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LAWRENCE COLLIER EDITOR
O seu irmão explicou-lhe o que está a acontecer?
Só me disse que alguns corruptos
expulsaram os brancos e ficaram com as organizações locais.
Exatamente.
Um gangue de negros é tão perigoso como um de brancos,
tenho de enfrentá-los.
Brancos ou negros,
ninguém consegue operar no gueto sem o capitão Abbot.
Deem-me provas para acusar Abbot e isto tudo acaba.
Vou arranjar-lhe as provas.
Acredito no seu irmão, Sr. Collier.
O meu irmão nunca diz nada que não queira cumprir,
espero que não leve um tiro por causa disto.
Esperemos que não.
- Foi um prazer. - Foi um prazer, Sr. Scanlon.
- Espero vê-lo de novo. - Tenente.
O Scanlon é um bom procurador, mas não tem nada para prosseguir.
Tenho uma edição para sair
e um avião para apanhar. - Certo.
Diz à mãe que peço desculpa por não lhe ter escrito
e que a visitarei. - Claro.
Quando é que vamos à pesca?
Quando quiser, senhor.
Quando eu quiser?
Convences bem as pessoas, para um engenheiro.
É verdade, irmão.
Larry,
faz-me um favor.
O que quiseres.
Tem cuidado.
Terei.
Vemo-nos em breve.
Larry!
Larry!
Chamem uma ambulância!
Barney, não consigo ouvir nada.
Não consigo ouvir nada.
MISSÃO
MISSÃO IMPOSSÍVEL
Mataram o irmão do Barney porque estava perto de encontrar uma ligação
entre o chefe da esquadra, o capitão Abbot,
e o líder do gangue que controla o gueto,
George Corley.
Jim, antes de continuarmos, tenho de dizer isto outra vez,
não tenho o direito de vos envolver nisto.
Barney, estás a perder tempo.
É isso mesmo, Barney.
Estamos aqui para ti.
Obrigado.
O teu registo criminal já está na polícia de San Roberto, Barney.
Ótimo.
William Goslin, o contabilista do gangue anterior.
Está interessado em espiritualismo desde quando?
Há seis meses, desde a morte da mulher.
Isto é uma gravação de uma audição que ela fez há seis anos,
quando era uma cantora pouco conhecida.
Bom dia, o meu nome é Claire Taylor,
pediram-me para fazer esta gravação
como um teste da minha voz a falar e a cantar.
Não é preciso imitar exatamente a sua voz, Dana,
porque o espírito usará as tuas cordas vocais
para se manifestar, foca-te no dialeto e na entoação.
Irei praticar.
Ela chamava-lhe Tippy, era a única pessoa que o fazia.
Isso será útil.
E o espiritualista, o Dr. Wyatt?
Aceitou uma doação para uma instituição de caridade.
Milly Webster.
É bonita.
Sim, é bonita, é a secretaria privada de Corley,
e a minha entrada para a organização de Corley.
PRODUÇÃO
ARGUMENTO
REALIZAÇÃO
Obrigada, nem todos se dariam ao trabalho.
Foi estúpido fazê-lo, eu podia ter morrido.
- Há um hospital aqui perto, deixe... - Esqueça, só preciso de um penso.
Ainda bem, sei onde posso arranjar uma caixa.
Venha.
- Belo gabinete. - Não é nada de especial.
INSTITUTO DE LUZ PSÍQUICA
A MORTE LEVA-NOS PARA OUTRA EXISTÊNCIA
É um espiritualista de renome de Frankfurt, na Alemanha Ocidental,
que se ofereceu amavelmente para liderar a sessão.
Minhas senhoras e meus senhores, apresento-vos o Sr. Frederick Bauer.
Muito obrigado.
Boa noite, amigos.
O meu elo de ligação chama-se Alfred,
um soldado belga que morreu na primeira guerra mundial.
Tentarei contactar através dele os vossos entes queridos
que passaram para além do véu.
Olá,
tenho uma mensagem
para...
...o Philip, Philip Ellis.
Há um homem aqui
que se chama Collins.
Ele diz
que não é preciso preocupar-se.
Sou a Milly Webster.
É um prazer, Milly.
E o senhor?
Perdão, chamo-me Brezlov Zedorvich.
Brezlov! Está a brincar!
Sim.
Bem,
está a dizer que não tenho de saber.
Vai doer-lhe mais do que a mim.
