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Original subtitles

Como o Hospital Mercy Falls que fica,

muito perto do local do acidente,

ironicamente está para fechar,

todos os feridos serão levados para o St. James,

no centro da ilha.

O que se teme é que isso irá sobrecarregá-lo,

visto que o número de feridos já está em trinta e cinco,

número que poderá aumentar consideravelmente

com o trabalho incessante das equipes de buscas e emergência.

O número de mortos pode chegar a dez,

mas até agora não houve nenhum comunicado oficial

confirmando o número de vítimas fatais

ou informando as causas possíveis deste terrível acidente,

que é sem dúvida o mais trágico na história da ilha.

Uma análise preliminar dos bombeiros e peritos

parece indicar não ter ocorrido obstrução ou falhas nos trilhos,

o que coloca erro humano como causa mais provável.

Uma vez que o maquinista é uma das vítimas fatais

isso só será determinado após investigação minuciosa.

Sendo a indústria principal da ilha o turismo,

teme-se que muitos dos mortos e feridos possam ser estrangeiros.

Pelo menos dois sobreviventes estão sendo atendidos por ferimentos leves

eram turistas franceses, que nos visitavam pela 1ª vez.

Descreveram o acidente como uma cena dantesca

e falaram do ruído arrepiante de metal triturado

quando os dois vagões da frente sairam dos trilhos.

Moradores locais afirmam que uma queixa formal foi...

Susan...

O que você está fazendo acordada?

Ela está vindo.

Maggie, já disse que não quero mais falar desse assunto.

Mas estou sentindo... - Volte para a cama.

É a nossa última noite aqui, amanhã já teremos ido embora.

Vamos!

Está doendo...

Certo, mas estamos aqui para cuidar de você agora, está bem?

O que aconteceu? - Ele começou a gritar de repente.

Tem algo errado...

Eu já avisei que tem acontecido coisas estranhas...

mas ninguém me dá ouvidos. - Susan, por favor...

Um, dois, três...

Bom garoto.

Agora, quero que não se mexa só um pouquinho.

De certeza que ele não caiu da cama? - Tenho certeza.

Se tivesse caído não estaria no no chão quando o encontrei?

Muito bem, você é um rapazinho muito corajoso.

Vamos ter de fazer a mesma coisa de novo, certo?

É importante que nos conte como isso aconteceu.

Não sei...

Está bem.

Não faz ideia, foi o que ele disse.

Isso não faz sentido...

Exatamente, eu já lhe disse.

Mas seja o que for a culpa não é sua.

Fique quietinho, Simon.

Dois dias mais tarde

Senhorita Nichols?

Amy? - Sou eu.

Bem-vinda à ilha.

Sou o Roy. Desculpe o atraso, tive que ir buscar isso aqui.

Se puder levar isso aqui, sim...

Fez boa viagem?

Não sabia que era americana, está na Inglaterra há muito tempo?

É uma longa história...

Na mala tem um filme para as crianças,

um rapaz de Manchester me envia, uma vez por semana.

Filmes mesmo, não vídeos.

Gosta de filmes?

Gosto, quando são bons...

Prepare-se para enfrentar um longo caminho, Mercy Falls é no meio do nada,

receio que seja por isso que esteja sendo fechado.

Já devíamos ter ido embora há alguns dias, aliás,

a maioria das crianças já está no St. James, no centro da ilha.

Mas devido ao desastre na ferrovia já estão com falta de leitos,

por isso fomos obrigados a esperar.

A senhorita Folder, a enfermeira chefe, vai coloca-la a par da situação.

Desculpe ter sido tão às pressas,

mas uma enfermeira adoeceu de repente há duas noites

e não imaginei que tivéssemos de substituí-la,

mas como você está vendo, ainda estamos por aqui...

O Roy te colocou a par da situação? - Mais ou menos...

Espero que seja só por poucos dias,

como está vendo o pessoal foi reduzido ao mínimo possível.

Acredite que a situação não é cômoda para nenhum de nós.

As crianças que ficaram estão no andar de cima,

este aqui já foi todo desmontado, só ficou o mínimo necessário.

