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QUALQUER SEMELHANÇA COM A REALIDADE É COINCIDÊNCIA.
Não tem mais erva mate, tem que se lembrar de comprar.
Viu que o Chacarita ganhou? Rafa?
-Rafa, você está bem? -Me cobre, vamos.
O que está fazendo?
-Rafa? -Me solte, maldito chinês!
-O que foi? -Ele não pode beber álcool.
-Está em recuperação. -Então não o deixe beber.
-Ele já é adulto. Não é? -Ele não é seu amigo?
-Então não deixe ele beber. -Está bem, você tem razão.
-Me dê o revólver! -O que aconteceu?
O que vai fazer? O que vai fazer com a arma?
Solta ele!
Solte.
Você está bem?
A FRAGILIDADE DOS CORPOS
Desculpe, de manhã é muito ocupado por aqui.
Sim, me diga.
-Quem é Juan Garcia? -Não sei.
O que você tem a ver
com a competição dos garotos na linha do trem?
-O que quer dizer? Não entendo. -Não entende?
Não se faça de desentendido, filho da mãe.
Você é pago para nos proteger, não para nos matar.
Esse é seu trabalho.
Vejamos. Não gosto que gritem comigo no meu local de trabalho.
Agora tenho muitas coisas para fazer. Por que não se retira?
Tudo bem?
-O que aconteceu? -Nada.
Alô?
Não entendi.
Quem?
Quem é?
Julia. Você me ligou.
Entre. Obrigado por vir.
Não sabemos para quem ligar. Siga-me, por favor.
O Rafa se lembrou que tinha seu telefone.
E como você é jornalista, talvez possa nos ajudar.
É que não conhecemos ninguém.
O que aconteceu?
Preciso que alguém vá à pensão.
Podem fazer alguma coisa com a Martina e o Peque.
Espere. Quem fez isso com você?
-Dois caras, mas não importa... -Dois caras?
Iam matá-lo.
Rafael, eu sou Veronica Rosenthal.
-Não Julia. -Mas não é jornalista?
Sou, mas trabalho na revista "Nosso Tempo".
-Não em um jornal. -Não estou entendendo nada.
Não importa. É uma longa explicação.
Precisamos ir a um hospital urgentemente.
Não, um hospital não. Podem estar me esperando lá fora.
-Por que fizeram isso com você? -Porque eu dei queixa.
E Rivero vai descobrir que foi o Peque que me contou.
E irão à pensão atrás da Martina.
Rivero sabe que ela mora lá também.
Martina é a filha dele.
Me passe o endereço da pensão. Vou para lá agora mesmo.
Mas primeiro me diga qual queixa você deu e onde.
Enquanto isso, vou conseguir alguém para te examinar.
Quem?
Rivero, o Garcia quer ver você.
Vamos.
Rápido!
-Garcia? -Quem é Rafael Gomez?
Quem?
Rafael Gomez prestou queixa na 38a. Delegacia.
Disse que recrutou meninos para você.
Quem é ele?
É o cara que trabalha na lanchonete do clube.
Eu peço para ele conseguir meninos corajosos, valentes.
Mas para o time de futebol. Não entendo. Ele prestou queixa?
Ele contou tudo.
Isso quer dizer que ele sabe.
E se ele sabe...
-Eu não abri a boca. -Então quem foi?
O garoto da última competição, o que escapou.
Você disse que ele estava sob controle.
Sim, está. Foi o único que me veio à cabeça.
O erro está feito.
Agora tem que consertar.
-Onde está o Rafa? -Não sabemos.
Quando iam matá-lo, apareceu um chinês e o salvou.
Julián, é um amigo dele. Não o conheço.
Mas Rafael fala muito dele. Vão juntos ao estádio.
Tem um mercado em Lugano.
Cuide do menino, ouviu?
Vamos fazer mais uma competição.
Eu não faria, mas tem muita gente me pressionando.
-Temos os garotos? -Um com certeza.
Um não basta. Consiga o outro.
Quanto antes, melhor.
Vi um suéter como o que você queria.
Marrom com gola redonda.
E as crianças?
Foram ao centro com a minha irmã.
Você está bem? O que está acontecendo?
Quando vocês vão voltar?
Amanhã.
Não pode ficar mais alguns dias?
Por quê?
Pode ou não pode?
O que aconteceu?
Nada.
Eu te conheço. Tem alguma coisa errada.
Fale. Foi algo no trabalho?
Não, não. É que...
estou fazendo algumas coisas aqui em casa.
Uma surpresa. E ainda não terminei.
Está reformando o banheiro do quarto?
