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Original subtitles

UMA MENTE BRILHANTE

UNIVERSIDADE DE PRINCETON SETEMBRO DE 1947

Matemáticos venceram a guerra.

Matemáticos decifraram os códigos japoneses…

…e construíram a bomba A.

Matemáticos como vocês.

O objetivo explícito dos soviéticos é o comunismo global.

Na medicina ou na economia, na tecnologia ou no espaço…

…batalhas estão sendo travadas.

Para triunfarmos, precisamos de resultados.

Resultados publicáveis e aplicáveis.

Quem aqui entre vocês será o próximo Morse?

O próximo Einstein?

A vanguarda da democracia, da liberdade e da descoberta?

Hoje, confiamos o futuro da América em suas capazes mãos.

Bem-vindos a Princeton, senhores.

Não basta ele ter ganho a bolsa Carnegie.

Não, ele quer tudo só para ele.

É a primeira vez que o prêmio Carnegie é dividido.

Hansen não gostou.

Quer ir para o centro militar de pesquisa Wheeler, no MIT.

Só aceitarão um este ano.

Hansen está acostumado a ser o escolhido.

— É mal aproveitado. — Devia ser presidente.

Imperador.

Há uma explicação matemática para a feiura da sua gravata.

Obrigado.

Neilson, criptografia.

Decifrou um código japonês. Combateu o fascismo.

Ao menos é o que diz às garotas.

Bender, física atômica. E você?

— Estou atrasado? — Sim, sr. Sol.

Ótimo.

Sol. Richard Sol.

— O fardo de um gênio. — Muitas súplicas, pouco tempo.

— Sr. Sol? — Como vai?

— É um prazer. — Parabéns, sr. Hansen.

Obrigado.

Aceito mais um.

Como?

Perdão, achei que era o garçom.

— Comporte-se. — Não é o estilo dele.

— Honestamente, me enganei. — Martin Hansen.

Não é o Martin?

É sim, John.

Acho que está se acostumando a errar.

Li os seus trabalhos ainda não publicados.

Os dois.

O das cifras nazistas e o das equações não lineares.

E estou certo de não haver o menor sinal de…

…ideia inovadora em nenhum deles.

Bebam o seu ponche.

Conheçam John Nash.

O misterioso gênio de West Virginia.

O outro ganhador da distinta bolsa Carnegie.

Cristo!

Chegou o pródigo colega de quarto.

Colega de quarto?

Meu Deus, essa não!

Sabia que a ressaca é causada pela falta de água…

…no organismo para ativar os ciclos Krebs?

Que é o que acontece quando você está morrendo de sede.

Assim, estar morto de sede…

…seria provavelmente bem parecido…

…com a ressaca que mata você.

John Nash?

Charles Herman. Prazer em conhecê-lo.

Bem, é oficial. Sou quase humano de novo.

Policial, vi o motorista que bateu em mim. Foi o Johnny Walker.

Fui ao coquetel do Departamento de Inglês ontem à noite.

Levei a "garrafa".

E o "aperitivo" foi uma bonequinha…

…apaixonada por D.H. Lawrence.

— Não se distrai facilmente, não é? — Estou aqui para trabalhar.

É mesmo? Entendo. Droga!

Meu colega de quarto é um babaca?

Ouça, se não conseguimos quebrar o gelo…

…que tal nos afogarmos nisto?

Qual é a sua história?

O garoto pobre que não estudou em Exeter nem Andover?

Tive um ótimo berço, mas sou equilibrado.

Sou um chato com as duas galochas.

Deve ser melhor com números do que com pessoas.

Minha professora do 1º ano dizia que eu tinha…

…mais cérebro do que coração.

Uau! Ela parece muito gentil!

A verdade é que não gosto muito das pessoas.

— E nem elas de mim. — Mas por quê?

Com toda essa sua inteligência e charme.

Sério, John…

…a matemática…

…nunca o levará a uma verdade maior.

E sabe por quê?

Porque ela é chata. É muito chata.

Metade desses estudantes já publicou seus trabalhos.

Não posso perder tempo com essas aulas e esses livros.

Decorando suposições fracas de mortais inferiores!

Preciso pesquisar…

…as dinâmicas governantes.

Ter uma ideia realmente original.

É a única forma de me destacar.

— É a única forma de… — Ser importante.

Sim.

— Quem é o próximo? — Já joguei muito GO por hoje.

— Odeio esse jogo. — Covardes, todos vocês!

Ninguém à altura para me desafiar?

Vamos, Bender! Sol lavará a roupa do vencedor.

— Parece injusto? — De jeito nenhum.

Olhem para ele.

Dando meia volta?

Espero extrair um algoritmo que defina o movimento deles.

Psicótico.

Pensei que tinha desistido. Não vai mais às aulas?

As aulas entorpecerão sua mente.

Elas destroem o potencial para a autêntica criatividade.

Não sabia disso.

A genialidade dele nos surpreenderá.

O mesmo que dizer que ele não tem coragem para competir.

Está com medo?

Aterrorizado, mortificado, petrificado. Estupefato.

Sem goma. Passada e dobrada.

— Quero lhe perguntar uma coisa. — À vontade, Martin.

Bender e Sol completaram a tese de Allen sobre Peyrot.

Trabalho adequado, sem inovação.

— Estou lisonjeado, e você? — Lisonjeado.

O Depto. De Defesa está analisando meus 2 relatórios de armas.

Pura tolice.

E os trabalhos do Nash? Zero.

Sou paciente, Martin. Alguma pergunta séria?

E se você nunca tiver a sua ideia original?

Como será se eu for escolhido para o Wheeler, e não você?

E se você perder?

Você não devia ter ganhado.

Eu comecei. Minha jogada foi perfeita.

— Desculpa de perdedor. — A partida não valeu.

Senhores, o grande John Nash.

Está aqui há dois dias.

Sabia que Hansen publicou outro trabalho?

Não tenho nem tema para a tese.

Mas, por outro lado, inventou a arte em janela.

Isto é um grupo jogando touch football.

Isto, um bando de pombos disputando migalhas de pão.

Uma mulher atrás do homem que lhe roubou a bolsa.

John, você viu um roubo. É estranho.

Numa competição alguém sempre perde.

