All language subtitles for The Dresser (1983) DVDRip (SiRiUs sHaRe)

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Original subtitles

Ressincronia e Corre��es do Texto para este Torrent: Mangusto.

Este � o servi�o interno da BBC.

Aqui v�o as not�cias e Gordon Hill vai l�-las.

O Rei e a Rainha, acompanhados pelo Primeiro-Ministro Winston Churchill,

foram ao leste de Londres para verem os estragos dos bombardeamentos.

Ontem, ataques a�reos inimigos assolaram cidades da prov�ncia...

... e causaram s�rios estragos em v�rios s�tios.

Roosevelt falou da coopera��o dos EU A com a Inglaterra.

Dever� discursar em ambas as c�maras do Congresso amanh�.

A ra��o de carne dever� ser reduzida.

Com a gratid�o dos cidad�os de SALFORD...

...para comemorar uma excelente representa��o de HAMLET...

...a favor de institui��es de caridade locais, a 21 de Mar�o de 1929

Peguei pela garganta o c�o circuncidado.

E dei- lhe uma tareia. Assim!

Maldito per�odo!

Tudo o que � falado � ingl�rio.

Beijo-vos e mato-vos.

S� desta forma.

Suicidar-me para morrer ao dar um beijo.

Isto temi, mas pensei que ele n�o tinha arma.

� c�o espartano!

Mais ca�ram em ang�stia, de fome ou no mar!

Por amor de Deus, Horace!

- Mais depressa e mais alto! - E...

E para o estado deste pesado n�mero com rela��o a um cora��o pesado.

Preparar para descer o pano!

- Pano corrido! - Horace!

Quando o Otelo est� morto, a pe�a acaba!

Diz o que tens a dizer com rapidez e acaba com o supl�cio do p�blico!

E, Oxenby, se continuas atr�s de mim no palco...

...mando-te pregar no fosso da orquestra!

Lago � um papel secund�rio! Cuidado!

Vai subir o pano!

Ele n�o � um mau lago!

Mas sei como se sentir� Mr. Churchill quando enfrentar Josef Estaline.

Preparar para chamada ao palco.

E, Mr. Godstone, menos maquiagem, se faz favor!

Est� a fazer o papel de Duque de Veneza e n�o de Rainha!

� a sua chamada, Sir.

Frank, tem mais cuidado com a espada durante a cena de Chipre.

N�o desejo ser circuncidado na minha idade.

Desculpa, meu velho.

Avisa-os que vais aparecer! Avisa-os que vais aparecer!

- Com licen�a. - Aten��o � cena, esta noite.

Senhores, damas e cavalheiros...

...obrigado pela vossa generosidade de esp�rito.

Na pr�xima semana atuaremos...

No Alhambra, em Bradford.

...no teatro Alhambra, em Bradford.

Em nome da minha companhia...

...da senhora minha esposa e em meu nome...

...agrade�o-vos humildemente.

Tive outra vez o sonho ontem � noite, Norman.

Deixe l�. Amanh� � domingo.

M�os que n�o se v�em...

...a levar estacas de madeira...

...para os meus p�s.

N�o consigo mexer- me.

Estar� melhor na pr�xima semana.

Espere at� entrar no comboio amanh�.

- A que horas �? - �s nove, Sir.

Por que t�o cedo?

Por que �s nove horas?

Porque este porquinho diz.

Temos tr�s minutos!

Norman, que bom � ver- te! Nunca vi Nova York t�o nublada.

Vou atuar em Scarborough na pr�xima semana...

... e n�o tenho trabalho para o Natal. Se souberes alguma coisa...

Guarda! N�o apite, imploro-lhe! V�m a� os atores!

Um minuto!

Por favor, espere, Sr. Condutor! S�o atores muito idosos!

Vamos representar Shakespeare no teatro Alhambra, em Bradford.

Por isso, � por uma boa causa! N�o vai sem n�s, pois n�o?

Vai-te lixar!

Parem...

... esse...

...comboio!

N�o pode fazer parar um comboio! N�o � permitido!

N�o sabe que estamos em guerra? � contra os regulamentos!

N�o pode fazer parar o comboio!

Est� tudo bem, est� tudo bem.

Lamento. N�o era minha inten��o perturbar-te.

Volta a dormir.

Obrigado por velares por mim, mas n�o te preocupes demasiado.

Tenho a sensa��o de que poderei ter uma atitude violenta.

- Qual a pe�a de amanh� � noite? - O King Lear.

Ent�o, acordarei com nuvens de tempestade na cabe�a.

Estas luzes s�o para mim.

- E s� para mim. - Est� bem.

Seguem- me para onde quer que v�!

Obrigado.

Est� tudo bem, Sir. Sou eu, o Norman.

Apaga o foco que segue!

Cuidado a�!

Para tr�s! Para tr�s!

Continuem! Afastem- se! Para tr�s!

Vamos. Isto n�o � lugar para si. Venha l�.

Posso intrometer- me?

Para o teatro.

Espero que encontre algum conforto por l�.

Desculpe, mas tem farinha de milho Brown & Polson?

Estou no Alhambra e usam-na em vez de p�-de-arroz.

Posso arranjar dois bilhetes para as atua��es...

...se me arranjar um pacotinho!

P�-de-arroz?

N�o queria mais nada, "menina"!

Deus ajude o homem que tentar deter- me!

Ainda quer que eu v� mais longe?

N�o dever�amos estar a ir para o teatro?

Ainda morre com uma constipa��o. Vista a roupa como um menino bonito.

Obrigado, minha querida, mas o Norman cuida de mim.

Eu sou o Norman, camareiro dele.

Cuide bem dele, querido.

Fui v�-lo pela primeira vez quando ainda era mi�da.

Lamento que esteja mal.

Foi muito bem na pe�a The Corsican Brothers.

Que faremos, Norman? Vai haver p�blico no teatro, esta noite...

... esperando v�-lo no papel de Rei Lear. Que faremos?

Para come�ar, n�o se aborre�a.

Nunca tive de tomar estas decis�es. Quaisquer decis�es!

Ainda bem que telefonei � Madge. Ela saber� o que fazer.

A Madge saber� o que fazer.

A Madge � sempre t�o sensata! Os diretores de cena t�m de s�-lo!

Devia t�-lo obrigado a descansar.

O m�dico disse que ele esticou demasiado a corda.

M�dicos! Imagine tentar dizer a um m�dico o que o Sir passou:

"Ele tenta contratar atores para a companhia shakespeariana dele,

mas todos os aptos vestem uma farda...

... e os teatros s�o bombardeados quando os alugamos.

Isso para n�o falar no problema desta semana com Mr. Davenport Scott!"

Ele teria tido o ataque de f�ria antes de dizer "As You Like It".

Quais as �ltimas sobre Mr. Davenport Scott?

Se n�o se importa, prefiro n�o falar de Mr. Davenport Scott com uma dama.

Conto � Madge quando ela vier.

Isto n�o vai doer.

Vai apenas faz�-lo dormir. Quer dormir, n�o quer?

Dormir?! Dormir?! "Glamis foi assassinado durante o sono!

E por isso, Cawdor n�o dormir� mais!

Macbeth n�o dormir� mais!"

H� desenvolvimentos?

� melhor falarmos com o gerente. Acompanhe- me.

Por favor, senhora. N�o nos precipitemos.

N�o h� alternativa. Estarei na minha sala.

- Vossa senhoria... - A Madge tem raz�o. Est� no hospital.

N�o podemos representar King Lear sem rei. Temos de tomar uma decis�o!

Perdoe, n�o � uma decis�o que temos de tomar, � a decis�o certa.

Tive um amigo, enquanto o Diabo esfrega um olho, como se diz...

