�m de voc�s.

- Vamos inaugurar na P�scoa... - Ainda n�o abrimos.

Tem licen�a para o hotel?

� um hotel-fazenda.

Mas temos licen�a. Menos da pol�cia municipal.

Eles n�o apitam nada.

- Ent�o? - Voc�s precisam de prote��o.

Sem prote��o, voc�s e a casa est�o em perigo.

- Quanto isso custaria? - Tr�s mil.

- Est� bem - O valor n�o � t�o alto.

Tr�s mil ap�s a P�scoa e mais tr�s mil no banco.

E n�o temos de pagar mais ningu�m?

Pagar quem?

Paguem a gente e ningu�m encosta em voc�s.

E estaremos aqui, se precisarem de qualquer coisa.

Que diabo est� fazendo? Seu porco, solte isso!

Largue essa coisa!

S�rgio!

Segure o cara!

Pegue ele, S�rgio!

Voc�s n�o sabem como isso � s�rio.

Voc� conferiu para ver se tinha alarme?

Sim, camorristas temem que roubem a moto deles.

Essa gente � perversa, muito perversa.

Ou�a, Abu, v� embora, obrigado. Voc� j� se arriscou por n�s.

- O que voc� fazia em Gana? - Eu era pr�ncipe.

- Vai dizer que � formado... - N�o, eu era guerreiro.

Um pr�ncipe guerreiro. E n�s somos o Quarteto Fant�stico.

Voc�s se arriscam, se ficarem aqui.

Por que n�o se mudam para outro lugar?

Porque n�o temos op��o.

- Est�o plantando grama? - Sim.

Nosso amigo Abu est� ajudando.

Ol�, Abu. Sou Elisa.

Achei a mozarela. Vou preparar a caprese.

Certo, camaradas, o plano � o seguinte: vamos comer.

Depois, Diego, converse com ela na cozinha e mande-a embora,

j� que o Cl�udio � incapaz de falar.

A�, levamos os restos para o pessoal no por�o.

Tudo dar� certo, n�o se preocupem.

Eu tinha um vestido branco bordado lindo. Era da minha m�e.

Havia rosas amarelas... Tudo parecia perfeito.

Gianni e eu namor�vamos desde cedo.

Achei estranho ele n�o estar na igreja.

Mas pensei: "� o tr�nsito", embora s� houvesse um farol.

A�, notei que minha irm� n�o estava l� e comecei a suspeitar de algo.

E eu tinha raz�o.

Ele fugiu com sua irm�?

- Ent�o, � por isso...? - O qu�?

Por isso que voc� n�o se sente bem, certo?

Estou bem agora, j� superei totalmente.

- Com licen�a, preciso ir l�. - Espere a�.

Ent�o...

voc� ficou gr�vida desse ex-noivo, o Gianni?

N�o, n�o.

Voc� tem um novo namorado...

Voc� quer me falar algo?

N�o, n�o...

N�o, o Cl�udio fala, mas n�o tem pressa.

- Tenho uma foice e um martelo? - Muito bem, faremos o seguinte.

Primeiro, mandamos os camorristas entrar no banheiro.

Depois, olhamos pela fechadura. A�, entramos armados no quarto.

Colocamos a bandeja l� e fechamos a porta, determinados.

Vejam s�.

Entrem no banheiro e tranquem-se l�.

Nem pensar!

- Ent�o, n�o v�o jantar. - Enfie sabe onde!

- Bancar os dur�es vai cans�-los. - Eles v�o enlouquecer l� dentro.

Tenho um PlayStation no meu quarto.

Posso deixar com eles, jogos com tiros v�o distra�-los.

Eles v�o extravasar.

Est� tudo resolvido. Falei com a Elisa.

Falei que n�o contrataremos pois n�o sabemos quando abriremos.

� a verdade. Ela insistiu em limpar tudo antes de sair.

Ela � teimosa.

Ela at� p�s flores na mesa de caf� da manh�.

- Ela vai voltar para o marido. - Ela n�o tem marido.

Ele a largou e fugiu com a irm�.

Talvez tenha um novo namorado...

Que n�o aparece e a leva, sabendo que est� gr�vida?

Deve haver algu�m...

Abu ligou, um carro preto vem vindo. Tem gente perversa nele.

Camaradas, preparem-se.

- Bom dia. - Desculpe incomodar voc�s.

Voc�s viram um homem de 50 anos, num Giulia verde?

N�o, ningu�m aparece aqui, ainda n�o inauguramos.

E dois rapazes numa moto? Uns feiosos...

- N�o, nem eles. - Voc�s s�o os primeiros que vemos.

Meu Deus. Ent�o, ningu�m falou ainda?

O estado ajuda muito pouco por aqui.

Tudo que veem ao seu redor � devido �s fam�lias apenas.

� igual a pagar impostos.

Em vez de dar o dinheiro a quem n�o tem nada...

Est�o entendendo?

Franco vem buscar o pagamento.

Tenham um bom dia.

Gente, n�o tem sa�da.

A boa not�cia � que o tal Franco vir� sozinho.

Mas nem pensar.

Quatro prisioneiros n�o d�. E voc� viu o Franco, n�o �?

E o que fazemos? Pagamos? Desistimos?

Vamos pagar, assim n�o temos de viver nessa ang�stia.

