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Original subtitles

ÚLTIMA CHAMADA PARA ISTAMBUL

O voo AEN759 de Istambul aterrou.

Recolha de Bagagem 9.

O voo AEN759 de Istambul aterrou.

Recolha de Bagagem 9.

Não está lá ninguém, mas tudo bem.

Muito obrigado.

Senti algo estranho quando a vi pela primeira vez.

Fiquei deslumbrado.

Depois, a voz dentro de mim disse: "Mehmet, é agora.

É aquela que procuravas. Não procures mais."

Se ela não tivesse entrado na minha vida, eu não estaria onde estou agora.

Desculpe?

- Pode ajudar-me, por favor? - O que se passa?

É uma mala igualzinha, mas não é minha.

- De certeza? Verificou? - Sim, eu…

- E procurou na esteira? - Sim.

87-36. As malas estão todas fora?

Afirmativo. Foram todas descarregadas.

- Sim. É tudo. - Só estas?

- Lamento. - Desculpe?

- Procura a sua mala? - Sim.

- Acho que alguém a levou. - Vê? Ora aí está.

Tirámos todas do avião. Verifique nos Perdidos e Achados.

- Ali mesmo. Vá até lá. - Alguém levou a minha mala?

É turca?

Que disparate. É que falou turco de repente e…

Vi a sua mala,

mas eu estava com o segurança e não pude chegar lá.

A culpa não é sua.

Se perder a mala, estou tramada.

Calma. Quem a levou perceberá que não lhe pertence.

Tinha o seu número de telefone ou morada?

Meti o telemóvel e a carteira lá.

Esta tem etiqueta?

Sim.

- Mas está gasta. - Posso?

Chris…

Christopher Louis.

Muito obrigada.

É um prazer. Vamos encontrá-la. Calma.

Está a tocar.

- Ligou para a Dragon Gift Shop. - Está?

Dragon Gift Shop.

Atendedor automático. "Dragon Gift Shop" e coisas em chinês. Não percebi.

É em Manhattan. Perto de Chinatown.

Como vou para Chinatown?

Na verdade, vou nessa direção.

Para lá perto.

- Posso dar-lhe boleia se quiser. - Vai para Chinatown?

Ou só está a tentar ser prestável?

Isso importa?

Não, já voou durante horas. Obrigada.

- Eu arranjo-me. - Não me importo.

Levo-a lá, resolvemos tudo e eu sigo o meu caminho. Não há problema.

Quando o vi pela primeira vez, senti que já o conhecia.

Deve arrepender-se de nos cruzarmos.

Não. Já estive na mesma situação.

Sabem aquela sensação de "terei uma história com este tipo"?

Foi o que senti.

Vamos.

Às vezes, pergunto-me como teria sido a minha vida

se não o tivesse conhecido naquele dia e ido com ele.

Paro a uns quarteirões de Chinatown. Aquilo está fechado.

Está bem.

- Pode ser? - Sim.

Parece que já estive aqui.

Deve ser das centenas de filmes que vi.

É normal depois de tantos filmes.

- É aqui. - É?

Olá. Esta mala é sua?

- Sim! - Desculpe.

Sim! A mala do meu marido!

Graças a Deus!

Não! Espere! O seu marido tem a mala dela. Onde está ele?

O que estão a dizer?

Olá. O seu marido tem a nossa mala.

É da mesma cor.

Trouxe-a do aeroporto. Onde está ele? Percebeu?

Liga ao pai, mãe. Querem a mala deles.

O teu pai? Liga ao teu pai.

Está bem, obrigada.

Está bem. Obrigado.

Está? Alguém trouxe a tua mala para aqui.

Onde estás?

Certo. Onde? Está bem. Adeus.

Hotel Marshall City.

O meu marido está lá.

- A sua mala também. - Está bem.

E agora?

Agora, vamos àquele hotel.

Deve estar cansado. Não é preciso.

Que disparate. Viemos até aqui. Não vou sem termos a mala.

Mas estou a ficar com fome. Vamos comer alguma coisa?

Está bem.

- Aqui tem. - Obrigada.

- Olá! - Olá. Um pretzel e um cachorro-quente.

Pode pôr na minha conta.

Estou a ver. Arranjou uma boa forma de financiar a sua viagem a Nova Iorque.

Desculpe.

Sim. Vim para enganar estranhos e obrigá-los a procurar a minha mala.

Não precisa de enganar ninguém.

Milhões de tipos pagavam-lhe o jantar.

Isso é um elogio?

Não, claro que não.

Está a namoriscar comigo?

- Nem pensar. Sou casado. - Ótimo.

- Também sou casada. - Então, tudo bem.