...ficou em mau estado. Ficou t�o fr�gil que metia d�.

Algu�m pr�ximo dele, a m�e, creio, apesar de nunca se ter provado...

...perturbada, tomou uma decis�o.

"Um pouco de descanso", disse, "entre os externos de Colwyn Bay".

N�o era boa altura, Fevereiro...

...para ficar agasalhado a ver o mar cinzento. Que descampado!

A m�e querida tomou a decis�o errada. O meu amigo n�o tornou a atuar!

Temos de encarar os fatos!

Nunca fiz isso, e n�o vejo por que devo come�ar agora.

S� quero que as coisas corram sem sofrimento. � o meu lema.

- As coisas n�o est�o bem. - Se encarar os fatos, n�o est�o.

O que me preocupa � encarar a companhia! E os clientes?

N�o vale de muito falar de luta e de sobreviv�ncia se cancela a pe�a.

- � uma doen�a. - O que �?

Esperan�a.

Acho que dev�amos falar nisto em privado.

- Norman! Vossa senhoria! - Vossa senhoria!

Perguntei- lhe a brincar se esteve numa briga. Ele disse que n�o.

Pensei que queria a chave dele, mas limitou-se a ficar sentado.

- Telefona para o hospital. - N�o telefones ao hospital!

Leva-me ao meu camarim! Tenho de colocar as minhas vestes!

- O que devemos fazer? - Charles, ajuda a senhora.

N�o demoro nada.

N�o sei exatamente, Mr. Mulberry.

Significa devolver muito dinheiro!

Estamos esgotados hoje e na quarta-feira, para o Rei Lear.

Richard III vendeu bastante,

Mercador de Veneza tamb�m,

"As You Like" tamb�m.

N�o, ele n�o tem substituto.

Mr. Bottomley! Ag�ente firme, Mr. Bottomley!

O Rei Ricardo est� em forma outra vez.

- Bonzo, por que est�s aqui? - O meu nome est� na porta.

- O m�dico deu- te alta? - Eu dei- me alta a mim pr�prio!

- Cancela o espet�culo. - N�o posso...

N�o devo, n�o fa�o!

- Ent�o, enfrenta as conseq��ncias! - Quando n�o as enfrentei?

Como est� ele?

- Quero-te junto de mim! - Sim, Sir.

- N�o te afastes de mim. - Sim.

- Vou precisar de ajuda. - Sim, Sir.

Madge, querida.

Fala tu com ele. N�o ouve uma palavra do que digo.

- Tem um ar exausto. - A isso � que chamo tacto!

- Consegue trabalhar esta noite? - N�o estaria c� se n�o conseguisse.

- H� quanto tempo est�s comigo? - H� mais do que qualquer um.

- H� quanto tempo? - H� 20 anos, h� quase 20 anos.

- Alguma vez faltei a um espet�culo? - N�o, mas nunca esteve doente.

S� quero o que � melhor para si.

O melhor para o Sir � deixarem- no ir preparar-se.

Preparar-me... Sim, sim. Tenho de preparar-me.

Preparar-me para qu�?

- N�o deveria ir preparar-se? - N�o ag�ento v�-lo desta maneira.

Ent�o, � melhor sair. Tive experi�ncia disto. Sei o que h� a fazer.

Imagine acordar com aquilo noite ap�s noite!

Minha querida, ele est� bem?

Ouvi rumores horrendos. N�o cancelam o espet�culo.

N�o, n�o, n�o. Ele est� apenas um pouco cansado, nada mais.

N�o estamos todos, querida? N�o estamos todos?

Certo. Vamos come�ar pelo princ�pio?

Boa noite, Sir.

Vamos ficar assim toda a noite ou vamos falar aos servos?

Gostaria que parasse de chorar, Sir.

Vamos brincar ao espi�o?

Eu espio com o meu olho algo come�ado por "A".

Sei que n�o adivinha, por isso, eu digo-lhe.

"A" de "ator". E os atores t�m de atuar.

Os atores t�m de maquiar-se e mudar as vestes...

... e, depois, os atores t�m de atuar!

"Senhora, onde fostes buscar tal conhecimento?"

"Disse- me um babu�no que vagueava no �den" ou algo assim.

Nunca conheci uma chaleira que demorasse tanto a ferver.

Beba um pouco de brande, Sir. Quebre as normas, beba um golo.

"Um pouco de brande n�o far� mal."

Foi o que disse o cirurgi�o � vi�va do cangalheiro.

Temos menos de uma hora. Costuma precisar de mais.

Vamos come�ar?

Sim, sou eu, o Norman, o dos olhos profundos.

Guardei as minhas ra��es para si. Posso passar sem elas.

V� l�, Sir, beba. � ch�, n�o � veneno para ratos.

Pronto. Assim est� melhor, n�o est�?

N�o est�? Quer um biscoito?

Trouxe- os da recep��o do presidente da c�mara de Bridlington.

"Por que n�o comes um, Norman?" Muito obrigado. Aceito.

Se n�o se importa que diga...

...parece n�o ter havido vantagem e dar-se alta...

... e vir sentar-se aqui como Niobe antes de ser transformada em pedra.

Vamos fazer um esfor�o?

Venha c�, eu fa�o. � para isso que c� estou.

Pronto, pronto, pronto. Pronto, pronto. Sei qual � a sensa��o.

Um amigo meu estava pior que o senhor...

e s� queriam tranc�-lo num lar.

E ningu�m quer passar por isso, como disse o meu amigo.

Enviam-no para Colwyn Bay...

... e sabe, nunca far� nada em Colwyn Bay.

Adivinhe. Adivinhe o que p�s o meu amigo fino?

Isto pode soar a tolice.

Uma oferta de trabalho.

Um telegrama. Sim, veja l�, um telegrama.

"Substituis o Scrubby em Outward Bound, a come�ar segunda-feira?"

Ele deu- se alta, tal como o senhor, o meu amigo...

...apanhou o comboio para Londres, ficou em Brixton e nunca lamentou.

J� viu? Uma oferta de trabalho!

Significava que tinham pensado nele e n�o h� melhor conforto.

Aqui est� uma coisa para anim�-lo.

Esta noite, temos casa cheia!

Todas aquelas pessoas a pensar em si e querer v�-lo atuar!

A s�rio?

Casa cheia?

Vamos come�ar?

Que pe�a representamos esta noite?

- O King Lear, Sir. - Imposs�vel!

Obrigado. � simp�tico, n�o �?

As pessoas pagaram para v�-lo e diz que � imposs�vel! Muito simp�tico!

N�o quero ser visto.

Isso � dif�cil visto que representa o Rei Lear.

N�o quero ver a senhora.

Isso � ainda mais dif�cil. Ela tem o papel de Cord�lia.

Viu-a h� pouco. Estiveram a s�s juntos.

Estivemos?

- Que pe�a � esta noite? - King Lear, Sir.

Comecei a minha autobiografia hoje.

Mas n�o consigo descobrir um t�tulo atrativo.

Acho que "My Life" � demasiado simples, n�o achas?

Pensei que tinha escrito hoje.

� evidente que n�o escrevi.

N�o posso tornar a ser o Lear.

Vamos come�ar a nossa maquiagem?

Onde est� o meu chap�u?!

Vou-me embora daqui! N�o fico neste lugar nem mais um segundo!

Estou rodeado de v�boras!

Trai��o por todos os lados!

Fui esmagado!

O sangue esvai-se do meu corpo!

O fardo � demasiado pesado!

Norman, se tens respeito por mim, n�o lhe d�s ouvidos!

Quem?

Mais, mais, mais!

N�o consigo dar mais!

Nada mais tenho para dar!

Quero uma senilidade tranq�ila. Sou um homem adulto!

