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Original subtitles

PUNTA CANA TR�S SEMANAS DEPOIS DO ASSALTO

Querida,

quando leres isto, j� devo estar morto.

Todos prontos para o bingo?

Encontraram-me.

Desculpe, d�-me uma cerveja?

Estou cercado.

No in�cio, pensei que fosse a Interpol,

mas n�o.

A forma como atuam... N�o s�o pol�cias.

N�o consigo escapar.

V� l�, malta! Mais alto! Bingo, bingo, bingo!

Bingo, bingo, bingo!

Nunca fal�mos da minha antiga vida.

Talvez porque n�o queria que me visses dessa forma.

Mas querida...

N�o consigo escapar.

- Desculpe. - Ent�o?

- Mostre-me a casa de banho mais pr�xima. - Siga-me, por favor.

A casa de banho � ali. Pode seguir por...

Espere, � por aqui.

Se eu n�o voltar para casa,

quero que digas ao John e ao Eddie

que os amo.

Est� bem?

Todos os dias.

Todos os segundos.

Vamos l�!

Quero ouvir l� atr�s!

- Bingo, bingo, bingo! - Bingo, bingo, bingo!

Bingo, bingo, bingo!

Quando tiverem idade,

quero que saibam

quem era o pai deles.

E o que aconteceu.

Quando o Eddie ia nascer...

... juro-te

que nunca tive tanto medo.

Ai...

Estou a ver-te, querida. Estou a ver-te.

ESTOCOLMO 18 MESES ANTES DO ASSALTO

Pronto. Pronto.

Estou aqui, querida.

Est� tudo bem.

Est� tudo bem.

D�-me a m�o.

Estamos quase l�.

Querida, estamos quase l�.

Ai...

Respira.

Olha, o hospital � aqui. J� o estou a ver.

Desculpe. Desculpe.

Pode ajudar-nos?

Ai...

Querida, anda.

V� l�, querida. Vamos.

Vamos.

Venha, vamos ajud�-la. Vamos.

Anda, querida.

Ai...

Venha comigo.

Estou aqui, querida.

- N�o! - Querida...

- Ent�o? - N�o!

Tenho orgulho em ti. Ent�o?

Est� bem?

Sim?

Ol�, Karin. Sou a Anna, a m�dica.

- Temos de a sedar. - N�o.

- Temos de fazer o parto. - N�o.

- Vai correr tudo bem. Vamos. - N�o quero.

Ent�o? Ent�o?

O qu�?

Ol�, filho.

E nunca fui t�o feliz como estava 30 minutos depois.

- Ol�. - Ol�.

- Ol�. - Ol�.

� o seu primeiro filho?

- N�o, � o segundo. - Ent�o, j� sabe como �.

Nem por isso.

Perdi o primeiro.

Pode sentar-se a�.

- Aqui? - Sim.

- Pode tirar o casaco. - Est� bem.

Sim.

Sim.

A� vai ele.

Pronto.

Estavas no p�s-operat�rio.

Tinha o Eddie ao meu colo.

Comecei a pensar na psic�loga que me seguia na pris�o de Norrt�lje.

Ela dizia "Rami.

Para se libertar da criminalidade,

tem de criar uma nova identidade,

que seja ainda mais forte."

Obrigado.

Pensei na minha inf�ncia

e no Michel, o meu melhor amigo,

que nunca conheceste.

... tesoura. Pedra, papel, tesoura...

A psic�loga sugeriu

que est�vamos a vingar-nos da sociedade,

que roub�vamos o que outros tinham conseguido.

Se n�o v�o comprar nada, v�o-se embora.

Anda, vamos.

Porque n�o comes?

Come a tua comida!

Ela queria encontrar algo para culpar.

Um pai demasiado r�gido.

Uma m�e bondosa.

Um sub�rbio.

Um amigo.

- Rami! - Ol�, Michel.

Eu espero aqui.

- Ent�o? - Foge!

Foge!

O que est�o a fazer?

- Ent�o? - Merda!

Parem!

Raios...

Malditos mi�dos, esperem!

Esperem!

Esperem!

Esperem!

Michel!

Mas a verdade...

Conduz. V� l�.

A verdade � que nos torn�mos ladr�es porque adoramos.

Vamos!

- Para! - Para o carro!

- Para o carro! - Para!