HOTEL MARSHALL CITY

Bem-vindos ao Hotel Marshall City.

Em que posso ajudar-vos?

Olá. Procuramos o Sr. Chang.

Ele está aqui? Ou deixou uma mala igual a esta?

O Chang! Ele acabou de ligar.

Disse que trazia a sua mala amanhã de manhã.

Amanhã? Vá lá…

Pode ligar-lhe de volta? Precisamos da mala agora.

Lamento, não tenho o número dele.

Está bem. Pode ficar com esta?

Mas só lha dê se ele trouxer a minha.

Com certeza.

E um quarto, por favor.

Claro, querida.

- Vai ficar aqui? - Que alternativa tenho?

Tem a certeza? Podíamos procurar outro sítio.

Vou dar-lhe o meu quarto mais romântico,

onde a Marilyn Monroe e o Arthur Miller ficaram.

- Não acredito! - Passaporte, por favor.

Tome.

O John Lennon?

Que homem!

Obrigada.

- Foi um prazer. - Obrigado.

De nada.

Devia deixá-lo ir-se embora.

- Muito obrigada. - Sim, vamos despedir-nos.

Já pode ir. Retive-o muito tempo.

Não, foi um prazer. Devia agradecer-lhe.

Certo. Divirta-se em Nova Iorque.

Igualmente. Boa sorte com a entrevista.

Obrigada.

- Foi um prazer. - Igualmente.

Dá-me o seu número…

E se ele não trouxer a mala amanhã?

Não sei.

O que sugere que façamos?

- Desculpe? - Sim?

Tem outro quarto, por favor?

Ótimo!

O quarto do John para este jovem lindo.

Obrigado.

Tem a certeza?

Passaporte, por favor.

Já que vim, tenho de ficar no quarto onde o John Lennon ficou.

Obrigada.

Obrigada.

Chamo-me Rose.

Posso recomendar o nosso bar de jazz no telhado?

- Sim. - É o melhor da cidade.

Está bem. Obrigada, Rose.

- Foi um prazer. - Obrigado.

Vou beber um copo no bar. Já que ela o recomendou.

Podia vir comigo.

É melhor não.

- Porquê? - Vou descansar.

Há algum problema?

Nova Iorque, telhados, beber juntos…

E então?

Seria uma grande asneira.

Como assim? Vamos beber um copo, só isso.

Imaginemos que ia beber consigo,

o que diria a sua mulher?

Como assim?

Há alguma razão para a minha mulher dizer algo?

Não sei. Há?

Não sei.

Não.

Descanse. Não sou dos que traem. Jamais o faria.

Belas palavras.

Não quando me conheço bem.

A sério, não tenho segundas intenções.

Estarei lá em cima a beber um copo. Pode ir fazer-me companhia.

Não tem segundas intenções. E se as tiver eu?

Olá.

Olá, Rose. Preciso da sua ajuda.

Conhece alguma loja perto onde eu possa comprar roupa?

Só posso pagar amanhã quando a minha mala chegar.

- Olá, amigo. O que quer beber? - Olá. Uma água, por favor.

Desculpe, o quê?

- Água. Isto. - Água. Sim, claro.

Sim, água.

- Aqui tem. - Não, desculpe. Uma garrafa.

Uma garrafa? Certo.

- Aqui tem, amigo. - Obrigado.

De nada.

- Estrela de rock! A beber água? - Estava à sua espera.

Se soubesse que se ia aperaltar, tinha-me esmerado.

Onde arranjou isso?

Lá em baixo. Ela é fantástica.

Vende artigos perdidos.

- Tem de ver o que lá tem. - Ótimo.

Parece feliz.

- Ficarei mais feliz quando beber. - Claro.

- Olá. - Viva!

- Parece uma estrela de rock. - Muito obrigada.

- O seu cabelo é bonito. - Obrigado. O que quer beber?

Alguma sugestão?

- As nossas margaritas são ótimas. - Boa! Quero uma.

Ótima escolha. E o senhor?

- Cerveja, por favor. - Cerveja. De pressão ou garrafa?

- Garrafa. - Garrafa.

- Aqui tem. - Obrigado.

De nada.

Fazes design de quê?

Comecei com joias. Agora, crio acessórios para o cabelo e para noivas.

Colaborei com uma marca em Milão e depois em Londres.

- E agora estou aqui. - Então, é bastante boa.

Não percebo disso, mas…

Aqui tem.

- Bom proveito. - Obrigada.

Saúde.

Apetece-me chamar-lhe "Ryan".

Ryan?

Está bem. Pode ser.

O que devo chamar-lhe?

Samantha.

Samantha?

- Saúde, Ryan. - Saúde, Samantha.

