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Revis�o e sincroniza��o: FMGRM
Quando eras pequena, passavas horas nesse baloi�o.
E essa cara t�o s�ria?
- Posso fazer-lhe uma pergunta? - Sim.
Teve outro amor antes do av�?
O teu av� foi o �nico homem da minha vida.
Casei-me com ele porque n�o havia, outra hip�tese mas aprendi a am�-lo.
Naquela �poca, diziam:
"Uma mulher sem profiss�o tem duas op��es:�
�O casamento ou a prostitui��o."
Deve ser a mesma coisa, n�o �?
E se pudesses come�ar tudo de novo?
- Pepe seria o homem da tua vida? - N�o.
Se pudesse come�ar tudo de novo,
eu faria amor, o m�ximo que pudesse.
Todos deviam pensar como tu.
Um homem que fode com todas � um garanh�o.
Se for uma mulher, � uma puta.
- A igualdade dos sexos. - � tudo uma treta!
Se fizessem mais amor e falassem menos...
- Seria tudo melhor. - N�o � assim t�o simples.
O qu�?
Esquece, av�.
- � dif�cil explicar. - Sabes o que devias fazer?
Olha.
Agarras numa folha de papel e escreves as tuas ideias, d�vidas, problemas,
mas de uma forma interrogativa,
para que possas v�-los de fora e tomar conhecimento.
Eu fazia assim na tua idade, e ajudava-me muito.
Bem, e continuo, embora agora seja para n�o me esquecer.
Vamos, o jantar est� pronto. Anda.
E quando fazias amor com o av�, como era?
Est�s muito curiosa.
Anda, eu preparei alm�ndegas de frutos do mar.
Vai sobrar para que leves at� Barcelona.
Perdi a minha virgindade em 17 de Julho de 1993,
�s 2 horas e 46 minutos da madrugada.
Foi durante umas f�rias, aos 15 anos.
Um momento assim n�o se esquece.
- Est�s bem? - Sim.
Lembro-me que n�o senti nada,
s� uma grande vergonha por n�o ter sangrado,
e uma estranha sensa��o de ter feito xixi na cama.
Sa� de l� ao som do barulho de uma privada.
A sensa��o de que a experi�ncia que tinha tido com o Eduard,
n�o podia ser assim, fez-me voltar novamente a ele,
faltava-me alguma coisa.
O que fazes aqui?
- Outra vez. - Mais uma vez?
N�o, centenas de vezes.
Centenas de vezes.
A partir dessa estranha descarga de energia
despertou em mim um desejo de comunicar-me atrav�s do meu corpo,
uma curiosidade inata de experimentar sensa��es atrav�s de um beijo,
uma car�cia ou o contacto da minha pele.
14 anos depois da minha primeira experi�ncia com o Eduard
vivo em Barcelona...
e continuo a ter o mesmo desejo de experimentar atrav�s do meu corpo.
DI�RIO PRO�BIDO
- O meu di�rio, que estava aqui. - Escreves um di�rio?
- Sigo os teus conselhos. - N�o disse que escrevesses um di�rio.
E sim que apontasses os teus problemas para tentar resolv�-los.
Quem escreve um di�rio sente-se sozinho.
N�o � verdade.
T�m alguma coisa para contar.
Porque a sua vida � diferente.
E, embora nunca confessem, esperam que algu�m o descubra
e o leia �s escondidas, para conhecer a real personalidade do autor.
Pois, porque se sentem sozinhos.
� o terceiro apag�o esta semana.
- Vejo que ainda tens medo do escuro. - Este isqueiro n�o funciona.
Espero que n�o fales mal de mim no teu di�rio.
Claro que n�o.
Podias escrever alguma coisa por mim?
Diz que n�o est�s sozinha, que estou aqui contigo.
Ainda bem.
Eu fico insuport�vel no escuro.
Insuport�vel.
Cheira a campo,
a relva molhada rec�m cortada.
Porque n�o ficas para dormir?
N�o posso.
Amanh� tenho uma reuni�o e tenho que preparar a apresenta��o.
Alex, porque nunca ficas para dormir comigo, por favor?
Mas tu n�o queres que eu durma.
N�o.
Nunca te cansas?
N�o te zangues, Val, mas n�o posso seguir o teu ritmo.
J� disse que tenho uma reuni�o e tenho que prepar�-la bem.
Vem.
Hassan.
Ol�, Valerie.
Que alegria ouvir-te.
�s mesmo uma falsa, desapareceste do mapa.
Tenho que ir a Barcelona esta semana.
Gostava de ver-te.
- Podes na quinta-feira? - Ok, eu ligo-te. Um beijo, querido.
- Com quem falavas? - Com o Hassan.
- Vem a Barcelona? - Vejo-o na quinta-feira.
Vou voltar para a mesa, que a chapa est� a aquecer.
- O que foi? - N�o ouviste sobre uma reestrutura��o?
Desde que entrei nesta empresa tenho ouvido, e nada.
Sim, bem.
Muitos vezes perguntaram-me o que sinto quando fa�o amor.
� como uma mescla de energia com a outra pessoa, que me faz viajar
e fundir-me com o cosmos.
A energia de meu orgasmo � uma pequena parte de mim que se vai
e acaba mesclando-se com o universo.
� uma viagem sideral que me leva ao infinito.
Contam no meu pa�s que Al� disse ao vento do sul
que dele criaria o cavalo �rabe.
"Assim seja" disse o vento.
Prendeu uma parte do sopro e lan�ou-o �s crinas do cavalo,
para que nunca esquecesse de onde vinha.
Mas acontece que era t�o veloz
e t�o ardiloso que ningu�m podia mont�-lo, e teve que ser Ismael,
o primeiro fiel, quem conseguiu domesticar um deles,
a quem chamou Kuhaylan, ant�lope negro.
Acho que tu �s mais dif�cil de domesticar, que esse primeiro cavalo.
