All language subtitles for La.fragilidad.de.los.cuerpos.S01E02.1080p.HMAX.WEB-DL.DD2.0.x264-TEPES_track5_[por]

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified) Download
zh-TW Chinese (Traditional) Download
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian Download
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian Download
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian Download
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

OS ACONTECIMENTOS E PERSONAGENS DESTE PROGRAMA SÃO FICTÍCIOS.

QUALQUER SEMELHANÇA COM A REALIDADE É COINCIDÊNCIA.

-Vamos. -Me dê mais uma semana.

Não! Pegue suas coisas e vamos, assim como você está.

Meu amor, temos que ir.

Não, daqui eu não saio.

Me solte!

Me solte, filho da mãe!

Me solte!

Cale a boca, desgraçada!

A minha casa!

A FRAGILIDADE DOS CORPOS

Trem 1123. Na escuta?

Isso é comum?

Depende. Pode ser duas vezes por semana.

Uma vez por mês. De repente, desaparecem.

Mas, cedo ou tarde, estão sempre aí, nos esperando.

Já denunciaram isso?

Um monte de vezes.

Onde? No juizado?

Na polícia não adianta. Não fazem nada.

Tem que ir direto a um juiz.

E dizer o quê? Se não sabemos quando, onde, quem?

Foi isso o que aconteceu com o Carranza?

A criança que ele atropelou estava fazendo isso?

É melhor você descer na próxima estação.

Quero continuar conversando, Lucio.

Mas eu não. Você não pode ficar aqui.

É meu trabalho. É perigoso.

Então vamos nos ver em outro momento.

Eu te ligo.

-Você pegou o trem? -Sim, por sorte.

Senão, não saberia de nada.

São pessoas muito fechadas.

Os maquinistas, digo.

São iguais às máquinas que conduzem.

Não há câmeras de segurança nos cruzamentos?

Sim, o problema é que quase nenhuma funciona.

Agora quero descobrir quanta gente morreu este ano

e nos anteriores nos trilhos.

Sim, mas não fale só de cifras.

Cifras são chatas. Precisamos de uma história.

Se concentre nas crianças, não nos números.

Tem algo grande aqui, Pato. Olhe.

É uma matéria de 2011.

Não aprofunda muito. Mas tem alguma coisa.

Mas não sei quem escreveu. Não está assinada.

Tudo bem. Deixe-a comigo, vou ver o que posso fazer.

Certo.

-Oi. -Oi.

Patricia me disse que você está escrevendo

sobre o maquinista suicida.

É muito mais complexo, mas sim.

Sabe que não pode acontecer o que houve da última vez.

-Está claro. -Certo, melhor assim.

Há coisas que vamos aprendendo com a experiência.

-Mais alguma coisa? -Não.

-E você? -Não.

Querida, hora da comida.

Coma, vamos.

Não pode ser, não entendo nada.

Tem um estômago de ferro.

Você pôs muito veneno?

Sim, bastante. O pacote todo.

Bom, vamos. Vamos chegar tarde no colégio.

Não, vai você.

Vou pegar o detergente em casa e colocar na água.

Esse maldito tem que morrer.

Ele se salvou. Pronto, deixe-o em paz. Vamos.

Vai àquele clube ruim hoje?

Está com inveja porque não te escolheram.

Sim, claro.

Sim, hoje às 15h. Por quê?

Nada. Queria sair.

Mas se você vai, vou falar com a Martina.

Venha fazer o teste. Eu falo com o técnico.

De jeito nenhum! E meu calcanhar está doendo.

Vamos, venha!

Meu Deus!

-Você está bem? -Estou, sim.

-Vou te trazer um copo de água. -Não, eu estou bem.

Vou te trazer um copo de água.

Leti, como vai? E o papai?

Está terminando com um cliente. Ele já vem.

Trouxe algo para o Benja.

Dinheiro.

-E Dani? Disse que estava aqui. -Sim, está no banheiro.

