All language subtitles for La.mente.del.poder.S01E02

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Original subtitles

ESTA � UMA OBRA DE FIC��O.

QUALQUER SEMELHAN�A COM A REALIDADE � MERA COINCID�NCIA.

� dif�cil falar sobre seu pai?

Eu n�o sei se � dif�cil

ou se tenho medo de falar e acabar dando raz�o para ele.

Raz�o sobre o qu�?

Sobre eu n�o ter capacidade suficiente para alcan�ar meus objetivos.

Sobre eu ser um in�til.

Ele te falava isso? Que voc� era um in�til?

Isso nos dias bons.

Olha, essa � a voz do seu pai, Victor. N�o � a sua.

Em uma casa onde h� viol�ncia, a rea��o mais natural � o medo.

E se esconder embaixo de uma mesa � um ato de sobreviv�ncia.

Isso � o que voc� �, Victor.

Um sobrevivente.

Quando crescemos ouvindo que somos isso ou aquilo,

depois passamos a vida inteira tentando demonstrar o contr�rio.

S�o comportamentos compensat�rios.

E me candidatar � presid�ncia � um comportamento compensat�rio?

Depende.

Depende de quais s�o as suas motiva��es.

Se est� fazendo isso por voc�

ou se est� fazendo para demonstrar algo aos outros.

N�o, � por mim.

Ent�o, se te apaixona, se voc� gosta,

se voc� acha que pode ser bom nisso,

seja na presid�ncia ou tocando piano, vai em frente.

Obrigado.

A sua esposa est� bem?

O tratamento est� sendo invasivo.

Est� sendo dif�cil.

Mas bom, era o esperado.

Se eu puder fazer algo

por voc� ou por ela, pode contar comigo de verdade.

Obrigado.

A MENTE DO PODER

Como anda dormindo, Victor?

Voc� quer que eu conte meus sonhos?

Bom, dormir bem � importante, por isso a pergunta,

mas podemos falar sobre o que voc� quiser.

Desculpa se sou um pouco reticente.

Foram muitos anos com o outro profissional.

Com o Marcos.

Podemos falar sobre ele se voc� quiser.

N�o � nada pessoal.

Com certeza voc� � uma excelente profissional, n�o tenho d�vidas.

Mas � dif�cil para mim ter confian�a.

Se a confian�a estivesse na sua ess�ncia, voc� n�o seria presidente.

A decis�o do Marcos te deixa bravo?

Sim.

Ele me abandonou.

Eu me sinto at� tra�do, admito.

Victor, n�o vim substituir o Marcos.

Vim para enfrentarmos os desafios de uma nova etapa dentro desse processo.

Eu estou dormindo muito mal.

Essa � a verdade.

Estou cansada das suas mentiras.

Que voc� me machuque e continue falhando comigo.

Olha, por enquanto, prefiro n�o te ver.

Estou cansada das suas mentiras.

Que voc� me machuque e continue falhando comigo.

Olha, por enquanto, prefiro n�o te ver.

Oi, filha.

Eu preciso falar com voc�.

Eu prometo que vou tentar...

N�o prometa o que n�o pode cumprir.

T�nhamos combinado que s� nos ver�amos no consult�rio.

Sou uma executiva, Marcos.

Quando n�o vejo resultados, n�o hesito em reformular os acordos.

Faz pouco tempo que estou atr�s do Victor.

Cada manh� eu vejo a agenda oficial, o que ele faz, aonde vai.

N�o tenho tempo para desculpas.

Para quem voc� trabalha?

Quero o presidente no seu consult�rio o mais r�pido poss�vel.

A Sofia vai te agradecer.

Temos que nos associar

aos que t�m o conhecimento e a experi�ncia.

� a �nica forma para o pa�s crescer de maneira sustent�vel.

