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Quando levantei esta manha, estava em um banho de suor.
E como se a funcao absoltuta do tempo foose decompor e eliminar.
Estou dando meu melhor para controlar minha imaginacao
As estradas se perderam tanto,
que mais curta viagem te transorma numa boneca quebrada
no meio de uma selva de construcoes calcinadas.
Tudo e bege, preto e bege.
E dificil conceder um so amor por uma cidade...
Alguem poderia se apressar e entao, prever sua ressureciao.
O fato e que a cidade nao esta morta,
mas simplesmente desfigurada.
Suas ruinas te fazem sonhar, ao estagio de mobidez, de suas belas formas.
Tudo se torna um motivo para meditacao.
Esta beleza parece estremecer na zona efemera da vida.
A cidade e a mulher recem enterradas se encontram na poeira,
aquela coisa que liga o destino mitico do Oriente
com o presente.
Nao vamos encontrar nada alem de funerais quando voltarmos aqui.
Viu a que ponto um seculo de anseiro pela vida se tornou em desejo de morte?
Hoje, posso dizer que um pouco da minha luz diaria esta se apagando.
Ha grande quantidade de culpa neste pais,
a terra se parte sob seus pes.
O pequeno denominador comun social que tinhamos paresec ter desaparecio.
O sohno se reduziu a po
e estamos vivendo em seu po dourado.
As pessoas prosseguem atraves de mitos e crencas.
Essa derrota coletiva absoluta so incita o povo a guerras estereis.
Condenados sao os paises que no fim da guerra saem sem perdedor ou vencedor...
O ardor nao e mais um comparsa de volupia, como costumava ser,
pelo contrario, tornou um material de real desanimo.
E a luz, a luz bela do Libano, nao ajuda tambem.
A morte se esconde atras dessa luz, de maneira invisivel.
Akhmatova, retornando se Sao Petersburgo,
reclamava que a neve apagava tudo...
Aqui, o sol tem efeito similar.
Nada foi resolvido, e acho que nunca sera.
A historia em si parece travada,
porque todo tipo de propaganda encobre a verdade.
Disfarce e dinheiro sao o novo rosto da morte.
Nao ha por que tr grandes expectativas.
Ha a minha volta algo como un velho conhecimento do nada.
Afinal deve haver algo heroico sobre a vida em Beirute.
Beirute e um bom lugar para meditar sobre a condicao do mundo.
E uma cidade exemplar, um prototipo para o futuro,
A perfeita placosperidade, e um factor do subdesenvolvimento.
Em dez anos, Beirure sera, un melhor hipotese,
um imenso cofre.
E nesse mundo de ficcao algo restara:
alguns sorrisos, algumas memorias.
E, e claro, o ceu. O dolar e o ceu.
A mente para de funcionar. Seus pensamentos se vao.
A guerra acabou.
Mas nao teve fim.
Mudou suas formas e taticas.
Ha tanta incertezza e a unica verdade que pode se apegar e patetica.
De fato, esse e um pais incontrolavel.
O "fenomeno" de Beirute e tao enorme, que nos envolve dia e noite,
selando na cidade, para sempre, nossas vidas nos mais intimos detalhes.
E a necessidade de voltar para casa e tao forte,
que nos jogamos no denso bafo dessa fornalha em extase.
Mulher nao e morte,
ela nao precisa retratar a morte.
Ela nos atravessa, nos leva embora.
Nos morremos,
mas nao somos morte.
Prevod: baglyaspeter
Carta de Etel Adnan
Escrita em Beirut em 7 de agosto de 1992.
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