-Oi. Como vai? -Sente-se.

O que aconteceu ontem?

-Ficou complicado para mim. -Que pena!

Eu tinha comprado o presente que me pediu para o Benja.

Mas esqueci no táxi, como uma idiota.

Devia ter comprado outro em qualquer loja de brinquedos.

Não é tão difícil.

Sobre o que queria falar comigo?

Estou escrevendo uma matéria sobre acidentes nos trens.

Não nos trens, nos trilhos.

Queria saber como lidam com isso na clínica.

Se chegam muitos acidentes assim

se há muitas crianças entre as vítimas.

Foi para isso que veio almoçar conosco?

É inacreditável. Você não muda.

Vou pedir ao papai para se apressar.

Ficamos te esperando ontem. Todos nós.

Especialmente o Benja.

Parece que você é a tia preferida.

Eu sei, queria ter ido. Mas ficou difícil, é sério.

-Eu sei, isso acontece. -Cheguei muito tarde em casa.

Depois esqueci, e quis me matar.

Tinha acabado de ver algo terrível.

Não me diga nada. Fale com Leti. Explique a ela.

E explique para o papai. Ele também ficou bravo.

Bom, raramente chega um caso assim na clínica.

Quando um trem atropela alguém, não sobra nada.

Vai direto ao necrotério.

Mas alguns se salvam.

Sim, mas não os levam a uma clínica particular.

Normalmente, vão para hospitais.

Por causa da classe social, são pessoas de classe média baixa.

A classe social? O que isso tem a ver?

Como o que tem a ver?

O que está dizendo é muito fascista, Dani.

Não é uma opinião, é um dado.

Você perguntou, estou respondendo. É assim.

E crianças? Teve casos de crianças acidentadas?

Não, eu não.

O que podemos fazer, se quiser, posso ligar para uns amigos

que trabalham em hospitais para ver como é por lá.

-Isso te ajuda? -Sim, muito obrigada.

Não vai ficar para o almoço?

Estou a mil. Desculpe, Dani. Alô, Pato.

Já averiguei. Ela se chama Beatriz Frías.

Vou passar o telefone.

Você leu. A matéria é bem geral.

Comecei com um dado que chegou por acaso.

Um cara que era guarda de cruzamento.

Estava no cruzamento uma manhã

quando entrou um garoto perguntando de um tênis.

O garoto disse que tinha perdido o tênis na noite anterior,

competindo.

Competindo? Como assim?

Foi o que ele disse. Competindo com outro garoto

para ver quem aguentava mais.

Você tem o contato do guarda?

-Posso falar com ele? -Não, vai ser impossível.

Ele está em coma.

Foi atropelado por um carro quando saía de uma boate.

Acho que estava bêbado.

-Se lembra do nome dele? -Sim, Alberto Lette.

Com dois T.

Não o incluí na matéria porque ele me pediu anonimato.

Então não o citei.

Você tinha muita informação,

porque fez uma matéria tão geral, não rendeu?

Nunca consegui vincular os garotos à competição.

Não tinha testemunhas.

A maioria dos familiares era do interior.

Voltaram para a sua província.

Eu tinha que entregar a matéria.

E entreguei.

Eu entendo, mas não há vagas. O que quer que eu faça?

Talvez no futuro.

Qualquer coisa, eu aviso pelo seu amigo.

Tudo bem. Meu calcanhar está doendo mesmo.

Por isso. Se quiser, venha ver um treino.

Mas ele não pode nem fazer o teste?

Por enquanto, não.

Fique tranquilo. Qualquer coisa, eu te aviso.

Vamos.

Pelo menos, nós tentamos.

Que se dane!

Quem ele pensa que é? Não ligo a mínima!

E tem mais mil clubes como esse.

Vou para outro e pronto.

Como foi?

-Onde? -No River.

Sim, bem.

Disseram que vão me ligar. Vamos ver.

Ele é meu amigo, o "Dentes".

Joga de atacante.

-Ou meio-campo. -Sim, depende.

