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Estás por um fio, Güneş. Para de escrever.
Eles nem se seguem. Claro, era para o teu diário.
Tens mais histórias?
Ele chama-se Boran. Não têm uma foto juntos.
Mas que imaginação.
O SR. ALFA REVELA A CARA!
A ideia era encontrar fé no amor. Já não sei em que acreditar.
Isto foi feito por IA? É o Sr. Alfa?
Já acreditaste voluntariamente numa mentira, sabendo a verdade?
Já entraste num beco sem saída de propósito?
Já quiseste que um sonho durasse, mesmo sabendo que não era real?
SR. ALFA REVELA A CARA!
Confortamo-nos com as mentiras porque a verdade nos assusta?
Ou porque começamos a acreditar nas nossas mentiras?
De certeza que não sou a única.
O mais triste é que o medo de estar sozinha é aquilo que me retrai.
DIA 1
Põe o dedo aqui. Começa a girar.
- A sério? - Agora estragaste tudo.
- Estraguei o quê? - Não vês? Está ondulado.
- E o teu está direito? Deixa-me em paz. - Está lisinho.
DIA 2
Algumas mentiras podem ser muito tentadoras.
E alguns becos sem saída são mais apelativos.
Sabemos que tudo pode acabar,
mas perdemo-nos nas ruas para não enfrentarmos os nossos problemas.
É como improvisar a letra de uma canção desconhecida e acreditar que está correta.
Agarramo-nos a sonhos, desejando que durem para sempre…
DIA 3
… sempre com um sorriso falso.
As mentiras em que acreditamos…
DIA 4
… são como uma âncora.
Arrastam-nos durante quilómetros como um grande navio no mar.
O vento está suave.
O mar está calmo.
A sorte tem estado do teu lado.
Mas um dia…
… a âncora solta-se
e acabas sozinha no mar, com as tuas próprias verdades.
É aí que o vento e as ondas te abanam.
Andas à deriva.
E cai-te a ficha.
Nesse mar de mentiras, esqueceste-te de ti,
de como ser tu mesma e daquilo que queres.
DENIZ DERENOĞLU ENTREGAR NA MORADA
A vida está cheia destes vórtices.
Mas chega de lamentos. Devo um pedido de desculpa a todos.
DIA 5
Antes de mais, a vocês.
Fiz-vos acreditar numa mentira que me levei a acreditar.
Peço desculpa.
Lembras-te?
Foi nisto que trabalhaste durante dias?
Desculpa, querida, mas não podemos publicar isto.
Porque não?
Primeiro, não te vais demitir.
- Pervin, ouve… - Segundo,
se pedires desculpa, nunca mais ninguém te lerá.
O quê?
Querida.
Lembras-te das escritoras que tentaram imitar-te?
Tentaram copiar o teu estilo.
O que te distinguia?
O amor genuíno.
O teu amor foi genuíno.
Tu foste genuína.
O que escreveste também foi genuíno.
Pedir desculpa não é igualmente genuíno, Pervin?
Os leitores não esperam um pedido de desculpa.
Só querem saber se o Boran é o verdadeiro Sr. Alfa.
Disseste que acabaste com o Sr. Alfa e conheceste alguém chamado Boran, mas…
Amor.
Onde está o amor?
Onde está?
Lamento, mas não podes voltar atrás,
mesmo que digas a verdade, Güneş.
Então, o que devo fazer? O que sugeres?
Como vais continuar a publicar se já não estás com o Deniz?
Ninguém vai querer ler sobre o Boran.
Além disso, ninguém sabe quem é o Sr. Alfa.
Quando será revelada a cara dele?
Lamento, Güneş,
mas tens de continuar a fingir que o Boran é o Sr. Alfa.
A sério, Pervin?
Acho que é a tua única opção, se quiseres ter uma carreira.
Ainda estás com o Boran, certo?
Sim.
Mas agora só penso se a fuga pode impedir a venda da casa.
O Mahir está em Istambul.