Nem sequer sei que nome te hei-de dar.
Est�s a chamar-me selvagem?
Sim.
Acho que nunca fodi contigo numa cama.
Podemos foder agora, se quiseres.
Embora... Acabo de ter uma ideia melhor.
Olha, vamos.
Onde est�o? Escondeste outra vez, n�o �?
N�o.
N�o quero. N�o, por favor, Hassan.
Eu n�o quero. N�o, hoje n�o, hoje n�o.
Aqui est�.
N�o, por favor...
N�o.
Hoje n�o.
Sim, sim. Sim, hoje sim. Olha, olha, vem.
Bom dia.
Toma cuidado, Val, voltaste a chegar tarde.
Queres uma?
Nem posso ver...
Preciso de um caf�.
Ontem comprei um vestido lindo para o casamento de meu primo Marcos.
Quando o fui vestir, vi que n�o conseguia subir o fecho.
Ou seja, n�o chegava, e comecei a chorar como uma louca. E liguei para ti.
Sabias que tinha marcado com o Hassan.
Eu n�o me lembrava, mas � a mesma coisa, nunca te encontro quando preciso.
Sabes? Estou a pensar em p�r um an�ncio para encontrar um namorado.
Um an�ncio? Mas, o que dizes?
O que tens que fazer � deixares de ser obcecada.
Como queres encontrar a tua alma g�mea se nunca sais?
� que eu n�o quero rela��es de uma s� noite.
Antes de te apaixonares tens que provar, digo eu.
N�o sou como tu, Val, eu preciso apaixonar-me,
encontrar um homem que me queira
e se poss�vel, que de vez em quando, me mande flores.
Se foderem bem, eu at� dou as flores.
N�o suporto chegar a casa e n�o ter ningu�m com quem falar,
e acordar sozinha, abrir o frigor�fico e encontrar meio lim�o.
O amor enche os frigor�ficos e o meu est� � muito tempo vazio.
Estava preocupada, ontem n�o ligaste para me desejar boa noite.
Porque cheguei tarde a casa. Sa� para jantar com umas amigas.
- Gostaste das alm�ndegas? - Sim, deliciosas.
Bem, preciso desligar. Tenho que acabar o teu pul�ver.
- Amo-te, amo-te... - Eu tamb�m. At� amanh�, av�.
Domestica-me.
- O qu�? - Quero que me domestiques.
Tu mereces at� flores.
Quero foder a noite toda.
N�o posso. N�o posso. N�o posso, Val.
- Tenho que ir. - O que foi?
N�o, Val, Val, Val...
Tenho que dizer-te uma coisa.
- Tens noiva. - Tu sabias?
Eu imaginava, mas n�o se preocupe, n�o sou ciumenta.
Nunca te perguntei se estavas sozinho. O problema � teu, n�o meu.
N�o imaginava que fosses aceitar assim.
O que querias? Que acabasse em prantos?
Val...
Temos que parar de ver-nos.
Quero explodir.
Val, Val...
N�o me entendeste? N�o sabes pensar noutra coisa?
Caramba, Val! Tu tens um problema.
N�o � poss�vel pensares o dia todo em foder.
Eu tenho um problema, mas tu �s um filho da puta.
N�o me ligues nunca mais, est� bem?
Nunca.
Caralho.
Alex, mais um homem que me deixou.
A solid�o, o sil�ncio.
Preciso de ar.
Que porra est�s a ver? �s nova aqui?
Aqui � meu espa�o, beb�. Vaza! Vai trabalhar noutro lado.
Havia dias em que passava horas debaixo do chuveiro a sentir o fresco da �gua,
esquecendo-me de tudo.
Mas n�o posso tirar o Alex da cabe�a.
Eu gostava muito dele.
Como ele, sei que outros homens s� me querem para foder
e disso eu gosto.
Mas d�i-me,
porque acima de tudo sou uma mulher.
Querida, eu liguei para te desejar boa noite,
mas imagino que est�s a divertir-te.
Tu est�s certa! Aproveita enquanto �s jovem.
Anda, um beijo.
� uma vergonha Val, s�o uns porcos.
Entregas parte da tua vida, e como te agradecem? Despedindo-te.
Queres uma m�o?
Deixa. Eu j� estava cheia disto.
Tu n�o estavas em regime?
Como queres que fa�a regime, deprimida como estou?
Atende tu, eu j� n�o trabalho aqui.
Sim?
N�o, Valerie n�o pode atender, nem agora nem nunca, j� n�o trabalha aqui, boa...
Sim? Sou eu.
Fiquei furiosa quando soube que te tinham avisado.
Obrigado por teres vindo, mas n�o precisavas.
Deram-me uns dias de folga no trabalho.
De qualquer jeito teria vindo.
N�o fa�as essa cara, Val. N�o tenho inten��o de morrer t�o cedo.
N�o, foi apenas um problemazinho, o meu cora��o aguenta.
Os m�dicos exageram sempre.
- E contigo, o que se passa? - Nada.
Val, eu conhe�o-te.
Problemas com um homem?
Com um?
Com todos.
Sabes o que � a ninfomania?
Creio que esse � o meu problema.
N�o posso controlar-me.
Preciso de sexo.
Vejo um homem e desejo-o.
Mas ningu�m entende.
As pessoas olham-me de lado.
�s vezes acontece com desconhecidos que nem me atraem.
Tenho medo.
Medo de n�o ser como as outras mulheres.
Medo de que algum dia isso me fa�a mal.
De n�o poder viver s� com um homem nem ter fam�lia.
Ninfomania, um invento dos homens
para que as mulheres se sintam culpadas se saem da normalidade.
Cada um � como �, nada mais.
Nunca renuncies a uma coisa que desejas,
porque depois vais arrepender-te.
Acredita em mim.
