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INSPIRADO NOS ROMANCES DE MAURIZIO DE GIOVANNI
Sei que fui um peso para ti
e que ainda estás a pagar por me teres escolhido.
E não há nada de errado se, às vezes, nos perguntarmos
se valeu a pena.
SARA: A MULHER NA SOMBRA
S.TRABALHO CASA
- Obrigada. - De nada.
ONDE ESTÁS?
Olá.
Olá.
Já aqui?
Não tinha sono.
Espera pelo início da reunião.
Vai pôr-te a dormir.
- Como correu ontem à tarde? - A mesma treta de sempre.
- A nossa fonte estava no Tarallo? - Não.
Acho que não o vi ontem.
Viste-o ou não? Não percebi.
Não, não o vi.
Vai lá acima.
Então?
Fez-te bem dormir sobre o assunto?
Queres dizer-nos para quem trabalhas?
Vais falar ou não?
Já disse que trabalho para o Tarallo.
Ele perguntou para quem trabalhas mesmo. Percebeste, otário?
É verdade. Trabalho para o Tarallo. Verifiquem. Vá lá, verifiquem.
Ouve, miúdo,
se nos disseres o que queremos saber,
ninguém se magoa e podemos ir embora desta espelunca rapidamente.
Porque mentiria? Porquê?
Trabalho para o Tarallo. Sou do staff. Apanharam o tipo errado, acredite.
Está enganado.
Procuramos um otário que,
em vez de fazer o que devia, faz exatamente o oposto.
Chama-se Sergio Minucci. Como te chamas?
Como te chamas? Tens de falar. Como te chamas?
Calma ou magoas a carinha laroca dele.
Levanta-o!
Espere.
Não sei quem lhe disse isso, mas é mentira.
Talvez haja um tipo no staff dele que pense que é esperto.
Talvez. Se me deixar ir, posso ajudar-vos a encontrá-lo.
Ouça-me. Solte-me. Faço o que quiser.
Eu ajudo-o a encontrá-lo. Ninguém saberá. Estou do seu…
HOMEM PRESO POR POSSE DE DROGAS E ARMA DE FOGO
ACIDENTE MORTAL
POLÍCIA NO LOCAL DO ACIDENTE ONDE LUDOVICO TERZANI PERDEU A VIDA
Faço depois.
PESQUISAR ACIDENTE MORTAL LUDOVICO TERZANI
ONCOLOGISTA DE RENOME MORTO EM ATROPELAMENTO E FUGA
Mas que…
- Olá, Renà. - Inspetor.
Vim buscar os bens pessoais do Giorgio Alberti.
Giorgio Alberti. Ora bem…
- Não há nada. - Há para mim.
Vá lá, Renà.
Bendito o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo,
o qual nos abençoou com bênçãos espirituais, sítios celestiais, em Cristo.
Como, também, nos elegeu nele, antes da fundação do mundo.
Claro!
Que os Anjos recebam o Giorgio e o conduzam ao trono do Altíssimo.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ámen.
Giorgio, não vens?
O médico que atropelou o teu filho está morto. Sabias?
Quando?
Ontem à noite.
Também foi atropelado.
A vida é estranha, não é?
Sim.
- Mais uma vez, os meus pêsames. - Obrigada.
Quanto ao seguro, ainda tenho de tratar disso.
Não vim por isso. Queria dar-lhe os bens pessoais do seu parceiro.
- Eu levo, obrigada. - Não, larga.
- Desculpe, não queria perturbá-la. - Não. Fiquei apenas surpreendida.
O advogado disse-me que costuma demorar.
Foi ela?
- Porquê? - Tendo em conta que era ela que mandava.
Não, de todo. Foi…
A iniciativa foi minha. Quer um conselho?
Não confie naquela pessoa, está bem?
Não hesite em entrar em contacto se precisar de algo.
Adeus.
- Adeus. - Obrigada.
Aonde vais? O inspetor disse-te para não o fazeres.
- Viola. - Mãe!
- Onde arranjaste isso? - No gabinete dele, mas posso devolvê-lo.
