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INSPIRADO NOS ROMANCES DE MAURIZIO DE GIOVANNI
CHAMADA PERDIDA
- A chamada vai ser reencaminhada para… - Foda-se.
- Morozzi. Olá. - O que foi?
- Consegues ouvir-me? - Sim.
- Que barulho é esse? Onde estás? - Espera, vou para outro sítio.
Ouve. Tenho uma chamada perdida do Edoardo no meu telemóvel.
Liguei de volta, mas está desligado.
- Ouviste-me? - Está bem.
Vou a casa dele. Quando acabares de dançar, vai lá ter.
Está bem.
Vemo-nos lá, adeus.
Merda.
SARA: A MULHER NA SOMBRA
Adeus, Sara.
Adeus.
Viola.
Já não ia a um concerto há imenso tempo.
Ouve, tenho a consulta de seguimento depois de amanhã.
Podes voltar, se quiseres.
Talvez numa posição mais oficial, desta vez.
- Adeus. - Adeus.
Vá, abre a porta. Mostra-me o que consegues fazer.
Uma britadeira teria sido mais discreta.
Disse a espiã que não abre fechaduras.
É moderna, senão abria só de olhar.
- O que procuramos exatamente? - Computador e tablet.
Não há computador
nem tablet. - Nem uma folha de papel.
Ele fugiu e levou tudo com ele.
Tudo isto tem que ver com a investigação ao Tarallo.
Ai sim?
O que significa isso? Que acabou como o Sergio?
Mesmo que tivesse acabado, não podíamos ter feito mais nada.
Já chega para dormir à noite?
Não para mim.
Musella. Sim.
Preciso de informações.
Encontrem o Edoardo Belliti.
Ele é jornalista.
Obrigado, Musella.
Sim?
Abra, inspetor, sou eu.
Não, eu desço.
Está bem.
Desculpa, não ouviste a campainha?
Não sou a criada. Já estou a tratar do coitadinho.
- Coitadinho, o tanas. - Sofre de solidão.
Não, sou eu que tenho sofrido com a companhia dele desde que o tenho.
Dás-me o casaco, por favor?
Ouve, vou sair. Queres alguma coisa? Um café?
Sim. Um macchiato ginseng de soja grande.
Isso não é café…
Ignora-o. Ele não te merece.
- Olá. - Inspetor.
Foi uma noite difícil?
Neste momento, não temos nada sobre o jornalista.
Ninguém o deu como desaparecido e não deu entrada em nenhum hospital.
O mesmo nos portos e aeroportos.
E, obviamente, nenhum corpo.
Está bem.
E?
- O quê? - Só isso?
É isso.
Não podias ter-me enviado uma mensagem? Vieste até à minha casa?
Podia, inspetor, mas agora é o meu informador.
- O quê? O teu informador? - Estou a brincar.
Queria algo mais íntimo. Já passou algum tempo e tive saudades.
Entendido.
- Até logo. - Espere, inspetor. Há uma coisa…
- Sabe o Pino Failla, do carro-patrulha? - Sim. O da barbicha…
O tipo feio e chato. Que tem?
- Feio é subjetivo. - O Pino Failla é feio.
- Conheço mulheres como ele. - Sim? Está bem.
- Adiante, ontem… - Sim?
Ele ofereceu-me um café.
- O que me importa isso? - Ele fez muitas perguntas.
- Ele queria saber coisas sobre si. - O Failla?
A licença, o que anda a fazer, como é, com quem trabalha…
- Foi estranho. - O que lhe disseste?
Nada. Fui vago.
Muito bem.
Na verdade, é estranho.
- E agora? - Nada, Musella. Absolutamente nada.
Se ele fizer mais perguntas, vem dizer-me, está bem?
- Está bem. - Tenho coisas para fazer.
Eu carrego-te o telemóvel, está bem?
- Manda SMS. Não tens de vir aqui. - Aonde vai?