-Veio fazer o teste? -Não, meu calcanhar está doendo.

-Quer uma Coca? -Não temos dinheiro.

Eu tenho. Vamos comprar uma de dois litros.

Este é o Carranza. O cara que se matou.

E esse é Lucio Valrossa.

Ele é bonito. Onde conseguiu a foto?

Com Diego Malvino,

o único maquinista que é solteiro.

Pedi para ser amiga dele com um perfil falso.

Ele me aceitou.

Não acredito que esteja transando com ele.

-Quem? O Lucio? -É sério!

Não é tão feio.

Essa foto está ruim.

Não o favorece. Vi essa, estou falando dessa foto.

Ele não é feio.

Tenho outra foto em que ele saiu bem.

Mostre, quero ver.

Isso está uma bagunça.

O que você está fazendo?

Pode me ajudar? Vou tirar tudo.

-Tudo? -Sim, tudo.

Você está parecendo uma detetive.

Quem é?

-O fofinho. -Quem?

O cara com quem fiquei no outro dia, no bar.

Como ele conseguiu meu telefone?

Pili, com certeza. Às vezes ela é tão idiota.

O que você vai escrever?

Vamos dar uma segunda chance.

Vero, já falamos mil vezes.

Você nem o conhece. É perigoso.

Se eu fosse homem, você não me diria isso.

Mas você não é um homem. Veronica, por favor.

Ele está te ligando?

Não, é o Valrossa.

Alô?

Oi. Cheguei do enterro.

Falei com Carina, a irmã do Carranza.

Ela disse que você os ajudou a liberarem o corpo.

Não, não fui eu.

Falei com um amigo que conhece o promotor.

Mas não fui eu.

Agradeça ao seu amigo, por favor.

Tchau.

Tudo bem?

Falou com a sua irmã?

Não, eu cancelei.

Não, não cancele. Vou fazer o fogo.

-Tem certeza? -Tenho.

Ligue para ela.

Pronto.

Deixem os coletes aqui. Vamos, senhoritas. Bom treino.

Venha, Peque. Vem rapidinho.

Muito bem. Está cada vez melhor.

Sim, me sinto bem.

Talvez você comece jogando no próximo jogo.

-Sério? -Eu disse talvez.

Tenho que pensar bem.

Só teria que pedir uma autorização aos seus pais.

Porque o jogo é em Ciudadela.

A não ser que eles te levem.

Não, eles não podem.

Minha mãe não tem carro e trabalha o dia todo.

-O que ela faz? -Limpa casas.

-E seu pai? -Não tenho pai.

Bom, então depois veremos.

Devemos sair daqui.

Quando eu tiver certeza,

peço a autorização e sua mãe assina.

Pode ir.

Tudo bem, Vero. Vou ver o que posso conseguir.

Obrigada, Fede.

Se puder, pesquise sobre Alberto Lette.

Uma guarda de cruzamento. Se puder, obviamente.

Sabe que minha vida não é só te fazer favores, não é?

Sim, eu sei. E vou te compensar.

O que houve com a arma? Falou com o maquinista?

Sim, falei. Ele disse a mesma coisa.

Não faz ideia de como chegou ao Carranza.

Olhe só. E você acreditou?

Por que não?

Não sei. Você não é a pessoa mais desconfiada do mundo?

-Oi, pai. -Oi.

-Está zangado. -Não, feliz da vida.

Falei com Letícia, com Benja.

Pedi desculpas. O que mais quer que eu faça?

Quero entender. O que você anda fazendo?

Estou trabalhando muito. Em uma matéria bem complicada.

Certo, mas família é família.

E sem a família, não somos nada.

Não se esqueça disso, está bem?

Vamos ali?

O que vai beber?

-Café puro. -Dois cafés, por favor.

Como a sua arma chegou ao Carranza?

Já disse que não sei.

Mas deve ter alguma hipótese.

Até onde eu sei, armas não andam.

A única coisa concreta

é que ele usou a arma para se matar.