- Eram clientes? - Eram...

- Pedindo informa��o. - Come�amos devagar.

Que bom ouvir isso. Vou indo ent�o.

Ao menos, levamos voc� at� a esta��o.

N�o, eu gosto de andar e este lugar � lindo.

Prefiro caminhar, obrigada.

Sinto muito, mas eu entendo.

Tchau.

Tem uns barulhos estranhos vindo do por�o.

Deve ser um rato.

- Sim. - Isso mesmo.

- Estamos no campo. - �.

Tchau.

Tchau.

Venham comigo.

Um baixinho atarracado, de uns 60 anos?

Ele, sim, � um cara que apita alguma coisa.

Ele suspeitaria de n�s?

De verdade, � dif�cil v�-los como uma amea�a.

Tem gente perigosa por aqui.

Nunca acontece de um de voc�s

fugir e come�ar uma vida nova?

N�o somos do tipo que foge para abrir um hotel-fazenda.

E se fizermos isso, avisamos a m�e e a namorada antes.

Ent�o, se eles avisarem as m�es, v�o parar de procur�-los?

Como assim? Mandar um recado para a mam�e?

"Querida mam�e, eu preciso

de mudar os ares

um pouquinho". O que voc� escreveu?

"Querida mama", escrito desse jeito,

"preciso mudar", n�o "preciso de mudar",

"de ares"... espa�o... "um pouquinho".

Voc� deve escrever assim. Mas que gram�tica p�ssima.

N�o se ofendam, mas voc�s cozinham mal.

O que fizeram com meu carro?

Cuidem dele, � uma lembran�a adorada da minha fam�lia.

Eu tinha colocado rodas novas, e a bateria � zerinho.

- Que tipo de bateria? - � nova.

A oficina p�s uma bateria que vai durar 100 anos.

Querem comprar meu Giulia? � um bom neg�cio.

- N�o era uma lembran�a adorada? - Sim, era do meu pai.

Mas vou me lembrar dele de todo modo.

Ele deixou o carro em perfeito estado.

Dois alto-falantes de 800 watts, s� o toca-fitas d� problema.

Ele liga e desliga sozinho, mas d� para consertar.

Ent�o, a m�sica cl�ssica � uma fita?

- Ela acaba no fim. - N�o, ela volta no autom�tico.

D� para ouvir m�sica de hoje at� o Natal.

Cresci ouvindo m�sica. Meu pai era professor de m�sica.

Infelizmente, ele morreu jovem, e nos deixou s� m�sica e d�vidas.

O que voc� tem nos ombros?

N�o sei, saiu das oliveiras.

Ent�o, imagino que deva ser normal.

Isso n�o � normal! � fumagina.

Fumagina?

Se voc� n�o poda as oliveiras direito, a umidade acumula.

A�, juntam-se fungos e formam um tipo de bolor.

� a fumagina que mata as �rvores.

Como voc� sabe tudo isso?

- Sou de fam�lia de fazendeiros. - N�o era de m�sicos?

A fam�lia paterna era de m�sicos, a materna, de fazendeiros.

Como a gente se livra dessa fumagina?

Posso dar uma olhada,

se voc�s quiserem.

N�o quero receber. Troco minha estadia por trabalho.

Fiz um curso de terapia culin�ria, sou boa nisso.

Por favor, n�o me mandem embora.

Eu pensaria no caso, voc�s s�o p�ssimos na cozinha.

Ol�, sou o Vito. Parab�ns, pela barriga redonda, � menina.

Ele � um oper�rio que est� nos ajudando no olival.

- Est�vamos indo para l�. - Para a poda.

V�o. Fico aqui e preparo a comida.

A�, voc�s decidem. Mas n�o me mandem embora.

Vamos. Em frente, Vito.

Obrigada!

Voc�s t�m sorte.

Podemos salv�-las tratando-as com cobre e uma poda cuidadosa.

Posso cuidar disso, se quiserem.

N�o confiam em mim?

Ou�am, eu poderia ter gritado com tudo para a garota,

dizendo a ela para olhar no por�o onde prenderam os dois rapazes.

Sabem por que n�o fiz isso?

O cara que me procurou de manh� � o Gennaro Corta-Goela.

Se ele souber que quatro idiotas como voc�s me aprontaram essa,

fora eu aparecer, ele vai me achar um palha�o.

Ent�o, vale a pena ficar aqui.

Andei pensando, e voc�s devem pensar tamb�m.

Sempre sonhei em ter uma terra assim, s� para mim,

com horta, plantando verduras,

colhendo azeitona, prensando azeite...

� o meu carro? Ele est� por perto?

Sim...

Serenata para Cordas, de Dvorak. Ou�am, � inconfund�vel.

A viola conversa com os violinos.

Se quiserem desligar o toca-fitas,

batam no painel, mas n�o com muita for�a.

- Uma batida firme, se poss�vel. - Sim, batida firme.

Firme.

Este hotel-fazenda vai ser espetacular.

Voc�s enterraram meu carro?

N�o tinha outro jeito.

Mas o cobrimos com um pl�stico.

J� vi gente estranha na vida, mas voc�s s�o imbat�veis.

Est� pronto!

Falando de gente estranha...

Est� pronto, vamos comer. E a�, juro que a mando embora.