Mais uma coisa, se precisar telefonar, só poderá fazê-lo com seu celular;

as linhas telefônicas foram desativadas ontem.

Onde você quer isso aqui?

Deixe alí, eu desço já.

Está vendo, não tem botão para o 2º andar.

Já tiraram tudo de lá?

Não, e nem seria preciso, o andar está desativado desde 1959.

E se não o esvaziaram até agora, porque iriam se preocupar com isso?

Já está desativado até hoje.

Senhorita Pérez, esta é a Senhorita Nichols,

que fará o turno da noite até nós irmos embora.

Prazer em conhecê-la.

Vou deixa-la com a Senhorita Pérez, ela vai lhe passar todas as informações necessárias.

Acomode ela no quarto 7... Estão precisando de mim lá em baixo, dê licença.

Pode me chamar de Helen. - Amy.

Venha, vou te mostrar tudo.

Apesar de já não termos muito mais o que ver...

Sim, foi o que me disseram.

Aqui é a sala de recreação.

Como você está vendo não faltam coisas para mantê-los ocupados,

por isso não dão muito trabalho.

E por acaso hoje estão muito tranquilos...

Porquê? - Foi dia de visita.

Os pais acabaram de sair.

Quantas crianças ainda restam? - Só oito.

Casos de problemas pulmonares, depois eu te mostro.

Gostaria de verificar os casos clínicos antes de começar a trabalhar.

Calma, você vai ter muito tempo pra isso...

Venha conhecer as crianças.

Meninos, prestem atenção.

Quero que conheçam a Amy,

que será a enfermeira da noite até irmos embora.

E a Susan? - Teve que ir embora.

Como estão?

Estamos doentes.

Como é seu nome?

Maggie... - Reynolds.

Você viu seus pais hoje?

Eu não tenho pais.

Eu também não...

Esses cubos devem ser muito divertidos, para que você fique brincando sozinha com eles?

Não são para brincar.

Então são para quê?

Para conversar.

Com quem?

Vamos lá, arrumem tudo, o jantar é daqui a 5 minutos.

E não quero ter que dizer duas vezes.

Até logo, Maggie.

E você, coloque isso aí no lugar,

estou farta de ver esses cubos espalhaddos por aí.

Colocamos todos eles aqui para poder esvaziar os outros quartos.

Às vezes fazem muita bagunça, mas facilita um pouco as coisas.

Este é o David... - Olá, David.

E este, o Richard, faz três semanas que está na ventilação artificial,

mas tem melhorado todos os dias, não é, Richard?

Quando precisamos vir verificar? - Só de vez em quando.

O controle é automático, não precisa se preocupar muito com isso.

Helen, pode me dar uma mãozinha?

Você fez tudo o que podia para vir parar aqui?

Agora são todos teus.

Vamos lá, no três?

Um, dois... três!

Sou a Amy, a nova enfermeira da noite.

Eu sei... Bom, aproveite, vá descansar.

Helen, o Simon vai amanhã a Londres fazer uns exames,

prepare ele logo depois do almoço.

Bem-vinda, Amy. - Obrigada.

Então, o que aconteceu?

O Simon quebrou a perna outro dia, mas já está quase bom.

Quebrou, como?

Boa pergunta.

Só têm 40 segundos...

Alguém me ouviu dizer "O tempo acabou"?

Aquela menina me deixa louca.

Qual? - A Maggie.

Vejo que já os encontrou...

Devem ter manter ocupada por algumas horas.

Matt, daqui a 5 minutos, apague as luzes.

Se precisar de alguma coisa ele fica a noite toda no andar de baixo.

E o Robert está quase chegando; é o médico da noite.

Sei que vocês dois serão uma ótima equipe.

Já vou... Boa sorte.

Obrigada.

O que você está fazendo acordada? - Não consigo dormir.

Que gracinha...

Quando era pequena também tinha um.

Sabe qual era o nome dele?

Sr. Dorminhoco.

Porque me ajudava a adormecer. Certo, vamos...

Charlotte.

Como?

Os cubos são para falar com a Charlotte.

