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Zulu
Embora esta hist�ria se baseie em factos reais,
certas personagens, eventos e di�logos foram ficcionalizados ou inventados
para efeitos de dramatiza��o.
O epis�dio que est�o prestes a ver cont�m acontecimentos, personagens
e momentos hist�ricos dif�ceis de descrever por ordem cronol�gica.
Entre 1989 e 1990, Menem era presidente e precisava de angariar dinheiro.
Convidamo-lo a relaxar e evitar an�lises do g�nero: "Isso foi mais tarde",
"Essa pessoa n�o era assim" ou: "Isso n�o aconteceu."
Lembre-se de que est� a assistir a fic��o. Cumprimentos, a produ��o de Menem.
A s�rio, as pessoas nem imaginam
RESID�NCIA PRESIDENCIAL
o estado do pa�s em 1989, quando c� cheg�mos.
Bem...
Um aplauso para o assador.
Ent�o, malta,
privatizamos ou vamos � fal�ncia?
Voc�s decidem.
PRIVATIZAR - P�R NA M�O DE PRIVADOS AS EMPRESAS ESTATAIS
Como assim privatizar, Sr. Presidente?
FITO LASTELLA - L�DER SINDICAL L�DER DE FA��O NO CONGRESSO
O PACOTE COMPLETO
N�o quero entrar em pormenores t�cnicos.
V�o aborrec�-lo, Fito. Podemos falar � sobre a forma de o fazer.
Mas preciso que me acompanhe.
Comecemos com a ENTel.
ENTel. Pessoas que trabalham para o ajudar a comunicar melhor.
ENTEL - ESTATAL POR ENQUANTO
� uma excelente ideia, Carlos.
De loucos, n�o �? Na �poca do Alfons�n, acab�mos com as privatiza��es.
E agora estamos a promov�-las.
Vai p�r dinheiro do seu bolso, Fito?
Para privatizar precisamos de uma lei de reforma do estado, e n�o t�m o meu voto.
LEI DE REFORMA AUTORIZA O PRESIDENTE A PRIVATIZAR AS EMPRESAS ESTATAIS
N�s, peronistas
Cantem. Privatizem.
E logo a ENTel, que d� lucro.
-Vamos. -Fito, cobarde.
N�o v�o, malta.
-Venha c�, Fito. -Larguem-no.
V�o-se lixar, idiotas.
S� falam sobre o que est� bem e o que est� mal.
Quando as batatas se queimam,
mandam l� outro para apagar o fogo.
N�o me vou queimar com as batatas.
Se ganha apoio, vamos ter problemas. Ficam a faltar-nos votos.
Precisamos dos gorilas da UCEDE do nosso lado.
-T�m pelo menos 12 assentos. -Excelente ideia, Carlos.
Estes s�o os tipos da UCEDE,
um partido de direita liderado por �lvaro Alsogaray.
�LVARO ALSOGARAY: L�DER DA UCEDE - LIBERAL ORTODOXO, ANTIPERONISTA AC�RRIMO - 76 ANOS
Um tipo jeitoso.
O �lvaro Alsogaray?
Porque n�o perguntamos a uma das tuas bruxas o que temos de fazer?
-Sabes porque n�o perguntamos? -N�o.
Porque � para isso que vos pago, Silvio.
Qual bruxa, precisamos � de um feiticeiro para convencer o Alsogaray.
Temos de arranjar outra forma.
Por falar em bruxas...
E se abordarmos a filha dele?
Espero que o presidente esteja � altura do seu momento hist�rico.
Sabe como se diz "Estado" na Argentina? "D�fice", Sr. Menem.
MENEM: THE PRESIDENT SHOW
CONGRESSO NACIONAL
VOTA��O - LEI DE REFORMA DO ESTADO
Carlos.
OU SEJA, PRIVATIZAR
Estamos em desvantagem.
Sem o voto do Fito e dos homens dele,
estamos tramados. O que fazemos?
Nasceste para sofrer, Ariel.
Est�-te no sangue. Relaxa, irm�o.
