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QUALQUER SEMELHANÇA COM A REALIDADE É COINCIDÊNCIA.
Quem é?
Carranza.
A FRAGILIDADE DOS CORPOS
Temos que parar com isso, Fede.
Da próxima vez que eu ligar às 3h da manhã bêbada,
não me atenda.
-Bom dia, Vero. -Bom dia.
Vero, espere um segundo que tenho uma coisa para você.
-Tchau. -Tchau, Fede.
-Obrigada, Marce. -Até logo.
Droga!
Vamos!
Espere. Sei lá. Olhe cara dele.
Vamos, não seja medroso.
É grande, mas é filhote.
Sabe quanto pagam por esses pneus?
-Mas se está com medo... -Não estou com medo. Me dê.
Olhe. Pão como molho de tomate.
Você dá, e quando ele estiver distraído eu pego.
Vai!
Vá. Pegue os pneus!
Rápido, cara.
-Droga! -Vamos, cara.
Sua principal fonte foi despedida por roubar.
Isso é o que o laboratório diz.
Não escrevi besteira.
Chequei todas as informações que ele me deu
com duas fontes diferentes. É confiável, Pato.
E por que não me disse?
Por que eu tive que ficar sabendo pelo Vilna?
Sim, foi o Vilna que percebeu.
Você me fez parecer uma idiota.
Não te disse nada porque não tinha motivo, Pato.
Minha fonte disse que ele não roubou nada.
Que o demitiram porque não aceitou o que propuseram.
Você não me contou...
porque estava com medo que eu cancelasse o artigo.
E não conseguiu nada porque cancelei.
Não pode continuar trabalhando assim, Vero.
Você age sem medir as consequências.
O Vilna pediu a sua cabeça. Quer te demitir.
Não sei como o convenci.
Convenceu porque sou boa. Por isso.
Sim, você é boa, Vero.
Mas é uma bomba-relógio.
Viu a notícia do suicida?
Um homem atirou em si mesmo e se jogou de um edifício.
Vai seguir?
Não, é todo seu.
Anéis e lanternas.
Anéis para crianças e para as damas.
Lanternas, anéis, chaveiros!
Desculpe. Posso ver esta?
-É claro. -Também tem luz?
-Quanto custa? -20 pesos.
-Obrigado. -Tchau.
Oi!
Bom dia. Oi, Laura.
Entre.
Oi.
Oi, entre.
-E aí? Conseguiu? -Sim, você teve sorte.
O promotor do ptocesso é amigo do seu pai.
López Correa.
A secretária escaneou tudo.
O pouco que pôde encontrar.
Alfredo Carranza, maquinista, 50 anos,
casado, dois filhos.
-Testemunhas? -Várias.
Todas contaram a mesma coisa.
Primeiro ouviram o tiro, depois viram ele cair.
Uma delas o viu subindo ao terraço com a arma.
O que você está procurando, exatamente?
-A carta. -Aqui está.
Está borrada porque ficou na chuva.
"Ninguém tem culpa disso. Só eu."
"Não suporto mais. Matei os nove."
Pensei que ia poder viver com isso
pensei que ia poder viver com a morte dos oito primeiros.
Mas com a do pequeno, não.
Me perdoem.
RECONHECIMENTO PRESENCIADO POR CARINA CARRANZA.
IRMÃ BIOLÓGICA DO FALECIDO.
Então ela me fez levantar
e ler o meu texto na frente de todos.
Disse que escrevo bem.
E que posso ser escritora ou jornalista.
-O que gostaria mais? -Não sei.
Na verdade, queria ser bombeira ou cantora.
Mas também posso ser escritora.
-Compra um para mim? -Sim, claro.
-De que sabor você gosta? -De laranja.
-Sempre escolho esse. -Eu prefiro de doce de leite.
-Como vai? -Bem. E você?
Bem. Estou trabalhando.
Estou trabalhando em um restaurante de um clube.
E te pagam bem?
Por enquanto, é o suficiente.
-Quero me mudar. -Onde você mora?
Em Lugano, em uma pensão.
Não posso levar a Martina lá.
-Como a Andrea está? -Bem.
Temos que contar, mãe.