- Para o carro! - Para o carro!

- Saiam do carro. - Saiam j�!

- Saiam do carro. - No ch�o!

- V� l�. No ch�o. - Mais perto! Mais perto, j� disse!

Para baixo. �timo, fiquem a�.

Anda c�.

Fica aqui! Olhos no ch�o!

Cinco!

- Tapem os ouvidos. - Quatro! Tr�s! Dois!

Um!

Ent�o?

- Como te chamas? - Patrik.

- Quanto ganhas por m�s, Patrik? - 22 mil.

Vais armar-te em Rambo por 22 mil?

Levanta-te. Se os teus chefes quisessem, travavam-nos.

� mais barato para eles pagar o dinheiro do seguro.

Abre o cofre.

Na verdade, n�o se tratava de dinheiro. Tratava-se de ganhar.

Est� aberto! Pr�ximo!

E o Michel...

Ele era o maior.

Deita-te, Patrik. �timo, deita-te a�. Isso mesmo.

Vamos l�!

Ningu�m diria ao olhar para ele.

Vou buscar o �ltimo.

V� l�!

� assim que se faz!

Vejam s�!

A maior parte deles acabou por se entregar.

O Michel fez o oposto.

No meio. Por aqui.

Sem rel�gios, sem carros... Nada que chamasse a aten��o.

N�o fiz nada.

Bem antes dos 30 j� era uma lenda no ramo.

Mas durante a semana, trabalhava como volunt�rio em Fittja.

O Michel estava sempre tr�s passos � frente.

Para a Pol�cia, ele era um fantasma.

Pensava mais al�m do que todos, sonhava mais al�m.

Isto, Karin...

Era a minha vida quando nos conhecemos.

Quando me olhaste nos olhos pela primeira vez...

O fogo que viste, o impulso, o desejo, aquele por quem te apaixonaste...

Era o ladr�o em mim.

Fica aqui.

Mas quando o John nasceu...

Quando prometi que nunca mais terias de me visitar na pris�o,

falei a s�rio.

N�o hesitei por um segundo

em afastar-me de tudo, de todos.

At� do Michel.

Sou o pai.

Quando o Eddie nasceu,

fiquei na maternidade a ver o nascer do sol.

Lembro-me de pensar que a psic�loga...

Ela tinha raz�o.

A mam� j� aqui est�.

A mam� est� aqui.

J� n�o era um ladr�o.

Tinha criado uma identidade melhor,

mais forte.

Meu menino.

Adoro-te.

O ASSALTO DE HELIC�PTERO

Trazem-me salm�o, sem molho, com batatas?

Salm�o, sem molho, com batatas, a sair!

ESTOCOLMO SEIS MESES ANTES DO ASSALTO

Uma solha e alm�ndegas sem cebolas para a mesa 3!

N�o temos solha. V� se pode ser salm�o.

- Rami? - Sim.

- Parece que o molho n�o � fresco. - � uma mistura. O que posso dizer?

- Qual � a diferen�a? - N�o consigo fazer um b�arnaise agora.

Despacha-te, os clientes est�o � espera.

V�, mexe-te.

Rami, n�o mandes mensagens durante o trabalho.

Tr�s alm�ndegas com molho de cebola a sair!

E um pouco de amor, sim?

A� tens.

Sabes quando chega o carregamento?

�s 6h30, no cais 12.

�timo.

E o distribuidor sabe quantos quilos temos?

Sim, e mal podem esperar.

Boa.

Cortar o bolo!

Olle!

- Ol�, querido. - �s o primeiro.

Olle?

Seguinte!

Agora � para ti. Aqui tens.

Rami?

N�o ias perder peso?

Sim.

- Tens a certeza? - Sim.

- Tenho a certeza. - Est� bem.

Aqui tens. Leva uma colher.

- A casa est� linda. - Foi a Karin.

Deves ter contribu�do com algo.

N�o reconhe�o aquilo.

O cortinado do M�dio Oriente?

- Sim, ou... Sim. - Foi a Karin.

Tr�s meses, no m�nimo. Um ano, no m�ximo.

Mas o sonho �...

... comprar...

... a nossa casa.

A �rea da Esta��o Sul

� muito mais barata por metro quadrado.

Desde que tenhas est�mago para a arquitetura.

H� mais?

Sim.

Sim. Que bom.