Vou apresentar ao Congresso um projeto de lei

para colocar as empresas Lithcorp dos Estados Unidos

e Wuhan Lithium da China como s�cios estrat�gicos

para nos ajudarem a extrair o l�tio da melhor forma,

de uma forma eficiente e menos prejudicial ao meio ambiente.

N�o � uma m� venda nem dar nada de presente.

O l�tio � nosso.

E vamos ser n�s, nossos filhos e netos,

os verdadeiros benefici�rios desta riqueza.

Muito obrigado.

As rea��es s�o boas, s�o muito boas.

Os grandes jornais elogiaram o discurso.

Sempre temos jornalistas amigos, n�o �?

Mas os jornais de not�cias menores tamb�m aprovam.

Nem preciso dizer que os ativistas est�o bombardeando as redes,

principalmente os da TGA.

Renata S�enz diz:

"A primeira-dama usa sua caneta para ado�ar

um presidente que continua sendo um vendido."

Que mulher mais complicada.

Bom, a oposi��o est� a� para se opor.

Isso n�o precisa gerar nenhum tipo de desequil�brio emocional.

Voc� disse por mim?

Ana, por favor.

Temos que seguir com os outros assuntos.

Muito obrigado por tudo.

Outros assuntos, entendo. Obrigada pelo reconhecimento.

Mas a S�enz vai continuar.

Eu sei o que estou dizendo.

Obrigado, Ana.

Bom, se estiverem de acordo, continuamos com os assuntos de hoje.

Quem � voc�, Lauren?

Al�?

Luciano?

Eu preciso falar com o Victor.

N�o vai dar, nesse momento ele est� ocupad�ssimo.

Mas esse n�o � o telefone pessoal dele?

Fale comigo e eu passo o recado.

� um assunto pessoal.

Estou tentando falar com ele faz dias.

Entendo, mas nesse momento � imposs�vel.

Voc� pode pedir para ele me ligar? � importante.

Mas � claro, eu aviso.

At� mais.

Quem era?

Era do Canal 15. Eles queriam fazer uma entrevista.

Eu dificultei para eles.

- Que esperem esses opositores. - Eu concordo.

Bom, senhores, voc�s j� sabem que n�s vamos defender

com todas as for�as a fam�lia dos povos origin�rios

que foram despejados de uma forma muito violenta.

E voc�s sabem perfeitamente porque houve duas mortes.

Tamb�m quero dizer que uma empresa farmac�utica

estava envolvida nisso e, por acaso,

Victor Noriega tinha a��es nessa empresa.

Naquela �poca, naquela �poca. Eu s� acho que, desculpa...

Eu j� preparei um comunicado para voc� responder.

Um comunicado?

Um processo por cal�nia.

Hip�crita.

Ela sabe muito bem que foi um acidente.

Se ela insistir, vamos � justi�a.

Mas por enquanto, eu acho que uma resposta curta nas redes sociais

minimizando o que ela disse, seria suficiente.

Terminaram? O carro est� esperando.

� para o seu pai, pelo anivers�rio.

� a �ltima, amanh� eu atendo cedo, sim?

Bom, n�s temos que brindar pelo seu novo paciente.

Por um mandato longo e pr�spero.

- Eu n�o votei nele. - Eu tamb�m n�o.

Imagina, conhe�o ele melhor que voc�.

Achei que ia encaminh�-lo para o Beltr�n.

Eu tenho que te agradecer, de verdade.

� um paciente...

Desafiador.

N�o tive d�vidas que voc� era a pessoa indicada.

Est� curioso para saber como foi a primeira sess�o?

Sim, � claro que estou curioso, mas consigo imaginar o que ele fez.

Ele te subestimou por ser mulher.

Eu n�o tinha pensado nisso.

Ent�o temos um presidente machista?

Voc� n�o vai me falar nada? Eu vou ter que come�ar do zero?

� um paciente especial.

Eu n�o quero te influenciar.

Voc� n�o vai me influenciar, Dorrego.

N�o � a primeira vez que me encaminham um paciente.

Tenho interesse em sua perspectiva, s� isso.

