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Zulu
Sacana!
Aonde vais, seu merdas? Aonde vais?
Monte de esterco!
INSPIRADO NOS ROMANCES DE MAURIZIO DE GIOVANNI
Ajudámos-te.
Mas tens de ir agora. Não queremos problemas.
- Não sou criminoso. Sou jornalista. - Não te perguntei.
E não quero saber. Só quero que vás.
Sim, mas posso enviar uma SMS primeiro? Acho que perdi o telemóvel.
Estou-me nas tintas. Não vais usar os nossos telemóveis.
Está a amanhecer. Vamos embora.
Veste-o e manda-o embora. Entendido?
Atira as tuas roupas para ali, eu trato delas.
Se me mandarem embora agora, eles matam-me.
Tens dinheiro?
Tenho isto.
Vai ter com o Manuel. Ele trabalha aí.
Se for suficiente para ele, talvez ele ajude.
Está a amanhecer.
Toma, veste-te. Despacha-te. Tens de ir.
SARA: A MULHER NA SOMBRA
MAIS SEGURANÇA, MAIS LIBERDADE
- Sim. - Onde estás?
Na agência do Anzovino, porquê?
O Anzovino não veio para casa ontem à noite.
Ele também tem de chegar aqui. Abriram há dez minutos.
O que devo fazer? Entro com uma desculpa, peço informações?
Espera, a filha dele acabou de sair. Eu sigo-a, ela pode levar-me até ele.
- Está bem? - Está bem.
INSTALAÇÕES APREENDIDAS
Aonde vais, seu merdas?
Pai?
Minha senhora.
Espere. Tenho de lhe perguntar uma coisa.
Conhece este tipo?
Não. Os negros não vêm aqui. Eles sabem que não os queremos.
- Como se chama o bebé? - Goran.
- Que idade tem ele? - Dez meses.
Minha senhora, diga-me onde está o negro,
para ser melhor para todos. Está bem?
O que queres?
A Ninotchka enviou-me.
Que quarto queres?
Estão todos livres. Este sítio fica cheio mais tarde.
Escolhe um.
Quarto 112.
Posso usar o computador?
PROCURA DE CASA / QUARTO NÁPOLES MUDANÇA SÚBITA
Aquele tipo está sempre lá em baixo?
GL699BT.
GL699BT.
COMO LOCALIZAR O PROPRIETÁRIO
TIPO DE VEÍCULO MATRÍCULA
MATRÍCULA NÃO ENCONTRADA
Foda-se.
PROCURAR CASA / QUATRO NÁPOLES
DEVIDO A MUDANÇA SÚBITA APARTAMENTO PARA ARRENDAR EM VIA DUOMO
COM UM LINDO QUARTO DE CRIANÇA MOBILADO E UMA BOA VARANDA
O que devo fazer agora?
Avisá-la?
Bate-me com a porta na cara e eu ajudo-a na mesma?
Não me parece.
Foda-se.
O TEU EDOARDO PUBLICOU UMA NOVA MENSAGEM
OBRIGADA. ESTÁS BEM?
Tudo bem?
Pardo, o Edoardo está vivo.
Enviei-te o que ele acabou de publicar.
Desta vez, nada de museus, mas a morada da casa dele.
- Encontramo-nos lá. - Está bem. E o Anzovino?
- Tratamos dele depois. Despacha-te. - Sim.
RESTAURANTE - STEAKHOUSE
Pardo?
Sim.
- Estou aqui. - Então?
Nadinha.
A porta não mostra sinais de arrombamento, para além de nós.
Parece que não tocaram em nada.
Seja como for, pedi à Anna Maria para ver o IP de onde a publicação foi enviada
e até me enviou a localização.
Vamos.
- Olá. - Bom dia.
Bom dia.
Tenho de te dizer uma coisa.
- Olha ali. - É?
Só falta a chave do 112. Primeiro andar.
Vá lá.
Mas quem é este?
Aldo Esposito. De Bagnoli. Verifica-o.
Achas que o Edoardo o alvejou?
Se o fez, foi para salvar a própria vida.
Está bloqueado.
Está bloqueado, Morozzi. Ouve, vamos levar isto.