Minha sobrinha sabe disso e ela é deste tamanho.

Se eu pudesse obter um equilíbrio…

…que prevalecesse um evento não-singular…

…onde ninguém perdesse…

…imagine o efeito em cenários de conflito, de negociações de armas…

— Qual foi a última vez que comeu? — …de moedas.

Sabe, comida?

Você não respeita devaneio cognitivo.

Mas respeito imensamente pizza.

E cerveja, claro.

Eu respeito cerveja.

Eu respeito cerveja!

Quem está ganhando? Você ou você?

Boa noite, Nash.

Ela está olhando para você.

Neils está tentando chamar a sua atenção.

— Vá com Deus. — Volte como homem.

— A sorte favorece o bravo. — Use suas armas!

Devo lembrá-los que minhas chances de sucesso…

…aumentam dramaticamente a cada tentativa?

Isso vai ser clássico.

Talvez queira me pagar uma bebida.

Não sei exatamente o que devo dizer…

…para você ter relações comigo.

Podemos fingir que eu já disse tudo?

Estamos falando de troca de fluidos, certo?

Podemos ir direto ao sexo?

Isso foi muito gentil.

Tenha uma boa noite, babaca.

Senhoritas, esperem!

Gostei principalmente da parte da troca de fluidos.

Foi realmente encantador.

Venha comigo, John. Quero falar com você.

A faculdade está fazendo as deliberações de meio de ano.

Estamos decidindo quais pedidos apoiaremos.

Wheeler é a minha 1ª escolha. Não tenho uma 2ª escolha.

Seus amigos foram às aulas e publicaram os trabalhos.

— Ainda estou procurando… — Sua ideia original.

— Dinâmicas governantes. — Inteligente.

Mas temo não ser boa o bastante.

Obrigado.

Estou trabalhando em manifold embedding.

Minhas estratégias são promissoras.

Poderia conseguir outra reunião com o professor Einstein?

Pedi isso várias vezes a você. Poderei mostrar minhas revisões…

Vê o que estão fazendo ali?

— Parabéns, professor Max. — Obrigado, senhor.

As canetas.

Entregues a um membro do departamento…

…que realiza um grande feito.

O que você vê, John?

Reconhecimento.

Belo trabalho, professor.

Tente ver realização.

Você não se concentrou.

Sinto muito.

Mas, até este ponto, não garantiu nenhuma colocação.

Bom dia.

Meus cumprimentos, senhor.

Não consigo ver.

Jesus Cristo! John.

Não posso falhar. Isso é tudo o que sou.

Vamos sair.

Tenho que fazer uma coisa.

Chega de olhar para o espaço.

John, chega!

Vou olhar para a parede, como querem!

— Quer se machucar, tudo bem! — Ler os livros, ir às aulas!

Arrebente a cabeça! Se mate!

Vai, John!

Arrebente logo essa cabeça!

Arrebente essa cabeça que não serve para nada!

Droga, Charles, qual é o seu problema?

O problema não é meu.

E o problema não é seu.

O problema é deles.

Sua resposta não é "olhar para a parede".

Está lá fora, onde esteve trabalhando.

Era pesada.

Aquele Isaac Newton estava certo.

— Ele sabia das coisas. — Garoto esperto.

Não se preocupem, é minha. Vou pegá-la num minuto.

Meu Deus!

Chegaram, senhores.

Respirar fundo.

Nash, devia parar de mexer nos papéis por uns 5 segundos.

Não vou pagar cerveja para vocês.

Não viemos aqui pela cerveja, amigo.

Ela não devia se mover em câmera lenta?

Vai querer uma festa de casamento?

Espadas ou pistolas ao amanhecer?

Não lembrou de nada?

As aulas de Adam Smith, o pai da economia moderna.

"Numa competição, a ambição…"

"…individual serve ao bem comum."

— Exatamente! — Cada um por si, senhores.

E os que falharem ficarão com os amigos.

Não falharei.

Pode levá-la à fonte, mas não fazê-la beber.

— Ele não disse isso. — Ninguém se mexe.

Ela está olhando para cá. Para o Nash.

Pode estar com vantagem agora, mas espere até ele abrir a boca.

Lembram da última vez?

Entrou para a história.

— Adam Smith precisa ser revisto. — O que está dizendo?

Se formos todos atrás da loira…

…bloquearemos uns aos outros e nenhum de nós ficará com ela.

Vamos atrás das amigas dela.

Elas nos darão gelo. Ninguém gosta de ser a segunda opção.

E se ninguém for atrás da loira?

Não obstruiremos um ao outro e não insultaremos as outras.

É a única forma de vencermos.

É a única forma de transarmos.

Adam Smith disse que o melhor resultado se obtém…

…quando todos do grupo fazem o melhor para si?

Incompleto, incompleto.

Porque o melhor resultado virá…

…quando todos do grupo…

…fizerem o melhor para si e para o grupo.

Se tudo isso é para ficar com a loira, vá se danar!

Dinâmicas governantes, senhores.

Adam Smith estava errado.

— Pronto. — Cuidado!

Obrigado.

Percebe que isso contradiz 150 anos de teoria econômica?

Sim, senhor.

É bastante presunçoso, não acha?

Sim, senhor.

Bem, sr. Nash…

…com uma descoberta dessa magnitude…

…estou certo de que conseguirá a colocação que quiser.

O Wheeler Lab pedirá que sugira 2 colegas para a equipe.

— Stills e Frank são excelentes. — Sol e Bender, senhor.

Sol e Bender são matemáticos extraordinários.

Ocorreu-lhe que Sol e Bender têm outros planos?

Conseguimos!

Saúde, saúde, saúde.

Um momento constrangedor, senhores.

Dinâmicas governantes.

— Parabéns, John. — Obrigado.

Ao Wheeler!

PENTÁGONO, 1953

CINCO ANOS DEPOIS

General, o analista do Wheeler está aqui.

Dr. Nash, seu casaco. Obrigado.

Doutor.

Este é o líder da equipe do Wheeler, Dr. Nash.

— Fico feliz de ter vindo, doutor. — Olá.

Por aqui.

Interceptamos transmissões de rádio de Moscou.

Não detectamos um padrão, mas sei que é um código.

Por que, general?