Precisamos de algo. N�o sei. Uma t�bua de salva��o, algo.
Precisamos � de um milagre.
-Eu digo "truco". -O qu�?
Eu disse "truco", Pablo.
TRUCO - JOGO DE CARTAS BASEADO NO ENGANO GANHA O QUE MELHOR ENGANA O RIVAL.
Eu digo "re-truco".
SINAL - INDICA A OUTRO JOGADOR AS CARTAS QUE TENS.
Julgas-te muito esperto, Pablo?
Quero o "re-truco"!
CARTA BAIXA EST� A MENTIR
Quero "vale quatro".
CARTA M�DIA
Deputados.
Deputados, vamos votar
o projeto de lei 23696
sobre a emerg�ncia administrativa,
privatiza��es e participa��o de capital privado.
Por favor, exer�am os vossos votos.
OPOSI��O UCEDE
Raios partam, olha para aquilo.
Deputados da UCEDE, por favor.
Deputados da UCEDE,
por favor, votem.
Deputados da UCEDE. Deputados.
N�o. Desisto.
Perdeste. V�. Queres a desforra, Pablo?
Deputados da UCEDE, por favor, votem.
Deputados.
UMA SEMANA ANTES
Por aqui, por favor.
Fa�a favor.
-Hole-in-one. -Devo voltar mais tarde?
Ent�o,
tamb�m faz exerc�cio ou � gen�tica pura?
Suspeito que herdei
o vigor muscular do sangue basco do meu pai.
-Bem como o car�ter, claro. -Voc� � que o disse.
-Posso trat�-la por tu? -Claro.
Com uma condi��o.
-Qual? -Que eu possa fazer o mesmo.
J� chega ter de falar formalmente com os velhos jarretas do meu partido.
Imaginava-te mais tradicional.
-Gosto de surpreender. -Eu tamb�m. Adoro.
Ando a pensar em privatizar a ENTel.
Os telefones neste pa�s s�o uma desgra�a.
O Estado neste pa�s � uma desgra�a.
No entanto,
vais ter de encontrar a pessoa certa.
N�o �s tu?
O que ganho com isso?
Deixarias de ser "a filha de".
Deputados da UCEDE, podem votar, por favor.
Deputados.
Deputados da UCEDE, por favor, votem.
Registamos ent�o uma maioria afirmativa.
Foi uma boa jogada.
� assim mesmo.
O projeto de lei 23696 foi aprovado.
Olha.
Fito. Toma l� disto.
Toma l� disto, Fito.
Acho que estou apanhado por ela.
V� l� se percebes.
-O qu�? -Eles disseram C-5,
-mas n�o encontro a p�gina. -Tens de encontrar a letra e o n�mero.
Aqui. Pra�a de San Mart�n em Retiro.
-Subiram na vida. -Mudaram-se para um bairro chique.
Escutem-no s�. J� conheces a capital para saber onde s�o as zonas chiques?
Ser� que os vizinhos os aturam? S�o t�o ordin�rios.
Bom, vamos l�.
-Vens, Miguel? -� o m�nimo que podemos fazer.
� o padrinho dele.
-E apoia-nos muito. -Sim, tens raz�o.
S� uma coisa, Miguel. N�o armes confus�o.
N�o comeces com os teus coment�rios esquerdistas que ofendem todos.
Comporta-te como um ser humano normal e educado.
N�o quero ouvir qualquer coment�rio sobre a casa, a Estela ou as roupas da Ayala.
Entendido.
-E aten��o ao �lcool. -A chave est� aqui. Vamos.
� o meu padrinho. Porto-me bem.
-Ol�. -Bem-vindos. Entrem.
-Boa tarde. -Bela porta.
-Isto � um pal�cio. -Comporta-te.
-Bem-vindos. -� grande como um convento.
-Vejam-me s� esta casa. -Ol�.
-Olha para isto. -Os bombons que prometi.
Obrigada.
-Que loucura. -Muito bem.
-Padrinho. -Olha s�.