N�o tem jeito.

Isso n�o est� certo...

- N�s o cobrimos com um pl�stico. - Mas...

Inventei um molho pesto de nozes e gergelim para a massa.

E um molho de berinjela e iogurte para as costeletas.

Fiz as batatas com erva-doce e carpaccio de abobrinha.

Desculpem, foi o melhor poss�vel com o que eu tinha.

Sugiro contratarmos a garota. O que acham?

Como sou contra trabalho n�o remunerado,

podemos lhe oferecer um emprego em sistema de cooperativa,

uma porcentagem das refei��es quando abrirmos o neg�cio.

Obrigada.

Muito obrigada a todos.

Vou colocar algo no papel...

Pode at� escrever uma carta. Mas depois.

Vamos comer agora.

Estou t�o feliz.

- Como a gente liga? - R�pido.

- Aqui? - Isso.

- N�o quero ele l� fora o dia todo. - Eu tamb�m n�o...

� um cara solit�rio, vive uma vida chata,

e nem pode voltar para o lugar de onde veio.

- At� parece que ele � dos nossos. - Lembra por que ele veio aqui?

Ele vai salvar o olival, nos ajudar. Vamos ficar amigos ou ser� o fim.

Podemos deix�-lo sair num tipo de condicional.

Ele trabalha durante o dia, vigiado por n�s, e dorme no por�o.

N�o podemos esperar toda noite, at� a Elisa dormir.

Ela logo vai descobrir.

Tenho uma ideia: quando a Elisa for � cidade, eu falo.

N�o tem nada que serve direito?

- Parece bom. - A cor n�o combina.

Se ele tentar fugir, n�s o cercamos l� e aqui.

S�rgio!

S�rgio, r�pido! O Fausto caiu da escada.

Que idiota.

- Volto j�. - N�o se preocupe, v�.

Quem � aquele?

Droga, est�o procurando o Vito.

O Vito sumiu. Ele se foi.

Fizemos besteira. Eu sabia!

Maldito S�rgio e suas ideias!

S�rgio!

- S�rgio, o Vito sumiu! - Onde?

O Vito fugiu!

- N�o ficaram de olho nele? - Sim, mas foi muito r�pido.

- Diga que n�o � verdade. - Quem eram aqueles?

Ningu�m, estavam perdidos.

E voc� o deixou fugir? Eles v�o nos matar!

Gente, temos de sair daqui agora!

Pessoal!

Pessoal, eles j� foram?

Eles foram embora ou n�o?

As formigas est�o me matando.

- Muito bem. - Cuidado.

Tirem as m�os, j� estou ficando preocupado.

- Vamos. - Sim, vamos.

Voc� dorme no por�o para evitar desconfian�a.

Diga aos caras que somos perigosos, a�, n�o tentam fugir.

N�o. Eles est�o bem l�.

Est�o se adaptando. J� se acostumaram com pris�es.

E sou bom em fingir que estou sendo maltratado.

Vou ajudar a Elisa na cozinha, sou de uma fam�lia de chefs.

- N�o eram fazendeiros? - A fam�lia materna.

- Voc� falou m�sicos. - Fam�lia paterna.

Os demais s�o todos chefs.

Minha Nossa, largue o machado. Voc� me deixa nervoso.

Vou matar voc�!

Quero todos eles mortos!

Voc�s n�o imaginam como eles est�o me tratando.

Temos de manter a calma.

Tenho um plano.

Muito bem, os nomes que nos restam s�o:

Rinc�o, Ref�gio, Outeiro,

e meu preferido, Colina Real.

N�o, igual � pris�o? Queremos ser ir�nicos?

- O que foi? - Nada. Eu s� estava pensando.

- No qu�? - � bobagem.

Voc� sempre fala bobagem.

Pensei no nome do meu bairro, tem a ver com isto aqui.

Qual �?

Casal de' Pazzi.

Vou ver quem �.

N�o falei que era o nome certo, mas combina.

Sim, combina.

Gosto de Casal de' Pazzi. � original.

- Viu? - Muito bem, � a pol�cia municipal.

Vieram conferir nossas licen�as.

- Vito, pode ir ao por�o? - Pegar aquilo?

- O qu�? - Nada, n�o.

Como voc� n�o tem contrato, n�o quero problemas com eles.

� melhor voc� ficar na cozinha.

Sabe como as licen�as s�o problem�ticas.

Faz um caf� para n�s?

Obrigado.

O que eles falaram?

N�o se preocupem, eu os conhe�o.

V�o perguntar se voc�s precisam de geladeira ou TV.

Voc� pergunta se eles recomendam uma loja que venda.

- Eles querem propina. - Quer dizer, grana para prote��o?

Propina � diferente. � pagamento �nico.

D� a ele uma m�o com o guarda-roupas.

H� algumas irregularidades.

N�o podemos consider�-las infra��es,

mas teremos de mult�-los.

� um belo c�modo, por que n�o tem TV nele?

Sabe o que eu poria aqui?

Uma bela TV de plasma, 42", com 3D e alta defini��o.

O senhor sabe onde podemos comprar uma?

Olha, por um acaso...

tenho comigo um folheto.

Ele � meu amigo, vai lhes dar um desconto.

Vamos, rapazes, temos de visitar muita gente.