Já teve a sensação de ter certeza de alguma coisa?

Constantemente.

Desenvolvemos várias cifras.

Gostaria de analisar os dados preliminares?

Doutor?

Preciso de um mapa.

46-13-0-8-67-46-9-0.

Starkey Corners, Maine.

48-0-3-0-1-91-26-35.

Prairie Portage, Minnesota.

São latitudes e longitudes.

Há pelo menos outras 10. Parecem rotas…

…para entrada nos Estados Unidos.

Extraordinário.

Senhores, daremos prosseguimento a isso.

Quem é o "Big Brother"?

Prestou um grande serviço ao seu país.

— Capitão? — Sim, senhor?

Acompanhe o Dr. Nash.

O que os russos estão transportando, general?

O capitão Rogers o acompanhará à área irrestrita. Obrigado.

Dr. Nash, siga-me, por favor.

— É o Dr. Nash. — Está bem.

LABORATÓRIOS DE DEFESA WHEELER CAMPUS DO MIT

— Obrigado. — Soube do sucesso no Pentágono.

Tiraram "confidencial" do dicionário?

O ar condicionado quebrou de novo.

Como salvarei o mundo se estou derretendo?

Estamos com você, John.

Duas idas ao Pentágono em 4 anos.

— O dobro de nós. — E vai ficar melhor, John.

A nossa nova tarefa cintilante.

Os russos têm a bomba H…

…os nazistas se repatriam na América do Sul…

…os chineses têm um exército de 2,8 milhões…

…e eu faço testes de durabilidade numa represa.

Você é capa da Fortune de novo!

Observe o uso de "você" em vez de "nós".

Era para ser só eu.

Me roubaram a Medalha de Matemática…

…e me colocaram na capa…

…com esses incompetentes.

Qual a diferença entre um gênio e alguém mais gênio?

Muita.

— Ele é cria sua. — Você tem 10 minutos.

Sempre tenho 10 minutos.

Antes de ir dar uma aula?

Posso arranjar uma dispensa com um doutor?

Você é um doutor, John, e… Não, não pode.

Sabe como funciona, entramos aqui e o MIT fica…

…com as grandes mentes de hoje ensinando as de amanhã.

Pobre coitados.

— Tenha um bom dia na escola. — A campainha está tocando.

As jovens mentes ansiosas de amanhã.

Podemos deixar uma aberta? Está muito quente.

Seu conforto vem depois de eu poder ouvir a minha própria voz.

Pessoalmente…

…acho que esta aula será um desperdício do seu…

…e o que é infinitamente pior…

…do meu tempo.

Entretanto, estamos aqui e podem vir ou não.

Façam os seus trabalhos se quiserem.

Começamos.

Senhorita.

Com licença! Com licença!

Temos um probleminha.

Está quente aqui com as janelas fechadas…

…e faz barulho se ficarem abertas.

Será que vocês poderiam…

…ir trabalhar em outro lugar por uns 45 minutos?

— Não tem problema! — Muito obrigada!

Vamos parar!

Como verão em cálculo multivariado, há sempre várias…

…soluções para todo tipo de problema.

Como estava dizendo, este problema aqui…

…ocupará alguns de vocês por alguns meses.

Outros aqui…

…levarão a vida toda para resolvê-lo.

Professor Nash.

William Parcher.

"Big Brother", ao seu dispor.

O que posso fazer pelo Departamento de Defesa?

Veio me dar um aumento?

Vamos dar uma volta.

— Excelente trabalho no Pentágono. — Sim, foi.

Oppenheimer dizia: "O gênio vê a resposta antes da pergunta".

Conheceu Oppenheimer?

Supervisionei o projeto dele.

Que projeto?

— Aquele projeto. — Não é assim tão simples.

Bem, você encerrou a guerra.

Incineramos 150 mil pessoas de uma vez.

Grandes feitos se realizam a grandes custos.

A convicção é um luxo só para os que estão de fora, sr. Nash.

Tentarei manter isso em mente.

Então, John, sem família e sem amigos íntimos.

Por quê?

Prefiro achar que sou um lobo solitário.

Mas, basicamente, é porque as pessoas não gostam de mim.

Há certas operações em que a falta de relacionamentos…

…seria considerada uma vantagem.

— É uma área de segurança. — Eles me conhecem.

Já esteve aqui?

Nos disseram que esses depósitos estavam abandonados.

Não é exatamente isso.

Vou lhe dizer algo que tornará o seu trabalho ultra-secreto.

Divulgação de informação de segurança pode resultar em prisão.

Entendeu?

Que operação?

PREPARADO POR SERVIÇOS DE ESTRATÉGIA

É uma boa ideia.

Essa fábrica é em Berlim. Confiscamos no final da guerra.

Os nazistas queriam construir uma bomba atômica portátil.

Os soviéticos chegaram antes de nós e a perdemos.

Aquelas rotas no Pentágono…

…tinham a ver com isso, não tinham?

Os soviéticos não são tão unidos.

Uma facção do Exército Vermelho, Novaya Svobga, a Nova Liberdade…

…tem o controle da bomba e pretende detoná-la nos EUA.

Planejam causar o máximo de baixas civis.

O homem é tão atroz quanto criativo.

A Nova Liberdade tem agentes secretos aqui nos Estados Unidos.

McCarthy é um idiota mas, infelizmente, isso não conta.

A Nova Liberdade se comunica com eles…

…através de códigos embutidos em jornais e revistas.

E é aí que você entra.

John, o que o distingue…

…é o fato de você ser simplesmente…

…o melhor decifrador de códigos que já vi.

O que, exatamente, gostaria que eu fizesse?

Decorar esta lista de periódicos.

Examinar cada nova edição e decifrar os códigos escondidos.

Apoie o queixo. Olhe para a luz.

Pulso 88. Regular.

Será um pouco incomodo.

Dói um pouco, não é?

Acabou de implantar um diodo de rádio.

Não se preocupe, é seguro.

O isótopo se desintegra como previsto.

E os números mudam de tempos em tempos.

Eles são o seu código de acesso ao lugar de entrega.

O que sou agora, um espião?

Entre.

Você deve ser realmente importante.

Tudo bem, Mike.

Em que está trabalhando?

