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A ARTE DA ALEGRIA
Acorde, menina.
A princesa gostaria que usasse isto. Foi o vestido de noiva dela.
N�o � maravilhoso?
Depressa, temos de ser r�pidas.
Levante os bra�os.
- Que horas s�o? - Passa pouco das tr�s da manh�.
Est� t�o bonita!
� uma d�diva dos c�us aquela coisa poder casar consigo.
Ele � o Pr�ncipe Ippolito. Tem nome, n�o � uma coisa.
Tem raz�o. Perdoe-me a insol�ncia. �s vezes, n�o sei o que digo.
Vou buscar o v�u. Acab�mos de o passar.
Vejo que est�s triste, Mena.
� por causa do Rocco?
Sim, desculpe.
Eu gostava dele.
Uma vez, ele disse-me em segredo que gostava de ti.
E se o teu marido n�o voltasse da guerra,
ter-se-ia aproximado de ti.
Foi isso que ele disse?
- A s�rio? - Sim.
Que vida, Menina Modesta.
Tanto amor desperdi�ado...
Est� pronta?
Discretamente.
Parab�ns, princesa.
Modesta Spataro,
aceita receber como seu leg�timo esposo
o Pr�ncipe Ippolito Costantino Brandiforti,
Bar�o de Basal�, Marqu�s de Biancavilla,
segundo o ritual da Santa Madre Igreja?
Sim.
E o senhor, Pr�ncipe Ippolito Costantino Brandiforti,
Bar�o de Basal�, Marqu�s de Biancavilla,
aceita Modesta Spataro como sua leg�tima esposa,
segundo o ritual da Santa Madre Igreja?
- Sim. - Declaro-vos marido e mulher.
Por favor.
Mandei preparar duas camas para si, princesa.
H� ali um sino.
Chame-me sempre que precisar. Dia e noite.
Obrigada.
Durma bem, princesa.
Chega-te para l�.
Maudit.
Bom dia, princesa.
�s linda.
Uma gatinha.
Perigosa.
Queres experimentar?
N�o, eu fa�o. Tira a m�o.
Est�s a enlouquecer-me.
Bom dia.
S�o os pais do Rocco. Vieram de San Vito buscar os pertences dele.
Obrigada por terem vindo.
Os meus p�sames.
Estava com ele quando aconteceu, certo?
Sim.
Isto � da Princesa Gaia e de todos n�s aqui na casa.
Esperamos que possa aliviar um pouco a vossa dor.
N�o era preciso. Obrigado.
Escreveu-nos a dizer que se tinha apaixonado por uma rapariga.
Ele teria gostado de casar com ela.
- Mas havia alguns impedimentos. - A s�rio?
Quem � essa rapariga?
Acho que � a filha de um dos nossos agricultores.
Trouxe isto.
Para ela se lembrar dele.
Pode dar-mo a mim. Dar-lho-ei pessoalmente.
Estava a tornar-me uma boa monarca, tal como defini como objetivo.
Era gentil com todos.
Menti � Mena por bem, para a consolar.
Dei presentes generosos. Caminhava altiva e sorridente.
E todos recuavam
e curvavam a cabe�a perante a sua patroa magn�nima.
Porque eu era um deles.
Mas, ainda assim, inating�vel.
- Bom dia, Vossa Gra�a. - Bom dia, Teresa.
- Bom dia, Vossa Gra�a. - Bom dia, Salvo.
- Vossa Gra�a. - Viste a Beatrice?
Vi-a descer as escadas h� uma hora, mas foi a �ltima vez.
Viu a Princesa Beatrice?
Tenho andado � tua procura.
Ainda est�s na cama?
- Estava a descansar um pouco. - Mas � hora de almo�o.
Ontem fui ao teu quarto e n�o estavas l�.
N�o posso deixar o Ippolito sozinho.
Estamos casados e tenho de dormir com ele.
E n�s? Nunca mais nos vamos ver.
- N�o digas isso, maluca. - N�o me chames "maluca".
- O que tens a�? - Nada.
- Deixa-me ver. - N�o � nada.
- Deixa-me ver. - N�o.
A quem pertencem estas fotos?
Ao tio Jacopo. Roubei-as do quarto dele.
� isso que fazes com o Ippolito?
N�o tenho de fazer nada disto.