N�o quero voltar a pintar a cara noite ap�s noite...

...nem usar roupas que n�o sejam as minhas!

Isto � o meu trabalho, o trabalho da minha vida! Sou ator!

Quem se importa se aparecer esta noite, ou outra...

... e se isso me encurta a vida?

Tive um amigo que disse:

"Norman, n�o quero saber se est�o apenas tr�s pessoas diante de mim,

ou se o p�blico ri quando n�o deve, ou n�o ri quando deve.

Uma pessoa s� compreende e sabe, e eu atuo para ela."

Foi isso que disse o meu amigo.

N�o posso mudar o que n�o pode ser mudado.

- Gostaria de v�-lo. - Prefiro que n�o veja.

� minha responsabilidade subir o pano, hoje. N�o h� tempo.

As coisas est�o num est�dio delicado. N�o o quero perturbado.

- Que sussurros s�o esses? - Nada, nada.

- J� come�ou a maquiar-se? - Ainda n�o.

J� viste qu�o tarde �? V�o chamar daqui a pouco!

Sei qu�o tarde �!

Ent�o, que seja na tua cabe�a!

- Quem era? - Um esbirro, a esbirrar.

Olha, um vestido!

Vamos vesti-lo e manter- nos quentes?

Pronto. N�o se sente melhor?

Est� de volta ao teatro s�o e salvo. Ao s�tio onde pertence.

- E com casa cheia. Ador�vel. - A s�rio? Casa cheia?

V�o ficar de p� nos balc�es!

Sabes que bombardearam o Grand Theatre, em Plymouth?

- E grande parte da cidade tamb�m. - Estreei-me no Grand T. Plymouth.

Eles n�o podiam saber.

N�o devia ter sa�do na Primavera, mas n�o tinha alternativa.

- Ele obrigou-me. - Quem?

- Devia ter descansado. - Mandaram descansar um amigo.

Ele obedeceu. Foi o fim dele. Ficou doente.

Quase se tornou cat�lico. Parecido com Mr. Davenport Scott.

- Que novas h� de Davenport Scott? - T�m-no preso nas celas.

Avisa os captores que ele tem de ser libertado imediatamente!

A pol�cia op�s-se a que tenha fian�a.

- Como dispomos as nossas for�as? - Mr. Thornton faz o Bobo.

- E quem faz o Oswald? - Mr. Brown, receio.

Um cavaleiro a menos para a deixa "n�o racionalizem a necessidade".

Na verdade, 98 a menos. Se diz o texto como evangelho,

um a mais ou a menos n�o importa.

Thornton, sem dentes, como Bobo.

Brown a balbuciar como Oswald.

Oxenby a coxear como Edmund.

A que cheguei eu?

Nunca tive uma companhia como esta.

Estou reduzido a velhos, a aleijados e a maricas!

Herr Hitler dificultou a vida das companhias shakespearianas.

Ser� um cap�tulo do livro, Sir.

Odeio falar nisto, mas n�o temos a tempestade toda.

N�o h� ningu�m para operar a m�quina de vento.

- Se Mr. Thornton vai fazer de Bobo. - A tempestade tem de ser fant�stica.

- E o Oxenby? - N�o � o mais ameno dos cavalheiros.

Manda-o c� quando faltar meia hora.

Eu dou-lhe uma palavrinha.

- � melhor falar tamb�m com o Thornton. - V�? Assim j� gosto mais!

Est� onde pertence, est� outra vez no seu elemento e em si.

Comece a maquiagem. Eu digo-lhes para virem. Limpei a peruca e a barba.

N�o demoro nada.

Que foi agora, zulu escoc�s?

Foi cancelado. Por favor, diz que foi cancelado.

Geoffrey, ele quer ver- te em trajo e maquiagem de Bobo.

Meu Deus! Tens a certeza de que ele est� bem?

Parecia-me bastante perturbado.

O Sir?! Perturbado? Nunca! Vemo-nos � meia hora, Geoffrey.

"N�o estou a exagerar".

Disse eu ao Davenport Scott. "Tens mesmo de comportar-te.

Tens uma posi��o a defender."

Mr. Oxenby, o Sir quer v�-lo depois da meia hora.

Se ele me quer mais atr�s no palco...

...acabo por detr�s das poltronas!

E, Mr. Brown, vai representar o Oswald esta noite. Sabe as deixas?

Sei sim, desde que ele n�o me sibile.

- Fico a tremer quando ele sibila. - E n�o queremos isso, certo?

Onde � que eu ia? Ah, sim. Davenport Scott disse- me...

- Importas-te de te calares?! - Francamente!

- Norman. - Sou eu.

- Como � que ele est�? - Quem?

Toda a gente o viu e ouviu.

O meu tio Percy vociferava assim e est� num lar.

- Espero que o visite freq�entemente. - Norman.

- Ele pode representar o Rei Lear? - Espere para ver.

Nunca o vi em melhor forma. Far� hist�ria esta noite como Rei Lear.

Tio Percy.

Est� tudo bem. Falei com os atores.

Oh, n�o, Sir! N�o!

O Otelo n�o!

As deixas est�o trocadas!

Instrui a marioneta para renovar os cordelinhos.

Daria tudo para ver a pe�a. O senhor todo negro e Cord�lia a dizer:

"Haveis-me tomado, alimentado e amado."

"V�s, patinho...

Beija o Rei Lear. Ele passou um mau bocado."

Costum�vamos jogar um jogo de nome "Risqu�".

Teria de saltar uma deixa para se fazer ouvir duplamente.

O melhor que j� ouvi foi de um homem de nome Berriton.

Conhece a deixa: "O qu�?! Cinq�enta dos meus seguidores a aclamar?

- De um dia para o outro?" - Sim. Conhe�o a deixa e a hist�ria.

Um dia, numa viagem de comboio de Aberdeen para Liverpool...

...uma viagem que recomendo como castigo para desertores...

...Berriton saiu-se com "O qu�?! 50 dos meus seguidores a reclamar?

De um dia para o outro?"

"A reclamar, de um dia para o outro."

"De um dia para o outro."

Outra p�gina em branco.

� s� para a tempestade, Arthur. Quando Sir vai para frente,

tu vens para tr�s, quando ele for para tr�s, vais para frente.

Assim, ele fica equilibrado.

- J� percebi. - Agora, faz.

Quando ele vem para frente, eu venho para tr�s.

Quando ele vem para tr�s, eu vou para frente.

�timo.

Beryl, n�o podes esquecer a coroa tripla.

N�o se preocupe. Fa�o isso esta noite.

- Quem �? - A Irene. Vim buscar a coroa.

Entre!

- Boa noite, minha filha. - Boa noite, Sir.

- Est� tudo bem? - Obrigada, Sir.

- Vieste buscar a coroa tripla? - Sim, Sir.

Faz um bom polimento. Gosto dela a brilhar.

Sim, Sir.

Aqui est� ela, minha filha.

�s muito jovem, n�o �s?

Obrigado, Sir.

Sir, est� na hora de envelhecer.

S�o todos da mesma cor.

Que l�pis uso?

N�o consigo distinguir as cores.

Come�a pelas sobrancelhas, Sir.

Sobrancelhas?

Ensaboa as sobrancelhas.

Ador�vel. Agora, o n�mero cinco.

"S� a m�scara", diz sempre.

Deixe o l�bio superior limpo para o bigode e para a barba.

N�o demasiado alto na testa!

Pronto. � t�o f�cil como saltar � corda.

Laca para as rugas.

Tempos houve em que...

... eu pintava todas as rugas.

Agora, limito-me a aprofundar... o que j� l� est�.

- Meia hora, por favor, Sir. - Obrigado.

- Vou abandalhar, esta noite. - Abandalhar, Mr. Carrington?