Confidencial.

— Esperamos meia hora. — Pelo quê?

Aula.

Você não deu aula hoje.

Suspeito que ninguém sentiu a minha falta.

O problema que deixou no quadro…

…eu resolvi.

— Não resolveu. — Você nem olhou.

Campos vetoriais como funções racionais?

Sua solução é elegante…

…mas nesta ocasião particular…

…totalmente incorreta.

— Ainda está aqui. — Ainda estou aqui.

Por quê?

Professor Nash, será que posso…

…convidá-lo para jantar?

Você come, não é?

Ocasionalmente, sim, mesa para um.

Prometeus ficou acorrentado com uma águia à espreita, sabia?

Não, acho que não sabe.

Se deixar seu endereço no meu escritório…

Pego você na sexta, às 8, para jantar.

Mais uma coisa, tem nome ou a chamo de senhorita?

Governador.

Quero lhe apresentar…

Senhorita Alicia Larde.

— Como vai? — É um prazer.

O professor e o governador.

Espere, desculpe.

Quero uma cópia. Nosso primeiro grande evento.

Vocês, rapazes, têm que estar bem arrumados.

Apesar de não se preocuparem muito com isso.

Pronto.

Está melhor.

— Eu o surpreendi. — Continue surpreendendo-o.

Professor.

Deus deve ser um pintor.

Por que então haveria tantas cores?

Você é pintora?

Não foi bem isso o que eu disse.

Mas sou sim.

Ei, aqui.

Eu, a sua companhia.

Praticar interação e comportamento social.

É um projeto.

Champanhe seria maravilhoso.

Ficarei lá fora.

Pegarei o champanhe.

Obrigada.

Obrigado por isso.

Não. Guarde para você.

Acredito que decidir as coisas dá sorte.

Você acredita?

Não. Não acredito na sorte.

Mas acredito em designar valor às coisas.

Certa vez tentei contar todas elas.

Consegui chegar a 4.348.

Você é esquisita.

E você deve ser muito popular com as garotas.

Uma dupla de esquisitos.

Escolha uma forma.

O quê?

Escolha uma forma. Um animal. Qualquer coisa.

Está bem.

Um guarda-chuva.

Faça de novo.

— Faça de novo. — O que vai querer?

Faça um polvo.

"Confidencial"

Não é de falar muito, não é?

Não posso falar do meu trabalho.

Não precisa ser de trabalho.

Tentar ser mais sociável nas minhas interações…

…requer um esforço tremendo.

Tenho a tendência de acelerar o fluxo de…

…informações sendo direto.

O resultado não é muito agradável.

Tente comigo.

Está bem.

Acho você atraente.

Seu comportamento indica que é recíproco.

Mas o ritual pede várias atividades platônicas…

…antes de fazermos sexo.

Estou dando procedimento a elas.

Mas, na verdade…

…queria ter relações com você o mais rápido possível.

Vai me dar um tapa agora?

Como foi este resultado?

O que está fazendo?

Isolando padrões recorrentes em periódicos.

E você?

Diz coisas engraçadas.

Conheço você?

Titio diz que você é inteligente.

Mas não muito gentil. Não devo me importar se for mau comigo.

E quem é o seu tio?

O pródigo colega de quarto retorna.

Minha irmã morreu num acidente de carro.

Não vá para longe!

O marido estava muito bêbado para saber que não podia dirigir.

E eu a adotei.

Ela é muito pequena.

É assim que elas são, John.

Estou em Harvard fazendo o workshop do grande autor.

D.H. Lawrence.

Você devia comprar um livro novo.

Tenho lido muita coisa sobre você.

Como você está, John?

Meu trabalho aqui era trivial…

…mas apareceu uma nova tarefa e…

…não posso contar os detalhes. — Ultra-secreto? Espionagem?

Algo parecido.

E…

Sim?

Conheci uma garota.

— Uma garota humana? — Homo Sapien.

Um bípede?

Sim, e contra as probabilidades, ela me acha atraente em vários níveis.

Deus, isso é maravilhoso.

Gosto não se discute, não é?

Devo me casar com ela?

Deus. Claro.

Está tudo indo bem. Bom emprego, dinheiro suficiente.

As coisas estão fazendo sentido. Mas como ter certeza?

Não se tem certeza de nada.

Essa é a única certeza que tenho.

Não fique chateada. Estava no trabalho e perdi a hora…

…de novo.

Sinto muito.

Não tive tempo de embrulhar. Feliz aniversário.

As faces refrativas do vidro criam uma onda de dispersão…

…e se olhar lá dentro verá… — Todas as cores possíveis.

Não disse que Deus deve ser um pintor por causa das cores?

Foi lá na casa do governador.

Achei que não estava ouvindo.

Estou sempre ouvindo.

É lindo.

Nossa relação significa um compromisso longo?

Preciso de uma prova, de algum dado autêntico, empírico.

Desculpe. Me dê apenas um momento para…

…redefinir as minhas noções infantis de romance.

Uma prova? Um dado autêntico.

Bem, qual o tamanho do universo?

Infinito.

Como você sabe?

— Porque os dados indicam. — Mas não foi provado.

Você não viu. Como pode ter certeza?

Não tenho, apenas acredito.

É a mesma coisa com o amor.

Agora, o que você não sabe…

…é se eu quero casar com você.

Sorriam para a câmera!

Muito bem!

— Filhinha, eu te amo. — Parabéns.

Você está linda!

Como vai?

— Boa viagem! — Tchau!

Se cuide!

CAMBRIDGE, MA OUTUBRO DE 1954

Entre, depressa!

Estão nos seguindo.

Quem está nos seguindo?

A entrega foi comprometida.

Abaixe-se! Fique abaixado.

— Pegue. — Não vou atirar em ninguém.

Pegue o revólver!

Filho da…

Fique aí, não se mexa.

Onde estava?

— Sol… — Sim, eu falei com o Sol.

Disse que você saiu do escritório há horas.

Por que não me ligou?

Você está bem?

Querido.

Fale comigo. Me diga o que houve.

Abra a porta.

Ande, me deixe entrar!

Fale comigo!

Abra a porta!

Cuidado com os carros, crianças!

William.