- Obrigado por hoje, meninas. - Obrigada.

Muito bem. Vais para a segunda volta?

Bem, eu n�o

comi grande coisa.

Est� saboroso.

Ouve.

Talvez n�o seja o melhor dia para falar de neg�cios, mas...

Como n�o soube de nada.

Merda, desculpa.

Tenho estado atolado em trabalho.

O primeiro carregamento foi vendido.

E os donos de restaurantes...

N�o querem intermedi�rios,

por isso, ligam-nos a toda a hora.

E o Hassan?

O Hassan diz que provavelmente teremos lucro no primeiro ano.

Est� bem.

- Vou ter com a Karin. - Sim, vai.

N�o podes ir � loja comprar Ben & Jerry's?

Est�s a brincar?

Temos imenso bolo.

Sim, mas tamb�m precisamos de fraldas.

Pronto.

Estou muito cansado. Trabalhei o dia todo.

Eu n�o durmo h� dois anos.

Nem eu.

Dei � luz duas melancias.

N�o vou sozinha � casa de banho h� dois anos.

Sou a �nica que amamenta. Obrigada.

Cookie Dough.

A economia continua em dificuldades. O valor dos bens, o PIB,

ca�ram mais de 6 % desde 2008. Mesmo que 6 %...

... empregos em quase todos os setores.

Trabalhos em escrit�rios e na ind�stria...

Sim, mas n�o podemos comprar um destes?

Ent�o?

- Olha s�. - Olha para ti!

Como est�s? O que aconteceu? Est�s magrinho.

Como est�s, meu?

- Raios. - Tive saudades tuas.

Tenho andado para te ligar.

- A s�rio? - Juro.

- A s�rio? - Fico ansioso.

O qu�? Sei que foste pai.

- Sim, pai de dois filhos. - Isso � fant�stico.

- Parab�ns. - Tens de os conhecer.

- O que andas aqui a fazer? - Vamos beber uma cerveja.

- Mano, juro... - Uma cerveja.

- A Karin est� � espera do gelado. - Pequena.

Est� bem.

Divertiste-te?

Est� bem, eu perdoo-te.

Ouve, estive com... Sabes, o Hapido.

Hamid.

- Ainda usa esse nome? - Sim. Disse que tens um neg�cio.

- Aqui t�m. - Obrigado.

- Os sapatos est�o ali. - N�o vamos jogar b�lingue.

- � happy hour, um jogo est� inclu�do. - Obrigado.

Ele disse-me... Falou em camar�o.

Posso explicar?

Depois vou.

Olha.

Aqui fica...

A Noruega.

Aqui � a Su�cia.

Aqui � o Mar do Norte.

Todos pescam camar�o no Mar do Norte.

Os camar�es s�o pequenos, n�o s�o firmes.

Para teres melhores camar�es tens de ir � costa da Gronel�ndia.

O problema � que n�o se podem transportar

para a costa leste sem perderem a qualidade.

Certo.

Mas descobrimos o segredo.

- Temos um congelador novo. - Est� bem.

Temos aqui um contentor. O camar�o vai para o contentor.

Do contentor, enviamo-los para Estocolmo.

- Sabes o que acontece depois? - O qu�?

- N�o perdem qualidade. - Como te meteste nisto?

- Diz-me. - Lembras-te do Sulle?

Importava flores de Amesterd�o.

Sim. O apelido � Suleyman, certo?

O Sulle conhecia um tipo em Frihamnen,

um turco chamado Hassan Kaya.

E o Hassan tem toda uma infraestrutura, desde a exporta��o � importa��o.

Est� no ramo h� 20 anos.

Precisavam de um investidor e...

Arranjei investidores, investi dinheiro... E pedi dinheiro emprestado.

- Quem tens a bordo? - O meu sogro, o Granit e mais uns.

O Granit?

- � s� o intermedi�rio. - Certo.

Est�s empenhado a fundo.

Com tudo o que tenho.

Tudo?

Deixa-me mostrar-te algo.

Olha para isto.

"Rami Farhan. Ishavimport AB. Importador."

Homem de fam�lia.

Cidad�o cumpridor da lei.

Chef�o do camar�o.

Foi a Karin que fez.

Ela � designer.

Mas s� falo de mim.

Mano, conta-me tudo. O que tens andado a fazer?

Ele podia ter dito que se estava a tentar orientar.