Se eu contar, deixa de ser surpresa.
Pode ou não pode?
Quanto tempo? As crianças têm aula.
Só dois ou três dias. Eu te aviso.
Certo. Mas só isso.
Aqui é lindo, mas me dá tédio.
E sinto saudade.
Eu também.
Obrigado, te amo.
Eu também.
Martina? Sou amiga do seu pai.
Sim, ele me ligou. Entre.
Os garotos compraram o 3.
E deram o velho para minha mãe me dar.
-Para mim. -Não, é meu.
Seu? Com quem vai jogar? Comigo!
Sou o único amigo que você tem.
-Quem é? -Não sei.
Peque, abra, sou eu.
Essa chata.
Tem uma gostosa.
-Peque? -Não, é ele.
-Quem é ele? -Uma amiga do meu pai.
-Posso entrar? -Sim. Coloque o ferrolho.
-Estão sozinhos, meninos? -Sim.
Eu sou Veronica Rosenthal. Sou jornalista.
Sei o que está acontecendo. Sei tudo.
Que linha do trem? Não entendi nada.
A competição que eu vou não é de futebol.
É para ver quem aguenta mais tempo nos trilhos
até o trem vir. Sem se mexer.
É provável que Rivero já saiba que você contou tudo ao Rafael,
e venha te procurar.
-Você também, podem te procurar. -Por que eu?
-Por causa do seu pai. -Quem contou a ele?
Não importa.
Vou levá-los a outro lugar, para estarem mais seguros.
-Vamos, abra. -Droga!
Sei que está aí. O ferrolho está fechado.
Eu abro e digo que ele saiu.
Não, está louco?
Não, vamos sair por algum lugar.
Não, por favor.
Ele não vai ir embora.
Vamos, abra!
-Vou e invento uma desculpa. -Bom, espere.
Onde nos escondemos?
Abra. Vou ficar até abrir.
Pronto, vou ficar aqui.
Somos amigos ou não somos?
O que você está fazendo aqui? Onde ele está?
Quem?
Como quem? O Peque, seu amigo.
Ele foi ver a avó.
-E onde a avó mora? -Sei lá.
O que você está fazendo aqui?
Eles deixam a chave comigo e eu venho jogar videogame.
E por que não abriu antes?
Estava passando de fase.
Onde está a menina? Do cara da lanchonete.
-A que também mora aqui. -Sei lá.
-Qual é a casa? -A do lado.
Escute.
Quer competir?
Claro. Quando?
Nada de quando. Perguntei se quer competir. Sim ou não?
Sim.
-O que o Peque te contou? -De quê?
Do que seria? Da competição! O que ele contou?
Nada.
Bom, ele me disse que competia por dinheiro.
Mas só isso. Por quê?
-Você tem celular? -Não.
Tome. Compre um.
Um barato, pré-pago.
Para falar somente comigo. Está bem?
Assim que comprar, me ligue.
Eu salvo seu número e aviso a data da competição.
Isso fica entre nós dois.
O celular, a competição.
Não conte para ninguém.
Não gaste com bobagens.
Compre um celular agora, certo?
Você queria ganhar mil pesos?
Me escute e vai ficar rico.
Escute. Se vir o Peque, me avise.
Mas não diga que estou procurando por ele.
-Para quê? -Nada. Uma bobagem.
Compre o celular.
Ele já foi embora.
Viu só?
Eu disse que ia enrolar o cara.
-Quem mais está na sua casa? -Mais ninguém.
Minha mãe volta à noite.
Minha avó não veio hoje.
O que vamos fazer agora?
Agora vocês vêm comigo, para a minha casa.
Mas o Rivero pensa que estou com a minha avó.
-Eu fico aqui e pronto. -Eu também posso ficar.
O Rivero pensa que você vai competir.
Ele sabe que está aqui e virá te procurar. Não podem ficar.
E se eu comprar o celular e ligar para ele?
Ele tem que me ligar.
Certo, tudo bem. Então compre o celular.
E assim que ele te ligar, você me liga.
Tudo bem?
-Tome. -Para quê?
Para não fazer bobagem e me ouvir.
Nem pense em participar dessa competição.
Ouviu bem?
Como vai pegá-lo? Vai prendê-lo?
Eu adoraria. Mas não sei.
E se eu competir?
Compito e você vai com a polícia para prender todos eles.
-Ou não? -Isso é muito perigoso.
Perigoso é ficar até o final,
até o trem vir.
É só ver o trem vindo, pular e tchau.
Sim, ele tem razão.
Ele pula, o outro também, e ninguém se machuca. Pronto.