Não foi isso que aceitei. Sempre que um escapamento estoura…

— …ou bate uma porta… — Compreendo.

Mais do que possa imaginar.

Precisa se acalmar.

Ouça. Estamos quase localizando a bomba…

…graças ao seu trabalho.

Seu medo não é um preço pequeno a pagar?

William, minhas circunstâncias mudaram. Alicia está grávida.

Avisei que relacionamentos eram perigosos.

Você quis casar com a garota. Não fiz nada para impedir.

A melhor forma de garantir a segurança de todos…

…é continuar o seu trabalho.

— Vou desistir. — Não vai não.

E por que não?

Sou eu que mantenho os russos longe de você.

Se não trabalhar para mim, não trabalho para você.

Parcher! Parcher!

John, você está bem?

Apague! Apague a luz!

Por que fez isso?

— Por que acendeu a luz? — O que você tem?

Tem que ir para a casa da sua irmã.

Deixei o carro lá atrás. Vá pela estrada principal.

— Fique onde tiver gente. — Não vou a lugar nenhum.

Quando chegar, espere eu ligar.

— Não vou. — Pegue as suas coisas.

Pare! Pare!

Por favor, Alicia…

…explicarei quando puder.

UNIVERSIDADE DE HARVARD CONFERÊNCIA NACIONAL DE MATEMÁTICA

Tio John! Tio John!

Menininha!

Alguém precisava de um abraço!

Vi seu nome na lista e pensei:

"Não posso perder a palestra do inimitável John Nash".

O que foi?

Me meti numa coisa e preciso de ajuda.

Me conte. O que é?

Professor Nash…

…seja bem-vindo!

Depois?

Vemos que o zero da função zeta de Riemann…

…corresponde a singularidades no espaço-tempo…

…singularidades no espaço-tempo…

…e a teoria dos números…

…é falha face à exploração relativista.

Às vezes, nossas expectativas são traídas pelos números.

Às variáveis é impossível associar algum valor racional.

Professor Nash!

Pare!

Professor Nash…

…vamos evitar uma cena, está bem?

O que você quer?

Meu nome é Rosen.

— Dr. Rosen. Sou psiquiatra. — Desculpe não parecer convicto.

Quero que me acompanhe, John.

Apenas para conversarmos.

Parece que não tenho escolha.

Me ajudem! Socorro!

Socorro! Me ajudem!

Me larguem!

Sei quem você é! Sei quem você é!

— Não sabe. — Charles, eles são russos!

Chame alguém, Charles.

— Eles são russos! — Segure a perna.

Afaste-se de mim. Fique longe de mim!

Pronto, agora.

Assim está melhor.

Está tudo bem aqui.

Pode me ouvir?

Acalme-se agora.

O Thorazine demora um pouco para perder o efeito.

Desculpe ter que imobilizá-lo.

Você tem uma direita poderosa.

Onde estou?

Hospital Psiquiátrico MacArthur.

Acho bastante improvável.

Cometeu um engano.

Meu trabalho é de aplicação não-militar.

Que trabalho, John?

— Não sei de nada. — Não é bom guardar segredos.

Não queria envolvê-lo.

Sinto muito.

O pródigo colega de quarto se revelou!

Viu o meu nome na lista de palestrantes? Seu mentiroso!

Com quem está falando? Quem você vê?

Como se diz Charles Herman em russo?

Não há ninguém ali, John. Não há ninguém ali.

Ele está bem ali. Ele está bem ali.

Pare. Não sei de nada. Pare!

Não sei de nada.

Meu nome é John Nash. Estou aqui contra a minha vontade!

Liguem para o Departamento de Defesa!

Meu nome é John Nash. Estou aqui contra a minha vontade!

O que ele tem?

John tem esquizofrenia.

Pessoas com essa desordem geralmente são paranoicas.

Mas é o trabalho dele. Lida com conspirações, então…

Sim, eu sei.

No mundo do John, esses comportamentos são aceitos…

…encorajados.

E por isso a doença passou desapercebida por muito tempo.

Como assim? Quanto tempo?

Possivelmente, desde a faculdade.

Parece que foi quando as alucinações começaram.

Que está dizendo? Que alucinações?

De pelo menos uma, eu sei.

Um colega imaginário chamado Charles Herman.

Charles não é imaginário. Eles são amigos desde Princeton.

Conheceu Charles? Ele já foi alguma vez jantar com vocês?

Fica sempre pouco tempo na cidade.

— Ele foi ao seu casamento? — Estava lecionando.

Tem foto dele? Se falaram por telefone?

Isso é ridículo.

Liguei para Princeton.

Conforme os registros, John morava sozinho.

O que é mais provável? Seu marido…

…um matemático sem treinamento militar…

…ser um espião, fugindo dos russos…

Assim ele parece um louco.

…ou ter perdido a noção da realidade?

A única forma de ajudá-lo é mostrar a diferença…

…entre o que é real e o que está na mente dele.

Por favor.

Em que ele tem trabalhado?

O trabalho dele é confidencial.

Ele mencionou um supervisor de nome Wiliam Parcher.

Talvez o sr. Parcher possa nos esclarecer.

Mas não posso chegar a ele sem autorização.

Quer detalhes do trabalho do meu marido?

John acha que sou espião russo. É isso o que você acha?

— O que o médico disse? — Ele está doente?

Não sei.

Quero ver em que trabalhava.

— Não pode entrar no escritório. — É confidencial. Pare.

Meu Deus!

Meu Deus!

Por que não me contaram?

Alicia, John sempre foi meio esquisito.

Dizia que decifrava códigos, que era informação restrita.

— Ultra-secreto, tarefa militar. — E era?

É possível.

As ordens chegam sem muita explicação.

— Era possível. — Possível, mas não provável.

Depois se tornou mais agitado e quando você ligou…

É isso o que ele fazia todos os dias? Cortar revistas?

Bem, não era só isso.

— Sinto muito. — Tudo bem.

— Senti saudade. — Senti saudade.

Tenho que lhe falar.

Alicia, andei pensando sobre isto.

E percebi que o meu comportamento…

…e a minha incapacidade de discutir a situação com você…

…devem ter parecidos insanos.

Não lhe dei outra opção.

— Entendo e sinto muito. — Tudo bem.

Vai ficar tudo bem.