Ele foi muito formal comigo ao telemóvel.
Pôs-me a pensar. Será que ele viu as publicações antes de nós?
Se calhar foi por isso que não me ligou.
Não.
Veremos.
Veremos.
Veremos.
O que estás a fazer?
Bati com muita força?
Onde estiveste?
Porque te fechaste aqui?
Se não vens ao escritório, trabalhamos aqui.
És cá uma peça.
Tenho uma teoria sobre quem divulgou a foto.
Özgen, não. Não quero falar sobre isso.
Todos pensam que o Boran é o Sr. Alfa.
Tarde de mais. Acabou. Esqueçam isso.
Mas ninguém acredita.
Há quem acredite.
Mas haveria sempre céticos se dissesses que o Deniz era o Sr. Alfa.
Podemos trabalhar com o que temos?
Quem beneficia com isto?
O Boran.
Como?
Ele agora tem mais seguidores.
Isso é dizer pouco.
- Bom… - Explodiu.
Tornou-se famoso de repente. Uma celebridade como tu.
As imagens que ele publica são de profissionais.
Ele só não admitiu que é o Sr. Alfa, não foi?
Exato. Tens razão, querida.
Também não posso dizer nada sobre isso.
Parece que as redes sociais lhe dão a atenção que eu não posso dar.
E se ela tiver razão?
E se foi o Boran?
- Não foi ele. - Como… Não percebo.
Como podes ter a certeza?
Porque ele esteve sempre comigo, depois da fuga de informação.
Durante dias, ajudou-me a refletir sobre isto tudo.
Ele disse que podíamos negar imediatamente.
Ele é o meu companheiro.
Ele engoliu o orgulho e disse-me
que poderia revelar que o Deniz era o Sr. Alfa.
Talvez se sinta culpado pelo que fez.
E disse que ele podia dizer que era o Sr. Alfa.
E também disse que podíamos dar um tempo.
Ele entende como estas coisas me estão a afetar e a confundir.
O quê? Acabaram?
Não, não acabámos. Dá para acreditar?
Até há umas semanas, eu queria acabar com o Boran.
Agora, eu é que peço ao Boran para não acabarmos.
Imaginem. Estou a pedir-lhe para ficar comigo.
- Ele lidou bem com a situação. - Sim.
Adivinhem quem não lidou bem com a situação.
Querida, não te censures. Basta.
Özgen, não estou a falar de mim.
De quem estás a falar?
Do Deniz?
Nem pensar. Não!
Alto e para o baile! Falaste com o Deniz? O que aconteceu?
Vês? O Hakan não me disse nada. O que aconteceu?
Ele não atende as minhas chamadas. De certeza que as viu.
Deve ter visto.
Tenho a certeza de que foi o Boran.
Ouve o que te digo.
Está dito. Vão ver.
De certeza que foi o Boran.
A Özgen tem umas teorias.
Sobre o quê?
Sobre a fuga do Sr. Alfa.
Não quero saber, Hakan.
Não falaste com a Güneş?
Isto está avariado? Qual é o problema?
Mano, pelo menos fala comigo. Desabafa. Vais sentir-te bem.
Porque não imprime?
A impressora voltou a avariar?
Alguém me ouve?
Venham cá!
Achas que perdeste a Güneş para sempre?
Não há mais nada para falar?
Não queres falar comigo.
Pelo menos fala com a Güneş.
Ela deve estar chateada, Deniz.
Deniz.
Deniz.
Não fui eu que fiz mal à Güneş.
Ela perdeu-me porque não me deu ouvidos.
Já chega…
Sabes que mais? Ela estava a pedi-las.
Agora pode escrever sobre o Sr. Alfa Falso.
Como pôde fazer isto a ela própria? Porquê? O que ganha com isto?
Viste os comentários?
"É o Sr. Alfa?" "Está apaixonada por ele?"
Ela estava apaixonada por mim, escreveu sobre mim.
Vamos ver como escreve agora.
