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Meu telegrama. Onde ele est�?
Sei que est� aqui. Em algum lugar...
H� quanto tempo ele est� a�?
Chegou h� dois dias. Por que n�o me disse?
Eu estava ocupado.
Ele chegar� hoje.
Ele...
Dorothy, eu preciso que voc�...
- Brian. Onde est� Dorothy? - Em Chicago.
Naquele encontro de editores do oeste.
- O que ela est� fazendo l�? - Voc� que disse pra ela ir.
Pra descobrir como expandir a Gazeta.
Preciso que imprima esse aviso agora mesmo.
� um convite p�blico para uma leitura de poesia.
Leitura de poesia?
O poeta mais famoso deste pa�s, o Sr. Walt Whitman, ir� ao meu hotel.
Walt Whitman vir� pra c�?
Sim. Est� se recuperando de um derrame...
e escolheu meu resort para repousar.
- Um derrame? Ele ficou paralisado? - N�o sei.
Preston lhe ofereceu repouso no hotel em troca da leitura de poesia.
Eu queria que ele n�o tivesse feito isso.
Por qu�?
Ouvi dizer que ele prega o amor livre.
Isso � s� sujeira.
J� leu as poesias dele, Loren?
Acho que um homem � livre pra escrever o que quiser...
mas por que tem que ler em p�blico?
Leitura p�blica?
Ora, isso � �timo, Brian.
A cidade toda ir� ouv�-lo dizer suas pr�prias palavras.
- Ele � o escritor favorito do Sully. - Ele � mais do que um escritor.
� um poeta famoso.
E come�ou a trabalhar num jornal, com a sua idade.
S�rio?
Talvez ele te d� algumas dicas.
Voc� acha? Um homem famoso como ele?
L�gico que ele � famoso, com aqueles poemas fortes.
Fortes?
� s� outra palavra para "art�stico". Um verdadeiro g�nio.
- E vai ficar no seu hotel. - O que me lembra... Pode se apressar?
Ele vai chegar no trem das 4 hs.
Com licen�a.
- Preston, preciso falar com voc�... - Agora n�o, Andrew.
Ol�!
Preston A. Lodge III, ao seu servi�o.
- Permita-me ajud�-lo. - Obrigado, Preston A. Lodge III...
Meu gracioso benfeitor.
A fragr�ncia do campo.
Permita que eu lhe apresente...
o m�dico formado em Harvard...
que supervisionar� o seu tratamento.
Dr. Andrew Cook.
� um prazer conhec�-lo.
Na verdade, a Dra. Quinn aqui �...
muito mais experiente do que eu nesse tratamento...
Senhor.
� uma honra conhec�-lo, Sr. Whitman.
Houve um mal entendido. Corrigirei tudo em um instante.
N�o h� nada a corrigir. Estou encantado com os arranjos.
- Deve estar cansando da viagem. - Sim, sim, claro.
A carruagem est� bem aqui.
- Eu pego as suas malas. - Ora, obrigado.
- Meu nome � Byron Sully... - Perdeu o ju�zo?
Desculpe. N�o posso atender esse homem.
Por causa da poesia dele?
Por favor, n�o me pe�a explica��es.
Como m�dicos, devemos deixar sentimentos pessoais de lado.
Eu imploro, Michaela. Confie em mim.
Voc� trabalha para ela ou para mim?
Voc� vai me agradecer por isso.
5� Temporada - Epis�dio 21 O Corpo El�trico
Ah, m�dicos. Eu os adoro.
Mas odeio seus rem�dios.
Eu fui enfermeiro volunt�rio na guerra.
Entendo.
N�o sente isso?
Nada?
H� quanto tempo est� assim?
O bastante para saber que isso n�o vai melhorar.
Talvez seja tempor�rio. J� vi casos de recupera��o lenta.
Como voc�, doutora, eu j� encarei a morte.
Tantos homens jovens...
Tantas perdas...
Somos velhos amigos. A morte e eu.
Amigos?
Como m�dica, sempre vi a morte como inimiga.