Vai ficar tudo bem.

Só temos que falar baixinho.

Eles podem estar ouvindo. Pode haver microfones.

Contarei tudo agora a você.

É uma quebra de protocolo, mas precisa saber.

Porque precisa me ajudar a sair daqui.

Eu fazia um trabalho ultra-secreto para o governo.

Há uma ameaça de proporções catastróficas.

Os russos acham que sou muito valioso.

É por isso que não acabam comigo.

Me mantêm aqui para me afastar do meu trabalho.

— Vá ao Wheeler. — Pare.

Ache William Parcher. Ele pode nos ajudar.

Pare!

— Fui ao Wheeler. — Ótimo, ótimo.

William Parcher não existe.

— Existe, trabalhava com ele. — Em quê?

Decifrando códigos?

Deixando pacotes numa caixa de correio secreta do governo?

— Como sabe disso? — Sol seguiu você.

— Achou inofensivo. — Sol me seguiu?

Nunca foram abertos.

Não é real.

Não existe conspiração, John.

Não existe nenhum William Parcher.

Só na sua mente.

Você compreende, amor?

Você está doente.

Você está doente, John.

Código Vermelho. Dr. Rosen. Sala de Observação 2.

Dr. Rosen. Código Vermelho. Sala de Observação 2.

O implante saiu.

Não consigo encontrar.

Saiu.

O pesadelo da esquizofrenia…

…é não saber o que é verdadeiro.

Imagine de repente descobrir que as pessoas…

…e os lugares e os momentos mais importantes para você…

…não se foram nem morreram, mas pior:

Nunca aconteceram.

Que espécie de inferno seria?

Administrando insulina.

8:42 da manhã.

Quantas vezes?

5 vezes na semana durante 10 semanas.

UNIVERSIDADE DE PRINCETON 1 ANO DEPOIS

John sempre falou com carinho de Princeton.

— Hansen dirige o depto. Agora. — Vive nos lembrando disso.

John não chegará perto do campus. Acho que tem vergonha.

Quer isto?

Como está se virando?

As ilusões passaram.

Dizem que com a medicação e menos estresse…

Como você está?

Frequentemente, o que sinto…

…é obrigação.

Ou culpa de desejar ir embora.

Raiva contra o John, contra Deus.

Mas…

…depois olho para ele…

…e me forço a ver o homem com quem casei.

E ele se transforma nesse homem. Se transforma…

…em alguém que eu amo.

E eu me transformo em alguém que o ama.

Não é assim o tempo todo, mas…

…é o bastante.

Acho que John é um homem de muita sorte, Alicia.

Pouca sorte.

— Moramos aqui. — É mesmo? É bonita.

É perto de onde trabalho.

John, tem visita.

Espero que goste.

Oi, chefe.

Cigarro?

Não, obrigado. Parei.

Conhece o Harvey?

Não tem…

Não há graça em ser louco se não se divertir.

Jesus Cristo! Devia ter percebido.

Tome.

— Tomo mais tarde. — Tem que tomar agora.

— Quer alguma coisa? — Estou bem.

Estava na cidade fazendo um workshop.

Volto hoje à noite.

Bender queria muito vir aqui…

…vê-lo e cumprimentá-lo.

Escrupuloso.

Eu também seria, mas estou preso a mim mesmo.

Estou tentando resolver a Hipótese de Riemann.

Acho que se eu os impressionar…

…terão que me aceitar de volta.

Mas é difícil com a medicação porque…

…é complicado…

…ver a solução.

Devia ir devagar.

Há outras coisas além do trabalho.

O quê?

O que está pensando?

O que as pessoas fazem?

É a vida, John. As atividades estão disponíveis.

É só acrescentar significado.

Podia tentar sair de casa.

Talvez…

…conversar com as pessoas.

Podia levar o lixo para fora.

Isso é um momento de sorte…

…cheguei no instante em que você está aqui.

E tem mais aqui também.

Com quem estava falando?

Com o lixeiro.

Os lixeiros não vêm à noite.

Por estes lados, vêm sim.

Me desculpe.

É a medicação?

Não sei o que fazer.

Mamãe ficará mais um pouco com o bebê hoje.

Farei 3 horas extras.

Vou para a cama.

— Boa noite. — Boa noite.

É bom ver você, John.

Faz tempo.

Parcher?

Sim, senhor.

— Você não é real! — Claro que sou. Não seja ridículo.

Eu não iria por aí.

Está na hora de voltar ao trabalho.

A bomba está na posição final aqui nos Estados Unidos.

Sabendo que a sua situação pede discrição, Maomé…

…trouxemos a montanha até você.

Já sabemos que a bomba está em algum lugar na costa Leste.

Mas não delimitamos sua posição exata.

Os códigos deles se tornaram muito complexos.

Veja isto.

O que foi? O que foi?

— O Dr. Rosen disse… — Rosen! Charlatão!

Visão esquizofrênica da realidade? Baboseira psicológica.

Olhe para mim, John. Olhe para mim.

Parece que sou imaginário?

— Wheeler não tem o seu registro. — Nosso pessoal não é listado.

Desculpe ter passado por tudo isso.

Lutei muito para trazê-lo de volta.

Reaverá o seu status no Wheeler. O mundo saberá o que você fez.

Preciso de você agora, soldado.

Tive medo de você não ser real.

PRINCETON, NOVA JERSEY ABRIL DE 1956

Uma tempestade se aproxima. Vou recolher a roupa.

Darei banho nele.

Tudo bem.

Falta pouco! Charles, olhe o bebê.

Falta mais uma para fechar.

— Já vou aí. — Deus!

Preciso de uma toalha!

Charles estava olhando.

Não tem ninguém aqui. Coitadinho.

Charles estava olhando. Tomou o soro da invisibilidade.

Posso vê-lo por causa da química lançada…

…na minha corrente sanguínea quando o implante se dissolveu.

Não lhe contei para a sua proteção.

Consultório do Dr. Rosen.

Precisa detê-la.

Deixe-a fora disto.

— Com quem está falando? — Não é culpa dela.

— Ela nos comprometerá de novo. — Não.

Voltará para o hospital.

— Responda! — Muitas pessoas morrerão.