O senhor n�o vai nos multar ent�o?

Multar? N�o somos abutres, sabe?

Que rosto agrad�vel tem este jovem.

Lembra uma pessoa que prendi em 1987.

Cuidem-se.

Respire fundo...

Calma...

Elisa descobriu o pessoal. Ela foi at� o por�o.

- Tentamos explicar a ela. - Ela vai � pol�cia.

- Onde est� ela? - Est� l�.

Podemos explicar.

Elisa, por favor, espere. N�o tivemos op��o.

Por que n�o me contaram? Malditos, voc�s tamb�m me tra�ram!

Quem s�o eles? E eu estava fazendo algo legal...

Tem raz�o, mas n�o sequestramos camorristas todo dia.

Cale a boca. Voc� me olha como se eu fosse boba!

Se est� influenciado por isto, bobo � voc�.

N�o vim servir um bando de fracassados!

Por que n�o me contaram?

Elisa, n�o v� � pol�cia.

Foi leg�tima defesa.

Calado. N�o quero ouvir nada disso.

Tem uma coisa que quero saber.

De onde vem essa m�sica? Quero a verdade.

Do carro do Vito.

O r�dio est� com defeito.

Basta um golpe firme no painel,

mas n�s o enterramos na vala da piscina.

- Essa � a verdade? - �.

Serenata para Cordas, de Dvorak.

� linda.

� o doloroso tempo di valse.

Na inaugura��o, Fernanda, Rosalba, Bruno, o ferreiro, Marisa.

- Quem s�o eles? - Clientes da minha loja.

Tenho endere�os, mas n�o sobrenomes.

S� inclu� os que sei que vir�o.

A �nica que tenho certeza � minha esposa.

Tom Cruise...

Voc� p�s o Tom Cruise na lista da inaugura��o?

O Tom � bacana. Se ele estiver na It�lia, aparece.

Voc� conhece o Tom Cruise?

N�s, da TV, conhecemos todos. Jantamos juntos uma vez.

- E ele vai lembrar de voc�? - E n�o vai?

Tom Cruise...

N�o sei se chamamos a Cicciolina.

Desculpe, em nome de todos...

- Tudo bem, estou acostumada. - Eu n�o.

De fato, tudo parece t�o complicado, at� imposs�vel.

Por que imposs�vel?

Por que n�o tenta ver as coisas de modo diferente?

Como assim?

Este vinho, por exemplo, � horr�vel de qualquer modo.

Mas fica melhor se voc� tom�-lo na ta�a.

Venha comigo.

Este hotel-fazenda � maravilhoso.

Mas n�o v�o inaugurar assim. Parece um dep�sito.

A reforma est� quase acabando, e nosso dinheiro tamb�m.

� muito impessoal, deve ter a cara de voc�s.

Voc�s trabalhavam em outras �reas, n�o?

Voc�s se reciclaram.

Pois ent�o, sigam-me.

Vamos dar vida ao que j� existe.

Vamos tirar tudo da cozinha, sem nada novo nem artificial.

S� flores do campo aqui.

Livrem-se do pl�stico.

Vamos pintar a mob�lia velha, mesas, cadeiras...

Faremos quadros com cobertores e tapetes velhos.

Tudo o mais ser� branco.

Deixamos as janelas abertas para a luz natural entrar.

E vamos ter velas por todo lado.

Comeremos juntos nesta sala. Os engradados virar�o lumin�rias.

A placa do Cl�udio ser� nossa filosofia.

FELICIDADE � MESA

Criaremos m�veis com os estrados no dep�sito:

cadeiras de bra�o, mesinhas, temos de reciclar tudo!

O WI-FI N�O FUNCIONA, CONVERSEM

Ent�o, o que acham?

Caramba.

Est� mais bonito que a minha mercearia.

� o hotel-fazenda mais belo que eu j� vi.

Estamos falidos.

� uma obra de arte, acreditem.

Venho de uma fam�lia de decoradores de interiores.

Luzes.

Incr�vel.

Muito bem, quanto nos resta?

Descontando a TV de plasma que temos de comprar,

isto � o que nos resta para a inaugura��o. � pouco.

- S� isso? - S�.

O maldito quer 3 mil euros para p�r o site no ar.

Ele n�o era um irm�o para voc�?

E temos de pagar o Abu pelo trabalho que ele fez.

Ele veio pedir. O que fazemos agora?

Quem se importa? Ele pode voltar a Gana se n�o gostar daqui.

Os italianos primeiro. A casa � nossa!

Abu n�o quer dinheiro.

Para nos ajudar, ele trabalhar� na terra

em troca de meia safra, n�o de dinheiro.

Foi s� uma ideia minha. A terra � de voc�s.

Tipo uma cooperativa agr�cola.

Podemos ficar autossuficientes, e at� vender alguma coisa.

- Eu topo. - Eu tamb�m.

Fausto?

Vamos.

Em que mundo n�s vivemos?

No in�cio, s�o todos amigos. "Fausto isso, Fausto aquilo".

Cad� meus amigos agora?

Aquele maldito do site me chama de irm�o, mas agora, me amea�a.

E as pessoas que convidei para a inaugura��o...

Ningu�m respondeu.

- Nem o Tom Cruise? - Ele que se dane!

Ideais, valores...