Pode escrever sobre como é viver com alguém que ela não ama.
Sentimentos que partilhamos…
- Deniz. - O que foi?
Andas a ler as publicações dela?
Abriste uma conta?
Se abriste, diz-me qual é.
- Seguimo-nos um ao outro. - Cala-te.
- Qual é o teu nome de utilizador? - Cala-te.
Vamos seguir-nos.
Era tudo mentira.
A sério, Sr. Mahir?
Sabe mais de mentiras do que eu, Mna. Pervin.
Céus!
Juntaram-se para me enganar. Claro.
Até a casa ser vendida. A Mna. Pervin distraiu-me.
O Sr. Deniz e a Sra. Güneş fingiram estar apaixonados.
Isso não é verdade.
Eles estão perdidamente apaixonados.
Isso é o que pensa.
O Sr. Boran, o Sr. Alfa das fotos, comprou a casa.
- O Boran? - Vê? É tarde de mais, claro.
Não podemos anular a venda.
Senão, ter-vos-ia feito pagar por isto.
Um momento. Espere.
O Boran comprou a casa
sabendo que a Güneş está apaixonado pelo Deniz?
Não sei. Deve ter sido algum truque.
O que estou mortinho por saber…
… é qual foi…
… o teu papel nisto tudo?
O que estás a dizer, Mahir?
Qual foi?
Tu querias…
… roubar-me o coração?
De que estás a falar?
Roubar corações…
Eis a pessoa que eu conheci.
Então, recomecemos.
Visto que roubei o teu coração
e como vieste até aqui para me ver, recomeçamos aqui.
Como? Está bem. Espera lá.
O que significa isso?
Uma castanha?
Bem-vindo.
Obrigado. Como estás?
Estás bem? Estava preocupado.
Muito melhor. Entra.
Estás muito bonita.
Queres uma bebida?
Não, deixa estar. Obrigado.
Como vai o artigo?
Bem… Ainda estou à procura de uma solução.
Na verdade, vim cá com uma solução.
- Boran, não é a altura certa. - Não, é a altura certa.
- Não. - A sério. É a altura ideal.
O que…
Que chave é essa?
Comprei aquela casa.
O quê?
Bom, comprei a casa.
Dei a entrada.
Güneş, queria pedir-te em casamento lá.
Não precisas de ficar sem a casa.
Certo, Boran…
Em troca de quê?
Sou investidor.
A casa é minha. Não peço que te cases comigo em troca disso.
Usa o dinheiro da casa.
Espera.
O que te levou a pensar que eu estava a usar a casa contra ti?
Não, só estou a tentar entender.
Tarde de mais. A tentar entender o quê?
Nunca tentaste entender-me.
Sei lá.
Só penso em fazer-te feliz e dar o meu melhor por ti.
Até estou disposto a ser o Sr. Alfa. Que mais queres?
Está bem. Acho que percebi mal.
Só estou a tentar entender-te.
Voltei a falhar, não foi?
Voltei a falhar.
Correu pior do que o primeiro pedido de casamento.
Lamento. Desculpa.
Não volta a acontecer.
Acho que temos de nos acalmar e falar.
Está bem. Não quero que voltes a tentar arranjar uma solução.
Eu resolvi tudo pelos dois.
Por favor, relaxa.
Calma. Respira. Pensa nisso.
Não te preocupes. Vou renovar a casa e vendê-la com lucro.
Não é problema.
Não sei.
O que fizeste foi…
Sim, eu sei, foi demasiado.
Mas eu sou assim, Güneş.
Sempre soubeste disso.
Se não te importas, eu também não.
Güneş.
Güneş.
Olha para mim.
Vejo que a mulher que escreveu aquelas histórias está infeliz.
Isso é inaceitável.
Os teus artigos deixam muita gente feliz.
Porque não estás feliz?
Não tens o direito de ser feliz?
Claro que tens.
Então…
Por favor, deixa-me tentar.
Querida.
Encontrei o anel.