Mesmo se fosse,

bem, gest�o de dinheiro.

Ele podia ter mencionado a pasta que estava a tentar vender.

Zoran deparou-se com o design da pasta de seguran�a alem� G4S.

Depois, criou a sua pr�pria pasta com fun��es semelhantes,

mas por um ter�o do pre�o.

Temos c�maras de vigil�ncia. microfones escondidos...

O Michel sabia que n�o comprariam.

O contrato foi prolongado dez anos no futuro.

S� havia uma forma de o acordo ser quebrado.

Se algu�m desativasse a pasta e publicasse no YouTube,

a G4S seria for�ada a substituir todas as suas 6200 pastas,

uma encomenda de 200 milh�es.

E o Michel e o Zoran

seriam os primeiros da fila.

V� l�. N�o te preocupes.

Por aqui.

Foi por isso que levaram v�rios engenheiros jugoslavos

a uma oficina de pneus em Tumba,

com ideias mais ou menos bem-sucedidas

de como desativar a pasta.

Tr�s, dois, um...

Puseram toda a sua f� num engenheiro esloveno

que tinha desenhado uma guilhotina de tit�nio para eles.

Olha.

Cada um tem um motor de foguet�o qu�mico.

Com um �nico corte,

pode cortar as ampolas

e libertar o dinheiro.

Ou podia ter falado da Alex...

... a rapariga com quem andava,

que lhe fez despertar um sonho antigo.

Mas ele s� disse...

Vai andando.

Vamos, para a direita!

E quando nos separ�mos, ele disse...

Liga-me se quiseres fazer alguma coisa.

Ambos sab�amos o que queria dizer.

O qu�?

E ambos sab�amos que n�o aconteceria.

Com licen�a.

Com licen�a!

Com licen�a!

Pode abrir?

Vive aqui?

- Sim, vivo aqui. - Mas n�o tem chave?

N�o, esqueci-me. Vivo no terceiro andar.

Fui comprar fraldas.

Como se chama?

Bem...

Chamo-me Farhan, mas o nome n�o est� a�.

Tenho um arrendamento de curta dura��o.

Desculpe, disseram-nos para n�o deixar entrar pessoas como...

Pessoas como?...

Pessoas como o qu�? Ent�o?

Est� a brincar?

Ent�o?

Filho da m�e.

Ligou para a Karin. N�o posso atender...

- Rami? - Sim, querida.

Onde estiveste?

Esqueci-me da chave e ningu�m me deixava entrar.

Como assim?

O gelado derreteu.

N�o importa, querida.

Preciso do meu nome escrito em chamas na porta,

sen�o, acham que sou um ladr�o.

Estou t�o farto disto.

Que se foda o que um racista dissimulado diz.

Temos de arranjar uma casa.

Estou farto de arrendamentos de curta dura��o.

Depois da licen�a de maternidade podemos voltar ao banco.

O meu pai pode ser fiador.

Ou talvez n�o precisemos dele.

O qu�?

Era para ser uma surpresa.

O primeiro carregamento chega amanh�.

E o Hassan diz que ap�s o terceiro ou quarto carregamento,

posso ganhar um sal�rio.

Depois, podemos comprar um contrato no mercado negro.

- N�o vamos dan�ar. - Vamos.

- Mas que raio. - V� l�.

- Pronto. - Vamos fazer...

- S� conhe�o a outra dan�a. - Eu sei, mas com uma m�o assim.

- Est� bem. - E outra assim.

Ent�o, a dan�a chata.

E deves relaxar o bra�o.

Muito relaxado?

Mais ou menos assim.

- Assim? - Sim.

- Est� bem. - Depois, um e dois, um...

- N�o podemos dan�ar a outra? - Qual?

- Esta? - Esta dan�a.

Est� bem.

A s�rio.

Que se lixe o que pensam de ti.

Que se lixe.

Sabes o que vejo em ti?

Um tipo sensual?

Vejo algu�m t�o corajoso...

... que mudou toda a sua vida...

... que mostra aos filhos que tudo � poss�vel.

E acontece

que me apaixonei por ele.

Qu�o apaixonada?

Muito apaixonada.

Estou apaixonado por ti.

Mesmo muito.

Querido!

- Ol�. - Ol�.

- Ol�. - Ol�.

Espera.

Que horas s�o?

