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"OS GIRASS�IS DA R�SSIA"
Os familiares...
ou aqueles que se interessam pelos desaparecidos...
no fronte russo, de 1942 a 1944...
dirijam-se � direita...
ao guich� 14.
Para a direita!
Repito...
ao guich� 14!
Senhora, se n�o chegou qualquer comunica��o...
do Corpo da Armada, nem do Minist�rio...
� porque a morte de seu marido n�o foi confirmada.
Ele est� vivo!
Vivo... pode estar, mas para n�s ele est� desaparecido.
Como assim? O que significa "desaparecido"?
O que significa? Quer dizer que ele est� vivo!
J� disse, pode estar vivo, mas n�o consta isso para n�s.
Nem a mim! Nem a ela, m�e dele!
Nem a mim, nem a ela. Como � poss�vel?
Senhora, oficialmente ele n�o morreu. J� expliquei.
Ent�o est� vivo! Quero saber! T�m de saber se ele est� vivo!
Tem de me dizer! Entende? Ele est� vivo? Ele est� vivo?
Precisa ser claro! Ele est� vivo! Ele est� vivo!
Ele est� vivo!
Ele est� vivo!
Vou encontr�-lo, senhora.
Vai tirar esse vestido preto. Vou trazer o seu filho!
Vou traz�-lo para casa, pode ter certeza.
Nem que eu o v� procurar por toda a R�ssia! Sim!
Ant�!
Ant�!
Est� mal?
Est� mal?
Onde est� o brinco?
E agora como fica? Era de ouro!
Como fica, para mim! Vou ter uma �lcera!
Ent�o, beba!
Beba!
- Onde vou encontrar �gua? - L�, no mar! Olhe! V�!
- Est� muito salgada! - O mar � salgado.
Bem, estou melhor. Espero digeri-lo, sen�o...
Como voc� � querido!
"D'uc� �"?
Est� falando �rabe? N�o entendo nada! Traduza!
- De onde �? - Ah! Do norte da It�lia.
A 600 km daqui.
Sim, mas de onde exatamente?
De Bellosguardo, uma localidade rural.
Ah! Tem casa no campo. � agricultor?
Diga a verdade, � agricultor?
Que agricultor! Sou eletricista! N�o fosse a guerra...
teria me formado t�cnico em eletricidade.
Veja, parecem m�os de agricultor? S�o macias.
- Mais ou menos... - Tem algo contra os agricultores?
Seu pai n�o era um?
N�o, era barbeiro. Uma coisa bem diferente!
At� parece!
Enquanto ele viveu estivemos bem. Nossa vida era boa.
Depois fui morar com minha irm� que est� bem casada.
Mas n�o sou mantida por ningu�m. Eu trabalho!
Tenho m�quina de costura e sou modista.
Muito bem!
Como esta areia queimar!
E como deve queimar a areia da �frica!
Quando o seu navio parte?
Depois de amanh�. Nem me lembre...
E voc�, vai mesmo para a �frica?
- N�o faz nada para n�o partir? - O que poderia fazer?
H� um meio...
passei o dia pensando nisso.
- N�o ria se eu lhe disser. - N�o vou rir. Diga!
Vamos casar.
Bem, pode n�o ser comigo. Case com outra...
com quem... com quem voc� quiser!
Assim, ter� 12 dias de licen�a para casar.
Ap�s os 12 dias a guerra pode acabar. Quem sabe?
Ou pode n�o ir mais para �frica e ficar aqui na It�lia.
Bem, basta casar. Digo isso para seu bem, pode crer.
Aqui em N�poles todos fazem isso.
- Ou�a, n�s j� casamos... - Quando?
- H� meia hora... aqui. - N�o seja bobo.
Olhe, tenho 32 anos e ainda n�o casei...
e nunca casarei!
V�-se que ainda n�o encontrou quem queira voc�!
J� encontrei umas 20, acredite.
Lindas, feias, loiras, ruivas...
ricas, pobres...
mas quando sinto cheiro de igreja eu sumo.
S� faltava! Casar com a napolitana!
Ent�o v� para a �frica... com guerra, calor e escorpi�es!
Daqueles amarelos que mordem e adeus!
Ou�a o que lhe digo!
Prefiro os escorpi�es a casar!
E quem casaria com voc�?
Que cabe�a a minha! Esqueci-me do presente.
- S�o para mim? - S�o sim.
Meu Deus, que lindos!