Sabem o que se v� daqui?
-O rio? -Anillaco.
Anda, eu mostro-te o quarto de vestir.
-Ent�o, irm�o, queres beber algo? -Est� bem, obrigado.
-N�o pagas muito em contas? -N�o.
A casa de banho deve ser incr�vel.
� por aqui?
-O que foi? -N�o te fa�as de parvo.
S� vou � casa de banho.
-Volto j�. -Est� muito bonita.
-Foi dif�cil c� chegar? -N�o.
Vimos no mapa. Foi um instantinho.
Olha-me s� este quarto de vestir.
E tenho tudo � m�o.
O que � isto?
Comprei-o gra�as a ti, Amanda. Disseste-me que estava na moda.
Sabes, Estelita? Estou a fazer um novo vestido-camisola que te ia ficar bem.
Tem uns chuma�os bem altos para ocultar o pesco�o curto.
Sabes, Amanda?
Tens m�o para isto. Deus deu-te um dom.
Devias criar a tua pr�pria marca.
Seria um sonho. Mas com as coisas como est�o, � imposs�vel.
As coisas come�am a mudar, acredita.
Os sonhos n�o passam disso, mas aqui tornam-se realidade.
Sa�de.
Escuta. O Carlos disse-me que quer dar-te um aumento.
Mas quer pagar-te por fora.
-Por fora? -Por fora.
-Claro. Por fora. -Sim.
Quer evitar que comentem e que o resto do pessoal fique com inveja.
Sim, eu compreendo. Sim, claro.
Faremos assim por fora.
Tens passaporte?
-N�o. -Amanh� vais ter um.
Vamos come�ar a viajar pela Europa.
Ter�s de andar de avi�o. Ou tens medo?
N�o. Porque teria?
Bom, Silvio, obrigado pela confian�a.
Achas que a Amanda podia ir numa dessas viagens?
N�o quero abusar, mas o sonho dela � ir � Europa.
Deixa-me ver o que posso fazer.
Ela que renove o passaporte.
-Vamos tratar disso. -Escuta.
Escuta.
Europa?
Atravessar o oceano.
Boa tarde.
Boa tarde.
Boa tarde.
Estou? ENTel?
N�o funcionam.
ENTEL 47 000 FUNCION�RIOS
Bem-vindo � ENTel. Como deseja a sua carne, Sr. Cole?
REUNI�O COM INVESTIDORES ESTRANGEIROS
COMPRADOR UM SR. COLE
A carne � �tima.
Dei-me ao trabalho de ler artigo a artigo.
E fomos mais do que generosos.
Come�amos?
N�o s� sou respons�vel pela venda de uma empresa
como pelo futuro de 47 mil fam�lias.
Voil�, ENTel.
Bem-vindo, Monsieur Duvois.
COMPRADOR DOIS MONSIEUR DUVOIS
Queijo Brie?
Os funcion�rios p�blicos, tal como toda a gente, precisam de progredir.
Bem-vindo, Sr. Serrano de la Pe�a.
COMPRADOR TR�S SE�OR SERRANO DE LA PE�A
Come�amos?
...tal como toda a gente, precisam de progredir.
H� sempre uma ma�� podre,
mas � uma quest�o de os separar e juntar com as outras ma��s podres.
Fa�a favor.
-Por aqui. -Obrigado.
Digo sempre que este edif�cio � t�o s�lido como o funcion�rio p�blico.
O funcion�rio p�blico sempre foi malvisto.
Eu confio neles.
� como uma grande nave espacial,
onde podemos ver e projetar o futuro.
Sempre tendo em conta a comodidade do funcion�rio p�blico.
O que me preocupa � o n�mero de empregados.
Assim como a situa��o econ�mica e social do pa�s...
Os nossos investidores duvidam da estabilidade do pa�s.
� muito dif�cil convert�-lo num servi�o rent�vel.
Qual � a sua opini�o do Carlos Menem?
� poss�vel conhecer o Carlos Menem pessoalmente?
E o presidente, o Carlos Menem...