Bom, vou te contar minha experi�ncia.

Por favor.

O Victor � um desses pacientes

ariscos, grosseiros.

O que deu resultado para mim foi tomar a iniciativa.

Inclusive um pouco mais do que o normal.

Quase beirando intrusivo.

Olha, eu tinha imaginado o contr�rio.

Bom, fui amolecendo ele ao longo dos anos.

- Mais alguma coisa? - O pai dele.

O pai dele � um homem de perfil antissocial.

O qu�? B�bado? Violento?

Mas n�o deixa de ser o pai.

E nos �ltimos tempos eles t�m se aproximado.

Como se estivessem tentando consertar as coisas.

Mas o Victor n�o quer saber disso.

Era um pai muito exigente?

Muito mais que exigente.

Ainda � dif�cil me concentrar e dormir.

E �s vezes eu n�o tenho apetite.

Mas isso � de se esperar no processo de abstin�ncia.

Depois de 90 dias, come�a a reestrutura��o neural.

�s vezes eu sinto que estou louco.

Achei que t�nhamos banido essa palavra.

� rid�culo que me tirem uma tela e eu tenha abstin�ncia.

A quest�o �, o que fazia com essa tela, Pedro?

Voc� especulava com criptomoedas.

Drenava dinheiro de contas banc�rias de empresas.

Tinha uma namorada virtual.

Esqueci de algo?

Os esportes eletr�nicos.

Sexo. Jogo.

Competi��o.

Adrenalina.

Seu c�rebro n�o diferencia entre isso e a droga.

Marcos, n�s ainda temos cinco sess�es.

� s�rio que voc� vai me dar alta?

Eu vou buscar a planilha.

E o servi�o comunit�rio, voc� cumpriu?

Sim.

N�o!

- O que foi? - N�o, n�o...

Deve ter sido voc�.

N�o, n�o fui eu.

Devia ter alguma coisa pesada em cima.

Eu sei o quanto voc� amava esse vaso.

N�o � um vaso, meu amor. Eu ainda amo, mas olha como ficou.

O papai pode colar e consertar.

Mas quer saber, Sofi?

Mesmo colado, continua quebrado.

Essa deve ser a culpada.

- � uma �gua grande, pesada. - Sim.

E pelo visto, voc� embalou como devia, n�o �?

Cad� a espuma que te dei para colocar a� embaixo?

� o cavalo da princesa.

E voc� seria a princesa?

� claro.

Ent�o, se voc� � a princesa, eu sou a rainha.

E como toda rainha, n�o levanto caixas.

O que acha?

Deixa eu ver.

Ent�o, se voc� � a princesa, eu sou a rainha.

Eu te acompanho.

Vamos, Ana.

Voc� me desmerece na frente de todos.

E n�o quer que eu fale nada.

Eu acho estranho que voc� n�o entenda.

Neste momento, eu n�o sou s� seu marido.

Tenho um monte de quest�es de Estado para resolver.

E voc� n�o d� conta de tudo.

Para que eu sirvo?

Eu n�o posso quebrar os protocolos.

Eu n�o sou s� sua esposa.

N�o esque�a que deixei minha carreira para te acompanhar

e n�o para ficar com fun��es decorativas.

Eu fui a primeira que acreditou em voc�.

E que acompanhou o seu sonho. Fiz ele ser meu.

E trabalhei ao seu lado para chegar at� aqui.

Se n�o fosse por mim, ainda estaria vendendo protetores g�stricos.

Que golpe baixo.

Voc� me conheceu assim e se apaixonou por mim.

T�nhamos um acordo.

�ramos uma equipe.

Ainda somos.

Confie em mim.

� dif�cil quando a palavra de qualquer assessor pesa mais que a minha.

S� um minuto.

O que ele quer?

Que surpresa. E a essas horas?

� que em outras horas voc� n�o me atende.

O Luciano te passou o meu recado?

Aconteceu algo? Estamos jantando.