Gostou?
Muito.
Obrigada.
Sua m�e deveria ter vindo ao casamento. Isso n�o se faz.
Fico mais chateada por voc� do que por mim, acredite.
N�o ligue! Minha m�e � uma velha teimosa.
Imagine, cismou que voc� se casou por interesse!
Interesse? Que interesse?
N�o tenho nada, mas voc� est� mais quebrado que eu.
Tenha paci�ncia. Quando tivermos um filho...
ficar� louca por ele e ele lhe amar�.
Eu quero muitos filhos! Quero ter uma fam�lia grande!
Onde est� me levando? Deve ter muitos mosquitos!
Minha nossa!
Seu covarde, se eu te pego!
O que est� fazendo? Batendo em mim?
Ant�.
Que sinos s�o esses?
Ant�.
Ant�!
Que sinos s�o esses?
Que horas s�o?
S�o seis.
Seis da manh� ou da tarde?
Sei l�!
Vou ver.
Tenha cuidado!
- Que aguaceiro! - Traduza!
Chove. N�o d� para saber se � de manh� ou de tarde.
Tem gente saindo da igreja!
- Ser� domingo? - Talvez.
Mas o que temos n�s com isso?
Temos sim! Chegamos aqui na quinta-feira!
Isso: Sexta, s�bado, domingo, segunda...
- Domingo era ontem! - Ent�o hoje � segunda!
Segunda, ter�a...
s� temos mais oito dias.
- Mas o que �? - � um matrim�nio.
O noivo est� fardado.
Meu Deus! Eu esqueci!
� o Alfredo, que trabalha comigo!
Ele tinha nos convidado para o casamento.
Mas que cabe�a a minha! Sabe-se l� quanto ele gastou!
Mas esse Alfredo...
- tamb�m casou para conseguir a licen�a? - Ah, n�o sei. Pode ser.
Diga-me a verdade.
N�o disse que queria se casar s� por causa da licen�a?
Est�pida! Casei porque eu te amo.
Mas n�o tinha certeza. Estava com medo.
Dizia que a ideia do casamento sempre lhe dava medo.
- Sim. - Ainda � assim, hein?
Ainda � assim.
Giovanna, temos de p�r papel tamb�m nos vidros...
sen�o seremos multados. Dizem que o alarme soou.
Ainda s�o seis?
Parou? N�o! Tem multa.
O que voc� quer? J� fiz reserva.
Estou com uma baita fome. Vou preparar macarr�o.
N�o, voc� n�o sai daqui. J� acendi o fog�o. Eu vou cozinhar.
- Como sabe cozinhar? - Nunca lhe disse? Sou um mago do fog�o.
A sopa est� pronta A sopa est� pronta
A sopa est� pronta Venha comer
A sopa est� pronta A sopa est� pronta
A sopa est� pronta Venha comer
O que est� fazendo com tantos ovos?
Uma omelete.
- Com quantos ovos? - Vinte e quatro.
E quem consegue comer 24 ovos?
Meu av�. O meu av� conseguiu, com a minha av�...
na primeira manh� ap�s a noite de n�pcias.
- Manteiga. - Onde est� a manteiga?
Nestes tempos, onde se encontra manteiga?
E depois, a omelete se faz com �leo.
Minha m�e a prepara com manteiga.
Sua m�e est� enganada. N�s usamos �leo.
Ali�s, ela est� doente. Tem bronquite.
Pegou bronquite de prop�sito para n�o se encontrar comigo.
N�o diga isso. O sal.
Est� vazio. Onde est� o sal?
- Do outro lado. - Sal.
Pimenta.
Cient�fico.
Ponha a mesa.
Aqui est�.
O servi�o militar acabou comigo.
Minha m�o n�o � a mesma.
� ouro! Tudo ouro!
A boa alma de meu pai era o melhor de todos.
Um campe�o.
Uma delicadeza, meu pai.
Um prato para voc�, um prato pra mim...
e este pra omelete.
Para voc�, para mim e p�o.
Um peda�o de p�o para voc�...
um peda�o de p�o pra mim...
e uma bela garrafa de vinho.
- J� acabei. - Eu tamb�m.
Aqui est�.
Os copos!
Como pesa!
Bonita!
- Gosta? - Sim.
O perfume est� bom.
A n�s!
- N�o, n�o! N�o, n�o! - Traduza.
N�o agora, mais tarde.
Est� bem, ent�o...
porque eu te amo.