No bar, meu caro. Depois de o p�blico ter levantado o rabo das cadeiras!

Shakespeare n�o � conhecido pela sua brevidade.

A �nica esperan�a de um copo depois do espet�culo � abandalharmos.

Terei este aspecto no caix�o.

E uma linha larga do n�mero 20 pelo nariz abaixo.

"D� for�a", diz o senhor.

- Arranjaste Brown & Polson? - N�o, mas continuo � procura.

Temos o suficiente para esta digress�o.

E agora misturamos o verniz branco...

...com algum esp�rito cir�rgico. - Sei como se cola uma barba!

H� mais de 40 anos que sou retratista...

... e consigo fazer as minhas pinturas h� mais de 30!

Ultrapassaste as marcas, rapaz! N�o te sobrevalorizes!

Quero descansar depois da cena da tempestade.

N�o � preciso dizer. Eu sei.

Toalha! Toalha, toalha, toalha!

Falta alguma coisa. O qu�?

N�o quero sobrestimar-me, mas que tal a peruca?

Est� calor, est� um calor insuport�vel. Vou desmaiar.

Beba um golinho, Sir. N�o lhe far� mal.

N�o podemos desistir agora. Agora n�o. Vamos salientar as linhas.

Imagina! Bombardearem o Grand Theatre, em Plymouth.

Selvagens.

Vou dar-lhes uma boa, esta noite.

- Que foi agora? - Como � que ele est�?

- Voltou ao normal, ou mais. - Quero v�-lo com os meus olhos.

- Ele n�o deve ser incomodado. - E os substitutos?

- Ele sabe de tudo. - Ficar� pronto a tempo?

- Ficar� pronto? - Sim!

Norman!

Tanta conversa fiada!

- Como come�a a pe�a? - Qual pe�a, Sir?

A desta noite, a de hoje! Esqueci-me da primeira deixa!

- "Recebei os lordes de Fran�a..." - Tira da minha cabe�a.

Tens de manter- te calado enquanto me visto.

Tenho trabalho! Trabalho!

Maldito trabalho duro! Tenho de transportar o mundo!

Todo o universo! N�o me lembro da primeira deixa.

- Eu indico-lha. - Ningu�m me indica!

Uma pessoa � sujeita a isso noite ap�s noite!

E eu n�o tenho for�as!

� dos bons, devo dizer. E logo o senhor!

Desilude- me, se n�o se importa que lhe diga, senhor.

Diz sempre: "autocomisera��o � a qualidade pior no palco e fora dele!

Luta e sobreviv�ncia � o que importa", diz o senhor.

"Luta e sobreviv�ncia." Todos lutamos, certo?

Eu luto. Acha que � f�cil para mim? Digo-lhe uma coisa por nada.

N�o � f�cil, nem um bocadinho! Nem a luta nem a sobreviv�ncia!

Todo o mundo luta pela sobreviv�ncia. N�o deveria tamb�m?

Meu caro Norman, parece que te aborreci.

Pe�o desculpa.

Entendo.

Nem sempre podemos ser fortes. H� perigos em cobrir as rachas.

Deixe l� a cobertura das rachas. E que tal cobrir a borracha da peruca?

Lamento ter perturbado a sua concentra��o.

"Ambos compreendemos a servid�o, Alphonso."

N�o vamos esquecer- nos de cobrir as sobrancelhas, pois n�o, Sir?

- Que atua��o � esta? - Esta noite ser�...

...a sua 227� atua��o neste papel, Sir.

Duzentos e vinte e sete Lears...

... e n�o me lembro da primeira deixa.

Um, dois, tr�s, quatro!

- N�o houve tempo para alterar o fato. - Nunca h�.

- Como te sentes? - Mais em mim, Gatinha.

Est� a ver? Logo que assume um disfarce, torna-se outro homem.

- Vou buscar o manto e aperto-o? - Sim, como � habitual.

Mr. Thornton e Mr. Oxenby est�o � espera l� fora.

- Digo-lhes para entrarem? - N�o. O Oxenby mete- me medo.

N�o se esque�a, � o melhor lago que tive ou vi.

E incluo o baix�ssimo Sir Arthur Palgrove.

Parece mais o Sir que conhecemos e admiramos.

Sir Arthur Palgrove.

Fez o papel de Hamlet at� aos 68 anos.

Ele tinha mais rugas na cara do que degraus na galeria!

Vi o Lear dele.

Fiquei agradavelmente desiludido. Sir Arthur Palgrove!

Que aconselha sua Majestade? Responde- me a isso.

�s um fazedor de milagres, Norman.

Obrigado, Senhora.

Tenho chocolate para ti.

Obrigado, senhora.

N�o penses que n�o vi, porque vi!

H� milhares de crian�as em toda esta nossa adorada terra...

...a vasculhar as latas de lixo � procura de um doce.

Se viessem ter comigo, podia dizer quem � a pessoa em Inglaterra...

...que tem uma fonte inesgot�vel de chocolate.

Sou eu quem tem de carregar com ela na morte, no papel de Cord�lia.

Sou eu quem a levanta e quem a carrega nos bra�os.

Gra�as a Deus, pensei eu, que existe racionamento! Mas n�o...

... ela acharia a��car numa duna de areia!

Mando entrar os atores, Sir?

Geoffrey.

Mr. Thornton para falar-lhe.

Geoffrey, o fato serve?

Mr. Davenport Scott � t�o pequeno!

Mr. Davenport � um verme! Pareces...

Sabes as deixas? N�o me fa�as esperar por elas.

Ritmo, ritmo, ritmo! E mant�m-te fora do meu foco!

As luzes colocadas nas alas s�o para mim e s� para mim!

- Sim, meu velho, eu sei. - Tens de descobrir a luz poss�vel.

Certo.

Quero ouvir-te cantar.

- Como? - "He That Has and a Little Tiny Wit".

Ele tem...

Ele tem um...

Pronto, declama, n�o cantes.

E na cena da tempestade, se vais p�r as m�os nas minhas pernas...

...como Davenport fez, coloca-as na barriga das pernas e n�o nas coxas!

- Quase me partiu um osso. - Se preferes que n�o o fa�a...

Sente, meu rapaz, sente.

Custe o que custar, � a �nica forma.

Mas n�o te deixes levar demasiado.

Mant�m-te nos limites e a todo o custo, fica quieto enquanto falo.

Nada de chorar no papel. Eu tenho as l�grimas nesta pe�a.

- Sim, eu sei. - S� fiel ao escritor...

... e mant�m os dentes colocados.

- S� acontece quando me enervo. - Vais estar nervoso, garanto-te.

N�o haver� pagamento suplementar para a atua��o desta noite.

O teu contrato � �representa��o � escolha"?

- Sim. - Boa sorte para as tuas demandas.

Obrigado, Sir.

- Deus te aben�oe, Geoffrey. - Preferia enfrentar as hordas nazis!

Espero que Mr. Churchill tenha homens melhores no Governo.

Mr. Oxenby est� � espera, Sir.

O qu�? N�o. N�o posso. Que quer o Oxenby?

� mais o que n�s queremos. Algu�m que opere a m�quina de vento.

N�o quero ver o Oxenby.

N�o suporto o homem!

Est� abafado, aqui!

Continua a n�o ter tempestade sem ele!

Mr. Oxenby para si, Sir.

- Queria falar-me? - Como?

Queria? Norman?

O Sir estava a querer saber se pode pedir-lhe um favor.

Pode pedir.

N�o est� conosco h� muito tempo, mas estou certo...

...de que viu que somos mais uma grande fam�lia do que uma companhia.

Todos contribu�mos quando tem de ser.

Como j� deve ter ouvido sem d�vida, Mr. Davenport Scott...