Para mim,
o que acontece
� que n�o te atreves a viver a tua vida.
Queres um conselho?
Aproveita a vida.
O m�ximo poss�vel.
E vai apanhar a minha malha, que eu quero terminar.
O que tens que fazer � descansar, av�.
J� descansei o bastante. Vai buscar a minha malha.
Vamos.
LIGAR PARA VAL
Perdi a �nica pessoa que me compreendia de verdade.
Sinto-me absolutamente sozinha.
Eu gostava de ter a companhia de um homem para que me consolasse,
mas nem sequer tenho for�as para sair e procur�-lo,
estou esgotada.
Querida, eu liguei para te desejar boa noite,
mas imagino que est�s a divertir-te.
Tu est�s certa! Aproveita enquanto �s jovem.
Vem c�, um beijo.
Querida, eu liguei para te desejar boa noite,
mas imagino que est�s a divertir-te.
Tu est�s certa! Aproveita enquanto �s jovem.
Vem c�, um beijo.
Querida, eu liguei para te desejar boa noite,
mas imagino que est�s a divertir-te.
Tu est�s certa! Aproveita enquanto �s jovem.
Vem c�, um beijo.
Liguei um monte de vezes. Ao menos podias dar sinal de vida.
O qu�? Como est�s?
Estou consciente que a minha vida sexual est� a prejudicar-me
e que n�o posso continuar assim.
Apesar de estar arrasada come�o a procurar trabalho.
Lindo, � a pessoa que necessito. Fala franc�s e ingl�s,
tem conhecimentos de marketing.
N�s vendemos muito � Fran�a.
Ent�o, o seu trabalho ser� o tratar da comunica��o,
acompanhar-me a feiras, e comer um presunto no final de ano.
- Um presunto? - Que dou de presente no natal.
Para que digam que os estrangeiros tamb�m se integram.
Interessa?
Eu vou pensar. Esta tarde tenho outra entrevista.
- Esta semana ainda digo alguma coisa. - "Va bene".
�s muito observadora. Como podes ver estamos a mudar-nos
Diz-me, porque sa�ste do teu anterior trabalho?
Estavam a cortar pessoal e acertaram-me.
Senhor...
Rixas, Jaime Reja.
- Como? - Rixas e associados,
Director geral, muito prazer.
Voc� � licenciada em administra��o de empresas
e em l�nguas estrangeiras aplicadas. � um belo curr�culo.
- Posso fazer-lhe uma pergunta? - Claro.
- Voc� � casada? - N�o.
Comprometida?
Creio que essa pergunta � irrelevante.
Sim, sim, tem raz�o, mas a pessoa que ficar
este trabalho ter� que viajar por todo o mundo.
Entendo. No meu caso, n�o h� nenhum compromisso.
Quer fazer-me alguma outra pergunta sobre os hor�rios,
os honor�rios, o que seja?
Podia dizer-me que perfume est� a usar?
Bem, de facto
voc� tem um olfacto muito bom.
� um perfume muito especial, de lavanda.
Sim?
Valerie?
Sim, sou eu.
Sim, sou Jaime Reja. Como vai voc�?
Ah, diga.
Olhe, j� tomei uma decis�o, mas antes tenho um problema
e gostava de poder fal�-lo com voc� pessoalmente.
Que tipo de problema?
Creio que voc� � uma pessoa com a qual se pode falar abertamente.
Tens algum inconveniente em ir tomar alguma coisa e indo conversando?
E n�o podemos no seu escrit�rio?
Prefiro um lugar mais calmo.
� que l� a minha secret�ria, est� a interromper-me constantemente.
Tenho 39 anos e toda a minha vida fui um empres�rio com as ideias bem claras.
Mas em todos estes anos nunca me tinha acontecido uma coisa igual,
e pareceu-me muito importante falar com uma pessoa
que n�o tivesse preconceitos, e acredito que voc� � a pessoa indicada.
E porqu� eu? Quase n�o nos conhecemos.
Justamente porque n�o nos conhecemos.
Sim. A sua opini�o ser� mais objectiva.
Depende do que se trate.
Conheci uma mulher
no �mbito do trabalho,
e dada a minha condi��o de director-geral da empresa,
n�o sei como comportar-me com ela.
Sempre fui capaz de controlar os meus impulsos, mas...
- Este assunto est� a atormentar-me. - Ela trabalha na sua empresa?
Ainda n�o.
Ela sabe?
Ela � uma pessoa esperta,
e acho que deve ter dado conta de que h� mais alguma coisa,
mas ainda n�o me fez nenhum coment�rio a respeito,
e estou com medo de ouvir que n�o sente o mesmo por mim.
Desculpa. Acho que te pisei, n�o?
- � que a mesa � muito pequena. - N�o foi nada.
� uma mulher preciosa, Valerie, queria dar-te de presente uma rosa,
mas n�o tenho dinheiro.
Ou sim?
Eu ia-me esquecendo.
O emprego foi seu at� esta noite.
A partir de agora n�o acho que possa dar-te ordens.
- Boa noite. - Boa noite.
Tem fam�lia?
Tem dois filhos, mas j� s�o maiores. Est� separado h� anos.
N�o � um pouco velho para ti?
� o homem mais interessante que conheci na minha vida.
� inteligente, educado, culto, trata de mim, tudo.
� que nunca me senti assim.
Quando o vejo, o cora��o vai a mil e as suas m�os deixam-me louca.
Val, apaixonaste-te? Tu?
Quando era pequena e me davam um bal�o, soltava-o sempre.
Eu gostava de ver como subia ao c�u, fazia-me sentir livre.
N�o sei se me apaixonei, mas gosto muito.
� diferente de todos os homens que conheci.
Afinal descobres que tamb�m nasceste para o casamento.
Vai devagar.
Pela primeira vez na minha vida sinto-me uma mulher normal
e � uma sensa��o que me fascina,
ser como o resto de mulheres que se cruzam comigo.