Ryan, porque não fazemos um acordo?

Temo-nos um ao outro até amanhã.

Não voltamos a ver-nos. Sem telefonemas ou rede sociais.

Porquê?

Para nos divertirmos e estarmos à vontade.

Senão, teremos a mente a mil.

É uma mulher interessante.

Desculpe.

Não ter telemóvel é ótimo.

Devia experimentar.

Combinado.

- Muito prazer, Ryan. - Igualmente.

Samantha.

Estamos juntos há dez anos. E vocês?

Já estamos juntos…

… desde a faculdade.

- Têm filhos? - Não.

Mas…

Quero ter filhos. Quero ser pai.

Tens filhos?

Ainda não estou pronta.

Mal nos aguentamos. Filhos? Há coisas que gostaria de fazer.

Se o teu marido concordar, tudo bem.

Não sei se ele concorda.

Numa relação de longa duração,

não se sabe se é amor ou hábito. Já sentiste isso?

Se dizes isso, tens um problema.

Porquê?

Quando se ama realmente alguém,

não se questiona isso.

Uma relação é algo que não deve ser questionado.

A meu ver.

Discordo. Não a devemos considerar garantida.

Nunca te cansaste de estar com a mesma mulher durante anos?

Não.

Vá lá.

Parece que tu te cansaste. Vieste para Nova Iorque sozinha.

Para ser criativa tenho de deixar a rotina para trás.

Explorar outra cidade, conhecer pessoas…

E acho…

… que preciso de me lembrar que tenho opções.

Porque vieste sozinho?

Vim desanuviar.

Achei que me sentiria bem aqui.

- Então, vamos desanuviar. - Sim! A desanuviar.

Saúde.

Agora sim.

A fidelidade é sobrevalorizada.

Achas?

- Nunca traíste a tua mulher? - Não.

Vá lá, Ryan. Desembucha.

Não voltarás a ver-me. É seguro.

- Não me respondeste. - Respondi, mas não aceitaste a resposta.

- Obrigado. - Bom proveito.

Se quisesse trair, não me teria casado.

Se quisesse trair, divorciava-me logo.

Quando se é feliz e há amor e, sobretudo, respeito,

trair está fora de questão. Só isso.

E que mais?

Nada.

- Como assim? - Tens mais alguma frase feita?

"Quem ama não trai. Os traidores não amam." Diz lá.

- Depois, podemos começar a falar. - Não tenho de mentir.

Exato. Não tens de te fechar.

Sim, teoricamente, ninguém se casa para trair.

Mas há alturas em que nos aborrecemos connosco, com o trabalho,

com a nossa casa, com a nossa roupa…

As nossas relações não funcionam porque nos iludimos.

Se nos sentíssemos livres numa relação, não sentiríamos necessidade de trair.

Não pareceria uma prisão.

Talvez o casamento não seja o culpado de todos os percalços.

O que achas? Talvez seja mais fácil culpar o outro.

Sobretudo quando já não se ama o parceiro

e não se tem coragem de o dizer.

A vida é muito curta para estar numa relação sem amor.

Fumas?

Às vezes. Quando bebo. Na verdade, deixei de fumar.

Certo.

O bar devia ser aqui. Olha para isto.

Lembras-te dos filmes de domingo à noite da nossa infância?

Havia uma vista de Nova Iorque.

É mesmo como sonhei ser aqui

Talvez estejamos congelados no tempo

Só te vejo a ti

Procurei-te a vida toda

Agora estás aqui

Caramba!

Tens uma voz linda.

Muito bem!

Se quiseres atuar connosco…

- Não, isso a vossa cena. Obrigada. - Certo.

Na boa.

Via esses filmes aos domingos à noite.

Depois, era hora de dormir. Ia para a cama e sonhava com Nova Iorque.

Dizia: "Quando crescer, vou para lá." A vista parecia tão vibrante.

Costumava pensar o mesmo de Istambul. "Um dia, vou viver para lá."

A vista do Bósforo é muito melhor.

Adoro Istambul.

Podes adorar as duas cidades. Dá uma oportunidade a Nova Iorque.

Sim, mas até agora, só reparei no fedor a mijo nas ruas.

- As pessoas parecem solitárias. - Vá lá, Ryan.

- Cheira a erva e as pessoas são tristes. - Vá lá. Vamos.

Vamos!

Táxi!

Táxi!

Vamos de autocarro.

- De autocarro? - Sim. Vem.

Tens a certeza?

O MELHOR DIVÓRCIO QUE PODE TER

- Pode abrir a porta? - Não é um táxi.

- Tenho de sair. - Na próxima paragem.

- Cinco minutos a andar não o matam. - Onde é a paragem?

Muito obrigado!