Eu levava-o.
Senão, temos de rezar a todos os santinhos para nos dizerem o que contém.
O que dizes?
Eu digo…
… que encontrámos o assassino do Sergio.
Teresa, foi ele que matou o Sergio.
- Ia ligar-vos. - Sim.
O Belliti usou o cartão de crédito no aeroporto há duas horas
e comprou um bilhete para Lisboa.
A que horas é o voo?
Ele já foi. Se estiver a fugir, é normal que apanhe o primeiro voo.
Quem tem a certeza de que é ele?
- Eu descubro. - Olha lá.
- De quem é? - Do morto.
Uma coisa de cada vez. Primeiro, a segurança do aeroporto, depois isso.
Foram rápidos.
São os teus homens.
São rápidos, Lembo.
Desculpa, Teresa. Sabes que fiz o que pude.
Mas não acabou para ti.
Quero-te em Roma comigo.
Não, obrigada.
Prefiro recuperar a minha vida.
Ficarias logo aborrecida. Dou-te autonomia total.
- Podes tomar as decisões que quiseres. - O que fiz até agora?
Caso contrário, não tinham encerrado a unidade, certo?
- Toma. - Podes ficar com elas.
Este espaço ainda é nosso até os homens das mudanças tirarem a mobília.
Que faço com isto?
Podes trazer a Morozzi aqui para ver este teatro uma última vez, não?
Eu não me importaria.
O que é que a Sara tem que ver com isso?
O Tamburi não o construiu só para ela,
para ela não dar cabo da visão a ler nos lábios?
Sim, e a unidade enterrou-a juntamente com o Massimiliano.
Então, juntam-se para falar do tempo.
Sim. E do tempo que não para.
Sobre como não para e nada muda.
Fica bem.
São imagens de há duas horas.
Vejam.
Ali. Ali está ele.
- É ele. - Sim, é ele.
Tudo bem, Terè?
O Anzovino já não está em casa. Vou enviar tudo à Anna Maria.
Segundo o histórico de localização, parece que se mudou para Campi Flegrei.
Mas o que é interessante é quando ele se foi embora.
Como assim?
Depois da morte do Sergio.
Ele liga muitas vezes à filha, mas ninguém atende.
- O que faz aqui? - Ouve-me.
Não temos ordem do MP.
Até lhe disse que precisávamos de uma, mas ela tem os seus métodos.
Olá, Rachele.
Como é que entraram?
Usando os métodos já mencionados.
Vi-te a pôr a foto que te dei na tua mesa de cabeceira.
Saiam da minha casa.
Porquê? O que vais fazer? A quem vais pedir ajuda?
Ao teu pai? Duvido, dado que nem atendes as chamadas dele.
Vi como estavas a chorar hoje na sepultura dele.
Só escondes um amor tão grande como o do Sergio por medo.
Não é nada disso.
Não?
Então, amas tanto outra pessoa que precisas de o defender?
Quem é? O teu pai?
Que é amigo do Vigilante e trabalha para o Tarallo,
que o Sergio começou a investigar com o Belliti.
O que aconteceu ao certo?
O quê? Descobriste algo? Contaste-lhe tudo?
Agora sentes-te culpada porque o Sergio morreu por tua causa!
Sim!
O Sergio morreu por minha culpa, sim! Mas não foi isso que aconteceu.
Ele estava estranho. Ele parou de me dizer o que andava a fazer.
E segui-o e vi-o com uma mulher, uma mulher que podia ser a mãe dele.
Ele disse-me que era obrigado a fazê-lo.
Que sentia nojo sempre que saía da cama dela.
Depois mencionou uma investigação, que faria muitas cabeças rolarem.
A cabeça do teu pai era uma delas?
- Não. - De quem, então?
Do Vigilante. Menti-lhe quando disse que não o conhecia.
Ele viu-me crescer. E salvou o meu pai quando ele tinha dívidas.
E sentiste que tinhas de lhe contar tudo.
A ele, não. Ao meu pai.
Queria que desmentisse o Sergio e fê-lo. Mas o Sergio desapareceu.
Porque não nos contaste a verdade quando viemos ter contigo?