N�o, nada urgente.

Eu s� queria saber como est�o as coisas com a Rafaela.

Apesar dos meus preconceitos?

Melhor que o esperado.

Estamos indo muito bem.

Bom, fico mais tranquilo ent�o.

Por acaso voc� n�o estava?

�s vezes pode acontecer um choque de estilos,

mas a Rafaela � de primeira linha.

Obrigado por se preocupar.

N�o vou mais te atrapalhar, Victor. Qualquer coisa, me liga.

J� ficou frio.

Quem est� ganhando?

Eu.

Como sempre.

FORNECEREMOS AO MUNDO.

PRESIDENTE NORIEGA ABRA�A A REFORMA NA LEI DO L�TIO.

Oi.

Seu pedido.

Oi.

- A Sofia est�? Eu sou... - Marcos.

- E voc� �? - Manuela, a namorada.

Perd�o, eu vim me desculpar pelo outro dia.

Eu posso entrar?

Sim.

E da� eles te levam direto para a Cooperativa T�xtil.

Espera, n�o entendi.

Mulheres tecendo?

Representantes de povos origin�rios que criaram a Cooperativa T�xtil.

S�o t�cnicas artesanais milenares para desenvolver produtos de exporta��o.

E o governador?

N�o est� na agenda.

N�o, n�o, mas n�o se preocupe.

Se ele tiver tempo, ele aparece em alguma das atividades.

Ontem, o Marcos ligou para o Victor e voc� atendeu, pode ser?

O Marcos?

- Bom dia. - Vou checar, mas � estranho.

A agenda da viagem ao Chile.

- Obrigada. - Est� tudo a�.

Qualquer coisa, podem me avisar.

Tudo bem, Ro, obrigado.

- Licen�a. - Pode ir.

Teve gente que subiu de posi��o, pelo que estou vendo.

N�o sei, para mim, todos os "Minions" s�o iguais.

Mas se ela est� aqui, � porque o Victor a aprovou pessoalmente.

Bom, �s 14h30.

Reuni�o com o Coral Infantil Estadual.

Voc� n�o sabe o que essas crian�as fazem.

� emocionante, d� uma olhada.

Agora vamos apresentar um comunicado

para pressionar o Congresso e ver o que acontece.

- N�o � f�cil. - N�o, eu imagino.

Mas h� v�rias organiza��es pelo pa�s

que est�o na mesma situa��o e resistindo, ent�o...

Filha...

Por que ele est� aqui?

N�o fica brava com ela, fui eu.

Sim, eu n�o tenho nenhuma d�vida.

N�o quero te ver, pode entender?

Sofia, voc� pode me escutar?

- Sofi. - Manu, n�o se mete nisso.

Eu queria me desculpar pelo outro dia.

- Surgiu um imprevisto. - Claro.

Claro, parece que ultimamente a sua vida s� tem tido imprevistos.

Estou tentando colocar as coisas em ordem.

Encontrar espa�os.

Por sorte, eu n�o atendo mais ele.

O Victor Noriega, fala o nome dele, pode falar.

- Manuela sabe que voc� atende ele. - N�o atendo mais, encaminhei ele.

Anos com esse cara metido no meio, e para qu�?

No final, foi pra nada.

Sofia, escuta uma coisa.

Voc� n�o percebeu nada de estranho esses dias?

Chega.

Vai embora.

- Eu s� estou tentando consertar... - Sabe qual o problema?

O que quebra, mesmo colado, continua quebrado.

Vai embora.

Desculpa.

Tchau.

Eu estou tentando, Lauren.

Uma visita familiar n�o � fazer o que voc� tem que fazer.

J� avancei com a Rafaela, preciso de tempo.

O tempo pressa, Marcos.

N�o posso fazer mais nada, por enquanto,

j� fiz tudo o que podia.

Eu sou psic�logo, n�o um agente da intelig�ncia.

Voc�, meu caro... Vamos l�!