— Desligue o telefone. — Não deixarei que aconteça.

Preciso falar com o Dr. Rosen. Ele está?

Desculpe.

— Sabe o que fazer. — Afaste-se.

— Ela é um grande risco. — Afaste-se!

Não quis machucá-la.

Acabe com ela. Ela sabe muito agora.

Tio John?

Cuide dela, seu patético, ou eu vou cuidar de você.

Por Cristo, John, faça o que ele diz.

Mexa-se, soldado. Agora.

Tio John?

Por favor!

Agora.

Charles está olhando para ela.

Compreendo.

Ela nunca envelhece.

Marcee não pode ser real. Ela nunca envelhece.

Está vendo eles agora?

Por que parou a medicação?

Não conseguia fazer meu trabalho nem ajudar com o neném.

Não conseguia…

…corresponder à minha mulher.

Isso é melhor do que ser louco?

Terá doses maiores de choques de insulina e uma nova medicação.

— Tem que haver outro jeito. — A esquizofrenia é degenerativa.

Uns dias sem sintomas, mas com o tempo ficará pior.

É um problema. Só isso.

Um problema sem solução.

Eu resolvo problemas. É o que faço bem.

Não é matemática. Não pode criar uma fórmula…

…para enfrentar o mundo.

— Ajustarei a minha mente. — Não há teorema nem prova.

— Não pode racionalizar isto. — Por que não?

Por que o seu pensamento ocorre onde há o problema.

Posso fazer isso.

Posso sair dessa. Só preciso de tempo.

É o bebê?

O bebê está na casa da minha mãe.

Sem tratamento, as fantasias podem dominar…

…inteiramente.

Está pronto?

Rosen está esperando lá fora.

Não posso voltar ao hospital.

Não retornaria mais para casa.

Ele disse que se você falasse isso…

…eu assinaria uns papéis para interná-lo.

Talvez não os assine.

Talvez me dê um pouco de tempo.

Tentarei dar um jeito nisso.

Faça você o que fizer…

…Rosen tem razão sobre uma coisa.

Você não devia ficar aqui.

Não sou confiável.

Você me machucaria?

Não sei.

Devia deixar o dr. Rosen levá-la à casa da sua mãe.

Ele me disse para ir embora.

Alicia, nunca ninguém se livrou da esquizofrenia só por querer.

— John pode ser perigoso. — Entendo.

Rosen disse para ligar se você tentar me matar.

Quer saber o que é real?

Isto.

Isto.

Isto.

Isto é real.

Talvez a parte que sabe que acordou de um sonho…

…não esteja aqui.

Talvez esteja aqui.

Preciso acreditar que algo extraordinário é possível.

UNIVERSIDADE DE PRINCETON 2 MESES DEPOIS

Entre.

Olá, Martin.

Jesus Cristo!

Não.

Meu complexo de grandeza adquire uma forma bem diferente da dele.

Soube o que aconteceu e…

…quis escrever, mas você já tinha saído do MacArthur.

Esta era a sala do Helinger.

Sim, roubei dele.

Parece que finalmente venceu.

Eles estavam errados. Ninguém ganha.

Por favor, sente-se.

Deus! É muito bom ver você.

O que o traz a Princeton?

Precisa dizer a ele. Diga a ele que você é um gênio!

Diga que o seu trabalho é crítico.

Há alguma chance de você ignorar o que eu fiz?

Claro. Para que servem os amigos?

É isso o que somos? Amigos?

John, claro.

Claro, sempre fomos.

Alicia e eu achamos que…

…participar de uma comunidade…

…pode fazer bem.

Que um certo nível de relacionamento…

…lugares e pessoas familiares…

…podem ajudar…

…a dispensar essas…

…certas ilusões que eu tenho.

É pedir muito e agora que estou aqui…

…estou quase certo de que dirá não.

Será que eu poderia andar por aí?

Vai precisar de uma sala?

Não, poderia trabalhar na biblioteca.

Ele queria ficar na biblioteca, mas não tinha identificação.

— Não se pode mais ler memorandos? — E depois enlouqueceu.

Você não é real! Não há missão alguma!

Droga! Droga!

Não é real! Você não é real!

É isso que você é, soldado? Um demônio inútil, o louco local?

— Não sou soldado. — Acabará numa cela.

— Velho, inútil, rejeitado. — Não há missão alguma.

Enquanto fica aí babando, o mundo vai virar cinzas!

Você não é real!

Ainda está falando comigo.

Não há missão alguma! Não sou soldado!

Tudo bem. Soube o que aconteceu. Sinto muito.

Não sou soldado.

Você está bem.

Senhoras e senhores, o grande John Nash!

Devia ter visto o rosto deles.

Ficaram de olhos arregalados.

Você sabe que o estresse desencadeia as ilusões.

Eu sei.

E no caminho de casa…

…lá estava o Charles.

Às vezes, sinto falta de falar com ele.

Rosen deve estar certo.

Devo pensar na ideia de voltar para o hospital.

Venha aqui.

Tente de novo amanhã.

John, não pode me ignorar para sempre.

Charles, você foi um grande amigo. O melhor.

Mas não falarei com você de novo.

Não posso.

Com você também, menininha.

Adeus.

Adeus.

Será que eu podia ser ouvinte do seu curso?

É uma honra, professor Nash.

Algo errado?

Será a minha primeira aula.

Bom dia…

…jovens mentes ansiosas.

Isso não dará certo. Está se humilhando.

É patético.

Está sendo patético. Sinto vergonha de você.

Está pronto? Vai se atrasar.

— Pai, pegou o meu livro. — O quê?

Você pegou o meu livro.

— Tem razão. — Obrigado.

Vejo-o à noite.

Tchau, querido.

UNIVERSIDADE DE PRINCETON OUTUBRO DE 1978

— Resolveu a Riemann? — O que você acha?

É um análogo de Frobenius para extensões não-comutativas.

Sim, é.

Mas parece que só funciona esporadicamente, então não.

Mas acho que estou progredindo.

Você é…

…John Nash, certo?

— Toby Kelly. — Olá.

Estudo o seu Equilíbrio. O que escreveu em Princeton.

Quero ter uma ideia original, como você.

Eu era jovem.

Estou desenvolvendo uma teoria.