Bem, acho que n�o faz sentido morrer agora...
Com um semana de hospedagem gratuita.
Estive lendo sobre tratamentos experimentais...
para danos nos nervos, atrav�s de choques el�tricos.
J� tentei isso. Tentei tudo.
Terapia de choque, hidroterapia, frenologia...
O que � isso?
- Pomada de pimenta. - Isso eu n�o tentei.
Usamos para aquecer e estimular as partes afetadas do corpo.
Uma atitude positiva tamb�m � importante na recupera��o.
O senhor celebra a vida com tanta eloqu�ncia em seu trabalho.
- "Eu canto o corpo el�trico". - Conhece o meu trabalho!
Ah, sim!
E agora, sendo casada, posso apreci�-lo muito melhor.
Eu mesmo nunca me casei.
Mas conheci o amor. Sim, sem d�vida. Eu conheci o amor.
Seu cora��o � forte e o senhor parece estar cheio de vida.
Aplique isso duas vezes ao dia...
E volte amanh�. Eu gostaria muito de ajud�-lo.
N�o imagino pessoa melhor com quem me curar.
At� logo.
Dra. Mike.
- Ent�o? Como ele �? - O Sr. Whitman?
Bem, � encantador.
H� uma delicadeza nele.
Ele tem uma natureza sens�vel e doce.
- O que foi, Dra. Mike? - Eu n�o sei.
Ele parece triste.
Bem, deve ser desanimador...
um homem forte como ele se descobrir inv�lido.
Sinto que h� mais do que isso.
Ele parece resignado.
N�o acredito que ele espere se curar.
Pena que n�o tenha ningu�m para apoi�-lo nesse momento.
Ele deve ser um solit�rio.
Um pouco de companhia poderia ajud�-lo.
M�e!
Est� pronta? Voc� disse que ir�amos a biblioteca.
Ol�, Sr. Bray.
- Ora, est� lendo "Folhas de relva"! - Chamam isso de poesia?
Foi escrito pelo Sr. Whitman?
N�o vai deixar ele ler isso, vai?
Ah, sim.
Nem todos os trabalhos do Sr. Whitman s�o t�o...
T�o...
Irrestritos.
O que � irrestrito?
- Significa livre. Liberal. - Significa asqueroso, isso sim!
Os poemas do Sr. Whitman...
nos fazem ver as coisas de outra maneira.
- O que isso tem de errado? - Nada. � que �s vezes...
as pessoas temem id�ias novas.
Mas tenho certeza que h� poemas mais adequados.
Gostei dessa parte.
"A p� e tranq�ilo me entrego � estrada aberta,"
"Saud�vel, livre, o mundo � minha frente,"
"A longa trilha diante de mim"
"conduzindo-me aonde quer que eu escolha."
"Agora eu vejo o segredo do criar pessoas melhores,"
"� crescer ao ar livre e comer e dormir junto a terra."
"Camarada, te dou minha m�o!"
"Te dou meu amor, que vale mais que dinheiro"
"Eu me dou a ti sem serm�o ou lei"
"Allons! A estrada est� a nossa frente!"
Esses poemas falam o que eu sinto em meu cora��o.
Se as pessoas entendessem que n�o h� nada a temer...
"Tu te dar�s a mim?"
"Vir�s viajar comigo?"
"Seremos leais enquanto vivermos?"
O retrato de Whitman ser� o primeiro.
Um dia esta parede ser� uma galeria de nossos visitantes famosos.
Andrew. Posso falar com voc�?
Se me der licen�a, tenho pacientes me esperando.
O meu neg�cio n�o � conseguir pacientes para Michaela Quinn.
Bem... Voc� me deve uma explica��o.
E-eu pensaria mais antes de por um retrato de Whitman na parede...
ou de associar a reputa��o desse estabelecimento a ele.
Por qu�?
Do que est� falando?
Eu n�o gosto de fofocas, mas...
O fot�grafo est� pronto, senhor.
Pronto.
Muito bom.
- Obrigado, senhor - Foi um prazer.