...n�o vai voltar para a companhia. - Sim, ouvi dizer.

Partilha um camarim com um ou dois deles e n�o ouve mais nada.

A fraternidade fica afetada...

...um dos membros � apanhado.

N�o temos ningu�m para operar a m�quina de vento.

Queria saber se poderia dar � manivela.

Resumindo, n�o.

Mais alguma coisa?

Ele j� leu a minha pe�a?

Vejam s�! N�o querer contribuir!

Ele odeia-me.

Sinto o �dio dele.

Ele despreza tudo o que represento.

N�o leria a pe�a dele, nem que fosse Comiss�rio para a Cultura!

Eu j� li.

Tem um papel para mim?

Sim, mas n�o gostaria da linguagem.

Foi pouco generoso para com Davenport Scott.

N�o tenho nenhuma pena de ladr�es...

...mas onde est� o humanismo do homem?

Um colega que caiu em desgra�a e que est� preso...

...n�o pode ser causa...

...de alegria.

N�o dever�amos ficar calados por um momento, Sir?

Um quarto de hora, por favor. Uns minutos atrasado, desculpe.

N�o posso! Diz-lhes para irem para casa! Devolve o dinheiro!

- Quer cancelar o espet�culo? - N�o, n�o quer.

- Para seu bem, por favor. - Saia! Ele ficar� bem!

- N�o temos tempo. - Deixem- me em paz!

N�o me lembro das deixas! Norman!

Norman, como � que come�a?

"Ele esteve fora durante nove anos e ir� para fora outra vez!

O Rei vem a�.

Recebe os lordes de Fran�a e Borgonha...

Recebe os lordes de Fran�a e Borgonha, Gloucester."

Assim farei, meu soberano.

- Entretanto, vamos exprimir... - Entretanto, vamos exprimir...

...o nosso prop�sito mais obscuro. - D�-me o mapa...

N�o! N�o me digas! Eu sei!

J� representei o papel, sabes?

D�-me acol� o mapa.

N�o me digas! N�o digas!

O qu�? Temo-me a mim pr�prio?

Errado! "Saibam que dividimos..."

N�o h� ningu�m mais por perto. Verdade, falo de sonhos...

...que s�o filhos de um c�rebro ocioso.

- Errado! Pe�a errada! - Moverei tempestades.

Compadecer-me-ei em alguma medida.

Outra vez a pe�a errada!

Este recept�culo pode albergar os campos de Fran�a?

Os homens deviam ser o que parecem. O meu nome � Macbeth!

- J� vivi tempo suficiente! - Veja o que foi fazer!

Fora! Fora! Est� a citar a trag�dia escocesa!

O qu�? Mac... Cristo, recitei?

Fora.

D� tr�s voltas sobre si pr�prio.

Uma.

Duas.

Tr�s.

Bata.

Entre.

Fa�a o juramento.

Bacios!

E o meu pobre Bobo enforcado.

N�o, n�o h� vida.

Por que haveria um c�o, um cavalo, um rato ter vida...

... e de ti n�o haver sequer um alento?

N�o vir�s mais.

Nunca. Nunca...

...nunca, nunca, nunca.

Seja bem- vindo, Sir. Vai correr tudo bem.

- Luta, Bonzo. - Sobreviv�ncia, Gatinha.

- Cinco minutos, por favor, Sir. - Obrigado.

Vamos descer...

... e observar a cena de guerra.

- Cinco minutos! - Boa sorte. Geoffrey.

Cinco minutos, por favor! Cinco minutos!

Estou a trabalhar aqui.

Na noite do meu primeiro Lear houve uma tempestade. Agora, s�o bombas.

Que mais tenho eu de aturar?

Esta noite, recitamos Shakespeare e eles tudo far�o para me impedir!

- N�o tome isso t�o a peito, Sir. - Bombardeiem at� ao esquecimento...

...se se atrevem, mas cada palavra que digo

ser� um escudo contra a vossa selvajaria! Cada deixa que digo

- uma prote��o contra o vosso terror! - Acho que n�o o ouvem, Sir.

B�rbaros!

Agora que est�vamos a ganhar, Sir!

- Talvez seja em boa hora. Olha. - Ele n�o pode continuar!

Sobe o pano imediatamente!

Nenhum esquadr�o de fascistas bolcheviques...

...me deter�!

Faz o que te digo!

- Quem faz a apresenta��o? - Davenport Scott, claro.

Mr. Davenport Scott n�o est� c� esta noite. Os outros est�o todos vestidos.

Fazes tu ent�o, Norman.

- N�o, Sir. N�o posso aparecer. - Tu, Norman.

N�o saberei o que dizer. Tenho mem�ria de pol�cia:

- Nunca est� l� quando � precisa. - J� dei as ordens! Faz o que te digo!

- N�o estou trajado! - Vai l�!

Por que n�o paro de tremer?

Senhoras e senhores.

Senhoras e senhores...

...o aviso de ataque a�reo acaba de soar.

Vai dar-se um ataque a�reo.

N�s continuaremos o espet�culo.

Os que desejarem viver...

Os que desejarem sair...

...fa�am-no o mais silenciosamente poss�vel.

Obrigado.

Preparar. Preparar na frente!

Luzes da sala a meio.

Preparar timbales.

Luzes da sala apagadas.

Luzes da sala apagadas.

Entrada de metais!

Entrada de tambores!

Preparar.

Cl�rigos.

O pano vai subir!

Pensei que o Rei tinha mais afeto ao Duque de Albany que ao da Cornualha.

Sempre nos pareceu assim, mas na divis�o do Reino...

...n�o parece estar entre os Duques de que ele gosta mais.

- Geoffrey, fui bem? - Como?

- A apresenta��o. Fui eficiente? - Sim, meu velho. Muito bom.

Obrigado. Boa sorte, Geoffrey.

Tanto me envergonhei de reconhec�-lo que agora estou soldado a ele!

Senhora, fui bem?

- Melhor do que Mr. Davenport Scott. - Acha mesmo que sim?

Estava t�o nervoso!

Achas que algu�m notou a gafe?

"Os que desejam sair"... Tenho vontade de me bater!

- Foste muito bem! - Obrigado.

- Ele disse alguma coisa? - N�o.

Preparar, por favor, Senhora.

Preparar, por favor, Sir.

Ele esteve fora nove anos e vai partir outra vez.

O Rei vem a�.

Preparar, Sir. Entrada da fanfarra do Rei.

Sir, � a sua deixa.

Sir, a senhora entrou, e teve uma bela salva de palmas.

Agora � a sua vez. Venha, Sir.

Est� a ver? O que disse eu?

Por favor, Sir! Imploro-lhe!

O Rei vem a�!

- Pensei ter visto o Rei! - Eu tamb�m pensei.

� a sua vez, Sir, � a sua vez!

Pensei t�-lo visto.

As alas est�o abertas.

� a sua entrada, Sir. Mr. Oxenby est� a inventar...

Pareciam sombrios...

...as cores em mudan�a de tom...

...com a �rida terra t�rrida...

...que � o nosso Reino.

O Rei, meu pai, estava, pensei eu, atr�s de mim.

Sir, o p�blico est� a impacientar-se. Toquem a fanfarra outra vez.

Acho que estou a ver o Rei.

N�o. Enganei- me.

Irei, com o vosso consentimento...

...junto de sua Majestade...

...para descobrir qual � o progresso real.

- Ele vem ou n�o vem? - Sim.

Foi-me assegurado, senhor...

...que o Rei vem a�.

Luta e sobreviv�ncia, Sir!

- Entrada dos cem cavaleiros! - Entrem, entrem!

Recebe os lordes de Fran�a e Borgonha Gloucester.

Recebe os lordes de Fran�a e Borgonha...