- Queres erva? Ecstasy? - Não.

- O que procuras? - Vá lá, tenho fome.

Espera. Não vais a lado nenhum, querida.

Vens connosco, querida. Espera. Não fujas!

Não fujas!

Não me toques!

Deixa-me em paz! O que estás a fazer?

- Dá-me essa mala. - O que estás a fazer?

- Não tenho dinheiro. - Dá-ma.

- Que porra? - Deixem-me em paz!

- Não voltes, puta! Vai-te foder! - A perder dinheiro!

- Não! - Roubou clientes.

Quem raio pensas que és?

- Estava só a andar. - Lixas-me o negócio?

Bates nas minhas miúdas?

- Estava só a andar. - Quem é o teu chefe?

Desculpem. Viram uma mulher de vestido prateado?

- Procuras algo? - Sim. Uma mulher de vestido prateado.

- Está ali. - Onde?

Isqueiro!

Então? Vai-te foder! Deixa-a!

- Não te mexas! Cala-te, porra! - Está bem. Calma. O que queres?

- Quem raio és tu? - O marido dela. Deixa-a.

- Marido? - Sim, sou o marido dela. Deixa-a.

- Marido? Esta cabra? Tretas! - Deixa-a em paz!

Tretas! Tens de pagar por ela, cabrão!

- Queres dinheiro? - Sim!

- Dá-me a porra da carteira! - Calma.

- Sim! - Está bem. Calma.

Tens dinheiro, rapaz?

- Fica aqui! Não te mexas, porra! - Sim.

Eu dou-te dinheiro.

- Dá-me a carteira, porra! - Sim.

- Não te mexas, porra! - Mas deixa-a.

- Deixa-a agora! - A porra do marido.

- Agora! - Pirem-se daqui.

- Marido! Tretas! - Não te quero ver outra vez.

- Anda. - Fora daqui, porra!

São umas cabras! Não são mulheres, rapaz!

Pira-te daqui. Leva a tua cabra!

- Espera. Eu volto. Fica aí. - Vamos. Por favor!

Seu cabrão!

- O que queres, porra? - O que queres?

- Anda, cabrão! - Vá lá.

- Vá lá. - Vamos!

Rapaz! Sim!

Vá, cabrão!

Para!

Foda-se!

- Não voltes a tocar nesta mulher. - Foda-se!

Não bates em mulheres!

Vamos!

Filho da puta! Onde está a tua faca agora?

Então, chulo?

Se voltares a fazer isto, parto-te a cara!

Acredita!

- Merda de pássaro! Cabrão! Vai-te foder! - Vamos.

- Vai-te embora, cabrão! - Vai!

Fora daqui!

- Cretino! - Papá, estás bem?

- Não voltes a largar-me a mão. - Tu também não.

Pensei que não fumavas.

O quê? Isso é meu?

- Estava no teu bolso. - No meu bolso?

Não acredito!

Olha os truques que tens na manga, Ryan!

O que…

Aqui vamos nós. Como se aquilo não bastasse.

Sabes que lhe chamaste "merda de pássaro", certo?

"Merda de pássaro"?

A sério? Chamei-lhe "merda de pássaro"?

Merda de pássaro!

Elas eram muito sensuais.

Porque pensaram que eu era concorrência?

Devem ter-se sentido ameaçadas pela tua beleza.

Elas…

Devem ter ficado irritadas.

Como se sentiram intimidadas,

não admira que mostrassem as garras.

Porque…

Faz sentido.

Tantos elogios!

Soltaste a língua, Ryan. É da adrenalina ou disto?

Digamos que é das duas coisas.

Bem equilibradas.

E agora?

Voltamos para trás? Ainda estamos inteiros.

- Vamos para o hotel? - Não.

Para o hotel, não. Não quero recordar esta noite assim.

Como a queres recordar?

Estamos em Nova Iorque.

Dois estranhos que se veem pela primeira e última vez.

Vamos fazer algo diferente que não podemos fazer em Istambul.

Ouve…

Foi ótimo, não foi?

- Olá! - Olá.

Que casal lindo!

Estamos a fazer um pequeno concurso.

Não sabes o que é um orgasmo? O que fazes com ele?

Ele não sabe! É um concurso de orgasmos falsos.

- Por ali? - Mesmo ali, sim.

Tens de cuidar dela.

Meu Deus!

- Não acredito. - Anda.

Boa! Vamos lá!

Obrigado!

- Vou à casa de banho. - Está bem.

Agora, a próxima concorrente.

Palmas para a Mimi!

- Desculpe. Uma cerveja, por favor. - Sim, claro.

Meu Deus!

Está a ficar cheio esta noite. Nunca vi nada assim.