Sr. Whitman.
Ser� que eu poderia fazer uma entrevista?
- Entrevista? - �. Eu sou Brian Cooper.
Sou rep�rter do jornal da cidade. A Gazeta.
N�o h� perfume como o da tinta da impressora...
para um jovem jornalista, n�o �, Sr. Cooper?
N�o, senhor!
Infelizmente eu estou de sa�da.
Preciso do ar fresco e puro deste lugar magn�fico.
Claro.
- Quem sabe uma outra hora. - Talvez queira caminhar comigo.
- S� para que eu n�o me perca. - Seria um prazer!
- O que est� escrevendo? - Meu di�rio.
Eu o levo para onde quer que eu v�.
Se algo me vem � cabe�a, eu escrevo.
Foi assim que se tornou um escritor?
Voc� deveria ter um.
- Sr. Whitman... - Pode me chamar de Walt.
Walt.
Como aprendeu a escrever poemas?
J� imaginou como �...
ser t�o alto assim?
Ter ra�zes em vez de dedos, enterrados bem fundo no solo?
Curvar-se com o vento?
Sentir a seiva percorrendo suas veias?
Ter ninhos sobre os seus...
- Cabelos? - Exato.
Essa � a �nica maneira que conhe�o de ser poeta.
� cheirar, ouvir...
sentir e ver como uma �rvore, at� que eu esque�a de quem sou...
e me torne uma �rvore.
E a �rvore se torne uma parte de mim.
Verdade?
"Nascia uma crian�a todos os dias"
"E o primeiro objeto que ela olhava e recebia com surpresa..."
"ou piedade ou amor ou nojo,..."
"aquele objeto ela se tornava."
LEITURA DE POESIA - O que � isso?
Oportunidade.
Algo que voc� deve aprender a agarrar.
Preston...
Meu colega de quarto em Harvard tinha um primo...
que passou um bom tempo...
em companhia de Whitman. E ele me disse...
Que Whitman � peculiar.
Peculiar?
Um degenerado.
Degenerado?
Ele prefere a companhia de homens.
Se � que voc� me entende.
- Eu s� te contei porque... - Sim, sim, sim, � claro.
N�o comente isso com ningu�m.
"Estou com aqueles que acreditam em prazeres largados,"
"eu compartilho as orgias de meia-noite dos jovens"
"dan�o com os dan�arinos e bebo com os que gostam de beber"
Preston. Voc� devia ouvir isso.
Nossos clientes adoram essas coisas.
Quero s� ver a cara da Dra. Mike quando ela ler esse poema.
Ah, Sr. Whitman. Eu o estava procurando.
Fico lisonjeado com sua gentil aten��o.
Pelo contr�rio.
Receio que eu tenha sido muito descuidado.
N�o fazia id�ia da extens�o de sua enfermidade e agora...
vejo que uma leitura p�blica lhe seria uma tribula��o.
N�o h� problema algum.
N�o. N�o posso permitir que se arrisque a ter outro derrame.
Me parece que o Sr. Whitman � quem decide se est� bem ou n�o.
Talvez haja um outro motivo, Sr. Lodge.
Claro que n�o.
Conseguirei um vag�o privado no trem de amanh�...
para lev�-lo ao Instituto do Dr. Tuchman em Omanha.
Mas acho seu resort muito adequado.
Voc� foi muito gracioso em me oferecer uma semana de estadia.
Acho que ainda vou aproveitar essa oferta.
Se o senhor insiste...
- Mas a leitura de poesia... - Ser� cancelada.
Eu entendo. Perfeitamente.
Bom dia, Preston A. Lodge III.
O que houve?
- Cedeu a press�o da cidade, n�o foi? - N�o cedi a press�o alguma.
Tenhos os meus motivos.
Qual � o problema, Preston?
Perdeu o seu gosto por poesia?
Eu j� deveria saber que voc� acabaria cedendo.
J� que voc� � f� de Whitman, deixarei isso com voc�.
Talvez um dia voc� entenda o quanto minha decis�o foi s�bia.