S� tomo conta dele, como de um irm�o.
Jura.
Claro que juro.
Ele nem me toca.
Tamb�m n�o sabes como � um homem?
N�o, n�o sei.
Nem eu, nem nunca saberei.
E nunca vou poder casar por causa da minha perna, j� te disse.
A maman n�o quer netos.
N�o quer mais aleijados ou monstros na fam�lia.
- Vamos amar-nos sempre, certo? - Mas nunca passas tempo comigo.
Penso no nosso pal�cio em Cat�nia.
Costum�vamos ver gente todos os dias
e sa�amos sempre � noite.
V�-se o mar do pal�cio?
Claro que sim.
De todos os quartos.
H� uma luz linda.
A guerra acabou!
O que se passa?
A guerra acabou!
- Meu Deus, n�o � poss�vel. - A guerra acabou!
A guerra acabou!
Isto � a s�rio?
Vamos finalmente para Cat�nia!
A guerra acabou!
O que se passa?
- A guerra acabou! - Para n�s, n�o!
Est�o a perceber?
Para n�s, n�o.
N�o eram voc�s que queriam a guerra?
O que s�o voc�s? Marionetas parvas?
Deixem-me esclarecer as coisas.
A guerra nunca acabar� aqui.
N�o h� nada para celebrar.
Qualquer tipo de celebra��o � estritamente proibida.
- Voltem ao trabalho. Obrigada. - Isso � injusto!
O que est�o a� a fazer? Subam.
Maman...
Como te passou pela cabe�a misturar-te com aqueles maltrapilhos?
Mas, maman, a guerra acabou finalmente.
Olha para ele.
O amor que partilh�mos nem sequer pode ser descrito.
Abro o arm�rio dele todos os dias para sentir o cheiro da roupa dele.
� o �nico filho que amei. E morreu na guerra.
Quer a guerra tenha acabado ou n�o, nada muda para n�s, os Brandiforti.
N�o vamos voltar para Cat�nia, nunca mais.
Cat�nia faz parte de outra vida.
Uma vida em que o meu filho ainda era vivo, saud�vel, forte e bonito.
Agora j� foi comido por vermes.
Quando eu morrer, ficar�s aqui na casa.
Tens de cuidar do meu quarto, como cuido dos meus parentes mortos.
Este � o teu destino.
N�o � justo, maman. Quero ir para Cat�nia, quero viver.
Queres viver?
�s s� uma pobre aleijada, de que te serve viver?
Seja como for, n�o vale a pena discutir. J� decidi.
O que est�s a pensar? Que sou louca?
N�o.
E achas que sou ego�sta?
Claro que sim.
Afinal, nunca disse que era altru�sta.
Ser altru�sta � completamente...
...falso.
Antinatural.
Muito hip�crita.
Captatio benevolentiae.
N�o quero saber da benevol�ncia dos outros.
Se me d� licen�a...
Basta.
Estava farta de fingir ser obediente,
de algu�m decidir pelas nossas vidas, deste v�o exerc�cio de poder.
A princesa n�o desce para jantar. Quer comer caldo no quarto dela.
Vou prepar�-lo imediatamente.
Finalmente, a paz libertou-nos.
Esper�mos tanto tempo por este momento.
Toda a It�lia est� na rua, enquanto n�s...
Eu nunca vivi isso, nem antes da guerra.
N�o sei o que � a paz.
Dou-vos permiss�o para celebrar.
Eu autorizo.
Mas tem de ser l� fora. Dentro da propriedade, mas longe da casa.
Mas s� depois de a Princesa Gaia ir dormir.
Obrigada.
N�o se preocupe, faremos como diz.
Mas sei o que � alegria.
Reconhe�o-a noutras pessoas.
Explode subitamente dentro dos corpos, nos olhos ardentes.
E eu queria isso tudo para mim.
Por aqui.
Porque pararam de dan�ar?
Continuem, estamos aqui para celebrar!
V�, continuem a tocar!
Princesa!
- Princesa. - O que se passa?
- O que se passa? - Recebi boas not�cias.
- O qu�? - O meu marido vai voltar para casa.
Pelo menos sobreviveu, princesa.
Estou t�o feliz por ti! Tens de passar algum tempo com ele.
N�o posso. O que digo � Princesa Gaia?