Foda-se!

Desculpe.

N�o pode andar aqui.

Estou � espera de um carregamento. Sabe onde fica o cais 12?

Sim, al�m.

Certo.

Mas n�o pode andar por aqui.

Eu sei.

Ol�! Foda-se, desculpa.

- Perdi alguma coisa? - Ainda n�o chegou.

Raios, est� bem. N�o devia estar aqui �s 6h30?

- Os pescadores n�o sabem as horas. - E o Hassan?

Ele n�o vem. Achou que �ramos idiotas por virmos.

S�o dois contentores. Nada de especial.

Claro.

Esperamos no carro?

- Podemos ver o cais? - Sim.

Est� tudo pronto, certo? Est� tudo certo?

Sim.

Metade sai como amostras para restaurantes

e vendemos o resto.

Ontem falei com o dono do Riche. Ele aceitou logo.

J� sentes o cheiro?

A qu�?

A dinheiro, Rami. O cheiro do dinheiro.

O Hassan falou com o barco, certo?

- N�o houve nada com o tempo ou... - Est� tudo bem.

Com licen�a.

- Sim? - Ol�.

- Ol�. - Esperamos um carregamento no cais 12.

- Certo. - Este � o n�mero dele.

Certo.

"Q-2..."

� um quatro? Certo.

Certo.

N�o, desculpe.

N�o est� aqui.

- Tem a certeza? Viu bem? - Sim, vi.

N�o reconhe�o este n�mero. Lamento...

N�o h� nenhum barco no cais 12.

Ser� que o perdemos?

O n�mero � inv�lido. Verifique o n�mero e volte a tentar.

- Atendedor autom�tico. - Liga-lhe outra vez.

O n�mero � inv�lido. Verifique o n�mero e volte a tentar.

Vamos beber um caf� algures?

Vou ao escrit�rio.

Se ele n�o atende, n�o estar� no escrit�rio.

O que se passa?

- Enganaste-me? - De que est�s a falar?

Onde?...

- Mostra-me onde ele vive. - N�o sei onde ele vive.

Gothenburg ou Landskrona, algures na costa oeste.

Ouve-me, cabr�o!

- O dinheiro n�o � s� meu! - Rami.

- Estamos lixados! - Larga.

- N�o sei o que se passa. - Diz-me onde ele vive.

N�o o conhe�o melhor do que tu. Ele angariou-me e eu a ti.

� s� isso que sei.

- Diz-me! - � tudo o que sei.

Foda-se!

Ol�.

- Olha aqui. - Champanhe.

Achei que dev�amos celebrar.

Tamb�m achaste?

Nem por isso.

Mas pode ser.

Mas n�o trouxeste nada?

O qu�?

Alguns camar�es.

N�o, quer dizer...

Est�o num contentor.

Ent�o, sa�de.

Ent�o?

Sabes que tenho muito orgulho em ti, n�o sabes?

Eu sei.

Como est�s?

- Como est�s? - Estou bem.

Senhor.

Ainda bem que vieste.

- Ol�. - Como est�s?

A m�e quer falar contigo.

- Ol�, pai. - Ol�. Est�s atrasado. Onde estiveste?

Desculpa.

- Ol�, como est�s? - Ol�.

Bem-vindo.

Merda. Est� bem.

Ol�.

Ol�, como est�s? Tudo bem? Ol�.

- Ol�, como est�s? - Ol�.

Como est�s? Tudo bem?

Ol�, minha querida.

Diz ol� ao pai da rapariga.

Ol�, como est�s? Michel.

- Ol�. - Ol�.

Ol� a todos.

O meu lindo filho finalmente chegou. J� comeste?

J� comi. Desculpa.

Pai, podes trazer um prato para o Michel?

Tudo bem?

D�-me isso.

Obrigado.

Em que trabalhas?

Em atividades extracurriculares.

Est�s contente com o trabalho?

N�o � mau.

Irm�o,

d�s-me um?

Obrigada.

Lixaste-me.

O que fiz eu?

Devias ter-me dito.

Poupa-me.

Sou uma linda menina.

- Linda? - Sim.

- A s�rio? - Muito linda.

Nem pensar.

Tu, a m�e e os outros est�o a estragar tudo.

O que se passa convosco?

A m�e tem raz�o.

N�o queres uma namorada nem um bom emprego.