Bem, Dra. Mike...
- O que vai fazer agora? - Eu n�o sei, Jake.
Mas haver� uma leitura de poesia, isso eu prometo.
- Sim? - � Michaela, reverendo.
Em que posso ajudar?
Vim lhe pedir um favor.
Sei que n�s dois tivemos revervas sobre o Sr. Whitman no passado e...
sei que isso � pedir muito de voc�.
Mas espero que considere isso com a mente aberta.
Que eu considere o qu�?
Vim pedir que a leitura de poesia seja aqui.
Essa � a casa do Senhor.
Mas tamb�m � um local de reuni�es p�blicas.
Seria uma pena as pessoas perderem a chance...
de ouvir um grande escritor...
lendo suas pr�prias palavras.
O Sr. Whitman � uma pessoa solit�ria em um momento dif�cil...
Ele precisa de nossa ajuda, reverendo.
At� quando precisa de uma resposta?
Receio que s� nos reste alguns dias.
Eu sei que vou me arrepender disso...
O que aquilo est� fazendo ali?
- Pus onde o senhor mandou. - Tire-o.
- Senhor? - Tire j�.
Viu o Sr. Whitman?
Est� nas �guas quentes.
Foi bom te ver.
O reverendo permitiu que a leitura seja na igreja.
Na igreja?
Nem todos n�s somos como o Sr. Lodge.
- O reverendo tem uma mente aberta. - Foi muita gentileza sua.
M�s not�cias?
Uma proposta de casamento de uma dama que eu nunca conheci.
A culpa � minha.
Esses poemas ansiando por uma alma g�mea me trazem problemas.
Talvez devesse responder.
Na verdade, eu j� tenho uma alma g�mea.
O senhor n�o me falou disso.
Onde ela est�?
Eu deixei o meu amor em Washington.
Quando Sully est� longe, eu me sinto muito sozinha.
Por que n�o a chama?
Isso n�o � natural, Grace. � perverso!
Bem...
O que sei � que quando...
eu era menina em New Orleans, havia todo tipo de gente.
- Mas n�o nos intromet�amos. - Gente como ele?
Muitas fam�lias tem tias e tios solteir�es.
Voc� est� sempre citando a B�blia.
Agora vai me dizer que a B�blia diz que isso � certo?
A B�blia diz:
"N�o julgueis para que n�o sejais julgados."
Ol�, reverendo.
- Robert E. - Bom dia.
Bom dia, Sully. Eu gostaria de falar com Michaela, por favor.
Reverendo!
Michaela...
Lamento, mas vim dizer que mudei de id�ia.
A leitura de poesia n�o poder� mais ser na igreja.
Mas voc� tinha concordado.
- Eu at� j� disse ao Sr. Whitman. - Por que mudou de id�ia?
N�o temos porque prolongar essa discuss�o.
Robert E?
Quanto mais cedo Whitman deixar nossa cidade, melhor.
Bom dia, Sully. Michaela.
Por que n�o lhe d�o uma chance?
Se abrissem suas mentes,...
veriam que suas poesias s� falam de amor.
Talvez esse seja o problema deles.
Tem que haver outro lugar para a leitura.
Um lugar grande o bastante para...
caber todos dentro.
Por que "dentro"?
Que tal a campina?
Sabe que o Sr. Whitman gosta do ar livre.
Essa � uma �tima id�ia.
� perfeito!
"Escrevendo essa carta"
"contendo tr�s linhas"
"Responda a minha pergunta"
"Voc� me pertencer�?"
- "Voc� me pertencer�? - Sr. Whitman!
N�o se aproxime, jovem dama.
Eu n�o esperava companhia.
O senhor est� bem mesmo?
N�o estou caducando, se � o que pensou.
Voc� s� viu por acaso a minha rotina de rejuvenescimento.
Bem, eu...
- N�o quero interromp�-lo. - N�o. Espere... Por favor.
"Doce, s�, mas ainda nudez na natureza"
"Ah, se a pobre, doente humanidade nas cidades..."