Quem é a Charlotte? - Acho que é uma menina.

Ela não sabe falar? - Não, é diferente...

É... mecânica.

Uma menina mecânica...

E vocês conversam sobre o quê?

Nesses dias ela não tem falado muito.

Então, e se fôssemos vê-la? Você sabe onde ela está?

Lá em cima.

Achei que lá em cima não tivesse ninguém.

Olha, se a Charlotte voltar,

nós duas poderíamos conversar com ela com ela, o que acha?

Boa noite.

Está tudo bem, voltem todos para a cama.

Vamos, andem para a cama, está tudo bem, eu prometo.

Vamos, Richard, calma...

O que foi isso? - Não sei.

Alguma coisa nos canos.

Foi ela, eu te disse.

Ela está com muita raiva.

Faz dez minutos que tento falar com você.

Aconteceu alguma coisa? - Não sei.

Ouvi uma coisa e pensei que poderia teria ouvido também.

Não, não ouvi nada.

Sério?

O que foi, deveria ter ouvido?

Não sei, mas parecia vir do segundo andar.

Do segundo andar? - Isso, e me assustou.

E às crianças também.

O prédio é antigo, têm dutos de ventilação em todo o teto.

Você vai se acostumar.

Mas posso chamar o Dr. Kerry...

Não é preciso.

Vamos, calma, não empurrem.

Nós vamos voar de helicóptero? - Receio que não.

Amy, como está indo?

Hoje à noite vou projetar o filme para as cranças.

E como será o último vai ser especial, posso contar com sua presença?

Eu vou, sim...

Algum problerma?

Estou um pouco chateada...

Já, mas acabou de chegar!?

Com uma das meninas.

Ela está obcecada com a ideia de que tem alguém no 2º andar.

Ah, entendo, já sei, a Charlotte outra vez?

Não se preocupe muito com isso, não é a primeira vez.

Escute, estou aqui há vários anos

e sempre teve alguma criança ou outra jurando que viu alguém,

é praticamente uma lenda urbana.

Não deixe que ela te pertube muito... Bom, até logo.

Eu não me importo com o helicóptero, "o que eu quero é ir embora".

Mas vais ter que esperar e ter paciência, está bem?

Ela ficou com medo. - Não fiquei nada!

Mas que bobagem, medo de quê?

De ontem à noite. - Porquê, que aconteceu?

Nada.

Os canos fizeram um barulho estranho e ficamos todos um pouco assustados.

Como está se saindo? Está mais relaxada?

A Maggie e eu estamos nos conhecendo melhor.

Cuidado com essa menina, ela às vezes é um pouco...

complicada.

Já que você está aqui, pode tomar conta deles um instante?

Claro. - Obrigada.

Vamos lá vista o casaco...

Pronto para ir?

Quase pronto.

Você deve ser a Amy?

Dr. Kerry. Robert...

Você não é do turno da noite?

Sim, só que não ia deixar

o Simon aqui ir embora sem me despedir.

Somos velhos amigos, não é?

O Matt me disse que ontem teve um "festinha" por aqui?

Não foi nada, eu só fiquei...

Assustada.

Este hospital às vezes nos mete medo à noite

mas também pode ser muito chato,

portanto da próxima vez, me chame. Cinco minutos Helen.

Meninos, venham se despedir do Simon.

Você já voou em helicóptero?

Eu também não.

Te vejo daqui uns instantes, hein? - Não vou ver o filme...

Então não vai perder muita coisa, é só um monte de besteiras.

Se anime... E melhore logo, está ouvindo?

Não, eu avisei pra ela não usar o banheiro das enfermeiras,

está sem água.

Não me diga?

Susan... você está bem?

Não.

O que foi?

Não sei.

Roy!

Ah, pronto.

Foi na direcção errada.

Não tenha medo, já vai começar a descer.

Simon?

O que foi, Amy?

Mas que...?

Eu trago já a chave!

Você, fique aí, fiquem aí.

Simon, cadê o seu inalador? - Eu quero sair!

Simon, cadê o seu inalador?

Está tudo bem, tente respirar.