Está uma jovem senhora aqui pela primeira vez,
chama-se....
... vejo um cesto de coser, rolos de linha, um dedal.
Chama-se Thelma, Thelma.
Eu sou a Thelma,
Thelma Morris.
O que deseja?
O seu pai está aqui comigo, Thelma,
está triste pelo seu luto,
e quer que saiba que está consigo a toda a hora.
Tem uma mensagem para a sua mãe.
Tippy.
Tippy,
consegues ouvir-me?
Calem-se, por favor.
Espere,
ela chamou-me Tippy,
só a minha mulher é que me chamava isso.
Tippy,
tens de ter cuidado,
estão a planear...
Deixe-me acabar a mensagem para esta jovem senhora.
Cale-se!
É a minha mulher, está a tentar dizer-me algo.
Continua, querida, estou a ouvir.
Tippy,
tens de fugir enquanto podes,
corres perigo!
Tippy,
Tippy, onde estás?
Tippy!
Tippy, já não consigo ver-te, está tão escuro.
- Obrigado, Milly. - De nada, Brezlov.
- Chama-me Cliff. - Muito melhor.
- Gostas de beber? - Já que falas nisso.
Já estava a pensar que o seu único vício
era ser tagarela.
Quem é o seu amigo, Milly?
Pensei que ia sair da cidade esta noite, Hamp?
Tive uma dor de cabeça.
Quem é ele?
Um amigo.
Oiça, Milly, se aparece aqui um estranho,
é meu dever saber quem é.
Este senhor magoou-se
a impedir que um ladrão roubasse a minha mala.
Esse truque já é velho e caíste nisso.
Tire o casaco.
Tire-o ou esburaco-o.
Clifford Morgan?
Hotel Estrela, é um esgoto com janelas sujas.
Apanhe-o e saia.
Baixe a arma.
Guarda isso.
- Como entrou aqui? - Eu trouxe-o, Sr. Corley,
ele... - Deixe que ele conte.
Estava alguém a dar problemas a esta senhora
fui ajudá-la e fui atacado,
ela trouxe-me aqui para pôr um penso.
Foi isso, Sr. Corley.
Tirando levar umas estaladas e ter armas apontadas a mim.
Como se chama?
Cliff Morgan.
Somos uma companhia de seguros,
recebemos muito dinheiro trazido por coletores.
Onde há muito dinheiro costuma haver armas.
LOJA DE HOMENS MODERN SAN ROBERTO, CALIFÓRNIA
Qual é o seu trabalho, Sr. Morgan?
Estou desempregado, Sr. Corley.
Precisa de dinheiro?
A não ser que chame dinheiro a quatro dólares...
É um agradecimento por proteger a nossa secretária.
- Obrigado, Sr. Corley. - Boa noite, senhor.
Leve o Sr. Morgan.
CLIFFORD MORGAN E SAN ROBERTO
Sim, eu verifico isso, está bem.
- Como é que disse que se chamava? - Philip Jones.
O que é que tem em mente, Sr. Jones?
Tenho uma proposta para si, capitão.
Importa-se que eu me sente?
Isto é o que se passa, capitão.
Os negócios aqui são liderados por um grupo de negros
que precisam da sua proteção,
o que proponho é que transfira essa proteção do gangue de Corley
para uma organização que eu represento.
Como prova de boa fé,
podemos começar com 20 mil dólares
e depois decidiríamos uma percentagem conforme os lucros.
Quem é o vosso líder?
É melhor ser ele a responder.
Nada feito. Se o Corley sair e o senhor entrar,
haverá uma guerra de gangues num piscar de olhos.
Conseguimos lidar com tudo.
Pois, eu não.
Se começar aos tiros nos bairros é mau para todos.
Não consigo fazer isto outra vez,
é demasiado assustador. - Não há nada a temer.
Um espírito pode comunicar através de uma pessoa viva,
que esteja muito sintonizada com as vibrações psíquicas.
A minha mulher estava a tentar avisar-me de algo,
preciso de si para a ouvir.
O que é que faço?
Uma sessão privada, com apenas nós os três,
onde e quando quiser.
Eu pago-lhe,
seja o que for, o que quiser.
Não.
Está bem.
Mesmo a tempo.
E está pronta, não é digno de uma senhora.
Não tive boas aulas de etiqueta, desculpa.
- Boa casa. - Obrigado.