"pudesse saber disso mais uma vez"
"E chegam os humores...
"de quando nossas roupas..."
"s�o t�o cansativas de se vestir."
- Seu humor parece bem melhor. - Pensei no que voc� me disse.
Sobre me sentir sozinho. Chamei minha alma g�mea.
- Isso � �timo. - Eu...
- Acho que... - Por isso est� t�o animado.
Fico feliz.
Sabe o que ouvi sobre Whitman na ferraria?
Parece que ele se interessa por homens.
N�o brinca...
Tem certeza?
Ouvi com meus pr�prios ouvidos.
Exato. Ouvi de Miz Bailey...
cujo irm�o estava na esta��o...
e soube tudo sobre o Sr. Whitman.
Grace, eu trouxe um novo folheto para voc�.
LEITURA DE POESIA NA CAMPINA
� bom que continue o apoiando.
- O que importa toda a fofoca? - Que fofoca?
- Sobre o Sr. Whitman. - O que tem ele?
N�o ficou sabendo?
Algum problema?
- Todos est�o falando do Sr. Whitman. - Eu j� ouvi.
E o que voc� acha?
N�o importa o que eu acho. � s� falat�rio.
Como podemos saber que n�o � verdade?
Mas voc� mesma disse que todos deveriam abrir suas mentes.
Mas isso � diferente.
N�o sabemos nada sobre ele.
Como pessoa.
- M�e. Sully. - Algo errado?
Anthony disse que o Sr. Whitman � um pecador.
Isso n�o � verdade. Ele � muito bom.
Ele explica as coisas de um jeito que nunca pensei.
Falou com o Sr. Whitman? Voc� n�o me contou.
Falei com ele pra escrever um artigo pra Gazeta.
- Ent�o foi uma entrevista. - �.
Caminhamos na floresta.
- Walt chamou isso de divaga��o. - "Walt"?
Ele disse pra eu cham�-lo assim.
- Foram s� voc�s dois? - �.
Sozinhos?
Ele est� me ajudando a ver as coisas como um poeta v�.
- Tenho que ler um pouco. - Querido...
Eu sei que o Sr. Whitman � uma pessoa interessante.
Mas se voltar a entrevist�-lo,...
seria mais profissional faz�-lo na cidade.
Claro.
E se for verdade?
Os Cheyenne acreditam que algumas pessoas s�o naturalmente assim.
"Heh-emma-neh".
� assim que elas s�o chamadas.
S�o respeitadas como qualquer outro membro da tribo.
Se est� preocupada com o Brian...
Eu... Eu s� n�o sei o que pensar.
O Sr. Whitman esteve l� na minha cl�nica.
Bem na minha frente, e eu n�o vi isso.
- N�o h� nada pra ver. - Mas se for verdade e eu n�o vi...
O que mais deixei de ver?
- Sr. Whitman. -Vim para a minha consulta.
Sim, claro. Entre.
- Como est� hoje? - Como sempre.
Falando nisso... Como est� voc�?
Ah, eu... Estou bem, obrigada.
Bem.. Vamos come�ar testando seus reflexos.
Est� usando a pomada?
Mas certas coisas n�o podem ser alteradas, cara doutora.
Devemos aprender a aceit�-las como s�o.
- Brian me falou de sua divaga��o. - Ele � um menino querido.
Ele disse que o senhor...
- Falou sobre poesia. - Despertei nele a alma de poeta.
De-deixe eu dar uma olhada no seu bra�o.
- Michaela? - Escute...
"Camarada, te dou minha m�o!"
"Te dou meu amor, que vale mais que dinheiro"
"Eu me dou a ti sem serm�o ou lei"
� lindo.
Percebe o que significa?
"Tu te dar�s a mim? "Vir�s viajar comigo?"
"Seremos leais enquanto vivermos?"
Sully, ele est� falando do camarada dele. Seu companheiro.
Um homem.
S�os as mesmas palavras de antes.
Sully, est� dizendo que se isso for verdade...
Est� tudo bem?
Eu estou dizendo que...
mesmo se for verdade...
ele continua sendo a mesma pessoa.
