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Original subtitles

O amor �...

...uma miragem. � uma ilus�o.

Dados os seus protestos,

considerei a sua descri��o desta rela��o muito amorosa.

E corajosa, vista a sua proximidade ao assunto.

Refere-se ao suic�dio da minha primeira mulher?

Sim.

Deixe-me que lhe diga.

Quando a Effigy morreu...

Quero dizer, quando a Ellie morreu... Ou�a.

- Sou eu. Est�s acordado? - Vejo que apanhaste o comboio.

Obrigada pelo tempo extra, o Matt precisa de mim.

Ouve, vi um programa com o Andrew Fancourt.

Ele referiu-se � primeira mulher como Effigy.

Effigy?

L� as palavras em voz alta.

"O amor dela por ele era duma persist�ncia simpl�ria."

N�o, n�o. Isso n�o serve! Precisamos de palavras novas!

LUX�RIA

Acho que a Leonora Quine � inocente.

Aposto a perna que me resta.

� tudo o que digo.

Ol�, Leonora.

A Ilsa Herbert � a sua advogada.

N�o temos muito tempo. Se for capaz...

Quando posso ir para casa?

Temos de lhe fazer umas perguntas.

Algu�m tinha as chaves da casa de Talgarth Road?

O Andrew Fancourt.

Havia umas para as repara��es no telhado, mas n�o as encontro.

Mais algu�m teve as chaves, nem que fosse por um dia?

A casa foi arrendada algumas vezes, passaram por l� pessoas.

A casa tem sido um pesadelo. N�o a podemos vender

e o Andrew n�o nos deixa fazer dinheiro com ela, n�o gosta do Owen.

O Owen disse que era melhor esquecer.

Podemos falar do seu cart�o de cr�dito?

J� disse que n�o sei nada acerca disso.

Uma burca, cordas e macac�es.

Foi tudo comprado h� seis meses com o cart�o de cr�dito

e entregue na casa de Talgarth Road.

H� alguma hip�tese

de o seu marido ter comprado isto para ele?

N�o sei. Talvez as cordas.

Ele gosta de ser amarrado.

Ele s� me dizia o que comprar, eu nunca via o que era.

O Owen alguma vez falou consigo do "Bombyx Mori"?

Disse que ia ser um livro em que um bicho-da-seda era cozido vivo,

tal como ele foi pela cr�tica. S� isso.

A acusa��o vai aproveitar isso

como prova de que voc� conhecia elementos do manuscrito.

- Em que ajuda isso? - Ilsa est� a fazer o trabalho dela.

- J� respondi a tudo isto. - A pol�cia tem outro objectivo.

Fa�o-lhe estas perguntas para a tirar da pris�o.

Eu n�o fiz nada. N�o � suficiente?

- Infelizmente, pode n�o ser. - Como � que pode n�o ser?

- Temos de... - Cale-se!

A ele conhe�o-o, mas n�o a si.

Devia tirar-me daqui. Prometeu!

A Ilsa � minha amiga e � boa no que faz. Eu confio nela.

Confie nela. Sei que est� frustrada,

sei que tem medo, mas estamos do seu lado.

Quero a minha Dodo!

Telem�vel da Robin, fala o Matt. Quer deixar mensagem?

Perd�o, disse lama?

Est�s bem?

Ligaram sobre limpeza extra de um carro que alugaste.

De que se trata?

- Tive de conduzir um carro alugado. - Para onde?

Para Devon.

Fomos interrogar um suspeito e o Cormoran n�o guia.

Por isso � que n�o me ajudaste com o funeral da minha m�e?

Foste a motorista dele?

N�o, eu...

� complicado. Tem acesso, motivo, isto do cart�o de cr�dito...

Ao falar assim, � a sua pior inimiga.

O cart�o de cr�dito prova que est� a ser incriminada.

Corm, est� tudo bem?

"Seja o que for que pensaste, era teu"

Sim. � a Charlotte.

Nada de reca�das.

O Nick tamb�m deixou isso bem claro.

Eu estou bem.

Preciso de falar contigo.

Mais parangonas de prender inocentes? N�o foi muito �til.

A que li dizia: "Mulher acusada de homic�dio era talhante".

Est� a ser incriminada.

