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OS ACONTECIMENTOS E PERSONAGENS DESTE PROGRAMA SÃO FICTÍCIOS.
QUALQUER SEMELHANÇA COM A REALIDADE É COINCIDÊNCIA.
Qual é seu nome?
Você está bem? Qual é seu nome?
Martin.
Diga, por favor, onde está quem te colocou nos trilhos?
Diga, Martin, por favor.
Martin?
-Para onde vamos? -Cale a boca!
Não vou calar nada!
Quero que cale a boca. Ouviu?
Se falar, darei um tiro na sua cabeça.
Entendeu? Entendeu ou não?
Vá se danar, seu careca!
Deixe para lá. É um pestinha.
Ele está falando sério, ouviu?
Alô?
O que você vai fazer?
Com o quê?
Com o outro garoto.
Eu te mandei cuidar dos dois.
Vou procurá-lo.
Não quero que o procure. Quero que o encontre!
Quero que faça algo direito!
Sim, vou encontrá-lo.
Vai fazer o seguinte.
Vai até essa pensão onde ele mora e vai esperá-lo.
Se o vir, Aguirre vai cuidar disso.
Não você.
Não quero que você faça nada.
Passe para ele.
Quer falar com o Aguirre?
Não, com o garoto.
Como você é idiota!
Ele quer falar com você.
Alô?
Quando o outro garoto aparecer, cuide dos dois.
Ficou claro?
E se não aparecer?
Aí a gente vê. E se livre do Rivero também.
Já passou de imbecil para perigoso.
Droga, garoto!
Abra o porta-malas!
É aí!
Vero!
Lucio!
Lucio!
Não, Lucio, não!
Filhos da mãe!
A FRAGILIDADE DOS CORPOS
Que horas são?
São 6h, seis em ponto. Tome este calmante.
-O que é isso? -É um calmante.
Não, nada de calmante! Temos que achar os garotos.
Onde vamos procurar? Não fazemos ideia de onde.
Vamos à pensão.
A pensão? Fica muito longe.
Vamos à pensão. Ele pode ter voltado.
Se o Dientes quis voltar, ele voltou.
Tudo bem. Vamos à pensão.
Foi culpa minha.
Pare com isso. Não é culpa sua.
Se eu não tivesse escutado os garotos.
-Não é culpa sua. -É, sim.
-Mataram o Lucio, entende? -Não é culpa sua.
É culpa desses filhos da mãe que fazem o que querem.
Era impossível prever isso.
Como íamos saber que o Lucio ia conduzir aquele trem?
Pode ser. Mas ele conduziu.
Ele conduziu aquele trem.
Alô?
Parece que o pirralho se acalmou.
Sim.
Ele não vai voltar. Onde será que se meteu?
Não sei por que nos preocupamos tanto com esse garoto.
Para quem ele vai contar?
Quem vai dar bola para ele? Nem a mãe dele se importa.
O que ele te disse? O que faremos depois?
Nada.
Aqui não pode ser. É impossível.
Temos que ir ao interior.
Se não dá para ser com trens, podem ser brigas.
Com os garotos. O que você acha?
-O que ele te disse? -Quem?
Quando te passei o telefone, ele falou de mim. O que foi?
Ele não disse nada. E chega. Preciso que cale a boca.
Se eu não falar, vou cochilar.
Então durma! Mas pare de me incomodar.
A pensão é virando ali. Estacione na esquina.
Vou ver se o Dientes chegou.
Se não estiver, eu te ligo.
O que aconteceu?
O carro cinza. Estão esperando o Dientes.
O que faremos agora?
Oi, Dientes.
Oi, é o Peque.
Dientes me ligou. Disse onde ele está.
Ele está com medo. Quer que você vá buscá-lo.
Ele viu como mataram um cara.
Espere. Não entendi nada. Quando ele te ligou?
Agora.
Onde você está?
Em casa.
Está com a sua mãe?
Sim, mas ela vai trabalhar.
Quantas saídas a pensão tem?
Uma, a da entrada.
Não pode sair por outro lugar, pelo terraço, uma janela?
Sim, pelo terraço. Por quê?
-Há quanto tempo! -Há quanto tempo.
