Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Isto é a fertilização de um óvulo humano com um espermatozoide.
Até aqui, sem novidades. Algo usual em clínicas de fertilidade.
Mas há um detalhe diferente aqui.
A agulha está inserindo uma miniferramenta
que modificará o DNA do embrião.
É uma nova tecnologia chamada...
-CRISPR. -CRISPR.
-CRISPR. -Uma tecnologia revolucionária...
...que pode editar o DNA com grande precisão.
Para entender a importância disso, imagine o seguinte:
existe vida neste planeta há cerca de quatro bilhões de anos.
E 99,99% deste período aconteceu antes do surgimento do Homo sapiens.
E durante 99,99% da história da humanidade,
nós também desconhecíamos o código genético
que há nas células de todos os seres vivos.
Aliás, apenas nos últimos 65 anos,
o período de uma vida,
viemos a descobrir como o DNA funciona,
construímos máquinas para lê-lo e ferramentas para reescrevê-lo.
Agora, algo que questionamos há décadas está virando realidade:
se o homem pudesse controlar o código-fonte da vida,
como seria quando começássemos a usar em nós mesmos?
Veja o que sabemos sobre as moléculas de DNA.
UMA SÉRIE DOCUMENTAL ORIGINAL NETFLIX
É bem possível aprendermos a usá-la.
...para manipular nosso mapa e composição genética.
Se começarem, onde vão parar?
É aí que a coisa complica.
...crucial na busca da cura de doenças como o câncer.
Para críticos, é como abrir uma caixa de pandora.
É assim que vamos criar a próxima geração de crianças?
Assim, o homem vira um deus.
DNA PROJETADO
Hoje, celebramos a revelação
do primeiro rascunho do livro da vida humana.
Como sociedade, gastamos cerca de US$ 3 bilhões
sequenciando o 1º genoma humano.
Foi um verdadeiro marco histórico,
talvez equivalente à construção das pirâmides no Egito.
O genoma engloba todo o mapa genético,
os três bilhões de pares de As, Ts, Cs e Gs
que carregamos em quase todas as células.
Mapear o genoma foi o maior desafio na história da biologia.
Nos 15 anos seguintes,
o custo para sequenciá-lo caiu drasticamente.
Uma diminuição de muitos zeros.
Preste atenção neste gráfico, que não é nada comum.
Os números caíam sempre para 10% do valor.
Com esses dados,
cientistas podem identificar genes causadores de doenças.
Mas, para conseguir modificá-los, é preciso localizá-los no genoma.
Isso foi algo complicado para os humanos, mas...
para as bactérias, não.
Elas vêm batalhando vírus há bilhões de anos...
e algumas criaram um sistema imune
que registra, no próprio genoma, os seguimentos de DNA do vírus.
Logo, se o vírus voltar a atacar,
seu DNA será facilmente reconhecido e cortado
por enzimas que são como tesouras.
Isso impede a reprodução do vírus.
Este sistema imune chama-se CRISPR.
Foi uma descoberta interessante, mas, em 2012,
Jennifer Doudna e seus colaboradores
provaram que podiam reprogramar o CRISPR
para rastrear e editar os genes que quisessem.
Assim, algo que era só interessante virou uma ferramenta poderosa.
De um antigo sistema imune bacteriano,
criaram uma incrível tecnologia de edição genética.
O Prêmio Breakthroug vai para Emmanuelle Charpentier
e Jennifer Doudna.
A descoberta foi consequência de uma pesquisa descomprometida
para investigar algo que nada tinha a ver com o resultado final.
Nunca pensei que seria engenheira genética.
A simplicidade do sistema CRISPR
permitiu que ele se espalhasse como fogo pela comunidade científica.
Todos os dias, publicam muitos artigos sobre o CRISPR
sendo utilizado em plantas,
bactérias, leveduras... em tudo que é organismo vivo,
já que todos funcionam com DNA.
A tecnologia é tão acessível
que agora é possível editar o DNA de bactérias em casa
com kits "faça você mesmo".
Sou cientista profissional há 25 anos
e nunca vi uma tecnologia
avançar tanto como a edição genética.
Penso no Vale do Silício há 40, 50 anos,
quando começamos a perceber que podíamos programar computadores.
Era difícil prever as possibilidades
como a internet ou computadores nos bolsos de todos.
O que acontecerá daqui a 20, 30, 40 anos?
Leitões que podem vir a fornecer fígados,
corações e outros órgãos para humanos.
Agora estão desenvolvendo mosquitos resistentes à malária.
Pode ser a volta do mamute-lanoso.
Talvez o último te lembre um clássico da ficção científica.
PARQUE DOS DINOSSAUROS
Não veem como isso é perigoso?
Brincam com a poderosa força da genética
como uma criança que encontrou a arma do pai.
Esses experimentos levantam questões éticas complexas.
Talvez a maior delas seja o uso do CRISPR em embriões humanos.
Nunca os utilizaram para iniciar uma gravidez,
mas, se isso acontecer,
estaremos cruzando um limite que é debatido há décadas.
Precisamos fazer distinções importantes.
Primeiro, a distinção entre a mutação em células somáticas
daquela em linha germinal.