Achas que ela tem intelig�ncia para planear este homic�dio complexo,

sem deixar provas, nem testemunhas nem pistas! Nada!

E parva ao ponto de pagar o disfarce com o cart�o de cr�dito?

Bob, gosto de ti como pessoa e devo-te a minha vida. � importante.

Mas, neste caso, est�s errado.

O Andrew Fancourt tinha a chave da casa.

O Fancourt odiava o Quine antes da divulga��o do manuscrito.

Porque n�o o investigas?

Vou presumir que est�s a ter um mau dia, Bob.

- Pensava que ias � biblioteca. - Ia, mas...

Os planos mudaram e...

- N�o havia lugar... - Eram s� duas horas em p�.

Fazia-o v�rias vezes quando te ia visitar.

Sentava-me na passagem.

Para ir ter contigo.

- Porque estavas mal e eu amava-te. - Eu sei.

- Devia ter vindo antes. - O teu patr�o n�o vai ao casamento.

Se n�o te d� uns dias com a morte da minha m�e, que homem � ele?

Matt...

A culpa n�o foi do Cormoran.

Eu � que decidi ficar.

Quero ser investigadora desde que me lembro.

N�o estudei Psicologia por acaso.

Depois...

Durante anos, pensei que n�o ia conseguir.

Agora, tenho uma oportunidade.

Sei que n�o gostas e que...

Acho que foi por isso que te menti. Pe�o desculpa.

Pe�o imensa desculpa,

porque devia estar c� para te apoiar, mas...

N�o quero perder a oportunidade.

Eu quero que sejas feliz.

Lamento muito n�o ter vindo mais cedo.

Certo, digamos que n�o havia alternativa.

Quando voltas para l�?

Ent�o, como est� o teu caso?

N�o sei. Ilsa, como est� o meu caso?

Se o objectivo � tir�-la da pris�o, est� p�ssimo.

- J� conheceste a filha dela? - N�o.

� amorosa. N�o est� pronta para este mundo.

- A vizinha est� com problemas. - Os servi�os sociais foram chamados?

- � domingo. - Eu sei.

Acho que temos de investigar o Andrew Fancourt, n�o achas?

N�o vim c� ao fim-de-semana para pagar as contas.

Tenho a morada dele. Vamos.

O romancista mais famoso da Gr�-Bretanha a despir uma burca

num beco de Londres?

Pode t�-la usado em Talgarth Road e trocado de roupa no carro.

Vamos ver se pode ter enterrado as entranhas nas traseiras.

- Queres ajuda? - N�o, eu consigo.

Bem, n�o enterrou nada aqui.

- Merda! - Est�s bem?

Esta porcaria n�o flecte. C�us!

- Estou bem. - Apoia-te em mim.

- Estou bem. - N�o est�s nada.

Apoia-te no meu ombro, h� um bar ali na esquina.

- Suborno? - Motiva��o.

Desculpa, Robin. Isto foi desnecess�rio.

Avisa se precisares de parar.

Tantas coisas para cuidar disto.

P�s, cremes, lavagens...

Parab�ns.

Como sabias?

Tamb�m sei o teu n�mero de passaporte.

O melhor para ti, Mr Cormoran Blue Strike.

- Vais dizer-me donde vem isso? - N�o.

Tenho uma coisa para ti.

Dizem que � o Sabor da Cornualha. Logo v�s se � verdade.

Cresci muito perto de onde isto � fabricado. � boa.

Ainda bem.

Robin, isto �...

Gostei muito.

- Obrigado. - De nada.

Feitos com leite de vaca da Cornualha.

Alimentadas com erva da Cornualha e a olhar para a dita paisagem.

A Cornualha sabe a isto mesmo.

Fancourt vive perto de Hampstead Heath.

Pode ir � floresta insuspeito e enterrar l� as entranhas.

- A pol�cia investigou-o? - N�o, t�m a Leonora.

Fancourt entra no "Bombyx Mori".

N�o sei se o departamento liter�rio da pol�cia est� a par do caso.

Imagina��o para aquilo n�o lhe falta.

V�rios perfis dele referem-se � sua escrita sobre viol�ncia.

Quero ver o Fancourt amanh�.

- A tua perna estar� boa? - Sim, vai estar �ptima.