Só queria voltar a encontrar o cheiro dele, mas…
É demasiado tarde para isso.
Tudo bem. Fica com ela.
O inspetor tem razão. Não ajudei na recuperação dos pertences do Giorgio.
E nunca mandei em nada.
Mas podes confiar em mim.
Como sabes o que dissemos?
Podes contar comigo. Acredita, não vou desaparecer.
Nunca terás problemas comigo, Terè. Estou sempre presente.
Exato.
Preciso de ti. Um dos meus contactos desapareceu.
Já não trabalho para a unidade.
Não para a unidade. Para mim. Ninguém pode saber na esquadra.
Deixa-me dizer-te de outra maneira. Já não trabalho mais. Ponto final.
O Terzani espiava o teu filho. Sabias?
Como descobriste?
Comecei pelo teu interesse na Coronel Silvia Prati.
E disseste-me que havia uma história de amor por trás da morte do Giorgio.
O Terzani matou o Giorgio e tu mataste-o.
E posso prová-lo.
- Estás a chantagear-me? - Chantagem? Não.
Digamos que preciso de ti e farei tudo para te ter.
Quem é ele? E quando é que desapareceu?
Sergio Minucci. O tipo que te deu as chaves.
Trabalha para o Tarallo.
Não atende chamadas nem usa o telefone há 24 horas.
Não houve anomalias nos dias anteriores.
Só falou com a namorada, os amigos de liceu
e um grupo de chat que usava para procurar casa na Riviera de Chiaia.
Não enviou mensagens a dizer que estava tudo bem
e não apareceu na nossa reunião de emergência.
De certeza que corre perigo.
- Que autonomia tenho? - O que quiseres ou precisares.
- Mas não te aproximes do Tarallo. - Porquê?
Porque não posso expor a operação. Estou em cima dele.
Tal como em cima dos outros candidatos. É rotina.
Aqui está a morada do Sergio, da casa da mãe,
toda a informação sobre a noiva, um cartão SIM e uma pen USB.
Sabes usar uma pen USB, certo?
Vai-te foder, loira. Não me despedi na Idade Média.
Copia todo o conteúdo do computador para a pen.
Se precisares de mim, sabes onde estou.
A SINCRONIZAR
Sergio?
Sergio!
Sergio, é a mãe, abre!
Sergio, abre a porta!
Sra. Minucci, o que se passa?
- É o Sergio! - O que aconteceu?
Não atende nem abre a porta!
- Céus, o que aconteceu? - Não tenho notícias dele há 24 horas.
Ele liga-me de três em três horas. Estou tão preocupada.
Santo Deus. Não tem uma chave suplente?
- Uma cópia? - Não. Vou à polícia.
Não me importa o que diz a namorada.
TRANSFERÊNCIA CONCLUÍDA
Não! Não, senhor, não!
Também não acho que seja um herói. Não.
Não, senhor. É só…
Mas será que ele não fala porque não tem nada para dizer?
Não, senhor, não! Está bem. Está bem, senhor.
Basta dizer e fazemos. Está bem.
- Dá-me isso. - Então, pai? Fizeste um bypass.
Cala-te, idiota!
ESTOU COM TARALLO - ELEIÇÕES 2024
POLÍCIA
- Bom dia. - Bom dia.
Como estás, Lorenzo?
Preocupado.
Preciso de uma cópia do relatório do desaparecimento do Sergio Minucci.
- A mãe dele deve ter participado. - Para quem trabalhas agora?
Porquê? Alguma vez te disse para quem trabalhava?
Não.
Mas agora é diferente. O Tamburi está morto, tu desapareceste.
Posso ter problemas por causa disto.
Mas que merda andas a fazer?
Não sou eu que te vai meter em sarilhos.
Lorenzo! O que é que ela queria?
Boa tarde, minha senhora. Sou da polícia. É a mãe do Sergio Minucci?
Sim. O que aconteceu? Encontrou-o?
Infelizmente, não.
Vim obter mais informações.
E como fez uma participação, vim saber porque não acredita que quis desaparecer.
- Por favor, sente-se. - Obrigada.