Queres trabalhar com jovens a vida toda?

Porque complicas as coisas? Estou contente.

N�o sei. � uma pena.

N�o tens sonhos?

Rami, a mesa 4 est� � espera h� mais de 20 minutos.

- Estou sozinho. O que queres que fa�a? - Trabalha mais depressa.

Aqui est� a comida.

GRANIT REYES

14h, ZONA DO XADREZ, KULTURHUSET TENS DE VIR

Ent�o? Rami?

- Guarda a porra do telefone! - N�o me toques.

Toco-te o que eu quiser!

- N�o me toques! - O qu�?

Sa�ste da pris�o e imploraste-me por um emprego.

"Por favor, Shamon, d�-me um emprego."

Dou-te um emprego e o que fazes? Ias viver na legalidade.

- O que est�s a fazer? O qu�? - Aqui tens.

- O qu�? - �s parvo?

- Toca-me na cara! - Como assim?

- Queres que d� cabo de ti? - De mim?

Lambe o ch�o, est� bem?

Juro, se sa�res por aquela porta, nunca volta...

- Aqui tens. - Cala-te!

Ol�, mano!

Anda c�.

- O que � isto? - Porque n�o atendes quando ligo?

Sabes como tem sido stressante.

Vai ficar muito pior se n�o pagares.

Est�s a amea�ar-me?

N�o sou eu que te estou a amea�ar.

Eles � que est�o.

- N�o percebo. Somos amigos de inf�ncia. - Estou-me nas tintas.

Idiota, se n�o me pagares, n�o lhes posso pagar.

Quero que penses numa coisa.

N�o foste enganado, est� bem? Eles n�o foram enganados.

Eu � que fui enganado.

Eu resolvo as coisas.

Vai demorar algum tempo.

Mas vou resolver as coisas.

O dinheiro vai aparecer.

Tamb�m quero que penses numa coisa.

Tens uma fam�lia, certo?

- Ent�o? - N�o, larga-me!

Ouve! Vais pagar-me!

Sen�o, paga a tua mulher com a bichana e o cu!

N�o querem saber do teu tempo. Querem o dinheiro. Pede um empr�stimo.

Sai daqui.

Sai daqui, j� disse!

Filho da puta!

Onde raio est�s?

Eu disse que ia a uma reuni�o.

Ias levar o John e eu o Eddie ao centro de sa�de.

A LIGAR

Ol�, meu.

Bem...

Pequena mudan�a de planos.

Encontramo-nos �s cinco, no mesmo s�tio?

- Ol�, mano. - Ol�, Rami.

Desculpa o atraso.

Tudo bem.

- Diz-me, o que tens? - Hip�dromo de T�by.

O problema com o T�by � que eles guardam

todo o dinheiro num cacifo de metal

numa sala atr�s do escrit�rio, enquanto esperam pelos seguran�as.

Chegam � meia-noite.

Quantos seguran�as?

Sete.

Um � nosso, claro.

Ouve, mano.

N�o posso receber � percentagem. Preciso de cinco ou seis milh�es.

Eu sei. Soube do camar�o.

Por quem?

Toda a gente sabe.

Vou dizer �s pessoas que voltei ao ativo.

Tudo bem?

- Ent�o? - Tudo bem?

N�o sei como se espalhou.

Teremos um Anytec de 350 � espera.

E como chegamos a Bergshamra?

- O s�tio est� cheio de cavalos r�pidos. - Cavalos?

N�o sei porque n�o liguei logo ao Michel.

Talvez por orgulho.

Quando finalmente liguei, ele disse...

Vem ao Quarto Branco � meia-noite e meia.

Mano, n�o posso...

Rami!

Rami!

Rami!

Tu!

Aqui!

Como est�s? Tudo bem?

- Vamos falar aqui? - Anda.

Ol�, Rami.

- Ol�. - Ol�.

Muito prazer.

- Ol�. - Prazer.

- Esta � a Alex. � da Dinamarca. - Est� bem.

Diz-me se n�o compreenderes. Falo dinamarqu�s.

Sou internacional. Eu compreendo.

- Sim? - Sim.

A Alex mudou-se para c� para estudar. Ela � escritora.

N�o sou... Estou a estudar. N�o sou escritora.

- Sim. - N�o, para. N�o sou escritora.