Mas os nossos acionistas precisam de um incentivo.
Talvez um aumento das tarifas?
Teria de pensar nisso.
Obrigado.
Sentiram a nossa urg�ncia.
Agora querem mais benef�cios. E nenhuma regula��o.
-Aumento das tarifas. -Estamos a falar de quanto?
Quatro? Quarenta por cento?
Quatrocentos.
Perceberam mesmo a urg�ncia.
Bom, para melhorarmos temos de fazer sacrif�cios,
e � o �nico caminho poss�vel para ter um pa�s s�rio.
E eu tenho uma mediadora implac�vel.
Quatrocentos por cento de aumento? Tem a certeza?
Para melhorarmos, temos de fazer sacrif�cios.
� o �nico caminho poss�vel para ter um pa�s s�rio.
Por fim, algu�m fala com clareza.
Sr. Presidente, trate bem a Mar�a Julia. � a nossa Dama de Ferro.
-Ora essa. -A s�rio.
Aposto.
Pamela p�ezinhos.
Que p�ozinho.
Hoje, nas Telenot�cias, o que se passa com a ENTel?
Traidores! Est�o a destruir o pa�s!
Mar�a Julia, sua cabra!
Est�o a vender a rep�blica argentina!
E tudo gra�as a quem?
� engenheira Mar�a Julia Alsogaray!
Representante do que h� de pior na classe pol�tica.
V�o despedir 20 mil trabalhadores.
Estou farta. Fartinha.
-Arrasam-me em todo o lado. -Mudaste de perfume?
Tens um bom olfato, Carlos.
-Mas ouves o que digo? -Ignora-os.
Deixa o coro grego falar.
Tu �s a protagonista desta hist�ria.
O coro grego fala em trag�dias.
�s muito cerebral, Mar�a Julia.
Para encarnares a fun��o p�blica,
tens de aprender a sentir sem ser sens�vel.
Percebes a diferen�a?
-N�o. -� como um ator em palco.
� isso que somos, uma personagem.
Agora, por exemplo, tu �s a mediadora da ENTel.
Eu, por exemplo, sou o presidente.
Noutro dia, �s a m�e, noutro dia, a filha
e, quem sabe, noutro dia, talvez uma amante.
Sabes porque falam todos sobre ti l� fora?
N�o.
T�m inveja.
Est�s a transformar o pa�s.
Mas, primeiro,
tens de te transformar a ti.
Vai falar com o Olegario. Ele sabe o que fazer.
Muito bem. E...
Pronto, j� temos uma fotografia da engenheira.
Mas ser� que podemos tentar outras fotografias um pouco mais...
Estava a pensar, talvez...
-Abrir um bot�o, para se ver mais. -Assim?
-� s� dizer. -D�-me licen�a.
-N�o � muito? -N�o, n�o me parece.
-S� mostrar um pouco mais... -Aqui?
Mais... Sim, vejamos.
Mas sente-se aqui, recostada no sof�.
-Aqui? -Recostada. Mais � vontade.
Ponha a perna no sof�.
-Assim? -Sim.
E a outra perna?
-Assim? -Sim.
-N�o � demasiado? -Isso.
Est� prestes a dar uma trinca na ma��.
Est� feliz.
Espere um segundo.
Segura nisto.
Empresta-me isto?
N�o vou vestir esse bicho morto.
Sorria e mostre os dentes.
Engenheira, acho que temos uma grande capa de revista.
MAR�A JULIA E O "ROMANCE" COM O PRESIDENTE REINA, MAS N�O GOVERNA
Viste a capa com a Dama de Ferro? Que mulher.
Sim, � muito bonita.
S� tinha um casaco de peles vestido.
Todos os homens est�o a comprar a revista.
A imagem est� a correr o mundo.
Agora, pergunto-me, essa mudan�a ser� igual
� mudan�a que ela prop�e para o desastre chamado ENTel?
Ministro.
Deixe. Eu abro.
Carlos, podemos falar?
Eu j� te ligo.