Que calor! Est� sufocante.
Falta-me o ar.
E eu sinto n�useas.
Como meu av�, conseguiu?
Eu n�o quero ver ovos por um m�s!
E eu por um ano.
Ainda bem que eu n�o coloquei cebola.
- Vou jogar tudo isso fora. - Sim, tire isso da minha frente!
E estes de onde vieram?
Minha m�e deve ter mandado. Devem ter tocado e n�s n�o ouvimos.
- O que � isso? - O qu�?
Vai querer deix�-los a� fora? S�o os ovos da minha m�e!
Eu n�o quero ver mais ovos, por favor.
Sabe que estou b�bada?
Vamos sair.
- Aonde vamos? - Respirar um pouco de ar fresco.
- � de manh�! - � sim.
Nesta hora, o meu pai j� estava no campo.
Suas pernas n�o est�o aguentando, hein?
O que est� dizendo? Sou mais forte que voc�. Quer ver?
- Como, mais forte? - Quer ver? Quer ver?
Vou lhe pegar no colo. Veja s�.
O que est� fazendo?
Largue-me!
Puxa!
N�o pensava que voc� era t�o forte!
- Do que est� rindo? - Dos ovos.
Por favor, estou com a barriga explodindo!
Se eu fecho os olhos, s� vejo ovos.
Ent�o n�o feche.
Mas vejo-os mesmo com os olhos abertos.
Meu Deus! Fogos-de-bengala! V�o bombardear a ponte!
Fique tranquila.
J� acabou.
N�o tive medo.
Com voc�, agora entendi tantas coisas, Ant�.
Quero ficar com voc� para sempre, por toda a vida.
Posso at� ir at� o fim do mundo!
Quantos dias se passaram?
Oito.
N�o, dez.
Dois dias. S� dois dias!
- Socorro! - Eu te mato!
Ant�!
Socorro!
Feche! Feche que ele quer me matar!
Coitada!
Eu mato todos voc�s!
Ant�! N�o fa�a isso!
- O que aconteceu? - Nada, nada.
Como, nada?
Nada.
Nada, n�o sei o que lhe acontece.
Parece t�o calmo, mas depois...
fica branco e com os olhos todos para fora.
Ontem apertou o meu pesco�o assim.
Como me machucou!
Eu desmaiei. Ca� no ch�o.
As pessoas em volta me acudiram e jogaram um balde de �gua sobre mim.
Ele se fechou na cozinha e n�o queria sair.
"Maldito seja o dia em que me casei com voc�!", ele gritava.
Sei l� por que raz�o. N�o sei mesmo.
Sargento! Est� aqui!
Antonio!
Esperem!
Esperem! Esperem um momento!
Vou faz�-lo sair, esperem. Vou faz�-lo sair.
Vou faz�-lo sair.
N�o, eu vou faz�-lo sair. Esperem, n�o far� nada.
Ele n�o vai fazer nada.
Fiquem quietos.
N�o o machuquem, fiquem quietos!
Ant�, saia da�!
N�o lhe far�o nada, eu juro!
Ant�, saia da�!
Antonio, est� ouvindo?
Ant�!
Ant�!
Ant�!
V� para casa! V� para casa j�!
N�o o machuquem!
N�o o machuquem!
Tenham paci�ncia, n�o o machuquem!
N�o o machuquem!
Quero saber por qu�!
Quero o diretor!
Quero o diretor!
Quero o diretor aqui em baixo!
Quero saber por que estou aqui dentro!
Todos sabem que sou S�o Jos�!
Sim, � S�o Jos�, eu garanto!
Antonio.
O que est� fazendo?
O que � isso?
Venha... senhora.
- Voc� � t�o maluco quanto eu. - Doutor!
A escolha � dele.
Se prefere ser processado...
ou ir como volunt�rio para a R�ssia. Entendido?
Primeiro pelot�o, suba no vag�o � direita!
Segundo pelot�o, neste outro � esquerda.
T�m 15 minutos de tempo.
Desfa�am a forma��o.
Giovanna, temos 15 minutos. Venha, venha.
Giovanna...
Sim.
- Voltarei logo da R�ssia. - Sim.
- Vou lhe trazer umas peles. - Sim.
A guerra acabou!
Acabou!
Voc�, venha aqui! O que disse?
- Acabou o qu�? - A guerra!
MIL�O SA�D A OS HER�IS SOBREVIVENTES D A R�SSIA
M�rio!