Estou no secund�rio, sou trabalhadora-estudante.

Biskops-Arn�, j� ouviste falar? Mas isso... N�o sou escritora.

Publicou um texto em... Como se chama?

- 00-tallet, uma revista liter�ria. - 00-tallet...

Mas n�o sou escritora, tenho um emprego.

Conto dinheiro.

O qu�?

Conto dinheiro.

Trabalho numa empresa que lida com dinheiro.

- Est� bem. - Sim.

�s a primeira pessoa que conhe�o que conta dinheiro.

� muito porreiro. � um trabalho a s�rio. N�o sou escritora.

Ele s� diz isso porque � fofo.

- A �nica coisa triste � ser t�o longe... - O qu�?

- � longe, do outro lado da cidade. - Sim, em V�stberga.

Sim, � a�.

G4S...

Tenho de ir para longe todas as manh�s, mas n�o faz mal.

Disse-lhe para escrever sobre as semelhan�as entre dinheiro e morte.

Por exemplo... Ouve, as morgues. As morgues s�o sempre no r�s-do-ch�o.

Nunca s�o no quinto ou sexto andar.

Ningu�m sabe porqu�, mas � assim.

Cad�veres no andar de baixo. O mesmo se aplica ao dinheiro.

� sempre no andar de baixo. Cofres banc�rios, por exemplo.

Mas connosco � ao contr�rio.

N�o percebo. O cofre n�o � no andar de baixo?

Sim, mas h� mais dinheiro onde est� a ser contado,

no sexto andar, no topo.

- Certo. - Exatamente.

� uma boa teoria, mas n�o est� correta.

Achei que "Dinheiro e Morte" daria um �timo t�tulo.

- Certo. - Desculpa, estou um pouco...

- Bem... - O que se passa?

Vou buscar a Jessica e a Zaynab, n�o conseguem entrar.

- Vai busc�-las. - Sim.

- At� j�. - Sim.

�s atrasado mental? O que se passa contigo?

Est�s a brincar? � uma grande oportunidade.

H� quanto tempo sonhamos com isto?

Rami?

- Adeus. - Rami?

Rami?

Com licen�a.

Rami, entra.

- T�xi. - T�xi.

- T�xi? - Tarifa fixa.

- Vou de metro, meu. - Qual metro? Entra.

V� l�!

- T�xi. - Quer um t�xi?

- � barato. - Tarifa fixa.

- N�o quero. - Entra. Eu levo-te a casa.

� muito tarde.

A s�rio, mano. Tenho mesmo de ir para casa.

Sim.

Deixa-me em Gullmarsplan. Da� vou a p�.

Sim.

Sim!

- Est�s a ouvir-me? - Sim! O que se passa contigo?

Vou s� fazer uma coisa em caminho. � r�pido.

- Tira a m�o do pisca. - Tenho de fazer pisca.

N�o tens nada.

- Vou virar � esquerda. - S� podes virar � esquerda.

- Mas se quiser fazer pisca, fa�o. - N�o � preciso.

Est� bem.

Mano, eu sei conduzir.

Compreendo.

- Mas agora aprendeste mais. - Obrigado pela aula.

N�o vou mentir. Tive saudades disto.

Aqui parados, a pensar, a sonhar, a planear...

Ainda � imposs�vel.

A Alex sabe exatamente como � o edif�cio.

O que sabe ela sobre ti?

Nada.

Muito bem,

digamos que temos um informador.

Isso n�o muda o facto

de a esquadra ser na mesma rua.

Quantos metros s�o?

- Trezentos? - Duzentos e cinquenta e cinco.

Nem sa�mos do carro da Pol�cia chegar.

Digamos que sa�mos do carro e passamos a primeira porta.

- Est� bem. - E depois?

Faltam 15 a 20 fechaduras.

� a� que temos pensado mal.

Pensam sempre que pessoas como n�s atacar�o por baixo.

Percebes?

Como assim?

Um helic�ptero.

Olha.

Aterramos no telhado.

Entramos.

Descemos.

Pegamos no dinheiro e sa�mos a voar. Simples.

Simples.

- E a Pol�cia? - Que se foda. N�o podem fazer nada.

V�o ficar ali com a pila na m�o, a dizer-nos adeus.

- Tens no��o do que parece? - Sim, parece...

Meu irm�o.

Legendas: Helena Cotovio

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