- Afinal, tenho a manh� livre. - Porqu�?

Posso vigiar eu o Fancourt.

- N�o tens treino. - Quero faz�-lo. Vou ter cuidado.

A Liz Tassel aceitou falar-te do Fancourt.

� um almo�o, poder�s estar sentado.

�gua, por favor.

Como est� a Leonora?

- Est� presa. - Sim.

Como seria de esperar.

A Orlando foi meia raz�o que me fez manter o Owen.

- Espero que cuidem dela. - Acho que n�o t�m mais fam�lia.

N�o a v�o deixar morrer � fome. Em Inglaterra, somos civilizados.

Os Quines quase n�o t�m nada.

Tive de os ajudar ao longo do tempo.

Podemos falar sobre o Andrew Fancourt?

- Porqu�? - Ele e o Quine tiveram problemas.

Foi h� muito tempo.

Voc�s j� foram todos amigos, certo?

Representei-os a ambos.

O Fancourt devia ser um bom cliente.

Na altura, ele n�o tinha ganho nenhum grande pr�mio.

�ramos amigos.

Ambos escrev�amos,

mas ele tornou-se no Andrew Fancourt e eu parei.

Andrew classificou os meus esfor�os como "lament�veis suced�neos".

Estava certo, sem d�vida.

Por que deixou ele a sua ag�ncia?

O Owen fez uma s�tira do romance da mulher dele e eu n�o o despedi.

Abomino a censura e n�o gosto de ser amea�ada.

O Andrew obrigou-me a escolher.

Ap�s a mulher do Fancourt se ter matado por causa da s�tira, n�o...

Quem se mata por causa da cr�tica n�o devia escrever.

Sabe quantas pessoas acham que sabem escrever?

Montanhas de lixo e milh�es de horas desperdi�adas.

A Ellie Fancourt devia...

Ou o Andrew devia ter lido o trabalho e impedi-lo.

A Roper s� o publicou para agradar ao Andrew. N�o a ajudou.

Eu e o Andrew n�o nos damos h� muito tempo.

"Persist�ncia simpl�ria"...

Por que escreveu Quine a s�tira sobre o romance da Ellie?

- Pergunta � pessoa errada. - Se ele e o Fancourt eram amigos...

Nunca foram bem amigos. O Andrew tolerava o Owen.

Via-o apenas como divertimento.

- O Owen n�o gostava do Andrew? - Devia invej�-lo.

Alguma vez se arrependeu de preferir o Quine ao Fancourt?

- Dado que o Fancourt... - Nunca me arrependi.

Tenho pena do Andrew me ter obrigado a escolher.

Outrora esteve apaixonada por ele.

Parece ter-nos analisado minuciosamente as vidas.

Quer fazer-me alguma pergunta

ou s� quis ver-me sofrer com mem�rias antigas?

- Lamento. - Para qu� perguntar-me isso?

Sofri... Sofri v�rias desilus�es.

Do Andrew e de outros.

Vivo sozinha com um c�o moribundo.

Que ganha voc� em apontar-me tais falhas?

- Lamento se... - Tretas!

Pelo menos, tinha o conforto de ter constru�do um neg�cio.

Mas o Quine destruiu-o. Estou farta.

N�o mere�o isto.

Lamento t�-la transtornado.

Vou tentar ajudar a Leonora.

Voc� exige demasiado das pessoas.

� cruel.

Esta � a s�tira que o Quine escreveu sobre o romance da Ellie.

Estava na campa dela. Algu�m o quer assustar.

Ou chantage�-lo, se tiverem provas que o Fancourt matou o Quine.

- Bom trabalho, Robin. - Nem por isso, fiz disparates.

- Perdi-o e ele passou por mim. - O treino vai ajudar.

- Matt? - Estou aqui.

Estou a acabar.

- Obrigada. - J� tentaste engomar um vestido?

N�o tem �ngulos definidos.

� o problema dos seios.

Muito bem!

Tinha-me esquecido de como � tranquilizante.

Queres ver filmes logo?

Tenho de trabalhar.

Temos de falar com uma pessoa e s� o podemos fazer hoje.

Desculpa, se soubesse que vinhas... tinha tentado livrar-me.

Pode ficar para amanh�?

Sem problema.