Respire normalmente.

Mas que porra...?

Ela quer me machucar. - O quê?

A menina mecânica.

A Maggie me falou sobre dela.

Pelo amor de Deus, não se mexam, já vamos aí buscá-los!

Não saiam daí. - Calma, Amy!

O que foi? - Chame o Dr. Marcus.

Está tudo bem, fique quieto.

Ai, meu Deus...

Calma, Amy, está ouvindo?!

Não se mexa.

Pelo amor de Deus, não se mexa.

Saiam, lá para baixo!

As crianças finalemente acalmaram.

Desculpe...

O quê? Nada disto foi culpa sua.

Ainda bem que não foi comigo, eu não sei o que faria.

Uma vez fiquei presa seis horas em um elevador.

E não sendo suficiente, a minha mãe estava comigo.

E se vocês soubessem como é a minha mãe...

Senhorita Pérez, poderia ir ver como as crianças estão?

Estou vindo de lá...

certo, mas volte lá.

Você devia ir descansar um pouco, eu pego o seu turno.

Não, eu estou bem.

Obrigada.

Tudo bem.

Matt?

Que dia, hã?

Desculpe, eu te assustei?

O que foi?

Nada...

Nada, não importa.

O que você está fazendo?

Nada.

Quer ajuda?

Então, está se dando bem com as crianças?

Excelente, tem tudo ido muito bem.

Especialmente com a Maggie.

Ah, sim, ela caiu em suas graças?

Ela é órfã, não é?

Isso e fibrose cística... Quem imaginaria um azar desses?

É sério, só podemos tentar fazê-la sentir-se o melhor possível.

E aquilo com a Susan não deve ter ajudado muito.

Do que vocês estão falando?

A Maggie gostava mesmo dela,

e ela não faz amigos facilmente.

Estou sentindo frio, vou buscar uma camisola.

Maggie, o que está fazendo aqui, você está bem?

Você viu ela? - Outra vez não, Maggie.

Não vamos falar disso de novo.

Mas o elevador subiu, você tem que ter visto ela!

Mas não vi. E não vi por não tem ninguém lá para ver.

Ela não existe.

Só existe aqui.

Não estou inventando, Amy.

Foi ela que machucou o Simon.

Ninguém machucou o Simon, ele só...

Então porque ninguém consegue explicar o que aconteceu?

Pergunte à Susan, ela vai ter dizer.

Robert, quero que me conte o que aconteceu.

Com o Simon.

Ele fracturou o fémur.

Foi uma fratura dupla. Porquê?

Nesta radiografia conseguimos ver uma fratura.

Só uma.

E nesta aqui, tirada só três minutos depois, já são duas.

Como você me explica isso?

Não sabemos o que aconteceu.

Por isso o colocamos em observação e o mandamos para Londres.

E a Susan, foi embora porque estava com medo?

Aonde voce quer chegar? - Me responda.

Talvez tenha sido...

Desculpe incomodar mas...

queria falar com a Susan.

Vamos, pronto...

Desculpe por ela. Você é amiga da Susan?

Não, nem sequer a conheço.

Só queria falar com ela, trabalho lá no hospital.

A Susan morreu ontem.

O carro dela saiu da estrada... Foi um acidente horrível.

Sinto muito...

Também está preocupada, não é?

A Susan estava.

Ela sempre me contava todos os seus problemas, desde criança.

Confiava em mim, mas ultimamente estava desconfiada...

Aqui pra nós, acho que estava com medo de alguma coisa.

Mas não me contou nada.

Seja lá o que fosse, decidiu procurar outro tipo de ajuda.

Que tipo de ajuda?

Parabéns, princesinha. Levei muito tempo para te encontrar,

mas aí está você, e agora que completou dezasseis anos,

chegou a hora de ficar totalmente sob minha guarda!

Não, Rose...

Não toque em nada!

Não vou deixar ninguém se intrometer e impedi-la de morrer.

Se acham mesmo que conseguirão enganar a Rainha do Mal

quero só ver a caras de vocês

quando entregar o corpo de sua filha!

Acorde, Rose.