O Sergio não faria isto.
Não falou comigo nem com a irmã. A irmã dele vive em Milão.
Falam todos os dias. Ele não ligou ontem nem hoje.
- Com licença. - Claro.
Olá, minha senhora. Inspetor Davide Pardo.
Devíamos vir juntos, mas o inspetor atrasou-se…
Quando não apareceste, resolvi entrar.
- Por favor, sente-se. - Obrigado.
- Sente-se. Quer um café? - Eu fico de pé. Obrigado.
Desculpe, como… Como a minha colega estava a dizer,
tivemos um intruso na esquadra e tive de ir verificar.
Mas, por favor, continue.
Na esquadra explicaram que temos de esperar 48 horas para os adultos.
Sim.
Mas o Sergio ia levar-me ontem ao médico.
Acredite, ele não se comporta assim.
Ninguém teve notícias dele? Um amigo, a noiva?
- Essa? Esqueçam-na. - Porquê?
Não gosto da Rachele. E também não gosto da família dela.
O Sergio deixou a universidade para seguir o pai dela.
Porquê?
Pô-lo a trabalhar no staff do Tarallo,
a escrever comunicados à imprensa, discursos, coisas assim.
- Ele também é político? - De forma alguma.
Trabalha na segurança. Gere uma empresa de segurança.
- Chama-se Anzovino. Já ouviu falar? - Não.
- Não. - Não.
E porque não gosta? É um bom trabalho, não é?
E bem pago.
A noiva dele gosta de pessoas com estatuto.
Vocês talvez gostem do Tarallo,
mas o Sergio nunca gostou.
Há coisas que nem o dinheiro justifica.
Olha!
- Que porra andas a tramar? - Seguiste-me, não viste?
Sabes qual é a diferença entre polícias reformados e polícias de serviço?
Os reformados ficam em casa e descansam. Não andam a brincar ao Crime, Disse Ela.
Já te tirei a pinta. Queres parecer agressivo, dominante, certo?
É tudo a fingir. É por isso que até o teu cão te ignora.
Já acabaste o raio-X? Volto a perguntar. O que andas a tramar, Morozzi?
- Um favor a uma amiga. - E onde entra o rapaz?
- Isso é confidencial. - Confidencial, o tanas!
Extorquiste informações. Mas que merda?
"Nós". Também estavas lá.
Sou um inspetor de serviço. Posso perguntar o que quiser, está bem?
- E posso ficar de olho em ti. - Está bem.
Vou ter com a noiva do desaparecido.
E tu? Vais seguir-me ou vamos juntos?
Entra.
Tenho de te abrir a porta?
Seria bom.
O Sergio ligou-me ontem de manhã. Estava bem.
Disse que estava ocupado. A mãe dele está a exagerar.
Uma mãe muito presente.
Sim.
Mas é a mãe dele. Não tenho voto na matéria.
E nunca mais tiveste notícias dele?
- Não. - É normal? Discutiram?
Não. Não discutimos.
- Estão noivos, certo? - Sim.
É difícil de explicar.
Decidimos não estar sempre em cima um do outro.
Ambos temos o nosso espaço.
Podem passar dias sem uma chamada, certo?
Acontece.
Não sentiste a necessidade de lhe ligar, só para verificar?
- Não. - Não?
Será que ele anda com outra pessoa?
Talvez. Mas sinceramente, não quero saber.
- Eu também posso andar. - Claro.
Não procuravam casa?
Nunca falámos em vivermos juntos.
Apesar de ele ter um bom emprego.
Não é uma questão de poder. É uma questão de escolher.
- Não é bem uma história de amor. - O que significa isso?
Duas pessoas não têm de estar sempre juntas para se amarem.
Vemo-nos menos desde que começou a trabalhar para o Tarallo.
Mas isto não mudou as coisas entre nós.
Aonde te posso levar?
A lado nenhum. Vou a pé.
Preciso de caminhar. Gostas de caminhar?
Se gosto de caminhar?
O teu carro?
- Porque perguntas? - Porque perguntas porque pergunto?