Tinha-o perdido.
Encontrei-o.
Vais usá-lo?
Não posso.
Não posso.
Não o posso usar. Desculpa.
Não faz mal.
Não te preocupes, está tudo bem.
Até logo.
Com licença.
Quer uma bebida?
Pode pedir uma ao barman.
Peço desculpa. Não o vi.
Fui ofuscado pela sua beleza.
Que frase de engate foi essa? Horrível. Tenta outra vez. Vá lá.
Mas eu disse-te que não tenho jeito.
Improvisa um pouco. Pensa em algo.
Está bem.
Não podes dar-me umas dicas?
Para quê? Para improvisar?
Não, estou perdido.
Nos teus olhos.
Estragaste tudo. A sério.
Anda, vamos. Anda.
Podes sentar-te? Pervin, senta-te!
Desculpa.
Quando faço asneira, fico furioso.
Só vamos quando eu acertar.
Nem que demore até amanhã.
Senão, rebento isto tudo.
Desculpe.
A sério?
Como vai fazer isso?
Pode explicar melhor?
E como sabe o meu nome?
Pelos meus sonhos.
Deixe-me oferecer-lhe uma bebida. Não aceito recusas.
- Desculpe, jovem. - Sim, senhor.
Atenda a senhora.
Outra bebida.
Claro.
- Como lhe vamos chamar? - Estou preocupado, Güneş.
Se lhe dermos um nome, vais apegar-te.
E depois, Deniz? Vamos apegar-nos. Vamos a isso.
É uma grande responsabilidade. Ela precisa de atenção.
Não podemos, Güneş. Não podemos.
Podemos. Ela está connosco há quatro dias e está bem.
- Olha. - Não sei.
Já podia ter aprendido a ir à casa de banho.
Ela é tão nova, Deniz.
É tão nova.
E se não encontrarmos uma casa para ela?
Podemos ficar com ela?
Já temos um.
O quê? Onde?
Sei que estão em casa!
Lá está ele.
Já vou.
Não corras, Ege. Vais cair. Tem calma.
Ege, que nome lhe vamos dar?
Deniz.
Güneş. Kum.
Talvez algo mais celestial?
Algo celestial.
Komet? Que tal Komet? O que achas?
A Komet pode ir à escola comigo?
Nem pensar. Vais atrasar-te e perder o autocarro.
Vai lá. Despacha-te.
Cuidem bem dela até eu voltar.
- Claro. - Komet.
Ela já reconhece o nome.
Vês como olha para nós?
Vamos ficar com ela. Por favor.
Anda, linda.
Linda menina.
Aqui.
Senta.
Senta.
Boa!
Passa. Vai.
Linda menina. Toma.
Passa.
Não acredito!
Podemos ficar com ela?
- Está bem. Vamos ficar com ela. - Por favor.
E estes são os brinquedos dela.
Ela adora-os.
Tome.
Obrigada.
Muito bem. Vamos.
- Já se foram embora? - Já.
Falei com a mãe dela. Vão chamar-lhe Komet.
Podem cuidar dela?
Não vão abandoná-la quando a miúda perder o interesse?
Se não conseguirem, devolvem-na.
A nós?
- Sim. - A sério?
Sim. Prometo-te que, um dia, teremos um cão como a Komet.
Não fiques triste.
Detesto despedidas.
RAUF ARQUITETOS
- Obrigada. - Obrigado.
As lentes estão todas aqui?
Sim. Podes verificar, se quiseres.
Se faltar algo, de certeza que estará em minha casa.
- Vais a algum lado? - Não.
Porquê?
Não sei. Como pediste a câmara…
Tenho de voltar ao trabalho, Deniz.
Se é por causa do bebé, não te preocupes em arranjar trabalho.
Deniz, eu tenho emprego.
Sou fotógrafa.
Tens o hábito de menosprezar as carreiras das tuas ex?
De quem estás a falar?
De ninguém em particular, Deniz.
Esquece.
Está bem, Umay.