Meu Deus, que horror...

Eu não fazia ideia.

Mas não entedi, por que você quis ir falar com ela?

Eu queria saber do que ela estava com medo.

Que história é essa agora?

Viu o que aconteceu ao elevador.

E tenho ouvido coisas... - Coisas?

Não me diga que está falando de fantasmas?

Bom, se dá licença,

quero escrever uma carta de condolências à família de Susan.

Você sabe quem é a Charlotte?

Uma das meninas, a Maggie, fala de uma...

Senhorita Nichols,

a Maggie é uma criança muito especial, como já deve ter notado.

Se ela se deixa levar pela imaginação acho que não tem nada demais,

mas a senhorita acho que já está um pouco velha para essas coisas.

Acho que alguém se deve assumir a responsabilidade.

Assumir a responsabilidade? Não me faça rir.

Sei exatamente quem você é, Senhorita Nichols,

deve imaginar que nunca a teria chamado

sem ler primeiro o seu currículo?

Não me faça arrepender da minha decisão.

Então, gostaram?

Pronto, então agora quero todos na cama.

Não acredito, a Maggie está sem o seu Sr. Dorminhoco?

Sabe o que eu acho?

Acho que o príncipe a salva

por que gosta muito dela.

É também o que eu acho. - E é por isso que a beija.

Mas tem de ser um beijo de amor.

Um beijo de amor?

Como sabemos quando um beijo é de amor?

Quando é na boca.

O Simon já voltou?

Faça tudo mais não toque nele.

Cala a boca, Maggie...

O que foi?

As crianças estavam lá e viram, pergunte a eles.

Já perguntei e elas só viram a Amy em pânico...

é claro que ficaram assustadas.

Alguma coisa aconteceu naquele quarto, porque você não acredita?

Eu acredito, mas com certeza tem uma explicação lógica.

A Maggie dise que já a viu antes. - A Maggie é criança.

É possível que tenha visto.

Tinha alguma coisa debaixo daquele lençol.

Veja se se controla, está bem?

As crianças já estão bem.

Se não precisa de mais nada... - Não, obrigada.

... estarei lá em baixo.

Se quiser eu faço o seu...

Isso não vai ajudar.

Como diabos você sabe disso? Você não sabe nada a meu respeito.

Isso, não sei... Mas sei o que aconteceu com você.

A Folder me contou.

E foi um erro, sim.

Foi um erro?

Sim, era o que devia ter dito,

devia ter dito à mãe dele que tinha sido um erro.

Mas não, Robert, aquilo foi negligência!

Foi negligência, porra!

Cale a... Não me toque!

É um trabalho muito dificil. Deus sabe que é dificil...

E às vezes fico arrasada.

E todos cometemos erros, já cometi muito, muitos...

Mas não pode carregá-los nas costas o resto da vida.

Não, não, por favor...

Não diga como lidar com isso, certo?

O que acho é que talvez seja isso o que te assusta tanto,

o fato de ter medo de fazer alguma besteira.

Escute,

é a primeira vez que trabalha depois do que aconteceu;

é muito natural que ainda não esteja bem o bastante.

Você está querendo dizer que inventei tudo isso? Que estou enlouquecendo?

Não, só estou dizendo que possivelmente

esteja protegendo demais as crianças porque está com medo.

Por ter medo de si mesma, não sei, estou tentando entender

e acredite ou não, estou tentando te ajudar.

Que diabos.

Mas que bonito...

O que é?

Ele não lhe vai responder, o Adam é autista.

Muitas vezes nem se dá conta das outras pessoas.

O Padre Tom ligou e avisou que talvez viesse.

Não tem nada a ver com "ver para crer", quando ele manda alguém me procurar.

Você disse que tinham falado com a Susan...

Ela veio nos procurar a algumas semanas.

Aqui vem muita gente, quando estão com medo ou precisam de respostas.

Mas não é tão fácil assim...

Sabe o que é a vida, Senhorita Nichols?

Nada mais que uma jornada entre dois mundos.

O nosso, o mundo dos vivos,

e o mundo dos que já morreram.

São dois mundos separados.