Garotos morreram fazendo isso.
Acha que tenho medo? Não tenho.
Além disso, quero sair nos jornais.
-Como um herói. -Você já é um herói.
-Eu também. -Sim, você também.
Você que esteve lá, o que acha?
Se ele pular rápido, sem ficar até o fim, tudo bem.
Valrossa foi ao escritório e gritou comigo.
Ele disse seu nome. Juan Garcia.
Certo, a gente se fala. Rivero ligou...
dizendo que tem os dois garotos para competir.
Certo. Ele cuidou do outro que falou demais?
Não sabe onde ele está.
Acha que ele está com a avó.
Mas não faz ideia de onde ela mora.
O Valrossa sabe mais do que pensávamos.
E se ele sabe, a jornalista também sabe.
Vamos parar por um tempo.
E outra coisa.
Quando terminar a competição,
quero que o Aguirre ponha os dois garotos no carro,
os leve até o rio e dê dois tiros em cada um.
Não quero mais pontas soltas.
Mas eles têm 10 anos!
E daí?
Quantos anos você acha que tinha o último que o trem atropelou?
Oitenta?
Mas uma coisa é um acidente...
Acidente? Que acidente, idiota? Não há acidentes aqui.
Aqui há morbidez e cobiça.
Por que acha que eles ligam para saber quando é a próxima?
Por causa das apostas?
Não. Sangue. Querem ver sangue!
Querem ver como o trem esmaga o garoto diante dos seus olhos.
É isso o que querem ver.
Se os dois morrem, melhor ainda.
-Vero? -Lucio!
-Dani, muito obrigada. -Pode dizer no que se meteu?
Você o examinou? Responda, por favor.
Deu um remédio a ele?
Dei um calmante.
Sim? E o que acha, como ele está?
Dani, por favor, não dificulte mais.
Ele não quebrou nenhum osso. Mas não posso examiná-lo aqui,
tenho que levá-lo a uma clínica.
Não podemos levá-lo. Não quero expor ele.
É perigoso. Peço mil desculpas, mas não podemos levá-lo.
Se ele piorar, eu levo.
Perigoso? Perigoso para quem?
Quem foi? Quem fez isso com ele?
Tem a ver com aquilo do carro?
Vero! Por favor, pode dizer o que houve? Não sou idiota.
-Sim, tem a ver com isso. -Tem a ver com isso?
Em que confusão você se meteu?
Vou resolver isso. Não se preocupe. Está tudo bem.
Como? Por favor, pense! Ligue para o papai.
O papai não tem nada a ver com isso.
-Ele vai te dizer... -Não se meta. Ele não tem a ver.
Você é idiota? É idiota!
-Quem é esse cara? -É um amigo.
Obrigada por me ajudar, Dani. Me deu uma mão enorme.
A partir de agora, eu cuido disso.
Dê três por dia a ele.
Por favor, não me ligue mais para esse tipo de coisa.
Dani, o carro! Pode deixá-lo comigo?
-É inacreditável. -Obrigada.
O que aconteceu?
O cara que entrou quando você estava com o Amante
você o conhecia?
Não, esse eu não conhecia.
Não é estranho ele ter entrado bem nesse momento?
Coincidência demais.
Não é coincidência. Estão me seguindo.
O carro cinza que está parado no meio da quadra,
com roda esportiva e vidro fumê.
Não é o carro que o Romerito falou?
Sim, estou vendo.
Oi, Fede.
Sim, você chegou?
Peça para Marce abrir para você.
Lucio! Fede, Lucio está descendo.
Pare ele porque está indo fazer besteira.
-Lucio, espera. -Me solta.
Desgraçado!
Preciso saber que as permissões vão sair.
Com licença.
Um minuto.
Alô?
O Valrossa percebeu que estava sendo seguido.
Como ele percebeu?
Não sei.
Tudo bem. Não podemos fazer nada.
Encontraram o chinês?
Ainda não sei nada, mas vou averiguar.
Verifique.
Se eles estiverem muito lentos, assuma o controle, está bem?
Está bem.
Alô?
Estamos esperando cair a noite.
Tem muita gente.
Se quiser, entramos agora.
Estamos na rua é Pinto, 610.
Não, vou para aí.
Você fez uma bobagem, Lucio.
Podíamos ter perdido toda a vantagem que temos.
Que vantagem?
Os garotos. Temos os garotos.
Agora podemos saber quando e onde vão ser
as próximas competições.
É o único jeito de pegarmos esses filhos da mãe
com a mão na massa.