Que linda que est�s. Mar�a Julia, est�s radiante.
Obrigada. Podemos falar em privado?
Claro.
Senta-te. O que se passa?
Os investidores est�o mais perto, mas ainda t�m d�vidas.
Acho que � uma boa altura para te conhecerem.
Claro.
Organiza uma festa.
Para qu�?
As pessoas gostam de festas.
Comem, dan�am, divertem-se.
Est�o felizes.
Veem que estamos unidos, que � s�rio.
Se acontecer alguma coisa, avisa-me.
Outra coisa.
Finge que a ideia foi tua e convida o Carlitos e a Zulemita.
Por favor.
Gostaria de agradecer a presen�a de todos esta noite.
Sobretudo ao Monsieur Duvois, ao Sr. Serrano de la Pe�a
e ao Sr. Cole, por favor.
Em nome de todos, obrigada, Sr. Presidente,
por nos honrar esta noite.
-For�a, Carlos. -Obrigado.
-Obrigado. -Bravo!
Obrigado.
N�o vos distraio mais.
Comam, bebam, dancem. Sejam felizes.
M�sica, por favor.
-Obrigado pelas tuas palavras. -Ora essa.
-Gostei muito. Belo discurso. -Por favor.
Obrigado.
Faz-me um favor. Sabes as fotografias que me tiraste com a Mar�a Julia?
-Sim. -Destr�i-as.
E n�o tires mais fotos de n�s os dois.
Est�s a divertir-te?
Sim? Est�s muito bem.
-Obrigado. -�timo.
V� como est�s bonita.
Tu... Lind�ssima.
J� viste quantas mulheres h� aqui?
Est�o todas loucas por ti. Olha aquela loura ali.
Se quiseres lev�-la para a quinta, diz-me.
-Olivos? -Olivos.
Claro. A minha casa � tua.
Leva-lhe uma bebida. Convida-a. Serve-lhe um Dom P�rignon.
-Sim. -Leva-lhe Dom P�rignon.
O americano acobardou-se. Restam dois. E agora?
-D�-lhes tudo. -Tudo?
Sim.
Est� bem. Vai dan�ar com a espanhola que eu trato dele.
Tu �s r�pida, Mar�a Julia.
Est� a divertir-se.
Devo admitir que os argentinos s�o bons a dar festas.
Tem cinco minutos para lhe contar uma hist�ria?
O que lhe parece se incluirmos im�veis estatais?
Zonas excelentes da cidade.
Grandes im�veis que lhe dar�o grandes lucros.
Era uma vez uma lagoa cheia de crocodilos.
Todos os que por l� passavam eram comidos pelos crocodilos.
-Est� a dar-nos tudo? -Tudo, n�o.
Mantemos a d�vida da empresa.
� muito arriscado.
Mas havia uma velhinha que l� passava todas as tardes
e os crocodilos n�o a comiam.
N�o s� n�o a comiam, como lhe faziam uma v�nia.
Uma oportunidade �nica. Mas agora.
Tem de ser j�.
Sinceramente, Mar�a Julia, n�o � muito tentador.
N�o podemos fazer um investimento t�o grande.
A Argentina � enorme e podemos n�o recuperar o dinheiro.
Mas um dia, veio um crocodilo de outra lagoa.
E quando a velhinha passou, o crocodilo saltou-lhe para cima.
-Ter� o monop�lio total. -Mas n�s somos dois.
Imaginemos que isto � a Argentina.
Metade � para si, Monsieur Duvois.
E a outra metade para si, Sr. Serrano.
E os outros perguntaram: "Que fazes? Est�s maluco?"
"Porqu�? Ela � especial?"
Quem fica com a capital?
Isso � f�cil. A l�gica � a mesma.
Metade para cada um.
"N�o v�s que � a vi�va da corte?"
Temos acordo?
Sim.
Meus senhores, estou impressionado com as vossas esposas a dan�ar.
-Obrigado. -Sr. Presidente.
-Vamos dan�ar? -Claro.
Por favor.