Jaime e eu vemo-nos quase diariamente.
Dei-me conta que encontrei
uma coisa t�o importante como o sexo.
O amor de um homem.
Pela primeira apaixonei-me loucamente.
Leva-me aos melhores restaurantes e vem sempre buscar-me.
No seu jaguar?
Isso sim eu gostaria, sabias?
Um namorado com um jaguar.
E como � na cama?
Ainda n�o sei.
Est�s apaixonada.
Jaime, tens que usar a camisa.
De certeza? Mas eu quero sentir-te.
- � mesmo necess�rio? - Sim.
Est� bem, n�o h� problema.
Vou buscar � casa de banho.
J� agora, podias levar o gato? Gostava mais de ficarmos sozinhos.
Acaricia-me.
Desculpa ter gozado t�o r�pido, mas hoje tive um dia exaustivo.
N�o te preocupes. Tudo bem.
Importas-te de deixar a luz acesa?
A partir de agora n�o podes ter medo de nada, j� me tens.
E amanh� ser� um dia muito, muito especial.
Vais ver.
Hoje finalmente fizemos amor. Mas n�o senti nada,
como a primeira vez que estive com o Eduard,
mas amo-o e ele me ama
e isso agora � o mais importante para mim.
- � maravilhoso - Sim.
Escrit�rio, n�o, n�o olhes porque est� uma grande confus�o.
Com Jaime estou a viver um sonho maravilhoso,
um sonho do qual n�o quero despertar nunca.
Um quarto, com vista para Tibidabo, ch�o em madeira. � lindo, n�o �?
A casa de banho � deste quarto, h� de tudo, completo.
E o nosso quarto, v�.
Bom, e a casa de banho aqui, sim com...
E olha para isto, fecha-se completamente.
"Blackout", de verdade.
Tem o tamanho perfeito, tr�s quartos.
Sim, sim, o nosso quarto, o escrit�rio
e mais outro.
Convidados.
Convidados, sim, ou...
Bom, noutro dia deu-me a entender que queria filhos j�, mas n�o...
N�o sintas como uma press�o, por favor.
Seis metros de altura t�m as janelas.
Sempre sonhei viver numa casa com vistas para o mar,
mas � muito caro, querido.
N�o te preocupes com nada, sim?
Deixa comigo e pronto.
E como � na cama?
Na verdade n�o � nada do outro mundo.
Goza muito r�pido e diz que � pelo excesso de trabalho.
Mas se tu dizes que o sexo � o mais importante.
Possivelmente porque n�o conhecia o que � o amor.
N�o sei, Val, parece-me precipitado que v�o viver juntos.
Conhecem-se � pouco tempo.
Dizias-me que tinha de mudar de vida. Pois estou a ouvir-te.
Pela primeira vez na vida n�o tenho necessidade
de estar com mais ningu�m.
Al�m disso, estou perto de fazer 29 anos.
Talvez tenha chegado o momento de pensar em ter filhos.
- � isso. - � uma das muitas raz�es.
Mas um homem que n�o gosta de animais d�-me uma m� impress�o.
Tem alergia a p�los de gato.
Tudo bem, eu n�o me importo.
Sou eu, que estou a passar uma fase dif�cil.
- Trata-lo por mim? - Sim.
- Podes subir-me o fecho? - Sim.
- O que foi? O que est� a ver? - O frigor�fico.
- O que tem o frigor�fico? - Eu gosto muito.
E de mim? N�o gostas?
- Claro. - Tu nesse vestido est�s...
Linda.
Para ti.
Est�s bem?
Claro que estou bem, mas sinto-me um pouco incomodada,
est�s a pagar tudo.
J� gastaste um grande quantia nos m�veis...
Para que � o dinheiro sen�o para gast�-lo?
Quando encontrar trabalho
voltamos a falar, sim?
Est�s a ver alguma coisa?
� lindo.
Obrigado, Jaime.
Mas n�o podes pagar tudo e encher-me com presentes.
� a minha maneira de dizer que te amo.
Desculpa, acho que te pisei, � que a mesa � muito pequena.
Se calhar �, filho de puta.
O qu�?
N�o precisas.
fodes muito bem. Percebe-se que estiveste com muitos homens.
N�o quero pensar em quantos.
Mas agora � s� para mim.
� s� minha.
N�o fales.
O que est�s a fazer?
Abra�a-me.
N�o tens medo?
Agora n�o.
Sim?
- Valerie? - Sim, sou eu.
- Ol�, sou Harry. - Ol�, Harry
Eu gostava de falar contigo. Pode ser esta manh�?
Sim, daqui a meia hora estou l�. At� logo.
Contratei uma mi�da, mas foi um desastre.
N�o durou uma semana. "Grazie".
Ent�o, se est�s disposta, podes come�ar agora mesmo.
Agora mesmo?
Sim, necessito algu�m urgentemente.
Daqui a 3 semanas apresentamos a colec��o, estamos com trabalho at� ao pesco�o.
Mas nem sequer fal�mos das condi��es econ�micas.
Um presunto no final de ano, certo, Maite?
- H� um cliente � tua espera no showroom. - Sim, j� vou, obrigado.
Pela quest�o econ�mica n�o te preocupes, damos um jeito.
Caf�?
Ol�.
Tenho uma boa not�cia.
Onde estavas?
- Comecei a trabalhar. - Como?
Tentei ligar-te pelo telem�vel, mas estava desligado.
- Harry pediu-me que come�asse hoje... - Harry?
- Est�o cheios de trabalho. - Quem � este Harry?
� o chefe, um italiano.
Contrataram-me numa empresa de moda.
Um italiano? E contratou-te assim do nada,
sem conhecer o teu trabalho, nem nada? � estranho, n�o?
N�o te parece estranho?
�s muito jovem ainda, precisas aprender muito na vida.