O que muda � o modo como todos olham pra ele.
Obrigada.
Pete!
Walt!
- Achei que nunca fosse chegar! - Ah, Pete.
Ah, Dra. Quinn. Quero lhe apresentar meu amigo Peter Doyle.
Esse � o anjo que me convenceu a chamar voc�.
Prazer em conhec�-lo, Sr. Doyle.
Senhora.
Sabe, Walt, nunca sonharia vir a um lugar como este.
Bem vindo ao oeste, caro rapaz.
- Olhem s� pra eles. - Um casal de maricas.
Sr. Lodge!
Teria a bondade de nos providenciar transporte para o hotel?
Lamento, mas n�o h� mais vagas.
Talvez o Pepita de Ouro possa acomodar o seu amigo.
Estamos lotados.
N�o vou ficar com voc�, Walt?
Meu amigo est� cansado pela longa viagem.
O senhor insistiu em aproveitar minha oferta, lembra-se?
Isso n�o inclui ele.
Tenho um quarto em minha cl�nica.
S�o bem vindos a ficarem l�, se quiserem.
Ser� s� por uma noite.
Iremos embora amanh�.
Entre.
- Eu vim me des... - J� sabia de tudo, n�o �?
Eu vim me desculpar, Michaela.
N�o sinto orgulho por t�-lo empurrado para voc�...
E n�o sabia o que fazer.
- Ele n�o � uma m� pessoa. - Voc� tem toda raz�o.
Na verdade, esse jornal...
publicado no ano passado em Berlin pelo Dr. Westfall...
Sugere que degenera��o sexual pode ser um defeito gen�tico.
De acordo com ele, essas pessoas n�o conseguem evitar isso nem se controlar.
- N�o � culpa delas. - Culpa?
Que id�ia estranha.
E que tratamento ele sugere?
Internar a pessoa em um sanat�rio.
Que horror!
� uma crueldade desnecess�ria.
Mas tenho que dizer que, como m�dicos,...
nossas escolhas nem sempre s�o agrad�veis.
Suponha que n�o seja um defeito gen�tico como diz o Dr. Westfall.
Ent�o � uma quest�o de vontade. Se elas n�o podem se controlar...
Eu n�o queria interromper.
Mas seus h�spedes podem estar com fome.
Eu j� estava saindo.
� muita gentileza sua, Grace. Obrigada.
Disponha, Dra. Mike.
Essa foi boa! Isso est� mesmo escrito a�?
Eu... Espero n�o estar interrompendo.
Oh, n�o. Pode entrar. Pete s� est� lendo minhas cartas.
Parece muito animado hoje.
Me sinto como um rec�m-nascido.
Fico feliz em ouvir isso.
Depois do que aconteceu ontem.
Eu n�o deixo que isso me incomode.
Essas pobres esp�cimes humanas, presas em suas botas apertadas...
bot�es, e todos o grilh�es da vida civilizada.
N�o h� tempo para isso quando se est� apaixonado.
Ah, sim.
Eu estou apaixonado...
pelo afastamento da cidade.
E estou apaixonado pelo...
belo som das cascatas e...
lindos carvalhos e cedros verdes...
E estou apaixonado por este vasto territ�rio selvagem...
o Colorado!
Ah, eu quase me esqueci.
- Grace mandou o almo�o. - Vitaminas!
Sustento! Que maravilha.
- Estou faminto. - Deve ser por toda essa conversa.
Eu queria que voc� o tivesse visto.
Ele estava t�o feliz, t�o cheio de vida.
Mas ainda n�o consigo deixar de pensar que...
isso n�o � normal.
Eu queria poder entend�-lo.
Se lembra porqu� voc� disse pra ele chamar o amigo dele?
Eu estava preocupada com ele. Ele parecia t�o...
Desanimado, triste e sozinho...
E isso tamb�m n�o � normal, certo?
Voc� � m�dica...
e s� queria v�-lo melhor.
Sim, claro, mas...
Eu n�o sabia que a alma g�mea dele era um homem.