Mete-te na tua vida. Vou tomar um café.
Ginseng, macchiato…
- Tanto faz. - Está bem. Obrigada.
Nada para mim?
Outra vez? Já não me assustas, Morozzi.
O que disse o Musella?
Diz que um colega meu,
um idiota chamado Failla, anda a fazer muitas perguntas sobre mim.
- Eu trato disso. - Sim.
- Belliti? - O Edoardo?
Ninguém parece ter saudades dele.
Seja como for, não. Não o encontrámos. E o carro do Tarallo?
Nada de especial.
Podes ver se há alguma coisa no telemóvel do rapaz?
- Entretanto, vamos ao jornal. - Não.
Não. Tens de me dar tempo para tratar da porra da barba.
Esperem.
Há uma mensagem não lida desta manhã.
De um tipo chamado Luigi Laudanna.
Diz: "Ainda precisas de ajuda? Encontramo-nos às 10h30."
- Quem é o Laudanna? - Sim.
Só um segundo. O avozinho não tem rede.
Aqui está ele: "Professor de História da Doutrina Política", na Federico II.
Confirma o encontro e a Teresa que localize o telefone do Edoardo.
Vou à universidade.
Faz a barba. Pareces mesmo um velho.
Vou-me embora.
Não é verdade.
A barba fica-te bem.
Ela é que é antiquada.
Agora não posso. Estou à espera de alguém.
Volte na quinta-feira.
A pessoa que esperava não vem.
Desculpe?
O Edoardo não vem.
Parece ter desaparecido.
Diga-me o que sabe e porque se iam encontrar hoje.
De que está a falar?
Desculpe, quem é?
Sou a única que o pode ajudar se está mesmo em perigo. Confie em mim.
Em perigo?
Costuma ajudá-lo com as suas investigações?
Não. Na verdade…
Nunca.
Mas…
Talvez algo mau lhe tenha acontecido?
Estamos a tentar determinar isso. Ajude-me, professor.
O Edoardo é uma daquelas joias raras
que as universidades têm dificuldade em manter.
Discutimos sobre isto.
Tive uma crise de ciúmes.
E também tive azar,
porque, nesse mesmo período,
o seu melhor amigo,
um investigador num instituto neste mesmo andar…
Morreu. Coitado.
Talvez tenha ouvido falar dele. Sergio Minucci.
Claro.
- E ele estava aqui, no mesmo andar? - Sim.
2 ANOS
Estão noivos, certo?
É difícil explicar.
Decidimos não estar sempre em cima um do outro.
Ambos temos o nosso espaço.
COPIAR FICHEIROS?
Quem trancou esta porta?
Abram!
Não nos ouvem. Chama a segurança, está lá alguém.
Sara. Encontrei algo interessante nos ficheiros do Sergio. Olha.
Um ficheiro encriptado chamado Richelieu com vários subficheiros.
Imprimi tudo.
É a investigação do Edoardo.
Estavam mesmo atrás dele?
Então?
É o líder dos italianos.
Ombros para trás, sem sinais de tensão.
Está lá para garantir que tudo corre como é suposto.
Na verdade, quando a reunião acabar, os outros não saem até ele sair.
Porque é que aqueles três italianos foram ter com os neonazis alemães?
Desculpem, mas o que acabei de ver não sugere nada.
Ler nos lábios é difícil devido à pouca luz.
Mas devem estar a falar de multidões, jogadores e no momento certo.
Precisamos de provas concretas,
não previsões baseadas em imagens pixelizadas onde não se vê nada.
Tenho de reportar ao Comité Parlamentar.
- Não ao clube de petanca. - Sim, nós sabemos isso.
Na verdade, não tem de se esforçar. Basta reportar.
- Estão a falar de um ataque. - Não estou aqui para ser insultado.
- Sou um senador da República. - Não precisa de se enervar.
Talvez precisemos todos de nos acalmar.