Acho que posso provar que as extensões de Galois são espaços de cobertura.

Que tudo está conectado. Tudo é parte do mesmo assunto.

— Quanto tempo faz que comeu? — O que disse?

Sabe, comida.

Minha mulher adora maionese.

Obrigado.

Continue.

A função é de duas categorias.

…se encontrando em velocidade máxima, digamos de 16 km/h.

Tem um mosca no pneu da bicicleta B…

…e a mosca que pode viajar a 32 km/h…

…sai da bicicleta B e voa para a bicicleta A…

…e vice-versa até as 2 bicicletas colidirem…

…e a coitadinha da mosca ser esmagada.

Por isso é que é importante se concentrar…

…e compreender a área que está lidando.

A matemática é específica e é uma forma de arte…

…apesar do que lhes dirão por aqui.

Principalmente o pessoal da biologia.

Voltemos ao que estavam fazendo. Vou roubar isso…

…escrever um livro e ser famoso.

Estava pensando em lecionar.

Uma sala com 50 alunos intimida qualquer um.

Além disso, você é horrível como professor.

É só me acostumar, Martin.

Esperava poder contribuir em alguma coisa.

E quanto aos… bem, você sabe.

Eles foram embora?

Não foram e talvez nunca irão.

Mas me acostumei a ignorá-los e eles acabaram desistindo de mim.

Acha que é assim com todos os nossos sonhos e pesadelos?

Tem que alimentá-los para ficarem vivos?

Mas, John, eles o assombram.

São o meu passado. O passado assombra a todos.

— Bem, até logo. — Falarei com o departamento.

Talvez na primavera.

Oi, Nash.

Está com medo?

Aterrorizado. Mortificado.

Petrificado. Estupefato.

Você tem que ligar para Alicia…

…senão terei problemas. — Ligarei.

— Obrigada, professor. — Tchau.

Tenha um bom dia.

UNIVERSIDADE DE PRINCETON MARÇO DE 1994

— Traga o seu trabalho, sr. Beyer. — Professor Nash?

— Você o vê? — Sim.

Tem certeza? Ele está no seu campo de visão?

— Sim. — Está bem. Ótimo.

Desculpe. Suspeito de gente nova.

— Até a semana que vem. — Até.

Agora que sei que é real, quem é você e como posso ajudá-lo?

— Meu nome é Thomas King. — Thomas King.

Vim lhe dizer que está sendo considerado para o Prêmio Nobel.

Me desculpe, estou meio perplexo.

Nos últimos anos o seu Equilíbrio se tornou a base da economia moderna.

De repente todo mundo gosta disso.

E o meu trabalho em outros projetos como manifold embedding?

A aplicação do seu problema de negociação…

…às licitações de banda larga da FCC ou casos de antitruste…

— Casos de antitruste? — Sim.

Nunca teria considerado isso.

Será que cheguei a um nível de honestidade que beira a estupidez?

Não, não chegou.

Porque eu não pensei nisso.

Vamos tomar um chá?

Não entro aí. Geralmente como o meu sanduíche na biblioteca.

Venha, vamos tomar um chá. É um grande dia.

A maioria das marcas de chá não convêm ao meu paladar.

Há alguns chás do Norte da Índia bastante densos…

…e gosto do sabor deles.

Não venho aqui há muitos anos. Qual será o chá que servem?

Obrigado, mocinha.

As coisas mudaram por aqui. Tenho um filho dessa idade.

Harvard.

Pensei que as indicações ao Nobel eram secretas.

Que só descobriam quando ganhavam ou perdiam.

Geralmente é assim, mas esta é uma circunstância especial.

Os prêmios são substanciais.

Proveem de fundos particulares. E por isso…

…a imagem do Nobel é…

Entendo. Veio aqui para saber se sou maluco.

Se daria vexame caso ganhasse.

Como dançar nu no palco, cantar feito galinha. Coisas do tipo.

Alguma coisa do gênero, sim.

Se eu o constrangeria?

Sim, é possível.

Sabe…

…eu sou maluco.

Tomo as mais novas medicações.

Mas ainda vejo coisas que não estão aqui.

Apenas decidi não lhes dar atenção.

Como uma dieta para a mente. Decidi não favorecer certos apetites.

Como o meu apetite por padrões.

Talvez o meu apetite para imaginar e sonhar.

Professor Nash.

É bom tê-lo aqui, John.

Está bem.

É uma honra, senhor.

Muito obrigado.

É um privilégio, professor.

Professor.

Muito bom.

Obrigado.

Obrigado.

Obrigado, Ed.

Isso foi totalmente inesperado.

CERIMÔNIA DO PRÊMIO NOBEL ESTOCOLOMO, DEZEMBRO DE 1994

Obrigado.

Sempre acreditei nos números.

Nas equações e na lógica que leva à razão.

E após uma vida toda de buscas…

…pergunto: O que realmente é a lógica?

Quem decide a razão?

Minha procura me levou através do físico…

…do metafísico…

…do ilusório…

…e de volta.

E fiz a descoberta mais importante da minha carreira.

A descoberta mais importante da minha vida.

É somente nas misteriosas equações do amor que…

…qualquer lógica ou razão pode ser encontrada.

Só estou aqui esta noite por sua causa.

Você é a razão de eu existir.

Você é todas as minhas razões.

Obrigado.

Foi um prazer conhecê-los.

Vou pedir o carro, pai.

Está pronto para ir?

Sim, estou. Claro, sim, por favor.

Muito obrigada.

Obrigada.

O que foi? Qual o problema?

Nada.

Não é nada.

Venha comigo, mocinha.

— Estou de carro. Quer carona? — Para onde?

AS TEORIAS DE NASH INFLUENCIARAM O COMÉRCIO MUNDIAL,

AS RELAÇÕES TRABALHISTAS NACIONAIS E, ATÉ MESMO,

OS AVANÇOS NA BIOLOGIA EVOLUTIVA.

JOHN E ALICIA NASH MORAM EM PRINCETON, NOVA JERSEY.

JOHN TRABALHA REGULARMENTE NO DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA.

ELE CAMINHA ATÉ O CAMPUS TODOS OS DIAS.

Por Damásio: Os melhores filmes!

LENORÊIXIPS

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