Talvez alguém tenha levado sua arma...

e dado a ele para te envolver.

-Me envolver em quê? -Não sei, tudo isso.

O que seria tudo isso?

Se alguém quisesse me envolver, quem seria?

Não sei, Lucio. Por isso estamos falando.

Veronica, escreva na sua matéria que a arma foi a forma

que Carranza achou para ter um pouco de paz.

Obrigada.

Gostaria de falar com a Sandra, a esposa de Carranza.

Falei com Carina, que me disse que podia falar com ela.

Mas já que você está aqui...

Deixa para lá. Depois eu falo com ela.

-Vou ver o que posso fazer. -Como quiser. Obrigada.

Meu pai me trazia a este bar quando eu era criança.

Eu comia um sanduíche no balcão, ele tomava um vermute.

-Nunca mais vim aqui. -Mas trabalha aqui perto.

Sabe como é.

A reportagem já acabou, ou tem mais perguntas?

Já terminou.

Mas eu gostaria de saber mais sobre o que vimos

na outra noite.

Mas não veio aqui para isso.

Não? Por que eu vim?

Seu cabelo é dessa cor ou você tinge?

É dessa cor.

Tingi por muitos anos, mas parei.

-Qual é o nome da sua mulher? -Mariana.

-Seus filhos? -Patrício e Fabián.

Meu pai é Raul. Minha mãe, Maria Angélica.

Meu cachorro é Ulisses.

-Você fuma muito? -Bastante.

Fumo maconha também. E gosto de uísque.

Caso queira saber.

Mais alguma coisa?

Sim, traga assim mesmo.

O que foi?

Rivero, queria saber se vou jogar.

Você disse que talvez eu jogasse como titular.

Já te ligo.

-Eu te disse isso? -Sim, ontem.

Sim... Eu não decidi ainda.

Por quê? Eu cabeceio...

e chuto com a esquerda também.

Que bom. E você aguenta?

Ou chutam sua perna e você chora?

-Eu aguento tudo. -Tem certeza?

Não ligo para nada.

É que vai ser um jogo difícil. Tem que ser muito homem.

Eu sou homem. Tenho testículos bem grandes.

Olhe só! Venha cá.

Escute, vou te escalar.

Mas se vai jogar, não pode ter medo.

-Tem que jogar mesmo, certo? -Está bem.

Vá, vá treinar.

Lindo capacete.

Então foi um acidente, um carro o atropelou?

Sim, pelo menos foi o que o juiz afirmou.

E não era Lette. Era com um T só.

Foi difícil localizá-lo.

Estava muito bêbado?

Sim, 2 por cento de álcool no sangue.

Estava super bêbado.

E a matéria que te dei? Pôde ver?

Não pude cuidar disso. É mais complicado.

Teria que ir ao juizado, pedir o arquivo.

Tudo bem, não se preocupe, Fede. Eu faço isso.

Me dê uma permissão e eu vou ao juizado.

Não precisa de permissão. Só do seu sobrenome.

Diga que é a filha de Aaron Rosenthal, pronto.

Rafa?

Tudo bem?

Como vai? Há quanto tempo!

Pensei que estivesse preso. Não acredito.

Não, estou bem. Como vai a Claudia?

-Bem. Sim, está bem. -Bem?

Não, ela está muito mal.

Está internada, com HIV.

Sério? Que horror.

-Mande um beijo para ela. -Eu mando, claro.

Foi ótimo te ver.

Espere! Faz mil anos que não nos vemos!

Fique um tempo aqui comigo.

Que alegria ver você.

Vou me encontrar com os caras no bar do Mario esta noite.

Por que não vem?

Não posso, cara. Vou ficar com a menina hoje.

Menina? Teve uma filha?

-Como se chama? -Martina.

-Lindo nome. -Sim.

-Como ela está? -Linda, bonita.

Vai visitar e depois venha um pouco.

Traz uma cerveja.

Estou convidando, não esnobe.