-Carlos, querido. Vamos? -Vamos.
Que tem este tipo baixinho Que as mulheres tanto falam?
Ele tem magia, ele tem charme Mas onde � que os tem?
Que tem este tipo baixinho Que o torna t�o diferente?
Ele � careca, pernas meio arqueadas E tamb�m lhe faltam dentes
Quero saber o segredo
Talvez assim encontre uma rapariga
Onde est� a chave? Qual � o motivo?
Como � que funciona? Diz-me, onde � que ele o guarda?
Onde � que o escondeu?
Que tem este tipo baixinho Para as provocar desta maneira?
Que tem este tipo baixinho Que deixa as mulheres loucas?
Ontem � noite houve uma festa no Hotel Alvear
para festejar o acordo da privatiza��o da ENTel.
Este ser� assinado nos pr�ximos dias.
Fique ligado para mais informa��es.
N�o aguento mais, irm�.
APARTAMENTO DE AMIRA YOMA
Olha s�. E estava eu a p�r o Carlitos na linha.
Agora quer pilotar um carro de rali. Rali!
J� viste? P�r-se permanentemente em risco.
Passo a vida a implorar-lhe que estude e se oriente.
E ele quer � orientar um carro de rali.
Pede ajuda ao Emir.
Nem me fales nesse traidor. N�o quero v�-lo.
Zulema, n�o vamos discutir.
Anda, vou dar-te o que te trouxe.
A Mar�a Julia anda sempre com o Menem, n�o �?
N�o quero falar sobre isso, Zulema.
Para ti, ele � o teu ex-marido, mas, para n�s, � o presidente.
Mas que conversa � essa agora?
Queres saber o que acho? Que tamb�m andas a dormir com ele.
Sabes que mais? N�o me vou zangar.
Vou fazer de conta que n�o disseste nada.
Mas volta a diz�-lo
e n�o me voltas a ver o resto da tua vida.
Mostra-me o que trouxeste.
-Sim. -Vejamos.
-De cem mililitros. -Conseguiste o grande?
-Sim. -Irm�!
Sim, o grande.
RESID�NCIA SALAS
-Vi a receita na televis�o. -Olha s� essas gambas.
N�o disseram nada da decora��o da casa.
-Espetacular. -Lind�ssima.
O teu gosto � impec�vel.
N�o me refiro a ti. N�o fiques todo inchado.
S� um bocadinho.
N�o s�o uma gracinha?
Amanda, o teu sonho � ter uma boutique, n�o �?
Sim.
Estava aqui a pensar que devias ir ver a moda l� fora.
Viajar para ver os tecidos, para os sentir ao vivo.
N�o � assim t�o f�cil.
Eu trato disso.
Concentra-te.
Est� bem.
O que tens atr�s da orelha?
Da orelha?
Da outra orelha. Esta.
O que � isto?
Dois bilhetes de avi�o. Buenos Aires, Madrid.
Primeira classe. Senhor. Senhora.
-Para n�s? -Exato.
-N�o, � demasiado. -� demasiado.
H� um evento na embaixada em Madrid
e pediram-me o melhor fot�grafo.
-Quem ser� o melhor? -Sim, Olegario.
N�o sejas tonto.
-Sim. -Sim.
-Sim. -Nem acreditam.
V�, desfruta.
-Bom... -Fa�amos um brinde.
-Sim, anda l�. -Sim, um brinde.
-Muito obrigada. -Sa�de.
CHEFE DO DEPARTAMENTO DE COOPERA��O AMERICANA PARA O CRESCIMENTO ECON�MICO
UM DIA PARA A ASSINATURA
O Silverman diz estar tudo pronto para assinar.
Confesso que, a dada altura, julguei que seria imposs�vel.
�s vezes sofremos, mas estamos a fazer hist�ria, Julie.
Carlos, quero agradecer-te a tua confian�a.
Eu tamb�m te agrade�o, Julie.
Bem, est� a ficar tarde.
� melhor descansarmos.
-Como est�s, M�ni? -Bem. E tu?