Quase todas nossas células são somáticas: sangue, cérebro, pele.
Nessas, o DNA não é passado aos descendentes.
Já a edição em linha germinal envolve esperma, óvulos e embriões,
basicamente alterando o DNA das gerações futuras.
É muito diferente, pois na edição em linha germinal
podemos fazer mudanças que afetem toda a população e evolução humana.
Outra grande diferença que surgiu no começo do debate
foi entre terapia e melhoramento.
Terapias tratam doenças
e melhoramentos favorecem pessoas que já são saudáveis.
O primeiro quadro mostra onde a ação está acontecendo:
tratamento de pessoas doentes.
O desafio está na execução.
Doenças diferentes afetam células diferentes.
Algumas afetam o fígado, outras, o coração ou o pulmão...
E alguns órgãos são mais acessíveis.
Os experimentos mais promissores são para anemia falciforme,
HIV e certos tipos de câncer que ficam no sangue ou na medula óssea.
Aquelas células podem ser removidas do corpo e editadas.
Não precisa se preocupar com os descendentes.
Após a confirmação da alteração, a célula é substituída.
A edição somática sempre foi muito menos controversa,
principalmente porque qualquer mudança afetaria uma única pessoa.
No geral, é considerada medicina.
O melhoramento genético somático é como cirurgia plástica.
Qualquer mudança termina ali.
Ainda não há cirurgia plástica genética.
Por enquanto, o foco é nas doenças.
Mas, com o avanço das pesquisas, a grande polêmica será
se devemos ir além dos doentes,
e eliminar algumas doenças para gerações futuras.
Ainda não aconteceu.
Até onde sabemos,
ainda não estão tentando criar bebês CRISPR.
Precisamos resistir a esta tentação.
Acho que ainda não temos esta tecnologia,
mas estamos chegando lá.
Criar bebês geneticamente modificados já é ilegal em pelo menos 25 países.
Boa parte da Europa já proíbe há décadas.
Se buscar um padrão entre os países,
uma das principais variáveis que explicaria a diferença
é a proximidade da experiência nazista.
São nações muito mais céticas à ideia
de um possível melhoramento da espécie humana.
Duas potências nas pesquisas com CRISPR, EUA e China,
condenam a terapia germinal, mas não têm leis que a proíbam.
Em 2015, a ONU pediu uma moratória global
dizendo que a modificação germinal
poderia arriscar a dignidade de toda ahumanidade.
O problema de cruzar o limite germinal
é que o outro limite pode não resistir.
O limite entre terapia e melhoramento fica cada vez mais confuso.
Por exemplo, nem todos concordam com o que precisaria ser corrigido.
A surdez é uma doença?
Muitos na comunidade surda diriam que não.
E o nanismo? Muitos diriam que não.
A ideia de que somos doentes e estamos sofrendo,
de que "sofro" de nanismo... Não, eu convivo com ele há 39 anos.
Com orgulho, sou da segunda geração e estou criando a terceira
de pessoas com nanismo.
Na verdade, sofro por como sou tratada.
Mas o limite é confuso até quando há consenso sobre a doença.
A depender da sua variante,
o gene ApoE pode aumentar, diminuir ou não afetar o risco de Alzheimer
mais tarde na vida.
Digamos que altere o DNA de seu filho para uma variante de baixo risco.
Isso seria terapia ou melhoramento?
Há genes raros de menores riscos de problemas cardíacos, diabetes,
imunidade ao HIV, ossos mais fortes, mais músculos, menos odores,
a necessidade de dormir menos.
Qual seria o limite?
No filme Gattaca, de 1997, dividem a sociedade em classes genéticas,
pois as clínicas de fertilidade vendiam melhoramentos.
Não queríamos...
Claro, doenças não, mas... Gostaríamos de saber se...
podemos deixar certas coisas ao acaso.
É melhor dar à criança a melhor chance possível.
Acreditem, já temos defeitos demais.
Na época do filme, era ficção científica.
É incrível pensar que, agora,
já é quase uma possibilidade real.
E isso levanta uma das maiores ameaças éticas na genética.
Talvez já tenha ouvido o termo "bebês projetados".
-Bebês projetados. -Bebês projetados.
...os pais escolheriam cor dos olhos, inteligência e altura.
E se eu pudesse projetar crianças para jogar na NBA?
É aí que as pessoas perdem o controle.
Alguns traços são simples, como a cor dos olhos, sardas,
e, acredite se quiser, consistência da cera de ouvido.
Mas inteligência, altura e habilidades atléticas
são traços complexos.
Resultam da natureza e da criação,
e a parte da natureza envolve centenas
ou até milhares de genes diferentes,
que interagem de forma que não entendemos.
Por isso, são alvos ruins para algo como o CRISPR.
Se os governos autorizassem a mutação germinal,
começaríamos prevenindo a transmissão
de doenças causadas por um único gene.
Porém, a maioria das pessoas com esses genes
já tem alguma forma de fazer isso sem precisar editar o DNA.
Por isso, a edição de genes não é o
menor caminho até os bebês projetados,
mas, sim, a seleção de genes.