Talvez pudéssemos ter salvado o Sergio.
Porque o meu pai contou tudo ao Vigilante.
Mas o Sergio morreu e continuaste sem dizer nada!
Ele é meu pai! O que devia fazer? Ele estava aterrorizado.
Se eu tivesse falado, eles tê-lo-iam matado.
Liga-lhe.
Não.
- Não quero nada com ele. - Não podes decidir nada. Liga-lhe.
Olá, Rachè. Como estás?
Sabes como estou.
Quem são eles?
Acabou. Eles sabem tudo. Já não podes fugir, pai.
Finalmente nos conhecemos.
Pedi ao Vigilante para me ajudar com o Sergio.
E arranjou-lhe um emprego com o Tarallo.
Como podia não lhe dizer? O miúdo estava a causar problemas.
Está a dizer que foi melhor o rapaz ter morrido?
Claro que não, mas tente compreender.
O que anda o Vigilante a tramar?
Que interesses estão por trás disto?
Não sei nada sobre o negócio dele.
Então, porque estava tão preocupado sobre a investigação do Sergio?
- Juro que não sei nada. - Anzovino.
Não olhe para mim, mas para a sua filha.
Não lhe direi o que penso de si.
Mas se quer que compreendamos, tem de falar connosco.
Trata da segurança dele, certo?
Não sabe para onde ele vai, com quem se encontra? Ligo para a esquadra?
Então?
Seguem todos os movimentos do Vigilante?
Não, nem todos. Às vezes, ele diz-me que quer ir sozinho.
Ótimo. Da próxima vez que lhe disser isso, diga-nos.
Que chatice.
Sim?
Olá, é o Musella. Procuro o inspetor Pardo.
Ele não está aqui. O que queres?
Quem é?
Mete-te na porra da tua vida.
Desculpe.
Quem é? É o Musella.
Musella, tens algo para nós?
Claro, ou não teria ligado. Descobri uma coisa incrível.
Se vai voltar, eu espero por si. Estou aqui, à porta da sua casa.
Estava aqui perto e pensei em passar por cá.
Mas a sua nova namorada disse que não estava.
Ela não é a minha nova namorada, Musella.
E tens de parar de aparecer casualmente em minha casa.
Percebeste?
Está bem.
Diz-me o que descobriste.
Então, o Aldo Esposito
foi alvejado com a mesma arma que matou o Gaspare Russo.
- Sim. - O pai do Aldo, Vito Esposito,
é um fugitivo.
Mas acho que ele também está morto.
Porque dizes isso?
O ADN que encontrámos em Pianura com o do jornalista
tem uma correspondência com o do Aldo Esposito, por isso…
Está bem. Obrigado, Musella.
- De nada. Seja como for, estou aqui se… - Obrigado, Musella.
Céus, ele é impossível. É absurdo.
Ele quer sempre enfiar o nariz nas minhas coisas.
Mas é bom miúdo.
Então, também sentes.
O quê?
Nostalgia.
Vai-te foder, Pardo.
Acabei de ver um japonês em frente à casa da Viola,
a olhar para a janela e não gosto disso.
Está tudo sob controlo, não te preocupes.
É um agente da unidade. E é chinês.
Ele é chinês.
Está bem.
Hoje é um dia importante para Nápoles.
Está tudo pronto para o comício que fecha a campanha eleitoral de Tarallo.
O político, que tornou a segurança a questão-chave da sua plataforma,
é o candidato que se espera que se torne presidente da região da Campânia,
apoiado por uma coligação forte providenciando um apoio inabalável.
O Aldo Esposito trabalhava para o Vigilante.
Estas são as fotos do telemóvel dele.
Então, está confirmado.
Foi o Vigilante que o matou.
- O Sergio não devia ter morrido. - Deixa-te de tretas, Sara.
Se a tareia não o matou, quando tivessem o que queriam saber,
tê-lo-iam matado na mesma.
O telefone para onde enviaram as fotos.
O nome em que foi registado, tinha de ser o do Vigilante.
Quero saber tudo. Abre como uma lata.
- Está encriptado. Leva tempo. - Então, trabalha nisso. És boa.
Teresa.
Deixa-me em paz!