Somos convidados de Daniel Chard. Cormoran Strike e acompanhante.

Acompanhante? Ele n�o gosta de mim, pois n�o?

Queixam-se da venda de livros, mas quem conhe�o nas editoras

ou tem um copo na m�o ou s� pode reunir-se ao almo�o.

N�o � uma vida m�, pois n�o?

- Quando volta o Matthew? - J� voltou.

Uma festa em que posso fumar...

Obrigada.

Devia ter trazido casaco.

Num per�odo de mudan�as r�pidas no mundo editorial,

um facto mant�m-se

incontestavelmente verdadeiro.

Trabalhem com grandes escritores e os leitores vir�o.

Exactamente.

Assim, esta noite,

apraz-me anunciar que o romancista mais galardoado de Inglaterra

voltou � Roper Chard, passados 20 anos.

Senhoras e senhores, Andrew Fancourt!

- Em pessoa. - Obrigado. Agrade�o a todos.

� bom voltar, � um regresso a casa.

Escrevi para o Chard e para a Roper...

Foram bons tempos.

Era um jovem zangado. Agora, sou um velho zangado.

Quero muito enfurecer-me por voc�s.

- Vamos socializar? - Sim.

Est� com dificuldade em escolher uma bebida?

O champanhe n�o a vai matar, fui eu que o escolhi.

Ent�o, vou beber champanhe.

Dois copos de champanhe.

Eis a pergunta mais provocadora para se fazer nestas ocasi�es.

Leu algo de bom, ultimamente?

Na verdade, a �ltima coisa que li...

foi o "Bombyx Mori".

Owen Quine no seu verdadeiro of�cio, escritos venenosos e an�nimos.

Que achou da descri��o dele de mim?

- Leu-a? - Falaram-me dela.

Owen era um escritor menor com um enorme ego.

Esta conversa iria agradar-lhe...

bastante.

- Posso apresent�-lo a uma pessoa? - Claro.

Cormoran Strike, este � Andrew Fancourt.

O detective de uma s� perna. J� ouvi falar de si, Mr Strike.

Investigo a morte do Owen Quine. Gostava de falar consigo.

Aqui estamos n�s. Elogio a sua escolha de isco.

Considere-me bem fisgado.

Como co-propriet�rio, deve ter-se encontrado com Quine na casa.

- N�o vou l� h� dez anos. - Herdou-a do seu amigo, Joe North.

Perder um amigo e a esposa no mesmo ano deve ser dif�cil.

N�o a perdi. Tropecei nela, na escurid�o da nossa cozinha.

Confrontou o Quine sobre a s�tira dele?

- N�o. - Mas sabe que ele a escreveu?

- Sei, sim. - Algu�m pode confirmar isso?

Tem um cigarro que me d�?

Soube que a sua ex-noiva se vai casar.

O senhor aparece como rodap� em artigos sobre ela.

Grande elogio.

Diga-me... Sente-se atra�do por mulheres perturbadas

ou elas ficam perturbadas gra�as a si?

- � melhor perguntar-lhe a si. - Somos s� colegas.

Porque usaria o Quine o "Bombyx" para negar ter escrito a s�tira?

Foi h� 30 anos, o dano estava feito.

A Ellie pensou que casar com um escritor

alteraria a forma como o mundo a via.

Quando isso falhou, tentou ser escritora.

O Quine identificou-se com ela.

A maioria dos escritores n�o tem muita imagina��o, Mr Strike.

Acabam por escrever sobre si.

O Quine, como a Ellie, era um escritor falhado.

Tentava ganhar reputa��o ao escrever, mas sempre na minha sombra.

Fique bem, Mr Strike.

Adeus, Miss Isco.

- Ol�. - Ol�.

- Robin. - Ol�, entre. Por aqui.

Sentem-se, por favor.

- Querem um caf�? - N�o, obrigada.

- Obrigado por nos receber. - Tudo pelo Owen.

O sacana!

Tentei falar consigo na festa,

mas desapareceu ap�s o discurso do Fancourt.

Sim.

Que acha do Andrew Fancourt?

- Pessoalmente? - Sim.

� um escritor maravilhoso e um homem asqueroso.

- Leu o "Bombyx"? - Sim, ambos o lemos.

Falou com as pessoas sobre ele? Sabe o que tudo significa?