A gente chega aos 40 e v� que nossos melhores amigos s�o

um negro, um camorrista, um comunista e dois fracassados.

At� parece piada.

Por exclus�o, parece que somos os fracassados.

Pessoal!

Temos um problema.

- Agora voc�s nos irritaram! - Deixem a gente sair.

Sei o que houve. O quarto � pequeno demais para eles.

Eles s�o prisioneiros pol�ticos. N�o � acampamento de f�rias.

Eles t�m at� um PlayStation.

Deixem comigo, levo uma planta para eles.

Uma planta? Por que n�o leva flores tamb�m?

Digo, uma planta medicinal,

anest�sica.

Isso � ilegal, S�rgio.

Em vez dessa planta, que tal dar a eles uma bela mulher?

- Seria anestesia local. - Uma prostituta, n�o!

- Uma puta, isso! - Duas, na verdade.

Bom dia,

senhorita.

Aceita uma bebida antes...?

Eles confiscaram seu passaporte para poderem chantage�-la?

Eles lhe prometeram um trabalho de dan�arina se viesse � It�lia?

Vamos, tenho trabalho a fazer.

V� em frente.

Bom trabalho, senhorita.

Eles n�o pediram duas?

De fato, e eram duas irm�s, mas a maior comeu a menor.

Digam que isso n�o est� acontecendo.

Estamos levando uma prostituta da Nig�ria

a dois camorristas menores de idade que sequestramos? � isso?

N�o. Nig�ria, n�o. Gana.

Gana, n�o Nig�ria.

Assim que secar quero minha cal�a de volta, viram?

Claretta, n�o podemos lhe dar um recibo oficial, � �bvio.

J�...?

- E voc�s? - N�o, obrigado.

- O site est� no ar! - Obrigado.

Claretta, Abu leva voc� at� a sa�da.

Venham. Vejam.

Casal...

Casal de' Pazzi.

Voc� � maluco?

- Era um nome provis�rio! - Todos concordaram com o nome.

- Quem concordou? - Eu n�o, s� sorri.

- S� falei "bem". - Ou seja, n�o � mau.

- Mas podia ser melhor. - Voc� falou de outro jeito.

Prefiro o nome da pris�o.

Eu gosto muito de Casal de' Pazzi.

O Inti-Illimani tocava um tipo de flautim assim...

Acabei de come�ar minha lista. S� quem eu conhe�o vir�.

�, n�o tenho muitos amigos.

N�o tem ningu�m para quem mostrar este lugar?

Bem, sim... meu pai.

Mas ele tem uma boa desculpa para n�o vir.

Eu sei, mas convide-o de qualquer modo.

Voc� n�o tem ningu�m para convidar?

- Ah, voc� n�o gosta de falar disso. - N�o sei quem � o pai.

Voc� n�o sabe quem �? Como?

Fiquei com Gianni por 18 anos.

Depois, fui a Istambul, Berlim,

Dublin, Amsterd�... Acabei aprontando bastante.

Mas � meu, isso me basta.

� tudo pelo beb�.

A gente deve ensinar a beleza.

As coisas lindas � que salvar�o o mundo e as pessoas.

Veja o Vito.

- A flauta-doce. - � flauta m�gica.

Um navio.

- � f�cil, uma bateria. - Um timbale.

Isso.

Com licen�a, o restaurante est� aberto?

Claro que est�! Entrem!

Claro, entrem. Sejam bem-vindos.

Ent�o, s�o quatro...

- Quatro aperitivos. - Isso.

- E vinho? - Sim.

- Branco ou tinto? - Pode ser tinto?

- Sim. - Tinto.

� por aqui.

- Voc� est� �timo! - Que vergonha.

Voc� tem de desempenhar o papel.

Ol�, sou Fausto Maria...

Sou Fausto Maria...

Sou Fausto Maria.

Fausto.

S�o rissoles de legumes, tudo da nossa planta��o.

- Que batatas deliciosas. - Obrigada, usei doce-cec�lia.

- Que bom que gostaram, bom apetite. - Obrigado.

- Aqui est�. Tudo certo? - A abobrinha est� maravilhosa.

- Que bom. - Delicioso.

- Bom apetite. - Obrigado.

Est� tudo bem? Devo trazer a conta?

�timo, mas pagamos amanh�. Vamos passar a noite aqui.

Isso.

Sa�de, pessoal.

Sa�de!

Eles v�o passar a noite aqui!

E se eles ficarem entediados?

Precisamos de bicicletas, para eles terem atividades.

Bicicletas? Vamos organizar um jogo de futebol.

Precisamos de um cinema passando filmes de arte.

Uma bela retrospectiva de Le Lusch...

- � o Giulia. - O que dizemos a eles?

Temos de pensar em algo j�.

- Imediatamente. - Vamos ligar o r�dio.

- Temos de dizer algo. - Que bateria boa.

Diego?

- O que ele tem? - O que foi?

N�o sei.

Ol�, est� tudo bem?

Com licen�a, de onde vem essa m�sica?

�...

Foi exatamente por isso que escolhemos este lugar.

Como assim?

Parece que h�, por aqui, o t�mulo de um m�sico.

- Por aqui? - E essa m�sica?

� a famosa lenda...

de Giulia.

Que lenda � essa?