...GIoucester. - Assim farei, meu soberano.

Entretanto...

...vamos exprimir o nosso prop�sito mais obscuro.

Dai-me o mapa.

Ficai sabendo que dividimos o nosso reino em tr�s

e � nossa primeira inten��o abandonar os cuidados...

... e assuntos da nossa era, conferindo-os a for�as mais jovens,

enquanto n�s, aliviados, rastejamos rumo � morte.

Sim.

Bem, se ele ficar fora outra vez, tens de lev�-lo ao veterin�rio.

Achais que chorarei.

N�o, n�o chorarei.

Tenho motivo de sobra para chorar...

...mas este cora��o quebrar� com cem mil fracassos...

...antes que chore aqui.

� Bobo...

...vou enlouquecer.

Preparar para a tempestade.

- Tudo a postos. - Porcos!

Quando os queremos, eles fogem!

As inj�rias que encontram os s�bios...

...devem ser os mestres- escola deles!

Trancai as portas!

Ele � esperado com um trem desesperado e o que pode lev�-lo...

...a estar apto para ouvir obscenidades,

a sabedoria vence o medo.

Trancai as portas, senhor. � uma noite das bravas.

O meu conselheiro est� certo. Sa� da tempestade!

Avan�a a tempestade!

Soprai, ventos e parti as vossas ventas!

Rugi!

Soprai! Cataratas e furac�es, jorrai...

...at� terdes encharcado os nossos campan�rios, afogado os galos!

Fogos sulfurosos e devastadores...

...mensageiros de jact�ncia de raios que partem �rvores!

Mais alto! Mais alto!

Ele quer mais alto!

Ele quer mais alto!

Sou um homem...

...mais v�tima do pecado...

...do que pecador!

Onde estava a tempestade?

Pedi cataratas e rel�mpagos...

... e voc�s d�o-me fios de �gua e apitos!

Exijo rel�mpagos que cortam �rvores...

... e voc�s respondem...

...com moscas que arrotam!

Eu sou a tempestade!

Eu sou o vento e jacto...

...o fogo e a nuvem sufocante!

E d�o-me n�o mais que tambores de funeral!

Deus Todo-Poderoso! Deus lhes perdoe porque n�o sabem o que fazem!

Sou ensurdecido por apitos!

Norman, Norman, contrariaste- me!

Boa noite, Sir. N�o tive hip�tese de...

- Guarda a porta! ...dar-lhe as boas-vindas.

Devia estar feliz, Sir. Temos casa cheia esta noite.

Eu estava l�!

� vista!

A gl�ria foi minha...

... e depois, nada!

Zero, sil�ncio, uma brisa...

...um chuveiro.

Uma colis�o de l� de algod�o.

Uma batida de asas de borboleta!

Quero uma tempestade, n�o um chuvisco!

Algo ter� de ser feito!

Exijo saber...

...o que aconteceu esta noite com a tempestade!

Agrada-me que esteja agradado!

Nunca o conheci a n�o se queixar quando esteve metido nelas.

E esta noite pode dizer- se, sem medo de cair em contradi��es, que esteve l�!

Descanse agora.

Tem o intervalo em toda a cegueira de Gloucester...

...antes de �N�o, n�o podem tocar-me por cunhar moeda". Tente dormir.

"Precisa de sossego", como o surdo mudo disse ao pianista.

A senhora disse que tinha sido poderoso esta noite.

Poderoso. Foi a palavra usada.

E Geoffrey n�o foi �gil como Bobo? Para um homem da idade dele...

Manteve- se atr�s no palco e nunca se meteu na sua luz.

Muito menos impeditivo que Mr. Davenport Scott,

em todos os aspectos. E quanto a Mr. Oxenby?

Estamos a dormir, Sir?

Ser conduzido assim!

- Odeio os su�nos! - Quem?

Quem � que odeia?

- Os cr�ticos? - Os cr�ticos?

Odiar os cr�ticos?

S� sinto pena deles.

Como posso odiar os aleijados e deficientes mentais e os mortos?

- Quem, ent�o? - Quem ent�o o qu�?

Quem � que odeia?

Deixa-me descansar. Tens de parar de interrogar-me, deixa-me descansar.

N�o me abandones at� eu adormecer. N�o me deixes s�.

Sou uma for�a gasta.

Os meus dias est�o contados.

Contados.

- Obrigado por ajudar na tempestade. - N�o sei por que o fiz.

Porque somos irm�os, e o senhor � dos nossos apesar da relut�ncia!

- Vai-te catar! - Isso n�o � gentil.

�s o Norman, n�o �s?

Lembras-te de mim? Esta tarde, na pra�a.

Viva, querida! Est�s c� hoje?

N�o perderia por nada. Nunca o vi t�o cheio daquilo que � preciso.

- Obrigado. Fazemos o que podemos. - E olha...

...que, ao v�-lo esta tarde, nunca pensei que ele atuaria esta noite.

Sabes o que dizem, amor. Dr. Greasepaint, n�o h� melhor.

Viva, Norman. Como est�s?

Queres tomar um?

N�o, amor, nunca bebo em servi�o.

Vai buscar a Madge!

N�o se atrase para o segundo ato!

Com licen�a.

Pronto, pronto, Evelyn. � s� uma pe�a.

� s� uma pe�a, querido.

- Acho que est� a correr bem. - Exceto a tua primeira entrada.

- As tuas m�os est�o geladas! - Geladas com o medo.

- Medo de qu�? - Do que est� para vir.

Acho que o vi esta noite.

Ou eu pr�prio como ele me v�.

Ao dizer �n�o racionalizar a necessidade",

afastei- me de mim pr�prio.

Os meus pensamentos voaram e observei- me a grande altura.

"V� l�, bandalho." Parecia eu dizer ou ouvir.

"V� l�, tens mais para dar, n�o recues. Mais, mais, mais!"

E eu estava a observar o Lear.

Cada palavra que ele dizia era inventada no momento.

N�o sabia o que viria a seguir, que destino o aguardava.

A agonia estava criada no momento de atuar.

Vi um velho e o velho era eu.

Fora de mim.

Compreendes?

Fora de mim.

Por favor, tenho de dirigir o espet�culo.

Vinte anos?

- Disseste vinte anos? - Sim.

Foste feliz? Tem valido a pena?

N�o, n�o fui feliz.

Sim, tem valido a pena.

Madge, minha querida, no meu testamento deixei- te os meus livros.

- N�o quero saber o que me deixou... - E tenho outra coisa para ti.

Se os bens podem ser queridos, este anel � a coisa mais querida que tenho.

Este anel foi usado por Edmund Kean numa pe�a

cujo t�tulo � uma inscri��o adequada do que eu sinto.

A New Way to Pay Old Debts.

Quando falares nisso...

...diz que Edmund Kean e eu o usamos.

H� anos tive inten��o de to dar...

...mas eras muito mais nova.

Pensei que podias interpretar mal.

Sim.

Um anel oferecido por um homem a uma mulher...

...� facilmente mal interpretado.

Sei que julgam que sou insens�vel...

...mas n�o sou cego. - N�o.

Sempre soube que estava atento...

...aos meus sentimentos.

Fez bem em n�o me ter dado o anel.

Nessa altura, eu viva cheia de esperan�as.

Pelo menos, vi-o todos os dias.

Fiz-me �til para a sua pessoa.

Contentei- me com o que conseguia obter.

Sempre tive consci�ncia das minhas limita��es.

Fala bem de mim.

�s a �nica que me ama realmente.

A vida n�o reconhece a idade.

Meu bom senhor, fui vosso inquilino...

... e inquilino de vosso pai durante muitos anos.

Afasta-te! Afasta-te, meu amigo! Desaparece!