Tens o casaco de que gosto.
-� o que uso sempre. -Obrigado.
-Sr. Presidente, temos de falar. -Estou preocupado, Mingo.
Se est�s acordado a esta hora, deve ser alguma calamidade.
E �. Acabei de receber uma chamada da embaixada dos EUA.
Querem denunciar oficialmente o governo
por solicitar subornos a empresas estrangeiras para liberar as importa��es.
-Se se tornasse p�blico agora... -N�o, vai assustar os compradores.
Convoca uma reuni�o de gabinete.
Amira, convoca os ministros de imediato. Amira?
A Amira est� fora, Sr. Presidente.
-E quem �s tu? -Diego.
-Convoca os ministros. -Sim.
Senhores, lamento ter-vos chamado a esta hora da noite,
mas temos um problema grande.
Parece que o embaixador dos EUA
escreveu um artigo onde denuncia um ato de corrup��o deste governo.
Vamos declar�-lo persona non grata
antes que esta inj�ria se torne p�blica.
Levante a m�o quem est� de acordo.
Sei de fonte segura que o Emir solicitou subornos ao chefe da Swift.
O Emir?
SUBORNOS NO PORTO
FRANK TAYLOR LIBEREM OS CONTENTORES.
ARIEL SILVERMAN BAIX�MOS OS IMPOSTOS. PRODUZAM C�.
EMIR YOMA � A VOSSA VEZ DE CEDER.
FRANK TAYLOR N�O ENTENDO. QUE MAIS PODEMOS FAZER?
EMIR YOMA UM AVI�O PARA TRANSPORTAR OS CONTENTORES.
EMIR YOMA UM AVI�O.
FRANK TAYLOR N�O ENTENDO.
EMIR YOMA ENTENDE, SIM.
Isso � mentira.
Ele queria comprar um avi�o. Eu aceitei.
Um avi�o inflacionado,
para fazer passar o suborno por um investimento estrat�gico.
O pre�o � definido pelo mercado, Carlos. N�o fiz nada de ilegal.
O Silverman estava l�, n�o me deixa mentir.
Bom, sim, eu acompanhei-o
para garantir que estava tudo dentro dos termos aceit�veis.
O pr�prio Jackson contou-me que, como n�o comprou o avi�o,
a carga est� toda l� no porto.
Diego, pede ao Jackson que venha c�.
Foi o que me disse o representante da Swift.
Diego, chama o representante da Swift.
Disse-me claramente que, para desbloquear os contentores,
tinha de comprar o avi�o.
Eu percebi que precisavam de um avi�o.
Bem, chega de disparates.
� do vosso interesse que a Swift continue a operar neste pa�s.
E � embaixada n�o conv�m avan�ar com a den�ncia
se a Swift negar ter sido chantageada.
Ent�o, Jackson, o que tem de fazer
� falar com a embaixada e pedir-lhes que neguem o artigo.
Est� bem, Sr. Presidente.
Esquece o avi�o
e diz ao Ibrahim para liberar os contentores de imediato.
Pronto, est� decidido.
Mingo, obrigado.
N�O SE ESQUE�AM DESTA PASTA
N�o tem de qu�.
Posso apresentar-lhe o plano quando quiser.
-N�o, Mingo, noutro dia. -Est� bem.
-Diego, a M�nica j� pode entrar. -Sim, Sr. Presidente.
Em nome do embaixador dos EUA, quero pedir desculpa
pelo mal-entendido entre a Swift e o governo argentino.
-Fomos mal informados. -O que tem a dizer sobre o Sr. Emir Yoma?
� tudo. Obrigado. N�o vou comentar. Obrigado.
MENEM CONCRETIZA PRIVATIZA��O DA ENTEL
VAMOS PRIVATIZAR!
ENA! OUTRO COMPRADOR
Nunca imaginaste que l� irias, pois n�o?
Como � que ia imaginar?
� t�o bonita. Vais adorar Madrid. � fant�stica.
Mas preciso de te pedir um favor.