Se quer continuar vendo a garota,
nem pense nisso.
Você pisou na bola, Rafael.
É preciso ir aos poucos.
-O seu. -Obrigado.
-Temos que ir. -Já?
Acabei de chegar.
Te ligo no fim de semana e tento ir, está bem?
-Está bem. -São amigos seus?
Sim, da pensão.
-Vamos. -Está bem. Tchau.
Perguntamos se podemos jogar?
Não, estou mancando. Não consigo nem caminhar.
-Vamos, covarde! -É sério.
Vá jogar, se quiser. Eu vou embora.
Está bem. Vamos.
-Carina? -Sim.
Meu nome é Veronica Rosenthal. Podemos conversar um minuto?
É advogada ou jornalista?
-Jornalista. -Não estou interessada.
Entendo a situação pela qual você está passando...
Vocês, jornalistas, cheiram sangue e parecem moscas.
Não sei com qual jornalista falou, mas não foi comigo.
-Não sou como outros. -Não? Por quê?
Porque é mulher? Porque é bonita?
Porque me importo com o que aconteceu com o seu irmão.
Por que você se importa?
Porque quero saber a verdade. Por isso eu estou aqui.
Quero saber por que ele fez o que fez.
O que você quer saber?
O que quiser contar.
Não aguento mais.
O Alfredo parecia forte, mas era fraco da cabeça.
A culpa é da empresa para a que ele trabalhava.
Deviam ter cuidado melhor dele.
Não deviam ter deixado ele entrar em um trem
depois do que aconteceu.
Filhos da mãe!
Ele trabalhou durante 25 anos para aquela empresa.
É assim que retribuem?
Carina, tem mais alguém que possa falar
sobre os acidentes?
Um colega de trabalho do Alfredo? Algum amigo?
-O Lucio. -Quem é o Lucio?
Outro maquinista, como ele. Lucio Valrossa.
Prometo que vou fazer o possível para que isto se esclareça.
E se a empresa tiver culpa, vai ter que pagar.
Eles têm culpa. Não sei quanta culpa,
mas têm.
Que horror.
Deve ser horrível atropelar alguém na rua e matar.
Imagine isto. Nove pessoas e uma criança?
Sobre o que você vai escrever?
Acho que um artigo sobre a vida terrível desses caras,
que têm trabalhos como esse.
Precisam de você na cozinha, Paula.
Já vou. Fica mais um pouco?
-Fico. -Que bom. Te vejo depois.
O QUE ESTÁ FAZENDO?
Pili?
-Deixe que eu pago. -Não, não precisa.
-Não tem problema. -Ponha na minha conta, Pili.
Está bem. Como você se chama?
-Martírio. E você? -Diego.
Você trabalha aqui perto?
Não, sou amiga da casa.
Eu trabalho por aqui. Em um estúdio de arquitetura.
Não me dão muita bola no estúdio.
Às vezes falo com meu chefe e ele não me olha nos olhos.
É inacreditável.
Acontece o tempo todo.
Você não se cansa?
O quê?
De toda essa palhaçada que está fazendo para transar.
Me desculpe.
Alô? Sim, sou eu. Sim, vamos fazer isso.
Consiga isso e eu faço o resto.
Tudo que te pedi, não é? Está bem, perfeito.
Traga uma cerveja.
Você não toma nada? É abstêmio?
Não tomo, só isso.
É difícil confiar em alguém que não toma álcool.
Viu alguma coisa?
Tem uns garotos em uma praça, mas são velhos.
-Quanto? -Dezesseis anos...
Muito velhos. Têm que ser mais novos.
-Vou voltar. -Sim, volte.
Lembre que têm que ser corajosos. Covardes, não.
Covardes, não. Mais alguma coisa?
-Era isso. -Com licença.
-Açúcar? -Não, puro, Obrigada.
Me conte...
em que posso ajudar. Sem açúcar.
Estou escrevendo um artigo sobre o suicídio
de um dos seus maquinistas.
Alfredo Carranza. Se matou há dois dias.
-Na quarta-feira. -Carranza...
Sim, que tragédia.
Pilotar um trem é estressante.
Não é para qualquer um. É uma coisa de 500 toneladas.