Um profissional t�o prestigiado envolvido com o mundo das ideias.

Marcos, n�o me decepcione.

Voc� lembra do caos do diret�rio, tudo que eu te contei aquele dia?

Bom, agora tudo faz sentido.

No fim, o Garcia est� comprometido.

Porque o genro dele, um jogador compulsivo,

perdeu um apartamento no cassino.

O Garcia precisa vender a��es, ele precisa de liquidez.

E o Palacios se op�e, porque ele sempre quer ferrar o Garcia.

Marcos, voc� est� me ouvindo?

O Garcia � a favor da venda,

porque o genro perdeu um apartamento,

e o Pal�cio se op�e, porque o Garcia � a favor.

Bem, � isso.

O que chama a minha aten��o � que eu te vejo bastante euf�rica.

Como se se alimentasse do caos.

Me pagam para isso, Marcos.

E sim, estou euf�rica porque sei o que eles querem.

Os homens poderosos s�o muito f�ceis de serem manipulados.

Como s�o os homens poderosos?

Como crian�as, eles sempre querem o que o outro tem.

Eu lido com esses tit�s da ind�stria como lido com os meus filhos.

Se quero que o Ben�cio estude franc�s,

eu viajo para Paris com o Salvador.

Se quero que o Salvador fa�a equita��o,

o Potro vai para o Ben�cio.

Senhor.

Obrigado.

- Boa noite. - Oi.

- Tudo bem? - Um prazer.

Obrigada.

Boa noite. Sua mesa � por aqui.

E os espanh�is traziam as B�blias e livros, n�o?

- Espero que seja assim. - Eu tamb�m.

Vamos fazer o poss�vel.

Est� vendo aquela senhora ali?

Vou cumpriment�-la agora, mas quando apertar sua m�o,

preciso que voc� deixe cair um copo.

Eles continuam estando bastante desamparados e, bem, acho que...

Desculpa. Licen�a, sim?

- Deputada S�enz, boa noite. - Boa noite.

- Nos conhecemos? - N�o.

Marcos Dorrego � o meu nome.

Eu s�...

S� queria te parabenizar pelo excelente trabalho que est� fazendo.

- Muito obrigada. - � muito importante.

� uma honra que esteja protegendo nossas terras dessa forma.

O que eu quero dizer �...

Que surpresa.

Ana, tudo bem?

N�o sabia que colaborava com a causa.

� que eu estou com tempo livre.

A Renata S�enz? S�rio?

Ela � sua paciente?

Mesmo se ela fosse, sabe que eu n�o posso te contar.

Como est� o Victor com a Rafaela?

Estressado.

Bom, as circunst�ncias s�o estressantes, n�o?

Mas eu n�o vou mentir.

Voc� n�o escolheu o melhor momento para sair de cena.

O Victor sabia o que ia acontecer.

N�s t�nhamos conversado.

Ele n�o me disse nada.

Mas n�o seria a primeira vez.

Ana, n�o foi uma decis�o f�cil, viu?

Eu n�o gosto de encaminhar pacientes.

E al�m do mais, eu me sentia parte desse projeto.

Espero que d� tudo certo com a Rafaela.

Mas se n�o der certo, se n�o virem resultados,

podemos conversar.

Vamos chamar de um ato patri�tico.

O que fazem aqui?

Parem de me seguir, filhos da puta!

Filhos da puta!

Pare, pare, pare.

Eu n�o estou...

Est� acontecendo alguma coisa?

N�o.

S� tive uma semana exaustiva, como voc� sabe.

Sim, eu sei. Voc� sempre teve grandes responsabilidades, eu sei.

Eu n�o te atraio mais.

- Tem outra pessoa? - Ana, n�o � sobre n�s dois.

Mas fale, fale comigo.

� a minha cabe�a que n�o para um segundo.

Voc� falou sobre isso com a psic�loga nova?

N�o, n�o.

N�o sei se devo falar disso com ela t�o r�pido.