Certo, vou ver se passo lá.

Certo, perfeito. Promete?

-Prometo. -Certo.

-Que bom ver você. -Se cuide, tchau.

Esse porcaria está quente.

-Não, a cerveja está gelada. -Isso não é gelado.

-São 70 pesos? -Sim, tudo aumentou.

-Por 70 pesos, ligue o freezer. -Obrigado.

Conhece esse cara?

Não, não faço ideia.

Vamos ao jogo?

-O Chacarita joga no domingo. -Pode ser, vamos ver.

Está vivo. Ainda bem.

Ainda bem? Dei veneno para ele morrer.

Não para ficar vivo. Droga de cachorro!

Mas eu me arrependi depois. Sonhei a noite toda.

Porque você é uma covarde.

Colocou o detergente?

Não tinha mais lá em casa. Minha mãe não tinha.

-Mas coloquei cal. -Cal?

Sim, peguei da obra da rodovia.

Talvez a gente tenha que esperar.

Não posso ver isso. Vou embora.

Vai ser titular?

Não sei, acho que sim.

Por que só acha?

Ele disse que eu era o escolhido.

Escolhido? Você é um idiota.

Todos os técnicos dizem isso e depois não te escalam.

Ele vai me escalar.

Ele vai morrer.

Senão, já te disse.

Consigo uma arma na favela e atiro nele.

Estou aqui no trem, quase partindo.

Podemos falar mais tarde?

Só uma pergunta. Conseguiu falar com a esposa do Carranza?

Sim. Mas ela não quer falar.

Bom, obrigada de qualquer jeito. A gente se fala depois.

Oi.

-Sim, diga. -Como vai?

Procuro casos de menores atropelados por trens.

Certo, de qual juizado você é?

Sou do escritório Rosenthal.

Não é de nenhum juizado?

Sou a filha de Aaron Rosenthal.

De Aaron Rosenthal?

-Venha comigo, por aqui. -Obrigada.

Aqui está, olhe.

Daqui até aqui estão os dos últimos cinco anos.

Se precisar de algo, me chame e te dou uma mão.

-Certo. Muito obrigada. -De nada.

Sete acidentes com crianças

nos últimos cinco anos. Todos confusos.

Dois fatais. Um é o do Carranza.

Quatro crianças com lesões graves.

E um se salvou, por milagre.

-Todos em estações diferentes? -Sim.

Isso não é brincadeira. Essas crianças não estavam brincando.

Alguém os obriga a fazer isso, a competir.

Como vai seguir? Qual é sua ideia?

Héctor Amante falou comigo. Sabe quem é?

O que ele disse?

Deixou uma mensagem dizendo que um dos rapazes

ligou para ele falando que uma repórter andou perguntando.

Não importa, me disse bobagens.

Mas quero encontrá-lo. Para ver o que me vai me dizer.

Certo, eu te apoio. Mas não pode continuar com isso eternamente.

-Está claro? -Sim.

Dani, o que houve?

Uma amiga trabalha no Hospital das Clínicas.

Há um homem internado por um acidente de trem.

Parece que o atingiu de lado, não o matou.

Mas deixou ele em coma.

Como ele se chama?

Não sei.

Achei estranho que o cara é um guarda de cruzamento.

Guarda de cruzamento?

Não se chama Alberto Lete?

Não sei, não perguntei. Se quiser, eu descubro.

Sim, por favor.

Conte o que aconteceu com a Lorena Lete.

Eles incomodam ela no colégio. Chamam de coisas.

-Lerda, boba. -Tudo isso?

E mais coisas.

-Você não a chama assim, não é? -Não.

É preciso defender essa garota.

Não ponha coisas na cabeça dela. Quer que ela apanhe?

-Deixe que eu falo com ela. -Não, não se meta, mãe.

Vá lá para dentro com a menina, Glória.

-Calma. -Faça o que eu disse.

O que você pensa que está fazendo?

Como assim? É minha filha.