Vai a 100 km por hora,
com 600 passageiros a cada viagem, em média.
Imagino.
Carranza tinha atropelado nove pessoas e estava muito mal.
Por que continuou pilotando?
Olhe, nós seguimos um protocolo.
Quando um maquinista passa por uma situação traumática
-como a do... -Carranza.
Alfredo.
Nós o mandamos imediatamente a um profissional.
Para receber o tratamento correspondente.
Há quanto tempo ele estava em tratamento?
Não sei os detalhes.
Mas foi tempo suficiente
para saber se podia trabalhar ou não.
Obviamente, ele não podia.
Não sou eu que decide.
-Nem você. -Não, é claro.
Qual é o nome do profissional?
Infelizmente, não posso dar
não estou autorizado.
Mas se for uma boa jornalista, vai conseguir.
Sim, é claro. Não se preocupe.
Oi, Carina.
É a Veronica Rosenthal, a jornalista.
Oi. Como vai?
Queria te perguntar o seguinte: Alfredo ia ao psicólogo, certo?
Sim, ia.
Não ajudou muito, como pode ver. Mas ia.
Sabe o nome do psicólogo?
Para falar a verdade, não.
Mas sei onde o consultório fica.
Levei o Alfredo lá algumas vezes.
Fica no mesmo edifício de onde ele se jogou.
Como assim, no mesmo edifício?
Isto não estava na causa.
Não sei. Ele tinha consulta naquele dia.
Posso te fazer uma pergunta?
Sabe quanto tempo leva para liberarem o corpo?
Queremos enterrá-lo de uma vez.
Ainda não liberaram?
Não faço ideia, mas vou descobrir.
Muito obrigada. Estamos em contato.
Ele não só havia matado nove pessoas
e continuou pilotando trens, como escolheu para se matar
o mesmo edifício ao que ia duas vezes por semana
para ser atendido pelo psicólogo da empresa.
Estranho, não é?
Mais do estranho, negligente.
-O que você acha? -Não tenho certeza.
Mas sei que não é coincidência.
Sei que ele escolheu a forma e o lugar
para se matar por um motivo.
Ele quis dizer algo.
Continuo?
-Mas já sabe. -Sim, já sei.
-Bom dia. -Como vai?
-Obrigada. -De nada.
Longo? Sou Veronica Rosenthal.
-Tem horário marcado? -Não.
Sou jornalista. Trabalho na revista Nuestro Tiempo.
Gostaria de fazer algumas perguntas
sobre um de seus pacientes, Alfredo Carranza.
Não sei de que forma posso te ajudar.
Gostaria que me dissesse como achava que estava,
há quanto tempo estava atendendo ele.
Se faltava muito para receber alta.
Não posso contar isso.
Isso é entre paciente e psicólogo.
-Sigilo profissional, eu sei. -Exatamente.
Mas o Carranza se matou.
E foi aqui, no seu edifício.
Entendo que você está fazendo o seu trabalho.
Entendo perfeitamente.
Mas me recuso a falar sobre os meus pacientes.
Agora te peço licença, mas preciso trabalhar.
E aí, garotos? Como terminou?
-Ganhamos de seis a quatro. -Muito bem.
Estão jogando em algum clube?
-Não. -Por quê?
Conhecem o Roca Juniors? Eu trabalho lá.
Sempre estamos procurando garotos.
-Quantos anos vocês têm? -Ele tem 12 e eu, 13.
Estamos buscando um defensor, alguém como você.
Corajoso, forte. Bom de bola.
-Quer fazer um teste? -E ele?
No momento, só estamos precisando de defesa.
Mas talvez apareça algo.
Este é o endereço. O teste é hoje.
Comprem uma Coca.
Com isto?
-Vou te esperar. -Sim.
-Você vai? -Sei lá.
-Vamos comprar uma Coca? -Ou uma cerveja.
-Não gosto. -Nem eu. Vamos.
Olá?
-Desculpem. -Olá!
Estou procurando Lucio Valrossa. Me disseram que estava aqui.
-De parte de quem? -Veronica Rosenthal.
Sou jornalista da revista Nuestro Tiempo.