É a primeira vez que estamos um passo à frente deles.
Pare de se enganar, Veronica.
Essa vantagem que você diz não existe.
Nós não existimos.
Eles sempre vão estar à frente.
O que você acha?
Que o que você quer fazer com esses garotos é uma loucura.
-Não é uma loucura. -Não?
Se não fizermos isso, as competições vão continuar.
Tem uma coisa que não entendeu, Fede.
Se não for aqui, ainda acontecerá.
No interior, onde for. Com trens, com caminhões.
Mas as competições vão continuar.
É a única chance que temos,
porque pode ser a última.
Esses caras estão muito sujos.
Isso é por causa do artigo, não é?
-O quê? -Isso, é por causa do artigo.
Por que não vai se ferrar?
Escrever é meu trabalho. O que quer que eu faça?
Não estou colocando os garotos em risco.
Já te expliquei como é.
O menino vê o trem chegando, e pula na mesma hora.
-Não vai correr risco. -E se o Rivero perceber?
Não importa. Nós já vamos estar lá.
"Nós" quem? Você, ele, eu, quem?
-Você é advogado. -Sim, por quê?
Você tem que falar com um promotor, ou um juiz.
Alguém disposto a estar à frente disso.
Por que não diz para seu pai falar com um juiz ou promotor?
Não posso contatar esse pessoal por bobagens.
Não posso metê-los em confusão sem ter provas.
Temos que pegá-los, Fede.
Se não conseguirmos ninguém, nós iremos.
Nós?
Sim, temos que fotografar tudo.
Não só o Rivero, mas também quem aposta.
E Juan Garcia? É o chefe de tudo, não é?
É o que eu acho.
Ele não vai estar lá, trabalha na escuridão.
Certamente não vai estar.
Mas quem for pego vai denunciá-lo.
É O DIENTES. JÁ COMPREI O CELULAR.
-Pronto. -Você está louco.
Você é um covarde.
Eu vou ajudar. Vou ser um herói, vai ver.
Vou aparecer nos jornais e na TV.
-Quem é? -Quem?
-O Rivero. -Não atenda.
Alô?
Sim.
Certo.
Sim, eu posso. Tchau.
-O que foi? -A competição?
Não, ele quer que eu vá ao clube.
Não vá. Espere, para quê?
Não sei. Ele disse que é uma surpresa.
E se ele estiver mentindo e for a competição?
Não, a competição é nos trilhos, não no clube.
Além disso, ele estava te procurando, não é?
Ligue para a jornalista.
Não, se eu ligar à toa, vai estragar o plano.
Já era, eu vou.
Se notar algo estranho, eu ligo para ela.
O que acha?
-Tem certeza de que estão bem? -Sim, fique tranquilo.
E deixei meu telefone para me ligarem.
Tomou os analgésicos?
Sim, mas minhas costelas ainda estão doendo.
Talvez minha irmã tenha razão e precise de uma radiografia.
Não, estou bem. Eu aguento.
Bom, vou tomar um banho rápido
e deixo meu quarto para você descansar.
Não, posso dormir aqui.
Não, precisa descansar bem.
Obrigado.
-Aconteceu com você? -O quê?
Você é maquinista há muito tempo?
Sim, há muitos anos.
E aconteceu alguma vez?
Atropelar um dos garotos daquelas fotos?
Não, não atropelei. Mas muitas vezes ficaram
parados na frente do meu trem.
Era você que conseguia os garotos, não era?
Sim, mas não sabia que era para isso...
O Rivero me pedia garotos para jogar bola.
Não sabia que algo assim podia acontecer. Como saberia?
Conhecia o Vincent?
Sim.
Ele ia ao clube de vez em quando.
Nunca pensou em perguntar por que ele nunca voltou?
Está fechado.
Só uma coisa, por favor. Preciso de um refrigerante.
Estamos fechados!
Vou pegar um só e já vou.
Obrigado.
O que tem lá cima, um depósito?
Dientes, ele é o Martin. Martin, ele é o Dentes.
-Oi. -Cumprimente.
Vai competir contra o Martin.
Pedi que viessem porque essa é uma competição especial.
Nenhum dos dois é um campeão.
Você também não é campeão?
É a primeira vez que competem. Por isso não posso arriscar.
Tenho que ter certeza de que vocês dão conta.
Para não chegar na hora e saírem correndo.
-Eu encaro. -Eu também.
Todos dizem isso. Mas precisam provar.
-Então vou pedir para brigarem. -Como brigar?
Para saírem no braço.
Idiota! Vou te arrebentar, desgraçado!
Filho da mãe!