Os que vivem neste, não podem ver o outro,

por mais que queiram.

Isso não é para nós, ainda não.

Mas há algumas pessoas que,

quando estão muito próximas do outro,

conseguem ver algumas coisas dele

que se aproximaram do nosso.

A Susan estva muito perto...

Ela ia morrer.

Por isso conseguia ver.

A Charlotte...

Temo que haja alguma coisa do outro mundo naquele hospital

que, por alguma razão, se aproximou do nosso.

Alguma coisa que não aceita

- ou não entende - que morreu.

Alguém que morreu no hospital?

Não, não importa onde morreram.

Nem sequer onde viveram, é muito mais simples que isso.

Limitam-se a ficar perto das coisas que amaram.

É o que os mantém aqui.

Olha, afinal parece que você entendeu...

Nunca tinha dado um presente a ninguém.

Tem outra pessoa dizendo que também a vê.

Eu sei, a Susan nos contou.

Essa mocinha precisa do seu amor,

precisa mesmo dele.

A Folder está querendo falar com você.

Porquê, o que foi?

A Maggie...

Só um minuto.

Pronto, já está estável.

Teve outro ataque.

Ultimamente têm sido cada vez mais frequentes.

Olá, como você está? - Obrigada.

Estacionei lá fora.

Aquelas criaças de que falou, os que falavam da Charlotte...

Preciso que me faça outro favor.

Não sei se devia fazer isso, estas fichas são confidenciais.

Eu não me importo.

Acho que está procurando por elas...

Ah, Marvin Jones.

Isso foi há vários anos...

Ele falava muito nela.

Ainda me lembro dele,

era um chorão...

Morreu na mesa de operações, o desgraçado.

Evelyn Thomas, anos 80.

Um verdadeiro anjo...

"Uma amiga secreta", ela a chamava assim.

Esqueça, não interessa.

Amy, o que foi?

Ainda não sei.

Vou te perguntar uma coisa.

E preciso que me fale a verdade.

Você promete?

É sobre a Charlotte.

Você realmente a viu?

NÃO TOQUE NELE.

NÃO É SEU.

Nós já vamos.

Como estão as crianças?

Estão com a Helen, parece que não perceberam nada.

Ainda bem... E a Maggie?

Está bem, voltou para a enfermaria,

ela fica mais calma junto às outras.

Bom, como você vai explicar isto?

Este homem está morto! E ninguém sabe explicar como aconteceu.

E o Simon? E todas as coisas estranhas?

Não me importo com o que você acha.

Temos de tirar as crianças daqui.

Há alguma coisa maligna naquele...

Agora, chega!

Estamos recebendo criticas pelo que aconteceu e estamos fazendo o que podemos.

Veja se consegue controlar-se.

Talvez afinal, tenha sido um mal negócio contratá-la.

Não é ficando com raiva de todo mundo que melhoramos as coisas...

Você quer, que me encha de comprimidos

e finja que não está acontecendo nada, assim como vocês?

Que fuja, como a Susan?

Mas não, eu não vou fugir.

Não vou deixar ninguém machucar aquelas crianças,

não vou acabar com tudo novamente.

Que chatice, hã?

O dia estava lindo quando saí hoje de manhã, e agora...

Veja, parece um dilúvio.

Aqui só chove, chove, chove...

Queria nunca ter saído de Madrid.

Não tenho guarda-chuva, tenho que ir a pé para casa

e a última coisa que eu queria era lavar esta porcaria de bata!

Helen, pelo amor de Deus.

Não está vendo o que aconteceu? O Roy está morto.

Você sabia...

A Susan te contou, não foi?

A Susan era doida...

Não era nada.

E pare de fingir que não está acontecendo nada, isso não nos ajuda.

Agora, estou te pedindo...

Me substitua.

Tem certeza? - Tenho, eu estou bem.

O Dr. Kerry disse que já posso me levantar.

É ali.

Como voce sabe? - A Susan me disse.

Maggie, você tem que voltar para a cama...

Por favor, você ainda não está bem.

Por favor, vamos.

Amy, fuja.

Fuja!