Verificaram a identidade do tipo que se presume ser o líder?
As escutas são confusas, mas achamos que se chama Enrico.
Estamos a tentar identificá-lo.
Alguém está mesmo a seguir-te ou tinhas saudades deste sítio?
Um Opel preto com uma matrícula suspeita. Já verifiquei.
Talvez seja do polícia intrometido de que te falei na SMS.
Do Failla? Nem pensar, já perguntei. Anda a comer a ex do Pardo.
Todas aquelas perguntas devem-se ao facto de se sentir culpado.
Que azarado.
O telemóvel do Edoardo foi desligado às 22h48.
A torre de Pianura localizou-o, perto dos estaleiros.
Encontrei isto num ficheiro encriptado no computador do Sergio,
juntamente com o material reunido para a investigação.
O Vigilante.
Com o Tarallo.
Sabemos que a Cosa Nostra está a planear mais ataques.
Colocou bombas com a ajuda de alguém durante 18 meses.
Já percebi, Massimiliano. Mas os fascistas?
- Com os neonazis alemães? - Porque não?
Os "Anos de Chumbo" acabaram, Massimiliano.
As pessoas seguiram em frente. Se não o fizermos, já perdemos.
Porra, confia em mim, está bem?
Os nossos procedimentos e protocolos são certificados.
Esta unidade segue métodos científicos.
O que estão a dizer?
- Não confiam em nós. - Claro. Os idiotas.
Temos de encontrar o tipo.
"Temos de encontrar o tipo. Ele não trabalha para a Cosa Nostra."
Ou é político, ou algo que desconhecemos.
Mas se quer colocar uma bomba algures, temos de o impedir.
Tamburi…
"O senhor e outros oficiais de confiança, têm uma tarefa específica."
Parar os ataques da máfia.
Talvez não tenha sido claro.
- É o que estou a tentar fazer! - Massimiliano. Então?
Teresa, está tudo bem?
Não me disseste que ias voltar. Precisas de algo?
A que ano chegaram?
Até aos 2000.
Enviados para Roma ou destruídos.
Quando decidiram tornar-se tão eficientes?
Nós? As pessoas em Roma estão com pressa.
Não toquem nas pastas do meu gabinete.
- Certo? - Certo.
- Que sítio é esse? - Estou a tentar perceber.
O teu telemóvel.
- Anna Maria? - O que foi, Teresa?
Tens de me fazer um favor.
Descobre tudo o que puderes sobre o Enrico Vigilante.
- Tem prioridade máxima. Despacha-te. - Adeus.
Podes substituir-me? Tenho de fazer uns telefonemas.
- Estou? - Musè!
Fala o teu informador. Como estás?
Bem, obrigado.
Preciso de um favor.
Preciso de uma lista de todos os estaleiros ilegais suspensos.
- De Nápoles? - Não, Pianura e arredores.
- Está bem? - Vou fazê-lo assim que puder.
Obrigado. Adeus.
Rachele?
Olá.
O que se passa?
Queria dar-te isto.
Vais admitir que não parecem o casal distante que descreveste.
Como assim? Tínhamos liberdade, mas não significa que não estávamos apaixonados.
Mais alguma coisa? Estou à espera do meu pai.
O Sergio apresentou-te ao seu querido amigo Edoardo Belliti?
É jornalista. Lembras-te dele?
Vagamente, talvez o tenha conhecido.
A sério, foi um dia difícil.
O nome Enrico Vigilante diz-te alguma coisa?
Não me parece. Como disse, vim ter com o meu pai.
Boa noite.
- Pardo? - Morozzi.
Identificámos o local onde o Tarallo e o Vigilante se encontraram.
Via Pascetta, perto dos estaleiros em Pianura.
É onde o telemóvel do Edoardo foi desligado.
- Foi por isso que procurei lá primeiro. - Perfeito, bom trabalho.
- Vou já para aí. - Está bem.