O meu carro está ótimo e onde deve estar.
- Tenho de pensar no que temos. - O que temos?
Desculpa, não sabia que trabalhávamos juntos.
Seja como for, não tenho nada.
Não?
Atravessaste metade de Nápoles só para me seguir?
Pronto, tudo bem.
Mãe contra nora.
A mãe acha que o Minucci é o filho perfeito,
mas a noiva descreve-o como alguém que vive a sua própria vida. E?
A Rachele está a esconder-nos algo.
- Não. Porquê? Pareceu-me genuína. - Não.
Aquelas pausas, os olhos, a postura.
Contradizia o que dizia.
Postura? Agora és osteopata?
E ela não parecia feliz.
Desculpa, baseio-me em factos, não em emoções.
Porquê? Palavras e comportamentos não têm nada que ver com factos?
Tu, por exemplo.
Para ti, viver juntos é como se fosse um marco obrigatório.
Criticaste a moça por dizer que não ligam um ao outro dez vezes por dia.
E depois?
Há claramente algo por trás dos teus comentários.
O que foi? Separação? Abandono?
Desgosto de amor?
E isto é um facto.
Obrigado pelo sermão. Tenho coisas para fazer.
Ouve, e se voltar a precisar de ti?
Então, diz-me o que andas a tramar.
Porque andas a tramar alguma, e isso é um facto.
Mas sei que não me dirás. Por isso, boa sorte.
Que pena. Quando estávamos a começar a gostar um do outro.
Giovà! Desce.
Já vou. Só um segundo. Espera!
Deixou cair isto.
Obrigada.
Mandaste seguir o Sergio para o proteger?
Não, porquê?
Lembro-me de ver uma carrinha branca quando ele me deu as chaves.
Têm uma dessas?
Temos muitas carrinhas, mas não o mandei seguir.
O que importa isso?
De certeza que estava lá.
Qual é a ligação ao Sergio? Passam muitas carrinhas.
Não sei. É só um pressentimento.
Voltaste. Estás a voltar a gostar.
Quero fazê-lo para nunca mais te ver. Posso confiar no Davide Pardo?
Sempre foste boa a perceber as pessoas.
Vai-te foder.
Ajude-me. Ajude-me, por favor.
Estou muito magoado.
Puto, se não falares, vamos todos ficar magoados, percebes?
Entra.
Gostas?
Sim.
- O que achas? - É a vista mais feia que já vi.
Daí ter-te trazido aqui.
Aqui, as pessoas têm sempre pressa e não vão reparar em nós.
Somos só nós os dois.
Olá, Sara.
Teresa.
- O que foi? O que aconteceu? - O Lembo está ali.
- Quando é que ele chegou? - Há dez minutos.
Devíamos ter-lhe oferecido café?
Se ele não nos encerrar, oferecemos-lhe um café duplo.
Certo.
Olá.
Olá!
Estás cada vez mais bonita, Terè.
Posso dizer isso ou denuncias-me por assédio no local de trabalho?
Então, isto ainda é um local de trabalho.
Claro. Faço o que posso para se manter assim o máximo de tempo possível.
Alguma notícia?
Não. O habitual.
O que fazes em Nápoles?
Estava de passagem e vim cumprimentar-te.
Fizeste bem.
Soube do filho da Morozzi.
Sim, é uma história feia.
Como está ela?
Igual. Só uns anos mais velha.
Ela continua determinada a ficar fora do jogo ou não?
Não sei. Porque queres saber?
Sempre gostei de vocês. Embora nunca o tenha deixado transparecer.
Para com isso. A sério.
- Porque queres saber? - Terè.
Se queres que te defenda e a esta espelunca, tenho de saber tudo.
Claro. Caso haja algo relevante, mantenho-te informado, não te preocupes.
Dia, mês e ano.
Foi quando vieste ao meu gabinete e sorriste para mim.
Há muitos segredos nos meus ficheiros
que mudaria completamente a tua ideia do Estado e do que nos rodeia.
Promete-me que só vês os ficheiros que te podem ajudar numa investigação.