Giulia era uma jovem nobre

que se apaixonou

por Vito, um maestro pobre, mas muito talentoso.

Mas a m�o da Giulia havia sido prometida

para Franco, um duque implac�vel, que fez dela uma escrava.

- Que diabo...? - Vai que acreditam.

Um dia, Giulia decidiu fugir para ficar com o amado.

Mas os irm�os de Franco a pegaram e a mataram.

Vito, desesperado e enfurecido,

matou os irm�os de Franco,

mas ele mesmo ficou fatalmente ferido quando o duque o esfaqueou.

Assim, ele foi mandado para o inferno.

Desde ent�o, reza a lenda que, praticamente todo dia,

Vito confia a m�sica dele � terra e ao ar,

na esperan�a de alcan�ar a amada no c�u.

- Que lenda bacana. - Mas � s� uma lenda.

Deve haver uma explica��o cient�fica para ela.

E qual?

Ainda est�o pesquisando.

Talvez algu�m tenha enterrado um r�dio...

E um r�dio enterrado funciona mesmo com umidade e chuva?

Bem, pessoal, at� mais. Desculpem incomod�-los.

- Incr�vel, n�o �? - �.

Laura, sou eu. Est� ouvindo a m�sica?

Estamos num lugar em que, de repente, sai uma m�sica do solo.

� incr�vel, Laura.

Vito e Giulia? Que criatividade.

- Foi o que me veio � mente. - Voc� arrasou mesmo.

Foi demais.

Eu n�o ficava comovido havia 52 anos.

Que triste, tive at� de bater na madeira.

Achei ador�vel. Devemos colocar no site.

Mas como? Vito n�o � nome de maestro de orquestra.

Muito menos Giuseppe, mas querem saber...

O qu�?

Vamos, Roma FC! Vamos, Roma FC!

N�o entendo voc�s.

Tchau, gente, n�s nos divertimos. Vamos fazer propaganda!

Nossos primeiros 400 euros.

Mas temos de pagar a primeira parte da nossa prote��o.

S�o 3 mil euros e n�o temos reservas.

Vito, n�o podemos pedir ao Franco para pagar ap�s a P�scoa?

Podem pedir tudo ao Franco,

mas sabem o que ele vai dizer?

Aonde ele vai?

Sei que as coisas v�o bem para voc�s, que bom, parab�ns.

N�o, s� temos quatro pessoas aqui.

Ent�o, voc�s t�m de trabalhar mais.

Ser� que podemos pagar depois da P�scoa?

S� temos 400 euros, estamos falidos.

Cinco pessoas espertas assim e s� 400 euros? Como pode ser?

N�o somos animais,

e � bom saber que v�o indo bem. Ent�o, vamos fazer vista grossa.

- �timo, n�s o veremos... - Espere.

Fico com os 400 euros desta vez, entendeu?

O resto, depois da P�scoa!

N�o adianta ficar bravo.

Estou dizendo o que vai acontecer. S� isso.

Vamos desistir. N�o temos grana para pag�-los.

Agora que est� tudo pronto?

N�o vamos agir feito her�is, � rid�culo.

- Somos um bando de fracassados. - Fale por voc�.

Temos de vender, como os antigos propriet�rios.

N�o temos chance. O amigo do meu primo...

Danem-se seus primos. Quantos primos voc� tem?

- Minha fam�lia � grande! - Parem de discutir!

Al�?

Seu e-mail?

Acho que n�o vimos... Estamos com muitas reservas.

Quantas pessoas v�o se hospedar?

- Grande coisa. - Posso confirmar j�.

Vamos mandar um e-mail com os detalhes. Obrigado.

- Fausto, qual � a senha? - "Vidalongaaol�der136".

Qu�?

"Vidalongaaol�der136", tudo junto, caixa alta.

- Voc� n�o � normal. - � minha senha.

- Por que voc� n�o olhou? - Fiquei desanimado.

Temos seis pessoas para o pr�ximo fim de semana, dez para o seguinte.

Tem gente perguntando se a m�sica s� toca � noite,

e outros querem saber se podem jantar no jardim musical.

S�o 35 reservas em dois dias.

O Giulia fez um milagre. A lenda deu resultado.

O que eu falei?

Oba!

Mudar a senha.

"Berlinguer eu amo voc� 1978".

- Ao Casal de' Pazzi! - Isso mesmo!

- Veja nosso camarada fascista! - Parem de brincar.

Quietos. A� est�...

A m�sica.

- N�o � m�sica cl�ssica. - Qual �?

Essa can��o � especial para mim.

Ela me lembra Maria, quem eu namorei h� muito tempo.

A melhor fase da minha vida.

Dan�amos e brindamos.

Brindamos ao telhado reformado, � descarga da privada consertada.

Aos morangos que v�o crescer, � nossa absurda amizade.

� m�sica do Vito.

� barriga da Elisa.

E finalmente, bebemos � n�s.

E ao Giulia.

Na verdade, n�o � preciso muito para criar um para�so.

Ningu�m mais trabalha com alegria. As pessoas j� n�o sorriem.

Eu era assim tamb�m.

Eu ponderava e avaliava cada decis�o que tomava,

mas para onde havia me levado tanta cautela?