O que foi?
Pensava que ficasses feliz por ter o meu trabalho.
E alegro-me.
Alegro-me, mas n�o esperava,
e por isso reagi assim.
Mas alegro-me.
Perdoa-me.
Perdoa-me, de verdade.
Naquela noite o maravilhoso sonho no qual acreditava estar a viver,
come�ou a converter-se num pesadelo,
Acabava-me de dar conta que n�o conhecia
a pessoa pela qual me havia apaixonado.
Para quando ser�o os cat�logos?
Deviam entrar na gr�fica amanh�. Tomas conta disso, Valerie?
- Ela est� numa reuni�o. - Que reuni�o?
Estou a perder a paci�ncia!
- Que "cazzo" se passa aqui? - Eu vou partir-te, sabias?
Jaime, o que fazes aqui?
Ent�o �s tu que desejas "apanhar" a minha mulher, �?
Porque est�s aqui a estas horas?
Pensas que n�o sei o que se passa?
Achas que n�o sei?
Jaime.
Vai para casa, que eu j� vou, est� bem? J� vou amor, espera-me.
Eu espero-te l� fora.
Levanta... Levanta.
Vamos... Como vais?
Como dormiste?
Meu amor, sabes o que estive a pensar?
Que uma viagem nos faria muito bem.
Perdoa-me, meu amor.
Perdoa-me, de verdade. Sei que estou muito stressado.
N�o consigo tirar da cabe�a os problemas que tenho.
Por isso vamos tirar umas f�rias, e isso ser� bom.
N�o me toques. O melhor � separarmo-nos.
Como assim, separarmo-nos?
Meu amor, n�o nos podemos separar.
Eu n�o posso viver sem ti.
Se me deixasses, eu n�o aguentaria.
Meu amor, meu amorzinho.
Por favor...
Precisas entender-me, hein?
Tens que me dar uma hip�tese, estou a passar um mau momento.
Jaime, tu n�o est�s bem.
Mentes compulsivamente,
o teu humor � imprevis�vel,
�s agressivo, vais at� ao meu trabalho e armas um esc�ndalo.
N�o � normal como te comportas.
- Talvez devesses ir a um m�dico. - Fa�o o que quiseres meu amor.
Fa�o o que quiseres, mas n�o me podes deixar, por favor.
N�o me podes deixar, preciso de ti. Vamos de f�rias.
- Ol�, quando chegaste? - Hoje.
N�o te conhe�o, Valerie.
Sabes no que estou a pensar? Em Kuhaylan, lembras-te?
O primeiro cavalo �rabe. Esse homem aprendeu a domesticar-te.
De verdade que n�o te conhe�o, Valerie. Precisas ficar sozinha.
Olha-me.
Sabes que sempre podes contar comigo.
Eu amo-te.
As pessoas n�o mudam, mas eu tinha esperan�a com o Jaime.
A Sonia tinha raz�o, estou cega,
e o pior de tudo � que continuo a am�-lo.
N�o posso mais.
S� tenho vontade de perder o sentido,
desaparecer do mundo.
Oh, Val, Val.
Porque n�o tiras umas f�rias?
Vais sentir-te melhor.
Eu agrade�o.
Eu sinto, tens raz�o, n�o posso trabalhar assim,
n�o consigo concentrar-me.
E n�o te esque�as de levar o presunto a casa.
D�-lhe com o presunto na cabe�a, para que pare�a acidente.
Estou certa que se n�o fosses gay, acabar�amos juntos.
"Madonna!"
Isso, isso.
Meu amor, olha, eu tenho um presente de Natal para ti.
- Como se chama? - Vane.
Vane, esta � Val.
Val e Vane.
Formamos uma equipa perfeita.
Vem, meu amor...
Vem, meu amor, vem.
Vem, vem, por favor.
Vem que pod�amos aproveitar os tr�s.
- Como se chama? - Vane.
Vem, vem, meu amor.
Vem, vem.
Vem, meu amor.
Que peito! Hein?
Que peito!
Que grande peito que tens, sua filha da puta.
Tens um �piercing� aqui?
Est�, pronto... Fora, fora, fora.
Bem, e o meu dinheiro?
N�o tenho dinheiro, ok?
- Onde est�o os meus 100 euros? - N�o sei.
N�o fa�o ideia.
Jaime, estamos � espera de um filho.
Como?
Estamos � espera de um filho.
Isso � imposs�vel.
Como � que � imposs�vel?
Sim, n�o duvido que estejas � espera de um filho, eu duvido que seja meu.
Como podes dizer-me isso?
Sabes porque duvido?
Porque sou est�ril...
J� h� muitos anos.
Deste para outro e agora queres empurrar-me a encomenda.
�s um monstro.
E tu �s uma hist�rica de merda.
Isso � o que �s. Sempre quis dizer-te isso, �s uma puta.
Finges sempre como todas as putas, n�o �?
Nem sei como te aguentei tanto tempo.
Pronto, acabou a conversa, n�o �?
N�o chores, ok, cadela?
N�o chores, cadela.
Um beb� era o que eu mais queria no mundo.
Fizeste o que devias, Val. Ainda �s jovem para ter filhos.
N�o sei o que vou fazer agora.
Deixei o trabalho, fiquei sem economias,
e por tua culpa estou endividada at� ao pesco�o.
Eu paguei o aluguer por uns meses.
Bem, n�o te preocupes.
O que se passa aqui?
N�o est�s a ver? Ela vai-se embora desta casa.
Como assim?
Meu amor,
- eu imploro-te, pequena. - Deixa-a em paz.
Se fores por essa porta, juro que te mato. Percebeste?
Eu mato-te, ouviste?
N�o vou parar at� te destruir, puta.
- Ouviste? - Deixa-nos sair ou chamo a pol�cia.
Vai para a puta que te pariu!
- Calada, sua puta de merda! - Deixa-a em paz!