Não procures mais nada. Digo isto para o teu bem.
ARQUIVO - ANO
PIERPAOLO PAPINI
PARDO POLÍCIA
SARA MOROZZI BRIGADA MÓVEL - DEMITIU-SE
- Musè? - Sim?
Achas normal uma mulher que esteve tanto tempo na unidade móvel
ser despedida de repente e, depois disso, não se encontra nada sobre ela?
De quem estás a falar?
A Sara Morozzi, a mãe do miúdo atropelado pelo médico.
Acho que não havia mais nada para saber.
Estou?
Desculpe, posso saber a quem pertence este telefone?
Viola?
Quem fala?
É a Sara, a mãe do Giorgio.
Tu é que me ligaste.
Devíamos encontrar-nos.
Sim, claro, quando quiseres.
Tem estado na secretária do Giorgio desde que foi viver comigo.
Vira e lê.
Não tem nome.
Foi por isso que liguei sem saber de quem era.
No início, pensei que era uma lembrança de uma mulher.
Não sei porquê… Senti a necessidade de falar com ela.
Vocês conheceram-se?
Não é verdade que ele não te vê desde que o abandonaste.
Não, não fui eu que lho dei.
Quem foi, então?
Alguém o fez por mim.
Reconheço a letra. É do meu parceiro.
Tens um parceiro?
Tinha.
- Sabias que ele foi ver o Giorgio? - Não.
Eu sabia que se tinham encontrado e que não correu bem.
Se o Giorgio ficou com ele, deve ter corrido melhor do que pensava.
Quanto mais olho para ti, mais vejo as parecenças.
Tens os mesmos olhos.
Talvez o bebé também os tenha.
Não sei se quero pensar assim.
Eu compreendo.
Mas, apesar de não ter sido uma boa mãe,
posso ser uma avó decente.
Tenho de pensar nisso.
Preciso de pessoas de confiança à minha volta.
MENSAGEM - DESCONHECIDO
ENCONTREI DOIS ANÉIS. UM ERA AQUELE QUE PROCURÁVAMOS.
Os teus vizinhos são discretos? Não se metem na vida dos outros?
Porquê?
Por nada, só… Podias convidar-me para subir.
Não?
INVASÃO
Foda-se.
Foda-se.
És louca.
- Podia ter-te alvejado. - Tenho uma pergunta para ti.
Pergunta à vontade.
Sem eyeliner.
Olheiras.
Olhos vermelhos e lacrimejantes. Não é preciso muito para descobrir.
Descobrir o quê?
Se não me ligaste a dizer que encontraram o corpo do Sergio Minucci,
mas enviaste-me uma SMS, é porque não querias que te ouvisse.
Sabias que eu ia descobrir pela tua voz o que se passava entre vocês.
Porque não me contaste?
Que querias que dissesse?
Que me apaixonei por um tipo vinte anos mais novo?
Chamaste-me para te ajudar a salvá-lo, não para te dar sermões.
- E logo eu. - Cometi um erro. E depois?
Para de me esconder coisas.
Porque achas que o mataram?
Não sei.
Não sei.
O Sergio era um tipo normal.
Não para mim, obviamente.
De quem é o outro corpo?
- Não foi identificado. - Onde foram encontrados?
Perto dos campos de cultivo em Somma Vesuviana.
Devo saber mais alguma coisa?
Não.
A sério.
És uma cabra, Terè.
Mas lamento.
- Tire outra aqui. - Sim.
- Aqui. - Sim.
- Está bem. - Pronto.
Vá lá, mexam-se.
Também identificámos o outro corpo. Chamava-se Gaspare Russo.
Trabalhava numa oficina em Vicolo delle Fratte.
A mulher participou o desaparecimento há uma hora. O cadastro está limpo.
Seja como for, há trabalhadores ilegais a serem explorados nesta zona.
Não precisas que te diga isso.
Mas a dinâmica é estranha.
Um estava num saco de serapilheira,
o outro foi morto com três tiros no peito.
Ficou bom, não ficou?
- Uma merda, como sempre. - Enfim!