Gianni!
Maria!
Maria!
- Maria! - Giulio!
Maria!
Conhecia-o?
Este � o Antonio.
Ele est� vivo?
- Estivemos juntos no rio Don. - Ele est� vivo?
Talvez. N�o sei.
Como n�o sabe?
Pare!
N�o consigo caminhar.
Estou esperando h� tanto tempo o momento...
de encontrar algu�m que me fale dele...
que o viu, que o conheceu.
Ou�a, n�o consigo ficar de p�. Venha se sentar.
Ele est� vivo?
Falou com ele?
Onde o viu?
Onde o deixou, da �ltima vez?
Diga-me onde o deixou.
- Est�vamos juntos. - Onde? Onde?
L� no rio Don.
Era janeiro, um m�s terr�vel.
Os russos tinham nos encurralado...
e n�s t�nhamos de sair de qualquer jeito.
Ningu�m imagina, senhora, o que � a neve...
se nunca esteve na R�ssia.
Basta ficar 3 minutos parado para congelar.
E os russos nos atacavam de todos os lados.
O inferno, senhora. Estivemos dentro do inferno.
A neve, o gelo, o vento que cortava o rosto...
a sede, a fome...
sem nunca dormir, durante noites e dias...
Um inferno, senhora.
Abriu, maldita!
N�o sinto as m�os!
N�o sinto as m�os!
Algu�m me d� uma ajuda!
Aqui, tudo est� queimado.
- Aonde vamos? - Olhe!
Caramba! Feche a porta.
N�o aguento mais. � um peda�o de gelo.
Vamos, levante-se!
Vamos!
Caminhe!
E depois de deixarmos a cabana...
andamos muitos mais quil�metros na neve.
Ant�!
Vamos, levante-se.
Fique forte de novo.
Ant�, caminhe!
Ant�, precisa caminhar, sen�o vai congelar.
Quando me virava, ele fazia sinal para que eu continuasse...
que n�o pensasse nele...
- E n�o o vi mais. - N�o o viu mais?
E deixou-o no meio da neve, sem uma ajuda...
naquele frio, acabado?
- O que mais poderia fazer? - N�o havia algu�m para ajud�-lo?
Que tipo de gente s�o voc�s?
N�o sei.
Talvez algu�m o tenha ajudado.
Ou�a...
Entre...
vou fazer caf�.
N�o...
caf� me faz mal.
N�o posso tomar.
Estou t�o contente por v�-la, senhora.
Quer um pouco de leite?
N�o, n�o. Obrigada.
- Umas cerejinhas? - N�o. N�o mesmo.
Sente-se ent�o. Sente-se.
Senhora, eu sinto que ele est� vivo.
N�o morreu, n�o.
Mas se est� vivo...
por que nunca escreveu...
nem a mim, nem a voc�?
Por que n�o voltou...
com os outros?
Eu quero ir l�. Vou tentar.
Agora, os jornais dizem que mudou tudo l�.
O Stalin est� morto e sepultado.
N�o pode ser imposs�vel ir l�!
Vou tentar e ainda que seja imposs�vel vou tentar mesmo assim.
- Na R�ssia? - Sim, na R�ssia.
J� se passaram tantos anos!
Esta...
� a �ltima foto que ele me mandou.
Veja...
ele devia passar calor com tanta roupa.
O que acha?
Um soldado t�o agasalhado n�o morre.
Ele est� vivo.
- "Spassiva". Diz-se assim? - Isso, "spassiva".
Eram soldados italianos.
Os civis russos prisioneiros...
a mando dos alem�es, tinham de cavar...
fossas para os sepultar.
V�, senhora?
Cada girassol, cada �rvore, cada campo de trigo...
esconde os corpos...
de soldados italianos, russos e alem�es...
e at� corpos de muitos camponeses russos.
Velhos, mulheres, crian�as...
tenho certeza que meu marido n�o est� aqui.
O Antonio est� vivo.
Precisa apaziguar seu cora��o, senhora.
- N�o h� italianos vivos na R�ssia. - N�o � verdade.
Na It�lia, consta que h�...
feridos e os que n�o se lembram de mais nada.
Sim, pode acontecer.
Eu conhe�o algu�m que veio a Moscou ver um jogo de futebol...
e viu um desses italianos. Falou com ele.
- E que lhe disse? - Sei l� o que lhe disse?
Sei que � verdade.