-Como vai? -Preocupado.
-Quer beber algo? -Não.
Vamos direto ao ponto.
Preciso que esqueça da minha filha.
É um pouco tarde para esquecê-la.
Além disso, ela parece não se esquecer de mim.
Você me deve. E você sabe disso.
Sim, justamente por isso não toquei nela até agora.
Mas ela não me dá muita opção.
Se não a tocou, não foi por mim.
Acredite no que quiser.
Já precisei de você antes, posso precisar de novo.
E me comporto bem com quem cumpre a palavra.
Veronica é jornalista e está fazendo o trabalho dela.
Se quiser que ela termine, tem que oferecer alguma coisa.
Já ofereci alguma coisa. E ela desprezou.
O que você ofereceu?
Certo, vou falar com ela.
Eu não tenho que aparecer, entendeu? Em lugar nenhum.
Tudo bem.
Vai convencê-la?
Vou tentar.
-Quem é essa? -A mãe do Peque.
Esse infeliz inventou uma desculpa esfarrapada.
Ali.
-Como você está? -Bem.
-Sim? -Sim.
Eu estava lá e vi o careca dando um tiro nele.
Ele caiu e morreu.
Eu saí correndo, não sabia o que fazer.
Me perdoe. Me perdoe, por tudo.
Vamos.
-Para onde vamos, Fede? -Para minha casa.
Por que não vamos a um hotel?
Não podemos ir a um hotel.
Não temos os documentos deles, são menores de idade.
-O que você vai fazer? -Me deixe perto de algum táxi.
Leve os meninos e eu já vou, em uma hora.
O que vai fazer, aonde vai?
Daqui a uma hora estarei na sua casa.
Coloquem os cintos, meninos.
Cinco minutos.
Desculpe. Me avisaram que a esposa chegou.
-Mariana Valrossa? -Sim.
Agora vamos a uma sala para o reconhecimento do corpo.
Quando você estiver pronta.
Por aqui.
Vero?
Vero?
-Que horas são? -São 16h.
-Passou na TV? -Sim, comentaram algo.
Mas não deram detalhes.
"Fatos confusos na morte de um maquinista."
Imagine as especulações.
Ninguém disse nada das competições?
Não, nem os maquinistas colegas do Lucio.
-Foram entrevistados? -Sim, alguns.
Só disseram que o viram mal. Só isso.
-E os meninos? -Venha.
-Falei com seu pai, Vero. -Sim?
-Sim, há meia hora. -O que houve?
-Ele quer falar com você. -Por quê?
-Porque ele sabe. -Sabe o quê?
Sabe de tudo.
-O que é tudo? -Tudo.
-Laura me disse que estava aqui. -Estava te esperando.
Não tinha parado?
É o primeiro que eu fumo desde que a sua mãe morreu.
-Temos que resolver isso, Vero. -Claro que sim.
Colocando todos esses desgraçados na cadeia.
-Isso é impossível, você sabe. -Por que é impossível?
Sabe o que é isso?
O caso de lavagem de dinheiro em que o Garcia, graças a você,
saiu impune.
Me contratam para isso. Para defender as pessoas.
Você defende criminosos.
Defendo pessoas. Esse é meu trabalho.
E não faço mal feito.
E eu sou jornalista.
Informar é meu trabalho.
E também não quero fazer mal feito.
Informar sem provas, filha, é informar mal.
Estou providenciando as provas.
Se não escreveu nada até agora,
é porque não tem nada. Eu te conheço.
Sei que precisa de algum tipo de prova.
Mesmo que seja para a editora se arriscar.
Para que me chamou?
Falei com o Garcia.
Ele disse que te ofereceu um acordo. É verdade?
Quando você falou com o Garcia?
Isso importa?
Quando eles falam de acordos, falam de pessoas, de gente.
Você vai ter sua matéria.
-Isso não é suficiente, pai. -Vai ter que ser.
Ele também me disse que, se você aceitar o acordo,
a competição vai acabar.
São caras perigosos.
Se não te aconteceu nada até agora,
é porque você é útil para ele.
Ele achou em você um jeito de sair limpo disso.