É assim que cuida dela? Fazendo-a mentir por você?

Não, ela não disse nada para você não ficar assim.

Ela sabe o que acho de você.

E sabe que é verdade.

Eu estou bem, Andre, juro.

Não me chame de Andre.

Estou bem. Não estou tomando nada há meses.

Nem álcool.

Quer que eu te dê uma medalha?

Não, não quero uma medalha. Só quero que me entenda, Andrea.

Certo, você tem razão.

Fiz mal em visitá-la sem você saber.

Foi errado, culpa minha. Mas era o único jeito.

Nisso eu concordo. Mas agora eu já sei. Acabou, Rafael.

Não faça isso comigo. Ela precisa de mim.

Precisava. Há muitos anos.

E você não estava lá.

Agora o melhor para ela é ficar longe de você.

Por favor, Andrea.

Quantas vezes ficou limpo e se sujou de novo?

Umas duzentas vezes?

Gente como você não muda. Pode enganar a si mesmo.

Pode achar que mudou, mas não muda.

Fique longe da menina.

Não me obrigue a chamar um advogado, não tenho dinheiro.

Não estrague minha vida de novo.

Por aqui. Entre, sente-se.

-Você queria me ver? -Sim.

Pode me dar seu celular, por favor?

Não é nada pessoal.

É que não te conheço.

Aqui está.

Vou explicar.

Meu pessoal anda nervoso e não é para menos.

Sempre que aparecem repórteres, geram algum problema.

Eles me chamam, eu respondo.

O sindicato está aqui para isso.

Pensei que estava aqui para cuidar deles.

Sendo assim, não tem que protegê-los de mim.

Estou aqui para ajudar.

Estou escrevendo uma matéria sobre acidentes nos trilhos.

Enfocando os maquinistas.

Quero saber como eles ficam depois de algo assim.

Vejamos. Quero te explicar um pouco.

Em um carro, se uma pessoa...

aparece na sua frente, você pode girar o volante.

Não dá para fazer isso no trem.

O que quero dizer com isso?

Tem que ter muito cuidado com o que vai escrever.

Como com o que escrevo? Em que sentido?

Como fica a empresa?

Depende. O que a empresa faz? Como cuida deles?

Segue um protocolo.

Psicólogo. Dois meses de licença.

Têm alta e voltam a conduzir o trem.

Não acha isso uma barbaridade?

-Depende. -Depende de quê?

De cada caso.

Queremos mudar as coisas, mas o empregado não colabora.

Querem voltar ao trabalho o quanto antes.

Por quê? Porque perdem dinheiro.

E então?

Então as coisas funcionam como estão agora.

Andam. Bem ou mal, mas andam.

Claro.

Um maquinista se matou há uma semana.

Mas andam.

Sim, e um açougueiro, e um advogado...

Perto de casa, uma grávida se jogou do terraço.

E daí?

O que pode me dizer das crianças

que competem nos trilhos?

Que crianças?

As que ficam de um lado e do outro esperando o trem,

e, no último minuto, pulam.

Não, isso não existe.

Existe. Eu vi.

Como assim viu?

Não que tenha visto pessoalmente.

Mas soube por uma fonte muito boa.

As únicas pessoas que sabem o que acontece nos trilhos

são os maquinistas.

Eu posso te falar da insegurança das estações,

da precariedade do trabalho...

Conhecia Alberto Lete? Um guarda de cruzamentos.

Um que está em coma?

Sim, exatamente. Teve um acidente de trabalho.

Um trem o atingiu de lado.

Não estamos falando da mesma pessoa.

O que estou falando foi atropelado por um carro.

Ele estava bêbado.

Não, estamos falando da mesma pessoa.

-Não entendo. -Eu também não entendo.

Por isso estou aqui.

Para ver se entendo um pouco.

Posso falar das coisas que eu sei.

Do que não sei, é impossível.

Alô? Aqui é Veronica Rosenthal.

Tenho uma ligação perdida deste número.

É a primeira vez que eu saio.