Minha nossa!
Esta l�pide homenageia os seus compatriotas.
� de um poeta russo: Mikhail Saplov.
"Jovem filho de N�poles...
o que o trouxe aos campos da R�ssia?
N�o era feliz no seu golfo natal?"
Eu, que o encontrei em Mosdok...
pensava no seu Ves�vio distante. "
O que foi?
� italiano?
Italiano?
N�o.
Voc� � italiano.
� vis�vel pelo cabelo, pelos olhos, por tudo.
Mas tem vergonha de me dizer que � italiano?
Diga, por que n�o quer?
Ou�a...
eu vim procurar o meu marido...
mas n�o consigo saber se est� vivo ou morto.
Voc� � italiano.
De onde �?
Era italiano, agora sou russo.
Por qu�?
Por qu�, por qu�?
� uma longa hist�ria...
e n�o h� raz�o para certas coisas.
Acontecem e pronto.
N�o. N�o o conhe�o. Eu era um alpino.
Se soubesse algo, juro que lhe diria.
Por que n�o volta para casa?
Que casa?
N�o?
Conhece-o?
Conhecem-no?
Sabe se � ele?
Bom dia.
Bom dia.
Estou cansad�ssima.
O Antonio estava morto.
Quase morto.
Estava...
congelado.
O Antonio esqueceu... esqueceu tudo.
At� o nome.
E eu sempre estava junto. Sempre, at� ele ficar curado.
N�o quero v�-lo mais. N�o quero v�-lo mais.
N�o quero v�-lo mais!
Isso n�o se faz! Isso n�o se faz!
Isso n�o se faz! N�o!
Isso n�o se faz!
Isso n�o se faz!
Isso n�o se faz!
Isso n�o se faz!
Voc� est� com medo?
N�o, estou arrepiada.
- Se quiser, passamos na vila. - Sim.
Desde quando anda de moto?
Desde crian�a.
Estamos descendo?
N�o, estamos no plano. N�o tenha medo de mim.
- Sou bom motorista! - Sim.
- Vamos at� o rio? - Sim, vire a�.
Como uma flecha!
Maldi��o!
- Voc� � louco? - N�o parou, a maldita.
Mas como se pode pela direita at� o rio?
S� um bobo, mesmo. Onde est� o sapato?
Precisamos agradecer por n�o termos nos machucado.
Eu sabia que n�o devia vir.
Disse que nunca tinha andado de moto...
� assim que se anda?
L� est� ele!
Pegue.
- Aonde vai? - Para casa a p�!
- Espere! - Nem por decreto!
N�o quer entrar?
Quer se sentar?
Ali tinha o retrato do Ant�.
Sim.
� melhor...
- � melhor que tenha morrido. - Para mim tamb�m.
� melhor para a senhora, � melhor para todos!
Senhora, ele est� vivo!
Ele tem casa, mulher...
e uma filha.
� MINHA GIOVANNA COM MUITO AMOR. ANTONIO.
Papai.
Antonio.
Antonio...
� melhor coloc�-la na se��o de perucas...
ou sabe-se l� o que acabar� fazendo a�.
- Pronto? - Pronto, Giovanna.
- Quem fala? - Giovanna, sou eu, Antonio.
Sou o Antonio.
- Giovanna... - Onde est�?
Estou aqui em Mil�o.
- Sim, mas... - Giovanna...
Vim por voc�.
Giovanna, quando posso v�-la?
Como me encontrou?
Me informei e me deram seu telefone.
Ant�, n�o quero v�-lo. Nunca mais quero v�-lo.
N�o, um momento. S� um momento.
Vim de t�o longe!
Eu tamb�m tinha viajado muito...
de dia, de noite, at� que o encontrei.
N�o me fa�a falar.
Ant�...
agora nem eu estou mais sozinha.
Est� com outro?
Sim...
� oper�rio e estou com ele.
Agora ele est� na f�brica, no turno da noite.
Ent�o, n�o vamos nos ver. Vou embora como se nunca...
tiv�ssemos nos falado. � melhor assim?
Sim, n�o somos mais os mesmos, voc� e eu.
Voc� tem outra...
eu tenho outro... Pronto, n�o falemos mais nisso.
Ent�o, adeus Giovanna.
Adeus, Antonio, adeus.
Obrigada pelas flores
Entre todas as reconheci
Elas me machucaram Mas eu as aceitei
S�o rosas vermelhas E falam de amor
E obrigada tamb�m
Porque neste dia voc�
Desculpe, a greve inclui os trens internacionais?