- Toma. - Sim.
Está bem.
Adeus.
Foste pôr-te bonito para mim?
Mas como é que o fazes?
- Eu? - Sim.
Consigo teletransportar-me.
Antigamente, usávamos vassouras, mas sabes como é o progresso…
Que engraçadinha.
Já que não te importas com as emoções, tenho um facto para ti.
O Sergio Minucci morreu.
- Quando? - Não sei.
Mas um tal de Gaspare Russo morreu com ele.
Os meus pêsames pelo rapaz.
És tão boa a obter informações. O que queres de mim?
Tens de preencher as lacunas.
Porque o Gaspare Russo foi alvejado. Ainda não sei como o Minucci morreu.
E?
Assim que o médico-legista terminar a autópsia, preciso do relatório.
E o relatório forense.
Detalhes sobre objetos encontrados nos corpos, dados telefónicos,
tudo o que surgir a partir de agora.
- Também queres um babà? - Prefiro struffoli.
Achas mesmo que vou aceitar ordens tuas, Morozzi?
Só fui arrastado para isto porque fui demasiado zeloso, sim?
Diria que tinhas curiosidade sobre mim.
Isso querias tu.
Achas que és o centro do universo. Não és.
Não és o centro do meu, de certeza. Esquece que nos conhecemos. É melhor.
Pensei que estavas interessado em finalmente trabalhar num bom caso.
Obrigado, mas não preciso de ti para isso.
Ao ver onde acabaste, não me parece.
Que pena. Queria saltar um passo.
Mas acho que não.
O saco das compras.
Se lhe viraram a casa do avesso,
significa que não conseguiram o que queriam dele.
Mas o que é que eles queriam? Não havia nada no computador dele.
Isso não é suficiente para excluir que ele não tinha segredos.
Dado onde o corpo foi encontrado, vão investigar o negócio do tomate.
- O que tem o Sergio que ver com isso? - E o Gaspare Russo?
Nada.
Nunca ouvi ninguém mencionar esse homem. Nem o Sergio nem ninguém.
Temos de voltar ao início, sem excluir que queriam informações.
O que é que o Sergio fazia para o Tarallo?
No início, fazia mais análises de dados do que comunicação.
Mas ele era bom e o Tarallo pediu-lhe para ajudar a escrever os discursos.
Porque o recrutaste?
Parecia um peixe fora de água.
O meu instinto disse-me que ele podia ser o elo mais fraco lá dentro.
Em vez disso, nem imaginas o quão forte ele era.
Atormentava-o apoiar um projeto eleitoral tão diferente das suas crenças,
com base no medo dos imigrantes, das diferenças.
Estavas apaixonada.
Pensava em abdicar de tudo por ele.
Pensei muitas vezes em ti. Sobre as tuas escolhas.
Não sou um bom exemplo.
Todos cometem erros à sua maneira.
Não quero ficar só pela investigação oficial, morena.
Não basta saber quem o matou. Quero saber porque morreu.
Então, preciso que faças algo por mim.
Fala o inspetor Pardo.
Pardo, é o Giuliani.
Sr. Giuliani, olá.
- Peço desculpa se… - O que estás a fazer?
Estou um bocadinho sem fôlego. Estou a passear o meu cão.
Mas estou a ouvir. Devo ir à esquadra?
- De todo. Estás livre, Pardo. - Como assim?
O seu pedido de licença foi aprovado.
Não, desculpe, mas qual licença? Qual licença?
Pardo, pelo que vejo, pediste uma licença.
Com efeito imediato.
- Está bem. Entendido. - Diverte-te e não faças merda.
- E cumprimentos ao cão. - Adeus.
Está bem.
Acabou-se o passeio, Boris. Não mijaste? O problema é teu.
POLÍCIA
Olá, Pardo.
- Não é boa altura, Morozzi. - Porquê?
- Tenho de ir aos Recursos Humanos. - Para quê?
Diz-me que não é o que penso.
É incrível a rapidez com que as coisas mudam.
Acho que agora tens tempo para mim.
POLÍCIA
Legendas: Carla Chaves
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