Ent�o, seja bem-vinda a aposta, o desvio na estrada

que me levaria a um casamento seguro,

� aposentadoria na frente da TV, e no fim, ao t�mulo.

Tudo me parece claro agora.

� hora de nos agarramos a algo que j� � nosso.

Talvez essa fosse a coisa boa que queria que eu fizesse, pai.

Vamos l�!

Cuidado, est� desperdi�ando!

Certo, ao nosso...

Esperem, ao nosso...

sucesso...

Tem muitos esses, sucessos...

N�o diga "sucessos", d� azar.

� nossa falta de sucesso ent�o. Vamos brindar aos fracassos.

Certo, eu come�o.

Ol�, meu nome � Fausto

e sou fracassado.

Tenho quatro lotes

de rel�gios defeituosos espalhados pela It�lia

e credores por todo lado.

Estou sozinho.

Mas eu amo voc�s.

S� isso.

Meu nome � Diego.

Por anos, fiz um trabalho que odiava.

Sempre tomei vinho em copo pl�stico.

E sempre fui um inconformado.

Tamb�m sou um fracassado.

Minha vez.

Certo, meu nome � Cl�udio

e levei � fal�ncia

a mercearia tradicional da fam�lia.

Ela foi o orgulho de gera��es desde 1910.

Ontem, achei uma mensagem da minha esposa entre as reservas.

Ela pediu o div�rcio

por e-mail.

N�o sou um fracassado?

Fora o fracasso do comunismo

e o da luta de classe,

fracassei como marido pois minha esposa est� com um empres�rio,

fracassei como pai,

porque na tarefa,

minha filha p�s uma atriz de TV como personagem hist�rica.

Sou um fracassado.

Sim.

Se for menina, vai se chamar Giulia.

Sou um fracasso!

Sou um fracasso!

Sou um fracasso!

Eu sou um fracasso!

Fausto, todos eles querem dormir aqui?

N�o, eles vieram pela m�sica. Tomara que comece a tocar.

Vai tocar, sim.

Venho de uma fam�lia de Hare Krishnas, por parte de av�.

A m�sica.

- Legal, n�o �? - Est� tocando minha m�o sem querer?

Pode entender como um gesto rom�ntico.

Ou pensar que fa�o isso desde o colegial

e n�o vale desvalorizar algo t�o inocente.

N�o vamos desvalorizar ent�o.

Mas encostei em voc� de prop�sito.

Estou tentando, voc� gostando ou n�o.

Espero um sinal que me indique se � sim ou n�o.

Sim.

- Sim, o qu�? - � a resposta.

Estou gostando, continue.

Com licen�a, tem mais vinho?

- Sim, vou buscar. - Estamos ali.

Voc� guarda meu lugar?

Giulia � um nome lindo.

E se for menino?

� menina. Barriga redonda � menina.

O Vito falou, e ele vem de uma fam�lia de ginecologistas.

Voc�s s�o doidos.

Voc�s n�o sabem com quem est�o lidando.

- O que houve? - Temos um problema s�rio.

Caramba, S�rgio!

Ele come�ou a gritar e j� ia fazer esc�ndalo na frente dos h�spedes.

Falamos que pagar�amos para evitar encrenca. Por qu�?

Porque este lugar � nosso.

- Obrigado. - Tchau.

At� mais.

- Vito, e agora? - Eu sairia daqui, se fosse voc�s.

- Eles logo chegar�o. - Quanto tempo temos?

N�o � brincadeira. Voc�s t�m um por�o cheio de camorristas!

Eles n�o est�o nem a� comigo, mas o Franco � importante.

A solu��o � deixar o carro do Franco com as portas abertas

perto da casa do caseiro, na divisa dos cl�s rivais.

Assim, voc�s t�m tempo para escapar.

- Tudo bem. - Obrigada, Abu.

N�o podemos ir agora. E voc�?

Levem-me ao por�o, me entendo com Franco.

Ele deve acreditar que sou ref�m ou sou um homem morto.

� o �nico jeito de salvar a minha vida.

Venha comigo, Vito, tenho uma ideia.

Venha.

Perfeito.

Vito, que diabo est� havendo aqui?

Essa gente � perigosa.

- Est� com medo? - Quer resposta de homem?

Claro que n�o. N�o estou com medo.

Agora, a resposta do homem sens�vel.

Estou me borrando de medo.

Voc� viu que estamos fazendo amor?

N�o, s� estamos lavando a lou�a.

Foi o que achei...

Os carabinieri est�o aqui. Sejamos vagos.

- Bom dia. - Bom dia.

Voc� viu esse homem por a�?

N�o. Voc� viu?

N�o enxergo sem �culos, mas acho que n�o.

N�o, n�o.

N�o. Por qu�? Ele � procurado?

Sim, pela esposa.

Ele n�o voltou para casa ontem e a esposa deu queixa.

- Achamos o carro dele por perto. - Ele n�o esteve aqui.

- Certo, vamos indo. Obrigado. - Tchau.

Muita gente liga perguntando deste lugar.

� estranho, era um lugar de merda.

As pessoas fugiam daqui, e agora, tem at� fila. Dizem que � m�gico.

Vou trazer minha esposa um dia.

- Vamos esper�-los. - Com prazer.

At� mais.

A esposa, s� faltava essa. A pol�cia o procura.