- N�o me deixes. - Vamos sair daqui Val.
Eu imploro.
Eu imploro, por favor.
Eu juro que vou mudar, meu amor.
Eu juro-te, meu amor.
Perdoa-me, meu amor.
N�o podes ir embora, meu amor.
N�o te vais livrar de mim. Ouviste?
Puta!
A mim n�o me deixas, sabes?
Ningu�m me deixa, puta de merda!
E agora vens para a minha casa e ficas comigo
at� que esque�as este filho da puta.
"Preciso de ficar sozinha."
Ol�.
"Obrigada por tudo, Val."
Puta!
Ningu�m me deixa, puta de merda!
Estamos � espera de um filho.
Como est�s? Tens dinheiro?
- Olha, olha. - Sexo "caliente".
N�o chores, ok, cadela?
Achas que � melhor que eu?
D�s mais pena agora que quando te atiravas ao primeiro que encontravas.
Val.
Val, n�o podes continuar assim, ok?
Vamos, precisas reagir.
Olha isto tudo.
H� quanto tempo n�o sais?
Ai, minha menina.
Vem, vou ajudar-te a limpar tudo isto, est� bem?
Olha, trouxe comida. Vem, vamos.
A minha ruptura com o Jaime estava quase a custar-me a vida,
mas agora que vi o final do po�o, quero sair
e ver de novo a luz.
Depois de v�rios meses sem ter um orgasmo
o meu corpo est� a voltar a despertar.
� como se tivesse despertado de uma comprida e eterna letargia.
Estou faminta.
J� sei qual vai ser o caminho para saciar o meu apetite.
- Ol�. - Ol�.
- Acho que me enganei. - N�o, � aqui. Entra.
Entra.
- Tu �s a Val, n�o �s? - Sim.
Ligaste pela a entrevista.
- Eu sou Cindy, uma das mi�das. - Prazer.
J� ser�s atendida.
- Cristina. - Val, Valerie.
Valerie? Bonito nome. Deixa-me ver, por favor, obrigada.
Senta-te, Val.
- Onde trabalhaste antes? - Quer dizer, nisto?
Sim, claro.
Nunca fiz este trabalho. � a primeira vez.
Interessante. E o que sabes fazer?
Ao princ�pio tudo, desde que seja com preservativo.
Tudo bem.
Acompanha-a, Cindy.
Tens que ficar mais maquilhada.
Os clientes n�o pagam para ver o que t�m nas suas casas.
- Acho que encontrei trabalho. - Fico muito contente!
Em que empresa?
� uma casa de putas!
Val, n�o tens gra�a.
Come�o amanh�.
- Est�s a falar s�rio? - Sim.
Olha.
A maior parte do tempo n�s estamos � espera de.
Queres que te mostre o homem da minha vida?
Chama-se Miguel,
vive com a minha m�e perto do Rio.
Tive que mand�-lo para l� porque o seu pai � um aut�ntico filho da puta.
Se aguento tudo isto � por ele, e j� n�o posso mais.
Tenho que falar mais baixo, que por aqui as paredes t�m ouvidos.
Vamos, mi�das, dan�ando.
D�s conta do recado?
Cindy.
Sou Mar.
Sou Estef�nia.
- Como te chamas, filha? - Laura.
Sou Val.
Val, ele quer-te.
- E o que tenho que fazer com ele? - Depois saber�s,
mas est� sempre passado.
Uma rela��o completa n�o quer, porque n�o pode,
eu acho que uma boa punheta o far� feliz.
Uma masturba��o de duas horas?
Tu sabes. Jogos, massagens...
Isto n�o � um col�gio, Val.
Tens medo do qu�, o cliente n�o te vai comer.
Vamos, est�s linda.
Ol�.
Tu �s nova, n�o �s?
Vem, entra na �gua comigo.
Vem aqui.
- Tens um perfume muito especial. - Verdade?
Tu gostas?
- Porque n�o vamos para a cama? - N�o. � melhor ficarmos aqui.
Foder n�o me interessa.
Bem, calma. Vamos ver o que se pode fazer.
Eu sou de Sevilha.
Trabalho numa empresa que vende maquinaria industrial para toda a Europa.
Caralho, caralho...
P�ra, p�ra, menina, que vem a� alguma coisa.
Porque paraste, porra?
Porque voc� pediu.
N�o � para ligar, menina.
Continua, filha, caramba,
que assim nunca ningu�m me fez.
- Esteve na feira de Abril? - N�o.
Ouve. Sabes o que me passou assim, de repente?
- Que me apaixonei por ti. - Mas acabou de conhecer-me.
Mas � isso, amor � primeira vista.
Porque n�o vamos para a cama?
Est� bem, mas porque te amo.
Mas que cu tens!
Desculpa se te magoei, est� bem?
Bate outra vez.
Nesse momento eu senti uma estranha sensa��o.
Como quando tinha 15 anos com o Eduard,
precisava de saber mais,
aprender sobre este mundo no qual acabava de entrar.
O que faz?
A primeira vez � muito duro, eu sei.
Todas choramos a primeira vez.
Depois acostumas-te, e converte-se num exerc�cio.
- Est�s bem? - Claro que estou bem.
- E o meu dinheiro? - Aqui est�.
- Como foi? - Bem, embora fosse um pouco rude.
Esperava um homem culto, interessante,
que tivesse uma boa conversa!
N�o te esque�as que �s uma puta.
Est�s com cara de cansada.
Nada, estou encantada.
O que gostam os clientes?
Vais encontrar de tudo.
Alguns v�o querer atar-te, outros colocar-te alguma coisa.
Acabas de me dar uma ideia...
Olha, que tipo!
Chama-se Giovanni, � italiano.
O outro � um porco.
V�m sempre a Barcelona, s�o bons clientes.
Vou retocar-me e j� venho.