Vá para sua cama. - Para onde diabos vocês foram?

Cadê a Folder? - Foi para casa.

O meu Sr. Dorminhoco... - Vamos, se deite, certo?

Fique aí quietinha.

Droga, Robert, olhe para ela.

É só um retrato...

E existem muitas Charlottes. - A menina mecânica.

Por favor...

Não tem Charlotte nenhuma.

Onde está o projetor do Roy?

O que é isto?

Osteogenesis imperfeita.

A doença dos ossos frágeis.

É muito rara, uma espécie de mutação do tecido ósseo

que leva à sua redução.

Os ossos tornam-se anormalmente frágeis

e seriamente sujeitos a fraturas.

Sabiam pouco sobre a doença nessa época,

o tratamento era bastante primitivo.

Ai meu Deus...

Acessos de raiva são muito frequentes,

a dor provoca a ira.

Não sei como mas esta menina continua aqui.

Vamos...

A Maggie disse a verdade, ela realmente a viu.

E a Susan, também.

Por isso ela fugiu.

Mas porquê só elas? Não faz sentido nenhum.

A Susan ia morrer.

É preciso estar perto da morte para ver, e ela estava.

E a Maggie...

Você sabe.

Pense nisso, pense em tudo o que aconteceu.

Ela quer que todos sofram como ela sofreu,

por isso quebra as coisas. Está furiosa.

Está acontecendo de novo!

Amy, isto foi há quarenta anos, por que aconteceria agora?

Não sei o motivo.

Mas sei que ela está aqui.

Isso é um absurdo, não me pode pedir que acredite em uma coisa dessas.

Eu também já a vi...

Ela estava ali.

Bem diante dos meus olhos.

Bom, vamos sair daqui.

Eu ligo para o St. James, o Marcus está lá.

Digo que é uma emergência e eles vêm nos buscar.

Vá lá em cima ajudar a Helen a preparar as crianças,

Vamos embora. - O que aconteceu?

Mexa-se!

Merda, não tem sinal.

Deve ser a tempestade.

A Folder mora na praia lá atrás, eu poderia ligar de lá.

Eu vou até lá.

Vamos, vistam os casacos.

Nós vamos embora? - Isso mesmo.

No helicóptero?

Não, Nicholas, hoje não será no helicóptero.

Emma, venha aqui.

Helen... - Eu já vou, amor.

Que diabos está acontecendo? - Não sei.

Ela está ficando mais furiosa.

O Richard está na ventilação artificial, vai precisar de um ventilador portátil.

Verifique no porão, acho que ainda ficou algum material por lá.

Eu volto já. - Vou já tirar isso de você, certo?

O que você está fazendo aqui porque não está com as crianças?

Temos que tirar elas de lá.

Preciso que você ligue para o St. James para virem buscar elas, agora!

Ficou maluca?

Estou implorando.

Está tudo bem, não entre em pânico.

Pra trás!

Já mandei recuar!

Ela estava apavorada... - Você devia ter percebido o motivo.

E ter me dado ouvidos. - Como ia eu poderia saber?

É tudo tão absurdo...

Eu tinha acabado de chegar quando aconteceu.

Foi um escândalo...

Você está falando de quê? - Da enfermeira dela.

Contrataram ela para tomar conta da menina.

E depois? - Não sei muito bem.

A menina começou a melhorar...

E os médicos iam mandá-la para outro hospital

quando teve uma recaída súbita.

Ninguém percebeu o motivo, até descobrirem.

O quê?

A enfermeira foi acusada de provocar as fraturas.

Estava obcecada por ela e não queria deixá-la ir embora.

Foi feita uma investigação e a despediram.

Parece que não suportava a ideia de ficar longe das crianças.

E então aquilo aconteceu... - O que foi que ela fez?

Sufocou ela.

Pegou os aparelhos ortopédicos da menina

e atirou-se no poço do elevador.

Você não imagina o alvoroço.

Falaram até em fechar o hospital.

Mas selaram só o 2º andar e tudo foi esquecido.

Vamos, vamos lá!

Foda-se!