Tira as pernas. Não estás em casa.
Não quero esfregar isto na cara com estereótipos de género, está bem?
Mas sabes que conduziste 20 quilómetros a mais do que o necessário?
Também não quero esfregar na cara e dizer que és superficial, como todos os homens.
Mas reparaste que temos um admirador que nos segue há dias?
- Não. Sinceramente, não. - Exato.
- Andei mais para o despistar. - Será o Failla?
É o Pino Failla, o imbecil.
A tua amiga não o pode incinerar com um satélite?
Quem quer que seja, tem de pensar que está a perder tempo connosco.
É aqui.
Chegámos.
Toma.
Pardo.
Enrico Vigilante, o homem que viste com o Tarallo, já o conheço.
Nos anos 90, andávamos atrás dele, mas nunca o conseguimos apanhar.
Não sei o que ele anda a tramar agora, mas garanto-te que ele é muito perigoso.
Perigoso como?
A Cosa Nostra chamou-o para que os fascistas pusessem bombas.
Se ele tiver algo que ver com o Sergio ou o Edoardo, a situação…
Deixa-me ver se percebi. Estás preocupada comigo?
O que quer que este tipo tenha feito, é preciso mais para me preocupar.
Ótimo. Nesse caso, posso desabafar outra coisa.
Não precisas de me proteger. Força.
O Failla não te quer incriminar.
Ele sente-se culpado porque anda a foder a tua ex.
Pardo.
Olha.
Foda-se.
Os óculos do Edoardo.
Diz-me outra vez que não podíamos ter feito mais nada.
Já vi muita merda na vida.
Vi pessoas a serem mortas pelas razões mais absurdas.
Mas este mal sombrio,
estes interesses escondidos e abstratos… Não percebo.
- Nem precisas. - Sim.
- Tens de lutar contra isso. - Que se foda isso.
Isso enoja-me, Morozzi.
Dá-me nojo. Assusta-me.
Não quero nada disso.
Aposto que levaram o corpo
e o levaram para outro lado para encenar outra farsa, certo?
O coitado até lhes fez um favor por ser negro.
Porque não atendi o telefone?
Fala com o Musella. Estou-me nas tintas.
Amanhã, quero todos fora daqui.
- O que fazes? - O que faço?
Diz à tua amiga.
Diz ao Ministro do Interior. Diz ao Papa! Estou farto! Acabou!
Podes ter calma?
Calma? Calma, o tanas! E tira essas pernas daí!
- Não me toques! - Cala-te! Cala-te.
MAIS SEGURANÇA, MAIS LIBERDADE
Dadas as horas, espero que seja divertido.
Receio que o jornalista esteja morto, Teresa.
Ainda não encontraram o corpo, mas o local de encontro estava cheio de sangue.
Encontraram três cartuchos e duas balas,
o que significa que a terceira ainda está no corpo.
Está a gozar connosco outra vez.
Se nos tivessem dado ouvidos na altura…
O Vigilante tinha de ser abatido ali.
Sim, tudo isso enlouqueceu o Massimiliano.
Ele ficou obcecado com isso até ao fim.
Nunca ultrapassou a oportunidade perdida e por ter falhado depois.
Ele tinha razão. Fez tudo mal.
E desde que fiquei no lugar dele, sei que não foi o único erro dele.
Fazer tudo mal, é o destino de quem está no comando.
Claro. É muito mais conveniente esconderes-te. Assim, não cometes erros.
É a Anna Maria. Ela diz que o teu inspetor quer que nos vamos lixar.
Sim, foi demasiado para ele. Mais vale deixá-lo. Ele não fala.
Consegues avançar sozinha? Ou a investigação terminou?
De que merda estás a falar?
Não me obrigues a lembrar-te de como nos metemos nesta confusão.
Vemo-nos na casa do Pardo.
Ouve, tenho a consulta de seguimento depois de amanhã.
Podes voltar, se quiseres.