N�o te preocupes com a princesa, eu falo com ela.
- A s�rio? - Vai.
Obrigada, princesa!
Voc�s ficavam t�o belos juntos!
Nem olhaste para a tua filha nos olhos.
Ela � a Princesa Brandiforti.
Eu sou s� o Carmine, o meeiro. Em que raio estavas a pensar?
Era apenas para dan�arem.
�s t�o bonita.
Se te entregar ao carreteiro
Ele vai, ele vem
Vem c�.
O que te fizeram?
- O qu�? - O que se passa?
Nada...
Nada...
Vamos.
Porqu�? Quero dan�ar.
- Quero ir embora. - Porqu�?
Podes ficar, se quiseres.
Para.
Vossa Gra�a, desculpe incomodar. Chegou um telegrama de Cat�nia.
De quem poder� ser?
Como est�s a lidar com as tuas dores, Antonio?
� do Duque de Targagi. Ele vem visitar-nos outra vez.
N�o haver� mais um momento de paz.
V�o come�ar a organizar aquelas tardes de dan�a parvas outra vez.
"No regresso de Cat�nia, vou passar por sua casa amanh�.
Preciso de falar consigo."
Deve ser algo importante. Talvez queira anunciar um casamento.
Que entediante.
- O t�dio � diab�lico. - Talvez queira pedir a minha m�o.
Devias ver como � bonito, Modesta.
N�o sejas rid�cula, Beatrice.
Diz-me, quando � que parece que ele se apaixonou por ti?
Antonio, a casa tem de brilhar amanh�.
Sim, e faz de tudo para melhorar, Antonio.
Melhorar tamb�m � uma quest�o de vontade.
N�o, desculpa, abre.
Este vestido est� muito apertado.
N�o o uso h� tr�s anos, talvez tenha engordado.
- Devo mudar de vestido? - Este fica-te muito bem.
Est�s linda.
Chegaram.
V� como andas, Beatrice.
Senta-te.
V� l�.
Princesa, deve descer. O duque gostaria de falar consigo.
Podias t�-lo deixado entrar.
Luigi.
N�o se aproxime mais, princesa.
O que faz com esse len�o? Parece um bandido.
Posso estar contagioso.
Contagioso? Como assim?
- A minha m�e tem febre e v�mitos. - A Vittoria?
At� a minha irm� mais nova estava doente, de manh�.
Estou bem, por agora.
Regresso de Cat�nia,
onde comprei medicamentos e contratei duas enfermeiras.
- N�o entendo, o que se passa? - Quis avis�-la pessoalmente.
Sei que n�o vai a Cat�nia h� muito tempo, mas...
...uma doen�a horr�vel espalha-se na cidade, uma peste terr�vel.
Se algu�m tiver febre, chame um m�dico imediatamente.
A Nunzia tem febre.
- Afastem-se dela. Isolem-na. - Sim...
- Tenho de ir. - N�o, n�s...
Prepar�mos-lhe um almo�o.
Lamento.
Luigi.
Luigi.
Cumprimentos � Vittoria.
Cumprimentos � Vittoria.
Ent�o? Como est� a Nunzia?
Ela n�o est� bem, princesa.
Reze por ela.
Diga a todos para se afastarem dela.
Deixem comida e medicamentos � porta.
O que � que ela tem?
- Gripe. Chamam-lhe gripe espanhola. - Gripe, que confus�o...
� muito contagiosa e potencialmente letal.
Todo o continente est� contaminado.
Aparentemente, foram os soldados da frente que a trouxeram.
Devem isolar-se e preparar-se para uma quarentena.
Os contactos devem ser minimizados.
Tamb�m devem manter-se afastados uns dos outros dentro da casa.
Seria ainda melhor se todos, sempre que poss�vel,
pudessem ficar nos quartos.
- Que aborrecido... - Eu compreendo, princesa.
H� mais camponeses doentes do que saud�veis.
- A situa��o � muito grave. - O que fazemos?
Usem luvas e tapem a boca com uma m�scara.
Podem cort�-las dos len��is e cos�-las voc�s mesmos.
Arranjem lisof�rmio, tudo tem de ser desinfetado.
Lavem len��is, toalhas e loi�a.
N�o toquem na boca com as m�os e lavem-nas repetidamente.