Tinhas razão, como sempre.
Prender o Tarallo teria sido um erro.
Dá-me esse cigarro.
Vais mostrar o teu apoio ao voltar a fumar?
Tens razão, o Paolo Anzovino estava debaixo do nosso nariz.
Mais do meu do que do teu.
O Sergio também estava debaixo do meu nariz.
Mas eu não sabia porra nenhuma.
Eu olhava para ele de forma diferente.
Da mesma forma que ele olhava para ti.
Quando o Sergio desapareceu,
a Rachele pensava que ele estava contigo. Ele disse-lhe que se tinha apaixonado.
Estás a dizer isso por pena?
Sabes que não consigo mentir.
Se eu tivesse mentido, saberias.
Com licença. É o Anzovino.
Põe-no em alta-voz.
- Fale. - Tenho novidades.
O Vigilante tirou-me da gestão dos seguranças do comício do Tarallo.
Ele afirma que o partido queria uma empresa de Roma para tratar disso.
- Isso já tinha acontecido? - Não.
Obrigada.
- Passa-se mesmo alguma coisa. - Claro.
Este tipo está a irritar-me.
SER HUMANO DEUS HUMANO
Tarallo!
Tarallo!
Só mais uns minutos e o nosso candidato presidencial estará connosco.
Meu Deus! Espera. Deixa-me ajudar-te. Calma.
- Calma. Põe a mão aqui. Calma. - Diz-me o que queres de mim primeiro!
Para começar, não quero que tenhas o bebé aqui.
- Andas a seguir-me há dias. - Calma, relaxa.
Viola!
Não se preocupe. Sou amigo da Sara.
Vou levar a Viola ao hospital. As águas rebentaram.
- És amigo da Sara? - Viola!
Conheces alguém que raptaria uma mulher em trabalho de parto?
- Sou a mãe dela. - Não.
Mas não meto as mãos no fogo pelas pessoas que a Sara conhece.
Vá, calma.
Acalma-te. Respira.
Tu e aquela maldita mulher serão a minha morte!
Tens uma arma? Mata-a!
Tarallo!
Aqui está ele!
Tarallo!
- Bom dia. - És o maior!
Senhor.
É bom ver-te.
- Olá. - Bom dia.
- Olá. - Bom dia.
- És uma lenda! Bravo! - Tarallo, és o maior!
- És fantástico! - És o número um!
Obrigado.
Meus amigos,
antes de mais, quero agradecer-vos a todos.
O grande sucesso que alcancei durante estes meses convosco
foi criar uma comunidade.
Uma comunidade de pessoas que amam esta terra e as suas tradições.
Uma comunidade de pessoas
que também não tem medo de enfrentar o futuro.
PRENDAM-ME TAMBÉM
Não…
Que vergonha!
Não reajam à provocação deles. É isso que vocês são!
- Força! - Faz força.
- Força, querida. - Outra vez!
- Força. - Força, querida.
Cala-te, mãe!
- É o que vocês são! - Que vergonha!
Isto é violência. Isto é o oposto de democracia.
- Que vergonha! Devias ter vergonha. - Que vergonha!
Alvejaram o presidente!
Foi ele! Apanhem-no!
- Vemo-nos na casa do Pardo. - Sim.
- A dica foi tua. - É lógico. Veio dali.
Força!
Estou?
Está tudo bem.
Resolvemos o problema.
Infelizmente, há uns minutos
foi divulgado um comunicado anunciando a morte de Tarallo,
cujo estado parecia ser muito grave logo após o ataque de hoje.
Estão a chegar mensagens de condolências e apoio à família
de todo o mundo institucional.
As autoridades detiveram um nigeriano de 35 anos
cuja identidade está a ser…
É óbvio que acabaram os bodes expiatórios de aluguer
e arrastaram um pobre coitado que não tem nada que ver com isso.
Quem sabe se o Tarallo sabia desta confusão toda ou não.
O que ele não sabia era que a sua vida estava em risco. Ele sabia do resto.
De certeza que o Vigilante lhe disse para ficar em palco, a todo o custo.
Para fazer dele um herói.
O negócio da energia nuclear era demasiado importante para perder devido ao Tarallo.