- Para onde vai? - Para Viena.
Recome�am amanh� de manh�. Tem um trem por volta das seis.
- Sen�o? - Como assim?
Reparei que h� um servi�o de �nibus.
Sim, mas passam por Turim, Verona...
Novara, Bolonha...
N�o lhe conv�m.
Que desgra�a estas greves.
Olhe que tem um servi�o de �nibus que substitui os trens. Est�o partindo.
- Mas eu n�o vou partir. - Desculpe, pensei que...
Eu vi que comprou um presente e assim...
Ah, a boneca?
N�o, � para mim. Eu gosto delas.
Voc� n�o?
Ou�a...
poderia me indicar um hotel aqui perto?
Aqui tem o Gallia...
mas...
N�o, um pequeno hotel ou uma pens�o.
N�o.
Quer vir dormir comigo?
Ent�o?
- Onde? - Aqui perto. A dois passos.
"D'uc� �"?
De onde �?
- Tem telefone? - Sim, aqui, perto da porta.
- Antonio. - Sim, ou�a...
os trens est�o em greve. N�o posso partir at� amanh� de manh�.
Quero v�-la um momento.
Preciso lhe falar. Diga-me onde est�.
Pra�a Ambrogio Giovagnoli, 42.
Espere! Espere, vou escrever.
Desculpe, tem um l�pis? Poderia... escrever...
Sim, tenho o dos olhos.
Como �? Repita.
Pra�a Ambrogio Giovagnoli...
42, escada A, 3. andar, apto 8.
Obrigado.
Ou�a, como consigo um t�xi, aqui?
Como um t�xi?
Por qu�? Vai embora?
Sim.
Como? J� me despi...
at� sujei o espelho...
Quanto voc� cobra?
Estou no escuro. Quero receb�-lo no escuro.
Ap�s tanto tempo.
Deixe-me entrar um momento. Vou embora logo.
Claro, desculpe.
Vou procurar uma vela. Sabe-se l� onde est�o!
- Voc� est� molhado. - N�o tem import�ncia.
Eu ainda n�o acredito que voc� est� aqui.
Ou�a, Giovanna...
quero lhe explicar tudo.
Eu queria me jogar no rio.
Depois percebi que se pode viver at� sem amor.
� verdade.
Mas se soubesse o que passei...
� minha frente havia 1.000 km de neve.
Quando reabri os olhos...
me vi em uma casa...
que n�o conhecia...
com uma mulher que nunca tinha visto.
Eu n�o lembrava mais nada.
Durante muito tempo n�o me lembrei de nada.
N�o me diga coisas que eu j� sei.
Ela lhe salvou a vida...
curou voc�, matou sua fome e tudo o mais...
mas deveria ter agradecido e ter vindo embora.
Por�m voc� ficou...
e teve um filho com ela.
Aquela casa me parecia...
a �nica coisa segura que eu tinha.
E voc� se ligou a ela...
Mas por que...
foi...
como se eu tivesse morrido...
e depois era outro.
A morte t�o perto muda as pessoas.
Muda...
muda os sentimentos.
N�o sei como lhe explicar...
Eu...
com ela encontrara um pouco de paz.
Como posso lhe fazer compreender isso?
Eu vim aqui, achava que...
que lhe explicaria tudo facilmente.
A guerra � ruim.
Foi...
Tudo foi t�o...
ruim, Giovanna.
Foi dif�cil...
N�o sei por que aconteceu.
N�o sei.
Vou pegar uma vela.
N�o me olhe assim, eu envelheci.
E voc�, como est� velho...
com tantas rugas na testa.
Quantos cabelos brancos...
- Antonio... - Volte para mim.
Eu ainda a amo e voc� tamb�m, eu sinto.
Como posso voltar?
Como posso voltar? Como posso voltar?
Como posso voltar para voc�?
Tenho um filho.
Entendeu, Ant�?
Mas eu n�o posso deix�-la assim.
Vou lev�-la comigo.
Recome�aremos uma vida em qualquer lugar.
Onde me levaria, com este filhinho?
Voc� tamb�m tem uma filha.
Vamos machucar as crian�as, eu e voc�?
Amor.
Que nome lhe deu?
Antonio.
Como eu?
N�o, Antonio como Santo Antonio.
Trouxe-lhe...
como lhe prometi.
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