Retocar? Vamos, est�s linda.
Foi um prazer conhecer-te assim.
Espero que tenha aproveitado.
Que vida mais intensa.
Eu gostava que a minha tamb�m fosse.
Como se chama?
Valerie.
Tenho a estranha sensa��o
de que aqui, de alguma maneira, o tempo p�ra.
Est�s a aprender a seres quem �s.
E voc�?
Voc� � o futuro de meu passado.
E eu, talvez, a lembran�a do seu futuro.
N�o � um trabalho mais dif�cil, � diferente, s� isso.
Como podes dizer isso?
Eu gosto de foder sem cobrar, tu sabes.
Mas se me pagam, que mais posso pedir?
- J� foste espancada alguma vez? - O qu�?
Devias provar, ficavas surpreendida.
As mulheres t�m muitos preconceitos.
E estas flores?
Foi um presente do Pedro, um cliente.
- S�o bonitas, n�o �? - Sim.
Ainda pensas no Jaime?
Nem penso nisso.
Al�m disso tenho um cliente italiano que gosto mais.
Toma cuidado, Val,
Esses olhinhos eu j� vi antes.
- Fica com ele. - N�o.
N�o sejas parva.
Estou, Cristina.
Certo, estou indo.
� Giovanni.
Giovanni � diferente de todos os clientes que conheci.
O meu corpo estremece quando ele me toca.
Faz-me viajar ao cosmos, ver as estrelas.
Creio que estou a apaixonar-me por ele.
Obrigada.
Eu vivo na Cal�bria mas porque a minha m�e vive l�.
Eu de facto, estou de viagem grande parte do ano.
- Que est�s a ver? - A tua sobrancelha esquerda.
- O que tem a minha sobrancelha esquerda? - Eu gosto.
Esses pelinhos despenteados.
Sabes?
Sei comunicar melhor com o meu corpo, que com palavras.
Com uma car�cia descubro coisas que me fazem sentir mais viva.
Tenho medo, Giovanni. Eu gosto muito de ti.
O teu cheiro � irresist�vel.
- Que cheiro? - Mediterr�neo,
fresco, a vida.
Eu tamb�m gosto muito de ti.
- Quero ver-te, d�-me o teu telefone. - N�o posso, sinto muito.
- A minha chefe matava-me. - A tua chefe devia pagar-te mais.
Voltar�s a chamar-me esta semana?
Queres saber a resposta?
Olha.
Esta � a prova de que voltarei a chamar-te.
Guarda-o e trata bem dele.
Tenho que ir, acabou o teu tempo.
Embora eu gostasse de dormir contigo.
O que disseste?
Nada, deixa.
E o dinheiro?
Sou um desastre.
E se te pagar uma hora a mais?
Esta � por minha conta.
Val, tem muito cuidado.
Nem penses em apaixonar-te por ele. Por uma l�gica destruidora,
� imposs�vel que um homem, que vai atr�s de putas
seja fiel. Presta aten��o nisso.
Que bom, Valerie, est�s muito bonita.
Este trabalho caiu-te bem.
Embora fique ciumento que saias com tantos homens.
A que horas sai o teu avi�o?
- Daqui por tr�s horas. - N�o. Porque n�o ficas?
Tenho que estar em Madrid muito cedo.
Mas pod�amos pedir uma Coca-Cola e ir � casa de banho.
Pensava que n�o gostavas.
Estou com sede outra vez.
Penso que para mim vais fazer um bom desconto.
Traga uma Coca-Cola sem abrir e um chave, por favor?
O que foi, n�o gostas?
Claro que gosto que me tenhas trazido a esta suite,
mas n�o quero ser tua noiva, Pedro.
Val, Val, Val, ouve-me.
Vou fazer tudo o que me pedires, para que te apaixones por mim, eu juro.
E quando estivermos a foder, eu n�o digo nada.
Eu s� quero � que te cases comigo.
Olha.
Isto � para ti.
D� uma mirada.
- O que foi? N�o gostas? - N�o.
J� me ofereceram um parecido. N�o posso aceitar.
N�o quero nada de presentes.
E n�o quero flores... Eu odeio flores.
Pedro est� a agoniar-se com isso.
� melhor procurares outra mi�da da casa.
Mas, o que est�s a dizer?
Eu n�o quero outras mi�das, eu quero-te.
Magoou-me.
N�o me vou casar contigo.
Est� b�bado.
- � melhor ir-me embora. - Embora?
Sabes quanto me custa este quarto? Hein?
Sabes quanto me custa este quarto?
Eu pago-te e vais fazer o que eu te mandar, est� bem?
Toma o teu maldito dinheiro.
Agarra!
Agarra, caralho!
Fica a� de joelhos.
Fica a� de quatro patas. Est�s bem.
- Est� a magoar-me. - Sim? E gostas?
Agora vais pedir-me que te bata, n�o? Como fa�o sempre, n�o �?
Gostas?
Cadela, mais que uma cadela.
Est�s a magoar-me, Pedro, por favor.
Do que est�s a reclamar? Do qu�?
Escolheste ser puta.
Vais fazer o que te digo,
a bem ou a mal.
Diz que gostas de mim.
N�o, por favor.
Diz que gostas.
Eu amo-te, Val.
E tu, o que est�s a ver?
Naquela noite compreendi que a prostitui��o e o casamento
n�o s�o muito diferentes.
Pode converter-te em propriedade de outra pessoa,
e quando essa pessoa � como Jaime ou como Pedro,
a tua vida deixa de ter valor.
Foi terr�vel, pensava que me ia matar.
Nesta profiss�o h� muitos Pedros.
Vai-te embora, ainda tens tempo,
porque depois � muito dif�cil abandonar.
Podias ir ao Rio e dar um grande beijo ao meu filho, da minha parte.
Agora vai para casa, pareces cansada.
N�o quero ficar sozinha.