Sou eu. De que precisa?
Lucio.
A irmã de Alfredo Carranza me deu o seu nome.
-Estou escrevendo... -Sim, venha.
Venha.
O que você quer?
-Falar sobre o Alfredo. -Escute, garota...
não sei o que está fazendo,
mas não queremos você aqui.
Nem você, nem qualquer jornalista.
Alfredo se matou porque era fraco, ponto final.
Ponto final.
Anote isso e desapareça.
Eu estou acostumada a energúmenos como você.
Não tenho medo. Nem de você, nem do seu chefe.
Disseram que estava me procurando.
Te peço desculpas.
Quando quer proteger o grupo, ele fica mal-educado.
Não estou aqui para tirar o trabalho de ninguém.
Só quero saber o que aconteceu com o Carranza.
Por que se matou daquele jeito.
Não é o primeiro maquinista que se mata
e nem vai ser o último.
O que você quer saber exatamente?
Nos vimos no terraço, não é? O que você estava fazendo lá?
Alfredo era meu amigo. Senti necessidade de ir
ao lugar onde ele tomou a decisão.
E você?
Acho que a mesma coisa.
-Você o conhecia? -Não.
Então não é a mesma coisa.
O Alfredo estava muito mal.
Não devia ter entrado naquele trem.
Mas entrou. Essas são as regras do jogo.
Nem todos acordam um dia, sobem em um terraço
e estouram os miolos.
Não, nem todos.
Acho que o Alfredo quis dizer alguma coisa.
O quê?
Ela ia a um psicólogo no mesmo edifício.
Duas vezes por semana.
Um psicólogo pago pela empresa que trabalhava.
A mesma para qual você trabalha. Acho que ele esperava
receber a alta rapidamente para voltar ao trabalho.
Assim não teria que afrontar um lucro cessante.
Alguém tem que se responsabilizar, não é?
Pode ser. O Alfredo queria receber a alta rápido.
É conveniente para a empresa...
que a gente volte ao trabalho e para nós também.
Tenho que ir.
Ele tomou uma decisão. Temos que respeitar.
Eu estou indo, Vero. Vai ficar?
-Mais um pouco. -Está bem. Tchau.
Oi, Fede. Preciso de um favor.
Sim, outro.
Preciso de informação sobre um cara.
Pode anotar?
Lucio Valrossa. Com "V" e dois "S".
Estive procurando e não encontrei nada.
Não tem nem Facebook.
A única coisa que sei é que é maquinista.
Está bem. Qualquer coisa, me avise. Beijo, obrigada
Oi, desaparecida. Hoje é o aniversário do Benja.
Imagino que vai vir.
Se ainda não comprou nada,
compre uma pista de carros de corrida.
É em um salão infantil, o endereço está no Facebook.
Te espero.
Meu Deus!
Me dá um pedaço?
Qual é? Sempre te dou quando tenho.
Cadê o Peque?
Foi a um clube.
Que bom. Que clube?
Um em Lugano. Um meio ruim.
Meu pai trabalha em um clube em Lugano.
Mas é no restaurante.
Que bom! Podemos pedir para ele me dar alguma coisa.
Não sei onde fica. Por que você não foi?
Não queria. E ninguém conhece aquele clube.
Nem morto!
Vou sair com o Peque hoje à noite.
-Quer vir? -Aonde?
Se vier, te digo. Senão, não.
Talvez. Não sei.
-Me dá mais um pouco? -Não.
-Qual é, por favor! -Está bem.
Gostei do garoto. É habilidoso.
Te disse.
Ainda temos que ver se aguenta o tranco.
Os moles não servem. Cholito, venha aqui.
Está vendo o garoto novo?
Vá para cima dele, para ver se aguenta.
-Pare, babaca. -Me deixe passar.
Compre alguma coisa para a sua filha.
Parem com isso.
Futebol é assim mesmo.
Chorar é na igreja. Vai lá para a ponta.
-Vero? -Entre, está aberta.
-Oi. Quer café? -Não, obrigado.
Trouxe a informação que você me pediu.
-Tão rápido? -Sim, tão rápido.
Lucio Hernán Valrossa.