Isto é ridículo.

E agora, uma concorrente de última hora.

Uma bebida?

Ela veio da Turquia para este concurso.

Eis a Samantha!

- Não vais fazê-lo. - Então, porque estamos aqui?

- Vamos. Pensei que só íamos ver. - Tu vais ver.

Meu Deus!

És mesmo…

A sério…

- Não percebo. - Ryan, porquê essa cara?

- Não me felicitas? - Não é nada.

Também finges com o teu marido?

Quem disse que estava a fingir?

Vá lá. A noite é uma criança.

- Ganhaste? - Sim!

- Fantástico! Queres vir para aqui? - Sim. Vamos tirar uma foto da campeã.

Está bem. Como fazemos?

Certo. Quero ver-te a abanar o cabelo.

- Quero ver-te a soprar beijos. - Está bem.

Para a câmara. Vá lá. Energia, está bem?

Cá vamos nós!

CAMPEÃ DO ORGASMO FALSO

Diverti-me muito. Obrigada.

Boa noite.

Serin?

Serin? O que se passa?

A brincadeira acabou.

Serin!

- Serin… - Senhor.

Olá, senhor.

Senhor? A mala da sua mulher chegou.

O quê? Certo. Está bem, amigo.

Eda, olá.

Olá, Mehmet. Desculpa se confundi as horas.

- É cedo? - Não, fala. O que foi?

Queria ligar-te ontem, mas estavas ocupado.

Já foi marcada a data no tribunal.

No mês que vem, dia 20. Em Çağlayan.

Às 11h30.

Acabei de ligar ao Mehmet.

É incontestado, não precisam de testemunhas.

Bastam os dois. Demorará uns 10 a 15 minutos.

Está bem, obrigada.

A primeira vez que o vi, senti que já o conhecia.

Sabia que teria uma história com ele. Foi o que senti.

Paralisei quando a vi.

Algo dentro de mim puxou-me para ela.

Ela até tinha namorado na altura.

Não me importei. Pedi-lhe para vir comigo.

Deixei o meu namorado e fui com ele. Não pensei em ninguém nem em nada.

Não dava satisfações a ninguém. Nem a mim.

Fui a casa dele nessa noite. Nunca mais nos separámos.

Às vezes, pergunto-me onde estaria,

como seria a minha vida, se não tivesse ido com ele.

Às vezes, pergunto-me

quem eu teria sido se ela não entrasse na minha vida.

Tenho muita sorte

por a ter tido.

No terceiro ano da nossa relação, fui aceite numa faculdade em Nova Iorque.

Para estudar design de moda. Adorava ter ido.

Mas era tudo perfeito com o Mehmet.

Ela não foi.

Estávamos apaixonados.

Não nos conseguíamos afastar nem por um momento.

Porque iria? Como poderia deixá-la ir?

Depois…

O meu pai quer conhecer-te.

- O teu pai? - Sim.

Acho que se vão adorar.

Ouve, filho.

Ela abdicou do futuro dela por ti.

A vida dela seria tão diferente se fosse para Nova Iorque. Ficou por ti.

Tens de orientar a tua vida.

Até quando continuarás a fazer música?

Arranja um emprego a sério.

Sê um homem adequado para a Serin, está bem?

"Sê um homem adequado para a Serin."

Sinceramente…

Senti-me um monte de merda.

Como se sentiria?

Casámos no estrangeiro só com os nossos amigos mais chegados.

Os meus pais souberam depois.

Foi um casamento descontraído.

Depois, arranjei emprego.

Usava gravata, casaco, fato…

Isso afundou a minha carreira musical.

Raramente podia tocar com os meus amigos.

Não era a mesma coisa.

Arranjei trabalho.

Ele apoiava-me muito. Admito isso.

O emprego dele era normal.

Começámos uma vida nova, felizes e entusiasmados.

Era tudo mágico.

Gostávamos tanto um do outro que queríamos fazer tudo juntos.

As nossas decisões de vida

eram a pensar um no outro.

Moldámos a vida um do outro.

Acho que é por isso que estamos a sofrer.

Ambos tentávamos construir uma carreira,

mas não nos descurávamos.

No início, o casamento era bom.

Não éramos como aqueles casais que perdem a chama após casarem.

- Aqui não. Só dos lados. - Está bem. Rapo aqui.

A minha mãe punha-me a dormir e…

Fizeste isso de propósito.

Então, rapa tudo.

Depois comecei a criar para uma marca.

Ou melhor, tentei.

Ela fica nervosa enquanto trabalha.

Tem o seu espaço, a sua organização.

Não se podia tocar em nada.

Mehmet…

O que é isto?

Estive a ver o vosso website.