- N�o o reconheci nele. - Sou o Cortador, enquanto editor.

Na minha personagem, o Quine espalhou o rumor

de que o Fancourt era pai da minha filha.

Obrigado, Owen! Descansa em paz.

Deve ter ficado magoado com o que ele escreveu.

Quem quer camaradagem vai para o ex�rcito.

Se quer colegas que festejem os seus falhan�os, trabalhe com romancistas.

N�o h� lealdades.

Claro que me magoou.

Adiante, vou beber algo.

� uma pena estar s�brio esta tarde. Acompanham-me?

- Que vai beber? - Um copo de Barolo.

- Parece-me bem. - Boa escolha.

- Ainda � cedo, n�o? - Vai pensar que o apoiamos.

- E eu gosto de Barolo. - Certo.

- Ontem, falei com a Liz Tassel. - Foi simp�tica? Pode ser uma cabra!

Um brinde � franqueza reencontrada.

A Liz atirou-se ao Andrew depois de a Ellie morrer.

E na altura o Andrew disse-me que era uma honra ela n�o o excitar.

Parvalh�o!

- Ela n�o me contou isso. - N�o pensei que contasse.

Foi por ter o orgulho ferido que escolheu o Quine em vez do Andrew.

Acha que o Fancourt tinha motivos para matar o Quine?

H� quem diga que foi o Fancourt que escreveu a s�tira sobre a mulher.

- Pode ser verdade? - Poderia o Fancourt matar um homem?

Ele � muito bom a escrever sobre �dio.

Esse tipo de crueldade vem de algum lado, mesmo que disfar�ada.

Os escritores revelam-se desta forma.

Escrevem mais sobre si do que imaginam.

O Daniel Chard tinha uma teoria interessante sobre o "Bombyx".

O Daniel n�o gostou do que o Quine escreveu sobre ele.

Ele acha que o manuscrito foi escrito por mais de uma pessoa.

Bem, isso � muito interessante.

Aqui est�.

H� v�rias partes t�picas do Quine.

As partes chocantes e de terror, mas tamb�m h� outras partes...

Fui editor dele durante mais de 20 anos

e nunca o vi usar ponto e v�rgula.

Nesse manuscrito, h� v�rios.

N�o � o tipo de coisa que um escritor adopte ap�s um tempo.

Obrigado. Foi muito �til.

Obrigada.

Vou para Fulham.

Pe�o desculpa. Se soubesse que ele estava morto...

N�o h� problema.

Lembro-me que me disse alguma coisa

sobre ele lhe ter dito que a ia incluir no pr�ximo livro.

Pareceu-me que esperava ler um manuscrito muito diferente.

Ele amava-me. Disse-me que queria estar e trabalhar comigo.

Depois... Eu tamb�m sou escritora, era muito importante para mim.

Ele disse que me ia incluir num livro.

Eu li-o, e ele chamou-me Harpia.

Gozou com o cancro da minha irm�. Foi desconcertantemente doloroso.

- N�o discutiram? - Disse que me amava.

Como eu estava no livro dele, �amos ficar juntos.

Queimei-o.

Nunca confie num romancista. Devia tatuar isso no bra�o.

Amei-o e ele humilhou-me.

Faz sentido. Ali�s, h� tanta coisa que n�o faz sentido

que pode ser a �nica explica��o.

Primeiro, o t�tulo.

A Leonora disse que o Quine falou em bichos-da-seda cozidos.

No "Bombyx", o bicho-da-seda � aberto.

Mas, no livro, o her�i � queimado por um l�quido

e o local est� cheio de �cido clor�drico. Ser� coincid�ncia?

A Kathryn Kent esperava um livro diferente.

O Jerry Waldegrave e o Daniel Chard suspeitam duma interven��o estranha.

Ouvimos v�rias vers�es do mesmo, algo se passa com o "Bombyx Mori".

Precisamos que um analista liter�rio compare os estilos de escrita.

Posso tratar disso.

Pode haver algo mais na casa do Quine.

Que vais fazer?

Que saibamos, o Quine s� discutiu o manuscrito com uma pessoa.

No almo�o em que a Liz Tassel o despediu.

- Vais almo�ar fora outra vez? - Que rem�dio.