Agora ele est� melhor?
Sim.
Ent�o por que voc� n�o pode aceitar isso?
- Boa tarde, Sr. Doyle. - Senhora.
Eu s� queria agradecer... por cuidar de Walt.
Ele estava t�o mal e...
n�o importa o que tenha feito, ele est� bem melhor.
Foi a sua chegada que o animou.
Walt disse que o seu filho � um �timo escritor.
Ele � muito gentil em se interessar.
Bem, eles devem voltar a tempo de pegarmos nosso trem.
Voltar?
Da pescaria.
Eles...
Sa�ram juntos?
Para pescar?
Walt diz que � assim que ele se inspira.
Adeus, Sr. Doyle.
Senhora.
Sully.
Brian foi pescar com o Sr. Whitman.
Voc� n�o disse que n�o podiam pescar.
Eu disse para ele ficar na cidade.
Para entrevist�-lo.
Sully, voc� j� parou para pensar...
E se houver algo errado com ele?
- Vou procurar o Brian. - Michaela, fique cal...
- Sr. Whitman... - Eu queria que me chamasse de Walt.
Walt.
Voc� � um pecador?
Da �ltima vez que o li, o Bom Livro dizia que todos somos pecadores.
Na cidade, est�o chamando o senhor de efeminado.
O que isso significa?
� s� uma palavra, filho. Uma palavra usada como arma.
Uma arma?
As palavras podem ferir tanto quanto uma baioneta.
Mas elas tamb�m tem o poder de curar.
Eu canto as palavras, assim como voc�.
E cabe a n�s us�-las para construir e n�o para destruir.
Para transmitir o amor por toda essa incr�vel e jovem terra.
Para celebrar o que � bom, verdadeiro, livre e ...
Irrestrito?
Essa � uma �tima palavra.
Irrestrito.
Sim...
Lembra o que voc� me disse?
A poesia diz o que est� dentro de nossos cora��es.
E voc� disse que n�o h� nada a temer.
Bem, Pete, j� podemos marchar adiante, meu rapaz.
Sim, cara doutora. Temos que dizer adeus.
Eu esperava convenc�-los a ficar.
At� a leitura de poesia.
Voc� decide, Walt.
Precisamos ouvir suas palavras eloquentes.
"Eu canto o corpo el�trico"
"Corpos de homens e mulheres me cercam, e eu os cerco,"
"J� percebi que estar junto de quem gosto me basta"
"Passar no meio deles... tocar qualquer um..."
"pousar de leve meu bra�o ao redor..."
do pesco�o dele ou dela por um momento"
"N�o pe�o del�cia maior "
"Eu ou�o a Am�rica cantando,"
"as diferentes can��es, eu ou�o,"
"O carpinteiro a cantar a sua enquanto mede a sua prancha"
"O pedreiro cantar a sua enquanto ele est� pronto para o trabalho"
"O sapateiro a cantar enquanto senta em seu banco"
"Cada um canta o que pertence a ele, ou � ela e a nenhum outro"
"Nascia uma crian�a todos os dias"
"E o primeiro objeto que ela olhava e recebia com surpresa..."
"ou piedade ou amor ou nojo,..."
"aquele objeto ela se tornava."
"E aquele objeto se tornava parte dela por um dia"
"E por uma certa parte de um dia"
"ou por muitos anos, ou por longos ciclos de anos"
"E as jovens lilases se tornaram parte dessa crian�a"
"A relva macia e verde, as manh�s ensolaradas"
"Os cravos brancos e os vermelhos, e o canto dos p�ssaros"
"E a professora que se dirigia � sua escola"
"E os meninos amig�veis que passavam, e os meninos briguentos"
"E as meninas bem vestidas"
"E meninas e meninos negros descal�os"
"E todas a mudan�as das cidades e pa�ses..."
"onde esteve, se tornaram parte dessa crian�a..."
"que nascia todos os dias..."
"que nasce agora e que nascer�..."
"Todos os dias."
Tradu��o e legendas J. M. Mazaia
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