Sandra, por que acha que seu marido tomou essa decisão?

-Ele não teve outra escolha. -Por quê?

Nunca pensei que Alfredo fosse capaz de se suicidar.

Mas, olhando para trás, acho que aconteceria alguma hora.

Acha que foi culpa da empresa?

Não sei se toda a culpa.

Mas teve alguma culpa.

Ele estava indo ao psicólogo.

Para ajudá-lo. Não para acabar assim.

Alguém tem que ser responsabilizado.

Pelo menos para isso não se repetir.

Está escrevendo a matéria para isso, não é?

Tenho uma coisa para te dar.

-É um dos seus filhos? -Não.

É o garoto que Alfredo atropelou.

Alfredo guardou a foto. Não sei para quê.

-O que te fez mudar de ideia? -Como?

Primeiro me disse não,

depois terminou me ligando.

Mas eu nunca disse não.

Não para mim, para o Lucio.

Disse que não queria falar comigo.

Conhece o Lucio?

Sim, fui eu que pedi para ele falar com você.

Mas o Lucio nunca falou comigo.

Eu te liguei pela minha cunhada, não por causa do Lucio.

Vamos, garoto.

Vamos, entre.

Bom, esse é o Peque.

Esse é o Cholito. Já o conhecem.

Esperamos o melhor de vocês, garotos.

-Quanto tempo nós temos? -Cinco minutos.

Nada. Peque, é o seguinte.

Vocês vão ficar nos trilhos um ao lado do outro.

Não pode ir para trás. Você vai ver o trem vindo.

Aguente ao máximo, depois pule para o lado.

Só por virem, já ganharam 100 pesos.

Quem pula por último, ganha.

Esse ganha 400 pesos.

São 500 pesos para gastar no que quiser.

Vamos, boa sorte.

Fique parado aqui. Um pouco mais para trás.

Chegue um pouco para lá.

Isso. Agora vamos ver quem é o mais macho.

-É melhor pular rápido. -Você também.

Conhece a história do Jonathan?

Deu uma de esperto como você.

E perdeu uma perna.

Não importa, não sou idiota. Não vai acontecer nada comigo.

É melhor pular logo. Me escute.

Droga!

Pule, idiota. Vamos!

Entre.

-Onde deixo o vinho? -Deixe por aí.

Vou tomar um gim com tônica. Quer um?

Quero.

Pare aqui.

Peque, vamos te deixar aqui. Temos que levar o Cholito.

Muito bem, garoto. Tome.

Você mereceu.

Pelo que fizemos, isso é uma miséria.

Da próxima vez, nós conversamos, está bem?

O importante é ficar de boca calada, certo?

Está cheio de imbecis por aí.

Fique de boca calada, e vai ter muito dinheiro.

Ande, campeão.

Não se incomoda? Vou acordar muito cedo amanhã.

-Quer que eu vá embora? -Quero.

-Não quer que eu... -Não.

Tudo bem.

-Vamos? -Já vou.

Vamos, veja TV lá em cima.

Lá em cima eu te incomodo. Vai, descanse.

Não durma aqui.

Preciso que descubra o endereço deste telefone.

Acho que é da casa do garoto que Carranza atropelou.

Diga, onde conseguiu o dinheiro?

Não posso te dizer.

Você sabe procurar, sabe do que eu preciso.

Consiga outro como o Peque e eu te dou uma mão.

Aí está.

Garotas, deixem para mim.

Há quanto tempo está limpo?

Uns sete meses.

Aqui está.

Mais do que um coma, ele está em estado vegetativo.

Parece que não entende algo.

Há crianças no meio disso e você tem filhos, Lucio.

Quero mais dinheiro. Não a mixaria do outro dia.

Espere aí!

Pela quantidade de gente, pelo menos 2 mil.

Sabe o que está dizendo?

Sim, senão não vou competir.

-Você já sabe o que aconteceu. -Sim, mas quero saber mais.

Pegue ela!

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.