Na verdade, nós é que perdemos. Outra vez.
Para onde levo isto?
Por mim, podes deitar tudo fora. A unidade já não existe.
Yang.
Num hospital público. Neste bairro.
Salvas por um amigo migrante… daquela bruxa. Eu…
Diz-me, como pode alguém dar à luz assim? Diz-me.
Posso?
Ela pode?
Sra. Rosaria, vamos beber um café.
Eu levo a sua mala. Vamos.
Não gostei da forma como me trataste.
Sim, tens razão. Mas temi por ti.
Se algo te tivesse acontecido, nunca me perdoaria.
Não me podias ter dito para ficar afastada porque era perigoso?
Não sabia se o terias feito.
Não, não teria.
Lembras-te da adrenalina no restaurante?
É lindo, não é?
É lindíssimo.
Queres pegar nele?
Não sei.
Vá lá, pega nele.
Calma.
Pronto.
O Pardo?
Está lá fora.
- Deixa-o entrar, quero vê-lo. - Sim?
- Vai lá. - Sim.
Querido.
Olá.
Aqui estás.
Onde está ela?
- Olá. - Olá.
Pareces a Virgem Maria e o Menino Jesus.
Tenho mesmo um filho. Quanto à Virgem, não sei.
Já escolheste o nome?
Massimiliano.
Gosto, é um nome bonito.
Mal posso esperar para o levar para casa.
Disse-te que o escritório do Giorgio será o quarto dele?
Não.
Tem a melhor vista e… Acho que é o que ele quereria.
"Devido a uma mudança súbita, apartamento para arrendar em via Duomo
com um lindo quarto de criança mobilado e uma boa varanda."
Boa!
- Bom dia. - Olá.
Olá.
Com licença…
Tenho algo urgente para fazer.
- Parabéns. Ele é lindo, Viola. A sério. - Obrigada.
Anda cá.
Obrigada.
- Quem é? - Senhora?
- Boa noite. - Boa noite.
Desculpe aparecer a esta hora. Talvez ainda estejam a jantar.
O Edoardo?
É sobre isso que quero falar, senhora. Sou inspetor da Polícia.
Mostre-me a identificação.
Chama-se distintivo, minha senhora. Não é uma identificação. Seja como for…
Não tenho porque estou de licença.
Senhora?
O Edoardo está em Lisboa.
Isso não é verdade. Tentei ligar-lhe. Ele está incontactável.
E vi o senhor na outra noite com uma mulher. Arrombaram-lhe a porta.
- E voltou. - Sim, tem razão. É verdade.
Fizemo-lo porque queremos ajudar o Edoardo.
- Se me deixar entrar… - Não entende. Vou chamar a polícia.
Eu sou a polícia, minha senhora.
Vá-se embora!
Mas que… O que estás a fazer?
Onde está o Edoardo? Porque não volta?
Olá.
O Edoardo está de férias. Sou amigo dele.
Posso entrar?
APARTAMENTO PARA ARRENDAR EM VIA DUOMO
Não entendo porque descreveu o quarto da Ely.
Não sei, minha senhora, mas podemos perguntar à miúda?
Sim, claro, o quarto dela é por aqui.
- Por favor. - Obrigado.
- Ely? - Ely.
Ely… Posso fazer-te uma pergunta?
Há alguma hipótese
de o Edoardo ter vindo ao teu quarto
e ter usado o teu computador ou os teus brinquedos?
Não tenho computador. Vou a casa dele quando a mãe trabalha.
Olha.
Quando vimos o jogo juntos, ele deu-me isto.
Ele disse-me para nunca o abandonar.
- Quando foi isso? - Antes de ele desaparecer.
Posso ver?
Não te preocupes, o meu pai era alfaiate. Sou muito bom nisto.
Um novo escândalo terrível está a perturbar a política italiana.
O ataque onde o candidato regional Tarallo perdeu a vida,
seria apenas o ato final.
Edoardo Belliti descobriu um terramoto que abalou todo o mundo da política.
Apostando no ódio e no medo,
Tarallo e o seu comité deram vida a uma campanha eleitoral xenófoba.