Val.
Tens um servi�o, e n�o h� assim tantos Pedros nesta profiss�o.
Sinto muito mas n�o posso ir, h� noites que n�o durmo.
- Al�m disso tenho um compromisso. - Se quiseres eu vou.
N�o vais a nenhum lugar. Tens um compromisso com quem?
Tem um compromisso comigo.
Se fosse tu, eu iria. Toma, � o italiano, teu amigo.
- Giovanni? - Sim e o seu amigo.
Mae e tu v�o para l� agora mesmo.
Sa�de.
- Ol�. - Ol�, querida.
Vamos, princesa.
Foi dif�cil convencer Giovanni, o "macarrone",
para que esta noite fosses minha.
Vem aqui, linda, vem aqui.
Desde que chegaste n�o abriste a boca.
Que porra de puta...
N�o podia deixar de pensar no Giovanni.
N�o podia acreditar que n�o me tivesse escolhido.
Senti nojo enquanto aquele porco me fodia.
Cindy tinha raz�o quando dizia para me afastar da prostitui��o.
Eu ainda podia faz�-lo.
Cindy, ao contr�rio, estava presa.
Devia muito dinheiro a Cristina, que al�m disso se apaixonou por ela.
N�o podia suportar ficar longe do seu filho.
Sabia que o tinha perdido para sempre.
O que foi?
Cindy.
Caiu da janela, pensamos que foi suic�dio.
Recebeu uma liga��o, parece que o pai do seu filho fugiu com ele,
mas n�o sabemos mais nada.
Cindy nunca abandonaria o seu filho.
Enterr�mo-la no dia seguinte.
S� fomos as mi�das e eu.
Estava arrasada.
Sinto muito, n�o posso deixar de pensar na Cindy.
Todas sentimos pela Cindy,
mas a vida continua
e � o trabalho que te d� de comer.
N�o vou.
Tu vais, querida.
Ol�.
Ol�.
- Ol�. - Ol�.
- Pelo jeito n�o te avisaram. - N�o � nada.
- Como te chamas? - Valerie.
�nio, muito prazer.
Podias agarrar-me nos bra�os e deitar-me na cama?
Eu podia fazer,
mas seria muito dif�cil.
N�o tenhas medo, ok? Eu n�o sinto absolutamente nada.
N�o, n�o � preciso que tires as minhas roupas.
O �nico lugar onde tenho sensibilidade � no pesco�o,
um pouco nas m�os.
- Que cheiro bom. - Cheiro de qu�?
- De chocolate. - Chocolate?
Podes fazer-me um favor?
Mexe os dedos da tua m�o, Valerie.
Mexe os dedos da tua m�o. Para ti � f�cil.
Pois eu sou incapaz de mexer um s� dedo.
N�o sabes quantas vezes, de repente,
imagino que as minhas m�os come�am a mexer-se, os meus dedos tamb�m,
e levanto-me da cadeira, e come�o a correr,
posso tocar as flores,
sentir o veludo,
e acariciar uma mulher t�o linda como tu.
Dev�amos gostar mais de n�s, Valerie.
Vai-te embora, ainda tens tempo, depois ser� muito dif�cil abandonar.
Nunca renuncies a uma coisa que realmente desejas,
porque depois vais arrepender-te.
Acredita em mim.
Sei onde vives, eu vou buscar-te.
Onde vais? Onde vais?
N�o me importa o que digas, eu vou-me embora.
Eu tamb�m n�o ligo para o que est�s a dizer.
Desaparece! D�-me a mala. Puta!
Vamos!
Sai daqui!
Desgra�ada!
Porque damos sempre conta das coisas muito tarde?
Desde que tive o acidente,
cada vez que vejo algu�m, dou-lhe um conselho.
Que conselho?
Que aproveite de verdade
todos os dias da sua vida, mas de verdade.
Valerie, vive.
Precisas ficar sozinha.
Aproveita a vida.
O m�ximo poss�vel.
Posso tocar a erva, sentir o veludo.
Lentamente comecei a acariciar o meu corpo.
Por fim tinha descoberto que caminho devia seguir.
O de ser eu mesma.
Apesar de chover torrencialmente decidi sair � rua.
Queria dividir este momento com algu�m
que sempre tinha estado ao meu lado.
O que fazes aqui?
J� sei que sou uma desgra�ada.
Parab�ns.
- Est�s bem? - Estou melhor que nunca.
S� queria agradecer-te.
Porqu�?
Por seres minha amiga, pelos teus conselhos.
Afinal, sigo sempre os teus conselhos.
Eu decidi deixar a casa, queria que soubesses.
Nem sabes como fico contente.
Liguei para o Hassan, vou passar uma temporada com ele.
N�o vais abrir o teu presente?
� lindo.
N�o tem fecho nas costas.
Agora j� n�o tenho esse problema, ele ajuda-me.
Eu apresento-te o Marcos, conhecemo-nos por um an�ncio.
- Ol�, Marcos. - Ol�.
- Fico muito feliz por ti. - Porque n�o entras e te mudas?
- N�o posso, tenho que ir. - O que vais fazer agora?
Viver.
Sou uma mulher prom�scua sim,
porque pretendo utilizar o sexo
como meio para encontrar o que toda a gente procura:
Reconhecimento, prazer, auto-estima, e em definitivo, amor e carinho.
O que h� de patol�gico nisto?
Se quiseres chamar-me alguma coisa, for�a,
n�o me importa.
Mas saibam que o que sou de facto � uma nereida,
uma dr�ada, uma ninfa, simplesmente.
- Ol�. - Ol�.
O qu�?
Queres subir � minha casa?
Quero foder contigo.
Mas, n�o tenho dinheiro.
N�o importa. � gr�tis.
H� uma l�gica destruidora,
� imposs�vel que um homem que v� atr�s de putas seja fiel.
Valerie...
Viva.
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