Como não bebemos ontem,
o que vai ser?
O Sr. Corley ficou impressionado contigo,
esteve a investigar.
Que emocionante.
Foi mesmo.
Contabilista numa organização de apostas na costa oeste,
depois foi para uma organização
que tratava das contas dos negócios lucrativos
em San Roberto.
Não vou mencionar sequer
as 11 detenções
e o mandado de captura em teu nome por fraude.
Já somos dois, certo?
Tu e eu,
duas pessoas do mundo do crime a beber álcool importado.
Isso quer dizer que sabes.
Aquelas armas apontadas a mim despertaram a minha curiosidade.
Fiz uma pequena pesquisa sobre a empresa de seguros de vida,
é uma fachada para o gangue de negros.
Negros a vender droga a negros, a vender proteção a lojistas negros,
a sacarem os cheques de apoio social com negócios de empréstimos dúbios.
E tu preferes que os brancos fiquem com tudo.
Se alguém põe a mão no teu bolso, não importa de que cor são os dedos.
Talvez tenha sido um engano convidar-te aqui.
Porque me convidaste?
Para saber se queres trabalhar para o Sr. Corley.
A fazer o quê?
Precisamos de um contabilista com experiência.
E o que já têm?
Fazia parte do gangue anterior e o Sr. Corley nunca confiou nele.
É tudo feito com computadores,
consegues usar um Brucker 870?
Como Bruckers ao almoço.
A tua conta no dentista deve ser de loucos.
Pagam bem, Cliff.
Arranja uma casa bonita, decora-a como deve ser.
Quem sabe,
talvez apareça uma senhora que a queira partilhar contigo.
Quem diz que o crime não compensa.
Claro que compensa,
como achas que estou aqui?
Assim que souberes o total, vai ao meu escritório.
- Deve ser igual ao que temos aqui. - Certo.
- Bom dia, Sr. Corley. - Bill, apresento-te o Cliff Morgan.
- Sr. Morgan. - Bill.
O Sr. Morgan será o teu assistente.
Não estou com excesso de trabalho.
Estará em breve a este ritmo.
O registo diz 112 mil dólares,
mas temos 122 mil dólares em dinheiro aqui,
estão 10 mil dólares a mais e quero saber porquê.
Não acredito que haja um excedente, Sr.Corley.
O Sr. Morgan deve ter-se enganado a fazer as contas.
Então eu também me enganei, porque também fiz as contas.
Não consigo entender.
Não vou tentar perceber,
espero que os 10 mil dólares sejam depositados no banco
e não no seu bolso.
Está a acusar-me de tentar....
Tu és uma incógnita.
És bonita, tens classe e deves ter dinheiro na conta.
Deveria ter de lutar com um gangue só para te poder cumprimentar.
Preferias ter concorrência?
Não prefiro, só me pergunto o porquê de não existir.
É muito simples,
não sou de romances pirosos.
Antes era.
Sabes o que gosto em ti, Cliff?
Não estás sempre no engate.
Já é a quarta vez que nos vemos
e ainda não mencionaste a minha inteligência e alma sensível.
Estava a pensar noutras coisas.
Estive a falar com o Sr. Corley sobre ti.
Ele está pronto para despachar o Goslin quando quiseres.
Não quero falar de trabalho.
Do que queres falar?
Não quero falar.
É melhor atender.
Estou sim?
Milly,
estás com o tal Cliff?
Não tens nada a ver com isso.
Tenho uma mensagem para ele,
do Corley, passa-lhe o telefone.
Diz que é uma mensagem do Sr. Corley.
O que se passa?
A mensagem é esta, mas é minha, não do Corley.
Afasta-te da Milly ou mato-te.
Estás envolvida com o Hamp?
Não, nunca.
Tem cuidado, Cliff,
para ele é fácil matar pessoas.
A minha aliança serve?
Excelente.
Principalmente se foi a falecida a escolhê-lo.
Foi ela que mo ofereceu, quando fizemos um ano de casados.
Agora, Thelma,
segure-o firmemente,
agarre a minha mão
e a mão da Thelma.
Tem de relaxar completamente, Thelma.
Esvazie a sua mente,
pense apenas na palavra "Claire",
repita-a em silêncio
várias vezes.
Está uma jovem e bela senhora sentada ao meu lado,
Sr. Goslin,
pode ser a sua mulher,
não consigo ler os seus pensamentos.