Fique feliz.
É uma forma de acabar com as mortes dos meninos,
e com essa porcaria de jogo.
Pense nisso.
Vai se danar!
Veronica?
O que aconteceu?
-Solte, falou com seu pai? -Vou me encontrar com o Garcia.
O que seu pai disse?
-Ele quer que aceite o acordo. -E?
Quem é Deus? Vero, quem é Deus?
Alô? Quero me encontrar com você.
Sim. Onde?
Em 30 minutos estarei aí.
Me diga o que fez.
Estou falando com você. O que fez?
Me dê o celular.
Vou te revistar, calma.
Vamos, entre.
-Não, só ela. -Como só ela?
Calma, ela vai entrar sozinha.
Falou com o seu pai?
Ele me disse para aceitar o acordo.
Ele sempre foi um homem inteligente.
-E as competições? -Vão acabar.
Quando algo se complica tanto, não serve.
Tem que ir por outro lado.
Outro lado? O que seria?
Sem crianças no meio. É o suficiente?
Também quero o cara do carro cinza.
Não gosto que me exijam coisas.
Você decide.
Se quiser fechar o acordo, quero esse cara,
além de Palma e Rivero.
Certo.
Também quero...
o outro menino que estava competindo.
Martin. Onde ele está?
Se fizeram algo com ele, não tem acordo.
O garoto está bem. Mas não sei se vai querer.
Se vai querer o quê?
Voltar àquela droga de vida que ele tinha.
Mas vou perguntar.
E agora?
Vire-se e volte por onde veio.
Garota! Está esquecendo isso.
-Vamos! -Pare! Vou sentar direito.
Está pronto? Vamos, é um papelão.
Certo, vamos.
Você é um covarde.
-Oi, meninos. -Oi.
-Posso usar seu computador? -Sim, pode.
Tem um tablet lá em cima. Podemos usar?
Podem comer lá em cima. Vamos.
Peguem o papelão.
Imprimi umas capturas de tela.
Aqui está Rivero com Aguirre.
Na outra, o Palma está assinando uns cheques.
E aqui está o Amante.
Quantos anos essas meninas têm? Quinze, dezesseis anos?
No máximo. Com certeza são menores de idade.
Mas tem mais. Esse, por exemplo.
-Quem é? -É um promotor.
-Um promotor? -Sim, é um promotor. Juro.
Não sei bem como se chama.
Mas trabalha na promotoria da cidade, em investigações.
Mais uma razão para encontrarmos as placas
para acharmos os apostadores.
Deve haver mil caras como esse promotor.
Sim, mas não se vê muito bem.
Talvez um técnico especializado possa fazer alguma coisa. Não?
O que foi?
Não consigo parar de pensar no canalha do Garcia
que vai sair impune.
E eu o ajudei.
Vivo me queixando do meu pai, e, no fim, fiz a mesma coisa.
Não é a mesma coisa.
Não acredito. Você denunciou todo mundo.
Tem provas de tudo isso?
Sim, óbvio. Estão com o Fede.
Ele ia entregar a um promotor conhecido
horas antes da matéria ser publicada.
Não muito antes para não atrapalhar, nem muito depois.
Quando esses caras virem isso, vão fugir correndo.
Quero ver o jornal na TV, deve ter algo sobre isso.
Não quero ver isso. Vamos ver um filme.
Um filme?
-Outra vez esse filme? -Outra vez.
É necessário?
Bom, como você quiser.
TEMOS QUE CONVERSAR. FEDERICO.
Impressionante, Vero. Parabéns, muito bem.
Vilna está animadíssimo.
Quer saber se você tem uma ideia para outra matéria.
Ele pensa que é fácil.
Tenho que ir, Pato.
Oi, Vero. Entre, por favor.
-Como vai? -Tudo bem. O que houve, Fede?
Algumas boas notícias. Cumpriram mandados de busca.
Me dê.
Amante e Palma já estão presos.
Sim, eu soube.
Mas falta o Rivero e o Aguirre, o canalha que matou o Lucio.
-Porque tem uma coisa. -Que coisa?
Temos o vídeo, o Rafael já depôs.
Não é isso. Escute, por favor.