Acabou, quando rastrearem o celular dele...

V�o ver que ele esteve aqui.

Acabou, quase nos recuperamos. Podemos vender tudo depois.

Ao menos, nos salvamos.

S�rgio?

Prefiro lutar at� o fim, mas sigo a maioria.

E o Vito? N�o podemos deix�-lo depois de tudo que ele fez.

Elisa tem raz�o.

Vamos ao por�o libert�-lo. Todos concordam?

Vamos...

- Cad� o Franco? - No banheiro.

V�o para l� com ele.

Menos o Vito.

Vito...

Deixem a gente sair daqui ou vou mat�-lo.

Vou mat�-lo!

Venha c�, assim seus amigos podem v�-lo melhor.

Larguem essas ferramentas e deixem-nos sair.

Levo s� um segundo para mat�-lo.

J� eu n�o terei pressa.

Mato voc� peda�o por peda�o e mando � sua esposa num saco,

para tranquiliz�-la.

O que minha mulher tem a ver com isso?

Voc� deveria ter avisado que n�o ia voltar.

Ela mandou os carabinieri procurar voc�.

Vamos ver quem de n�s � o mais esperto.

Veremos quanto tempo seu amigo segura a respira��o.

Largue essa machadinha ou ele corta o cara!

Quer saber? Voc� nos fez ralar, tirando dos pobres trabalhadores.

Voc� n�o faz ideia de quem est� enfrentando.

Ou�a, largue essa machadinha!

S�rgio...

S�rgio, j� chega.

Fa�a o que eles mandam, por favor, por mim.

Fa�a isso por n�s.

Por favor.

Voc� finalmente foi convencido, n�o �?

Maldito comunista!

Vamos ver quem manda agora. Vou cortar sua cabe�a!

Fique aqui no meu lugar!

Maldito!

E soltem essas ferramentas.

Entrem no por�o, nada de brincadeira.

Voc� tamb�m.

Podem ir, rapazes.

V�o para casa e digam que tiraram f�rias com duas garotas.

Se algu�m souber o que houve, voc�s voltam para l�. Andem.

- O que faremos com eles? - Fique de olho.

Vou tranquilizar a chata da minha mulher.

Fique aqui at� amanh� de manh�, e a�, nos livramos dele.

Vamos p�r fogo em tudo, at� na carne humana.

Garanta que ningu�m v� saber.

Saiam, r�pido.

Voc�s n�o t�m muito tempo, devem partir esta noite.

N�o voltem.

- N�o, meu carro sumiu! - O Franco levou.

- Devo denunci�-lo � pol�cia? - N�o recomendo.

- Cortaram os pneus. - E agora?

Vamos at� a esta��o e tomamos o primeiro trem.

N�o, a esta��o � muito arriscada.

E o que vamos fazer ent�o? Estamos presos aqui?

Esperem, tem o meu Giulia.

Vai levar anos para desenterr�-lo dali.

Vamos l�.

- Vamos. - Droga. Justo agora!

Vamos pux�-lo com o Renault, mesmo com pneu furado.

Est� perfeito.

- Tenho de ir, pessoal. - Se cuida, Abu.

- Tchau, crioulo danado. - Seu racista de merda.

Vito, voc� decide o que quer fazer.

- Quer vir conosco? - Vou ficar.

Vito, muito obrigada por tudo.

Espere, antes de irem, me deem um soco direito.

J� vi como � em filmes.

Certo, deixe comigo.

- Est� pronto? - Sim, manda ver.

Espere, l� vai.

- L� vai. - Est� fingindo?

- Mire nele. - Saia da frente.

N�o, ele n�o, por favor.

Nossa, desculpe, Vito, machuquei voc�?

Voc� quebrou meu implante. � melhor irem.

Est�vamos lotados no pr�ximo fim de semana.

Vamos, vamos.

Johann Lucas Mitz! Opus 70!

Nascemos de m�os cheias.

Por isso, como rec�m-nascidos, cerramos os punhos.

Porque temos as melhores d�divas que podemos desejar:

inoc�ncia, curiosidade, vontade de viver.

Mas a�, somos criados para temer a Deus,

e n�o podemos nos culpar por temer tudo o mais tamb�m.

Crescemos com a promessa de emprego seguro, carreira, sucesso,

por isso, sempre nos sentimos pobres e inadequados.

Fugimos porque n�o nos deram as armas certas para lutar.

E quando vemos que o time de futebol n�o corresponde nosso amor,

que o banco legal s� lembra de n�s quando estamos no vermelho,

que o trabalho da nossa vida consome toda a vida,

n�s nos sentimos derrotados.

Ter�amos de nos satisfazer com pouco: os pr�prios sonhos

criados por nossa ambi��o e n�o pela sala da multinacional.

� como aprender a cerrar os punhos de novo, como um rec�m-nascido,

e seguramos firme a vida, em nossas m�os.

Agora, somos apenas um bando de seres humanos normais,

que est�o mortos de medo,

mas com coragem o bastante para virar o carro em outra dire��o.

No entanto, paramos aqui. Juntos.

N�s e a Giulia.

Mas quem sabe?

Nossa hist�ria ainda n�o acabou.

Hoje, a jornada apenas come�ou.

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PARA FRANCESCO E ANITA, E SUAS BATALHAS

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