Os teus confortos n�o podem fazer- me bem.

Ele disse que foste muito melhor que Mr. Davenport Scott.

Disse? A s�rio?

Disse que foi muito bem na cena da tempestade, Geoffrey.

"Muito �gil", disse ele.

O Bobo foi o papel mais importante...

...que representei em Shakespeare.

O problema � que ficamos a querer mais.

- Sim? - � a Irene.

- Venho devolver a sua coroa. - Sim.

Deixa-a a�.

Sir, ser� que incomodo se disser uma coisa?

- Depende do que seja. - S� quero agradecer- lhe.

- Por qu�? - Pela atua��o desta noite.

- Ainda n�o acabou. - Senti-me honrada por estar em palco.

Na gaveta da mesa de maquiagem encontras uma fotografia minha.

Adoro vir ao seu camarim.

Sinto a for�a...

... e o mist�rio.

Em tempos que j� l� v�o...

...isto teria sido o local onde os sacerdotes se paramentavam.

Sinto-me assustada. Como se estivesse a invadir um local sagrado.

Um esp�rito afim?

Tranca a porta.

Aproxima-te...

- Irene. - Irene.

- E queres ser atriz? - Sim.

- Apaixonadamente? - Sim.

- Excluindo tudo o resto? - Sim.

Tens de estar preparada para sacrificar o que as pessoas denominam vida.

Estou preparada.

Tens boas pernas?

Mais para cima.

N�o � muito para ti.

Ossos t�o pequenos...

- Andas a comer o suficiente? - Sim.

T�o jovem!

T�o jovem!

Assim j� gosto mais!

Demasiado tarde. � demasiado tarde.

- Ora vejamos, minha franguinha. - Ele parece muito melhor.

- Que hist�ria era aquela?

Larga-me!

- O poder de meu irm�o est� instalado? - Sim, senhora.

Ele pr�prio em...

Achas que n�o conhe�o o jogo? Visto o bandalho h� 16 anos inteiros...

...cuido dele, mimo-o, e lavo-o e seco-o...

... e as ceroulas, noite ap�s noite, sem saber todas as coisinhas...

...do que lhe vai � cabe�a? Ele fez uma coisa qualquer...

...furtiva e escondida. Algo que lhe deu prazer. � mais isso!

Mais como o qu�, Irene? Tenho de saber tudo o que ele faz!

- Ele pegou-me ao colo. - Pegou-te ao colo?

"T�o jovem", disse ele. E pegou-me ao colo.

Por que te ris?

Estava a tremer e eu tamb�m.

Ele precisa da novidade e da juventude.

Com os olhos fechados, imaginei o que seria...

...ser carregada por ele.

Cord�lia...

...morta nos bra�os dele, jovem.

Deixa l� a jovem Cord�lia, franguinha.

Ele quer uma Cord�lia leve.

Leve, franguinha. Leve.

- Olha para ti, para a outra senhora. - N�o compreendes.

- Ele precisa de juventude. - �s mais leve do que ela.

N�o �s a primeira a ser colocada na balan�a.

Como achas que a outra senhora conseguiu o papel?

Quando mi�da, passou de mo�a do mapa � filha mais jovem, assim.

Lembro-me bem. Foi na digress�o...

... em que o Doge de Veneza pegou gonorr�ia a Lancelot Gobbo.

N�o � a juventude, ou talento, ou qualidades de estrela, franguinha...

...mas uma rapariga que coma pouco.

Vai-te embora, franguinha.

Ela tem de descobrir outra canoa para remar.

A nossa, receio, est� furada.

Disse- lhe, Sir, que andei entre o p�blico durante o intervalo?

Devia ter ouvido o que eles pensam. Michelangelo, William Blake.

Deus sabe quem mais lhes fez lembrar.

Michelangelo?

A s�rio?

E Blake.

Percebo-os.

Grandeza moral.

Falei com a rapariga.

Ela n�o � t�o leve quanto parece.

N�o somos suficientemente fortes para uma mudan�a de elenco.

Nunca somos pagos devidamente!

Chamo-me meu amigo.

A d�vida � toda minha.

Arranjarei maneira de te pagar.

- Tenho de pagar as minhas d�vidas. - Pare, est� a fazer- me chorar.

O teu h�lito parece um tonel.

- Quanto bebeste? - N�o o suficiente!

- Lago! Lago! - Pe�a errada.

Tenho de acordar em beatitude.

Tenho de carregar a senhora.

- Preciso de ti s�brio. - Estou s�brio!

A dic��o � perfeita, o porte firme e o temperamento sereno.

N�o � caso para rir! O empurr�o final!

- Espero que estejas disposto a isso! - Sim. Tu tamb�m, querido.

- O qu�? - E tu, Lear.

S� breve. Para o castelo...

...pois que a minha ordem � para a vida de Lear e Cord�lia.

N�o, enviada a tempo.

- Corre! Oh! Corre! - Para quem, senhor meu?

Quem tem compet�ncia? Enviai o meu testemunho de comuta��o!

Bem pensado.

Leva a minha espada. Mata o capit�o.

Apressa-te, pela tua vida!

Ele tem a encomenda para a tua mulher e para mim...

...de entregar Cord�lia na pris�o e de deitar as culpas ao desespero dela...

...que ela se pro�be.

Quem dera que n�o fizesses isso. Lembras-me um trabalhador!

S�o homens de pedra!

Tivera eu os vossos olhos e l�nguas...

... e tamb�m os usaria...

... esse cofre celestial deveria quebrar-se!

Ela foi-se para sempre!

O meu pobre Bobo est� enforcado.

N�o, n�o.

N�o h� vida?

Por que deveriam um c�o, um rato, um cavalo ter vida...

... e de ti nem um alento?

N�o voltar�s.

Nunca mais.

Nunca mais.

Nunca mais.

Nunca mais.

Nunca mais!

Por favor, desaperta este bot�o.

Obrigado, Sir.

V�s isto?

Olha para ela.

Olha para os l�bios dela.

Olha para ali.

Olha para ali.

Ele desmaia!

Senhor meu, senhor meu!

Parte, cora��o. Imploro-te! Parte, cora��o!

E p�ra!

Ao peso deste momento triste temos de obedecer.

Diz o que sentimos, n�o o que dev�amos dizer.

O mais velho ele atura mais!

N�s, os que somos jovens...

...nunca veremos tanto, nem viveremos tanto.

Pano descido!

Para o palco, toda a gente, por favor. Preparar para a chamada ao palco.

- O pano vai subir! - Conseguimos, Will Shakespeare.

Conseguimos!

Prepare- se para a chamada ao palco, Sir, por favor.

Avise- os da sua chegada.

Senhores, senhoras e cavalheiros...

...obrigado pela forma como receberam...

...a maior trag�dia da nossa l�ngua.

Vivemos em tempos perigosos.

A nossa civiliza��o est� sob amea�a das for�as das trevas

e n�s, humildes atores, fazemos tudo o que est� ao nosso alcance...

...para lutar como soldados do lado do bem, na grande batalha.

Somos animados por nenhum outro desejo...

...sen�o o de pegar no trabalho do maior poeta-dramaturgo...

...de todos os tempos...

... e lev�-lo a todos os cantos da nossa amada ilha!

Amanh� � noite, representaremos...

- Richard III. - King Richard III.

E eu farei o papel do rei corcunda.

Na quarta-feira � tarde, a minha mulher far� o papel de...

- Portia. ...Portia.

E eu pr�prio o do mau judeu enganado, em The Merchant of Venice,

uma pe�a que, podem pensar, de maior tropicalidade que nunca.

- Na quarta-feira � noite... - Lear.

Na quarta-feira � noite...

...tentaremos mais uma vez a trag�dia...