Durante meses, foram cometidos crimes por imigrantes ilegais na Campânia,
com a intenção de impulsionar a campanha de Tarallo.
A investigação de Belliti abriu uma caixa de Pandora
de um sistema político sobre corrupção e apoio criminal.
A investigação a Tarallo e ao sistema criminal que o apoiou
viaja pelo mundo inteiro.
A INVESTIGAÇÃO TARALLO: CRÓNICA DE UMA FRAUDE ELEITORAL
O telefone arruinou a minha aparição.
Raios!
Está bem. O que querias?
Parabéns. Como o fizeste?
Explico depois.
Vais descobrir sozinha. Tenho algo importante para te dizer.
Durante o comício do Tarallo,
as câmaras de segurança estiveram desligadas durante meia hora.
Sabemos que o Vigilante tem o dedo em todo o lado,
mas para algo assim, um criminoso não chega.
Certo? Até um criminoso como ele.
O Vigilante nunca para.
Berlim, Roma, Milão, Palermo.
Muito bem, que mais temos?
Escutas telefónicas.
Áudio, claro. Caso contrário, os tipos em Roma nunca me teriam convidado.
A verdade é que ninguém te convidou. Eu é que te levo.
- O ataque foi confirmado? - Talvez.
Se Roma não confia em enviá-las para cá,
significa que há algo importante nas escutas. Vamos.
Como correu em Roma?
Como esperado.
Como assim?
Um beco sem saída.
Desculpa.
Olá, morena!
Ouviste o CD do Massimiliano?
Não. Ainda não estou pronta.
De que precisas?
Antes do ataque em Florença…
… tu e o Massimiliano foram a Roma.
O que aconteceu lá?
Não é a mim que tens de perguntar.
Não fui convidado. O Lembo não me deixou entrar.
Quando ele saiu da sala,
o Massimiliano disse que voltámos à estaca zero
e que as escutas telefónicas eram inúteis.
E acreditaste nele?
Sim, claro que acreditei nele.
Porque mentiria?
Olá, Lembo.
Chegaste tarde, Morozzi.
Se estás a falar da verdade, talvez. Mas o que importa é chegar lá.
Foste tu, certo?
Hoje como ontem.
Massacres, ataques.
Foste tu que os encobriste.
Ainda tens o mau hábito de passar dos limites sem provas.
Sabes quem mais passou dos limites?
O atirador no telhado do comício do Tarallo.
Mas, desta vez, o Vigilante não sairá impune.
Fica bem, morena.
E faz o que um bom agente deve sempre fazer.
Esquecer.
O Massimiliano era o melhor nisso.
Florença e toda a Itália estão de luto.
Um atentado, na calada da noite,
ocorreu a poucos passos de distância da Galleria degli Uffizi,
na via dei Gergofili, causando mortes, feridos
e imensos danos ao património artístico da capital toscana.
Mais de 30 ficaram feridos e cinco morreram, incluindo duas crianças.
O que aconteceu…
- Olá. - Olá.
É o histórico da localização do Vigilante?
Sim.
Foi a última coisa que a Anna Maria fez para mim.
O que descobriste?
Nada.
Só que ele gosta de correr.
Foi o Lembo que encobriu o Vigilante.
Ele sempre o encobriu.
Estás a começar a gostar? Mas é um pouco tarde.
Foi a mesma coisa que ele me disse.
Confrontei-o e ele deixou transparecer que o Massimiliano sabia.
Ele sabia e não o impediu.
O Lembo é um sacana.
Ele só está a tentar manchar a memória de um homem morto.
Se o Massimiliano soubesse, ele ter-te-ia dito.
Achas mesmo?
Nunca tive jeito para mentir, sabes disso.
Se eu mentisse, saberias, certo?
Vou fazer-te um café.
COMO TARALLO IA GANHAR AS ELEIÇÕES
Meu amor,
se ouves estas palavras, significa que morri.
Ou que o Catapano está a fazer uma piada de mau gosto.
Sabias que ele não te suportava?
Passámos a vida toda a pensar noutras coisas. No trabalho, em nós.
Mas agora que morri,
não fiques sozinha.
SARA: A MULHER NA SOMBRA
Legendas: Carla Chaves
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