Eu acho que n�o.

Voc� devia voltar com o Marcos.

Estava melhor com ele.

Voc� esqueceu que ele foi embora?

Mas ele se preocupa com voc�.

- N�o parece. - N�o custa nada perguntar.

Ana, eu n�o vou implorar para ele.

Pense nisso.

Nem que seja para ele n�o mudar de lado.

Isso me d� medo.

O que foi? Por que est�o rindo?

Explique para ela.

Quando �ramos namorados, um dia fomos a uma quermesse.

E eu participei do tiro ao alvo.

E ganhei, porque eu era muito bom.

- �, mais ou menos. - E esse era o trof�u.

Ent�o fui todo apaixonado e orgulhoso.

Eu dei para ela, e sabe o que ela disse?

Isso me d� medo.

Tamb�m.

Eu sempre tive esperan�as que isso se quebre.

Mas as coisas feias s�o indestrut�veis, n�o �?

Havia outras coisas feias.

- � muito feio. - Sim, olha isso aqui.

Era uma �poca em que faziam essas coisas, sabe?

Faziam esses trabalhos com vidro.

Ver�nica, preciso que me responda.

EU ESTOU OCUPADA

Ver�nica, por favor. Preciso de ajuda.

�UDIO N�O

- Bom dia. - Bom dia.

- Desculpe o atraso. - N�o, sei que voc� � um homem ocupado.

Voc� se incomoda de fazer a sess�o aqui?

N�o, por que a pergunta?

Porque n�o vai ter o mesmo poder que voc� tem no seu consult�rio.

Bom, nem tudo � um jogo de poder.

Nesse ponto, n�o vamos concordar.

Vamos falar sobre o poder, ent�o.

O que sente um presidente ao possu�-lo?

� curioso.

Pessoalmente, sinto menos poder de quando eu era candidato.

A� sim eu tomava decis�es concretas.

E na intimidade?

Como � isso no seu casamento?

E o que a Ana tem a ver?

Bom, se tudo � uma rela��o de poder,

mudou a din�mica agora que voc� � presidente?

Estamos tendo problemas relacionados...

Tenho vergonha de falar disso com voc�.

Porque eu sou mulher?

N�o, porque faz pouco tempo.

Entendo, Victor.

Mas a terapia vai ser mais eficiente � medida que voc� n�o se autocensure.

� um assunto delicado.

Vamos falar do seu pai.

N�o, n�o quero falar dele.

Vamos falar sobre como voc� dormiu, ent�o.

Meu pai era violento.

� um assunto que trabalhei com seu colega por muito tempo.

Mas reconhe�o que tenho tido ele muito presente esses dias,

porque � anivers�rio dele.

Voc�s v�o comemorar?

Um brinde? Um jantar?

Um jantar, n�o.

Mas eu poderia passar para visit�-lo.

E o que te impede?

Eu n�o sei.

Deveria ir ver ele?

Eu n�o o conhe�o, mas imagino

que qualquer pai se sentiria orgulhoso do que voc� conquistou.

Ainda que seja dif�cil aceitar,

� uma conquista que talvez voc�s possam compartilhar.

Faz tempo que n�o te vejo, Marcos.

Preciso disso para duas semanas.

� muito.

Olha, vamos fazer uma coisa.

Quem est� te atendendo?

Um profissional, mas ele est� viajando.

Eu posso te dar isso.

Mas isso n�o � suficiente.

N�o me comprometa. Voc� quer?

Merda.

Feliz anivers�rio, pai.

- Victor, amanh� de manh� �... - Agora n�o.

E liga para a idiota da psic�loga e diga que n�o quero mais v�-la.

- E que ela n�o pise mais na resid�ncia. - O que houve?

Me deixe sozinho.

Ligue urgente para o Marcos.

Ent�o o que voc�s est�o querendo fazer?

O Polaco quer aproveitar a posi��o da fam�lia dele

e publicar um bom artigo no jornal.