Vi alguns modelos quase iguais às minhas criações.

Sabiam disto?

Porque não fui informada?

São iguais. Só mudaram a cor.

Roubaram-me as ideias e despediram-me.

Não têm o direito de fazer isto. E eu recebo o quê?

Vai-te foder, idiota de merda!

Eles sabem, fantástico!

Pela primeira vez, pensei: "Porque não fui para Nova Iorque?"

Enviei algumas criações minhas para um sítio em Nova Iorque.

Só para tentar a minha sorte.

Não tinha muita esperança, mas depois…

CARA SERİN YILMAZ, AGRADECEMOS A CANDIDATURA AO ESTÚDIO VARGAND

Candidatou-se para Nova Iorque.

Queriam que criasse uma coleção. Se gostassem, contratavam-na.

Ela não me tinha dito. E eu não lhe disse que sabia.

Cheguei.

Bem-vinda.

- Como estás? - Bem, querida.

Espera. Sero.

Esperei que ela me dissesse, mas não disse.

Temia que ele fosse contra.

Nesse caso, talvez não fosse. Ele podia convencer-me.

O meu telefone tocou.

Começámos a discutir.

Ela contrariava-me, era teimosa

e discordava de mim em tudo.

Serin!

Um.

Dois.

Aqui mesmo. Sim, assim.

Muito bem. Meu Deus!

- Não queres ser modelo? - Não, obrigada. Ela é linda.

Continuas a ser a modelo. Será assim.

- Shawn? - Sim?

- Pronto? - Sim. Claro.

Adoro o teu perfil.

Quando ia a uma sessão fotográfica, ele tinha ciúmes e discutíamos.

- Olha para aqui. Isso. - Sorri.

- Desculpa, vou atender. - Tudo bem.

- Sim? - Onde estás?

Numa sessão.

Ainda?

Houve um atraso. É a minha coleção.

Está ótima.

O meu instrumento… Estou em casa e nem acredito.

Já te disse tantas vezes para não lhe pores nada em cima.

Sou muito sensível em relação a isto.

Ages como se não soubesses como sou…

- Estou a trabalhar. Falamos logo. - O que é isto?

Realinha o foco, Shawn.

- Incrível! - O quê?

Serin?

Sim, vou já.

- Sim? - Sim.

- İyi? - İyi. Sim.

Vou já.

- Tenho de ir. - Quem está aí?

- A equipa. - É um filme? Porquê tanta demora?

Acalma-te. Deixa-me terminar a sessão.

- Falamos depois. - Ou nem venhas!

- Isto parece um hotel. - Vou desligar.

Peço desculpa.

- A iluminação está melhor? - Perfeita.

Continua.

- Está tudo bem? - Sim.

Olha quem chegou.

- Não voltes a fazer isto. - O que sou?

- Não me interrompas no trabalho. - Cuido da casa?

O que sou nesta casa? O que sou para ti?

Que horas são? Quem era ele?

O que queres?

- Passei o dia a trabalhar. O que queres? - Bebeste?

- Tu… Espera. - Se bebi?

- Como assim, "nem venhas"? - Quem é aquele tipo?

O que estavas a fazer àquela hora?

Ouvi-o rir ao fundo.

- Devia fazer o quê? Gritar como tu? - Que divertido…

Pessoas felizes irritam-te?

Estavas a divertir-te. Porque vieste? Olha as horas. Isto é um lar!

Quem sou para ti?

- Não devia vir para minha casa? - É só…

Mehmet…

Mehmet.

MENSAGEM NOVA

OLÁ, VOLTEI. COMO ESTÁS?

É ÓTIMO FALAR CONTIGO.

MEHMET, TENS TEMPO? PRECISO DE FALAR CONTIGO.

OXALÁ ESTIVESSES LÁ ONTEM.

FESTA NA SEXTA-FEIRA, QUERES VIR?

ESTE VESTIDO É BOM PARA UM ALMOÇO DE TRABALHO?

Caramba…

Sim, estou a ouvir.

Não quero ser acusado assim.

Há um mês e meio, tocámos em Kadıköy…

Sim, em Kadıköy.

Também estavas lá.

Saíste mais cedo.

Se tivesses ficado, conhecerias a rapariga.

É só isso. Ela foi ver-nos e encontrámo-nos.

Não a via há anos. Sim.

Se tivesse algo a esconder, bloqueava o telemóvel, está bem?

Não há segredos quando não há código.

- Vê quando quiseres… - Sim, nem te importas.

Querida, queres que lhe ligue? Tu…

- Tão descontraído. - Não fiz nada.

O que aconteceu depois? Que fotos são aquelas?

Queres que seja sincero?