Ainda bem que vieste, Al.

Estou com o meu irm�o no meu s�tio favorito. Como n�o gostar?

O pai ainda espera estar contigo.

Como est�s?

Problemas na imprensa, namorada bonita... N�o me queixo.

- Conheces pessoas aqui? - Sim, venho c� muito.

Quero falar com algu�m que tenha visto uma discuss�o.

A Frankie conhece toda a gente.

Amigo! Podes pedir � Frankie que venha aqui? Obrigado.

Como est�o os outros irm�os?

A di�spora dos Rokebys? Est�o todos bem.

O pai entrou no Corredor da Fama de rock'n'roll. Sabias?

N�o, n�o soube de nada.

Sim, est�o todos a envelhecer rapidamente.

O Corredor dos DJs n�o ter� a mesma energia.

Ol�! Trabalho com o Cormoran Strike.

Posso entrar e dar uma olhadela?

Preciso de uma pausa. A Orlando est� l� em cima.

- Vou cham�-la. - Chamo-me Robin.

- Ol�. - Muito prazer.

- Ol�, Al. - Frankie!

- � o meu irm�o, Cormoran. - Ol�.

- Tens cinco minutos? - Se forem r�pidos.

Sei que estes dois discutiram aqui h� mais de uma quinzena.

Sim, a pol�cia j� investigou isso. Foi visto aqui pela �ltima vez.

- Estava de servi�o? - C�us, foram rid�culos.

Ele acabou por se levantar, apontou-lhe o dedo e gritou:

"O mundo saber� que tiraste a tes�o ao Fancourt".

- � inesquec�vel. - Pareciam estar a fingir?

Ele estava a gostar de fazer figura de idiota.

Ela estava muito zangada, disse-lhe que se sentasse e se calasse.

Ele deixou-a aqui sozinha.

- Ele estava a exagerar? - Tenho de ir, est� bem?

- Vais ter uma boa gorjeta. - Obrigada, querido.

A mim, as empregadas nunca me chamam querido.

Porque n�o d�s boas gorjetas.

Tens um c�o?

Sim. A minha fam�lia tem.

Chama-se Rowntree.

- Eu quero um c�o. - Que tipo de c�o?

Quero um c�o!

- Como te chamas? - Robin, tordo.

Eu sou a Dodo, sou um p�ssaro.

Os tordos tamb�m s�o p�ssaros.

Posso desenhar-te um?

Vamos l�.

Aqui tens.

Que mais tens a�?

N�o podes ver o que aqui est�.

� onde guardo as coisas que roubei.

Se eu te desse uma coisa minha para roubares,

j� podia ver o que a� est�?

Tens um gosto dispendioso.

Est� bem.

Aqui tens.

Vais roubar-me isso?

- Importavas-te? - N�o, podes roub�-lo.

Obrigada, Orlando.

Vamos l� para fora?

N�o. Fica aqui comigo.

Fica! Fica!

Prometo que te venho visitar.

Fica!

- Vais ficar bem? - Sente falta da m�e.

Vais ficar bem, n�o vais, Dodo? Vamos para dentro, querida.

S�o nomes normais, Eddie Boy e Kate.

N�o h� arqu�tipos barrocos.

Fizeste bem em trazer isto.

Muitos andam a pedi-lo a Oxford por ter a primeira hist�ria do Fancourt.

Que achas?

Comparem estes contos e esta s�tira, h� a mesma formula��o invulgar.

E aqui tamb�m.

O ponto e v�rgula � usado frequentemente.

Sim, aqui est�.

Fancourt prefere a v�rgula em s�rie, como se v� nas tr�s pe�as.

Aqui, no romance do Quine n�o h� v�rgulas em s�rie.

� algo que os escritores ou usam ou n�o usam.

Serve como prova?

N�o.

Mas, tendo em conta tudo isto,

aposto que quem escreveu esta s�tira

tamb�m escreveu o "Bombyx Mori". Provavelmente, tamb�m o conto.

- � dif�cil dizer. - Concordo.

� uma vingan�a sofisticada.

A hist�ria de um rancor numa s�tira secreta do pr�prio Quine.

Uma hist�ria que faz a amante dele, a esposa e os colegas odi�-lo.

� uma vingan�a abrangente.