Um conhecido meu vai passar pelo teu hotel. J� est� tudo combinado.
Vai buscar uma mala que vou mandar por ti.
D�s-lhe a mala e est� feito.
-Podes fazer isso? -Claro.
Claro, depois de tudo o que fizeste por n�s.
-Por favor. -Obrigado.
-� bom, n�o �? -� meio �cido.
� incr�vel, n�o �?
O meu pai dizia sempre: "Vais morrer � fome como fot�grafo."
Conseguimos.
Miguelito, d� comida aos peixes. Na �ltima vez, morreram todos.
Como est�?
-Adeus, amor. -Adeus, m�e.
-Esta � pesada. -Escuta. N�o fa�as alarido.
Nada de festas nem tragas muita gente.
N�o me bebas o vinho
e n�o pises muito o tapete ou a tua m�e passa-se.
-N�o te preocupes. -Cuida-te.
Voc�s tamb�m.
O c�u n�o est� � venda!
O c�u n�o est� � venda!
BASTA DE DESPEDIMENTOS
N�o h� nenhum caminho alternativo?
-Porque est� a ficar tarde. -Anda.
-Aonde? -Estamos atrasados.
Tire a mala, senhor. Abra a bagageira, se faz favor.
Por amor de Deus.
Ol�. Com todo o respeito, temos de passar ou perdemos o nosso voo.
Os voos foram todos cancelados.
Por causa de pessoas como voc�s, o pa�s est� como est�.
Um bando de pregui�osos que n�o quer trabalhar.
A lixar a vida dos que se matam a trabalhar
e precisam de viajar para a Europa para fazer aquilo que querem.
� isso que n�s queremos, manter os nossos empregos.
Se privatizarem, muitos ser�o despedidos.
Vais falar-me sobre trabalhar no duro?
Eu trabalho desde os meus oito anos.
Devolve os perfumes que roubaste da loja duty-free.
� melhor ir-se embora. V�.
Por favor, chega. Viajamos noutra altura.
O que eles dizem faz sentido.
Est�s do lado deles?
Mas n�o podemos viajar. N�o te compreendo.
-Malditos malandros. -Desculpem.
Est�s a pedir desculpa quando n�o podemos viajar?
�s muito passivo. � isso que �s, Olegario.
Olegario.
-Estou? -Ol�. Desculpa ligar a esta hora.
-� o Silvio. -Silvito.
Foi uma pena a viagem. Nem podemos sair.
Sim, n�o faz mal. Mas aconteceu alguma coisa?
N�o � nada de grave.
Escuta. Tens a mala que te dei?
Sim, tenho.
Vou mandar a� algu�m busc�-la daqui a uma hora.
-Est� bem? -Agora?
Sim, agora. D�-lhes a mala e podes voltar a dormir.
-Est� bem. Sem problema. -Adeus.
O que era?
O Silvio vem buscar a mala agora.
-Ele vem buscar a mala agora? -Sim. N�o sei.
O que tem a mala?
-Como � que eu sei? -Ias lev�-la sem saberes o que tinha.
Miguel, n�o te armes em espertinho.
-Desaparece. Vai para o teu quarto. -Vou cort�-la.
Como � que ia pensar que o meu padrinho ia meter-te em maus len��is?
N�o, duvido. Ele � boa pessoa. Ou ser� que n�o?
Deixa-te disso, Miguel. Vai dormir. E tapa-te ou vais ter frio.
-Vai l�. -Vai.
-Vou, que tenho de me levantar cedo. -Vai.
A privatiza��o da ENTel foi uma das primeiras e das mais importantes
do governo de Carlos Sa�l Menem.
Seguiu-se a privatiza��o da Companhia A�rea Argentina, os caminhos de ferro,
a YPF, o g�s, o metro, a Casa da Moeda, entre outras.
O caso conhecido como Swiftgate foi um esc�ndalo pol�tico noticiado nos m�dia.
Nunca chegou a tribunal.
Legendas: Cristina Luz
Supervis�o Criativa Hern�ni Azenha
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