As pessoas que sabem que carregam o gene de uma doença genética,
podem, há muito tempo, optar pelo diagnóstico pré-implantacional.
O nome é grande demais, então chamam de DPI.
Quando descrevo, muita gente acha que é ficção científica,
mas é algo que existe há mais de 27 anos.
No DPI, a clínica de fertilidade remove células do embrião, por FIV,
e procura por genes de doenças genéticas no DNA.
Depois, selecionam os embriões saudáveis e implantam na mulher.
Mas a tecnologia também é usada para procurar genes
que não garantem uma doença, mas aumentam seu risco,
e para verificar outros traços,
como o sexo do embrião ou a cor dos olhos.
Com o avanço da tecnologia,
poderemos obter o relatório completo do genoma do seu embrião,
como o que temos nos testes de saliva que as empresas de genética fazem.
Já traços complexos, como inteligência, peso e diabetes,
talvez não possam ser alterados diretamente,
mas podemos conseguir prevê-los...
até certo ponto.
Acho que nunca poderemos dizer:
"Este embrião acertará 60% das questões no vestibular".
Mas poderemos dizer "tem 60% de chance
de estar entre os 50% melhores"
e "13% de estar entre os melhores 10%".
São as chamadas "pontuações poligênicas"
e têm base em correlações estatísticas de todo o genoma.
Não costumam ser tão precisas, então não saíram do campo acadêmico.
Mas quanto mais dados temos, melhores ficam.
E agora a Genomic Prediction promete que será a primeira
a oferecer testes poligênicos para clínicas de fertilidade.
O presidente da empresa disse ter se inspirado no filme Gattaca.
Não há nada na lei dos EUA que impeça clínicas
de usarem previsões genéticas agora.
Mas se continuará sendo assim...
quando começarem a usar isso para selecionar bebês
por motivos que outras pessoas consideram errados,
será uma discussão política interessante.
Mas ainda falamos de poucas pessoas, porque a FIV é complicada.
Agora, o maior problema da FIV,
que representa 90% do custo e 99% do desconforto e risco,
é a coleta de óvulos.
Mas ele prevê que, um dia, poderemos cultivá-los em laboratório,
a partir de células de pele, e usá-los
para criar dúzias de embriões.
Parece ficção científica,
e é, para os humanos, mas não para os ratos.
Já fizeram com óvulos e esperma de
ratos, e nasceram filhotinhos saudáveis.
Se desse certo para humanos, e é um grande "se",
a FIV se tornaria algo muito mais fácil,
e a seleção genética, mais poderosa.
Adicione a edição genética ao processo
e verá como a indústria da fertilização
pode conduzir o futuro da evolução humana.
Mas não é preciso especular sobre o futuro
para ver os efeitos da revolução genômica.
Em 1994, o Dr. John Wasmuth localizou um gene da acondroplasia.
Muitos pais de anões ficaram assustados,
porque pensamos que seria...
e, de muitas formas, ainda pode ser... o primeiro
passo para erradicar nosso tipo de nanismo.
Tecnologias genéticas podem reduzir a gama de variação humana.
E já vimos como escolhas individuais em testes de pré-natal
podem mudar populações inteiras.
No momento, há apenas 980 garotas para cada 1.000 garotos, no país.
Na Islândia, a síndrome de Down está quase erradicada,
e, em parte, é graças à disseminação de testes genéticos.
Não há mesmo lugar para nós...
no mundo?
É complicado. Sou uma mulher pró-escolha,
e preciso aceitar que, para mim,
sendo uma mulher pró-escolha e uma deficiente, isso significa...
que preciso aceitar o fato que mulheres sem deficiência
consideram alguém como eu um feto não viável.
Além disso, como nem todos no mundo têm bom acesso à saúde,
arriscaríamos dar aos ricos uma vantagem genética extra.
Isso nunca seria acessível para todas as pessoas.
Apenas as pessoas ricas teriam acesso a isso.
Hoje, as crianças ricas já têm de 10% a 15% mais saúde.
Não é tanta coisa,
mas não quero acrescentar mais 10% ou 15% a isso.
E já vimos como é fácil acreditar
em respostas simples para problemas complexos,
quando elas parecem ter base científica.
A Lei de Imigração dos anos 1920, nos Estados Unidos,
foi baseada em premissas científicas totalmente falsas que afirmavam
que os nórdicos teriam genes superiores aos das outras raças.
Nem precisa ser verdade.
A edição genética nem precisa funcionar
para gerar efeitos na sociedade.
Mas a edição genética pode reduzir em massa o sofrimento humano.
Por isso há tanto em jogo.
Sinceramente, meu maior medo
é de que usem a edição genética de forma precipitada.
Ou seja, que a apliquem de maneira prejudicial
e que isso acabe com a reputação de uma tecnologia
com tanto potencial para afetar de forma tão positiva
a sociedade.
A não ser que haja uma guerra nuclear ou que o mundo acabe,
usaremos cada vez mais a genética na reprodução humana,
e isso terá consequências.
Mas tenho esperança de que, se pensarmos bem sobre o assunto,
nos preocuparmos e discutirmos com antecedência,
podemos conseguir não pisar na bola.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.