- O que aconteceu depois? - Nada. O que achas?

Ela viu o concerto e foi-se embora.

- Nós… - Vá lá!

- Só falámos ao telefone… - O que aconteceu?

- Nada. Bebi um copo. - Manda-te mensagem todas as manhãs!

- Levei-a a casa. Estava bêbada. - Levaste-a?

- Sim. - Bravo.

- Isto é… - E como a deixaste?

Estás a brincar?

Vês algo de mal no que escrevi?

- Estou a namoriscar? - O que fizeste depois?

Tenho culpa de ela me mandar fotos do decote?

- Talvez esteja interessada. - Porque envia isso todas as manhãs?

És o estilista dela? Sempre com três emojis!

- Ela… - Estava bêbada e fizeram sexo a três?

Não! Vou ser sincero.

- Não houve sexo! Nada! - Acabou!

Tu não mostraste interesse em mim. Todos merecem afeto de vez em quando!

E é bom recebê-lo!

Porque tiraste a aliança?

Mehmet, pensei muito.

Já não há amor verdadeiro entre nós.

Não somos bons um para o outro.

Estamos à deriva numa vida monótona e sem paixão.

É difícil admitir isto,

mas é verdade.

Pensares em mandar mensagens a esta mulher prova o que digo.

Não podemos continuar assim.

Nem devíamos.

Eu não consigo.

Lamento muito.

Escrevo-te esta carta

porque, se tentarmos falar, discutimos de novo.

Não vamos ouvir-nos um ao outro.

Defesas, acusações… Não tenho forças.

Não tenho forças para um casamento infeliz.

Vamos divorciar-nos.

É isso. Para ela, é simples.

Só porque troquei mensagens.

Se a Serin trocasse mensagens com alguém do passado,

como se sentiria?

Se o Mehmet se candidatasse a um emprego no estrangeiro sem lhe dizer,

como se sentiria?

Vou perguntar-vos uma coisa.

Por favor, pensem bem antes de responder.

Caso se conhecessem hoje, ainda se apaixonariam um pelo outro?

Já não somos quem éramos. Talvez não gostássemos nada um do outro.

Pois. Quem sabe?

Isso importa agora?

Estamos à espera da data no tribunal.

Também é a última sessão aqui.

Está bem.

Então, nesta última sessão, tenho uma última sugestão para vocês.

Porque teria o teu passaporte?

Olá.

Para o aeroporto.

Quando é a sua entrevista de emprego em Nova Iorque?

No mês que vem.

Perfeito.

Por acaso, podem ir juntos?

Quero que finjam que se encontram

pela primeira vez.

Só quero ajudá-la.

Vamos?

Por favor.

- Seria uma grande asneira. - Como assim?

- Não voltes a largar-me a mão. - Tu também não.

Ainda te amo muito.

Tenho saudades nossas.

Eu também. Vamos só desfrutar.

Água verde.

Com gengibre.

Pode curar a tua ressaca.

- Gostas disto. - Obrigada.

O álcool e os cigarros arrasaram-me. Já tens a tua mala?

Sim.

- Falta alguma coisa? - Não.

Porreiro.

Deliciosa.

Gostaste?

Parece que a terapeuta tinha razão.

Ontem foi bom para nós.

Sim, concordo.

Rimo-nos.

Estávamos alegres como antes.

E conversámos. Há muito tempo que não falávamos tanto.

E não discutimos.

Um com o outro.

- Pois. - Dói-te a mão?

Não, está bem.

Ontem, vi o antigo Mehmet nos teus olhos. O Mehmet que me quer.

Lembras-te do que ela disse?

"Se voltassem a conhecer-se, apaixonavam-se um pelo outro?"

Eu apaixonava-me.

Sim, apaixonava-me perdidamente pelo tipo que conheci ontem.

Mas não nos conhecemos ontem.

O que estás a dizer?

Não mudou nada.

As coisas que nos trouxeram aqui não desapareceram.

Ontem foi uma das noites mais memoráveis da minha vida.

Mas, quando regressarmos, de certeza que voltamos a discutir.

Voltaremos a arruinar a vida um do outro.

Não quero ser essa mulher. Rabugenta, sempre a gritar.

Detesto ser assim.

Tentar ser eu e nós ao mesmo tempo…

- E não te posso dar o que queres. - O que queria eu de ti?

- O que quis de ti? - Disseste-o ontem à noite.

- Não quero um bebé. - Está bem.

- Não posso. - Não quero viver aqui. Nunca quererei.

Sim, é por isso que nos libertaremos.

- Há outra solução? - Milhares.

Eu disse-te ontem. O que importa é escolhermos estar juntos.

Mas, em vez disso, descartas-nos e preferes viver aqui.