Amy, pra onde você foi? - Todos já estão prontos?

Menos o Richard, o Matt foi ao porão procurar um ventilador portátil.

Deixe que ele resolve.

E o Robert, onde está? - Não sei...

Eu lá sei do Robert!

E não sabia onde você estava, não sei de ninguém!

Leva as crianças lá para fora. E fiquem juntas.

- Onde você estava? - Não é ela.

A menina chamava-se Mandy Phillips, está tudo aqui.

E o nome da enfermeira era Charlotte Rivers.

Ela é diferente...

É mecânica.

Limitam-se a ficar perto das coisas que amaram.

É por isso que começou agora.

Porquê?

Ela provocava as fraturas para não levarem a menina.

E está fazendo a mesma coisa agora.

Esteve aqui estes anos todos porque precisa das crianças.

Vamos, vamos embora.

Começou com a transferência... - Não podemos sair.

Venham!

Vai dar tudo certo.

Ela não as deixará sair. - Temos de mantê-las aqui.

Segure firme em mim.

Depressa, corram!

Voltem!

Temos que levá-los daqui!

Podemos estar enganados...

Viemos evacuar o hospital. - Robert, faça alguma coisa!

Não podem tirar estas crianças daqui!

Eu sou o pediatra responsável

e digo que estas crianças estão correndo um sério risco!

Espere...

Não está acontecendo nada?

Então, também não estou entendendo.

Talvez seja seguro...

Eu fico com isso.

Dr. Kerry, por favor.

Onde está a Maggie?

Não estou achando ela.

Helen, onde está a Maggie?

Helen, onde está a Maggie?!

Ela queria um cobertor, queria um...

Ai meu Deus.

Lá em cima.

Por isso ela não está fazendo nada.

Ela está com a Maggie.

Eu queria o Sr. Dorminhoco...

Deixe isso aí, não tenha medo, vamos...

Ela não me vai deixar sair.

Está tudo bem, Maggie.

Não se mexa.

Vai dar tudo certo.

Escute com muita atenção, você vai ter de ficar aqui.

Não, confie em mim, está tudo bem.

Ela vai cuidar bem de você, é muito amorosa.

Você será muito feliz aqui.

Agarre-se ao Sr. Dorminhoco.

Aperte ele o mais forte que puder.

Encontramos um enfermeiro no porão com fraturas múltiplas,

mas ainda vivo.

Duas, talvez três...

Ela está morta.

Mande alguém para ajudar.

Não importa, agora acabou.

As crianças foram embora...

Não tem nada mais que a mantenha aqui.

Ela se foi.

Eu a vi.

Vou morrer...

Não me importa o que você viu, vou tira-la daqui.

Ela perdeu muito sangue.

Preciso de três unidades.

Ela não está respirando.

200 joules. Afastem-se.

360, afastem-se.

Bom, iniciando massagem cardiaca.

Vamos lá, Amy.

Vamos, Amy, vamos lá.

Amy, volte!

Não vale a pena...

360, mais uma vez.

Afastem-se.

Ela morreu.

360, outra vez, afastem-se.

Vamos, Amy!

360, outra vez. - Desista...

Sabe o que eu acho?

Que uma princesa

precisa de um beijo, para ser salva.

Um beijo de amor.

360, afastem-se.

Como se sente?

Você tem visitas.

Vimos a notícia na televisão.

E o médico nos contou o que aconteceu.

Você teve muita sorte.

Porquê?

Por continuar por aqui.

Mas por que a vi?

Não era para...

Amy, às vezes é melhor não perguntar.

Ela precisa descansar...

Tchau.

Alguém mais veio aqui?

Que eu saiba não, porquê?

Você não pode ser culpar dessa vez.

A menina precisou de você

e você ficou com ela até o fim.

E ela sabia disso.

Eu sei.

Não se afaste muito...

Não é onde morrem que importa, nem sequer onde viviam.

É muito mais simples que isso,

limitam-se a ficar perto dos que amaram.

É isso o que os mantém aqui.

E nada mais.

Para Madeleine.

Que nunca partiu de verdade.

Tradução de Anubis78

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