Talvez numa posição mais oficial, desta vez.
Não, porra.
Hoje não.
Hoje não. Foda-se, hoje não!
Anda, vamos. Anda.
Olá.
O que aconteceu? O que se passa?
Aquele carro continua a seguir-me. Não queria pôr a Viola em risco.
Estamos à espera que o Fininho arrume tudo aqui.
- O Musella enviou-me uma SMS. - O que disse ele?
Ele diz que o ADN encontrado em Pianura pertence a duas pessoas.
Um deve ser do Edoardo. O outro não sabemos.
Mas conhecemos os invólucros e as balas
porque são da mesma arma que matou o Gaspare Russo.
O que acham eles?
Estão a verificar.
A hipótese é que houve uma luta,
tiros, mas não tiveram tempo para limpar.
Morreram duas pessoas?
- São três. - Três?
O Musella disse que o informador do Edoardo foi esfaqueado ontem à noite.
Dizem que foi assalto. Quem acredita nisso?
Mas o corpo do Edoardo e o tipo que morreu com ele estão desaparecidos. Estranho.
Estão obviamente à espera do momento certo para os tirar.
Seja como for, a Vespa do Edoardo foi encontrada lá perto.
- Foi de livre vontade? - Sim.
Devem tê-lo avisado, mas era uma armadilha.
Exato.
E acabaram com ele ali mesmo.
Ainda estás connosco?
Não. Mas queria contar-vos pessoalmente.
Esperem. Há uma conversa que têm de ouvir.
Aumenta o volume.
Obrigado por arranjares tempo, Enrico.
Na verdade, não tive tempo, por isso é rápido. O que tens para dizer?
- É o Vigilante. - É o Vigilante.
Soube de uma sondagem privada
que me deixa quatro pontos atrás.
É muito, não é?
Depende.
Mas estamos prontos para tudo, certo?
Outro truque de magia do nosso mestre e…
Digamos um empurrãozinho no final da campanha eleitoral.
Estás a perguntar-me se tenho tudo sob controlo?
E tu?
Tens tudo sob controlo?
Para dizer a verdade, lembrei-me de outra coisa.
- A sério? - Sim.
Porque, segundo esta sondagem,
o que os eleitores não gostam no programa nem é da segurança nem da imigração.
É da energia.
O que tem a energia?
Os meus eleitores estão divididos quanto à energia nuclear.
Tivemos um referendo contra isso. É dispendiosa e assusta as pessoas.
Estás a recuar?
Não. Não é recuar.
- É o oposto. É uma oportunidade. - Eu ouvi.
Mas não sei o que significa.
Significa que devíamos ser mais brandos em algumas das nossas posições.
Dar tempo às pessoas para digerir.
Só isso.
Os eleitores adorariam isso, certo?
Sim.
Porque agora tens eleitores.
Sim, tenho.
Sei que começámos com energia nuclear, mas…
Tenho um forte pressentimento e gostava de lhe dar atenção.
Afinal, ganhar é o que conta. Estou enganado?
Não estás enganado.
- Queres dizer-me mais alguma coisa? - Neste momento, não.
Então, adeus. Fica bem.
Temos outro problema.
Olha para aquilo. Olha para aquele perfil.
Parece mesmo um patife.
Está tudo bem. Muito bem.
Mas começo a ter contrações.
Tendo em conta o tempo da gravidez, o teu colo do útero é um pouco curto,
mas o miúdo está a crescer.
Não faz mal se ele nascer um pouco mais cedo.
Miúda…
… estamos quase lá.
De certeza que o fumo passivo não me faz mal?
Não sou pneumologista.
Se um copo de vinho ao jantar não faz mal…
Alguém te vem buscar ou tens de apanhar o autocarro outra vez?
- Com este calor… - Não, vem aí alguém. Aliás, tenho de ir.
Não, espera.
Há algo que quero dizer-te antes de ires.
Vou ser avô.