...que testemunharam esta noite.

E eu passarei outra vez pelo teste mais duro...

...que um ator conhece.

Em nome da senhora minha esposa,

da minha companhia e meu...

...continuo vosso humilde servo.

E n�o posso dar outra resposta...

...sen�o agradecer...

... e agradecer...

...agradecer eternamente.

Certo, rapazes. Ataquem o King Lear e preparem- se para Richard III.

Mant�m o pano preto, George. Serve para o Campo Bosworth.

Boa noite, Violet querida.

Frank, d�s-me uma ajuda, por favor?

Bela atua��o esta noite, meu velho. Foi como nos velhos tempos.

At� amanh�.

A separa��o � t�o doce...

Estou a ficar mais fraco.

Fraco...

... enfraquecido, a enfraquecer. Estou no fim.

At� amanh�.

Preocupo-me contigo, meu velho. O que far�s tu?

O melhor que possa.

- Que pe�a temos amanh�? - Richard III.

O corcunda outra vez, n�o!

- Quem planeou esta digress�o? - O senhor.

Escravatura...

Maldita escravatura.

N�o dev�amos tirar a maquiagem?

N�o deixarei nada. Nada.

Espero que o Will esteja contente esta noite.

- Tive um amigo... - Por amor de Deus!

Estou farto dos teus amigos!

S�o uma corja! Pat�ticos, s�s, desesperantes!

- Isso � agrad�vel, n�o �? - Pe�o desculpa. Foi escusado.

- Conta comigo como teu amigo. - Nunca desesperando.

J� pedi desculpa.

Nunca, nunca desesperando.

Talvez �s vezes � noite! Ou no Natal, quando n�o se consegue trabalho...

...na pantomima. Mas nunca no teatro! Nunca!

Pat�tico talvez, mas n�o ingrato!

"Muito atento � sorte dos outros", como diz o ditado.

Nenhum Duque � mais privilegiado.

Aqui est� a beleza. A Primavera e o Ver�o.

Aqui a dor � suport�vel.

E nunca estou s�. Aqui n�o.

"J� que aquele que hoje derrama o sangue dele comigo."

Suave, sem d�vida. Sens�vel, � a minha natureza.

Facilmente magoado, mas isso � uma virtude.

Tamb�m n�o estou c� por motivos pr�prios.

Ningu�m pode acusar-me de motivos b�sicos. Tenho o que quero

n�o preciso que saibam disso. Inadequado, sim,

mas nunca desesperando.

Bonzo?

Ainda n�o come�aste a mudar de roupa?

Estou um bocado lento esta noite, Gatinha.

Muito bem, n�o espero. Vou voltar para a pens�o para acender a lareira.

N�o demoro.

Boa noite, Norman.

N�o sei muito bem se devo agradecer- te ou n�o.

N�o. N�o suporto que me agrade�am.

Uma boa mulher.

Boa noite, meu velho.

- Boa noite. - Boa noite.

Morte a todos os tiranos!

Eu ouvi essa, Mr. Oxenby.

Diz-lhe da minha parte que estou ansioso por uma nova ordem.

- Quero uma companhia... - Com licen�a.

Quero uma companhia sem tiranos!

- Seria o chefe? - Seria.

Ficaria lindo com um pouco de sucesso, Mr. Oxenby.

Esta noite, teu nariz est� mais negro que o habitual, Norman.

Boa noite, Sir.

- Boa noite, Norman. - Se te despachas, apanhas Mr. Oxenby.

Estou cansado. T�o cansado...

A sala est� a andar � roda. Tenho de deitar-me. Tenho...

...de deitar-me.

V� se me arranjas um t�xi...

...neste malfadado lugar. - Cada coisa a seu tempo.

- N�o chore. N�o chore. - Nada resta.

Pare com isso j�!

Gostaria que a tempestade se fosse.

J� foi.

Ouvir-se- ia o vento.

Como um homem em sofrimento.

Est� mais sossegado agora...

...com exce��o dos trov�es long�nquos.

- Comecei o "My Life". - O qu�?

Vai buscar. Est� na secret�ria. O livro.

Fiz um come�o.

Descobre o s�tio.

N�o foi muito longe.

Que escrevi eu?

"My Life. Dedicat�rias:

O livro � dedicado � amada Gatinha que foi uma �tima "impulsionadora".

Ao esp�rito dos atores devido a f� e resist�ncia que nunca os abandona.

Aos que fazem o trabalho do teatro

e que t�m apenas uma �nfima parte da gl�ria...

...carpinteiros, eletricistas, carregadores.

Ao p�blico que riu conosco, chorou conosco...

... e de cora��o se uniu a n�s em solidariedade e compreens�o.

E finalmente..."

Oh, Sir.

"� mem�ria de William Shakespeare...

... em cuja gloriosa obra trabalhamos."

My Life...

...vai ter de chegar.

Carpinteiros, eletricistas, carregadores.

Sir.

Sir?

N�o estamos mortos, pois n�o?

Madge!

Madge!

Algu�m!

N�o foi uma grande cena de morte.

Foi t�o pequena para ele...

- Onde est� a senhora? - Saiu sem ele. N�o podia esperar.

Eu telefono-lhe.

E vou chamar um m�dico.

� demasiado tarde para um m�dico, franguinha.

Que ser� de mim?!

- Espera l� fora. - N�o quero esperar l� fora!

Nunca espero l� fora! Quero estar aqui com ele! Sei qual o meu lugar!

Tenta ficar s�brio.

Carpinteiros, eletricistas! Carregadores!

Seu bandalho cruel! Podias ter- te lembrado!

A senhora vem imediatamente.

Ela recebeu a nota muito calmamente.

Pediu para que o cobrissem com o manto do Rei Lear. Onde est�?

O manto de Lear? Vai buscar o fot�grafo!

Coberto com o manto de Lear? N�o � a morte de Nelson, sabes?

Tamb�m n�o faz men��o aos diretores de cena.

N�o �s nada, franguinha. Ele tirou-te os gal�es!

E os meus!

- Como p�de ser t�o descuidado?! - Anda embora.

E vou para onde? Para onde?

N�o tenho s�tio para ir fora do meu elemento.

N�o quero acabar a gerir uma pens�o em Westcliffe- On-Sea!

Ou em Colwyn Bay!

Que vou fazer?

- Podes falar bem dele. - Falar bem daquele bandalho velho?

N�o lhe daria uma boa personagem nem num tribunal!

Bandalho mal agradecido!

- Sai! N�o te quero aqui dentro! - Que raio � isto?! Um santu�rio?

- N�o se mija no altar?! - P�ra com isso!

Ele nunca me levou a comer com ele.

Para mim, foi sempre o assento traseiro.

Nem me lembro de me ter pago uma bebida.

E vai-se assim, deixa-me. S� pensa nele pr�prio!

Que andei a fazer todos estes anos? Por qu�?

Sim, bem, �n�o racionalizar a necessidade." Maldito bandalho!

Pe�o desculpa. Girar tr�s vezes sobre si mesmo e voltar.

Voltar.

Falar bem dele? Sei o que est�s a dizer, franguinha.

Sei tudo sobre ti! Tenho olhos na cara!

Todos temos os nossos pequenos desgostos.

Sei o que dirias:

"enaltecida, fiel, leal."

Bem...

... eu s� tenho uma coisa a dizer dele

e n�o o diria diante de ti.

N�o te daria esse prazer. Nem a ele. Especialmente n�o a ele.

Ningu�m saber�.

Todos temos os nossos pequenos desgostos, franguinha. N�o �s a �nica.

E, quanto menores somos, maior � o desgosto.

Achas que o amaste?

E eu?

Isto n�o � um local de morte.

Eu tinha um amigo.

Sir?

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