Mas se precisares de algo, dizes-me, certo?
Sim, Deniz.
Não precisas de andar sempre à minha volta nem de fingir que te preocupas.
Está bem? Eu ligo-te se precisar de alguma coisa.
Na verdade, tenho outra pergunta.
Não, ainda não sabem o sexo.
Mas sim, vamos saber juntos.
Não se trata do bebé.
Trata-se de fotografia e da Capadócia.
Não me perguntes mais nada além do bebé, Deniz.
Não vou falar da Capadócia.
Porquê? Fizeste algo na Capadócia que eu não deva saber?
Aí está.
Eu já esperava. Tinha a certeza.
Não, Deniz, não fui eu.
Não fui eu que revelei o Sr. Alfa.
Está bem?
Vai dizer à Güneş.
Não ando com a Güneş, Umay.
Não quero saber, Deniz.
Faz o que quiseres. Tanto me dá.
Adeus.
Viagem à Capadócia com o Sr. Alfa.
VIAGEM À CAPADÓCIA COM O SR. ALFA
Não.
MENTIRAS VERDADEIRAS
- Mana? - Ayça?
Mana.
Ser influenciadora paga assim tão bem?
Porquê?
- O dinheiro também dá para o alojamento. - Já recebeste? A casa foi vendida.
Não acredito.
Para ser sincera, eu…
Eu receava que não arranjasses o dinheiro tão cedo.
Para ser sincera,
pensei que teríamos de vender esta casa ou pedir ajuda aos pais.
- Muito obrigada. - Olha para ti!
Muito obrigada, mana.
Eu pago-te, prometo.
Ora essa. É a tua sorte.
Sorte? Gastaste as tuas poupanças comigo.
Sim, tenho sorte.
Por ter uma irmã como tu.
Agora vais para longe.
Mas estaremos sempre juntas, está bem?
- Sim. Estaremos sempre juntas. - Para todo o sempre. Pronto.
Detesto despedidas.
Eu sei que detestas.
Mas elas fazem-nos entender o quanto queremos reunir-nos com alguém.
Vou ligar aos pais para lhes contar.
Eles vão ficar muito entusiasmados.
DETESTO DESPEDIDAS
Senta-te.
É melhor não.
Aquela caixa. Era para nós os dois quando ainda estávamos juntos, certo?
- Abriste-a? - Não.
Devia abrir?
Se for algo para mim, diz e eu abro.
Mas se for para ti, não lhe quero tocar.
Soubeste da fuga no dia em que encontrámos o Ege no parque, certo?
É por isso que estás zangado?
É por isso que não atendes as minhas chamadas há uma semana?
Não sabia o que dizer.
O que queres ouvir?
O que eu quero ouvir?
Diz-me o que pensas, por exemplo.
É isso que eu quero.
Que tal: "Percebi o quanto amava a Güneş depois de a perder."
Quero ouvir isso de ti.
Não te perdi para o Boran.
- O quê? - Há outra coisa.
O quê?
Então, porque disseste isso, Deniz?
Por causa da Umay.
A tua relação com ela é séria?
O que foi? Tu podes perguntar, mas eu não?
Já não és o Sr. Alfa, Deniz.
As pessoas vão pensar que é o Boran
na foto do estaleiro.
Deixaste de ser o Sr. Alfa.
Tu nunca quiseste ser o Sr. Alfa.
Nunca quiseste ser o Sr. Alfa, Deniz?
Deixa-me reformular.
O que queres, Deniz?
Não sei.
Não sei o que fazer.
A Umay está grávida.
Porque não me deixaste na altura?
Porque não desististe de mim?
Não conseguiste dizer nada porque eu detesto despedidas?
Não paro de pensar nisso.
Não consigo perceber.
Cresci sem pai, por isso…
… tenho medo de deixar uma criança sem pai, Güneş.
Não sei como lidar com isso.
Sempre pensei…
… que o nosso amor nos traria boas memórias.