- É uma pena. - Descarto-nos?

A culpa é toda minha.

Tu queres o divórcio, eu não.

- Quero dizer, não queria. - Podias ter-me apoiado.

Em vez de dizeres "estou aqui para ti", dizes para não o fazer.

O problema é esse. Quando é pelo teu trabalho, tudo para.

Quando se trata do que sempre sonhei,

sou egoísta.

Do meu trabalho?

Abdiquei completamente de mim!

Dou tudo para te fazer feliz!

E tu queres vir para o estrangeiro!

Pelos vistos, isso justifica teres-me traído.

Não te traí.

Estás só a iludir-te.

Sabemos o que aconteceria se não te tivesse apanhado.

Serin, eu não te traí.

Não sou dos que traem.

Tu é que vieste comigo quando tinhas namorado.

Sai!

Vais sair?

Vamos divorciar-nos.

A data está marcada, percebes?

Não é uma brincadeira.

- Vou atrasar-me para a entrevista. - A entrevista.

O teu trabalho é importante. E esta cidade também!

Tudo é mais importante do que eu!

E dizes que me amas. Disseste-o ontem.

Sim, amo-te, mas não quero isto. Não percebes?

Está bem.

Não quero alguém que não me quer.

Vai-se embora?

Sim. Encontrei alojamento no Upper West Side.

- É mais perto do trabalho. - Não, tenho uma coisa para si.

Do Mehmet.

Obrigada.

Foi um prazer conhecê-la.

Serin, é a primeira vez que escrevo uma carta.

Não sei se me sairei bem, mas tentarei.

Talvez tenhas razão.

Talvez me explique melhor do que a falar frente a frente.

Tinhas razão.

Talvez eu não tenha conseguido ser tão bom como querias ou merecias.

Se não te fiz sentir que te apoio

em tudo o que fazes ou nos teus sonhos,

lamento.

Lamento muito

se te fiz sentir que já não te amo ou entendo,

mesmo que só por um dia.

Tenho tanto medo de te perder que estou mesmo a perder-te.

Sim, ambos tínhamos sonhos quando nos conhecemos

e, com o tempo, tivemos de abdicar de alguns deles.

Podíamos ter feito melhor do que culpar-nos um ao outro?

Não sei.

Mas uma coisa é certa,

os casais que envelhecem juntos também discutem.

- O cenário está pronto. Anda. - Sim, vou já.

Também se cansam e aborrecem

e, por vezes, querem desistir.

Só não desistem por um motivo,

pela fé em reencontrarem-se no lar que criaram

depois de tudo e todos desaparecerem.

O que chamo "lar"

e tu chamas "amor" ou "paixão" é, na verdade, essa fé, não achas?

Queria que tivéssemos essa fé.

Queria muito.

Oxalá fôssemos nós contra o mundo, a gritar: "Somos um!"

Oxalá não tivéssemos desistido.

Porque eu ainda te amo loucamente.

Tens um bilhete de volta.

Se mudares de ideias, estarei no voo para Istambul.

Queixo um pouco para a direita e um pouco para cima. Isso.

Lamento muito.

Está tudo bem?

Sim, está tudo bem. Eu…

- Tenho de ir. - Precisa de algo?

Não. Obrigada por tudo, mas tenho de ir.

- Espera… - Desculpem.

Adeus.

- Por favor. Por favor… - Não.

- Chegou tarde. - O meu marido está no avião.

- Está bem, o seu passaporte. - Sim. Obrigada.

Com licença.

- Posso? - Aonde vai? Está fechado.

- O meu marido está no avião. - Lamento.

Lamento, mas não pode passar.

- Não pode sair do avião assim. - Vou sair.

- Mudei de ideias. Desculpe. - Senhor!

- Não vou voar. - Não pode sair assim.

Vou chamar a polícia.

- Está bem, mas eu não vou. - Mehmet!

- Desculpem. - Venha comigo.

Chama alguém.

Não quero viver noutro país sem ti. Percebo a tua ira. Desculpa.

Deram-te o emprego?

Não vou aceitar.

Podemos não nos divorciar?

Desculpe, mas tem de vir comigo.

Dá-nos um segundo, por favor? Ouça…

É a minha mulher e vem comigo.

Se ainda não fechou.

Dê-me um segundo, está bem?

Por favor. Agradeço.

Dás-me luz verde? Está bem.

Senhor? Pode vir.

- Levamos a sua mulher. - Obrigado.

- Obrigado. - Passaporte?

Vem cá.

Obrigado, adeus!

Inacreditável! Estão a brincar?

Bolas!

Desapareceu.

Bem…

Está perdida.

Legendas: Lígia Teixeira

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