N�o toquem em superf�cies em que outros tenham tocado.
Mas, acima de tudo, o mais importante,
monitorizem as condi��es de sa�de de quem vive perto de voc�s.
Enchi a despensa com todos os bens de Deus. Queijo, carne, feij�o.
A princesa tamb�m pediu vinho Malvasia e Zibibbo.
T�m comida suficiente para um ano, sem passar fome e sede.
Podes ir. Obrigada.
"T�m?" Como assim?
N�o voltarei � casa durante algum tempo.
Vou ficar na minha casa at� esta peste passar.
Que casa?
Modesta...
Achas mesmo que a barraca onde nos encontramos � a minha casa?
Todos temos uma casa.
Uma casa a s�rio.
Est� toda a gente a adoecer, Carmine.
Se fores embora, podes nunca mais voltar.
� perigoso.
Lady Gaia, o que faz aqui?
� perigoso andar por a�.
Tem de usar sempre a sua m�scara de prote��o, sabe disso.
- Est� a aproximar-se, Maudit. - Tape a boca e o nariz.
Tenho-te observado.
Assumiste o leme do navio.
Organizas as coisas, d�s ordens.
D�s o teu melhor.
Mas n�o vale a pena trabalhares tanto.
O fim aproxima-se, Maudit.
Est� a pairar nesta casa, sobre toda a gente.
N�o dev�amos ter medo da guerra,
mas desta paz.
- Liga a m�sica, por favor. - O qu�?
Liga a m�sica.
Antonio, o que faz?
Tem de estar sempre algu�m aqui...
...para receber os convidados.
Mas n�o vamos ter convidados, n�o vem ningu�m.
Ent�o, posso fazer uma pausa por umas horas, Vossa Gra�a?
Claro.
Acho que tenho febre.
Descanse.
Mandarei levar-lhe o jantar � porta.
Cabra!
Carmine...
� a Mena.
- Eu vou, princesa. - N�o.
Eu vou.
- Princesa, como est�? - Mena, fica onde est�s.
N�o te posso deixar entrar, lamento. Tens de ir.
Podes ter gripe espanhola, mesmo sem sintomas.
N�o, princesa, juro.
Se n�o me sentisse bem, acha que podia vir c�?
Esta doen�a � trai�oeira. O Antonio come�ou a ter febre ontem.
- N�o vi ningu�m. - Tamb�m posso estar doente.
Vomitei ontem � noite.
O meu marido voltou da guerra incapacitado.
- Ningu�m lhe dar� emprego. - N�o ouviste o que eu disse?
- Por favor. - Tens de ir embora.
N�o posso arriscar a vida da minha fam�lia por ti.
Da sua fam�lia?
Vai-te embora!
Quando � que se tornou t�o...
...m�?
Era diferente.
Parece-se com ela.
Bom dia.
O carteiro passou e deixou alguns jornais.
N�o percebo o que est�s a dizer. Tira a m�scara, estamos longe.
O carteiro tamb�m deixou uns jornais esta manh�.
Passa c� de dez em dez dias, espero que sejam de hoje.
N�o, s�o de anteontem.
Pelo menos, l� as manchetes. N�o est�s curiosa?
"A gripe aumenta. � perigoso..."
Ainda est�o a falar disso.
V� l�, l� outra coisa.
"Uma nova emenda da Constitui��o dos EUA foi aprovada.
- Pro�be..." - N�o, isso � aborrecido. Outra.
"A guerra civil na R�ssia continua.
Os Brancos n�o impedem o avan�o do Ex�rcito Vermelho."
L� se vai a beleza e a eleg�ncia...
Est� tudo cada vez mais triste e miser�vel.
Confiscam casas e pal�cios. Para qu�?
Depois constroem casas feias, casas pequenas todas iguais,
todas t�o tristes.
N�o achas
que cozinham demasiada comida desde o in�cio da epidemia?
� quase nojento.
Nunca cozinh�mos tanto, nem quando t�nhamos convidados todos os dias.
E...
Tu tamb�m, Maudit.
Devias comer menos. Engordaste.
Vais perder a eleg�ncia.
As tuas origens camponesas v�o reaparecer.
Sobretudo as tuas bochechas carnudas, desculpa...
� bastante embara�oso.
Seja como for...