Mas o Ulisses disse que acha melhor expor o vice

e vazar os contatos dele com os grupos estrangeiros.

Eu n�o sei.

De qualquer forma, a lei das zonas �midas

saiu pelos jornais, ent�o...

Sim, mas era outro momento, agora e os jornais apoiam eles.

Claro.

Ent�o eu acho um pouco melhor, mais inteligente o que o Ulisses disse.

Ainda gosta dele?

O qu�?

N�o, n�o, nada a ver.

Isso foi h� mil anos.

Est� tudo bem.

Mas sabe de uma coisa?

At� que me excito um pouco imaginando voc� com outra pessoa.

Voc� est� t�o para baixo ultimamente, meu amor.

Eu sei.

No hospital me falam a mesma coisa.

N�o entendo por que voc� continua presa nisso, Sofi.

N�o digo que fa�a festa com seu pai,

porque s� voc� sabe o que ele fez.

Mas se conviver com ele complica a conviv�ncia comigo,

com o trabalho, o cotidiano.

N�o � legal.

Por que n�o vai ver ele?

O qu�?

O que acha? Conte para mim.

Sabe o que eu acho?

Que n�s duas estamos muito melhores que aqueles dois.

E se o parabenizasse e terminassem se abra�ando?

O Victor n�o quer nenhum abra�o.

O �dio pelo seu pai � sua principal fortaleza.

Inconscientemente, ele est� buscando algo imposs�vel.

A aprova��o de um homem que perdeu a cabe�a.

Voc� � bom nisso.

Se voc� cumprir sua miss�o, vai receber uma recompensa.

N�o quero mais amea�as.

Isso acabou.

N�o, n�o... Isso est� apenas come�ando.

Recuperar Victor foi o primeiro passo.

Agora voc� tem que restabelecer a confian�a dele.

N�o vai ser f�cil derrot�-lo sem ele perceber.

Ele ofereceu votar a reestrutura��o da d�vida

em troca de n�o sei que autoriza��o para cultivar cannabis medicinal

no estado dele.

E o que voc� fez?

Lavei as minhas m�os.

Bem, se quiserem, vamos come�ar com o tema da S�enz,

enquanto o Victor n�o chega.

Comece. O que voc� prop�e?

Olha, a acusa��o que a Renata faz � grave.

Ela o responsabiliza diretamente pela morte de dois manifestantes.

Eu realmente pensei que ela fosse se retratar, mas...

Dadas as circunst�ncias, eu proponho avan�ar judicialmente.

- Ol� a todos. - Ana, como voc� est� linda.

Obrigada, Facundo.

Ana, estamos em uma reuni�o de gabinete.

Sim, eu sei.

O Victor teve um imprevisto e quer que eu apresente a estrat�gia a seguir.

Ele n�o me falou nada.

Ol� a todos. Desculpem por n�o ir.

Nada grave, mas preciso resolver um assunto pessoal.

Luciano, sei que conversamos, mas d� a palavra a Ana.

Ela tem uma ideia muito melhor.

Pode falar, Ana.

Achamos que amea�ar com a justi�a

vai ser pior para n�s, vai parecer uma provoca��o.

Dever�amos, ao contr�rio, ir at� os afetados.

Eu, por acaso, devo fazer uma viagem ao norte

para a inaugura��o de uma cooperativa t�xtil,

que o Luciano colocou na minha agenda.

Posso aproveitar essa viagem para ir at� as salinas

e conseguir falar com a popula��o.

N�o � f�cil encontrar algu�m em quem confiar.

Eu entendo.

Eu estou vendo que somos parte

de uma mesma linha de pensamento, Marcos.

E tudo o que aconteceu confirma isso.

Fico feliz em voltar a te ver.

Eu te disse que n�o ia ser f�cil se livrar de mim.

Preste aten��o, Victor.

Vamos fazer isso e vamos fazer juntos.

Mas com as minhas condi��es.

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