Parece muito agitada, como se...
Tippy.
Tippy,
consegues ouvir-me?
Responde-me!
- Por favor, Tippy! - Claire!
- Querido. - Estou a ouvir.
- Ouve-me. - Sim.
- A tua voz soa... - Querido,
escuta-me.
Perigo!
Terrível...
Claire.
Não consigo ouvir-te.
Há quem...
... queira...
... matar-te!
Que pessoas são essas? Porquê?
Ele arranjou alguém para fazer o teu trabalho.
Um homem negro.
Sim.
Direi ao Corley hoje que quero sair.
Não, não, não podes.
Claire, Claire, estás aí?
Não pode deixar-te sair,
sabes demasiado.
O que posso fazer?
Não posso ir à polícia
e não posso passar o resto da vida a fugir do Corley.
Leva coisas.
Que coisas?
Fala mais alto, não te oiço.
Informações que possam prejudicá-los.
Leva-as e esconde-as!
Assim ele terá medo de ti.
Ele...
Claire.
Podes voltar?
Sinto-me sozinho.
Tenho tantas saudades tuas.
Não sei,
eu não sei.
Vou tentar, vou tentar.
Jim?
Ele está a caminho.
Certo, Paris.
Entre, Sr. Goslin.
Porque me trouxe a este sítio?
Exijo falar com o seu superior e saber do que me acusam.
Não estamos na esquadra
porque não queríamos assustar os seus amigos.
Tem muita sorte, Sr. Goslin,
pode fazer-nos um favor e nós a si.
Este código foi o senhor que o criou, não foi?
Claro, e então?
Não tenho tempo para o decifrar, preciso de informação e depressa!
- Esqueça. - O meu chefe quer condenações,
uma contra o Pod Hamp por ter matado o Collier,
uma contra o Corley, que o ordenou,
e uma contra o capitão Abbot por conspiração, isto vai ajudar-me.
Não, senhor, está a cometer um grande erro,
são só registos financeiros.
Tudo o que sei é quanto dinheiro entra,
de onde vem e para onde vai.
- No que toca a homicídios, não sei.... - Poupe-me.
Não pode estar no meio deles todos os dias e não saber.
Se cooperar connosco pode sair da prisão em dois anos,
talvez só um ano ou até pena suspensa,
mas se não o fizer está tramado.
Já lhe disse, não vai ajudá-lo.
Eu é que decido isso.
Sabe uma coisa, Sr. Goslin?
Há quem aguente cinco anos ou dez anos na prisão,
mas o senhor não.
Capitão Abbot.
É o Sr. Jones, lembra-se, falei consigo ontem.
Não vai ser um problema, pois não?
Temo que tenha sido um erro tentar apressar as coisas,
estou um pouco mais preparado hoje.
Eis algo retirado computador do Corley,
parece que há uma conta em Zurique, no banco Strickler-Zuricher,
com o número AE7414.
Tem depósitos mensais nos últimos dois anos...
Espere.
Aonde nos encontramos?
Há uma cabine entre a Grand e a Collins,
receberá uma chamada às 22h30.
Mais uma coisa.
Traga o atirador do Corley, Pod Hamp.
Porquê?
É às 22h30, capitão.
- Tens a arma com o tranquilizante? - Está aqui.
Nomes, moradas, quem recebeu e quanto.
Isto pode rebentar com a organização do Corley
como uma bolha de sabão, e o senhor também.
Eu não, irmão, tenho amigos de peso na esquadra.
Não o ajudariam nem com uma reles multa,
se isto for público.
A questão, capitão, é que nós não precisamos de si,
mas preferimos trabalhar consigo do que ponham cá um polícia honesto.
Aceita ou não, Abbot?
Aceito.
Certo.
Não podemos deixar o Corley solto, vai causar problemas,
livramo-nos dele.
E este novo tipo que o Corley contratou?
Temos de tratar dele também.
Trata dos dois hoje.
Eu trato do tipo novo,
mas arranjem outro homem para o Corley.
Já conheço o Corley há demasiado tempo.
Estamos a pensar em si para substituir o Corley,
queremos que o senhor gira tudo,
mas que receba uma parte, não a miséria que recebe do Corley.
Está bem.
Não pode ser esta noite.
É impossível apanhar o George a esta hora.
Não é impossível.
Esteja no escritório do Corley em uma hora,
estarão à espera.