Mas muito complicada. Foi o que acabou por separ�-los.

Anstis, tenho mais um favor. Tens de confiar em mim.

Tens de arranjar um mandado de busca.

- Tens a certeza disto? - Claro que sim.

Parece um encontro do "Bombyx Mori".

Mr Chard e Mr Fancourt, t�m um momento?

� acerca do "Bombyx Mori".

Li a s�tira ao romance da sua esposa, Mr Fancourt.

Que achou dela?

Chocou-me ser t�o maldosa.

Ent�o, e o "Bombyx"?

As duas coisas foram escritas pela mesma pessoa.

- J� sabemos isso. - O autor n�o foi o Owen Quine.

N�o posso ouvir o t�tulo desse livro maldito sem pedir desculpa...

a voc�s dois. - Ol�, Ms Tassel.

Dizia-lhes eu que Owen Quine n�o escreveu o "Bombyx Mori".

Pelo menos, a vers�o que eles leram.

Ele escreveu um livro chamado "Bombyx Mori"

e pretendia acertar contas, envergonhando alguns colegas,

mas o disparate sobre a falta de tes�o de Mr Fancourt

n�o aparece no texto que temos.

De que est�o a falar?

Voc� escreveu a s�tira � Ellie Fancourt.

A que a fez querer matar-se. Owen Quine sabia disso.

� um insulto repugnante.

Voc� escreveu um conto para uma antologia de Oxford.

O estilo combina bem com o de "Bombyx Mori"

e com a s�tira ao livro da Ellie Fancourt.

Andrew, � um perfeito disparate.

Est� tudo no livro que escreveu, Ms Tassel.

A sua dor quando Andrew rejeitou o seu livro

e, novamente quando rejeitou o seu amor.

Owen Quine exigiu um pre�o para manter o segredo.

Voc� n�o apoiou a fam�lia dele por pena.

Ele chantageou-a durante quase 30 anos.

Obrigou-a a escolh�-lo e n�o ao Andrew.

Pobre Mr Strike.

Quer tanto dinheiro, que lan�a m�o a tudo.

A ideia foi sua de o Quine discutir no restaurante.

De gritar consigo e se ir embora.

Mais tarde, ele foi para Talgarth Road,

enquanto a imprensa se focava na discuss�o e no desaparecimento.

- Disparates! - Mais tarde, foi a casa de Leonora

apoi�-la, quando o Quine desapareceu.

Aproveitou para levar os cadernos do Quine

que continham rascunhos do verdadeiro "Bombyx Mori".

Mas n�o conseguiu destruir tudo.

Eu encontrei algumas p�ginas do manuscrito original

e a fita de uma m�quina de escrever.

A pol�cia descobriu uma m�quina de escrever el�ctrica,

igual � do Quine,

no lago da casa da sua amiga Dorcus Pengelly.

Eles chegar�o dentro de instantes.

O �cido que usou causou-lhe problemas na garganta.

Robin!

N�o!

Robin?

- Est�s bem? - Sim, estou �ptima.

Sim, eu espero.

Robin?

Acho que s�o boas not�cias. Chamas um t�xi?

- Onde est� ela? - Na pris�o, na vigia aos suicidas.

Encontraram o original do seu marido na casa dela.

Daniel Chard quer l�-lo e talvez public�-lo.

Esta vers�o poder� vender alguns exemplares.

- M�e! - A minha Dodo!

- O Anstis ainda fala contigo? - Claro, salvei-lhe a vida.

Como a maioria dos pol�cias, n�o quer prender a pessoa errada.

Procuraram no congelador dela.

- As entranhas? - Dava-as de comer ao c�o.

Que nojo!

O Matthew n�o se importou?

Disse-lhe que ele j� ficou pior em jogos de rugby

e reivindiquei a igualdade de g�nero.

Vou apanhar o metro.

Eu... A tua ex-noiva enviou algumas fotografias.

- Vi-as por acidente. - Ela j� n�o � um problema meu.

- Certo. At� amanh�. - Robin?

Tenho uma coisa para ti.

- Que � isto? - Abre.

"Curso de vigil�ncia. Procura um, que eu ofere�o-to."

A s�rio?

Ent�o, parceiros?

Tradu��o: Margarida Silva Dias

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