Filho e neto de ferroviários.
Casado com Mariana Goyena. Dois filhos.
Me deixe ajudar.
Seu nome estava com restrição em 2005.
Depois saiu. Está pagando um financiamento habitacional.
Não tem passagem pela justiça,
exceto por uma averiguação de antecedentes
na saída de um estádio
depois de um show dos Redondos de Ricota.
-Redonditos. -O quê?
Redonditos de Ricota. Ou só Redondos.
-Redonditos, sim. -Sim, Redonditos.
Ainda não entregaram o corpo do Carranza,
-sabe por quê? -Não, mas posso perguntar.
-Pronto. -Que talento.
Não precisava vir, Fede.
Poderia ter me mandado um e-mail com todos os dados.
Sim, poderia.
-Está bem. -Não fique bravo.
Não fico.
Cholito. Hoje vamos nos juntar na casa do César
para ver o jogo. Você vem?
-Não posso. -Por quê?
-Não posso. -O que houve?
Vou fazer um teste no River.
Mentira.
É sério. Um amigo do meu tio vai me levar.
Teste de futebol à noite? Onde viu isso?
Nunca viu garotos fazendo teste de noite?
Se não sabe, fique quieto.
-O Rivero sabe? -Sei lá.
-Você é do River? -Não, sou do Boca.
Eu também. Mas jogaria no River.
Precisa de experiência para jogar em um time de primeira.
-Você acabou de começar. -E daí?
Alô?
Vero, sou eu.
Esqueci de dizer uma coisa importante.
A arma com que Carranza se matou estava em nome dele.
Não entendo. Em nome do Carranza?
Não, do Lucio Valrossa. O maquinista.
Ele depôs sobre isso?
Sim, é claro.
Disse que não tinha ideia que não deu a arma para ele.
Que não faz ideia de como chegou nas mãos do suicida.
E como havia testemunhas da morte,
a coisa ficou por isso mesmo.
Está bem. Obrigada, Fede.
-O que está fazendo aqui? -A arma era sua.
Tenho que sair. Desça.
Não vou me mexer até que me diga a verdade.
Vá para lá, tenho que sair. Estou atrasado.
Controle, já estou saindo.
Você vai engasgar.
Pronto. Posso sair?
Para ficar na rua, não.
Não, vou ao terraço.
Está bem, pode ir.
-O que ela está fazendo aqui? -Ela vai junto.
Vamos, vamos.
Com o que vamos matar ele?
Com isto. Tem veneno de rato.
O Carranza se matou com a sua arma.
Por que você não me contou?
Você não perguntou.
-Você deu para ele? -Não.
-Ele pegou. -Não sei.
Você gosta de armas?
Não.
Então, por que tem uma?
Aquele revólver sempre esteve na minha família.
Era do meu avô. Meu pai herdou.
Eu nunca usei.
Se você não deu e ele não pegou
alguém deu para ele.
Já disse que não sei.
Quer que eu invente uma história?
Posso fumar aqui?
Não pode estar aqui.
Se quiser fumar, fume.
Pronto. Como sabem que está aí?
Está.
Quem vai jogar?
-Jogue você. -Não, os três jogam.
Temos que ser cúmplices, senão não serve.
Você primeiro.
Ele está comendo. Agora, você.
Pronto.
Pronto.
A irmã do Carranza disse que o último acidente foi pior.
Com a criança. Ele não pôde suportar.
Sim, com criança é pior.
Uma coisa é quando é um suicídio
ou uma pessoa idosa que não escuta.
Quando é uma criança com fones de ouvido
que vem escutando música,
e quando vê, está com o trem em cima
é uma merda.
-Aconteceu com você? -Não com crianças.
Tive vários acidentes. Foram todos terríveis.
-Como é? -Atropelar alguém?
Você sente uma pancada na frente.
Como um tiro.
Escuta o corpo arrebentando.
Os ossos parecem madeira quebrando.
Já ouviu granizo caindo sobre um teto de chapa?
Você sente isso aqui embaixo, nos pés.
Merda!
Outra vez esses moleques!
Filhos da mãe!
Escaparam.
Desculpe.
Não tem problema.
Can't find what you're looking for?
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