...estou a desvanecer.
E tu est�s a desabrochar.
N�o achas absurdo?
Imagina se houvesse um beb� aqui.
Sim, um beb�.
A gatinhar por todo o lado.
Por estes quartos.
Uma vida nova nesta casa.
Gostavas disso?
Sim, muito. Que nome lhe damos?
N�o sei.
Veio do quarto da tia Adelaide.
E ent�o?
A princesa caiu de cabe�a. Partiu v�rias costelas.
O que aconteceu? Porque caiu?
N�o fa�o ideia. Deve ter desmaiado.
Ela sofre do cora��o, infelizmente.
Se tiver muitas dores,
d�-lhe isto.
� l�udano.
S� uma pessoa deve cuidar dela. Por causa da gripe espanhola.
- Quanto menos contactos, melhor. - Claro.
Adeus.
- Quem �? - � a Modesta. Tenho o seu almo�o.
Entra.
- Como se sente? - Horr�vel.
Morrer teria sido menos doloroso.
- N�o, n�o tenho fome. - Tem de recuperar as for�as.
Estou a ser alimentada como uma beb�.
Basta. � insuport�vel.
- Refere-se � sua dor? - N�o, o meu estado.
N�o quero que ningu�m me veja assim, exceto tu.
- "Nada me deve tentar..." - "A separar-me daquele escaravelho.
De que forma? Perguntei eu, com um triste mau agouro.
Supondo que � de ouro verdadeiro.
Disse isto com profunda seriedade e senti-me inexprimivelmente chocado.
O bicho � para me causar infort�nio, continuou, com um sorriso triunfante.
E para me devolver os bens da minha fam�lia.
Ent�o, � de admirar que o aprecie?
J� que a Fortuna decidiu conceder-mo,
s� tenho de o usar adequadamente
e chegarei ao ouro do qual ele � o ind�cio.
J�piter, traz-me o Scarabaeus."
Quando esta epidemia acabar,
tratarei da fam�lia do Antonio pessoalmente.
Passou a vida toda connosco.
Quando ele ainda era vivo, chamava-lhe "pobre Antonio".
E agora que est� morto, s� Antonio.
Sim, porque...
...n�s, os vivos, somos pobres.
Como � que engordaste tanto?
- Est�s a pregar-me uma partida? - N�o.
Vejo que percebeste logo o que eu queria dizer.
Despe-te.
- O qu�? - Despe-te.
N�o.
Tira a roupa.
Est� a envergonhar-me.
- Podia ser tua m�e. Despacha-te. - N�o consigo.
N�o consegues?
Tira a saia.
A outra tamb�m.
Tira a roupa interior.
Para baixo. Mais para baixo.
Puxa a blusa para cima.
N�o acredito...
Que tola em deixares que a coisa te engravidasse.
Avisei-te antes de casares, nada de filhos.
A maternidade gera uma aus�ncia idiota, afasta-te da vida.
Podes perder a intelig�ncia e a for�a
por estares gr�vida, como todas as mulheres. Que desperd�cio.
- Lamento. - A fam�lia Brandiforti acaba comigo.
Est� bem?
E n�o permitirei que ningu�m...
...e repito, ningu�m,
v� contra a minha vontade.
Depois de a coisa nascer, engravidei mais duas vezes.
E tratei da situa��o sozinha, apesar de n�o ter ficado contente.
Mas fiz o que tinha de fazer!
- J� tinha tido outros filhos. - Ouve, s� o vou dizer uma vez.
Se queres um filho, vai-te embora!
Mas...
...ser�s deserdada.
Quem sair da casa, bem...
Todos os meus bens ir�o para quem ficar na casa.
Seja como for, ainda se pode resolver.
N�o olhes assim para mim.
N�o digo que tenhas de fazer o que a tua m�e teria feito
usando ervas, unguentos venenosos ou agulhas de tric�, como eu fiz.
Estou a dizer que podes resolver tudo chamando um m�dico.
Mas tens de te despachar,
porque se esperarmos mais, pode ser perigoso.
E n�o quero arriscar perder-te.
N�o h� motivo para rir.
Devias estar calada e ter vergonha.
Considera-te
privilegiada.
Deixa-me descansar. Sai daqui.
Fora.
Tradu��o: Cl�udia Pereira
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