Pronto. Chega!
Chega!
Chega, chega.
Pare! Não ouviu?
-Você está bem? -Estou.
Coloque um pouco de gelo quando chegar em casa.
Se sua mãe perguntar,
diga que brigou na rua.
Você também. Está claro? Venham, um aperto de mãos.
Um aperto de mãos, vamos!
Pronto, tchau.
Você não concorda com o que vou fazer, não é?
Na verdade, não estava pensando nisso.
Estava pensando em quê?
Estava pensando em quê?
Que quando estou com você, não tenho pesadelos.
Você deu a arma para o Carranza.
Quando ele veio me pedir,
achei que ele não queria que eu perguntasse nada.
E como era um irmão para mim, eu tinha que respeitar.
Não foi culpa sua.
Você tem uma nova mensagem.
Oi, amor, são 22h. Estou chegando em casa.
Não pude ficar. Lucas tem prova de matemática amanhã.
Onde você está? Me ligue.
O banheiro está igual.
Qual era a surpresa? Me ligue.
Já liguei para todos os seus amigos, onde você está?
São 5h da manhã, Lucio. O que foi? Onde você está?
Isso é uma loucura.
Sim, mas conto com você, Pato? Preciso que me apoie nisso.
Do que você precisa?
Do Lucho. E se puder, da Vicky também.
Lucho pode ir, mas a Vicky está de férias.
Não, um fotógrafo só não basta. Preciso de dois, no mínimo.
Esses dois são os melhores. Por isso os pedi.
-Vou ligar para ela e perguntar. -O que vai perguntar?
Não pode contar nada disso.
-Tenho que dizer alguma coisa. -Não, nada.
Se vazar algo, eles suspendem.
Depois eu conto. Se quiser, diga que tem algo grande.
Ela confia em você. Isso deve bastar.
Bom, vou tentar e te aviso.
-Mais uma coisa. -O quê?
-Todo este trabalho... -É matéria de capa, sim.
Mas até eu ver os resultados,
não há possibilidade.
Entre.
Oi, Vero. Não estava de licença?
Sim. Só vim dar um oi.
A matéria que comentei sobre a máfia chinesa?
Apareceu outro chinês morto.
-Onde? -Em Lugano.
Foi torturado a noite toda, depois o mataram.
-Ele e a mulher. -Em Lugano?
-Era um mercado? -Sim.
Você tem o endereço?
Atenda! Atenda, vamos!
Droga!
Alô?
Está longe da minha casa?
Não, a algumas quadras. Por quê?
Tem que voltar, Lucio.
Não posso, minha mulher chegou de repente
e me deixou umas quinhentas mensagens.
Tem que voltar agora.
O que aconteceu?
Certo, estou indo.
O que a gente faz?
Matem ela também.
E o Valrossa?
Já faz tempo que ele devia estar morto.
Tudo bem, eu mando o material.
Mas tente se comprometer dessa vez.
Não vou te colocar em confusão.
Sim, eu entendo. Claro.
Desculpe, preciso desligar, recebi outra ligação.
Depois conversamos. Obrigado.
Oi, Vero. Estava acabando de falar com o promotor.
Mataram o amigo do Rafa.
O chinês. E a mulher dele.
Fizeram parecer que era algo da máfia chinesa,
mas não, foram eles.
Se acalme, por favor. Não entendi nada.
Não entendeu o quê?
Deixaram um grafite com um símbolo chinês.
Mas foram eles. Está tudo péssimo.
Ele foi torturado. Acabaram com ele.
O quê? Onde você está agora?
Indo para casa. Tenho medo de que estejam indo para lá.
O Lucio está a duas quadras.
Mas temos que tirar o Rafa de lá urgentemente.
O Lucio? Você tem que chamar...
Quem? A polícia? Que polícia, Fede?
Certo, vou para lá.
Certo, mas vá depressa.
Vai se vestir, rápido.
-O que aconteceu? -Rápido.
-Depressa! -O que foi?
Não tenho a chave. Não podemos deixar a porta aberta.
Vamos sair daqui. Vamos! Rápido!
-Para onde vamos? -O meu carro está ali.
-O que está acontecendo? -Vamos até o carro.
Filho da mãe!
Droga!
Mas que droga! Filho da mãe!
Tchau, canalha!
-Lucio, você tem que ir. -Para onde?
Não sei. Mas não pode ser preso,
nem por cinco minutos. Vá agora!
-Lucio, vai embora! -Ele foi baleado na perna.
-Como você está? -Bem.
-O que houve? -Um tiro.
-Me perdoe. -Por quê?
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