Afinal, este será o momento em que nos lembraremos do amor, Deniz.
Acreditei tanto em alguém que fiz com que também acreditassem nele.
Peço desculpa.
Mas devo o maior pedido de desculpas ao amor
porque fiz com que duvidassem dele com uma mentira.
Peço desculpa pelo amor que me fez saltar do cais para o ferry,
que me arrebatou, que me envolveu,
que me abraçou de todas as formas e voltou a apresentar-se a mim.
O amor que testemunharam.
Não conheço nada mais real do que a própria vida.
Sentimos o que é real.
O verdadeiro toque, o verdadeiro beijo,
o verdadeiro abraço, o verdadeiro amor.
O amor que envolve todo o nosso corpo e alma.
É por isso que acredito que encontrarão o amor verdadeiro
não nos meus artigos, mas na própria vida.
Detesto despedidas.
Porque, ao que parece,
as despedidas ensinam-nos o quanto queremos reunir-nos com alguém.
Olá, Boran.
Obrigada pela casa.
Na verdade, liguei para te agradecer por tudo o que fizeste.
Não tens de quê, Güneş.
Vi uma oportunidade de investimento e avancei.
Não te sintas em dívida comigo.
Aliás, a casa foi uma pechincha.
Ótimo. Ainda bem que também lucraste.
Vou mandar decorá-la como deve ser.
Se quiseres, podemos ir vê-la antes de a vender.
Mas não me interpretes mal.
Só como amigos.
Güneş.
Não tens de te despedir já da casa.
Sei como te sentes.
Sabes disso?
Obrigada, Boran.
Até logo.
Até logo.
- Olá, Pervin. - Güneş?
Recebeste a minha mensagem?
Foi o Boran que comprou a casa.
Sim, eu sei.
Vou continuar a escrever sobre o Sr. Alfa.
O quê? Com o Deniz?
Não, com o Boran.
- Não pedi isto. - Oferta do senhor.
Podem entregar isto no quarto da Güneş Güner?
Claro.
Eu conheço-o de algum lado?
Já me deve ter visto nas redes sociais.
É famoso?
Sou uma estrela em ascensão, sim.
- Estou a ver. - É fotógrafa?
Sim.
O seu escritório é aqui?
Não. Não tenho escritório.
Tirei uma licença sabática, mas vou voltar ao trabalho.
- Tenho uma entrevista de emprego. - Boa. Para a revista?
Sim. Também é da revista?
Sou da Saygun Holding.
Olá, sou o Boran Saygun.
Estamos a preparar a revista para a qual vai ser entrevistada.
Muito gosto. Sou a Umay.
Muito gosto, Umay.
Se conseguir o emprego, vou fotografá-lo?
Parece que sim.
Não resultou com o fotógrafo anterior.
Ele apanhou o meu pior ângulo na Capadócia.
Como?
- A minha cara é um pouco quadrada. - Não entendo.
Estou a dizer-lhe que…
… sou o famoso Sr. Alfa.
Desculpe. A sério?
Sim, mas fica só entre nós.
O nome da nova revista masculina será provavelmente Sr. Alfa.
- Mas é confidencial. - Claro.
Claro que sim. Confidencial.
Obrigado.
Se é o Sr. Alfa, a sua namorada deve ser a famosa editora.
Não é?
Não somos propriamente namorados.
Pense na minha relação com a Güneş como um investimento.
Como uma parceria de negócios.
Chame-lhe regras das redes sociais.
Não percebo muito de redes sociais.
Certo. Sou um empresário, Umay.
Trabalho com a Güneş.
Temos planos, investimentos conjuntos.
- Já percebi. Parabéns. Muito bem. - Obrigado.
Quer uma bebida?
Já que vamos trabalhar juntos.
Que tal?
Certo. Sim. Muito obrigada.
Mas não bebo álcool.
A sério?
Muito a sério.
O Boran faz tudo por mim.
Quero estar com alguém que goste de mim.
Tradução: Nuno Oliveira
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