Isso é ótimo! Parabéns!
O meu filho disse-me que ele e o Giorgio falaram muito sobre isso.
Ele teria gostado que os miúdos crescessem juntos.
Como eles fizeram, certo?
Mas agora que o Giorgio… já não está aqui,
se quiseres, podemos fazer o mesmo contigo.
E o pequenino.
O que achas?
Desculpa.
Estou a envelhecer.
O Tarallo sabe do esquema.
Até pediu para encenar um maior para a final.
O que nos importa a detenção do Tarallo?
Não ouviste como ele estava assustado? O Tarallo é um fantoche.
O Vigilante é o mestre dos fantoches há 30 anos.
O que faremos se ele ganhar as eleições?
Vai ser uma confusão. É isso que o Vigilante quer.
O que o Vigilante quer é uma central nuclear.
A questão não é essa. E não o podemos provar.
- Devo intervir? - Mete-te na tua vida.
Essa pausa, Teresa.
Aquele tom baixo e perturbado, quando o Tarallo falava da central…
Eu ouvi a pausa!
Mas não quero saber, porque ao contrário de ti,
que não existe, presto contas a alguém.
Preciso de algo para agir, está bem?
Se tiver provas contra o possível futuro governador regional, vou usá-las.
Tretas. Queres é proteger-te. Porque a unidade acabou. Encerrada!
Precisas de um troféu para te exibires, para chegar à reforma.
O que te ofereceu o Lembo?
Um bom lugar em Roma para coroar a tua carreira?
E se tiver oferecido?
Achas que és menos egoísta do que isso?
Achas que alguém acredita que fazes isto pelo teu país?
Não achas que é óbvio que queres o Vigilante
para acertar contas por causa do Massimiliano?
Então, fá-lo. És livre de o fazer.
A não ser que atrapalhe a segurança nacional
e o que eu quero. Ponto final!
Ou me dizem o que se passa ou saiam daqui.
A decisão é vossa.
É muito provável que o Vigilante represente um grupo poderoso
interessado em construir uma central nuclear na Campânia.
Já sabia. Obrigado. E depois?
E alguém lhe paga para a concretizar, custe o que custar.
Foi por isso que escolheu um político manobrável.
Há outros grupos poderosos que são igualmente importantes.
Na outra noite, no restaurante, ofereceram dinheiro ao Tarallo.
Para aceitar a sua causa: energias renováveis.
Foi por isso que o Tarallo pediu ao Vigilante para abandonar a central.
Sem saber que é por isso que o Vigilante o quer
e o que o fará ganhar as eleições.
Ótimo.
E então? O que fazemos agora? Vamos atrás do Tarallo?
Exato.
Porque o que acabámos de dizer é plausível, mas muito difícil de provar.
Embora tenhamos provas claras e simples
de que a investigação deles era sólida.
E o Tarallo é corrupto. Veremos o resto.
Estou aqui. Consigo ouvir-te. Abre a porta!
Abre!
Compreendes o que faço para ganhar a vida ou não?
Se não atendo, é porque não posso ou não quero.
És uma cabra! Não acredito que confiei em ti!
A minha mãe tinha razão. És uma cabra e uma mentirosa! Vai-te foder!
Somos seguidos, não fomos condenados à morte. Foi desnecessário.
Não a quero pôr em risco. Ela vai compreender.
Teresa.
O quê?
- Estou a acabar o ficheiro do Vigilante. - E então?
Parece que tem uma grande empresa de comunicação social, dentro de outras.
E adivinhem? É uma das empresas do Paolo Anzovino.
O pai da Rachele.
Isso. Foi ele que pôs o Sergio no staff do Tarallo.
Está tudo ligado, Teresa. Desde o início. E ao Sergio também.
- Foi o Vigilante que matou o Sergio. - Não uses essa tática.
Dá-me 48 horas.
Depois, faremos o que decidires.
Legendas: Carla Chaves
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