- Estou sim? - Ouve-me com atenção.
Contacta o Corley e o Cliff Morgan
e diz-lhes para irem ao escritório rapidamente.
O que é que se passa?
Não te pago para fazeres perguntas, mas se precisas de uma razão,
diz-lhes que achas que o Goslin foi ao escritório do procurador
há uma hora e tinha uma mala.
Sim, estou a ver.
O que se passa?
Era um amigo meu da polícia.
O Goslin falou com o procurador, tenho de contar ao George.
É melhor ires ter ao escritório.
- Até logo. - Até logo.
Temos de descobrir o que levou.
Não posso fazer muito sem os códigos.
- Experimente na mesma. - Está bem.
Porque acha que o Goslin decidiu falar agora?
Não sei e também não consigo saber onde está o Hamp a esta hora.
Não estou a conseguir.
Aonde estiveste? Andámos à tua procura.
Saí.
O que está ela a fazer aqui?
Porquê, Pod?
O Abbot negociou outro acordo.
Uns brancos vão tomar o poder.
E estás do lado deles?
Tenho de escolher o dinheiro,
foste tu que me disseste isso há muito tempo.
- Virem-se. - Pod!
Sai daqui!
O Abbot disse, para não matares o Cliff.
- Porquê ele? - Não disse.
- Podes ir, Cliff. - Ele fica!
Estás a mentir para salvar o teu namorado.
Certo, vou tratar deles os dois,
e se não saíres daqui acontece-te o mesmo.
Sai daqui, Milly.
Não saio sem ti.
Pod, não faças isso.
Está bem, está bem,
se é isso que tu queres, vai para ali ter com eles.
- Virem-se. - Deixa-a ir, Pod.
Já teve a sua hipótese.
- Deixa-a ir. - Virem-se.
Virem-se!
Saia daqui já e esconda-se até que possamos tirá-lo do país.
Depressa!
Não consigo deixar de pensar nisto.
Depois de todos estes anos e de tudo o que fiz por ti,
estiveste ao serviço do Abbot,
e agora, que sabias que ia haver um golpe,
tentas salvar a vida dele em vez da minha.
Não se mexa, Corley, o Scanlon quer falar consigo.
- O procurador? Está a perder tempo. - Ele não se importa, pagam na mesma.
Ele não quer falar com o procurador, porque não o prendemos hoje?
É uma boa ideia.
Vai para a 39.ª Esquadra.
A 39.ª é a do Dave Abbot.
- E? - Nós não nos damos bem.
- Pode fazer-me uma cilada. - Esqueça.
Tenho direito a proteção, exijo...
Fica onde quisermos, tenha calma, não se enerve.
O Abbot matar-me-á,
enforcar-me-á com o meu cinto e dirá que foi suicídio!
O que o leva a pensar que faria isso?
Falarei com o procurador, leve-me a ele.
Abraça-me, abraça-me só.
Temos de ir andando agora, tu sabes disso.
Por causa do Abbot?
Não me importo, desde que estejamos juntos.
Podemos estar no México pela manhã
e a seguir na América do Sul, nunca nos encontrará lá.
Milly,
o Abbot não vai encontrar ninguém durante muito tempo.
O procurador está com ele agora.
Tramaste-me.
Foi tudo uma mentira?
- Tudo? - Ouve-me, Milly,
ouve-me bem.
Eu não me chamo Cliff Morgan, chamo-me Barney Collier.
Collier, esse nome não te diz nada?
- O senhor do jornal? - Isso mesmo.
Era meu irmão e mataram-no.
O Hamp, o Corley e o Abbot rebentaram com ele.
Sim, tramei-te,
tramaria a Joana d'Arc para vingar o meu irmão.
Mas o pior é que não sinto que o tenha vingado.
E agora entregas-me, certo?
Dizes "Adeus e boa sorte."
E nem vais escrever-me, é assim que vai ser?
Não, Milly, não é assim que vai ser.
Tu arriscaste-te para me salvares.
Isso vale um par de anos por bom comportamento.
Adeus, Milly.
Vai-te lixar!
JAMES E. SCANLON PROCURADOR
Então foi o Hamp que matou o Collier.
- Estão a acusar-se mutuamente. - Tem aí o seu caso.
- Tenho pois, muito obrigado. - Sr. Scanlon.
Tradução e Legendagem TIAGO ALVES DA SILVA RTP - Produção
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