Rivero morava no clube. Tinha um quarto lá.
Durante a busca, acharam o Aguirre lá, morto.
O quê?
Essas são as fotos. Aparentemente, houve uma briga.
A teoria é que o Aguirre quis matar o Rivero.
Rivero se antecipou.
E como o matou?
Deu uma pancada na cabeça dele e depois, dois tiros.
-Onde está o Rivero agora? -Ninguém sabe.
É um fugitivo. Está armado.
Mas ninguém imagina onde ele pode estar.
-E se voltou para La Pampa? -É uma possibilidade.
Tem um mandado de prisão.
Vamos ficar tranquilos, vão achá-lo.
Tranquilos? Têm que achá-lo!
Palma e Amante são os que menos me importam.
Rivero, depois do Garcia, é o mais filho da mãe.
Eu sei.
É quem entregava os meninos, entende?
Sim, entendo.
E as placas dos carros?
Quero saber quem apostava com a vida dos meninos.
O juiz está cuidando disso. Eu não sei...
Não sabe o quê?
Sabe o que quero dizer. Este caso é uma caixa de Pandora.
Você procura em um lugar, e abre outro.
Que abram a caixa de Pandora!
O promotor que aparecia apostando no vídeo?
-Não aparece apostando. -Está no vídeo, Fede.
Mas ele não aparece apostando no local.
Ele alegou ao juiz que havia sido enganado.
Que não fazia ideia do que estava fazendo.
-Está brincando? -Não estou.
Se foi isso, por que ele não denunciou?
O juiz perguntou isso. Sabe o que ele respondeu?
Que ele ia fazer isso.
-Não acredito. -Nem eu.
Se o juiz não fizer nada, eu farei.
Vou pegar todos esses filhos da mãe.
Tenho uma cópia do vídeo. Vou chamar um hacker.
Digo que pago mil dólares por cada placa que ele achar.
Mil não, 2 mil, 3 mil, 10 mil. O que for.
Vendo o apartamento.
Mas vou pegar esses canalhas. E o Garcia também.
Vero, calma. Não seja ingênua.
Como vai fazer isso?
Se pegarmos os apostadores, talvez o delatem.
Eles nem o conhecem. Esqueça isso, Veronica.
Pode parar de me pedir para esquecer?
Não posso esquecer. Não posso.
Garota maldita! Abra a porta!
Obrigado. Já vou.
-Você está bem? -Sim.
Vou à delegacia para verificar que façam bem os procedimentos.
Ou quer que eu fique?
Não, vá, Fede.
-Tem certeza? -Sim.
Certo.
Se cuide.
Muito bem.
Na semana que vem, já pode começar a fisioterapia.
Se der tudo certo, em um mês vai andar de novo.
Certo. E essas algemas?
-Não faço ideia. Com licença. -Como não faz ideia?
Você!
Droga!
Bom, tome.
Aqui está.
Quais são as novidades?
Tem muita gente nervosa.
Estão com medo que os chamem para depor.
Mande os rapazes acalmá-los.
O que faremos com o "Três"?
Vão mandá-lo para Sierra Chica ou Olmos.
Ele tem família?
Sim, a mãe e duas tias.
Garanta que não lhes falte nada.
-E o garoto? -Promete.
Leve ele também. Assim vai se acostumando.
Certo.
Devagar!
-Oi. -Oi.
-O Peque pode vir também? -Claro.
-Vamos. -Passe a bola.
-Oi. -Tchau.
Andrea, essa é a Veronica. Veronica, essa é a Andrea.
-Muito prazer. -Espero você lá dentro.
-Como você está? -Melhor.
E a perna?
Incomoda um pouco, mas não dói mais.
-Estão morando juntos? -Mais ou menos.
Ela disse que posso ficar até minha perna se recuperar.
Não me expulsou até agora. Então eu aproveito.
Vi o que aconteceu com o Rivero.
Você é corajosa. Quem me dera ser como você.
Por que diz isso?
Tenho que ir. Se cuide.
Você também. Tchau.
O que foi?
-Ponham o cinto, garotos. -Já coloquei.
Ótimo.
Vou sentir sua falta.
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